Submisso
43 Capítulo 43 - Inquebrantável
Notas iniciais
Capítulo 43 — Inquebrantável
“É de livre e espontânea vontade que anuem ao vínculo?”
“Sim” – e foram tantos sins que o simpático juiz precisou aguardar um pouco para retornar ao seu discurso.
“Sendo de espontânea vontade que se dispõem e realizar ou confirmar o vínculo, é diante de todos que ratifico esse que é o ato mais solene entre os bruxos. Severus e Sirius, Gabrielle, Ginevra e Theodore, Draco e Harry, com o poder a mim investido pelas leis bruxas, eu os declaro enlaçados.”
O beijo entre os casais teve como palco de fundo o mais incrível por do sol, um daqueles bem alaranjados, cheio de mistério e beleza única. E os vivas e os aplausos em comemoração não demoraram nada a chegar, sacudindo até a fina areia da praia na qual, de forma muito elegante, o altar fora disposto. Na verdade, tudo ali sussurrava bom gosto.
A decoração estava tão delicada quanto à brisa gostosa que, sem pedir licença, vinha da praia, uma praia pontilhada por grandes tendas nos mesmos tons das cores escolhidas pelos idealizadores daquele grane evento: um setor verde e cinza, concentrando os convidados de Harry e Draco; outro em preto e azul, concentrando os convidados de Sirius e Severus; e um último em vermelho, amarelo e marrom, agrupando a imensa família Weasley e os Delacour (ao que parecia, Theodore e Draco compartilhavam os mesmos amigos que se concentraram no setor do loiro).
Os casais pouco se afastaram do altar e já foram cercados pelos familiares e amigos, começando assim a receber os cumprimentos e felicitações. Evidentemente, os noivos eram secundados pelos inúmeros flashes das máquinas fotográficas.
Entre um cumprimento e outro, Draco mirava espantado a Pansy e a Blaise, com um muda pergunta nos lábios: “como foram capazes de fazer tudo isso?” Já os dois apenas sorriam felizes de volta, sustentando um daqueles sorrisos bem sonserinos, cheios de superioridade, com um típico “te pegamos”, na ponta da língua.
_Que vocês sejam muito felizes, meu filho.
_Obrigado, mãe. – E ouvir a voz doce do esposo agradecer à senhora Weasley fez sua atenção se desprender dos amigos.
Ver e ouvir Harry era algo único. Agradecia bastante à Gabrielle e à Fleur por terem ensinado um bom truque da magia veela: a proteção do parceiro. Fleur então foi enfática ao dizer que era uma boa saída para não sair por aí “arrancando cabeças alheias”, palavras inteiramente advindas dos delicados lábios da esposa de Bill Weasley.
A proteção do parceiro era algo inerente à magia veela. As irmãs Delacour utilizavam a magia ancestral de forma bastante natural, o que para Draco ainda era difícil, mas ele tinha evoluído bastante, segundo os critérios estipulados pelas duas.
Proteger o parceiro nada mais era do que lançar ao redor dele uma aura de magia inibidora de interesses não autorizados, por assim dizer. Evidentemente, Draco se certificou com o próprio padrinho antes de realizar qualquer tentativa.
Severus não o impediu, pois estava convicto de que os problemas da instabilidade da pressão arterial do moreno se deveram à aparatação brusca, o que seria proibido até o final da gravidez para Harry Potter, além do que, segundo o próprio pocionista, o gestante teria que, obrigatoriamente, fazer uso de poções para estabilizar a magia e a pressão durante toda a gestação.
Draco ficou assustado com tantas recomendações, mas foi assegurado de que Harry estava bem e que se manteria bem durante a gestação, desde que seguisse cada umas das recomendações e fizesse uso de todos os medicamentos estipulados. E que, ele, o marido veela em questão, não só podia como deveria mesclar sua magia com a de Harry, para que assim os fetos pudessem se desenvolver da forma mais saudável possível.
Assim, estando seguro de que poderia utilizar alguns truques aprendidos com as irmãs Delacour (Gabrielle então o surpreendeu ao contar algumas coisinhas que fez para, pouco tempo depois de estar namorando com Gina, envolver Theodeore da forma mais veela que o loiro tinha ouvido falar – confirmando algumas de suas suspeitas), o fez ao ter Harry junto de si, no altar, pouco antes de confirmarem o vínculo marital.
