Submisso
25 Capítulo 25 - O Presente de Madeleine
Notas iniciais
Sei que demorou mais que o previsto, contudo, com o fim das minhas férias tudo fica mais complicado. Voltarei a postar no FDS, com sorte!!!
Agradeço aos comentários de vcs, que sempre me estimulam a escrever mais e mais.
Não sei como definir esse cap. Vocês dirão.
Espero que curtam, sem mais O PRESENTE DE MADELEINE!
Capítulo 25 – O Presente de Madeleine
Filho único, Draco Malfoy nunca precisou lidar diretamente com crianças antes, nem com as perguntas “constrangedoras” que as mesmas faziam. Horas mais tarde, eles já estavam a caminho da casa dos Weasley, e Harry ainda ria da expressão confusa e, logo depois, profundamente envergonhada – a gargalhada de Severus ajudou muito nisso – que o sonserino sustentou ao ser interpelado pelo priminho: “me mostra como você usou a varinha para colocar os bebês na barriga da dinda?”
Dizer que não soube o que falar é pouco. E então, como a melhor defesa é o ataque, devolveu a provocação não intencional de Teddy, mas cheia de malícia do seu próprio padrinho.
_O seu pai pode explicar, Teddy. Ele fez a mesma... Coisa... Para você nascer.
_Ah, primo, mas você sabe fazer melhor do que o papai! – O silêncio foi abissal. De onde o pequeno Teddy tirava aquelas afirmações? – A dinda tem dois bebês – e levantou dois dedinhos da mão direita – na barriga e meu pai só sabe fazer um bebê. Papi, você pode pedir pro primo Draco te ensinar como é que se faz!
Harry chorou de tanto rir. Snape então, sem comentários... E enquanto o narigudo se deliciava com as tiradas do filho de Remus, Sirius ralhava com ele, muito bravo mesmo, dizendo algo sobre tudo aquilo ser culpa do professor. Contudo, achava que as reprovações de Sirius teriam tido mais efeito se tivessem sido feitas para as árvores do jardim.
Lupin, compadecido com um loiro chocado e sem palavras, levantou o filho nos braços e resolveu a situação. Optou por manter a história do feitiço, ainda que mudar a versão par a história das abelhas e das flores tivesse passado pela sua cabeça. No entanto, não estava com muita vontade de ser tão “técnico” com um Teddy de menos de cinco anos. Até porque, esse tipo de conversa deveria ser previamente combinada com Tonks, que, para o bem ou para o mal, continuava a ser a mãe de Teddy.
_Draco fez exatamente o que eu te expliquei, Teddy. O que acontece... É que o seu primo deu muita sorte! Consegue imaginar como o seu padrinho vai ficar? Ah, a barriga vai crescer tanto, que nos assustará!
O almoço transcorreu tranquilo depois disso, mas volta e meia, a pergunta do garoto voltava a sua cabeça e ele ficava, sem querer, corado. Patético. Sendo constrangido por um pirralho. Às vezes, achava que Teddy era um adulto ocultado pelos efeitos de uma poção polissuco.
Quando estavam na sobremesa, Harry recebeu uma coruja de Molly, convidando-o (o convite se estendendo a Draco) para um jantar de boas-vindas à Gabrielle. Todos os Weasley estariam presentes, incluindo aí a própria Hermione. Sirius, Snape e Lupin foram convidados também – uma segunda coruja chegando logo depois – mas logo responderam, por flu, que não seria possível.
Snape foi categórico ao informar que a magia do esposo permanecia instável, o que poderia causar inconvenientes na presença de um número elevado de magos. Prometeu, contudo, que visitariam Molly em breve. Já Lupin mencionou não estar “no clima” para comemorações, desculpando-se sinceramente, ao que, mais que óbvio, os Weasley compreenderam.
Draco e Harry decidiram passar em casa antes de ir à Toca, assim Harry não descumpriria as prescrições de Pomfrey e Snape e poderia descansar um pouco, antes de ser bombardeado pelos “assédios de Gina”. Mal chegaram à lareira, o costumeiro “enjoo” quase levou o moreno ao desmaio. O veela foi rápido e, entre risos, impediu a queda, dizendo qualquer coisa sobre “nossos filhos são muito exigentes, não é, amor?”, “não querem ser levados de um lado para o outro com magia” e concluiu com “vou conversar com o senhor Weasley. Quem sabe não enfeitiçamos um carro trouxa?”
