Notas iniciais
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(...)

Estava ali. Refletindo se tudo aquilo realmente valia a pena. Pensando na vida como alguém que não quer nada. Beber uma cerveja, ouvir um bom jazz, e dançar um pouco talvez. Nova york. A cidade onde os sonhos são feitos, mas quase nunca se tornam realidade.

Só mais uma refém formada a procura da realização de seu sonho de ser uma grande chefe de uma grande editora, casar com um homem rico e morar em uma cobertura em manjaram ... Ri sozinha sem humor, eu mais parecia uma adolescente iludida do que uma mulher de 22 anos.

Levei a garrafa mais uma vez a boca para tomar mais um gole. Balançava levemente a cabeça conforme a musica suave que tocava ali. O sino que soava toda vez que alguém entrava por aquela porta tocou.

Olhei para meu celular em minhas mãos e vi a foto irada no dia da minha formatura. Era eu segurando o diploma entre mamãe a papai. Eles diziam estar orgulhosos da filha que estava realizando o sonho deles. Havia se formado em jornalismo e logo engessaria no mercado de trabalho na grande NY.

Mulher bonita, tomando cerveja sozinha em um bar? Algo muito serio esta acontecendo. — disse alguém me tirando de meus devaneios, olhei para a minha frente e havia um rapaz sentado ali. Não só um rapaz era o cara do elevador. — Namorado cafajeste? — disse. — Hum... Amiga traidora? — disse em seguida, dando opções pra o meu desanimo.

Posso me sentar? — disse ele já se sentando na cadeira a minha frente.

Pode. — disse sem importância.

Hum... Lembra-se de mim? Segurei o elevador pra você hoje. — disse ele puxando assunto.

Oh, sim claro. — sorri forcada fitando o celular em minhas mãos.

E então... Aposto dez dólares que Você esta assim por causa e um cara. — disse ele.

Acabou de perder dez dólares. — disse rindo sem mostrar os dentes.

Tsc Tsc, então posso saber o motivo dessa carinha triste? — disse ele apoiando seus braços na mesinha do bar depois de tirar dez dólares do bolso de seu blazer. — Ah fala serio, só porque Você acabou de me conhecer não quer dizer que Você não pode se abrir comigo. Sou um cara legal, juro que não sou nenhum pervertido sexual ou algo do gênero. — explicou sorridente.

Hum, eu não estava pensando nisso, mas agora que você falou, fiquei com medo. — disse brincando e rindo no final.

Ok, agora é serio. Posso saber o nome da senhorita? — disse ele educado. Torci o nariz em uma careta e neguei. Ele entortou o canto da boca.

Ok tudo bem, vamos ficar com o mistério. Eu não digo meu nome e você não me diz o seu. — propôs e aceitei.

Gostei disso. — disse rindo, mas dessa vez rindo de verdade.

Ae, ponto pra mim, consegui te fazer sorrir. — disse ele comemorando.

Bobo. — disse.

Bobo? Que intimidade é essa? Nem sei seu nome. — disse ele fingindo estar ofendido e ri disso novamente, levantando a garrafa e dando mais um gole na cerveja.

Estranho. Você não tem cara de garota que bebe. comentou me fitando diretamente.

Aé? E eu tenho cara de que? — perguntei apoiando meus braços na mesa curiosa.

Bem... Você tem cara de garota nerd que acabou de se formar em Stanford e veio para NY trabalhar em... Hum... Moda. Mora em um apartamento com uma amiga e resolveu tomar um porre por ter levado um fora do namorado. — concluiu.

Publicidade e não levei um fora do meu namorado, nem tenho um. — corrigi.

Por pouco, mas então por que ta tomando um porre sozinha em um bar, em plena segunda feira? Publicidade é uma área legal. disse ele

Pra pensar um pouco. É mais fácil pensar na vida quando estamos inconscientes. — disse tomando o ultimo gole de minha cerveja enquanto ele me olhava.

Interessante.

Agora é a minha vez. — disse me ajeitando mais na cadeira.

Ok vamos lá.

Bem... Você é filho de algum ricaço daqui. Fez... Direito em Ohaio por causa da família. É um cara rico, conquistador barato e adora um sexo fácil. — completei.

