Submisso

29 Capítulo 29 - Venenosos


Notas iniciais
Olá!!! Submisso atualizada!
>>>Agradecendo muito aos comentários e msgs recebidos, com mts beijos aos fãs que acompanham essa fic. Obrigada mesmo pelo carinho!

>>>Esse Cap é dedicado à NATHY, uma das mais ansiosas para esse encontro (é claro que a todos vcs tb!!)

>>>Nossa, o próximo já será o capítulo 30!!! Nem acredito, mas voltando ao cap.29, espero que curtam...

>>>Há muito veneno sendo destilado nesse cap, muitas gracinhas e algumas perguntas constrangedoras. Surpresinha no final, voltando com o núcleo Black-Snape.

>>>Sem mais, VENENOSOS!

Capítulo 29 – Venenosos

A tarde se aproximava do fim, quando Harry desceu a escada trajando vestes claras, com detalhes verdes. Draco foi arrebatado pela visão do esposo, glorioso em toda a beleza doncel... Ah, e se não fosse ver a lareira anunciando a chegada dos amigos, teria rasgado mais algumas vestes do grifinório e o teria devorado ali, bem no meio da escada, para quem quisesse assistir.

Pansy foi a primeira a se aproximar do casal, sendo seguida bem de perto por Blaise e, pouco depois, por Theo. A loira abraçou Draco e, para a surpresa de todos, abraçou a Harry, os olhos vidrados no doncel.

_Agora sim eu compreendo o que te mantém tão ocupado em casa, Draquinho... – E Theo e Blaise pareciam fazer coro ao comentário nada pudico da jovem. Já Harry, super-ultra-mega envergonhado, estava mais vermelho do que a tapeçaria da sala comunal da grifinória.

_Ora, Pansy... Você já reencontrou o Harry depois de Hogwarts.

_Ah, mas foi muito rápido e conversamos, basicamente, via lareira. Agora sim posso afirmar com convicção, moreno... Você é uma visão única. E assim, tão de perto, é, realmente...

_Arrebatador! – Completou Nott.

Diversos tons de intenso vermelho voltaram a colorir o rosto do doncel, ao passo que o ranger dos dentes de Draco mais se assemelhava a uma música de fundo – nada suave, é claro! – Ciúme, possessividade... Não era possível definir bem o fato gerador de tão intensa melodia, mas ela estava lá, presente e num volume perigosamente elevado.

_Er, bem... Obrigado, eu acho.

Um Blaise muito sorridente se aproximou de Draco e o abraçou, aproveitando para bagunçar os cabelos claros e macios, propositalmente, apenas para vê-lo “irritadinho”. Considerava-o uma espécie de irmão mais novo, ainda que fossem da mesma idade. O mesmo abraço fraternal foi dispensado ao moreno de olhos verdes que, bastante surpreendido, retribuiu.

_Draco é o meu irmão caçula, Harry... Posso te chamar de Harry? – E ao que o mesmo concordou, a voz grave do irmão-mais-velho-do-marido prosseguiu. – Espero que possamos ser amigos de verdade. Não tem ideia de como me enche de felicidade ver meu irmãozinho feliz... Ele ficou tão depressivo nos últimos anos.

_Blaise... Meu esposo não precisa saber de nada disso.

_Ora, por que não? Harry, Draco se afundou sem você, pode ter certeza disso.

Enquanto o loiro ralhava com Blaise, Theodore se aproximou de Harry e lhe estendeu a mão, num claro cumprimento. O grifinório devolveu o mesmo cumprimento de forma cordial, mas teve problemas ao tentar se soltar do rapaz. Por algum motivo que lhe escapava, o sonserino parecia estar irremediavelmente grudado aos seus dedos. Além de mirá-lo de um modo, no mínimo, bizarro. Era como se... Era como se estivesse faminto, por Circe!

_Theo, querido... Não vai querer que o veela presente entre nós te trucide, não é? Começo a achar que deveríamos ter usado a poção para reprimir a libido... Todos nós.

Vencido, Zabini puxou um frasquinho do bolso das vestes e puxou Theodore para longe da beldade de olhos verdes. Assegurou-se de que o conteúdo fosse inteiramente consumido, embora soubesse que demoraria um tempo para fazer efeito de forma completa. Já Draco aproveitou o momento para, instintivamente, marcar território, aferrando-se ao esposo num beijo tórrido que deixou ate Pansy ofegando, desejosa por ganhar um daqueles também.

