Submisso

54 Capítulo 54 – Coleira e Carrocinha


Notas iniciais
>>>Olá!!!! >>>Como eu disse, estou mais tranquila e menos atarefada, então, cap novinho em folha (ou em dados) para vcs, seus lindos e lindas que me acompanham nessas loucuras faz tempo! (não estou reclamando não, por favor! Continuem, continuem!) >>>Esse cap ficou gigante, mas eu precisava reunir nele muitas coisas: o desenlace de algumas questões que deixaram as pessoas tensas no cap 53, além de atender ao clamor geral por DRARRY (safadinhos!). >>>Bia Malfoy, espero que aquele desejo de certa banheira tenha ficado bem atendido, ok? KKKKKK >>>Amigos, agradeço imensamente os comentários. Amo-os... Amo respondê-los, vcs sabem. Amo as críticas, as dicas... Vcs são demais! SUBMISSO está aí, mais viva do que nunca! Eu nem tenho mais previsão de final, admito! Os personagens tomaram o controle! KKKKK >>>Ah, não esqueçam de dar uma olhadinha em SUBJUGADO, meu novo projeto de pura maldade com os meus queridos personagens. >>>Aos erros, amanhã cuido deles... Hj vou jogar boliche! KKKK >>>Sem mais, COLEIRA E CARROCINHA!

Capítulo 54 – Coleira e Carrocinha

Theodore acordou sozinho na cama. Sentiu o frescor da própria pele e teve certeza de alguém o banhara... Nossa, estava virando um acomodado mesmo? Até banho estavam lhe dando? Ele era um homem, por Merlin! Com a mente focada em reclamar com as suas esposas que parassem de fazer tudo por ele, vestiu as vestes, por sinal, cuidadosamente escolhidas por elas e deixou a alcova.

Conferiu o relógio e soube o porquê de estar com tanta fome... Já era quase uma hora da tarde. E ele nem se lembrava bem da última refeição que fizera, afinal, o desjejum foi ele sendo empalado por Gabrielle na cozinha... E, poucas horas depois, quando os dois foram até o quarto acordar Gina, ele foi alvo mais uma vez da paixão insaciável das suas duas esposas, sobrando pouco tempo para degustar um pequeno lanche... Ficou tão cansado que, sem se dar conta, caiu no sono novamente.

Bem, poderia perfeitamente comer alguma coisa antes de reclamar sobre o excesso de cuidado das duas. É, faria exatamente isso. Pela hora, a mesa ainda deveria estar posta. Seus elfos eram muito eficientes com tudo o que dizia respeito aos cuidados da nobre casa dos Nott. Tomado por uma fome inacreditável e assustado por ouviu o próprio estômago rugir em protesto, exigindo alimento, chegou bem rápido à sala de jantar, já tendo esquecido da “reclamação” que, segundos antes, planejava fazer.

O delicioso aroma confirmou suas suspeitas... Ah, como adorava os seus elfos! Mal se sentou, encheu o prato a sua frente com tudo o que alcançou. Pouco pôde fazer quando, antes mesmo de dar a primeira garfada, parte da sua seleção alimentar, se esvaneceu do prato... “Gabrielle”, pensou irritado. A veela manteria mesmo o controle rígido sobre tudo o que viesse a consumir? Ah, seria uma longa gestação... Resignado, se dispôs a comer o que lhe era “permitido”, os olhinhos brilhando em direção ao suculento assado recheado com muito bacon, bem do jeito que ele gostava...

Odiou-se por estar tão sensível. Nossa, se visse uma folha caindo de uma das árvores da propriedade, ele faria tremendo espetáculo? Mesmo comendo com vigor, precisava conter o choro, por não poder comer o que tanto desejava. Quando havia se transformado naquela bomba hormonal enlouquecida? E a cada pensamento como aquele, a angústia em seu peito aumentava, as lágrimas já precipitando pelos olhos. Não demoraria muito agora... Mais alguns segundos e as teria ali, bem perto dele. A conexão entre os três era muito forte e...

_Theo... O que foi? – Perguntava a voz de Gina que, preocupada, corria para junto dele.

É, não demorou nada mesmo.

_Está se sentido mal? O que foi? Está enjoado?

O sonserino largou o garfo e esfregou o rosto com as mãos. Estava mesmo com muita raiva de si mesmo. Por Merlin, parecia uma criancinha birrenta.

_Não é nada... Eu estou bem, Gina, sério... – Mas o tom choroso da voz não a convenceu nadinha mesmo.

Gina convocou uma cadeira e se sentou bem ao lado do marido. Acariciou-lhe os cabelos com delicadeza e liberou aquele rostinho lindo das mãos que o escondiam. Depois sorriu, beijando-o na testa e assumindo a tarefa de lhe dar de comer ela mesma.

_Oh, não Gina... Eu posso fazer isso! Vocês duas estão me tratando como se eu estivesse inválido.

_Claro que não... Eu quero mimar você, seu bobo. Muito mesmo. Você é a pessoa mais preciosa do mundo pra nós duas, não entende? Nós te amamos tanto, Theo... Permita-nos cuidar de você, por favor?

O outrora austero Theorode quase se derreteu e, inesperadamente, abriu a boca em anuência aos mimos da esposa ruiva.

_Vai me dizer agora por que ficou triste?

_Queria comer aquele assado...

_O que está transbordando de gordura? Não mesmo, meu amor...

A grifinória riu alto da careta de pura irritação do marido, devido a sua negativa. Beijou-lhe a ponta do nariz e lhe beliscou a bochecha, encantada com aquela reação tão fofa e espontânea.

