Sugar Daddy

1 Entrevista com o ex-namorado


Notas iniciais
Como se eu não tivesse fics o bastante pra trabalhar, aqui vem mais uma! :D

Continuação de "O Leilão". Para os novos leitores em questão, sugiro que leiam aquela primeiro. Mas não é obrigatório. Nos vemos nas notas finais!

Kiba sentia o corpo todo pinicando.

Existiam aproximadamente três coisas que ele odiava com todas as forças:

1 – Valentões que batiam nos mais fracos. Kiba abominava eles! E sempre comprava briga quando via que um desses idiotas estava bancando o valente. Certa vez, no colégio, batera em um tal de Deidara por tentar arrancar o dinheiro do lanche de um colega de sala. Quando o mesmo Deidara tentou arrancar os snacks de Chouji, tomou uma surra tão grande que mudou até de escola!

2 – Maus tratos aos animais. Ele simplesmente ficava estarrecido quando via alguém machucar um animalzinho! Não apenas porque sua querida irmã era veterinária e ele havia crescido no meio dos bichinhos, mas era simplesmente detestável. Como alguém podia judiar uma criatura que jamais faria mal a ninguém? Exceto talvez pelo gato da Sra. Michiko. Ele era uma peste. Mas nem ele merecia ser judiado!

3 – Ternos. Ou qualquer tipo de roupa social. Ou qualquer coisa que pinicasse como aquele terno.

Ele se sentia preso à uma camisa de força! Não, talvez uma camisa de força fosse mais confortável que aquilo. Mangas longas e que apertavam seus punhos em uma camisa social salmão; um terno ajustado ao seu corpo, feito sob medida, Shino dissera (só se for a medida de um garoto raquítico, porra!), e calças extremamente apertadas (era melhor se fosse de couro, caralho!).

Bem, esse era Inuzuka Kiba, todo formal e vestido para o seu primeiro dia de trabalho com o ex-namorado.

Ex sim. Ele se recusara a reatar a reação do jeito que Shino queria. Quem ele estava pensando que era?! Teria que conquistá-lo de novo, oras!

O acordo fora o seguinte: Kiba usaria o dinheiro do leilão para ajeitar sua vida. Começou acertando todas as contas da kitnet onde morava, e embora Shino tivesse insistido que poderia ficar consigo no hotel, Kiba foi incisivo em negar (não é assim que quero recomeçar a nossa vida. Quero que seja direito! Já estou com fome. Podemos passar no Mc Donald’s?).

Agora ele estava no saguão do hotel, enquanto esperava Shino descer do quarto. Verdade seja dita: estava um pouco nervoso e suava horrores por baixo daquela roupa! Na noite anterior, havia tido uma conversa séria com Shino.

O ex-namorado havia ido embora do país às pressas após ter testemunhado um assassinato do qual não entrou em detalhes, mas o cara era tão perigoso que ele precisou entrar no programa de proteção às testemunhas! Kiba só conseguia imaginar os horrores que Shino havia passado. Mas, bem, tirara certo proveito da situação, tendo em vista que, nos Estados Unidos, onde havia morado com o pai, o jovem rapaz desenvolveu uma tecnologia com mini-drones que eram abelhas sintéticas capazes de polinizar as flores.

Shino havia dito algo sobre elas estarem em extinção, mas Kiba nunca deu muita atenção ao fato além de que adorava mel! Mas, como dito a princípio, ele odiava qualquer pessoa que judiasse de animais. Então não matava nem mesmo um pernilongo. Que diria um inseto majestoso capaz de produzir mel? Sua mente divagava, pensando em quantas coisas deliciosas o mel podia fazer...

− Pão de mel, panquecas com mel, barrinhas de mel e nozes, banana com mel... – Kiba estava em outro universo, salivando enquanto imaginava aquilo tudo, que mal viu quando Shino se aproximou, parando diante dele.

− Sonhando acordado, Kiba?

− CARALHO, SHINO! – Todo o saguão do hotel ficou em silêncio, voltando-se na direção dos dois. Shino apenas abaixou a cabeça diante do constrangimento e ajeitou os óculos escuros sobre o rosto.

Usava um terno escuro, com corte perfeito e uma camisa social azul petróleo por baixo. A gravata preta estava bem alinhada e as abotoaduras brilhantes destacavam-se nos braços do paletó.

