Sugar Daddy

5 Negociar é uma arte, a psicologia faz parte!


Notas iniciais
Kaline, prepara o colete :D

Capítulo V – Negociar é uma arte, a psicologia faz parte!

DA REMUNERAÇÃO

Cláusula 3ª O EMPREGADOR pagará, mensalmente, ao EMPREGADO, um salário equivalente a ¥ 150.000¹, com os descontos previstos em lei.

§1º O dinheiro será administrado pelo EMPREGADOR, tendo em vista o descontrole do EMPREGADO para com suas finanças, conforme acordado entre ambos previamente;

§2º Obstante a isso, um terço do dinheiro ficará disponível ao EMPREGADO para que o mesmo aprenda a lidar com os próprios gastos. Mas contas de luz, aluguel, almoços – que estejam pautados dentro da empresa – e afins, serão todos tratados pelo EMPREGADOR e uma comanda com todos os gastos poderá ou não ser entregue ao EMPREGADO no fim de cada mês;

§3º Caso os valores gastos pelo EMPREGADOR ultrapassem aquilo que o EMPREGADO recebe, o mesmo arcará com os gastos, tendo a ciência de sua total responsabilidade a respeito disso;

§4º Conforme o EMPREGADO for aprendendo a administrar seu próprio dinheiro, mais de seu salário será liberado para que comece a lidar com as próprias responsabilidades;

Os olhos de Naruto cresceram para aquela parte do contrato.

− Caralho, Sasuke, você viu quanto o Kiba ganha?! – Praticamente cuspiu o suco na cara do namorado. Sasuke sentiu uma veia saltar em sua testa. Tinha feito uma pausa no contrato Yamanaka e agradeceu-se internamente por isso. Se aqueles documentos tivessem molhado... – Gomene, ‘te bayo.

Sasuke bufou.

− Por que diabos você ainda está tão interessado nessa porra de contrato?! – Mandara a polidez para o inferno ao soltar o palavrão de maneira tão expressiva.

− Kiba pediu minha ajuda. – Fez um muxoxo baixinho. – Não posso simplesmente ignorar isso só porque parecer ter mais benefícios do que malefícios.

Sasuke foi até a cozinha, pegando um pano e enxugando o próprio rosto. Aproveitou para tirar a camiseta toda salpicada de suco. Naruto deu um sorrisinho sacana, indo atrás dele, os dedos correndo pela tatuagem feita no passado.

− Não me esqueci que cuspiu todo o suco na minha cara. – Fechou os olhos, a expressão sisuda enquanto Naruto espalhava beijinhos em seu pescoço.

− Posso limpar pra você. – sussurrou em seu ouvido, arrancando um arrepio gostoso de Sasuke.

Ele suspirou em resposta, as mãos apoiadas no balcão da cozinha.

− Vai ter que se esforçar muito. – disse. – E não quero ouvi-lo falando desse maldito contrato até amanhã.

Naruto deu um sorrisinho sacana, virando-o para si e segurando firmemente sua cintura.

− Sabe que você fica sexy todo marrentinho assim?

− Aho. – Sasuke o xingou baixinho.

− Teme.— Naruto rebateu. Essa fora, afinal, a primeira forma de tratamento dos dois antes que partissem para os amassos.

Beijaram-se. E, momentaneamente, Naruto esqueceu-se do contrato.

X

Kiba sentiu como se tivesse engolido um quilo de areia. A boca estava seca, não conseguia falar, sequer articular algo. Era como se sua cabeça tivesse sido preenchida por aqueles enchimentos com os quais fazem os ursinhos. E tudo girava ao seu redor.

− M-m-m-morar com você?! – Parecia Hinata, uma amiga de infância, gaguejando. Na época da escola, ele, Hinata e Shino eram praticamente um time. Sempre faziam os trabalhos juntos, até que ela teve que mudar de escola porque o pai a obrigou a ir para um internato só para garotas.

Ele não sabia se aquilo tinha algo a ver com sua paixonite por Naruto ou não, mas o fato é que o melhor amigo de Kiba sempre havia se mostrado mais propenso a gostar de homens, mesmo que se assumisse como bissexual.

Shino arqueou as sobrancelhas, encarando ele.

