Suddenly

16 Quinta-Feira, 00:00


Notas iniciais
Sim, depois de 1 ano sei lá quanto tempo, só tu está lendo isso Rafa, então esse capítulo é dedicado pra ti porque não tem mais ninguém e porque tu teve muita persistência aahsuashausasuahuah

Quarta-feira, 23:52, Sala do Quarto 5

– E agora? Eu estraguei tudo, eu sou uma idiota, burra...

– Pamy, se acalma, respira, não é tão ruim — disse Emma tentando me dar um abraço, de que me esquivei.

– Por favor me deixem sair e ir atrás dele... — implorei me dirigindo até a saída, mas imediatamente Chaz e Emma barraram meu caminho.

– Pamy, é muito importante que você fique... não há mas nada que você possa fazer — concluiu Chaz, numa voz tão séria que tive vontade de chorar, porque vamos combinar, Chaz nunca é sério. Ele é quase uma piada pronta.

– Tem como voltar no tempo? — perguntei.

Quarta-feira, Mais cedo naquela tarde, 09:45, Quarto da Pamy e Emma

– QUE — Emma deu um grito épico. Acordei assustada, só para descobrir que a menina estava sonhando e falando dormindo. Algo estranho, porque Emma nunca faz isso.

No momento em que eu estava na décima primeira ideia de como acordá-la de uma maneira perversa, ouvi o barulho de passos no quarto ao lado. Sorrindo loucamente, pensei em pedir ajuda aos retardados ao lado.

Quando eu estava prestes a sair do quarto, ouvi Justin falando aliviado no celular:

– Você conseguiu? Meu Deus, eu te amo! Estou indo para aí, me dê cinco minutos.

Mais passos, e uma porta abrindo e fechando. Meu Deus, eu te amo?

Ignorei aquilo e voltei a dormir tranquilamente. E obviamente isso é MENTIRA. Desde quando minha curiosidade é tão pequena? Ainda mais quando se trata de um eu te amo de Justin, que me deixou um pouco surpresa, 20% confusa e para falar a verdade, um pouquinho irritada. Mas isso não vem ao caso.

Como se o mundo fosse acabar, vesti qualquer roupa que estava a minha frente, e sai correndo atrás de Justin. Na metade do caminho, percebi que vesti a mesma blusa de pijama que estava usando... Realmente eu sou o símbolo de desatenção de que o mundo não precisa.

– PARABÉNS, PAMY — gritei em voz alta, já duvidando da minha sanidade.

Mas a sorte finalmente (obrigada querida sorte, por aparecer como um cometa, de cinquenta em cinquenta anos) sorriu para mim, quando achei Justin, que caminhava calmamente. Segui Justin desviando um pouco de sua área de visão, que não era realmente muita devido a sua lerdeza.

Observei ele entrando na loja de presentes da pousada, me escondendo atrás de um poste. Sinceramente, já perdi as contas de quantas foram as vezes que fui obrigada a agir como 007 nessa viagem.

Dentro da loja, Justin ignorou todas as mercadorias e chegou ao balcão, onde começou uma conversa animada com uma garota (que era muito bonita, não que eu ligasse realmente). Observei ela contornar o balcão e entregar algo a Justin, que lhe deu um longo abraço e continuou sua conversa.

Com os punhos cerrados, voltei para o quarto 5. Eu estava totalmente irritada, sem saber o motivo, o que me irritava mais ainda. Quando abri a porta e passei bufando pela sala, Chaz, que estava com Emma no sofá, perguntou:

– O que é que te atingiu em Pamystica, foi o... – começou Chaz rindo, mas eu o cortei rápido como uma linda faca da Tramontina:

– SEM PIADAS, CALEM A BOCA, QUERO FICAR SOZINHA – e bati a porta do quarto. Você deve estar se perguntando o porquê de eu estava me sentindo daquele jeito. Bom, caro amigo leitor, vamos voltar algumas horas no tempo e explicar tudo...

Terça-Feira, no dia anterior, 19:41, Jardim

– E aí ela ouviu um leve barulho e olhou pra cima e...

– E?

– E o que ela viu foi...

– O QUE???

– Foi um...