_Vamos, abra a boca mais uma vez... Sabe que deve manter uma dieta mais que rigorosa, meu amor – e ao que Theo fez a vontade dela, incentivou. – Caso se alimente como deve e tome tudo o que o professor Snape receitou, deixo você comer alguns biscoitos.

Theo sorriu lindamente depois daquilo, desaparecendo por completo com qualquer vestígio das tristes lágrimas. Vendo-o assim, tão feliz, Gina não podia deixar de desejar ter um menino, com o mesmo rostinho do marido. Ah, Gabrielle e ela seriam muito agraciadas com um menino ou menina, não importava, desde que o sonserino pudesse levar aquela gravidez sem muitos contratempos. Seria toda uma epopeia.

_Ótimo! Cumpriu bem a sua parte no acordo. Vou trazer as poções que deve tomar...

_E os biscoitos! Você prometeu... – Relembrou já salivando.

Rindo novamente, Gina pediu aos elfos que retirassem a mesa e foi ela mesma pegar a “recompensa” do marido, assim como as poções que o mesmo deveria ingerir. Pelo que o professo Snape havia dito, as poções eram fortes, mas necessárias para que Theo não sentisse muitas dores. A partir do segundo mês, o corpo do varão grávido começava a se altera de forma brutal e eles precisavam evitar que o processo fosse muito sofrido.

O varão em questão foi até o banheiro e fez sua higiene bucal, aproveitando para dar uma boa olhada no próprio rosto. Estava com os olhos bem inchados... Também, além de dormir quase a maior parte do dia, estava alternando sono e choro, choro e sono...

_Theo? Tudo bem?

Ele deixou o banheiro e encontrou a esposa ruiva com um pote de biscoitos nas mãos. Quis pegar aquele pote, correr para longe e, sozinho, degustar cada um deles.

_Primeiro as poções, meu amor. E só cinco biscoitos, ou Gabrielle me trucidará! Conversei com ela sobre o seu desejo incontrolável por eles e até Pansy concordou que alguns poucos biscoitos não seriam um estrago na sua alimentação. É claro que verificamos a dieta prescrita também. Então, nem adianta se animar demais. Cinco – e mostrou os dedos da mão direita. – Esse é o limite!

O nobre Nott já deveria supor que era bondade demais... Sentaram-se num dos sofás e se preparou para a infinidade de poções que tinha que ingerir. Depois de deixar claro que tinham gosto de merda de dragão, teve em suas mãos seus cinco cobiçados biscoitos.

Enquanto os degustava, deitou-se no sofá, apoiando a cabeça no colo da ruiva. Gina fez o pode desaparecer, além de ter enviado as poções para o quarto. Afundou os dedos no cabelo macio do marido que, naquele instante, parecia desfrutar do manjar dos deuses, tamanha era a expressão de êxtase que sustentava.

_Se Gabi te visse com esse rostinho – e riu-se. – Ela te comeria aqui mesmo... E eu ajudaria – Completou com um sussurro.

_Ha, ha, ha...

_Não ria, é verdade – e beijou e lambeu os dedos que apresentavam farelinhos dos biscoitos já ingeridos. – Hum... Adoro chupar você, sabia?

_Ah, Gina... – E não pôde conter um gemido de prazer.

Aquela estranha conexão que tinham era algo que deveria ser estudado por especialistas... Um mísero toque era capaz de acendê-lo por inteiro.

_E onde Gabi está?

_Ela foi ao lago, junto com Blaise e a mãe dele...

Theodore arregalou os olhos.

_Sophia está aqui? Como? Pensei que ela só voltaria no ano que vem!

_Oh, meu bebê! Eu mudei de ideia! – Interrompeu a voz doce e sensual de Sophia Zabini, fazendo Theo sorrir feito uma criancinha em dia de Natal.

Gina o ajudou a ficar de pé e não demorou muito para que a bela mulher o tivesse entre os braços. A reação dele foi bastante peculiar, embora Gina, Gabrielle e Blaise, pelo que já tinham presenciado dos picos de humor que andava tendo, não pudessem dizer que era de todo inesperada.

_Sophia... – E soluçou alto e sentido, como se o mundo estivesse na iminência do caos completo.

_Oh, meu bebê! Que saudade de você! – E o sonserino se agarrou a ela com mais força, chorando copiosamente. – Shiii... Eu estou aqui... Todos nós estamos aqui...

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Lucius estava lendo o profeta diário com vagar, enquanto bebia um delicioso chá preparado por sua mãe. Sem nem perceber, demorava-se nas notícias mais relevantes para os negócios. Sua mente ágil parecia voltar ao pleno funcionamento quando a voltava para balancetes, inversões no mercado e afins... Precisava conversar com Draco sobre a situação do patrimônio dos Malfoy.

Pelo pouco que Severus lhe contou, apenas as principais empresas foram mantidas, pois, como ele mesmo já suspeitava, Draco não tinha o mesmo entusiasmo que ele para administração. Na verdade, segundo Severus o seu único filho estava se desdobrando entre o árduo trabalho e o estudo de medimagia... Sem contar o esposo doncel que se metia em problemas a cada instante... É, ele precisava mudar essa situação.

_Ora vejam só... O mercado russo parece cada vez mais atrativo...

Batidinhas na porta o alertaram. E qual não foi a sua surpresa ao encontrá-la...

_Pansy Parkinson!

_Oh, senhor Lucius!

Com passos rápidos, a loira chegou até o patriarca Malfoy. O abraço dos dois foi longo e cheio de carinho. Lucius e ela sempre mantiveram uma relação diferenciada. Ambos compartilhavam do mesmo “amor pelos negócios e paixão pelos balancetes”, segundo palavras do próprio Draco.

