Submisso

21 Capítulo 21 - Chorando para a Lua


Notas iniciais
Olá!!!
Feliz Páscoa! Quem diria que eu ainda estaria aqui, escrevendo Submisso? Sabem, estou mesmo muito feliz com o andamento da fic e espero que vocês também compartilhem dessa minha felicidade.
Esse cap é dedicado totalmente ao andamento de algumas coisas necessárias ao futuro... Que tipo de coisa? Não conto mesmo!!! KKKK
Espero que vcs gostem, sem mais: Chorando para a Lua
OBS: Páscoa = chocolates...

Capítulo 21 – Chorando para a Lua

_Remus... O que houve? – E lhe tocou o ombro.

Remus apenas chorou por mais alguns minutos, deixando-se consolar pelas mãos grandes de Severus. Depois de tudo o que lhe acontecera nos últimos dias, precisava mais que nunca do apoio de um amigo. Contudo, nem por um momento sequer imaginou que essa necessidade seria satisfeita por Snape.

_E então? Terei que usar veritaserum para saber o que o atormenta?

Lupin riu minimamente, um pouco recomposto e envergonhado por ter perdido o controle daquela forma. Tocou a mão do amigo com força, um agradecimento mudo e compreendido perfeitamente pelo professor. Então finalmente uma das poltronas fora aproximada com magia.

Snape se sentou e o encarou, no rosto uma expressão de comedido interesse. Como não sorrir diante daquele comportamento tão endemoniadamente controlado? Ah, Severus era mesmo uma figura única.

_Dora... Dora me deixou.

_Como? A sua esposa que está prestes a dar a luz foi... Embora?! – E ao que viu o menear positivo de cabeça, prosseguiu. – Por Merlin! O que você fez?

Lupin sustentou uma expressão de tanta tristeza, que o pocionista pensou que o veria chorar novamente. Não que houvesse algum problema nisso, não depois de lidar tanto tempo com um Sirius bastante depressivo – e verdadeiramente mimado.

_Segundo Dora, eu não fazer “absolutamente nada pela relação” foi o principal motivo que a fez me deixar. Ela... Ela tem outro... Companheiro.

Snape agradeceu estar sentado na poltrona. Teria sido vergonhoso fraquejar as pernas com o que ouvira. Contudo, foi exatamente o que ocorreu. Nem sua racionalidade aguçada conseguia compreender o fato relatado pelo lupino.

_Como assim... Outro companheiro? E o Teddy? E o seu novo filho?

_Dora a teve há alguns dias. Uma linda menina. Eu a vi uma única vez, mas não é minha filha.

Merlin! Agradeceu novamente estar sentado. Estava tão abismado, que preferiu apenas ouvir. Nymphadora já vinha demonstrando um comportamento inusual há muito tempo, sem que Remus entendesse o motivo. Houve certo alívio com a nova gravidez, mas tudo voltou a ficar nebuloso nos meses finais da gestação. E então, logo depois do nascimento da menina, no mesmo dia para ser bem exato, Tonks revelou o que vinha ocultando por quase dois anos.

_Um caso, Severus. Ela estava tendo um caso com um auror. E a filha é dele, não minha. Dora disse que estava dividida, me pediu desculpas... Mas como posso desculpar isso? Ela está no hospital ainda. O Teddy está com a avó por enquanto, mas ele vai ficar comigo. Não vou abrir mão do meu filho!

_Sinto muito por você, Remus... De verdade – não sabia como agir naquele tipo de situação.

Snape nem precisava afirmar que seu sentimento era real. Podia compartilhar as ondas de ódio emanadas por ele, certamente, tendo a “ex” como destinatária. Perguntava-se se como faria dali em diante, Ele nem tinha para onde ir. Moravam na casa de Dora e, apesar da guerra ter acabado e cobrado um alto preço de todo o silencioso – ainda que às vezes bem barulhento – preconceito existente no mundo bruxo, tal mal ainda esta bem presente na vida de todos.

