Sugar Daddy
3 Como assim você não leu o contrato?!
Notas iniciais
DO OBJETO DO CONTRATO
Cláusula 1ª. O presente contrato tem como OBJETO, a prestação pelo EMPREGADO, do trabalho consistente nos serviços relativos à função de Secretário Interino.
1º Fica acordado por ambas as partes que o EMPREGADO deverá acatar as vestimentas de trabalho e comparecer com elas em serviço sempre que for ordenado, com as devidas modificações, conforme informado previamente. A vestimenta que compõe as normas da empresa consiste em terno completo, gravata e sapato social. O EMPREGADO também deverá utilizar os itens obrigatórios conforme acordado anteriormente. A falta de quaisquer itens (colar de couro; corrente de prata; terno; gravata; sapatos sociais; maquiagem vermelha; unhas postiças) acarretará em uma multa equivalente a dezoito vezes o salário do EMPREGADO sem direito a contestação.
2º Os serviços relativos à sua função são inerentes ao EMPREGADO, portanto, o mesmo não poderá transferir suas responsabilidades de execução para outrem que não ele mesmo. A quebra dessa cláusula acarretará em uma multa equivalente a vinte e duas vezes o salário do EMPREGADO sem direito a contestação.
Naruto coçou a cabeça após ler e reler o trecho, ouvindo Kiba caminhar de um lado para o outro em seu apartamento como se fosse abrir um buraco no chão.
− Segundo o que consta aqui, você precisa cumprir o que está no contrato ou terá que pagar multas cabulosas, Kiba!
− Uau, Naruto, ajudou pra caralho! – Kiba trincou os dentes e espalmou as mãos no maldito contrato como se o pedaço de papel o encarasse e desse risadinhas de sua cara. – Merda. Merda. Merda!
− Caramba, Kiba, é difícil de te defender! – exclamou o outro. – Como você assina um contrato sem ler?!
Kiba lançou um olhar cortante para o amigo. Não queria ouvir aquilo! Não queria ouvir que havia sido um burro do caralho por não ler a porra do contrato! Queria uma solução! E Naruto era o único – mais próximo de ser – advogado que conhecia!
− Porra, Naruto. – Se deixou cair sentado na cadeira de frente para o loiro e soltou o ar pelos lábios, enterrando as mãos nos fios castanhos. – O que eu vou fazer?!
Naruto se compadeceu do amigo. Certo que Kiba havia metido os pés pelas mãos novamente por não ler o contrato minuciosamente calculado para pegar pessoas como ele. Naruto não sabia se podia culpar o amigo por isso, pois na situação dele, provavelmente teria feito a mesma coisa.
Se já não tivesse acontecido antes.
− Bem, não adianta chorar pelo leite estragado. – Naruto pegou o contrato. – Estou saindo com um cara formado em Direito. Conheci ele na época da faculdade, sabe? Mas ele seguiu o curso até o final. Vou pedir o conselho dele, ver se existe alguma forma de quebra de contrato. Mas não vou prometer nada!
Os olhos de Kiba brilharam. Uma chance de escapar daquilo?! É claro que agarraria! E abraçou Naruto apertando o amigo contra o próprio peito e deu um beijo estalado em sua bochecha.
− Caralho, cara! Eu te amo!
− Eu sei, eu sei. – Naruto se afastou para ajeitar a roupa amarrotada. – Vai me dever um mês de lamen no Ichiraku quando resolver isso, tá me ouvindo, ‘te bayo?
− O que você quiser!
Naruto sorriu de canto. Mas tinha quase certeza de que aquela era uma aposta perdida.
X
Kiba ainda não acreditava na roubada em que havia se metido! Depois de ter desfilado como prêmio de um leilão, ele achou que nunca mais voltaria a ser TÃO humilhado em toda sua vida!
Mas ali estava ele, pronto para o seu primeiro dia de trabalho, de terno, gravata, coleira e maquiagem vermelha.
Inacreditável.
TODAS as pessoas no saguão principal voltaram os olhos em sua direção. Junto com o kit galã selvagem, Kiba havia recebido um crachá com uma foto sua e o nome completo que usou para passar pela catraca.
Sentia as orelhas queimando, vermelhinhas, quando entrou no elevador lotado e viu as pessoas segurando risinhos. Tinha certeza de que ele era o foco! Absoluta! Como não ririam daquele figurino ridículo que em nada combinava?!
Kiba queria enterrar a cabeça debaixo da terra. Aquele era o pior dia de sua vida até aquele momento.
X
Naruto passava os olhos pelo contrato com o namorado ao seu lado fazendo o mesmo. Fora o fato de Kiba ter que se vestir feito um palhaço e as multas milionárias que tinha que pagar caso não o fizesse, não via nada de errado. Nenhum abuso de poder.
− E então, o que você acha? – Naruto perguntou, as pernas despojadamente jogadas sobre as do outro rapaz.
− Acho que é um contrato muito bem feito e sem falhas. – respondeu Sasuke. – Não vi aqui nenhuma brecha que ele possa utilizar para refutar o contrato.
− Hai, hai. – Naruto concordou, arrefecido. – Eu também não.
Sasuke arqueou as sobrancelhas diante disso, claramente reconhecendo o contrato como o que ele havia redigido.
− Por que parece tão triste com isso? O que há de errado com o contrato? – perguntou.
− Nada, datte bayo! – Naruto suspirou. – Mas Kiba me prometeu que pagaria lamen no Ichiraku por um mês se eu conseguisse resolver o impasse. Parece que perdi! – Deu um risinho.