– FALA LOGO SUA BESTA

Justin me lançou uma expressão mal-humorada e logo depois retomou sua expressão-que-esperava-dar-medo-e-fazer-mistério-porém-não-deu-certo e disse:

– Um cadáver enforcado, com os pés cheios de sangue.

– Wow. Horripilante.

– Isso foi sarcasmo?

– Óbvio que não, Justin – eu disse rindo da sua cara.

Se fazendo de vítima triste, ele tentou encostar o rosto em meu ombro, mas algum reflexo matrix super rápido e nervoso meu fez que eu desviasse e fizesse o pobre tropeçar nos próprios pés e cair exatamente ao lado, bem... de um cocô de cachorro.

– Meu Deus, não se mexa – eu disse apontando para a coisa.

– Bom, o mínimo que você deveria ter feito era me avisar – ele retrucou ainda bravo.

– Não tenho culpa se você é carente, amigão.

– Só por você, amigona – dando um de seus sorrisos sarcásticos e um pouco radiantemente bonitos.

– E o mínimo que você deveria fazer era parar de tentar algo com a amigona aqui.

– Isso é impossível – confidenciou Justin, e deu um longo suspiro, olhando-me nos olhos. Nesse momento, a Pamy aqui estava um pouco bastante sem reação e começando a transpirar de nervosa, porque Justin realmente tinha dito algo sem ser sarcástico e estava sendo sincero. Demais pro meu coração.

Chaz, a minha sorte é grande é ver você cair do céu.

Ou literalmente atravessar o jardim correndo loucamente atrás de uma cachorra chamada Luma, rompendo todo e qualquer clima que havia entre eu e Justin, quando, de um modo engraçado e bastante nojento, colidiu com Justin, fazendo com que a criatura... caísse sobre... você-sabe-o-quê.

Risos meus. Justin Grita. Chaz Grita. Luma late. Justin grita bravo. Chaz grita apavorado. Luma late eufórica. Risos meus. Justin diz calmamente:

– Você.vai.morrer.

Quarta-feira, 09:49, Quarto da Pamy e Emma

Bem, retirando a trágica história de Justin e sua épica caída nojenta, você pôde notar o clima certo? Mas o que quero dizer é que Justin vem agindo assim sempre... ele não desiste. Então por quê?

– ENTÃO POR QUE ELE ESTAVA FALANDO/INTERAGINDO/FAZENDO CONTATO FÍSICO COM AQUELA GAROTA? ME RESPONDA EMMA ROBERTS WATSON?

– Primeiro, é Forbes. Depois, não grite comigo. Terceiro, Pamy você mesma me nega que sente qualquer mínimo sentimento pelo Justin e agora está que nem uma louca de ciúmes, sinceramente eu não te entendo.

– Mas raciocine Emma, se ele quer me provar que gosta de mim, por quê faria isso? POR QUE? POR QUE?

– PARE DE GRITAR PAMELA! Eu só tenho uma resposta pra você: as pessoas cansam e você é orgulhosa – Emma disse e saiu do quarto, misteriosamente. Isso é que dá pedir conselho pra alguém que vê muitos filmes e acha que depois dessa resposta impactante, eu vou ver meus erros e ir atrás do Justin.

Eu apenas deitei na cama e dormi tranquilamente. E OBVIAMENTE isso é mentira.

Quarta-feira, 10:07, Pamy correndo e ofegando pela pousada ainda com sua elegante blusa de pijama

– JUSTIN!

– JUSTIN!!!! – como uma pessoa pode ser tão lerda que não houve seu próprio nome?

– HEY, GAROTO QUE CAIU NO COCÔ DE CACHORRO.

– Heyyy, quer falar baixo?? – disse ele bravo virando a cabeça.

– Oi – disse quando finalmente cheguei até ele, ofegando da minha corrida.

– Oi? – ele desviou o olhar.

– Eaí? – perguntei tentando colocar na frase meu tom mais simpático, o que era difícil.

– O que você quer? – perguntou ele, meio seco.

– Só vim ver como você está – falei meio nervosa, estranhando seu comportamento.

– Hmm, legal. Olha, tenho uma coisa marcada, tchau – disse rápido e se afastou antes que pudesse ouvir meu impiedoso:

– Ah. Tá.

Quarta-feira, 10:30, De volta ao quarto 5

– EMMAAAAAAAAAAAAAAAA! – gritei desolada.