Engenharia civil. E não tenho nada contra o sexo difícil. — disse corrigindo-me, ambos rimos.

Você não tem cara de engenheiro. — disse fazendo uma careta, a essa altura já estava meio alta e não filtrava minhas palavras.

Você não tem cara de publicitária. — rebateu.

Pode ser... Mais uma, por favor. — pedi ao garçom, o cara do elevador só observava os meus atos.

Duas! — gritou Justin ainda me fitando.

Hum... Você não tem cara de que bebe cerveja, te vejo tomando um Martinis duplo sem gelo. — disse encarando-o da mesma forma que ele fazia comigo.

E Você tem cara de que bebe vinho casualmente duas taças e já fica bêbada. — retrucou.

Duas taças não causam muitos efeitos em mim, mas depois de duas garrafas já fico meio zonza. — admiti. O garçom trouxe nossas cervejas e abriu-as ali mesmo. Peguei uma garrafa e o cara a outra, erguemos ambas e batemos uma na outra em sinal de saudação.

Ao que parecemos ser. — disse ele.

Não! Ao que nós somos. — corrigi e em seguida bebemos.

Sabe, acho que esse é o inicio de má grande amizade. — disse ele e torci o rosto em uma careta novamente.

Ah não, esse é o inicio de um sexo fácil. Pensa comigo, eu já estou ficando bêbada, Você vai se aproveitar disso, vai me puxar pra dançar ali — disse apontando com o dedo indicador para aquela espécie de pista de dança atrás dele que virou metade do corpo para olhar. — Você vai tentar me beijar, vou me fazer de difícil, mas depois vou aceitar, vamos transar. Você vai pegar meu numero é vai dizer que vai me ligar, mas nos dois sabemos que não vai. Vou acordar de manha e Você não vai estar lá, Você vai deixar um bilhete preso na minha geladeira dizendo que tivemos uma ótima noite e depois disso nunca mais vamos nos ver. — conclui.

Ah, errou de novo. Eu vou te ligar no dia seguinte. — disse ele.

Ah fala serio... Hum... disse buscando o nome dele na minha memória, mas lembrei-me de que tínhamos combinado não revelar. — Precisamos de apelidos ou seila. disse.

JB. — disse ele. — São minhas iniciais. — explicou.

Ok, JB. Sou LB. disse as iniciais do meu nome Louise Bennet Dickenson.

Ok L. Isso vai ser divertido. — disse ele. — Me dá seu telefone enquanto ainda esta sóbria. — pediu e eu passei pegando o dele também e anotando na agenda do meu celular.

Justins Point Of View

Guardei o número dela nos meus contatos, já com a certeza de que ligaria pra ela amanha. Era disso que eu tava precisando um sexo sem compromisso. Começou a tocar Lana Del Rey no local, L mexia a cabeça conforme a batida lentamente, suas palavra já estavam emboladas e seu corpo meio mole devido à bebida.

Vamos dançar. — disse me levantando de súbito e dando um pequeno susto nela. L tentava se levantar sem cambalear, mas por conta de seus sentidos já estarem meio perturbados ela não conseguia. Fui ate ela, passei meu braço em volta de sua cintura e ajudei-a a andar ate o espaço vazio que tinha no meio das mesas para que as pessoas dançassem.

Enlacei meu outro braço em volta de sua cintura e ela passou seus braços ainda segurando a garrafa de cerveja, por volta de meu pescoço. E comecei a guia lá conforme a musica.

Você é muito gato. Serio, você é muito lindo. — disse ela de repente.

Obrigado, mas eu já sabia. — disse convencido.

Tsc Tsc, estava perfeito demais. Que tal baixar um pouquinho essa bola? — Respondeu me confrontando.

Tudo bem. Você também é muito linda, mesmo tendo cara de criança. — disse como quem se rende. E ela riu corando.

(...)

Só mais uma! — insistiu para que eu desse mais uma garrafa para ela, mas eu negava pois ela já estava mais que alterada.

Não não e não! Vou te levar pra casa. — disse pra ela, levantando-a da cadeira e pegando suas bolsas e seus sapatos que estavam em cima da mesa.