Menos de duas horas depois, já tendo ingerido tudo o que foi receitado por Snape, Harry tinha a túnica ajeitada de leve pelo marido. Se pudesse, usaria feliz jeans e camiseta, mas Draco tinha, literalmente, queimado o guarda-roupa trouxa de Harry. “Nem pensar! Nada mais de roupa trouxa. Você é um bruxo e deve se vestir como seus pares”. E com um Malfoy, bem, simplesmente não havia diálogo quando o assunto eram roupas.
_Ai, Draco, assim você me enforca. Para que fechar tudo? – Resmungou, reclamando dos botões da parte superior das vestes. – Até parece que vamos a um casamento.
_Harry, o seu senso de elegância e etiqueta me comovem. Vamos a um jantar informal, veja as nossas roupas – e fechou o último botão da túnica preta escolhida (por ele mesmo) para que o esposo vestisse naquela ocasião. – Se fôssemos a um casamento, meu amor, você não estaria trajando vestes tão simples, nem eu – e o beijou.
O grifinório revirou os olhos. Não dava mesmo para reclamar com o marido. Deixou que Draco o vestisse e penteasse. Não estava com muita vontade de começar uma briga boba. Então o marido desejava vê-lo bem apresentável? Que fosse feita a vontade do grandíssimo – esnobe – Malfoy.
_Falando em jantar, o que acha de marcarmos com os meus amigos amanhã?
_Como quiser, Draco. Lembre-me apenas de ficar o mais próximo possível da minha varinha. Nuca se sabe, com tantos sonserinos juntos...
_Nossa, quando foi que o senhor “pegador do ano” ficou tão engraçadinho?
Depois de tentar novamente se ver livre daquele notão e Draco reclamar, fechando-o outra vez, acabou bufando. Draco queria vê-lo daquele jeito, ok, então faria a vontade do marido. Embora, não gostasse muito de toda aquela pompa.
_Harry, no jantar, permita-me servi-lo, sim? Não quero que fuja da dieta.
_Você está exagerando, Draco. Eu não sou criança. Se há uma dieta, vou segui-la.
_Ovos mexidos com morango, cerejas e mostarda preta... Não, não... A última foi uma das melhores: tomates com chocolate?
_Ok, ok... Não dá mesmo para argumentar com você, loiro de farmácia – e voltou a abrir o último botão das vestes.
_Na verdade, você não tem argumentos, testa-rachada – e riu alto, fechando o botão novamente. – Molly vai adorar quando você disser a ela que teremos gêmeos. Prevejo horas infinitas de muitos conselhos. Preparado?
Como não era possível recusar o convite, Harry se resignou e se deixou ser conduzido até a lareira.
A Toca estava literalmente “entupida” de ruivos. Ruivos que rodearam Harry de mimos assim que chegaram. Obviamente, o enjoo pós-flu contribuiu para a necessidade dos cuidados. E lá estavam, Molly e Gina – e ele – levando Harry para o sofá, enquanto alguém sentava junto ao doncel, segurando-o pela mão. A magia veela de Draco logo identificou a do “alguém” em questão: era Fleur Delacoir, esposa de Bill.
_Harry, os filhos de veelas detestam agitação na magia, mesmo a tão ínfima e rápida, que ocorre nos transportes mágicos. No meu caso, como sou eu a veela, foi um pouco mais fácil lidar com a reação de Victoire. A minha natureza mágica veela agiu como uma proteção extra à minha pequena. Eu até conseguia apartar sem quase desmaiar depois. – E Harry já estava beirando uma rodada de vômitos. – Oh, Harry... Je ne peux imaginer à quel point vous avez été malade... – Completou Fleur, esquecendo-se de que não estava na França. – Vou te ensinar um truque que pode ajudar muito – e começou a explicar o que Harry deveria fazer para minimizar o efeito devastador dos transportes mágicos para quem gerava um herdeiro veela. Era um certo jeito de respirar que logrou resultados bem rápidos.
