Sugar Daddy
12 Efeito etílico
Notas iniciais
Naruto entrou no quarto com o maior ar de fofoqueira da vida. Sasuke, que estava bêbado o suficiente para ter uma dor de cabeça colossal na manhã seguinte – talvez maior do que a que tivera essa manhã – apenas arqueou as sobrancelhas. E decidiu virar para o lado, fingindo que estava dormindo.
− Oe! Não vire pro lado, teme! Eu vi que está acordado! – Naruto aproximou-se dele na cama. Sasuke, que poderia muito bem fingir que estava dormindo mesmo assim, continuou como estava. Não que isso significasse algo para Naruto, que afundou o colchão ao seu lado. – Eu fui deixar as coisas no quarto e você não sabe. Eles estavam no maior climão! Com o Kiba no colo do Shino e tudo!
Os ouvidos de Sasuke aguçaram diante daquilo. Amaldiçoou-se pelo espírito de Fifi que apossou-se de si e virou-se na direção de Naruto.
− Ele estava no colo dele? Os dois se beijaram?
− Rá! – Naruto apontou na direção de Sasuke, que revirou os olhos diante da atitude infantil do namorado. – Eu sabia que você estava acordado, ‘te bayo!
− Conta logo, seu Maria fofoca!
− Olha só quem fala! – Naruto inflou a bochecha, mas diante do olhar mortal do namorado que se soltava um pouquinho mais com a bebida, apenas soltou uma risada. – Cheguei na sala para chamá-los e estava um clima super intenso! Aí eu disse que não teriam problema em dividir a cama de casal! E falei da camisinha, é claro.
Sasuke não sabia onde enfiar a cara. Pois era seu chefe. Seu chefe! Mas a verdade é que estava bastante curioso. Esperava que desse tudo certo. Afinal, chefe feliz, emprego feliz.
− Ótimo. – Foi apenas o que disse antes de virar-se para o lado e agarrar o travesseiro. – Apague a luz quando deitar.
Naruto ficou indignado.
− O-oe! Nem mesmo um beijinho de boa noite?!
Mas Sasuke apenas sorriu. Deixaria ele chupando o dedo naquela noite pelo galo que havia ganhado na cabeça!
X
Kiba sentiu o gosto de álcool em sua boca misturado ao morango da sobremesa. Era bom, mas acima de tudo, parecia correto. Parecia?
Seus dedos se emaranharam nos fios castanhos do cabelo de Shino, as unhas postiças que usava no trabalho arranhando-o ali. Shino apoiava suas costas com ambas as mãos, sustentando-o para que não caísse.
O beijo era quente, afoito, um pouco agoniado pelo mundo que girava ao redor deles. Kiba sabia que queria beijá-lo. Sabia disso desde o jantar que haviam tido após o Leilão, pois seus sentimentos por Shino, embora tivessem permanecidos adormecidos, nunca se dissiparam.
Ainda lembrava-se da dor de sua partida. De como fora doloroso não saber o motivo pelo qual havia sido abandonado e deixado para trás. Pensando ter feito algo de errado. Mas Shino simplesmente havia sumido do mapa junto de seu pai. Sem dar-lhe notícias ou motivo.
Então, quando ele o arrematou no leilão e lhe contou toda a verdade por trás do que havia acontecido – ainda que sem detalhes sórdidos – Kiba sentiu como se aqueles sentimentos que haviam adormecido como uma lagarta em sua crisálida, haviam renascido novamente. Como uma linda borboleta.
Ou talvez fosse apenas seu coração bêbado falando.
Mordiscou de leve o lábio de Shino quando afastou-se para recobrar o ar. Abrindo os olhos e encarando-o.
O que queria? Sabia que o queria. Shino. Queria ele em sua vida e cuidar dele. Fazer parte daquilo.
− Vamos para o quarto. – Shino sugeriu. Beijando seu pescoço e Kiba. Aquele ato nublava seus pensamentos, e ele expôs o pescoço para dar-lhe mais espaço. Tentou ficar de pé, mas o mundo girava ao seu redor e Shino o ajudou. – Se apoie em mim.
Mas o fato é que Shino também estava bêbado. E quando Kiba enlaçou as pernas em sua cintura para que ele o levasse no colo, os dois acabaram cambaleando até caírem no sofá, com Shino por cima de Kiba.
