Notas iniciais
Um brinde ao Estados Unidos oferecendo inspiração a todos os revoltados do mundo. I Love You.

Minta…

- Faça o que você quiser.

Mentir era o bom senso de meu regime anarquista enquanto eu vivia preso a um mundo ditatorial, ao que dizia meu posto e minhas mãos bem algemadas.

Sucessor de L.

Eu sem dúvida era implacável quanto àquela sina. Tinha comigo livre-arbítrio e asas cicatrizadas, filósofo das palavras de Che, afinal “morreria de pé a viver ajoelhado”. Mentir era o único problema em ser livre.

Eu até queria contar a verdade, mas...

Minta...

Torne a mentira grande...

- Eu não me importo Matt.

Simplifique-a.

- Acha que me importo de você se matar seguindo esse plano suicida? Espero que esteja acostumado com a ideia de morrer, porque eu vou ser o primeiro a dançar sobre o seu mausoléu.

- Agora você fala isso, não é Mello? Aonde é que está aquela história de brindar na linha de chegada? Aonde é que está toda a sua obsessão por vencer o Near e mandar Kira para o diabo que o carregue?

Continue afirmando...

- Você acha mesmo que eu estou brincando? Vamos lá, Matt. Se entregue para um bando de seguranças armados enquanto eu fujo com a Takada para os confins do inferno. Se você gosta da ideia, pronto! O que estamos discutindo? Ficamos todos felizes, não é?

E afirme a mentira até a morte.

- Acho bom você colocar os googles. A chuva de fogos vai ser de arrasar.

Então eventualmente todos acreditarão nela...

Simples, fácil, regras que de tão ridículas chegam a ser bucólicas. Fim de papo.

Mas, e aí? Qual foi o problema? Os malditos ditadores se esqueceram de colocar o que acontece após o último passo de seu brilhante manual. Afinal os apáticos não sabem sentir remorso. Esse manual não era para os inconsequentes, como eu, eram para os metódicos, como Near. Os dominadores da filosofia plena e pessimista. É eu havia interpretado errado... Novamente.

Já estava pronto para sacrificar meu melhor amigo sem nem mesmo sentir um resquício de compaixão por aqueles olhos desapontados que me encaravam através dos googles. Matt já estava com os revólveres, e já estava pronto para entrar naquele bendito carro e dirigir literalmente até o inferno só para me ver chegar à linha de chegada e rir na cara de um albino bastardo.

Não doía pelo sacrifício. Doía pelo sentimento.

Doía pela mentira.

- Você vem?

Talhar suas mãos com pregos?

- Estou indo.

Agora eu não conseguiria mais culpar a ditadura na qual fui submergido. Como culpar algo a que você pertence? E, sem dúvida, eu não poderia culpar Near.

Near...

O que ele dissera mesmo da última vez que estive no orfanato?

“Mentir é tentar perseguir, de noite, um gato amarelo dentre uma ninhada de gatos pretos”.

Bah...

Não fez o mínimo de sentido... Naquela época. Até parecia que o bastardo sabia o que iria me acontecer. Que eu iria mesmo me ajoelhar perante a essas regras maçantes e obstruídas. Até parecia que ele era mesmo o primeiro.

Gatos amarelos e pretos?

A noite todos os gatos são pardos.

- Matt!

- Que é?

- Eu queria te dizer...

- O que?

- Não estou fazendo isso pelo Near. É só...

- A porra do sistema, né? Eu to ligado. – sim, ele tinha um jeito todo especial de entender cada uma de minhas burradas.

- É e... Se tudo der certo... Não vou esquecer o que está fazendo por mim.

Sim, eu tive que retroceder, pelo menos um pouco. Tinha que arrancar um sorriso de Matt quando o céu e os deuses pareciam chorar. E, bem, eu consegui. Ele sorriu mesmo, aquele seu sorriso sagaz de raposa, de olhos cerrados e por isso eu me senti bem melhor. Então ele também retrocedeu e me olhou de seu modo alheio, daquele modo que daria um bom puzzle. E então ele me beijou, mano a mano, e eu resolvi que não deveria mais mentir.

Dane-se a ditadura. Nós sempre fomos os polêmicos naquela desgraça de orfanato.

Pois é, eu o correspondi mesmo, e aí? Wow, eu fui gay mesmo, o que há? Saibam que eu me senti foda e poderoso como Fred Mercury cantando na lua. Eu o beijei como um canibal, até que sua alma escorresse pelo canto dos lábios. Eu o beijei com força e sofreguidão porque tinha um gosto bom de chocolate e fumo. Gosto de alucinação. Gosto de fim. E quando acabou... Se acabou... Ele sorriu novamente.

- Eu também te amo, Mello.

Minta...

Torne a mentira grande. Simplifique-a. Continue afirmando-a e todos acreditarão nela.

Que me perdoe Adolf Hitler e sua opressão geniosa, sua homofobia e seu delírio democrático que por muito tempo foi a minha filosofia.

- Nos vemos no inferno, daarin.*

Eu sou um subversivo agora.

Notas finais
*Daarin: versão lindamente japonesa de Darling.
Eu sou demente... Grande novidade u_u
Piração, devaneio, delírio, alucinação, sim, estou mergulhada nas dorgas... Alguém quer contribuir para a minha recuperação mandando reviews, haaaan? Ç.Ç
Bora moçada Ò.Ó
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!