Draco aproveitou para ir conversar com o senhor Weasley sobre os transportes trouxas e como enfeitiçá-los. Evidentemente, procurou fazer isso bem longe do esposo, pois algo lhe dizia que a experiência anterior no carro dos Weasley não contaria pontos positivos para a aquisição de um automóvel. E então Gabrielle os interrompeu, apresentando-se de maneira educada e simpática, a magia veela de ambos também se reconhecendo.
Quando Arthur se afastou para ajudar a levar os pratos para mesa de jantar – disposta no jardim, devido ao número de convidados –, os dois se puseram a conversar num francês fluente, façanha que apenas Bill e Hermione podiam acompanhar. Harry fulminava Gabrielle com olhar. De onde tinha vindo tanta confiança? E por que, por Circe, a francesinha estava tocando tanto os braços de Draco?
Já recuperado e bem enciumado, o moreno estava disposto a levantar do sofá e deixar bem claro que aquele veela não estava disponível. Fleur tinha ido atrás de Victoire, liberando o caminho para a sua fúria homicida de espalhar feliz e contente pela sala. No entanto, foi surpreendido pela encarnação da fofura: Madeleine, toda sorrisos e olhinhos brilhantes destinados a ninguém menos que ele mesmo. A garota sentou ao seu lado e lhe acariciou a barriga.
Harry beijou o rostinho da menina e parou para admirar como ela estava vestida. Ah, uma preciosidade. Os cabelos foram presos no alto, os cachos caindo sedosos pelas costas. O vestido claro e de tecido fino tinha estampas de vassouras vermelhas, todo um encanto e combinava perfeitamente com o sapato, também vermelho.
_Nossa, como você está linda! A senhora Weasley caprichou, não é? – E a abraçou de forma bastante protetora, a cena acompanhada pelos olhos atentos de Molly. – Você está bem? – Os olhos castanhos lampejaram angústia e Harry não gostou. – Fique tranquila – murmurou baixinho, apenas para a sua bonequinha escutar. – Tudo vai dar certo. Desculpe não ter voltado antes. Prometo vir ver você com mais frequência.
Ela sorriu de novo e o beijou na bochecha. Depois, retirou um pergaminho dobrado do bolso do vestido, e entregou a Harry. Molly já estava bem mais perto dos dois. Vê-los juntos era tão envolvente. Talvez seu filho do coração não percebesse, mas ambos já eram muito próximos.
_Madeleine se esforçou muito para te presentear, Harry – comentou Molly, já sentada do outro lado do grifinório. – Desde ontem, ela não parou de desenhar. E sabe... Não me deixou nem dar uma espiadinha! Precisei lançar um feitiço nos pergaminhos, para que pudessem ser dobrados sem que ficassem amassados.
Harry desdobrou os pergaminhos e ficou estupefato com os desenhos nada infantis. Na verdade, chamar aquelas obras de arte de desenhos era menosprezá-las. Era ele, por Merlin, era ele mesmo, traçado perfeitamente, toda a beleza doncel resplandecendo nos tons de grafite.
No primeiro pergaminho, viu a si mesmo sentado no chão do que pareceu ser um quarto sujo e escuro. A barriga já estava bem grande, mas ele não parecia feliz. Estava chorando? E o que eram aquelas coisas nos seus pulsos? Não gostou nada do que viu! Nem do que sentiu... Respirou fundo e se dedicou ao segundo pergaminho. Ah, era ele novamente, mas não havia cenário algum. Era apenas o seu reflexo, perfeito, e, em seus braços, dois bebês... Duas meninas...
Madeleine lhe acariciou o ventre, uma sabedoria anciã naquelas profundas luas castanhas. E então, tão rápido quanto uma batida de coração, o ar infantil a ganhou novamente e ela correu para longe, talvez para Rony, mas Harry não conseguiu ter força suficiente para segui-la com o olhar. Estava paralisado, embargado de tanta emoção.
_Oh, é lindo! Essa menina é uma doçura. E que talento! Veja só, Harry, parece que alguém deseja que você tenha gêmeos.
