Submisso
31 Capítulo 31 - Infindáveis Mistérios
Notas iniciais
Eis que em plena viagem de feriadão, Núbia Chaud consegue postar o capítulo 31!
Estamos caminhando para o que, eu imagino, seja o caminho para o final da fic. Calma, ainda falta muita história, mas aqui estamos sim indo para o final.
Agradeço os deliciosos comentários! Aguardo-os ansiosamente!
Espero que gostem do cap! Prometo um lemon para a próxima semana! BJKS
Aos erros prováveis, perdões!
Sem mais, INFINDÁVEIS MISTÉRIOS!
Capítulo 31 – Infindáveis Mistérios
_Com-quantas-pessoas-você-já-transou-até-se-casar-comigo? – Soltou rápido, com vergonha de si mesmo por estar tão enciumado.
_Desculpe, amor, eu não entendi...
_Com quantas pessoas você já... Transou... Até se casar comigo? – E sabia que, definitivamente, precisava encontrar um meio de parar de corar de forma tão violenta.
Draco pensou em rir, mas percebeu que era realmente sério. Harry esperava uma resposta – e a queria rápido.
_Amor, eu não vejo sentido nessa pergunta...
_Ah, mas eu vejo. Fico sabendo que você praticamente comeu mais da metade da escola e que, sei lá, talvez nem Dumbledore tenha ficado fora da sua lista...
_Harry! Que horror!
_Ok, ok... Exagerei, eu sei... Tudo bem, não precisa e contar se não quiser...
Draco o encarou. Era óbvio que ele queria sim saber, exatamente, com quantas pessoas ele tinha ido para a cama. Só não sabia o que diria a Harry... Como ele diria que, de verdade, nunca se dera ao trabalho de contar e que, talvez, nem soubesse com certeza quantos e quantas já tinham estado embaixo de si?
_Amor, er, bem... Você sabe que os números são infinitos, não é mesmo?
Harry já tinha até se virado na cama, disposto a dormir mesmo, pensando que era “passar muito recibo” de que estava morrendo de ciúmes de um passado que não pertencia a ele e sim a Draco. Mas então, veio a resposta do “maridinho pegador”. Ah, nem ele mesmo esperava sentir tanta raiva assim.
_COMO É QUE É?
O loiro estremeceu com o tom furioso da reação do esposo. Foi uma brincadeira, queria apenas aliviar o estresse, mas, pelo visto, a gracinha não agradou em nada. Até tentou argumentar, mas Harry não quis conversa. Conseguiu expulsá-lo com alguns empurrões para fora da cama.
_Harry! O que você está fazendo? Onde é que eu vou dormir? – Reclamava enquanto continuava a ser empurrado para fora do confortável quarto, por um grifinório que mais parecia ter sangue nos olhos.
_VOCÊ PODE IR DORMIR EM QUALQUER OUTRO LUGAR DESSA CASA!
A porta foi aberta com magia e Draco ainda estava muito desconcertado para, realmente, levar a sério o fato de que estava sendo “jogado para fora” do próprio quarto. Era inacreditável! O moreno estava mesmo sendo assim tão visceral, num ataque de ciúmes cujo fundamento nem existia?
_Não, melhor ainda! – E completou antes de bater a porta na cara do marido “eu-sou-tão-gostoso-que-nem-Merlin-me-rejeitaria” – Liga para todos os seus ex-casinhos e monta um harém no quarto de hóspedes!
Dessa forma, o esnobe Draco Malfoy acabou indo mesmo dormir longe da sua cama confortável e do amado corpo do esposo, um corpo quente e deliciosamente pecaminoso. Não queria irritá-lo mais, mesmo que tivesse todos os motivos do mundo para arrombar a porta.
A noite foi longa e tediosa para o loiro. Ficou preocupado com Harry, imaginando se tinha tomado seus medicamentos, se a pressão estava sob controle... Ah, Merlin... Levou um bom tempo para pegar no sono. Quando amanheceu, recebeu um tratamento gélido por parte do moreno.
Café da manhã... Silêncio total. Apenas ele falou. Na verdade, foi um monólogo bem interessante. O almoço foi um pouco melhor, visto que Harry pelo menos lhe disse “podemos almoçar em silêncio, Malfoy?". Nossa, animador, não é? Decidiu se dedicar a ler um livro especialmente atrativo “Anatomia dos núcleos mágicos”, uma obra de pelo menos dois quilos, algo relaxante e que, certamente, poderia minimizar a vontade que estava de agarrar o esposo e se enfiar nele até fazê-lo gritar todos os “Malfoys” que ainda guardava dentro dele que, de forma bem maldosa, costumava usar em momentos precisos e muito oportunos.