Era incrível apenas observar o esposo. Harry transbordava felicidade, fazendo sua barreira protetora vacilar face tamanho poder de atração doncel. Ah, mas Draco Malfoy era um sonserino... E usou de grande habilidade para afastá-lo de alguns “perigos em potencial”.
Lembrou-se, sem querer, do advogado que ajudou Harry a desvendar a podridão acerca do seu pai, Lucius Malfoy... Sentiu-se deveras penalizado... Como poderia culpar os demais, por caírem prostrados diante de seu amado? Como foi capaz de pensar assim? Ah, esteve tremendamente engano e agora até se arrependia – um pouquinho só – de certas atitudes impensadas. Afinal, Harry era a criatura mais arrebatadora do mundo... E o mundo não conseguia evitar desejá-lo.
Ele, portanto, como marido, podia apenas se segurar e impedir outro desastre, controlando sua magia veela. Bem, poderia usar alguns truques aprendidos com esforço nas poucas horas no Chalé das Conchas. Oh, pobre Adam Taylor... Pobre? Ah, por Merlin, o cretino profanou os lábios do seu amado!!!
_Draco... Ei, Draco. O que foi? Você está bem? Ainda está aqui? – E riu de forma suave.
_Desculpe-me, amor. O que você dizia? _Estava dizendo que a decoração ficou diferente...
_Ah, sim. Mais que diferente, ficou perfeita. Uma recepção organizada na praia, um jantar com frutos do mar e outras delícias marinhas. Ah, e as fotos... Fotos nossas, de todos os casais... Nunca vi nada parecido, ao menos não com tanto requinte. Os bolos, o altar, as cores, os músicos... Tudo está perfeito, como você, amor.
_Já disse que não sou perfeito... Esqueça essa palavra. Não a persiga a perfeição, Draco. Apenas viva...
_Certo, vou viver então... Minha vida é você... E os nossos bebês. Harry, obrigado por ter aceitado se casar comigo.
Harry gargalhou alto, chamando a atenção dos que estavam ao redor. Dentre os olhares curiosos, havia um olhar que de curioso nada tinha. Era apenas uma mirada ancestral, que o transpassava e via além, muito além mesmo... Madeleine...
A menina parou um instante nas suas brincadeiras com Teddy para acenar para ele, o que foi retribuído prontamente. Era inegável, por mais que Draco dissesse que não, Madeleine e ele tinham uma conexão forte. Havia algo que os ligava... E não só a ele... Havia a mesma conexão com Hermione e Rony.
_Ora, Draco... Já somos casados. Nosso enlace foi consumado há bastante tempo... E já produziu até alguns frutos, certo?
_Eu sei, Harry. Contudo, quando o nosso vínculo marital foi realizado, você estava inconsciente, no limiar da morte. Nem soube que foi necessário realizá-lo para salvá-lo e, quando soube, obviamente, quis cruciar a todos nós.
O moreno acariciou o rosto de pele alva, num mudo “sinto muito”, pela fase de Trasgo Potter.
_Hoje não... Hoje, quando subimos ao altar... Nós dois estávamos em iguais condições. Ver você caminhando em minha direção, sorrindo e com uma aura mais que feliz... Ah, Harry... Não tem ideia do que estou sentindo! – Completou o esnobe, a voz trêmula de emoção.
_Acredito ter uma leve noção do que está sentindo, loiro – e conduziu a mão do marido até o seu próprio coração que, sem autorização alguma, faltava apenas irromper peito afora. – Eu não tenho muitas certezas sobre o futuro, Draco. Vivi minha vida quase inteira sob o peso de uma profecia, com um fim terrível a minha espera: a inexorável morte. E olhe para mim! Estou vivo, grávido, casado... E feliz. Imensamente feliz porque sei, finalmente, o que é ser amado. Eu é que devo dizer: obrigado. Eu te amo, loiro-falso.
_Eu te amo, testa-rachada – devolveu a gentileza e o beijou de forma arrebatadora.
Teria devorado Harry ali mesmo, sobre a mesa de doces, caso um leve toque nos seus ombros não o tivesse impedido. Afastou-se do esposo e encontrou Pansy Parkinson bem perto de si. A loira estava mesmo estonteante. Ah, aquela fenda... Pobre Blaise. Talvez ele não sobrevivesse ao bombástico casamento.
_A primeira dança é dos noivos, meus amores. Só faltam vocês dois. Até o professor Snape está preparado para deslizar com o senhor Black pela pista – e num cochicho, completou. – A lua de mel é após a celebração e a recepção, prezado chefe.