Pouco tempo depois a conversa já girava em torno das empresas e de como fariam para que, mesmo escondido, Lucius retomasse o controle das mesmas. Pansy tinha uma mente bastante sagaz, ao que o loiro mais que agradecia, e logo traçaram uma estratégia que pudesse desafogar o herdeiro dos Malfoy de tantas funções.

A loira de infarto estava reluzindo felicidade. Com Lucius, sabia que a Malfoy C.O. cresceria ainda mais e Draquinho poderia, enfim, se dedicar com exclusividade à medimagia e ao esposo mais que delicioso. Seria trabalhoso, entretanto ela tornaria possível a reintegração do senhor Malfoy.

_Teremos apenas que acertas alguns detalhes, desde que não interfira em sua recuperação...

_Pansy, querida... Voltar as rédeas dos negócios irá apenas me ajudar a melhorar ainda mais rápido e...

Novas batidas na porta interromperam a conversa. “Senhor, Lucius?”, E assim Adam Taylor se juntou aos dois. O advogado entrou em silêncio e os cumprimentou. Uma nova cadeira surgiu, certamente devido a um feitiço de Pansy.

_Diga Adam, como foi a reunião com o ministro? – E ao que o advogado encarou Parkinson, Lucius deixou tudo muito claro. – Não há nada para esconder de Pansy Parkinson. Ela é, para todos os efeitos, meu braço direito.

_Fico imensamente feliz por vê-lo então, senhor, tão bem assessorado – e sorriu galante, ao que a loira retribuiu com uma aceno de cabeça.

_Adam... Adam... Cuidado ao atirar seu charme... A minha querida Pansy aqui é uma típica sonserina, mais ardilosa e sedutora que muitas mulheres maduras...

_Oh, não se preocupe... Eu não tenho essas intenções, senhor Lucius. Na verdade, os meus interesses já estão direcionados para outra pessoa.

O patriarca Malfoy o mirou avaliativamente e soube, ah, simplesmente soube a quem o corvinal estava se referindo. Pobre dele se ultrapassasse as regras e causasse qualquer dano ao “alvo” do charme...

_Adam Taylor, tenha cuidado. Não vai desejar me ter como inimigo.

_Oh, não creio... O senhor Taylor já teve uma experiência nada agradável com um Malfoy, não faz muito tempo.

A lembrança da loira o fez, sem perceber, levar a mão até o pescoço. Encarou Lucius e viu naqueles olhos cinzas a mesma fúria que encontrou nos olhos de Draco. Engoliu em seco, sorrindo de leve, apenas anuindo ao patriarca.

_Claro, senhor Malfoy, claro.. Fique tranquilo...

_Ótimo, então diga-nos, Adam: o que ocorreu na reunião com o ministro?

Antes que Adam Taylor pudesse, enfim, contar o que tanto desejava acerca da reunião com o ministro, mais uma vez batidas na porta foram ouvidas.

_Ora, para quem está escondido, anda muito requisitado, não? – Brincou Pansy, enquanto Remus adentrava o quarto.

_Desculpe a interrupção...

_Não precisa se desculpar, Remus – disse prontamente Lucius. – O que aconteceu? Percebo que está inquieto...

_Cheguei faz pouco tempo e procurei por Sirius pela casa toda, mas não o encontrei... Pensei que ele poderia estar aqui.

_Eu o vi quando cheguei. Ele estava com a dona Esther – revelou o advogado.

_Por Merlin! Sirius não está em lugar algum... – E a preocupação do lupino era mais que evidente.

Lucius ficou de pé com a maior agilidade da qual o seu corpo poderia dispor. Os olhos dourados encontraram os acinzentados e a conexão foi imediata.

_Remus, fique calmo.

_É difícil manter a calma com Sirius agindo de forma tão irresponsável. Era para ele ficar em casa, descansando... Sirius está grávido. Não faz muito tempo, Sirius esteve muito doente, depois se acidentou, além de ter passado por um período de instabilidade na magia.

_Remus... Para onde Sirius pode ter ido? Ele dever ter dado algum indício, não? – Sugeriu Pansy, fazendo-o refletir.

Lupin analisou os últimos momentos tensos quando, ainda antes que saísse de casa, quando Sirius ficou tão sensibilizado devido ao suposto feitiço das trevas...

_Oh, por Merlin! Sirius foi a St. Mungus! – E aparatou, deixando a todos bastante preocupados e se perguntando: o que aconteceu?

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Dobby deu três toques na porta, ao que ouviu a voz de um dos seus amos, num tom baixo e muito zeloso.

_Entre Dobby...

_Dobby trouxe um chá para os nervos, senhor, um chá para o amo Harry dormir bem, sem pesadelos.

O loiro estava sentado na beira da cama, degustando a refeição que o mesmo elfo havia enviado mais cedo. Já Harry, bem...

_Dobby, Harry está dormindo... Muito bem... Por que teria pesadelos?
Os olhinhos do elfo estavam vidrados no moreno que, a despeito de toda a sua preocupação, dormia profundamente. Dobby deixou o chá sobre a mesinha de cabeceira, bem ao lado do seu “ídolo” e contou o motivo de tamanha preocupação.

_Dobby ouviu gritos, senhor...

Draco enrubesceu, imaginando ao tipo de “gritos” aos quais o pequeno elfo se referia.

_Oh, senhor... O amo Harry Potter sofreu algum ataque? – E Dobby convocou diversos pedaços de tecido, sob o olhar atento de um loiro bastante vermelho. – Precisamos encontrar quem o atacou, senhor! Vou comunicar aos aurores!

Draco Malfoy apenas esfregou o rosto com as mãos, enquanto Dobby aparatava, deixando-os sozinhos. Em sua mente, imaginava mais umas mil e uma maneiras de ser preso por atacar Harry Potter, o herói do Mundo Bruxo.