A estranha reação do filho deixou Molly preocupada. Harry não desgrudava os olhos do pergaminho e sustentava uma expressão entre assustada e confusa. Quando percebeu os olhos aquosos, a ruiva lhe tocou o rosto, exigindo que a mirasse de volta.
_O que foi? Ficou emocionado? As crianças fazem isso todo o tempo, carinho. Vá se acostumando...
_Senhora Weasley...
_Molly, amor, chame-me de Molly. Mãe também me deixaria muito feliz – e ver Harry sorrir a aliviou um pouco.
_Mãe, eu ainda não contei a vocês. O professor Snape e madame Pomfrey me examinaram ontem e... – E voltou a olhar o desenho, extremamente confuso e abismado.
_Harry, está tudo bem com o bebê?
_Sim, está tudo bem com... Eles.
Molly o abraçou subitamente, feliz e com lágrimas nos olhos. As conversas paralelas ao redor mantiveram – ainda que de forma muito estranha – a privacidade das informações trocadas por ambos. Instantes depois, Harry se soltou da “mãe” e voltou a encarar o pergaminho, estupefato com o que via. Madeleine... Madeleine sabia que ele teria dois bebês. Assustou-se.
_Querido, depois conversamos sobre o presente de Madeleine – pediu a senhora Weasley, compartilhando da mesma reação do moreno. Se fosse mesmo o que estavam pensando, Madeleine precisava ser protegida. – Oh, veja, todos estão indo para o jardim. Hora de jantar!
Molly aproveitou para enviar os pergaminhos para algum lugar onde estariam seguros. Depois, com muito cuidado, ajudou Harry a ficar de pé, a memória dele passando mal ainda bem nítida em sua cabeça. Com passos lentos e bem firmes, chegaram ao jardim.
A luz estava perfeita e tudo fora divinamente arrumado. Notava-se, de longe, a mão de Gina na decoração. A garota levava mesmo jeito para aquele tipo de coisa. Muitos “oi, Harry” – inclusive da recém-chegada Gabrielle – foram ouvidos antes que pudesse se acomodar na enorme mesa, que parecia não suportar bem o peso dos quitutes preparados para a apreciação dos convidados.
Infelizmente, não conseguiu ficar junto de seu loiro, obrigando-se a sentar entre Hermione e Rony. O motivo? Ah, muito simples! Para seu horror, Gabrielle se sentara num dos lados de Draco e, para seu horror maior ainda, o auror que o impediu de cruciar o marido (qual era mesmo o nome dele? Cliff? Tick... Não, Pitt!), estava confortavelmente sentado na cadeira do outro lado de Draco.
Um prato já servido voou até si, estritamente de acordo com a dieta. Contudo, não sentia a mais mínima fome. Podia ouvir a conversa entre eles... E estava se nauseando com a abrupta afinidade entre os três. Gabrielle e Draco pareciam compartilhar os mesmos gostos esnobes por música, teatro e literatura. Estranhamente, o auror se mostrara um profundo conhecedor de literatura bruxa e trouxa, algo que surpreendeu seu marido.
_Mas Bethoven não era um bruxo? – Indagou o auror, os olhos cravados em Draco. – Ele fez turnês pela Europa bruxa. Eu tenho um amplo material a esse respeito.
_Non, monsieur Pitt, ele não era um bruxo. Bom, ao menos é o que diz a maioria dos historiadores. Contudo, era tão surpreendente, que os magos o idolatraram.
_Nossa, eu jurava que ele era um bruxo.
_Sabiam que há indícios de que ele era sim um bruxo? – E as palavras de Draco encheram os dois de excitação.
Gabrielle já se colara ao braço do veela e Pitt voltara o corpo todo para ele, um sorriso cheio de dentes e segundas intenções, sem nem se importar com os demais. Na verdade, todos estavam muito absortos em suas conversas particulares para sequer notar o que estava acontecendo bem, diante de seus olhos.
_Ha, ha, ha... Ah, a criatividade dos trouxas! Ils sont parfaits!
_Concordo, Gabrielle. Ando muito tentado a me iniciar na área do cinema trouxa – comentou Draco.
_Ah, eu gosto muito. Sempre que posso, assisto filmes trouxas. Posso indicar alguns excelentes...