− Desculpa, Shino. – Kiba pediu baixinho ao ver que o havia constrangido diante de toda aquela gente que logo voltou a fazer qualquer coisa, menos olhar para os dois, ao notarem o olhar assassino de Shino por trás dos óculos.

− Fique parado. – O pedido parecia uma ordem e Kiba obedeceu. Shino inclinou-se até que Kiba sentisse sua respiração morna próxima de seu rosto. Seu coração saltou no peito de forma descompassada, e ele sentiu o sangue concentrar-se nas bochechas quando as mãos de Shino foram até seu pescoço, ajeitando a gravata por dentro do colarinho. Com uma destreza que ele desconhecia, Shino ajeitou a gravata riscada em preto e branco até que ela ficasse perfeitamente alinhada. – Pronto.

Os olhos de Kiba permaneceram fixas nas lentes escuras do óculos de Shino. Ao perceber o desconforto de Kiba, Shino apenas sorriu de canto e se afastou.

− Já tomou café?

À simples menção de comida, Kiba se animou.

− Não deu tempo! Vim correndo pra não perder o horário! – Coçou a nuca. – Acordei atrasado.

− Então vamos. – disse ele, dirigindo-se para o restaurante do hotel. – Vou te atualizar a respeito dos meus projetos e dizer o que eu preciso.

Animado, Kiba o seguiu. Mal havia começado naquele trabalho, mas já o considerava pacas!

X

− Uau! – Kiba nunca havia visto tanta comida em um único lugar! Nem mesmo quando a família Inuzuka se reunia nas festas de fim de ano, tanta comida diferente assim era servida!

Seus olhos cresceram ao ver a mesa repleta de frutas que ele desconhecia. Cortes de queijos, ovos mexidos, panquecas, pães e especiarias que aguavam a boca só de olhar!

Se sentia tentado! Queria provar um pouco de tudo! Estava prestes a pegar um prato quando um rapaz vestido como um pinguim fez um gesto com a mão para que parasse.

− Está hospedado no hotel, senhor? – perguntou com um ar deveras aristocrático. – Se não estiver, peço que retire uma comanda no caixa para que possamos computar seus gastos.

Kiba arrefeceu na hora em que viu o preço estampado na parede. Aquilo era um absurdo! Jamais poderia pagar por um café da manhã tão requintado!

− Ele está comigo. – Shino soou sério atrás de si. Kiba teve que segurar um segundo grito, mas sua alma saiu para um passeio. – Algum problema?

O Sr. Pinguim, como Kiba o apelidou mentalmente, arregalou os olhos escuros.

− N-não, Aburame-san. Me perdoe. Não sabia que estava acompanhado. – O homem fez uma mesura exagerada para Kiba. – Fique à vontade.

Kiba lançou um olhar de esguelha para Shino.

− Não posso pagar por isso, Shino.

− É um café da manhã de negócios. – disse ele. – Como poderemos conversar apropriadamente se você estiver com o estômago vazio?

Kiba ponderou um pouco sobre aquilo. Por um lado, Shino tinha razão. Kiba não funcionava direito sem comer! Mas por outro... será que era certo colocar aquilo nas costas dele?

Bem, era um café da manhã de negócios, não era? Aquilo o animou. Só não faria disso um hábito, é claro!

X

O prato de Kiba quase escondia seu rosto por trás. Shino lembrava-se que na época do colégio, ele era capaz de devorar seu almoço e o dele em questão de segundos! Pelo visto, certas coisas não mudavam.

− Caralho, Shino, o cara tremeu na base quando te viu! Você é importante mesmo! – Kiba falava com a boca cheia, espalhando farelos sobre o prato. Tudo era tão delicioso que queria colocar tudo de uma só vez na boca.

− Muito estardalhaço é feito por nada. – Shino suspirou baixinho, parecendo ligeiramente exausto enquanto massageava as têmporas e bebericava o café preto. Kiba lançou um olhar para as frutas intocadas em seu prato.

− Não tá com fome? – A pilha de comida em seu prato já havia diminuído consideravelmente.

− Acho que ainda estou sofrendo pelo jet-lag¹. – Shino esclareceu.

− Bem que eu achei você meio pálido mesmo! – Kiba inclinou-se apoiando os cotovelos na mesa e encostou a mão em sua testa. – ‘Tá quente! Tá com febre? Dormiu direito?