_Nossa, loiro... Não precisava ter feito isso. Que beijo! Estou até sentindo calor...

Blaise riu sem controle e, ainda gargalhando, se aproximou da loira e lhe tascou um beijo quase indecente, digno de competir com o trocado pelo casal do ano. A cara de espanto de Draco só não foi mais chocante que a da própria Pansy. A face igualmente esnobe da mulher foi da palidez mórbida ao vermelho possesso.

_BLAISE ZABINI!!! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!

_Atendendo a sua solicitação, minha cara. Se não gostou, eu aceito a devolução.

_Nos seus sonhos, cretino – completou Pansy, mas sorriu de leve.

Harry agradeceu muito a Dobby quando este, num momento mais que oportuno, apareceu entre eles e anunciou que um aperitivo fora servido na sala de estar e que o jantar seria servido, pontualmente, no horário determinado pelo senhor Malfoy: nove horas.

Aproveitando a deixa e não querendo mais presenciar as loucuras de Blaise e Pansy, o único grifinório presente praticamente correu até a sala, com Draco – e Theodore – em seu encalço. O clima entre os sonserinos ficou bem tenso quando, pouco depois, Pansy adentrou o recinto se jogando no sofá, o corpo inteiro transmitindo um misto muito esquisito entre irritação e contentamento, na mesma medida.

Sem falar que, por alguns minutos, se dedicou a resmungar sobre a "petulância" de “certas pessoas”. No entanto, como todos perceberam, a loira de parar o trânsito da rede de flu não se afastou do alvo das reclamações, nem um mísero milímetro. A mesma estranha necessidade de ficar tão próximo a outra pessoa parecia ter acometido Theo. A outra pessoa em questão? Ora, quem mais além de Harry Potter?

A poção para conter a libido não surtira completamente o efeito, em especial, devido ao próprio sonserino. Theodore era um varão que sofrera mudanças grandes em seu físico, desde Hogwarts. Ele continuava magro, mas não mais esquelético. Os cabelos castanhos bem claros contrastavam com os olhos negros, mas pareciam combinar com as feições bem masculinas, ainda que fossem mais suaves que as de Blaise.

Ligeiramente mais baixo que os demais sonserinos, o rapaz só não perdia em altura para Pansy. Costumava não falar muito, abrindo exceções apenas na companhia dos amigos. Era manipulador e muito inteligente, assim como as demais serpentes, e optava por se manter afastado de confusões, sendo de natureza reservada.

Theo nunca deixou a frieza de lado, nunca mesmo, sempre mostrou calma ao agir, mesmo quando profundamente irritado, o que, infelizmente para algumas pobres vítimas do veneno dos sonserinos, não era uma característica comum a Blaise, Draco ou Pansy (a belíssima Parkinson, toda uma lady, podia incorporar com perfeição um Trasgo), portanto, vê-lo assim, tão suscetível ao poder de atração de Harry, demonstrando a grande fragilidade de uma potencial vítima do efeito que os donceles e veelas causavam nos demais... Ah, era para, no mínimo, rolar de rir!

Ao longo da vida, a convivência com Draco e, principalmente, o forte sentimento de amizade que nutriam um pelo outro, fez com o poder de atração natural do loiro, em nada afetasse os três fiéis companheiros do esnobe Malfoy. Contudo, com Harry era diferente. Não havia nenhum outro sentimento mais poderoso para nublar os instintos sexuais primitivos, instintos estes despertados inconscientemente pelos donceles.

Obviamente, o próprio Nott sabia que o sucesso completo da poção dependia em parte de seu empenho em não se deixar envolver, mas era tão difícil. Se perguntava em como, por Merlin, Zabini estava conseguindo se manter tão tranquilo. Nenhum dos três fizera uso da poção antes, imaginando justamente que, por estarem mais do que acostumados a lidar com Draco, a doncelaria de Harry em nada os afetaria... Ledo engano!

Blaise era também um varão. E um belo exemplar... Crescera ainda mais desde Hogwarts, sendo agora tão alto quanto Draco. A pele negra triplicava a sua beleza arrebatadora, em parte herdada da mãe, uma bruxa famosa pela sua beleza e que, segundo boatos nuca confirmados, era uma viúva negra. O italiano era musculoso, tinha feições imponentes e olhos castanhos bem claros... Toda uma preciosidade. Harry chegou a se perguntar se a beleza era um dos critérios do chapéu seletor para identificar sonserinos, mas aí ele se lembrou de Marcos Flint. Ah, e o mais importante com relação à Zabini: ele parecia não ser afetado pela doncelaria.