Afastou a bandeja com o jantar, já satisfeito com a pequena porção que havia ingerido. Olhou para si mesmo: usava apenas uma cueca e tinha o corpo perolado e colando. Imaginando que os aurores ririam do pequeno elfo, lançou um feitiço direcionado ao banheiro. Estavam melados, Harry e ele, devido aos “intensos exercícios” que tão exaustivamente realizaram em cima da cama... Banharia o esposo com vagar e dedicação e depois terminaria as sua refeição. Na verdade, o faria jantar também. Para isso, precisava acordá-lo, não?

Pensando nisso, aproximou os lábios da delicada nuca, afastou as melenas escuras e o beijou ali, com vigor, fazendo com que se contorcesse e gemesse baixinho, entre sonhos. Sorrindo, enfiou as mãos dentro do pijama leve que cobria o corpo de Harry... Ah, não conseguia se controlar. Mal o fizera dele e já queria marcá-lo mais uma vez como seu.

_Harry... Amor... Acorda... A banheira já está cheia...

O moreno suspirou ao sentir os toques pecaminosos com os quais o marido o presenteava. O loiro ouviu um “Draco”, bem baixinho... Ah, como era delicioso saber que mesmo perdido em sonhos, era ele quem dominava a mente do esposo. O desejo só cresceu... Lentamente, beijando e dando mordidinhas leves, o desnudou.

_Harry... Vamos preguiçoso...

_Draco... O que... Hum... O que está fazendo?

A gargalhada safada do loiro encheu o quarto, pois naquele momento não havia constatação mais óbvia: Draco chupava sem piedade os mamilos de Harry, alternando-se entre ambos, sabendo de antemão que os botõezinhos rosados estavam mais sensíveis devido à gravidez.

_Já que você se recusa a acordar, eu estou abusando de você, meu amado esposo... Aproveite!

Harry sorriu e afundou as mãos nos cabelos loiros e sedosos de Draco. E então, inesperadamente, foi erguido e levado para o banheiro.

_Vamos tomar um banho...

_Banho? – E a carinha de desagrado de Harry fez o loiro rir novamente.

_É, banho... Não vamos dormir assim, suados... – Respondeu Draco já do lado da banheira, na qual depositou o corpo gostoso do doncel.

_É só banho mesmo? Eu pensei que você fosse... Abusar de mim...

As esmeraldas lampejavam de desejo, enquanto um Draco atônito observava aquela pele lisinha e sedosa se molhar com suavidade. Harry fazia de propósito, essa era a única explicação. Como ele conseguia sustentar tamanha expressão de inocência e, ao mesmo tempo, dizer “eu pensei que você fosse... Abusar de mim?”

Endureceu ao notar o biquinho nos lábios carnudos e vermelhos do doncel. E aquela deliciosa fragrância dos cabelos dele? E, por Merlin, será que o esposo conseguia imaginar como o deixava ao, sem nenhuma intenção maliciosa, começar a ensaboar o corpo, dando especial atenção às pernas torneadas e firmes?

_Ha, ha, ha...

Rindo? Harry estava rindo... Dele?

_Ha, ha, ha... Eu deveria fotografar a sua cara de esnobe agora, loiro de farmácia... Ha, ha, ha... Não aguenta nem uma provocaçãozinha? – E ergueu uma das pernas mais uma vez, plenamente consciente do efeito devastador que causava no veela.

_Testa rachada, você não sabe com quem está brincando...

O loiro arrancou a cueca e praticamente pulou na banheira. Harry sorriu safado, mantendo-se concentrado no ato de ensaboar/provocar...

_Vem aqui. – E Draco o puxou, sentindo as mãos percorrerem a pele mais que desgustável do doncel.

Agarrou-o entre os braços, aproveitando para deixar sua magia veela fluir. O moreno sorriu vitorioso, beijando-o com voracidade. Não sabia o que era... Não sabia o motivo... Mas estava sentindo uma fome insaciável naquele dia... Fome de Draco Malfoy.

A batalha de línguas foi sufocante, mas o veela foi bem-sucedido e Harry gemeu alto e longamente. Não era um simples beijo, não com aquela magia estimulando-o de forma tão sexual. Abriu as pernas e quase escalou o corpo alvo e bem marcado de Draco, sentando-se sobre ele.

_Amor, calma... Você está... Grávido... Harry!

Nada adiantou... Os pedidos foram ignorados e Harry logo encontrou o que queria. Com uma das mãos, segurou bem firme o membro duro do marido, acariciando de leve, excitando-o mais ainda enquanto se esfregava nele. A água quente não estava cumprindo com o seu papel relaxante, não mesmo, pois servia apenas para deixar o toque mais lento e torturantemente delicioso.

_Draco... Eu te quero... – Choramingou Harry em seu ouvido, a voz mais que sensual e libidinosa.

A água transbordava banheira a fora, não que causasse alguma real preocupação nos dois ocupantes... Harry estava muito empenhado em morder e lamber a orelha do marido. Já o marido em questão, dedicava-se a enfiar os dedos na entrada apertada do esposo. Ele estava tão ou mais faminto que o doncel.

Draco sentiu em seu membro o toque urgente de Harry, conduzindo-o a sua própria entrada. O caminho da glória, segundo pensamentos nada puros de certo veela...

_Calma, Harry... Eu preciso te preparar...

_Já está bom...

De onde vinha todo aquele desejo? Seu veela podia sentir o desejo sentido por Harry... Na verdade, era difícil avaliar quem desejava, se ele ou o esposo. Da mesma forma desesperada que Harry tentava se auto-penetrar, ele deseja se enterrar naquele canal estreito que o sufocava até a medula.

A magia veela acariciava os dois, impudica e quente. O calor que sentia era tamanho, que Draco se surpreendeu que a água na qual estavam imersos não tivesse evaporado ainda.