O escritório estava em silêncio, afinal, os seus pensamentos maldosos com relação a Harry não produziam som algum, ainda que gritassem em sua mente. Sua leitura não avançou além da quinta página. Estava tão distraído que demorou a perceber que já tinha lido o mesmo parágrafo pelo menos cinco vezes.
Batidinhas na porta denunciaram que alguém desejava falar consigo. E seu veela logo lhe fez ter certeza de algo elementar: de que não era ninguém menos do que o responsável pela sua falta de concentração.
_Entre, Harry.
Mal o moreno passou pela porta, uma chamada via flu foi iniciada. Quem era? Ninguém mais ninguém menos que Pansy Parkinson... O que só podia significar uma única coisa: adeus paz! Parkinson não estaria ali lhe “incomodado” se não fosse, realmente, para incomodá-lo de vez.
_Boa tarde, Draquinho! Oh, olá Harry – e sorriu para o moreno de forma cúmplice. – Como estão as minhas meninas?
_Bem, Pans... Elas estão bem.
Draco estranhou a troca de cumprimentos tão íntima... E que história era aquela de Pans e “minhas meninas”? Ah, por Merlin, Harry que tomasse muito cuidado com o furacão loiro que era Pansy Parkinson... Em pouquíssimo tempo, a mulher conseguia se imiscuir em cada pequeno detalhe da vida dos amigos e, do nada, já estava lá — cheia de propriedade — dando conselhos até sobre as posições sexuais que eram as mais adequadas à vida do casal.
_Olá, Pansy. O que foi? Algum problema? Em poucos dias, estarei de volta ao trabalho... Será que você me ama mesmo tanto assim, que não consegue me deixar sossegado nem no meu restinho de férias?
_Ha, ha, ha... Draquinho, sinto muito, mas depois de passar um tempinho com Harry Potter, ah, querido... Seu esposo me conquistou. Eu só consigo enxergar esses olhos verdes agora – o grifinório corou de vergonha. – E, infelizmente, terei que te incomodar mesmo. Amanhã, teremos uma reunião com os fornecedores das empresas do Norte. Não vai demorar nadinha, senhor Malfoy, fique tranquilo. A reunião será às 14:00 horas.
Os olhos acinzentados a fulminaram, mas a loira apenas acenou e encerrou o contato. E foi ainda de um Draco esbravejando que, pouco depois, Harry se aproximou e pediu desculpas pelo comportamento “reprovável” sobre os ex-casinhos, muito envergonhado por ter sido mais uma vez um “ogro sem coração”. Draco apenas o puxou para si e o colocou sentado em seu colo. Depois, demorou-se nas carícias e o beijou, rindo baixinho em seu ouvido e dizendo que ele era “ciumento demais, sem necessidade alguma”.
_Draco, vamos visitar nossos padrinhos hoje? A gente pode se arrumar e ir lá agora. Podemos jantar por lá também. Teddy está muito exigente de atenção e Remus não está nada bem.
_Quer mesmo ir? Pensei que fôssemos ficar em casa hoje. Quem sabe, ter um jantar bem íntimo, sabe... Com você sendo o prato principal – e o envolveu num beijo que o deixou sem ar.
_Ah, Draco... – E gemeu quando sentiu a língua do marido passear pela sua nuca. – Aaah... Espera, Draco... É sério. Eu falei com o seu padrinho e... – Outro gemido.
O loiro aproveitou para enfiar as mãos por dentro da camisa de Harry, acariciando diretamente a pele alva e livre de qualquer imperfeição. O moreno sentiu os dedos do esposo tocando seus mamilos e gemeu novamente... Caso continuasse assim, o jantar com o padrinho teria que ser adiado.
_Draco, chega – e conseguiu afastá-lo. – Precisamos visitá-los.
_Não precisa ser hoje... Podemos ir amanhã, amor.
_Não, não pode ficar para amanhã. Eu falei com o seu padrinho hoje e, bem... Ele me contou uma novidade incrível. Sirius está grávido!
Nem mesmo a aguçada mente sonserina de Draco o preparou para receber aquela informação. Severus pai? Não era uma “novidade” apenas... Era uma informação que colocava em cheque toda a estrutura do universo, levando a questionamentos profundamente filosóficos, tais como: quem somos nós? Ou, por que estamos aqui? E também... Como assim, Severus Snape será pai?
Deixou Harry se levantar do seu colo e ficou de pé, para logo depois andar pelo escritório, a mente criando diferentes imagens de um Severus trocando fraldas, dando papinha... Ah, a gargalhada foi, simplesmente, incontrolável.
_Draco! Você está rindo do meu padrinho?