Os dois soltaram uma risada rouca, os pensamentos girando ao redor da mente de Kiba enquanto Shino o encarava.
− Pare de se esconder atrás dos óculos. – pediu, removendo-os. E encarando os poços de alcatrão que eram os olhos de Shino. Incapaz de discernir as pupilas e a íris, e perdendo-se naquele labirinto de mistérios.
− O que foi? – Shino perguntou. – São meus olhos de brilho apaixonante? – brincou. Mas para Kiba aquela era uma verdade absoluta. – Kiba? Tudo bem?
Talvez, Shino pensou, ele estivesse desconfortável com tudo isso. Mas era difícil pensar naquele momento. Estava indo longe demais? Havia enxergado os sinais de maneira errada?
Kiba tocou seu rosto, acariciando-o com cuidado. Tal como um cego que tateia cada ponto buscando ler a o rosto da pessoa. Mas havia nele um sorriso de quase devoção.
− É um brilho muito apaixonante. – murmurou, e o beijou. Não querendo perder um segundo daquilo. Sentindo o encaixe da boca de Shino contra a sua, exatamente da maneira como se lembrava: correta, perfeita.
Pois os lábios dele eram macios e convidativos. E quando suas línguas se tocaram, Kiba soube o quanto estava saudoso daquele momento. Puxando-o para mais perto de si, querendo senti-lo. Querendo sentir seu coração junto do dele. E ao mesmo tempo, junto da sensação torpe de vertigem que o invadia havia uma espécie de medo, como se houvesse um muro gigantesco entre eles.
...
Em algum momento, Kiba não soube como, pararam no quarto. Teria sofrido um blackout? Será que havia bebido tanto assim? Mas sempre fora fraco para bebidas...
E Shino estava sobre ele, o mundo girando e girando... Por que as coisas tinham que ser tão complicadas?
Kiba fechou os olhos. Apenas por um momento enquanto sentia os beijos de Shino descendo por seu pescoço. Sentindo as mãos dele escorregarem por sua cintura.
− Me beija, Shino... – murmurou baixinho. E virou o rosto em sua direção.
E, a partir daí, não se lembrou de mais nada.
X
A luz penetrou pelas persianas do quarto de hóspedes do apartamento. Kiba reclamou um palavrão e uma dúzia de outras palavras ininteligíveis.
− Alguém desliga o sol, por favor... – murmurou baixinho, cobrindo o rosto com um travesseiro e sentindo algo acariciar-lhe na altura da barriga. Ficou satisfeito. Havia, também, uma respiração quente em sua nuca. Quanto tempo fazia que não dormia de conchinha com alguém?
Estava quase sorrindo de satisfação e entregando-se ao sono novamente quando seus neurônios, ainda lerdando por conta do álcool, começaram a trabalhar. E isso lhe fez ter uma dor de cabeça lancinante!
Mas ele estava dormindo em um quarto que não era seu. Mais especificamente em uma cama que não era sua. Com braços ao redor de sua cintura. Braços muito gostosos por sinal.
Kiba não queria abrir os olhos. Ele só queria ficar bem quietinho ali e não ter que encarar a realidade do que quer que tivesse feito.
− Será que você pode apagar a luz, Kiba? – A voz de Shino pediu, sussurrando em seu ouvido.
A voz.
De Shino.
Kiba gritou. E até mesmo a velhinha surda do primeiro andar o escutou.
X
Ino bebericava o chá calmamente na varanda do palácio do príncipe Kazekage quando ouviu algo. Quase como se um inseto zunisse em seu ouvido, mas que se assemelhava a qualquer coisa como um grito.
Balançou a cabeça, sentindo-se arrepiar.
− Algum problema, Ino? – Gaara perguntou, estendendo a mão para tocar a dela por sobre a mesa.
− Achei ter ouvido alguma coisa. Será que gritaram lá debaixo? – Olhou por sobre o ombro por um momento, mas tudo parecia em paz.
− Acho que é impressão sua. – disse ele, no tom dócil de sempre. – Talvez devesse descansar mais um pouco. Foi uma longa viagem.
Ino tomou mais um gole do chá. Mas por um momento tivera a impressão de ouvir Kiba gritar. Bem, claro que isso não era possível! Talvez Gaara tivesse razão. Talvez precisasse mesmo descansar.
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