Já Theo... Ah, ele estava sentindo bastante o efeito do magnetismo doncel. Caso não se controlasse, acabaria sendo servido como prato principal naquela noite. A poção ajudou, mas sabia que o efeito só seria potencializado com muito empenho de sua parte... E esse era o problema.

_E então Draco, quando o seu período idílico de férias findará?

_Tenho só mais alguns dias, Blaise. Se não volto logo ao trabalho, alguém – e encarou Pansy com ar de burla – vai assumir todas as funções da empresa e me tornarei, irremediavelmente, desnecessário.

_Ha, ha, ha... Ah, loiro, nem em seus sonhos vai se livrar da “Malfoy’s C.O.” Sabe o porquê de eu falar assim, Blaise? Draco quer deixar a responsabilidade nas minhas costas... O nosso loiro quer abandonar as responsabilidades, para poder ficar em casa, se dedicando integralmente a Harry...

_Sabe Harry, eu acompanhava seus jogos pelo “Harpias” – começou Theodore depois de um bom tempo de silêncio. – Você realmente é o melhor pegador dos últimos anos – adulou. – Pretende continuar jogando?

_Não. Não mais... Um doncel no quadribol vai contra todos os prognósticos e regras. E eu estou cansado de chamar atenção... – Respondeu sorrindo, arrancando suspiros até de Blaise. – E agora com os bebês...

_Bebês??? – Repetiram os três em uníssono.

Oh. Seria todo um inferno, disso Draco tinha certeza absoluta. Pansy não o perdoaria por não ter dado aquela informação de forma exclusiva. Conheciam-na tão bem, que apenas Harry pareceu se importar com a atuação sentida, magoada e dramática quase e seguiu a revelação.

_Draco Malfoy! Vocês terão gêmeos e eu não fui informada imediatamente? Oh, Merlin! Que amigo ingrato eu tenho – e Theo jurou ter visto uma lágrima se formar nos brilhantes olhos azuis da loira.

_Menos, Pans... Vai acabar assustando o meu esposo. Pansy, vamos lá, desemburra esse rostinho lindo, sim? Nós descobrimos ontem apenas. São dois bebês, cara amiga! – E o veela expandiu sua magia ao acariciar a barriga de Harry que, respirando fundo, procurava recobrar as energias para chegar até o fim daquele jantar. Os sonserinos em nada correspondiam ao que imaginava. Eram como ele, Ron e Mione, embora o trio de ouro não costumasse ficar alfinetando uns aos outros.

_Parabéns, papais. Sabe Pansy... Acho que já está na hora de você aceitar o meu pedido de casamento, ou então vai ser muito difícil competir com Draco.

_Você está sentado, Blaise? Ah, que bom – completou a loira, ao que Harry não conseguiu conter as gargalhadas.

Os sonserinos eram extremamente venenosos, mas o veneno trocado não parecia ser letal a nenhum deles, deixando a situação ainda mais divertida. Como não percebeu antes o tipo de relação que tinham? Harry não cansava de se perguntar.

_Então, você pretende se dedicar inteiramente à família?

_Também não. Estou pensando numa nova área para atuar... Mas com tudo o que vem acontecendo, mal tive tempo para respirar. Casamento, gravidez...

_Sabe Harry, eu sempre pensei que você seguiria o caminho da aventura e do heroísmo... Confesso que me surpreendi com a sua atuação como pegador, ainda mais com todos esperando que se tornasse um auror.

_Ah, não mesmo, Pansy. A vida de auror não é para mim. Tudo o que eu desejo agora é distância dos “vilões". Gosto muito da vida que eu tenho – e nem percebeu que entrelaçou os dedos aos do marido. – Chega de ser caçado como um animal. Tive o suficiente com a guerra e com Voldemort.

A conversa ingressou num campo bem mais íntimo, algo que surpreendeu o Eleito. Os sonserinos não eram em nada desagradáveis. Curioso ter passado tanto tempo sem perceber que, cada um deles, usava uma máscara... Uma máscara que refletia a educação esnobe que tiveram... Uma máscara que aprenderam a usar diante da sociedade. Contudo, quando a mesma era deixada de lado, ficava apenas a mais pura verdade: eles eram pessoas normais, com anseios e medos como qualquer outra. E como eram engraçados por Circe!