_Está bom, Draco – e o mordeu com força, fazendo o veela gritar...

Harry o arranhou, desesperando-se pelo potente efeito que o veela tinha sobre si. Draco o apertou mais, enfiando fundo os dedos e fazendo-o gemer num tom de voz quase cantado. Prosseguiu no seu intento de prepará-lo, mas ficava mais difícil com o doncel tentando se livrar dos dedos do marido e se empalar loucamente.

_Aaaah... Mete em mim, Draco...

Tão desesperado quanto o doncel, o loiro o sentou na borda da banheira, abrindo as pernas dele até o limite. Queria chupá-lo com força... Sugar toda a essência dele e regozijar-se naquele néctar único, mas já estava dolorido de tanta excitação. Penetrou-o de uma só vez, rápido e profundo.

Harry gritou com vigor ao sentir o pênis do veela abrir caminho dentro de si. Draco lhe fez eco, a magia veela no auge, poderosa e selvagem, levando ambos ao máximo da entrega. O loiro conseguiu se conter minimamente, esperando até que o seu amor, o seu esposo, o seu parceiro ideal indicasse que poderia iniciar aquele já conhecido e cadenciado vai e vem.

_Fundo, amor... Eu quero bem fundo...

O beijo animalesco foi seguido de um entra e sai forte e ritmado. A cada penetração Harry o apertava mais, afundando as unhas nas costas do veela, chamando-o por nomes íntimos, alguns inteligíveis outros impossíveis de discernir.

As esmeraldas o buscavam... Os lábios volumosos e doces caçavam os seus... Como resistir? Como não fazer exatamente o que o doncel tanto desejava?

_Fundo... Fundo...

As estocadas aumentaram em velocidade e força.

_Harry

Harry o sentia entrar e sair... Uma, duas, três vezes... Por Circe! Queria Draco, queria tudo dele... Não tinha vergonha alguma de se abrir inteiro para ele, aceitando-o completamente. Era tão simples assumir: amava o loiro falso de farmácia com mais ardor do que nunca. Queria-o para si, dentro de si, para sempre...

_Ah, Draco... Eu vou...

O loiro o sufocou num ósculo feroz, enquanto se arremetia contra aquela entrada estreita. Em contrapartida, o interior de Harry o apertava com uma pressão inacreditável. Os dois chegaram ao cume juntos, Draco se derramou dentro dele e Harry entre ambos, melando-os e denunciando o quanto estava satisfeito.

Ofegantes, os dois se deixaram cair novamente na banheira... A água que ainda restara foi suficiente para banhá-los... Harry estava amolecido pelo prazer, pois ainda sentia em si os efeitos do orgasmo experimentado. Já o veela soube aproveitar a oportunidade para ensaboar a ele mesmo e ao esposo, dando especial cuidado ao ventre redondinho. Depois lavou os cabelos escuros, cujo aroma era inebriante. Não conseguia evitar os pensamentos possessivos que direcionava ao doncel...

_Você é só meu, Harry... Essa pele, esse cabelo – e o segurou pelo queixo, beijando-o novamente. – Esses saborosos lábios... Só meus...

_Sou seu, Draco... Contudo, acho melhor saímos da banheira... Já estou ficando com frio... – E fez novamente o “biquinho” que Draco tanto amava.

_Assim fica difícil deixar essa banheira, amor.

Um novo beijo os envolveu, embora bem menos sensual. Dedicaram-se apenas a trocar uma leve carícia. O moreno ficou de pé e saiu da água, sendo seguido de perto pelo loiro. Secaram-se e voltaram ao quarto, encontrando a cama arrumada de forma impecável.

_Dobby...

_É, o seu maior admirador é mesmo muito atento a tudo o que diz respeito a seu conforto, Harry. Pobres dos aurores... – Brincou Draco, dedicando-se a contar ao esposo o pequeno incidente com o elfo.

Entre risos, os dois se vestiram. Draco se penteou e fez o mesmo com o doncel, ainda que esse reclamasse. Não sabia por qual motivo, mas Harry não gostava muito de se pentear. “Ai, Draco, deixa o meu cabelo em paz”, era o que sempre dizia antes de, vencido, permitir ser penteado.

_Draco, eu estou – e o estômago roncou alto. – Com fome... – Concluiu corando, enquanto o loiro o beijava e sorria.

Caminharam até a cama e nela Draco fez questão de alimentá-lo com gentileza. Ser mimado daquela forma era algo com o qual Harry poderia se acostumar fácil, fácil. Ser banhado, ser alimentado na boca... Ser amado com tanta devoção... Ah, poderia viver com isso, ah se podia.

_Draco, você conseguiu entrar em contato com Ron? Alguma novidade?

_Oh, amor... Eu tentei te contar, mas não consegui... Você não deixou...

_O que foi? Aconteceu alguma coisa?

Draco o abraçou, acalmando-o com sua magia. Ah, agradeceria eternamente à Fleur e à Gabrielle.

_Harry, o meu pai está bem, vivo e bem... – E ao que os olhos de Harry se arregalaram de susto e surpresa, o loiro o encarou com admiração e gratidão sem limites. – E ele foi completamente inocentado graças a você, amor. Obrigado... – Mais um beijo, impedindo as perguntas de Harry de saírem pelos lábios.

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

_Sev...

Chamá-lo de nada adiantou, pois não foi ouvido. Pouco podia ver do quarto. Via as duas camas que serviam de apoio aos doentes, mas não tinha uma visão ampla do quarto. Havia algo estranho acontecendo...

_Não toque nela!