_Ha, ha, ha... Não, não mesmo... Eu estou rindo do meu padrinho! Ha, ha, ha... Ai, amor, vamos para lá agora mesmo. Mal posso esperar para parabenizar Severus, pessoalmente! Ha, ha, ha...
++++++++++++++++++++++++
Hermione e Ronald estavam na Toca. Ambos curtiam um ao outro, aproveitando ao máximo um dos raros dias de folga do ruivo, além de, evidentemente, aproveitar também o restinho das férias universitárias.
Estavam em casa, acompanhados apenas por Madeleine. Molly tinha ido visitar a neta, Arthur estava no trabalho, os gêmeos estavam na loja e, na verdade, raramente voltavam para casa e Gina estava às voltas com Gabrielle. As duas andavam camuflando alguma coisa, disso o casal tinha certeza, mas ainda não tinham conseguido descobrir o que, afinal, as trazia em meio a tantos segredinhos nos últimos dias.
Uma ampla toalha foi estendida no jardim. O sol estava agradável e uma suave brisa parecia acariciar-lhes os rostos. Hermione brincava com Madeleine, enquanto Ronald as observava e, obviamente, comia. E então, as duas se aproximaram sorridentes... Madeleine correu até a toalha, se sentou ao lado de Ronald e, ainda sorrindo, encarou dois dos seus heróis.
_Vocês dois serão muito felizes juntos.
Hermione que vinha logo atrás da menina, simplesmente ficou paralisada devido ao choque. Naquele mesmo dia, um pouco mais cedo, tiveram que lidar com dois psicomagos muito irritantes, que os acusaram de estar impedindo que o tratamento adequado fosse ministrado e que deveriam ser “criminalmente” responsabilizados, caso a filha de Rita Skeeter não se recuperasse.
_Ah, Madeleine, que ótima notícia – começou Rony, sorrindo e não demonstrando estar nem um pouquinho surpreso. – Está com fome?
_Não, tio Ron – respondeu a garota, tão natural que nem parecia ter passado por trauma algum. – Sabe tio, você precisa achar o moço que machucou a mamãe e o papai.
Hermione se sentou ao lado dos dois, mal acreditando no que estava presenciando. Madeleine não só estava falando, como estava falando sobre a mãe e o pai, que continuavam em tratamento em St. Mungus, sem que nenhum dos medibruxos conseguisse identificar a maldição que os matava lentamente.
_Ele precisa de ajuda, tio.
_É mesmo, minha linda? Por quê?
Madeleine se virou para Hermione e a abraçou. A futura medimaga a abraçou de volta. A garotinha tremia. O que estava acontecendo? Primeiro falava normalmente e agora parecia chorar...
_Ei, meu amor – começou Hermione, o rosto apresentando uma expressão nervosa. – Fique tranquila. Rony é muito bom no trabalho dele. Sabe, na escola, todos achavam que o seu tio Rony apenas se escondia atrás de mim ou do Harry. Na verdade, meu amor – e a colocou na frente de si. – Ron nos salvou inúmeras vezes e continua a me salvar sempre. Então, fique tranquila – ao que Madeleine sorriu e beijou a bochecha de Hermione.
_Pode me ajudar, meu amor? – Começou o ruivo, tentando aproveitar ao máximo o momento. – Você sabe quem é essa pessoa? Você o conhece?
_Não, tio. Eu não sei quem é. Ele era alto, muito magro e parecia tão doente. O rosto dele... Ficava um pouco borrado, mas ele se parecia com... – E parou de falar abruptamente.
_Pode dizer Madeleine, com quem ele se parecia? – Incentivou Hermione.
_Os olhos pareciam o céu quando vai chover, tia... E o cabelo dele...
A garota permaneceu silenciosa por mais alguns minutos, ponderando se deveria falar ou não. Queria que Rony entendesse que, por mais estranho que parecesse, ela sabia, em seu íntimo que as coisas se complicariam muito, muito mesmo.
_O cabelo dele era igualzinho ao do marido do tio Harry. Tio Rony, ele não fez de propósito... Ele não machucou o papai e a mamãe por querer... Ele não queria, tio. E ainda não quer. Ele está sofrendo, tia Hermione, de verdade. Ele também precisa de ajuda!
As palavras de Madeleine sacudiram Rony. Alto, doente, estava sofrendo, estava sendo obrigado, olhos que pareciam o céu prestes a chover, cabelos loiros platinados... Por Merlin! Será? Será que estava pensando no sentido correto?
_Calma, meu amor. Eu vou ajudá-lo, fique tranquila – e ficou de pé, para apenas mirar Hermione de forma profunda.
_Vá, Rony. Não se preocupe. Eu cuidarei muito bem de Madeleine.