Obrigado. — disse depois de passar pela porta de saída que estava sendo segurada pelo atendente do bar, para eu eu conseguisse sair segurando tudo aquilo e com L apoiada no meu ombro. Andamos um pouco ate chegar na guia onde meu carro estava estacionado, no curto caminho ela balbuciava algumas coisas que eu não entendia.

Caraça, esse carrão é seu? — perguntou deslumbrada, enquanto eu assinava o alarme para abrir a porta de trás, colocando as coisas dela ali.

Sim. Minha Rang. — disse orgulhoso de todo o trabalho a grana que eu gastei personalizando ela. Abri a porta do passageiro e acomodei-a ali vestido-a com o cinto de segurança.

agora senta a e fica quieta. — disse fechando a porta e dando a volta no carro pra o outro lado. Entrei no banco do motorista e liguei o carro.

Você sabe onde voçe mora? — perguntei a ela que abria e fechava a já ela feito uma criança.

P Sherman 42 Wallaby Way, Sidney — disse gargalhando como se acabasse de dizer a coisa mais engraçada do mundo.

O que? — perguntei confuso.

Esquece. Moro no centro, WestCoast depois da ponte. Condomínio Vicenzza, apartamento 2C — disse. E assenti com a cabeça pegando a avenida principal em direção a ponte. L ligou o radio e tocava Last friday Night da Kate Perry, ela começou a cantar e jogar os cabelos para lá e para cá conforme a musica. Era incrível o jeito que ela tentava dançar estando presa ao cinto.

and do it aaaaaaaaaaaaaall again ! — finalizou relaxando no banco e recostando sua cabeça no encosto.

As ruas estavam vazias, provavelmente devido ao horário. Mirei o relógio que ficava no painel do carro e vi que já eram 02h15m da manha. Mudei meu olhar de direção e olhei para ela, que dormia encolhida no banco. Desliguei o radio e olhei para frente, o semáforo havia ficado vermelho então parei o carro. Soltei o cinto e tirei meu blazer cobrindo ela que murmurou algo que não consegui entender. O sinal abriu e segui com o carro. Meu celular começou a tocar e como ele estava no porta luvas, peguei-o sem dificuldade.

Alo. — atendi rápido para que L não acordasse, sem ao menos ver no visor quem era.

Jus? Oi, é a Jenny. Lembra de mim? — disse uma voz feminina e outro lado da linha. Para a falar a verdade eu não fazia a mínima idéia de quem era mas resolvi mentir.

Oh, sim. Me lembro. Jenny... — disse vagamente.

Sabia que Você iria lembrar! Mas então Jus, fiquei sabendo que Você chegou na cidade hoje e queria saber se Você não queria sair... Pra matarmos um pouco a saudade. — disse ela denunciando suas intenções comigo.

Normalmente eu nem pensaria duas vezes para aceitar, mas hoje... Hoje não.

Sabe o que é Jenny, é que hoje to cansado da viajem. Que tal amanha? — disse inventando uma desculpa olhando para o, ela dormia tranqüilamente e parecia estar em um sono pesado devido a sua respiração pesada.

Hum... Tudo bem, então amanha sem falta! — disse ela eufórica do outro lado da linha.

Ok. Tchau. — disse já encerrando a ligação. Joguei o celular de novo no porta luvas e voltei a prestar atenção na estrada.

Cheguei nos prédios, estacionei na guia mesmo e desliguei o carro.

L... Já chegamos, acorde. — disse balançando-a devagar.

Mais cinco minutínhos mãe. — disse ela e virou pra o outro lado. Ri fraco com isso e balancei a cabeça m um não. Percebi que ela não ia se levantar dai, então desci do carro, dei a volta, abri a porta de trás tirei as coisas dela dali, abri a porta do passageiro e com muita mas muita dificuldade mesmo, consegui equilibra-lá no meu colo. Não que ela fosse pesada, mas segurar uma pessoa, um par de sapatos, duas bolsas, uma pasta e ainda fechar a porta e carro, é uma coisa difícil.

Subi os poucos degraus que levavam ate a porta e parei ali. Procurei alguma campainha ou algo do gênero e encontrei um interfone. Apertei o botão que correspondia ao apartamento dela mas ninguém atendeu. Apertei de novo e depois de alguns segundos uma voz soa.