− Exato. – respondeu, categórico. – Facilitaria muito as coisas para nós, Kiba, você simplesmente aceitar isso.

− M-m-m-mas isso está no contrato?! – Suava frio diante daquela possibilidade. Morar com Shino?! Como seria? Era tão bagunceiro! Nem fazia ideia! Além disso... sentia algo estranho naquele momento. Era como se não soubesse como se sentir a respeito do ex-namorado. Todos aqueles sentimentos confusos, o fato de estarem se reaproximando, a raiva por ele lhe tratar daquele jeito, fazendo-o usar uma coleira no pescoço—literalmente.

Aburame soltou um suspiro pesado através dos lábios, pela primeira vez considerando se o contrato realmente havia sido uma boa ideia. Mas conhecia Kiba e seu jeito livre e impulsivo. E precisava ensinar a ele uma valiosa lição antes que a vida ensinasse. Mesmo que isso significasse que o ex-namorado nutriria raiva por ele no processo. Só esperava que os danos não fossem eternos.

− Não está obrigatoriamente no contrato. – disse. – Coisa que você saberia se o tivesse lido com o devido cuidado.

Kiba não sentiu alívio imediato por aquela resposta, pois sabia que Shino tinha razão. E que naquele processo de adaptação, ainda teria muitas surpresas.

Sua expressão amedrontada tornou-se séria como raramente Shino via. E com aquela maquiagem tão fofinha só o tornava ainda mais apertável. Shino se conteve colocando as mãos no bolso.

− Não posso aceitar, Shino. – Sua resposta veio como um tiro de canhão. Shino abaixou o rosto.

− Entendo.

− Não! – Apressou-se em dizer. – Não posso aceitar por esse motivo que está me oferecendo. Sei que quer cuidar de mim. – Ergueu o rosto para encará-lo e sorriu, deixando os caninos expostos. – E eu também quero cuidar de você, sabe? Não só porque é meu patrão e ex-namorado, mas porque é meu amigo também.

Havia certa maturidade no tom de voz de Kiba que deixou Shino sem reação por um momento, os lábios entreabertos enquanto o encarava. Mas Shino acabou sorrindo, derrotado diante daquela informação. Aproximou-se do ex-namorado, envolvendo-o pela cintura.

− O-oe! O que está fazendo, maldito?! – Kiba perguntou, os olhos arregalados, sem de fato tentar se soltar quando a boca de Shino repousou em sua orelha.

− Prometa que vai me dar uma chance. Prometa que vai me deixar cuidar de você. — pediu baixinho, provocante. – Quer me conhecer melhor? Me dê espaço para entrar na sua vida. Então te deixo entrar na minha.

Kiba sentiu todos os pelinhos de sua nuca se arrepiarem. O coração batia tão rápido no peito que achou que fosse explodir!

− Y-yatta! – Kiba exclamou. – Mas vai ter que concordar em me dizer sobre os pesadelos ou procurar ajuda sobre isso!

Shino afastou-se, um sorriso vitorioso no canto dos lábios.

− Concordo com a ajuda, você pode correr atrás disso. – delegou. – Em troca, quero um encontro no final da primeira sessão.

− Cinco. – Kiba ergueu a mão direita. – Cinco sessões e não se fala mais nisso.

Shino suspirou, derrotado novamente.

− Você está começando a ficar esperto.

− Hehe. – Kiba coçou o nariz com o indicador. – Vou procurar a respeito. Mas acho que já tenho a pessoa perfeita em mente.

X

Não foi com muita alegria que Shino foi parar na sala de espera de uma das psicólogas mais renomadas de Tokyo, mas Kiba parecia empolgado!

− Li um artigo sobre ela que saiu na revista. Diz que ganhou vários prêmios a respeito de indução através de hipnose! – Kiba abriu um sorriso divertido. – Já pensou se ela te faz imitar uma galinha, Shino?!

− Acho que isso seria antiético. – rebateu. – Além disso, não acredito muito nessas coisas.

− Ne, não acredita na psicologia? – Kiba inclinou o rosto para o lado. As outras pessoas na sala de espera olhavam com curiosidade para o homem vestido de terno, com maquiagem no rosto e uma coleira de spikes.

