Suburbia

11 Capítulo 11 - Bem Vindo À Festa


Max estava debaixo do chuveiro enquanto a água quente percorria seu corpo nu. Ele imaginava que aquele banho fosse levar embora todas as preocupações e o medo crescente que sentia.

De repente, a água começou a se misturar às lágrimas. Ele passou as mãos nos cabelos, pondo-os para trás, e chorou. Tudo o que estava pensando naquele momento era Henry. Onde ele estaria? Estaria seguro?

Max temia que não.

Ao pensar ter ouvido um barulho no andar de baixo, ele fechou o chuveiro e ficou atencioso. Não ouvia mais nada, mas, mesmo assim, desconfiava de que tinha ouvido algo antes, por isso pegou uma toalha, passou pelo corpo de leve e enrolou na cintura.

Colocou a cabeça para fora do corredor e olhou para os dois lados.

Nada.

Com os pés descalços e úmidos deixando pequenas pegadas de água pelo piso de madeira, ele caminhou lentamente, sem fazer barulho. Chegou à escada e pôde ver que a porta estava aberta. Aberta não, arrombada, com lascas de madeira expostas.

Assustado, ele desceu até metade das escadas e olhou ao redor. Ninguém na sala.

Max correu e fechou a porta. Ou pelo menos tentou, já que ela estava praticamente destruída.

Seu coração batia cada vez mais rápido e aquele silêncio parecia ensurdecedor. Ele esperava que o invasor lhe surpreendesse a qualquer momento. Mas o que ele faria?

Aliás, quem era ele?

Max pegou a barra de ferro da lareira e deixou em punhos, pronta para ser usada em quem quer que fosse o visitante noturno que estava no interior da casa.

Ele caminhou até a cozinha e não precisou acender a luz para saber que ela estava vazia. Entrou no corredor à esquerda e continuou dando passos leves e silenciosos. Podia ouvir sua própria respiração e seu coração bater.

Ouvindo passos na escada, ele voltou à sala com pressa, mas já não havia ninguém. Pelo menos ele sabia para onde a pessoa havia ido.

Max chegou ao pé da escada e olhou para cima. Ninguém. Começou a subir devagar, para não fazer barulho. As pegadas úmidas agora eram postas no sentindo contrário.

A barra de ferro pontuda ainda estava em punhos. Ele não hesitaria em atacar quem visse pela frente.

Quando chegou na metade do caminho, as luzes apagaram de repente, deixando toda a casa mergulhada em uma escuridão sufocante. A única luz que entrava era a do luar, pelas janelas com persianas. Mesmo assim, dava para enxergar bem pouco.

Agora ele estava ainda mais nervoso e assustado.

Continuou caminhando até virar à direita no fim do corredor. A escada do sótão estava lá, aberta. Dois saltos altos surgiram no último degrau e uma mulher logo desceu, segurando uma caixa de papelão. Uma mulher negra, muito elegante. Tinha por volta de 50 anos. Norma Swanson, a estrela de cinema.

— Oh, mas que noite adorável aí fora, não é, docinho? — disse ela, sorrindo.

— O que você faz aqui? — perguntou ele.

— Eu só vim pegar umas coisas que você não deveria ter por aqui.

— Deixe a caixa aí e saia da minha casa agora.

Ela colocou a caixa no chão e revelou a pistola que segurava na mão esquerda.

Ele podia ver seu sorriso sádico naquela escuridão.

Max arregalou os olhos quando ela apontou a arma para ele e saiu correndo, virando o corredor com rapidez.

Quando viu uma cabeça surgindo na escada, ficou paralisado. Virginia subiu tranquilamente, usando um vestido florido e os cabelos presos em um coque. Ela também segurava uma arma.

— Boa noite, sr. Walker — disse ela.

Max entrou no quarto ao seu lado e trancou a porta. Estava escuro, ainda mais escuro do que o resto da casa. Ele deu alguns passos para trás, olhando para a porta. A maçaneta começou a girar devagar, e depois a força ficou mais intensa.