Harry ouviu a alfinetada e – com as bochechas coradas – se deixou conduzir para a pista de dança. Ele não dançava nada bem... Ora, a quem ele estava tentando enganar... Ele não dançava, ponto. Mas era incrível o que Draco não era capaz de realizar...
Dançou não só uma música, como muitas que vieram depois, até parar para se sentar um pouco e consumir algum alimento, sob os olhos atentos de Draco, Severus, Sirius, Remus e – oh, por Circe! – até de Teddy e Madeleine. Era impressionante como o tempo passa mesmo rápido numa festa.
Cumprimentou os pais de Fleur e Gabrielle, depois os seus ex-professores de Hogwarts e a, praticamente, toda a Ordem da Fênix, concentrados no setor Snape-Black, para então cumprimentar os seus amigos de escola. Fotos oficiais, fotos não oficiais, mais comida, mais poções – Hermione e Draco eram tão estritos que ambos pareciam os dois ponteiros de um mesmo relógio – e mais danças.
Quando Harry voltou a se sentar, grande parte dos convidados já tinha ido embora. Dos que ainda permaneciam no Chalé das Conchas, alguns ainda desfrutavam da bela vista, jogando-se na areia da praia, como agora faziam Hermione e Rony que, alheios ao mundo, dedicavam-se a curtir um ao outro.
Severus tinha um Sirius muito meloso e sonolento grudado a si – e não que estivesse reclamando. – Os pais de Fleur e Gabrielle se retiram com Molly e Arthur, pois ficariam na Toca. Fleur, Bill e Victoire os acompanharam. A menininha parecia encantada em “acampar no jardim dos avós”, para desespero de Bill que desejava apenas uma noite inteira de descanso.
Já Gabrielle, Gina e Theo ficariam alguns dias na casa dos Nott, numa pequena área bruxa, em Bristol. O Chalé das Conchas ficaria exclusivamente para Harry e Draco por dois dias, quase inteiros. Fleur e Bill não voltariam para casa enquanto o senhor e senhora Delacour não retornassem à França e, pelos cálculos de Snape, Draco já estaria recuperado até lá, podendo, enfim, utilizar-se dos transportes mágicos.
Evidentemente, Harry faria a mesmíssima viagem no carro, mas contariam coma ajuda do senhor Weasley, quando chegasse a hora. Severus, Sirius, Remus, Harry e Draco (Madeleine e Teddy se dedicava a recolher conchinhas, bem perto de Rony e Hermione) estavam sentados em volta de uma grande mesa.
No momento, Severus contava a Remus que Hogwarts o aguardava para que, no início do ano letivo, voltasse a ministrar classes, pois, com as disciplinas extras, incluídas no currículo pela diretora, um novo professor seria necessário.
_A diretora McGonagal está bastante entusiasmada, Remus.
_Então foi por isso que veio me dizer, pouco antes de partir, que me aguardava em breve?
_Sim – e Snape sorriu. Finalmente via algum brilho nos olhos dourados do amigo lupino. – Não lhe disse antes, pois queria acertar os detalhes com a diretora. No fim, ela mesma acabou deixando escapar a notícia. Enfim, McGonagal está disposta a se lançar numa batalha contra o preconceito que ainda se permeia entre os bruxos, com relação aos nascidos trouxas, por exemplo, ou então com relação aos que, como você Remus, foram vítimas de ataques de criaturas das trevas...
_Ou como eu, padrinho, que tenho ascendência veela.
_Exatamente, Draco. E, como bem sabem, eu não sou a pessoa indicada para ministrar esse tipo de conteúdo. Diria que, o meu passado me condena, como falam os trouxas.
Sirius se apertou a ele e resmungou algo como: “Você... Não... Preconceituoso.”
_Ah, meu esposo é uma pessoa única, não é? – E acariciou Sirius que, já meio dormido, se perdeu no carinho, ignorando de vez o resto da conversa. – Eu sou um mestiço... Nunca tive preconceitos com relação aos nascidos trouxas. Minhas questões com o senhor Lupin aqui – e Remus gargalhou, lembrando-se então de como eram no tempo da escola – ganharam volume, mais pela nossa estupidez adolescente, do que por qualquer real preconceito de minha parte, contudo... Passei tempo demais trajando as vestes Comensal da Morte, para sair ileso delas... Não me arrependo. Tudo o que fiz foi necessário... E alguém teria que fazê-lo.
_Ninguém teria feito melhor, professor – sentenciou Harry, ao que Snape anuiu feliz.