Como não rir de Theodore se escondendo atrás de Blaise, ao tentar fugir das garras do loiro? O porquê da fuga? Bem... Dizer que Harry deveria iniciar uma carreira na área fashion contribuiu para a fúria do veela, mas tudo piorou quando o sonserino sem noção foi mais específico, sugerindo que o doncel usasse a beleza a seu favor, mostrando-a aos demais mortais ao ser modelo de roupa de banho.

Enquanto Harry ria do absurdo, Draco espumava de raiva, irritado só de imaginar seu esposo desfilando seminu para multidões de bruxos pervertidos. Ah, é claro que faltava a cereja do bolo, não é? Theo, ignorando a preservação da própria integridade física, completou sua argumentação brilhante, mencionando que a mãe de Blaise tinha lhe dado algumas dicas profissionais, visto que ele atuava na área da publicidade e que ele, muito gentilmente, as passaria adiante, bastava apenas usar os "trajes” adequados.

Blaise precisou de muita agilidade para evitar que os dois amigos se estapeassem. Theodore nunca faria isso em seu estado normal, disso todos tinham certeza. Mas donceles mexiam com o imaginário dos varões. O próprio Zabini sabia que só estava conseguindo se manter tranquilo na presença de Harry, porque estava muito apaixonado... Logo, o forte sentimento que experimentava, servia de escudo aos efeitos do magnetismo dos donceles.

_Theodore Nott, por Merlin, se controle! E Draco, por favor, já sabemos que você é ciumento. Não precisa ficar demonstrando!

Tendo o seu pedido solenemente ignorado, Pansy sustentou por alguns segundos uma expressão bastante indignada, mas depois, decidiu mudar o foco e se sentou ao lado do moreno. Ignorando a confusão formada por Draco, Blaise e Theo, sorriu para o Eleito e o abraçou, aproveitando para acariciar a barriga ainda plana, vendo ali um futuro feliz para o casal.

_Harry, vocês foram muito agraciados. Gêmeos... Ah, mal posso esperar. Você prefere meninos ou meninas? Ah... Imagina se for um casal? – E o tom carinhoso e excitado na voz desarmou o grifinório de qualquer insegurança quanto à loira.

As lembranças que tinha de Pansy não eram nada agradáveis. Ela sempre foi uma vaca com ele e seus amigos, nos tempos de Hogwarts, mas o verdadeiro entusiasmo e bem-querer que vinham dela não eram falsos. Parkinson mudara... Aliás, todos mudaram.

_Não tenho muita certeza. Meninos talvez. Deve ser mais fácil...

_Não sei. Mas eu estou sentindo algo estranho, um palpite, talvez... – E pegou nas mãos do grifinório com bastante força. – Serão duas meninas, Harry. E serão loiras como o Draquinho, mas terão os seus olhos verdes e elétricos, além e compartilharem do seu mesmo coração bondoso.

_Pansy e Harry, vamos jantar. Talvez, com a boca cheia de comida, o Theo pare de dizer tantos absurdos.

_Ai, nossa... Não se pode nem mais brincar! Você não era assim tão egoísta no colégio. Sempre dividia as suas conquistas conosco.

Enquanto rumava para a sala de jantar, Harry estreitava o olhar na direção de Draco. Que história era aquela de "pegar geral”, em Hogwarts? E... Por Circe, "repassar” as conquistas para os amigos – para a loira, inclusive – era demais! Quando se sentou numa das cadeiras, a percepção de que a mesa fora arrumada de forma impecável foi imediata. “De muito bom gosto”, teria diria o esnobe Malfoy, caso não estivesse tão ocupado trocando farpas com Nott.

_Eu não tive nada com Alícia Guertz.

_Claro que teve, Draco. E mais: você ficou com o irmão dela também, aquele garoto da corvinal – alfinetou Blaise, que agora se divertia com a nova brincadeira.

_Nossa, Draco, que pedófilo, o garoto tinha o quê, uns treze anos?

_Por favor, Theo. Se isso realmente aconteceu, eu deveria ter uns dezesseis! Se não me engano, dezesseis é a idade da sua última namorada!