– O que foi agora? – perguntou ela revirando os olhos.

– O que está acontecendo? – Chaz disse rindo do sofá.

– A Pamy finalmente começou a admitir os sentimentos dela pelo Justin.

– Ah, beleza.

– BELEZA? COMO ASSIM BELEZA? OLHA AQUI CHAZ SEU... – e num momento raivoso dei um soco no seu peito.

– AI! Ela que está apaixonada e eu que levo a culpa – suspirou ele.

– APAIXONADA? QUEM É QUE ESTÁ APAIXON... – levantei a mão para outro lindo soco em sua pele, mas Emma me impediu.

– Pamy, se acalma mulher, não bata nele, ele é frágil, (EI! – gritou Chaz), e agora me diga o que aconteceu.

– Fui ser uma pessoa perfeitamente legal com o Justin e ele me ignorou, disse que tinha uma coisa marcada, eu não estou entendendo...

Nesse momento, Chaz desviou os olhos de uma maneira sutil como a sua personalidade.

– O QUE É? VOCÊ SABE NÉ? ME CONTA – implorei.

– Ele... meio que tem um encontro... – explicou Chaz do jeito mais calmo que pode.

– Ele tem... um encontro?

Por alguns minutos fiquei só olhando para o nada. E aquela frase idiota e mais clichê do mundo de “só sabemos que temos algo quando perdemos” rondou minha cabeça com uma voz parecida com a de Emma. Clichêzíssimo, mas aconteceu, ridiculamente.

É claro que eu sabia que isso iria acontecer. Eu nem sequer ando demonstrando nada por ele nos últimos dias. Nossos “quase“ mil beijos devem ter sido esquecidos por ele, junto com toda a imagem que ele tinha de mim. E de repente todas as minhas ignorâncias com ele passaram na minha cabeça e meus pulmões ficaram com um pouco menos de ar.

Ao observar os olhares terríveis de pena de Emma e Chaz, fui para o quarto sem dizer uma palavra.

AH.

Ah, se eu pudesse voltar no tempo. Mas a tarde passou sem voltar, passou lentamente e dolorosamente.

Às 23:10 ouvi a porta bater e Justin falando alto, alegre. E logo um “Pamy, vem jantar!”, de Emma. Sem nenhuma vontade de ver a cara dele, saí do quarto meio amassada da cama e sim, ainda com a mesma maldita blusa de pijama.

– TEM PIZZAAAAAAAAAAAAAA! – disse Chaz todo animado, e até ri um pouquinho com seu entusiasmo de sempre.

– Cara, a garota com que saí hoje é demais! – exclamou Justin engolindo um pedaço enorme de pizza. Chaz e Emma me olharam com medo e pena.

– Sério gente, ela é incrível! Legal, divertida, não é nada mal-humorada sabe, e bem, nos termos de 0 a 10 para uma gata, ela é uma leoa – ele piscou para Chaz.

Eu bati o copo na mesa com uma força exagerada e um pouco dramática, devo admitir.

– Legal, mas vamos falar de algo mais produtivo – eu disse direta.

– Que foi, esse assunto te incomoda? – perguntou ele meio surpreso, achando graça.

– É óbvio que não.

– Pois parece.

– Não, se quer saber, nenhum encontro com alguma garota idiota e insignificante me incomoda, obrigada – falei rapidamente e me levantei com intenção de ir para o quarto, depois dessa resposta com um ótimo sentido.

– Você está com ciúmes? – perguntou ele.

– Por que estaria? – encarei ele, desafiando-o. Ele me olhava intensamente.

– Responda. Está com ciúmes? – perguntou num tom firme. Suspirei por um momento e falei com raiva:

– Não, não estou. Por que eu sentiria ciúmes de alguém tão IDIOTA, com um ego ENORME, FALSO, que mente quando diz “não desisti de você?” Desculpe, mas pra mim quem faz isso é RIDÍCULO.

Falei tudo isso tão rapidamente que as palavras nem pareciam minhas e cheguei a abrir a boca assustada com eu mesma. Chaz e Emma fizeram o mesmo. Justin me olhou de um jeito triste, depois um tanto raivoso, depois com uma grande parte de desprezo, e saiu da casa.