_Assim sendo, a diretora seguiu minha sugestão e decidiu recontratá-lo, Remus, para ministrar essa classe para as turmas do primeiro e do segundo ano. E, como uma segunda disciplina será criada: “Sobrevivendo a Feitiços Hostis”, especialmente planejada para as turmas de NOM e NIEM, deixarei a turma de primeiro ano de Defesa Contra a Arte das Trevas em suas mãos também. Dividiremos minimamente a cadeira, Remus. Portanto, teremos muito o que fazer! Desejo que o seu retorno à Hogwarts seja repleto de sucesso, caro amigo.
Remus sorriu feliz, lembrando-se de como foi seu curto tempo como professor em Hogwarts e de como então se sentia. Ah, era como atingir a superfície depois de um longo tempo embaixo d’água.
_Obrigado, Severus.
_Não tem que me agradecer.
A voz de Pansy os atraiu, antes mesmo que a vissem se aproximando. A eficiente loira tinha se dedicado a organizar tudo, escravizando Blaise no processo. Agora, pelo que parecia, tudo estava “encaminhado” e eles estavam se juntando ao grupo.
_Finalmente, Pans. Já se cansou de reclamar com os garçons?
_Oh, Draquinho, sabe que já me cansei mesmo – e desabou sobre uma das cadeiras vazias, toda a pose e educação desaparecendo quando arrancou os sapatos caros. – Pelo menos, já está tudo encaixotado, limpo e organizado. Imagina deixar tudo isso para Fleur, pobrezinha. Ela nunca mais faria aqueles biscoitos deliciosos para mim.
Blaise apareceu pouco depois. Trazia uma bandeja e nela uma taça com uma bebida translúcida, oferecendo-a a Pansy. Sentou-se com o grupo em seguida, dedicando-se a apreciar a loira sorver o drink, com aqueles lábios carnudos acariciando o fino cristal.
_Zabini, tenha cuidado. Não há ninguém mais sonserino nessa mesa do que a senhorita Parkinson.
As palavras de Snape foram recebidas com um coro de risadas dos sonserinos presentes, incluindo a própria Pansy.
_Professor, sinto-me deveras lisonjeada...
Snape aproveitou para acomodar Sirius novamente. Sabia que ter ido ao Chalé das Conchas o afetaria um pouco, devido às muitas magias presentes. Apesar de estar bem agora, ambos se vincularam há pouco tempo, o que deixava o doncel mais frágil. O cansaço era uma consequência já prevista.
_Disponha sempre, senhorita.
As gracinhas ao redor da mesa prosseguiram, até serem surpreendidos por Ronald e Hermione. O casal deixara o romance de lado para juntos, carregarem os “dorminhocos” Madeleine e Teddy.
_Oh, por Merlin. Passe-me ele, Hermione. Teddy está muito pesado – e segurou o menino nos braços. – Já está tarde. O coitadinho está exausto.
_Ah, está mesmo. Eles se sentaram conosco e...
_E foi só Hermione começar a falar dos direitos dos elfos... Pronto: Madeleine e Teddy apagaram instantaneamente – completou o ruivo, sorrindo abusado para a namorada.
_Rony! Não teve nenhuma graça.
_Ah, teve sim, Hermi – e Harry riu também.
Severus aproveitou o momento para se levantar e carregar Sirius no processo. O doncel estava muito cansado... Esteve super agitado desde que chegou ao Chalé das Conchas.
_Vamos Remus... Vamos colocar as crianças na cama. Draco, só por precaução, lancei um feitiço sobre o chalé. Qualquer descontrole de magia e eu estarei aqui mais rápido do que você pode dizer Quadribol, fui claro? – E se despediu de todos, indo em direção à pequena sala da casa de Fleur e Bill. Remus fez o mesmo e os deixou em seguida.
_Doninha, depois nós conversamos sobre as investigações. Amanhã mesmo, se não estiver “muito ocupado”...
_Rony! Que modos! – Mais o ruivo já tinha aparatado com Madeleine nos braços, deixando a sabe-tudo falando sozinha. — Boa noite... E Draco, por favor, não esqueça as poções do Harry – e aparatou irritada.
_Ui, acho que certo ruivo vai dormir no sofá hoje, não é Blaise?
_Com certeza... Pansy, vamos também? Vamos deixar os dois “recém-recasados” não dormirem essa noite?