O assunto entre eles não acabava nunca. Iam de um tema a outro e nem se davam conta da exclusão os demais, ante aquela “bolha” na qual haviam se metido. Draco só podia estar gostando de toda aquela atenção, com certeza. E isso o assustava. Draco estaria mesmo... Gostando?
Ele não era requintado como Gabrielle, nem tinha conhecimento profundo sobre música, teatro ou qualquer outra coisa ligada às preferências esnobes dos Malfoy. Pelo que percebia, ele estava sobrando ali. Até Hermione, que vivia afundada em livros, deveria conhecer mais de música, teatro e literatura do que jamais aprenderia na vida. Ver a interação entre eles foi revelador. Como não percebeu antes? Ele, o Eleito, Harry Potter... Ele em nada se parecia com o veela.
Draco Malfoy era inteligente, despojado, atraente, perspicaz... A francesinha sim combinava com o seu marido. Gabrielle era estonteante, muito mais que a própria Fleur. E era uma veela, tal como Draco. Fora bem educada e conhecia os pormenores dos traquejos sociais, coisa que a ele, tendo sido criado por trouxas que o odiavam, sempre faltaria. Até mesmo o auror, mais velho e bem apessoado, parecia ser melhor para Draco. Um medo absurdo se instalou em seu interior.
Já estavam ali por mais de duas horas... Duras horas inteiras aturando aquela conversinha, as trocas de sorrisinhos cúmplices e a proximidade inapropriada entre os três... Duas horas inteiras nas quais o óbvio se tornou evidente a seus olhos: Harry Potter era muito pouco, quase nada, para Draco Malfoy? Por que o loiro estava com ele, então? Ah, só podia ser por pena, com certeza... Não queria ter a sua morte nas costas...
Tão Imerso estava nos seus próprios pensamentos sombrios, que não se deu conta de que, agora, eram apenas ele, Hermione e Molly sentados em volta da grande mesa. Os demais se espalharam pela casa, dividindo-se em pequenos grupos. Rony, pelo que entendeu, teve que sair, algo sobre uma coruja urgente dos seus superiores, ao que Hermione se irritou de verdade “Ronald é só um estagiário, por Merlin! E logo hoje que tínhamos uma programação!”
Já Gina estava um pouco mais a frente, conversando com os gêmeos e com o pai. Percy e a noiva, Audrey, largaram-se pelas proximidades do pomar. Fleur e Bill corriam de um lado a outro atrás da pequena Victoire. E Draco? Não fazia ideia... Não via nem sinal do marido e dos seus “novos amiguinhos”. Deveriam estar em algum canto, se comendo aos beijos, os três!
_Hermione – chamou baixinho, ao que a amiga se aproximou para ouvi-lo. – Pode me ajudar a levantar?
_Claro, Harry – e em pouco tempo, o moreno estava de pé, embora estivesse pálido. – Você está bem?
_Só estou cansado. Tive um dia bem cheio.
Hermione o avaliou e, é óbvio, logo percebeu que ele não estava mesmo bem. Por que as mulheres que conhecia tinham essa capacidade? Por que sempre enxergavam além dele mesmo? Até a pequena Madeleine tinha esse dom, vendo além dele próprio (até o que não era certo ainda).
Ouviu a voz de Gabrielle, a doce e encantadora voz da loira estonteante. Buscou-a com o olhar, encontrando-a junto de Fleur e Bill, Victoire rindo alto com as caretas da tia. E nada de Draco e Pitt. Um alarme ainda mais alto soou em seu cérebro. Oh, Morgana bendita, só podia estar ficando maluco.
_Você não me engana, Harry. O que foi? O que está acontecendo?
_Nada mesmo, Hermione. Eu – e sussurrou – vou sair de fininho. – Concluiu, beijando a amiga no rosto e caminhando até a sala.
Só o que desejava era chegar à lareira e rumar para casa. Aparatar estava fora de cogitação, pois seus bebês o fariam vomitar até o cérebro, caso o fizesse. E qual não foi sua decepção ao vê-los do outro lado da sala, Draco e Pitt, sentados no mesmo sofá, bem juntos, folheando um livro vindo sabe-se lá de onde.