— Não torne as coisas mais difíceis do que já são, querido — disse Norma. — Abra essa porta.

— Sou eu, sua vizinha Virginia, não tenha medo, não vamos fazer nada.

— O que vocês querem? — ele perguntou, demonstrando desespero.

— Nós queremos te levar para ver a lua cheia — ela respondeu. — Hoje é uma noite muito especial, sr. Walker.

— O que vocês fizeram com o Henry?!

— Ele está te esperando.

— Vocês são doentes!

— Não somos nós, é ela — falou Norma.

Ele não respondeu. Ela quem?

— Você deve estar se perguntando de quem estamos falando — disse Virginia. — Saia e nós te contamos.

— Nós juramos não te machucar.

Max olhou ao redor, procurando algum jeito de se safar.

As duas mulheres pareceram ficar em silêncio por alguns instantes. Ele ouviu atentamente. Talvez tivesse ido embora.

Ele começou a caminhar em direção à porta, talvez pudesse ouvir alguma coisa assim.

Ao se aproximar, ele deu um pulo para trás e se assustou quando uma delas bateu com força na porta.

— Sr. Walker, eu não estou a fim de brincadeiras hoje! — exclamou Virginia, em um tom de voz aterrorizante. — Saia desse quarto agora mesmo ou nós vamos entrar, e se nós entrarmos, será bem pior para o senhor, eu garanto.

Ele caminhou até a janela e olhou para baixo. Havia uma parte do telhado da casa e depois ele poderia descer para o jardim.

Max colocou a barra de ferro de lado e abriu a janela. A noite lhe soprou um vento gelado, ainda mais gelado porque ele estava úmido e sem roupas.

Com sua toalha enrolada na cintura, ele colocou um pé para fora. Depois o outro. Não se importava se estava semi nu, naquele momento, só queria salvar sua vida.

A noite estava clara, com uma enorme lua cheia no céu.

Ele se sentou e deslizou para a ponta do telhado, quase caindo. Passado o susto, ele se recompôs e olhou para baixo. Era alto, mas ele precisava descer.

— Sr. Walker! — Virginia exclamou do outro lado da porta. Ele pôde ouvir.

Max colocou um pé para fora do telhado, depois o outro, e deslizou o corpo um pouco, até ficar apoiado pelos braços. Era mais difícil do que ele pensava. E ao contrário do que imaginava, ele não parecia ter força suficiente para aguentar o próprio corpo, mesmo que fosse consideravelmente musculoso.

Quando um dos seus braços deslizou, o outro não conseguiu aguentar e também se desprendeu. Max caiu na grama, mas suas costas doeram. Ele fechou os olhos e fez uma careta, reclamando da dor. Quando voltou a abrir, deparou-se com Norma em pé, sorrindo e olhando para ele com a arma apontada.

Virginia saiu pela porta da frente logo em seguida, segurando uma seringa.

Max tentou se levantar, mas levou um chute dos saltos altos de Norma e voltou a cair na grama. Ela pressionou o salto contra as costas nuas dele com força. Ele reclamou de dor mais uma vez, se contorcendo, enquanto Virginia se ajoelhava ao seu lado e segurava seus braços atrás das costas.

Com uma boca, ela tirou a proteção da agulha e cuspiu ali perto. Em seguida, enfiou o objeto com violência no pescoço dele, fazendo-o gemer de dor.

Norma tirou seu pé de cima das costas dele e Virginia se afastou um pouco. Max se levantou, segurando sua toalha para não cair, e cambaleou, precisando se segurar na árvore perto do jardim.

Ele olhou para as duas mulheres mais uma vez. Agora via quatro. Estava tonto e sonolento.

Elas estavam paradas, sorrindo satisfeitas enquanto observavam ele cair no chão e apagar aos poucos.

***

Quando Max acordou devagar, ainda um pouco tonto, sentiu suas mãos e pés amarrados a uma cadeira. Uma cadeira de rodas.