_Claro, querido. Boa noite, Draquinho e Harry... Tchau meninas. Não se assustem muito com o que os seus papais vão fazer hoje, viu? Tapem os ouvidos — sussurrou bem perto da barriga de Harry.
_Pansy Parkinson! – E Blaise foi rápido em aparatar com a loira para longe dali.
Harry Potter estava, mais uma vez, com as bochechas coradas, quentes mesmo, tamanha a vergonha. Será que Pansy não tinha nem um pouquinho de bom-senso?
_Sabe, se Pansy não fosse a eficiência em pessoa... Amor, vamos entrar?
_Não agora...
_Não? Quer fazer o quê? Não tem mais ninguém aqui... Talvez, só alguns aurores...
_Adoro essa brisa...
_O clima ameno da Cornualha é...
Harry não deixou que falasse mais nada, calando-o com um beijo fogoso e demandante. Foi empurrando o marido pela areia, sem qualquer trajetória linear, mas com um objetivo a ser atingido. Queria Draco, queria agora. Que sua raiva pelo que passou fosse para o inferno. Queria-o dentro de si, já.
Enquanto era empurrado pelo esposo, Draco deliciava com os toques e carícias que lhe eram dados, aceitando tudo de bom grado e retribuindo a altura amanhas dádivas. Em pouco tempo, os pés estavam molhados. E Harry não parou. Antevendo o destino que os aguardava, Draco se desfez das vestes de ambos para, em instantes, deixar-se envolver pela água salgada e pelos braços de Harry.
_Não está com frio, Harry?
_Não, não... Eu estou quente demais... Vamos ficar aqui, só mais um pouquinho?
_Pensei que teríamos mais uma noite de “repor as energias”.
_É isso que você deseja, Draco. Uma noite apenas para descansar?
Draco riu e acomodou as pernas firmes do esposo ao redor do próprio corpo, a água do mar acariciando-os...
_Eu estou com muita energia acumulada, amado esposo...
O moreno agarrou-se ao loiro, apertando-o como se sua vida dependesse daquele abraço. Sentindo-se duro e dolorido, Draco percebeu-se tão necessitado que, sem nem ao menos pestanejar, enfiou um dedo naquela entrada apertada, iniciando um vai e vem cadenciado... Pouco depois, já eram dois dedos, forçando a entrada, abrindo e adaptando aquele canal ao que viria em seguida.
Já Harry gemia alto, bem colado ao seu ouvido, mordendo-o quando, vez por outra, se entusiasmava e atingia certo lugar dentro dele. Três dedos e Draco já não podia se conter. Acomodou o esposo na melhor posição possível e o penetrou bem duro e fundo, de uma só vez, afundando-se naquela estreiteza que o levava a loucura, a morte, ao gozo, ao paraíso...
_AAAAH, Draco! – Gritou o doncel sentindo seu canal se abrir para receber o marido, um misto de dor e prazer enlouquecedor atingindo a cada uma de suas terminações nervosas.
O vai e vem das ondas e o vai e vem de Draco dentro de si... Harry não conseguia separar um do outro. Sentia a força do agarre de Draco em suas pernas, levantando-o e afundando-o no próprio falo. Oh, por Circe! Estava gozando? Não, não podia estar gozando assim, tão rápido...
_Draco, Draco...
O loiro o beijou esfomeado. A invasão brutal da língua em sua boca não foi incômodo algum, ao contrário... Sentir a intrusa explorar cada recanto dentro de si... Ah, teria gritado mais, contudo, todo e qualquer som era abafado pela boca oposta a sua.
Estava se sentindo tão quente... Tão quente... Caso Draco continuasse naquele frenesi, se enfiando nele feito um possesso, ah... Restaria apenas vapor a seu redor.
_Harry... Delicioso...
O orgasmo de ambos chegou rápido, potente e necessitado... A pele fria devido ao contato com o mar contrastava com o lava escaldante que o loiro fez jorrar dentro do esposo. Ainda dentro de Harry, o puxou consigo, imergindo a ambos completamente, sem nunca parar de beijá-lo.
Os cabelos escuros dançavam seguindo o ritmo das águas, enquanto as mãos de dedos longos o tocavam com devoção, fazendo-o se sentir mais quente ainda. Já estava sem ar, quando o veela o levou para longe da água, carregando-o sem dificuldade alguma.
Harry sentiu as costas afundarem levemente na areia e nem teve tempo para recobrar o fôlego. Instantes depois, já tinha as pernas abertas com força, os dedos do marido dentro de si novamente recomeçando a entrar e sair, deixando ainda mais sensível a sua entrada.