Notou o tom preocupado na voz do marido, tampouco podia ver os pedaços de mobília que levitavam pelo quarto. Sua visão completa era impedida pela estranha magia que, agora sabia, atava Severus. É, de fato, o efeito danoso do “fosse o que fosse que estivessem fazendo” era mais que terrível. Sabia que o marido escondeu dele que estaria envolvido em algo perigoso.

_Tudo corria bem. Identificamos o feitiço na senhora Skeeter. Contudo, ao nos voltarmos para o senhor Voronin...

_Fique onde está! Ela ficará bem... Granger! Não sucumba agora. Vou desvencilhá-la do feitiço!

Pôde ver Severus florear a varinha e ouviu o som de algo se arrastar. Esforçou-se e parte de Hermione. O que estava acontecendo? Ela estava sob o ataque de alguém? Oh, temia por Severus. O pocionista não compreendia que poderia se machucar? Será que ninguém mais no mundo inteiro poderia tomar o lugar dele? Ora, Severus agora tinha uma família para cuidar! Não é que não se importasse com Hermione, claro que não...

_SCUTUM DELERE!

Ouvir a voz dele pronunciando um encantamento poderoso e desconhecido o deixava mais irritado... Era potente e exigiria muito da magia do marido. Ah, assim que aquilo tudo terminasse faria uma greve de sexo! É, talvez fosse o único modo de ser entendido como se devia...

Assustado pela força necessária para utilizar aquele conjuro, ele pôde ver uma finíssima linha de luz irromper da ponta da varinha do marido e envolver Hermione. A castanha pareceu sentir alívio imediatamente. Fosse o que fosse, estava lutando ferozmente contra Severus. E então as linhas se multiplicaram, envolvendo um dos hospitalizados, certamente o pai de Madeleine.

_SOLVITE!

O clarão que envolveu o quarto o cegou. Era um feitiço por demais potente e se alastrou pelo recinto com força atroz, por intensos minutos. Não via direito, mais sentia a magia do marido vibrar e lutar. E então ouviu Hermione respirar profundamente... Ela estava bem, soube disso... Resignado a esperar, pois sabia que o marido era mais que apto a ajudar a castanha, pensou em ir para o corredor, onde sua visão voltaria à normalidade. Contudo, a magia envolvida estava instável e encontrou um novo alvo: ele!

O impacto foi cruel... Sentiu aquele estranho poder acariciá-lo com a delicadeza de um trol. Tamanha era a força que sentia sobre si, que pensou apenas em proteger seu bebê... Não pronunciou, mas realizou um mínimo protego não verbal, envolvendo o ventre e minimizando o contato daquela região do seu com aquela magia... E então, foi projetado para trás, ao passo que sentia a carne sendo lacerada sem piedade alguma...

Os estrondos foram audíveis até no corredor. Hermione estava enfim livre, embora permanecesse no chão, atordoada e visivelmente dolorida. O medibruxo a acudiu, revisando-a imediatamente, enquanto Severus se voltava para a cama na qual Ivan Voronin agonizava.

_Senhorita Granger, que temeridade. Por sorte não foram muitos os danos... – E lançou feitiços a esmo pelo quarto, ordenando-o minimamente. – Sente-se aqui, por favor. Creio que uma poção...

_DOUTOR!

A voz a recepcionista fez os três integrantes conscientes do quarto se voltarem para o batente no qual, antes, ficava a porta. Ela estava ajoelhada, apoiando a cabeça de um jovem de cabelos escuros e longos... E havia sangue... Muito sangue...

_ELE ESTÁ FERIDO!

A urgência nos gritos da mulher fizeram o coração de Severus se despedaçar. Ah, ele sabia... Sabia bem a quem pertenciam aquelas suaves melenas escuras...

_Sirius...

_Por Merlin! O que esse doncel faz aqui? – Questionava-se o medibruxo, já pendente de Sirius.

Hermione ficou de pé, ainda bastante dolorida mais bem. Agarrou-se ao braço do professor que parecia estar tão cansado quanto ela. Os olhos amendoados miravam as ações rápidas do medibruxo que, naquele momento, já tinha colocado Sirius numa maca e avançado com ele corredor afora.

_Espere um pouco, professor. Se der um passo, cansado como está, será pior...

Como se os tivesse convocado com o pensamento, instantes depois, um segundo medibruxo e uma enfermeira entraram no quarto. Poções revigorantes lhes foram entregues, enquanto eram alvo de mais feitiços de varredura. A castanha ainda demonstrava debilidade, mas soltou o braço de Severus. Sabia que o bruxo mal podia controlar a vontade de correr até Sirius.

_Levarei os senhores para a enfermaria – começou o segundo medibruxo, recomendando fortemente que se mantivessem calmos enquanto a poção revigorante fazia efeito.

_Para onde levaram o doncel ferido?

Os olhos escuros de Snape não admitiam nem um questionamento, nada mesmo. Era impossível desobedecer.

_Deve estar na emergência, no final do corredor – e Severus apenas se desvencilhou de mais cuidados e traçou um caminho rápido e sem obstáculos até o esposo. – Ei, espere! O senhor não pode entrar lá!

Hermione impediu que tentassem conter Snape.

_Doutor, nem tente. O doncel em questão é Sirius Black e o professor Snape é o marido dele... Não seria muito agradável para o senhor se colocar entre os dois.

O pocionista parou na porta da emergência, mas não porque tivesse se contido, não mesmo. Foi Remus... O lupino o segurou, impedindo que irrompesse porta adentro e acabasse por atrapalhar. Assim que chegou ao andar indicado, viu a maca trazendo Sirius e, pouco depois, identificou o amigo traçando o mesmo trajeto, ainda que visivelmente desorientado em sua rota.

_Solte-me.

_Não.

_Solte-me, Lupin.