O auror deveria estar trabalhando, certo? Por que então estava ali, como mais um convidado, desfrutando do seu Draco? Oh, o desgraçado estava colado no corpo do seu marido, insinuando-se descaradamente! Falavam de assuntos que ele não compreendia e riam animadamente, os olhares bem focados um no outro. Estavam tão próximos que podiam se beijar a qualquer momento. Ah, ele não veria isso. Se ficasse ali, talvez tivesse mais um acesso de fúria e isso poderia prejudicar seus bebês.
“Accio, presente de Madeleine”, murmurou bem baixinho, guardando os pergaminhos no bolso das vestes com todo o cuidado. O pó de flu logo o levou para casa, ou melhor, para a Malfoy Manor. Estava numa casa ricamente decorada, cheia de tradição e transpirando ancestralidade, mas nunca se sentira tão fora de lugar como naquele momento. Abriu o maldito botão com força, arrancando-o.
É, Harry Potter, definitivamente, não se encaixava mesmo na vida de Draco Malfoy.
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_Por que estamos aqui? – E percebendo que Francis Drake já tinha o rosto corado pelo álcool, prosseguiu. – Por favor, me digam que não me chamaram aqui só para beber!
O Caldeirão Furado não era nem de longe o lugar no qual queria estar hoje. Tinha tudo milimetricamente planejado: jantaria em casa com os pais e os amigos e depois, estendendo a noite, levaria a noiva um show numa casa nova que abrira em Godric’s Hollow, um ambiente pequeno em bem frequentado.
Portanto, ser arrancado de casa no meio do jantar de boas-vindas à Gabrielle foi bastante inesperado. Nulan e Drake, por sua vez, riam-se da expressão irritada do novato. Será que ele achava, realmente, que ser auror significava ter total tempo para a família, para os amigos ou fosse lá para o que fosse?
_Oh, pobrezinho. Ficou sem a noivinha!
_Deixe o ruivo em paz, Francis. Eu também ficaria irritado se tivesse minha noitada interrompida. Contudo, ruivo, te aconselho a levar a noivinha para um motel excelente, fica perto da casa de shows na qual vão hoje.
_Você fica me investigando?
Três copos contendo whisky de fogo foram enviados à mesa, ao que Nulan agradeceu ao dono do bar. E, ainda rindo, bebeu um pouco. Os demais o acompanharam e, só aí, encarando Rony, Drake, se pôs a falar.
_Não vamos te prender aqui muito tempo, Weasley. Queríamos apenas te informar das últimas novidades sobre o caso da Skeeter.
_Novidades? – Perguntou curioso, principalmente porque, mesmo com a análise do bloco de notas da jornalista, pouco puderam avançar. – Conseguiram mais informações do bloco da Skeeter?
Havia uma série de informações imprecisas, muitas falas desconexas, mas o relato dos momentos finais de Rita estava nele. Contudo, com Madeleine e os psicomagos caindo em cima deles, não puderam se aprofundar em todos os detalhes. Evidentemente, logo descartaram que Skeeter tivesse sido eficaz em identificar o agressor.
Outro ponto relevante: o bloco de notas apresentava apenas as palavras da mulher, o que se resumia num sem fim de informações sobre contatos em St. Mungus e no cartório de registros mágicos. A loira também falara sobre Harry Potter e sobre Draco Malfoy. No entanto, eles não podiam afirmar que o criminoso estivesse, apenas, atrás dessas informações, pois, como a perícia alertou, o “bombarda” poderia ter prejudicado a integridade do bloco de notas, apagando parte de seu conteúdo.
Lembrava que, mais cedo, antes de sair do estágio e ir cumprir com suas responsabilidades de aluno (afinal, ele ainda não era um auror formado), os seus superiores ainda discutiam sobre a viabilidade de enviar uma guarda avançada para guarnecer o casal Potter-Malfoy.
Ele também ventilou uma possibilidade, não... Era muito mais do que uma possibilidade, era algo bem concreto e que, por Merlin, não acreditava que não estivesse sendo comentada por todos: as reportagens do Profeta apresentavam uma mudança sutil, sendo mais críveis e, nem de longe, tão evidentemente parciais. E que tudo tinha ocorrido ao mesmo tempo. Nulan comentou o mesmo, dizendo também ter estranhado o fato, mas não ter vislumbrado uma possível relação.