Era certo que ele era um herói de guerra e alçara muito prestígio, mas não queria ter que usar desse artifício para conseguir sustentara e ele e a seu filho, seu pequeno Teddy, a única coisa boa que lhe restava na vida.

_Quando ela me contou... Ah, a minha vontade foi rasgá-la inteira com as minhas garras, numa noite de lua cheia. Queria saber quem era o homem, o maldito auror, que a levou a trair a mime ao Teddy, mas... Aí pensei que não podia matar a mãe do meu filho. Ele me odiaria. Também percebi que o auror realmente não era culpado por nada, afinal, eu sou casado com Nymphadora Tonks, ou seja, ela é que compartilha comigo um vínculo. A guerra nos mudou a todos... E agora, bem... O pior de tudo é que eu não consigo, de fato, odiá-la.

_Com ou sem guerra, não acredito que você seja realmente capaz de odiar alguém. Irá perdoá-la logo, porque tem uma alma boa, que não guarda rancor – e antes que se desvelasse elogiando-o, prosseguiu. – Bem, precisa ser prático agora, mesmo sendo um momento tão delicado e difícil – Lupin o mirou, confuso. – Você e Tonks vivem aqui, praticamente, desde que a guerra chegou ao fim. Eu sei que essa casa pertence à mãe de Nymphadora, sendo produto tardio de uma herança familiar. Portanto, você dispõe de pouco tempo para definir sua situação. Permanecerá aqui, com Teddy?

_Não, de forma alguma. Aqui não.

_Para onde irá então?

Nossa, estava mesmo sendo colado contra a parede pelo pocionista... Para onde iria? Não fazia a mais remota ideia. Talvez acabasse indo para o caldeirão furado e ficasse lá por um tempo, colocando as prioridades em ordem.

_Sei também que vendeu sua propriedade particular, herança de família, antes mesmo de a guerra recomeçar...

_Há algo que desconheça? – perguntou irritado.

A risada de Severus esfumaçou sua irritação e até lhe renovou os ânimos. Ter o amigo rindo era algo raro.

_Na verdade, mesmo que não pareça, desconheço inúmeros fatos... Contudo, o que digo sobre o seu caso é de conhecimento profissional. Com relação a sua propriedade familiar, você mesmo deixou essa informação clara nos formulários preenchidos quando trabalhou em Hogwarts, lembra-se? Quanto a essa propriedade, não esqueça que Draco é também um Black, assim como Andrômeda. Essa casa, em especial, é oriunda da antiga herança dos avós de Draco, pais de Andrômeda, que a deserdaram há anos. Contudo, com o fim da guerra, o próprio Draco decidiu refazer a partilha, ignorando o testamento dos avós. Eu o ajudei nisso, caro amigo, assim como em muitas outras questões administrativas relativas ao patrimônio dos Malfoy.

Lupin suspirou profundamente. Ainda se lembrava do dia em que Andrômeda lhes sugeriu ir viver na casa na qual agora, conversavam. Ainda lembrava-se da felicidade de Teddy e de Dora que, já naqueles primeiros meses, deixara de sorrir como antes. Perguntava-se quando tudo tinha acontecido. Quando fora trocado por outro, bem debaixo do próprio nariz.

_Remus, sem divagações. Você não tem para onde ir e, pelo que sei, deixou o emprego de lado para poder ajudar nos cuidados com Harry e com Sirius.

Severus era tão imponente, tão direto. Sirius devia estar passando poucas e boas com ele, com certeza. Conhecia Almofadinhas e em nada, nadinha mesmo, a atitude mimada do Black era páreo para a excessiva crueza de Snape. O maroto já teria mudado? Ou teria sido o contrário?

_Severus, você é bem controlador, não é?

_Não, sou apenas atento. Vamos fazer as suas malas e as de Teddy. No caminho, passamos na casa de Andrômeda e o trazemos conosco.

_Do que você está falando? Caminho para onde?

_Para Prince’s House, obviamente. Ou você supôs, num vislumbre de agudeza de raciocínio, que eu te deixaria na rua? Ah, e vamos aproveitar e comunicar aos Malfoy e aos Wesley que Sirius está curado da febre, mas que agora precisa estabilizar a magia.