_Não, Snape. Você vai se sentar bem ali, comigo, e deixar que os medibruxos façam o trabalho que são bem pagos para fazer.

Severus o encarou bem fundo nos olhos dourados e viu neles que Remus realmente não iria soltá-lo. O bondoso professor reintegrado aos quadros funcionais de Hogwarts estava tão abalado quanto ele, mas no momento expressava apenas consideração e apoio.

_Vamos Severus... Sei que você é brilhante e muito mais competente que muitos desses medibruxos, contudo está enfraquecido, posso sentir. E emocionalmente envolvido... Vamos nos sentar e aguardar. Ficarei contigo. Onde está Hermione?

As imagens de Sirius ensanguentado não saíam de sua cabeça. Por que, por Merlin, Sirius sempre se colocava em perigo? Mais sentiu que ouviu Remus falar qualquer coisa sobre sentar e aguardar... Deixou-se ser conduzido para algum lugar, depois se sentou e percebeu todo o cansaço em si, de uma só vez.

_Acabei de perguntar sobre Sirius... Ainda não há nenhuma informação consistente, então apenas preenchi alguns formulários – revelou Remus, o tom de voz demonstrando muita preocupação. – Tome, guarde a varinha dele. Oh, Severus, você está péssimo!

Os olhos do professor finalmente voltaram a demonstrar algum foco. As imagens do esposo ensanguentado agora, além de lhe causarem tristeza profunda, começaram a irritá-lo com o mesmo furor.

_Você foi revisado, amigo? E Hermione?

A resposta veio logo em seguida, logo depois que Snape colocava a varinha do esposo no bolso interno das vestes.

_Eu fui revisado, acalme-se. Creio que Hermione está na enfermaria, mas não se preocupe... Ela está bem.

_E o que aconteceu? O que atingiu Sirius?

_Tivemos um imprevisto. Identificamos o feitiço agindo em Rita Skeeter. Contudo, ao tentarmos comprovar a existência do mesmo no professor Voronin... Já ouviu falar sobre feitiços escudo, certo?

Remus assentiu, já imaginando o que tinha então acontecido. Oh, por Merlin. E Sirius se colocou em perigo, mais uma vez.

_O escudo foi rompido, mas muita magia foi exigida. Sirius estava bem atrás de mim... Eu não vi, Remus. Protegi o medibruxo com um protego e o afastei antes de ajudar Hermione. Caso eu o tivesse visto... Caso eu não estivesse tão focado em romper o feitiço escudo e minimizar o sofrimento de Hermione...

_Ora, pare com isso. Não vou admitir que se culpe por algo assim. Severus, seu esposo é imprevisível. E você, meu amigo, mesmo sendo um mago estupendo, é apenas um ser humano...

Severus quis deixar bem claro que abriria mão da sua humanidade, e de muito bom grado, se isso significasse proteger Sirius de tudo, inclusive dele mesmo. Ele não era bom com esperas. Era um homem de ação. E ficar ali, parado, apenas aguardando que um daqueles idiotas de túnica branca viesse até eles e desse notícias sobre a saúde do esposo era, no mínimo, pura tortura.

Quase uma hora havia se passado e até Hermione já havia se juntado a eles... E nada, nenhuma notícia! Quando já estava a ponto de voltar ao caminho que tomou antes de ser impedido por Lupin, o mesmo medibruxo que protegeu mais cedo no quarto do casal Skeeter-Voronin veio até eles. Dentre toda a baboseira que ouviu, as palavras “estável, gravidez sem risco, cuidados necessários e protego” foram identificadas...

_Ao que parece, o senhor Sirius Black foi capaz de realizar um protego, livrando o feto de qualquer impacto mais grave. Contudo...

Snape sentiu a mãos de Remus sobre o seu ombro, dando-lhe apoio. Ah, por Merlin... Sempre haveria um porém?

_Como estava ligado a um feitiço das trevas, o feitiço escudo se tornou mais danoso que um feitiço escudo comum...

“Novamente, obviedades”, pensava Snape. Evidente que o feitiço escudo iria ter efeitos mais perversos. Os feitiços escudos tinham aplicação variada no Mundo da magia, sendo a principal o combate. Contudo, não era inusual vinculá-los a feitiços de toda espécie, quando se tinha a intenção e manterá atuação dos mesmos de forma prolongada e evitar interferências externas. Poderia ser um imperius, ou qualquer outra maldição... Poderia até ser uma poção do sono profundo, ou qualquer outra poção, de controle ou não.

Fosse o que fosse que estivesse atuando sobre o senhor Voronin, alguém não queria que descobrissem... Mais uma vez estavam lidando com magia poderosa. O escudo foi tão bem elaborado, que nem ao menos foram capazes de identificar se o professor Voronin também estava sob o efeito terrível do Suspensio Animae. Bem, agora... Pouco se importava com a saúde dos pais de Madeleine... Não com os péssimos prognósticos acerca da saúde do seu esposo doncel.

_Precisamos interferir mais profundamente para minimizar danos ósseos em duas costelas do senhor Black, contudo, evitamos intervir magicamente nos demais ferimentos. O doncel está grávido e não podemos afetá-lo com excesso de magia, portanto... Senhor Snape, a recuperação será lenta e será necessário repouso severo e prolongado, pois as costelas estão em processo de recuperação. Há uma fratura no braço direito também... Será de difícil recuperação, pois não poderemos utilizar esquelece, tampouco usaremos magia, tal como não utilizamos nas costelas...

Hermione roeu as unhas, num gesto muito infantil para a castanha, sempre tão segura e madura. Já Remus anteviu o caos universal... Sirius Black, em “repouso severo e prolongado”? Era mais fácil obter a paz mundial, isso era fato.