A troca de gentilezas prosseguiu por todo o jantar. Harry se deu conta de que a vida sexual de Draco havia sido muito intensa e que era muito extensa, enquanto a dele se resumia a Draco Malfoy. E não gostou nem um pouquinho de tomar ciência da anterior vida “libertina” do marido.

As quatro serpentes se dedicaram a trocar mais informações sobre as “peripécias” em Hogwarts, com detalhes sórdidos que Harry preferia não ter conhecido. Festinhas noturnas na torre de astronomia? Idas sorrateiras à Hogsmeade? Troca de casais? Draco sendo aclamado como o príncipe da sonserina, por ser tão disputado pelo colégio inteiro? Morgana bendita!

Será que ele, Harry Potter, foi o único aluno, em toda a história de Hogwarts, que se dedicou aos estudos? Bem, talvez ter sido alvo de Voldemort, desde que se entendia por gente, tenha nublado o seu olhar para o que acontecia além das salas de aula. Compreendeu algo aterrador: Hogwarts escondia mesmo muitos segredos, alguns bem pervertidos.

_Divino, Draquinho! Que refeição saborosa...

Nem os elogios de Pansy foram capazes de distrair Harry de seus pensamentos e foi ainda assim, meio pensativo, que se despediu dos sonserinos mais tarde. Sentiu-se ser abraçado e levado para o quarto, onde tomou um banho relaxante de banheira, com Draco lhe massageando as costas.

Quando saiu do banheiro, foi surpreendido por Draco já vestindo um pijama e lhe entregando alguns medicamentos. Não reclamou, nem nada do tipo, seguindo à risca as recomendações. Entretanto, a paz não durou muito tempo. Não conseguiria dormir... Não até obter uma resposta para uma pergunta que estava lhe perturbando em demasia.

_Boa noite, amor – e Draco o beijou, apagando as luzes e deitando do lado do esposo.

_Draco, queria te fazer uma pergunta... Mas, ah... Deixa pra lá

_Nada disso. Diz Harry, o que foi?

_É uma bobagem – mas o loiro parecia estar decidido a não dormir enquanto não soubesse o que o incomodava. – Tá certo, é meio... Ah, Draco, quer mesmo saber?

O veela o beijou, voraz e necessitado, fazendo Harry suspirar no processo. Ele sempre fazia esse tipo de cosa: o desarmava. Como não corresponder às expectativas de Draco, quando ficava assim, total e completamente à mercê de seus lábios habilidosos?

_O que os seus amigos falaram sobre você... É mesmo verdade?

_Harry, meus amigos falaram muitas coisas sobre mim... O que exatamente te deixou assim? Você está tenso, irritado e, não sei bem, mas me parece meio triste... O que foi, amor? Pode me contar... – E o abraçou ternamente. – Você precisa me deixar a par dos seus anseios, Harry, para que eu possa satisfazer cada um deles.

O grifinório sorriu feliz. Como não amara aquele ser divido? Como não abrir as pernas para ele, quantas vezes lhe fosse tão gentilmente solicitado. Esquentava por dentro quando palavras tão carinhosas escapavam pelos lábios lascivos do marido... Draco o confundia tanto e, apesar disso, amava o resultado de toda a confusão que o invadia quando o loiro era assim, tão ele mesmo, quando estavam juntos.

_Amor? E então? Precisarei torturá-lo para que me diga o motivo de tamanha inquietação?

_Com-quantas-pessoas-você-já-transou-até-se-casar-comigo? – Soltou rápido, com vergonha de si mesmo por estar tão enciumado.

_Desculpe, amor, eu não entendi...

_Com quantas pessoas você já... Transou... Até se casar comigo? – E sabia que, definitivamente, precisava encontrar um meio de parar de corar de forma tão violenta.


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No dia anterior, pouco depois do casal Potter-Malfoy ter ido embora, Lupin anunciou que iria preparar o jantar. Já Teddy, mal o padrinho desapareceu entre as chamas verdes, armou um tremendo escândalo. Geralmente, Teddy era tranquilo e não fazia nenhuma pirraça, mas o garotinho desejava ficar mais tempo com o padrinho. Portanto, a partida de Harry desatou um choro daqueles, bem altos e irritantes, que quase levaram Severus à loucura.

Felizmente, Lupin sabia muito bem como lidar com o filho. Era engraçado ver o rosto bondoso do lupino se transformar em uma máscara de autoridade, contendo o choro pirracento do pequeno Teddy em instantes. Mais curioso ainda era ver como em alguns minutos, a criança esquecera-se do padrinho e da bronca do pai, se pondo a correr entre as árvores atrás de um Sirius-cão.