− A mente é algo complexo demais para ser explicada por uma única ciência. – Suspirou, ligeiramente incomodado. – Eu acredito, eu só... sou resistente a algumas práticas.

− Ela vai mudar seu conceito! – Kiba permanecia animado.

− Hai, hai. – Shino, no entanto, era a cara do desânimo. Sasuke havia dito que tudo estava certo com o acordo. Apenas precisariam se reunir com os representantes da Yamanaka Interprises para acertarem os pormenores e isso era algo que deveria fazer no dia seguinte. – Quer me acompanhar em uma reunião amanhã?

− Reunião? – Kiba arqueou as sobrancelhas. – Achei que não me quisesse nesses assuntos chatos.

− Mas você disse estar interessado na minha vida. Essa seria uma forma de me conhecer melhor. Acho, também, que não será extensa ou tão chata quanto a dos acionistas.

Kiba sabia o quanto os acionistas estressavam Shino. Podia ver pela palidez excessiva de sua pele.

− Tudo bem. – respondeu. – Posso fazer isso.

Shino sorriu.

− Obrigado por estar aqui.

− É meu dever cuidar de você, chefinho! – Kiba piscou.

− Aburame Shino.— A voz veio de dentro da sala.

− Boa sorte! – Kiba ofereceu.

Shino levantou-se, um pouco incômodo, mas seguiu para dentro da sala. Viu o divã, confortável, a pintura branca da sala, com quadros de artes expostos para todos os lados. De fato, a mulher parecia ter bom gosto.

− Fique à vontade. – A voz familiar de algum lugar fez Shino empertigar-se. Até que olhou para a psicóloga, confortavelmente sentada em sua cadeira com estampa de tigres. – Kaline Bogard. É um prazer conhecê-lo, Aburame-san.

O sorriso preencheu seus lábios quando estendeu uma das mãos a qual Shino apertou. Vestia-se bem, com um vestido negro tubinho que encaixava bem no corpo magro e alto. Os cabelos castanhos estavam presos em um coque alto e o óculos com armação tigrada e felina encaixavam bem no rosto. A pele era alva, do tipo que não tomava muito sol. Mas os olhos eram auspiciosos, do tipo de olhar que todo psicólogo bem treinado deve possuir para dar confiança.

Mas Shino sabia que por trás da lente daqueles óculos de graus, havia uma mulher treinada para sempre conseguir o que queria. E Shino havia tirado isso dela. Deveria se preocupar?

− Acho que já nos conhecemos, não é? Do leilão. – Lembrou-se ela. – Foi você quem ficou com Inuzuka Kiba, eu acho. Acabei arrematando Hyuuga Neji depois disso.

O sorriso divertido ainda pintava seus lábios.

− Por favor, fique à vontade. Não falaremos de trivialidades, mas sobre o que realmente importa. Deixe-me conhecê-lo um pouco melhor.

Shino sentiu-se demasiadamente pequeno dentro da sala naquele momento, fora de seu ambiente de conforto natural, mas respirou fundo. Não se deixaria abater, e escolheu sentar-se na cadeira diante da mesa dela. O divã o deixaria por demasiado aberto.

Maldita hora em que havia aceitado as sessões de psicologia sem nem sequer ver que a pessoa que o trataria era a mesma que tentara arrematar Kiba no leilão!

¹ — Equivalente a R$4.612,50 aqui no Brasil.

Notas finais
Eu ODEIO converter ienes em reais. Nossa, tomei uma surra pra criar um valor que julguei bacana sem ser excessivo demais. E mesmo assim, em reais, é um salário de responsa. Digam aí. Quem não quer ser secretário do Shinão? :D Esse capítulo foi mais para que os dois acordassem os desacordos. Shino só quer proteger o bb, gente! E tirar uma casquinha, hohoho. E aí, o que acharam dos desenvolvimentos pro futuro? E que tal essa psicóloga maluca que arrematou o Neji no leilão? Todos os direitos dessa personagem pertence ao fandom Nyah! Mas não vou colocar crossover só por isso, acho meio desnecessário. No próximo capítulo teremos um pouco mais dela? O que vocês acham? Espero vocês lá! Beijos!