_Dessa forma, os ferimentos na cabeça e nos braços demorarão a cicatrizar. Foram causados pelos vestígios do feitiço escudo desfeito e...

_Não pode haver excesso de magia... – Completou Severus, mais aliviado por saber que o esposo estava estável, entretanto ficando bastante preocupado com os problemas vindouros. – Explique todos os procedimentos, doutor. Pretendo estar com o meu esposo em casa o mais breve possível.

_Senhor Snape, creio que seria mais prudente mantê-lo em St, Mungus por pelo menos 24 horas, assim poderemos monitorar qualquer mudança drástica no...

_Não será necessário – cortou o pocionista, já ficando de pé. – Eu mesmo farei isso. Agradeço imensamente seus cuidados, doutor, mas faço questão de eu mesmo cuidar do meu esposo doncel.

Hermione sorriu de leve e encarou o medibruxo com um ar de “eu já te avisei”.

_Severus, vou então verificar se há mais alguma papelada a preencher.

_Doutor, por favor, explique detalhadamente os procedimentos e leve-me até o meu esposo.

Resignado, o medibruxo obedeceu ao carrancudo professor. Quando chegaram ao quarto para o qual Sirius havia sido levado, Severus já havia decorado os procedimentos adequados ao tratamento, assim como já sabia quais poções deveriam utilizar.

_Em vinte minutos terei tudo organizado para a transferência, senhor Snape. Como indicado, pedirei ao senhor Lupin que autorize a conexão entre as lareiras – e o medibruxo saiu do quarto, deixando-os sozinhos.

Os olhos escuros de Severus realizaram um escrutínio minucioso do delicado corpo sobre a cama. Os olhos claros de Sirius lampejaram em sua direção... Ah, o doncel fazia uma bela ideia do que o aguardava.

_Sev...

_Sirius... Como se sente?

O sonserino se aproximou do grifinório, avaliando os cortes e hematomas nos braços, sem nem mencionar a imobilização feita ao estilo trouxa, assim como um curativo bem feio na testa... Beijou-o de leve nos lábios para, em seguida, segurar a mão esquerda dele com cuidado.

_Sev... Desculpe-me... Eu...

_Como se sente? – E Sirius percebeu que as suas desculpas não seriam sequer ouvidas, ao menos não naquele momento.

_Um lixo... Eu quase... Eu poderia ter... – E a outra mão, cujos movimentos estavam limitados, foi direto ao ventre e deu uma ideia a Severus sobre o que o esposo quis dizer, embora não tenha conseguido concluir a frase.

_Nosso filho não foi prejudicado devido a sua presença de espírito. Felizmente, algo você fez de forma adequada. O protego salvou o bebê, mas pouco pôde fazer por você. Avaliou a si mesmo?

Sirius balançou a cabeça, negativamente. Sob o olhar furioso e decepcionado do marido, quis chorar, mas se manteve firme. Sabia bem o que teria que enfrentar. Severus estava triste, preocupado e, para todos os efeitos, muito irritado.

_Você conseguiu fraturar duas costelas, escoriações e hematomas nos braços. O seu braço direito tem uma fratura que terá que ser curada, até o momento, do modo trouxa, além de um ferimento grave na cabeça. Sirius, eu não consigo colocar em palavras o que estou sentindo nesse momento.

Severus mentia descaradamente e sabia disso. Estava de forma deliberada acusando o esposo quando, no fundo, ele mesmo se sentia culpado e responsável pelo estado lamentável no qual o encontrou. Por Merlin! Sirius parecia ter sido atropelado.

_Sev, por favor, me desculpe... Eu não queria que isso acontecesse, nunca.

Ver as lágrimas brilhando nos olhos do animago encheu Severus de um sentimento de extrema impotência. Ah, Sirius não fazia a menor ideia do que tinha obtido com a última peripécia.

_Eu nunca colocaria o nosso bebê em risco! – E então não pôde mais se controlar.

Sirius sentiu a mão do marido se desvencilhar da sua e chegar ao seu rosto, enxugando as lágrimas numa carícia trêmula. Depois, teve o queixo conduzido para cima e não teve como desviar o olhar das orbes escuras feito ônix.

_Sem choramingos, cachorro...

O animago engoliu em seco. Por Circe, Severus estava dando medo!

_Vamos voltar para casa e você ficará em repouso absoluto. Está terminantemente proibido de realizar qualquer feitiço. Tenho sua varinha comigo e, caso insista em me desobedecer, a quebrarei, Sirius. Preste muita atenção no que digo: com o de hoje, você conseguiu me deixar mais furioso que o próprio Voldermort...

_Sev...

_Sem “Sevs” – bradou com a voz profunda e, definitivamente, num tom apavorante. – A partir de hoje, você terá duas coisas de mim, meu esposo amado... Coleira e carrocinha.

Notas finais
“Harry não podia estar se sentindo mais feliz. Na verdade, satisfação plena definia sua atuação condição. Draco precisou ir conversar com os aurores, devido ao alarme do pequeno elfo e o deixou ali, deitadinho na cama, aguardando o seu retorno. Aproveitou o momento para pegar um livro de capa rebuscada que, curiosamente, lhe fora entregue pela senhora Weasley naquele mesmo dia. ‘Fleur lhe enviou. Disse que será muito instrutivo’, foi o que Molly disse sustentando um sorriso bastante... Pervertido... O livro em questão era uma fonte de conhecimento, disso não tinha dúvida alguma. Leria mais algumas páginas e, se possível, colocaria em prática mais algumas lições. _Realmente, mãe... É muito instrutivo... – Concordava o doncel, enquanto as esmeraldas absorviam atentas mais e mais informações de ‘Como dominar o seu veela um guia essencial para casamentos duradouros e libertinos’. – Hum... Prepare-se, loiro falso.”