_AAAAH!
Enquanto mantinha uma das mãos ocupadas, Draco subiu e atacou novamente os lábios de Harry. Dedicou-se a beijá-lo com avidez, divertindo-se em abafar os gemidos de prazer que amava gerar.
_Dra... Draco... O esnobe Malfoy não se eu por satisfeito... Queria levar o seu doncel – Ah, sim, porque Harry pertencia a ele, propriedade sacramentada de Draco Malfoy – ao auge e o faria...
Então, com o objetivo bem estabelecido em mente, desceu pelas bochechas, beijando-as com carinho, aproveitando para, logo em seguida, morder o queixo delicado, inebriando-se com o aroma doce dos cabelos.
_Você pode dizer o que quiser, mas é sim perfeito... Simplesmente perfeito, meu amor.
Sem piedade alguma, atacou o pescoço, uma das zonas sensíveis de Harry que, sem chance alguma de se proteger ante aquele ataque feroz, se derramou mais uma vez, o corpo voluptuoso e pecaminoso estremecendo com os espasmos involuntários de mais um orgasmo poderoso, enquanto os dedos do marido massageavam sem vergonha alguma a sua próstata.
_Hum... Eu poderia gozar só de assistir a esse espetáculo... – Brincou o loiro ao ver o esposo descolar o corpo da areia, contorcendo-se de prazer e perdido em pensamentos.
O peito do doncel subia e descia agitado, buscando um pouco de ar, enquanto tinha seu membro envolvido pelos lábios do loiro.
_Ah, Draco... Você... Você... Harry não aguentava mais tantos ataques, pois agora, sem esperar nenhum segundinho, Draco engoliu seu membro, iniciando uma felação que o pegou mais que desprevenido.
_Hum... Oh, Morgana bendita!!! As mãos do moreno tentavam afastá-lo, sabia disso, mas não permitiu.
Sugou, sugou e sugou, do topo até a base, mordendo de leve, sentindo o gosto único e viciante do sêmen doncel. Ah, Harry não fazia ideia... Nunca faria ideia de como seu néctar era tão viciante, tão apreciado... Mataria por ele, sem dúvida alguma.
Quando sentiu o membro endurecer, o virou, colocando de quatro, abrindo mais ainda. A visão mais excitante na qual seus olhos cinza puderam se fixar. Quis meter-se nele, uma, duas, três... Incontáveis vezes. E foi o que fez, contudo, menos ansioso, entrou com calma e delicadeza, dedicando-se a sentir toda a extensão e estreiteza de Harry, gemendo descontrolado ainda na primeira estocada...
A sensação de estar ali, nu em meio à praia, a mesma praia na qual momentos antes seus amigos estiveram, comemorando consigo seu vínculo... Ah, era de fazer as bochechas voltarem ao vermelho-grifinória.
Draco agora decidira ir com calma, entrando e saindo dele com lentidão quase sofrível. E, na verdade, não sabia o que era pior (ou melhor): as estocadas mais bruscas e impactantes, que o sacudiam, ou as lentas e profundas, que, sem piedade, o deixavam ainda mais sensível, no limiar do abismo sem volta que era se entregar ao calor do amor de Draco.
A magia veela os envolveu com cuidado, como se soubesse exatamente o que fazer. E, de fato, Draco sabia sim o que fazer dessa vez. Graças ao que Fleur e Gabrielle lhe ensinaram, os veelas eram selvagens em sua essência, mas tinham em seu âmago a proteção ao parceiro.
Harry já não tinha forças para se sustentar e, sem se importar com a possibilidade de sufocar, se afundou a areia, deliciado com o furacão que se iniciava, mais uma vez, em seu interior. Afogou-se em meio a tantas sensações... Estava a ponto de perder os sentidos.
_Harry, Harry... Ah...
O veela então, tão esgotado quanto o doncel, se derramou dentro dele mais uma vez. Sem demora, segurou o corpo leve de Harry, erguendo-o e colando-o a seu tórax. A pele na pele... Era quente, devastador e único.
_Eu te amo, leão...
Harry apenas se enroscou nele, como se fosse mais uma serpente necessitada do calor alheio. Os braços do marido o envolveram. Esgotado, deixou-se conduzir para dentro do Chalé das Conchas e, antes mesmo de chegar à pequena sala, os olhos verdes já estavam desconectados do mundo, devaneando acerca de Draco, de suas filhas e de um futuro sem trevas...
Fale com o autor