− Estou bem. É só um mal-estar passageiro. – Shino justificou, tentando afastar as preocupações de Kiba.

Ele, no entanto, não pareceu muito convencido.

− Tem certeza? – perguntou ele. – Podemos conversar lá no seu quarto, mais confortável se você quiser.

O sorriso que chegou aos lábios de Shino foi discreto, mas o suficiente para fazer Kiba corar até a raiz dos cabelos.

− Não quis dizer isso, seu maldito! Que droga. – Escondeu-se por trás de uma generosa fatia de pudim.

− Tudo bem. – Shino se rendeu. – Acho que podemos conversar no quarto e eu aproveito e te mostro a acomodações.

− E descansa! – Kiba emendou, animado em ver como era um quarto de hotel daqueles! Devia ser animal!

X

Deslumbrante.

Se Kiba tivesse que usar uma palavra, seria essa.

Shino tinha a chave que levava para o andar da suíte presidencial, que deveria ser maior que a casa de Kiba pelo menos umas oito vezes. Uma cama redonda de casal ficava ao lado de janelas abertas que exibiam uma claridade maravilhosa para o quarto agora que as janelas estavam abertas. Sofás confortáveis de tonalidade vermelha, contrastando com o creme das cortinas e do lençol de seda sobre a cama estavam confortavelmente instalados no centro do quarto. Além da sala anexa e da suíte que Kiba apenas olhou de longe! Tinha uma banheira! Uma banheira!

− Ca-ra-lho. – falou pausadamente. – ‘Cê é rico pra porra mesmo, Shino!

O rapaz não conseguiu evitar um risinho, mesmo que não fosse de sua natureza. Mas Kiba sempre o deixava mais leve.

Shino caminhou até o sofá e sentou-se, sentindo-se de repente exausto demais.

− Talvez você tenha razão. – murmurou ele. Kiba sentou-se ao seu lado e colocou a mão em sua testa. Ele estava queimando de febre!

− ‘Cê tá muito mal, cara. Vem. – Kiba passou uma das mãos pelos ombros de Shino e o guiou até a cama. Deitou-o ali e tirou seus sapatos, o paletó e desatou a gravata. Shino apenas arqueou as sobrancelhas. – Para de me encarar assim, maldito! Não dá pra dormir com essa ruma de roupa!

Shino era só sorrisos naquele dia.

− Vou te deixar descansar. Podemos conversar depois. – Kiba fez biquinho e o cobriu até a altura do pescoço.

− Kiba? – Shino chamou.

− Hum?

− Vai estar aqui quando eu acordar?

Inuzuka deixou o ar escapar pelos pulmões enquanto umedecia uma toalha com água da pia do banheiro. Colocou-a sobre a testa de Shino, fechou as cortinas e tirou seus óculos escuros. Exatamente nessa ordem. Mas Shino já havia adormecido.

− Claro que sim, seu idiota. Eu disse que não iria mais embora. – Fez um muxoxo, ligando a TV do quarto e olhando-o de esguelha. Pelo visto teria muito trabalho com aquele ex-namorado descuidado!

Notas finais
¹Descompensação horária após mudança de fuso horário em longas viagens de avião.

??”--

Mais uma longfic ShinoKiba para os fãs de plantão! :D

Quando comecei a escrever "O Leilão" para o desafio da FNS, não esperava que fosse pegar tanto gosto assim pela história. Mas seu conteúdo leve e fácil contrastou com a outra fic que venho trabalhando, Puppet, que segue uma trama de terror e suspense com o mesmo casal que pesa escrever.

Enfim.

Eu gostei bastante da ideia e decidi comprá-la de mim mesma e dar a chance para mais uma long! Por enquanto, fica assim o calendário ShinoKiba:

Segundas, quartas e sextas: Cotidiano
Terças: Sugar Daddy
Domingos: The Puppet

De terças, quintas e sábados temos a "Momentos" da Kaline Bogard! Recomendo muito. Deixarei os links de todas logo abaixo.

Cotidiano: https://fanfiction.com.br/historia/751540/Cotidiano/
Momentos: https://fanfiction.com.br/historia/751536/Momentos/
The Puppet: https://fanfiction.com.br/historia/753299/The_Puppet/

Enfim, nos vemos no próximo capítulo! Até lá!