– Garoto idiota – exclamei quando ele já estava longe – AH QUE RAIVA.

– Pamy?

– AH COMO EU O ODEIO.

– Hm, Pamy?

– O QUE FOI?

Emma e Chaz se olharam.

– Bem, acho que agora não tem mais porque esconder – Chaz deu de ombros.

– Esconder o quê? – perguntei, farta de tanto drama naquele dia.

– Pamy, foi tudo armado – a voz de Emma tremia um pouco – Justin combinou tudo com a gente ontem a noite. Ele iria fingir um encontro com uma garota e depois provocar ciúmes em você, para você admitir que gosta dele. Bem, hmm... como vimos você não fez isso. Enfim, então ele ia lhe dar algum colar para mostrar como ele gosta de você...

– Um colar? – perguntei, sinceramente segurando as lágrimas ao ouvir aquilo tudo (o drama nunca acaba) – mas esse colar...

Terça-Feira, 19:20, Jardim

Justin e eu andávamos calmamente pelo jardim e eu tentava bloquear toda a gigantesca história de terror que ele começava a me contar, até que vi algo muito interessante na loja de presentes da pousada.

– MEU DEUS! – exclamei emocionada.

– O que foi? – perguntou ele, interrompendo sua história nada interessante.

– Esse colar – apontei para um colar prateado lindamente trançado – é muito parecido com um que minha vó usava sempre.

– Usava?

– É, ela morreu há dois anos – expliquei.

– Sinto muito – ele disse sinceramente – Mas por que você não compra?

– Com todo aquele dinheiro que gastamos só tenho um pouco para coisas básicas, não posso...

– Ah, que pena... – ele começou, mas Chaz interrompeu sua frase correndo loucamente pelo jardim com Luma.

– CHAZ, VOCÊ VAI ACABAR DERRUBANDO ALGUÉM! – gritou Justin.

– NÃO FALE COMO EU DEVO VIVER MINHA VIDA – gritou Chaz, passando muito perto de uma coisa nojenta que logo seria amassada por seu amigo.

Quarta-feira, 23:52, Sala do Quarto 5

– E agora? Eu estraguei tudo, eu sou uma idiota, burra...

– Pamy, se acalma, respira, não é tão ruim — disse Emma tentando me dar um abraço, de que me esquivei.

– Por favor me deixem sair e ir atrás dele... — implorei me dirigindo até a saída, mas imediatamente Chaz e Emma barraram meu caminho.

– Pamy, é muito importante que você fique... não há mas nada que você possa fazer — concluiu Chaz, numa voz tão séria que tive vontade de chorar, porque vamos combinar, Chaz nunca é sério. Ele é quase uma piada pronta.

– Tem como voltar no tempo? — perguntei.

– Não! – os dois disseram.

– Pois eu vou tentar – avisei e sai correndo antes que eles me barrassem outra vez.

Procurei Justin pela noite por alguns minutos e logo o encontrei de olhando para a lua que refletia na piscina, de costas para mim.

– Justin, eu, me desculpe, eu... – comecei quase derramando lágrimas. Mas então ele se virou, com um enorme sorriso no rosto e parecia radiante.

– Você caiu outra vez – ele riu.

– O que? – eu gaguejei.

– Pamy, é óbvio que você não admitiria que tem ciúmes de mim, e ainda mais que tem sentimentos por mim. Eu tive que fazer uma cena né? Os dois lá atrás atuaram bem? – ele falou, dando um sorriso enorme e confiante.

Algumas emoções passaram por mim naquele momento. Raiva. Alegria. Emoção. Mais raiva. Alívio. Raiva. Felicidade.

– Eu te odeio – eu disse finalmente, rindo.

– Eu sei que sim – ele riu e estendeu o colar – mas eu te adoro, sabia?

Peguei o colar da mão dele e disse:

– Sabia.

E o beijei.

Foi um longo beijo, onde tudo foi ampliado para mim, como a sua mão nos meus cabelos e a sensação de tocar o seu pescoço. E sua boca na minha, bem, era a melhor sensação. Wow.

Foi um pouco triste quando acabou, mas uma sensação maravilhosa quando olhei em seus olhos, que estavam brilhando.

Quinta-Feira, 00:00

E ele disse:

– Ah, e como eu te adoro.

Notas finais
:)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.