_Vamos por partes, certo? Em primeiro lugar, Podmore parece convicto de o potencial assassino queria, de fato, informações sobre a reportagem feita sobre o casal Malfoy-Potter. Então, amanhã mesmo designará oficialmente uma proteção aos dois... Ainda que, não oficialmente, já o esteja fazendo. Em segundo lugar, o seu comentário sobre as reportagens do profeta foi revelador, garoto.
Ronald sorriu feliz e ansioso ao mesmo tempo. Estava excitado com a possibilidade de ter ajudado a encontrar amis informações sobre o caso, principalmente, depois que o bloco de notas da Skeeter não se mostrou de grande ajuda, ao menos não serviu de nada para identificar o criminoso.
_Pode sim haver uma ligação com o caso da Rita. Estávamos tão sufocados com os psicomagos berrando em nossos ouvidos – “a filha de Rita Skeeter precisa de tratamento!” –, que nos focamos no mais imediato. David e eu acabamos de voltar da sede do Profeta. Tivemos uma nova conversa com Cuffe – continuou Drake, bebendo o conteúdo do copo de uma só vez e pedindo mais um. – Questionamos sobre as mudanças realizadas na política do jornal, além do fato dessa alteração ser contemporânea ao atentado contra a jornalista. Bem, leia por você mesmo, garoto.
Rony estendeu as mãos e pegou os pergaminhos, nos quais estavam transcritas as perguntas feitas a Cuffe, assim como as suas respostas. Leu atentamente, interessado em saber se a sua suspeita levou a algum lugar.
_Cuffe disse que os investidores do jornal exigiram a mudança? Isso é sério mesmo? Todo mundo sabe que Cuffe é um canalha, mas dificilmente se deixaria manipular assim. Ele é o manipulador! Mas, mesmo assim, temos que descobrir quem são os investidores do Profeta.
Outra dose de whisky chegou e os ânimos ficaram mais excitados. Debateram calorosamente por alguns minutos para, logo depois, Nulan soltar a pérola que deixaria o ruivo novamente irritado.
_Cuffe disse não poder revelar quem são os investidores do jornal, pois está impedido de contar, devido às cláusulas contratuais. Teríamos que ter um mandato judicial. Já foi solicitado, é óbvio... Todos sabem que as principais empresas investem no Profeta, é quase uma conta fixa para os empresários, mas ter acesso ao contrato, bem... Acesso só com a ordem judicial.
_Que merda, David! Vamos ter que esperar uns cinco dias para isso!
_Calma, ruivo... Eu também não quis esperar e usei o meu charme. Aproveitando que estávamos saindo da sede do jornal, flertei com a recepcionista, uma jovenzinha muito sorridente, que pareceu adorar o fato de eu ser um auror tão famoso. Jantamos agorinha, num restaurante aqui, no beco diagonal.
_É, e eu fiquei aqui, esperando – grunhiu Drake. – Já estou até meio bêbado...
_E você conseguiu alguma informação?
_Ora, ruivo, está duvidando do meu charme? É claro que consegui... Amanhã mesmo estaremos na residência do empresário em questão, para uma conversa informal, tendo em vista que não podemos acusá-lo de nada. E nem há certeza alguma sobre ser ele, de fato, um investidor do Profeta.
Ronald bufou. É claro que havia uma quase sólida certeza. Se o flerte de Nulan resultou no nome de um grande empresário, era mais que óbvio que havia uma ligação. Ah, os dois eram mesmo bons!
_Quem é o empresário, David? Por Merlin, fale de uma vez!
_O aclamado ex-comensal que, sabemos, nunca foi um comensal... Draco Lucius Malfoy esteve no prédio do Profeta Diário, para uma reunião com o senhor Barnabás Cuffe, no mesmo dia no qual a nossa querida jornalista foi encontrada semimorta no chão da sala.
Ronald virou o conteúdo do copo, de uma só vez, sorvendo tão rápido que quase se engasgou, na sua mente, a imagem de uma Madeleine trêmula e chorosa ao encontrar com Draco Malfoy pela primeira vez.
_Mais que grande merda, por Merlin!
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