Notas iniciais
Escrevi há muito tempo atrás...

SUBUMANO

Nuvens negras

Nuvens negras

Pairam sobre meu nariz

Minha vida não segue normal

Eu não consigo libertar-me desse mal

São essas tardes tristes e cinzentas

Elas me deixam infeliz

A vida passa singela

Desfilando em minha janela

Eu vejo meus sonhos passando

Vão se jogando

Em um precipício sem fim

Os narcóticos que corroem meu corpo

Morto

Flutuando em uma névoa escura

Junto a meus amigos a roda continua

Então andamos em círculos na rua

Nuvens negras

Nuvens negras

Passando sobre a cidade

Amaldiçoando bons e maus

Um manto de maldade

Armas passam pelas mãos

E o sangue que encharca o chão

É o único que flui no coração dessa selva

Mendigos jogados nas ruas

Com seus trapos

Nos becos escuros como ratos

Boêmios bêbados gemendo suas mágoas

Para prostitutas mal vestidas

Pintadas

Para colorir o rosto pardo da noite

Onde a lua brilha no céu

Iluminando anjos nos bancos das praças

Nuvens negras

Nuvens negras

E eu continuo com meus amigos

E andamos em círculos

Na noite com suas luzes de neon

Caminhamos ébrios e sem direção

A vida louca que ainda carrego comigo

Combina com meu ar sujo

E o perigo que eu corro na cidade

Traz-me sensação de pura insanidade

Sinto-me livre por ter esse poder

Ainda que preso por não poder me livrar

De ser quem eu sou na noite

E ter encontros com a morte

E essas nuvens negras me acompanham

Nuvens negras

Nuvens negras

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