Quem é? — disse uma voz feminina sonolenta, provavelmente ela havia acabado de acordar.

Hum... Sou um amigo da L. — disse meio encabulado.

Ela não esta aqui, sinto muito. — disse a garota já preparada para desligar o telefone na minha cara.

Eu sei, eu sei, eu estou com ela aqui. Ela bebeu demais e bem... Estou com ela no meu colo e ela já ta começando a ficar pesada. — disse ajeitando-a mais no meu colo.

Tudo bem. — disse e eu escutei o portão sendo destrancado. Empurrei-o com o pé e entrei ali. Era uma espécie de hall de prédios como todos. Havia uma recepção mas estava vazia, uma escada no meio e duas portas onde provavelmente seriam os elevados. Me dirigi ate lá e entrei no elevador ue já estava no parado ali. Apertei o bota correspondendo ao segundo andar.

Miranda vadia, — murmurou ela, provavelmente sonhando.

Chegamos o andar e sai de dentro do elevador indo pro corredor. Mas para a minha surpresa não havia 2C ali. Só 20 e 21. Olhei novamente para as portas e voltei para o elevador. Só ai eu havia percebido que haviam ps. Botões para 2A e 2B, provavelmente coberturas.

Claro. — disse para mim mesmo. Apertei o botão e novamente as portas se fecharam, ela já pesava e meus braços já estavam ficando cansados. Meu corpo foi começando a suar devido o nervosismo de estar dentro de um elevador, ainda mais sozinho. Respirei fundo, e fechei os olhos como o meus psicólogo havia me ensinado quando eu era moleque. Inspirar e expirar... Cheguei ao andar, mas a porta não abriu.

Droga. — resmunguei já imaginando que o elevador havia quebrado e que eu iria ficar preso ali. Mas não foi isso que aconteceu, segundos depois a porta se abriu revelando um extenso apartamento e uma garota trajando um pijama curto, ela andava de um lado para o outro e quando me viu, me mediu dos pés a cabeça e posso dizer que sorriu maliciosamente,

Hum... Oi. — disse tímido.

Oi, sou Candecy. — disse ela estendendo a mão pra que eu apertasse, mas naquele momento era meio difícil. Fiz uma cara de "lamento" e rimos fraco. — Pode coloca-lá aqui. — disse Candecy me guiando ate o sofá que tinha naquela imensa sala. A decoração era meio original. Não era nada sofisticado, mas eram bem decorado.

Coloquei-a no sofá e ela resmungou mais alguma coisa se encolhendo e se agarrando mais ao meu blazer.

Sou Justin. — disse me virando e dessa vez cumprimentando Candecy.

Prazer Justin. — disse ela sorrindo e apertando a minha mão, seu sorriso era um sorriso sacana e sedutor, ela era bonita, bastante bonita.

Desculpa te acordar. — disse sem graça colocando as mãos no bolso.

Sem problemas. Mas o ue aconteceu pra Lola beber tanto assim? — disse ela. Então o nome dela era Lola... Hum...

Não sei. Ela foi bebendo e bebendo e acabou dormindo no meu carro. — disse.

Isso não é típico dela, mas enfim... Vocês se conhecem de onde? — perguntou Candecy curiosa.

A conheci hoje. Coincidências... — isso apenas deixando o assunto em aberto. — Vou indo. — disse.

Ah não, aceita um café, uma agua? — ofereceu prestativa. Eu conhecia bem as mulheres aquilo era só uma desculpando para que eu ficasse ali, mas isso não era uma opção. Eu precisava de um bom banho e ir dormir.

Obrigado, mas fica pra próxima. — disse educadamente. Ela torceu a boca mas assentiu.

Tudo bem, mas vêm aqui mais vezes. Já sabe onde moramos. — disse ela.

É... Quem sabe... — respondi enquanto andávamos lado a lado para o elevador. Ela apertou o botão e logo o elevador já estava ali.

Desculpa mais uma vez ter te acordado. — me desculpei.

Eu já disse que esta tudo bem.

Hum.. Boa noite. — disse já entrando no elevador para voltar pra casa e dormir em paz.

Notas finais
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