Sasuke revirou os olhos, desacreditado de que namorava aquele idiota. Não sabia bem se namoro se encaixava no contexto. Mas Naruto passava mais tempo na sua casa do que na própria, vivia pegando suas roupas e comia da sua comida. É. Parecia-se muito com um namoro.
− Pois diga ao seu amigo que não há o que fazer. Quem fez isso aqui é um profissional. – Entregou o contrato de volta.
− Nunca pensei que chegaria o dia em que Uchiha Sasuke elogiaria algo feito por outra pessoa! – Naruto gracejou.
− Idiota.
É porque Naruto não sabia, mas ele era o responsável por redigir aquele contrato!
X
Shino estava em reunião quando Kiba chegou ao andar onde ficava sua sala. O prédio todo era ilustre e chique demais para os padrões kibanos de qualidade. Kiba precisou pedir ajuda umas três vezes antes de encontrar o andar certo, o que culminou em momentos muito constrangedores com as moças dando risinhos e dizendo o quanto ele era uma gracinha com aquela maquiagem meio selvagem.
O rapaz suspirou pesadamente, resignado pelos seus próprios erros. Era sua burrice que o havia colocado nisso, agora não tinha mais jeito! Sua única esperança era que Naruto ou seu peguete achassem um erro miraculoso que o permitisse quebrar o contrato.
Kiba mordiscou o lábio inferior, enquanto esperava, as garrinhas de mentirinha brincando no tecido fino da própria calça.
Estava furioso com Shino! Queria chegar falando poucas e boas para o ex-namorado por submetê-lo a tamanha humilhação! Oras, onde já se viu?! Pedir que ele se vestisse assim para ir para o trabalho?! Quem o levaria a sério desse jeito?!
Só se...
Ele não devesse ser levado a sério. Será que não deveria? Mas havia começado bem seu trabalho! Até mesmo tinha circulado nos anúncios do jornal os apartamentos que mais tinham chamado sua atenção. E favoritara nos aplicativos de seu celular aqueles que pareciam mais promissores. Durante toda aquela semana, ele havia visitado um sem número de apartamentos buscando aquele que mais combinaria com o porte de Shino, sempre se lembrando de perguntar se havia um espaço privativo onde poderia fazer a tal estufa.
Por fim, havia riscado uma série deles da lista até que restou apenas um. E era isso que havia ido mostrar para Shino naquele dia.
Mas estava frustrado! Caramba, como ele odiava se sentir assim!
Quando finalmente Shino desocupou, mandou chamá-lo. Kiba sentiu toda a raiva acumulada em seu peito subir como se ele fosse um vulcão prestes a entrar em erupção. Entrou na sala, pronto para brigar com Shino...
Fechou a porta como ele havia pedido...
E o viu esfregar as têmporas como se carregasse o peso do mundo nas costas.
− O que houve? – perguntou, sentando-se diante dele.
Pronto. Era como se toda sua raiva tivesse arrefecido dando lugar à preocupação rotineira.
− Problemas com acionistas. Já está resolvido. – Shino respondeu, logo abrindo um sorriso ao ver que Kiba estava a caráter. – Ficou muito bem no uniforme.
E ali estava a raiva novamente. Se Kiba fosse um vulcão, a tampa de sua cabeça teria saído naquele exato momento, e fumaça teria sido expelida de suas orelhas.
− Caralho, Shino! Não acredito no que você fez comigo! – O rapaz exclamou, furioso. – Eu achei que esse era um trabalho sério! E está me pedindo para vir vestido feito um palhaço!
Um palhaço muito sexy, Shino queria acrescentar. Mas guardou o pensamento para si.
− É um trabalho sério, nunca duvide disso. – Shino se contrapôs à afirmação de Kiba e ajeitou os óculos escuros sobre a ponte do nariz. – O fato de eu pedir para você se vestir assim era para saber se estava prestando atenção no contrato. Estava? Leu todos os pontos dele?
Kiba abriu a boca para contestar o que Shino havia acabado de lhe dizer, mas nenhum som saiu dela.
− Eu... você.... arh! – Ergueu as mãos para o alto em um claro sinal de derrota e raiva, pois Shino estava certo! E isso lhe dava nos nervos!
− Você tinha todos os direitos de contestar as informações contidas nele antes de assiná-lo. Agora que o fez, deve seguir as normas ou arcar com as consequências.
− Confiei em você e me passou a perna! – Kiba estava indignado! Como ele podia agir com tanta tranquilidade?!
− Não te passei a perna. Viu o seu salário? – Shino arqueou as sobrancelhas para Kiba, que evidentemente não havia visto não. – Leia o contrato, Kiba, em todos os pormenores. Terá que cumpri-lo, não importa o que diga. É parte do seu trabalho estar vestido assim para mim.
Para mim.
Kiba trincou os dentes, nervoso.
− Se está pensando que vamos ter algo depois disso, está muito enganado! Arh!
Shino apenas arqueou as sobrancelhas.
− Tem mais algo que queira me dizer?
Tinha sim, muitas coisas. E todas começavam com um palavrão bem sonoro, mas Kiba se conteve. Quando Naruto achasse uma brecha no contrato, esfregaria ela na cara de Shino! Ah, sim!
− Achei o seu apartamento. Aquele que me pediu para olhar. Marquei uma visita amanhã pela manhã as 10:30, mas acho que pode ir sozinho. – bufou.
− Não acha nada. – Shino respondeu. – Faz parte do seu trabalho de cuidar de mim me acompanhar nessa visita. Passo com o carro para te pegar as nove.
Kiba abriu a boca para contestar. Para xingar. Para fazer qualquer coisa.
− Se for só isso, pode sair. Sua mesa é aquela anexa ao lado de fora. – Shino apontou sem olhar para Kiba.
Maldita hora em que não havia lido o maldito contrato!
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