Seus cabelos ainda estavam molhados, mas agora ele estava com uma roupa no corpo. Uma camiseta branca e seu calção de dormir.

Virginia estava bem atrás, empurrando a cadeira pela rua. Norma andava ao lado, com os saltos produzindo um ruído característico ao bater contra o asfalto.

Ao perceber que estava preso, ele tentou se soltar, puxando os braços e pernas sem muita força por causa do seu estado físico. Além de estar debilitado, estava muito bem amarrado.

— Veja quem acordou — disse Virginia, sorridente. — Acho que não precisamos te dar outro sedativo, não é, sr. Walker? Então sugiro que permaneça quieto, isso logo vai acabar.

— Está quase na hora — falou Norma.

— Hora de quê? — perguntou Max, aterrorizado e um pouco tonto. Os olhos abriam e fechavam com certa dificuldade.

— Você verá, Max, você verá — ela respondeu. — Será uma noite linda.

Ele logo percebeu que estava sendo levado até o fim da rua, para os enormes portões de ferro da mansão misteriosa.

— Vocês foram bem mais difíceis de lidar do que a última família — disse Virginia. — Eles demoraram muito tempo para perceber que havia algo errado. Mas vocês não, tinham que ser os espertinhos, não é? E ainda mais, com a ajuda daquele brutamontes... Eu deveria tê-lo tirado do jogo há alguns anos. Ah, e não podemos esquecer daquela garota retardada...

— Sophia? O que houve com ela?

— Ela recebeu a punição adequada por quebrar as regras.

— Por favor, eu não sei o que eu fiz para vocês, mas eu peço desculpas, me deixem ir — falou ele, ainda tonto, percebendo que a última coisa a fazer era implorar por sua vida.

As duas riram.

— Não somos nós, docinho — disse Norma. — É ela.

— Nós somos apenas peões de um tabuleiro de xadrez — falou Virginia. — E quem joga nesse tabuleiro mora depois daqueles portões.

Eles estavam chegando cada vez mais perto dos grandes portões de ferro. Fechados e pesados. Não dava para ver o que havia do outro lado.

— Nós não somos monstros, sr. Walker — disse ela. — Apenas servos leais de algo maior.

Max tentou se soltar novamente.

Eles finalmente subiram na calçada e ficaram de frente para os grandes portões.

De repente, como se soubessem da sua chegada, eles rangeram e começaram a se abrir lentamente, produzindo um enorme ruído. Duas pessoas estavam encarregadas de abri-lo. Do lado direito, vestindo um terno preto elegante, um garoto alto, jovem e bonito. O filho de Virginia, que agora não estava mais em sua cadeira de rodas. Além disso, parecia extremamente saudável, como se nunca tivesse precisado usar uma daquelas.

E não precisava.

Do outro lado do portão estava Pixie, com seus cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo, maquiagem leve e um vestido branco curto e um salto alto, como se estivesse indo a uma festa de gala ou saindo para a balada.

— Bem-vindo à festa, sr. Walker — disse ela, com um leve sorriso no rosto. Parecia uma pessoa totalmente diferente. Fria e doentia.

Ele a olhou confuso. Max sempre pensara que ela estava do seu lado, e ainda poderia pensar, se Pixie não tivesse um sorriso maligno e sensual no rosto, enquanto olhava ele ser levado para o outro lado dos muros.

A mansão parecia um castelo, com paredes de pedra e telhados triangulares, além de enormes janelas de vidro. Havia várias árvores ao redor, além de muitas plantas invadindo as paredes da mansão — algumas entrando até por partes quebradas de algumas janelas.

Era linda, mas parecia abandonada. Também não parecia haver nenhum sinal de alguma luz acesa lá dentro.

Virginia continuou empurrando a cadeira de rodas pela pequena estrada de pedras até a casa. Pixie, Norma e o filho, Hoyt, seguiam em silêncio, logo atrás.

Nada de bom estava prestes a acontecer dentro daquela casa.