O animago voltaria ao normal, sem nenhum tipo de problema, mas Snape sabia que a magia do doncel ainda não reencontrara a estabilidade. Afinal, as folhas das árvores caíam para baixo e não para cima, como pôde presenciar no quintal de casa. Fez bem em não ter comparecido ao jantar. Imaginava que seria toda uma confusão mágica, com tantos ruivos e veelas presentes. A magia de Sirius não se estabilizara por completo, logo, não suportaria tamanha influência de poderes distintos.

No entanto, não havia muito que pudesse fazer além de aguardar. O ideal seria examinar o esposo novamente, com todo o cuidado possível, mas não queria estressá-lo novamente, não num período tão curto de tempo. Esperaria mais alguns dias, mesmo que não ajudasse a diminuir a sua preocupação.

_O jantar está quase pronto, Severus – anunciou Remos, adentrando a sala, na qual o pocionista, próximo à janela, mirava o quintal.

_Não precisava ter se incomodado com isso, Remus.

_Não é incômodo algum.

As gargalhadas de Teddy e os latidos de Sirius chegavam aos ouvidos de ambos, fazendo-os sorrir. Em alguns momentos, era realmente difícil descobrir qual dos dois, Sirius ou Teddy, era mais infantil.

_Não é perigoso para Sirius voltar à forma animaga?

_Não creio, Remus. A animagomagia faz parte de quem Sirius é. Preocupa-me apenas a instabilidade na magia dele. Bem, acho melhor os dois – e apontou para a janela – tomarem um banho antes da refeição – e saiu porta afora.

Alguns minutos depois, Remus presenciava uma cena bastante inusitada. Teddy entrou feliz na casa e se aproximou dele. Depois, lhe deu um beijo no rosto e pediu um “desculpa, papai. Vou tomar banho, tá? Te amo!”, e subiu escada acima, deixando-o um pouquinho menos infeliz. A surpresa mesmo foi presenciar a porta se abrir com violência, para dar passo a um Sirius furioso, reclamando com o marido: “Por que eu tenho que tomar banho, logo agora? Que droga, seboso, nós estávamos nos divertindo!”

Severus sustentava um rosto de incredulidade, que só se intensificou quando o esposo subiu as escadas com tanto ímpeto, que os degraus rangeram em protesto, além de continuar a proferir suas reclamações “que saco! Você consegue ser pior do que o Remus! Sirius faça isso, Sirius faça aquilo!”. O lupino encarou o improvável amigo de forma burlesca. Lia-se perfeitamente nos olhos dourados “tenho pena de você”.

_Nenhuma palavra sobre isso, Remus.

_Ah, mas eu não ia dizer nada... Bem, vou terminar o jantar – mas antes de retornar a cozinha, os talheres vieram em sua direção. – Severus, vá acalmar o seu esposo – e voltou à cozinha, um finite incantaten usado nos utensílios da cozinha para viabilizar a refeição de todos.

O caminho até a suíte do casal foi feito com agilidade. Almofadas flutuando pelo recinto não o surpreenderam, mas ouvir sons guturais vindo do banheiro, ah, isso sim o assustou. Chegou rápido até o esposo, encontrando-o com a cabeça quase que inteira dentro do vaso sanitário.

_Sirius!

O herdeiro dos Black levantou a cabeça, o rosto lívido, apoiando-se, meio mole, na parede. Respirou fundo, fechando os olhos no processo. Sentiu um conhecido calor percorrer as suas mãos... Ah, era o efeito “alívio imediato” das mãos grandes do esposo tocando as suas. Acalmadas as ânsias, abriu os olhos novamente.

_O que você estava fazendo?

_Tricô! – E riu-se. – Estava vomitando, narigudo, o que você acha?

_E desde quando você está me escondendo esse sintoma?

_Eu não estou escondendo nada. O meu estômago anda meio sensível, desde que eu consegui voltar ao normal, só isso. – E ficou de pê, tentando voltar à pose Black, esnobe e aristocrática. Contudo, o banheiro girou a seu redor e tudo escureceu.

Notas finais
Draco respondendo ao questionamento do esposo:

"Amor, er, bem... Você sabe que os números são infinitos, não é mesmo?"