O ruivo não esperou mais nada. Simplesmente aparatou. Hermione abraçou Madeleine e ficou um bom tempo assim, agarradinha a garota que, para todos os efeitos, era mesmo uma doçura só.
_Tia Hermione... Eu posso ir visitar a mamãe e o papai? Preciso vê-los! Eles precisam de mim...
_Visitar... – A pergunta a pegou de surpresa, mas ante a necessidade que Madeleine expressava, não podia se negar, podia? – Não sei Madeleine... Não sei se as visitas estão autorizadas... Olha, eu prometo que vou verificar se os médicos permitem visitas, sim? – E procurou mudar de assunto, o mais rápido possível. – A mãe do Rony me contou que você faz desenhos lindos... Gostaria muito de vê-los.
++++++++++++++++++++++++
_Ruivo, em pleno dia de folga? – Questionou Nulan. – Por que nos chamou aqui? – Questionou novamente, apontando para o local, o Caldeirão Furado.
Francis o encarava com a mesma pergunta nos lábios mudos, enquanto puxava uma das cadeiras e acenava pedindo uma cerveja amanteigada. Não podia pedir o costumeiro whisky de fogo, visto que estavam em pleno horário de trabalho.
David percebeu que Ronald estava alterado. Jogou vários pergaminhos sobre a mesa, que logo foram reconhecidos como formulários oficiais do ministério. Logo depois, a voz bastante nervosa do estagiário denunciava que havia algo realmente grave acontecendo.
_Despeje Weasley. O que interrompeu seu final de semana no motel com a namorada gostosa?
_Madeleine falou – começou a contar, ignorando a provocação.
_Ela conseguiu ver o nosso amiguinho?
_Não, Drake... Ela não viu, mas ela o descreveu, minimamente.
A cerveja amanteigada foi colada sobre a mesa. Os três viraram seus copos e Nulan pediu uma nova rodada, mas de uma bebida de verdade... “Whisky de fogo, rápido, por favor”. Devido à urgência do pedido, em pouquíssimo tempo três generosas doses da bebida encontraram os “clientes”.
_Muito alto, olhos tempestuosos, cabelo loiro platinado...
_Ruivo, você está descrevendo o ex-comensal da morte!
_David, por Merlin, Draco Malfoy nunca foi um comensal da morte... É por isso que está assim, Weasley, tão nervoso?
_Não, não é por isso. Eu pensei a princípio em Draco Malfoy, mas Madeleine foi categórica: o rosto estava borrado. E ela também revelou outras informações... O nosso suspeito estava fraco, muito fraco, praticamente doente. E ela disse que ele sofria, que não queria fazer nada para machucar ninguém, mas que estava sendo obrigado a isso... Entendeu?
Nulan e Drake se entreolharam... Seria perfeito se a menina tivesse visto mais, se fosse capaz de fornecer uma descrição mais precisa... Ah, teria sido perfeito. Mas seguindo o raciocínio de Ronald, não podia mesmo ser Draco Malfoy. No máximo, alguém parecido... Ainda por cima doente e magro? Draco Malfoy tinha sim um corpo esguio, mas não era magro e nem de longe estava doente.
_Uma maldição, David? Nosso suspeito está sendo usado?
_É o que parece, não é? Perfeito! Eu já disse como adoro o nosso trabalho? Partimos sempre do nada para lugar nenhum, temos que dar conta das mais inusitadas tentativas de burlar a lei e, quando parece que estamos conseguindo chegar bem perto da solução, voltamos ao zero. – Desabafou Francis.
O auror estava mesmo se sentindo frustrado. Os três sabiam que trabalhar na área da investigação era muito complicado, pois, geralmente, lutavam contra tudo e todos. Buscar a verdade num mundo cheio de hipocrisia? Ah, por favor! Não seria muito melhor apenas se juntar aos demais tolos e fingir acreditar que toda a maldade tinha acabado com a morte do Lorde das Trevas? Bem, talvez não fosse melhor, mas seria, definitivamente, muito mais fácil.
_E isso, Weasley? Para que trouxe esses formulários?
_Vieram de onde estou pensando que vieram? – Brincou Nulan. – Pensei que já tivesse se livrado desse mal, ruivo...
Os pergaminhos depositados sobre a mesa voltaram a ter a atenção de Ronald. Não sabia se sua análise era correta, mas tudo indicava que sim. Afinal, eram as mesmas características, não eram? Poderia ser puro acaso... Poderia ser a mais bizarra coincidência... Contudo, não podia fechar os olhos para as semelhanças. Simplesmente não podia...
_Acredito que acabei de me livrar desse mal, Nulan...
Fale com o autor