Esperou Snape usar a lareira e comunicar a situação de Sirius, mas deixando claro que ainda não fazia ideia do que estava acontecendo (só para variar). No mais, foi um dia bem cheio, algo que nem remotamente passou pela cabeça do lupino quando acordou mais cedo, naquela mesma manhã, ou teria sido de madrugada? Bem, na verdade, suspeitava que nem sequer tinha dormido. Com sorte, foi aliviado na sua dor por um breve cochilo.

O pocionista o teve num “pra lá e pra cá” por bastante tempo. Malas prontas (as dele e as de Teddy) e reduzidas dentro dos bolsos das vestes, ida à casa de Andrômeda para pegar o filho (o que não se concretizou sem antes uma conversa nada amigável com a ex-sogra), uma passadinha rápida pelo beco diagonal (afinal, uma criança de praticamente quatro anos [1]impunha necessidades que Snape não estava preparado para suprir), um sorvete para Teddy, um digno exemplar do famoso Florean Fortescue que, com o fim da guerra, reapareceu e reinaugurou o lucrativo negócio, e, finalmente, o destino foi atingido: Prince’s House.

Decidiram aparatar, já que Lupin deixara claro que o filho não se sentia nenhum um pouco assustado com tal procedimento, ao contrário... Ted Remus Lupin era um aficionado por desaparições e chaves de portal. E foi assim que, a despeito de toda a estranheza da jornada em questão (em especial assistir a um Snape sendo atencioso com uma criança), nada preparou o lobisomem para a desconcertante cena “a chegada ao lar”. Nossa, com certeza teria dado inveja a qualquer filme com cãezinhos fofos.

Sirius estava sentado ao longo da porta de entrada da casa, as orelha atentas a qualquer movimento, no interior da propriedade ou fora dela, todo um “cão-de-guarda-mode-on”. A pose de total compenetração, que faria qualquer observador mais atento duvidar de que aquela criatura era realmente um cachorro, foi ignorada com a “chegada do dono”.

Até Teddy, que nunca tivera contato com um bicho tão grande, aplaudiu entusiasmado a sequência que deixou Snape quase salivando de raiva: o cão se empertigou ao vê-los e, simplesmente, disparou feito um trem bala, aceleradíssimo, correndo aio encontro de Severus.

O baque foi ensurdecedor. Sirius emendou um pulo à corrida, as patas dianteiras atingindo com toda a força o peito do marido que, sem conseguir se equilibrar nos dois pés, foi ao chão, num outro baque surdo, secundado pelas mãozinhas ávidas de Teddy Lupin (talvez o garotinho acreditasse estar assistindo a um show de acrobacias).

Estranhamente, o cachorrão sorria, matreiro e cheio de confiança. Remus desatou a rir e precisou sentar na mesma grama na qual, no momento, Severus estava esparramado e sendo “afundado”, devido ao peso do esposo que, para as lágrimas de Lupin (de tanto rir, é claro), lambia o rosto marcado e narigudo abaixo de si, a saliva canina bastante farta e a cauda abanando freneticamente.

_SIRIUS!!! SAIA DE CIMA DE MIM!!!

Mais algumas lambidas e Sirius o liberou. Marcas de patas enlameadas adornavam as vestes de um Snape, decididamente, furioso. Teddy se aproximou do cachorro e o abraçou, sujando-se no processo. Depois, o garotinho pôs-se a correr pela propriedade, sendo seguido de perto por Sirius.

_Consegue parar de rir? – Perguntou estoico o professor, ficando de pé e seguida, a mente trabalhando nas possíveis maneiras de arrancar o pelo daquele monstrengo.

_Desculpe, Severus... A sua cara... Nossa, foi...

_Sei, sei...Vamos entrar. Não... Merlin, era só o que faltava...

Lupin seguiu o olhar do amigo e encontrou o motivo da reclamação. Harry Potter acabava de sair de dentro da casa, sendo recebido por um feliz Sirius e um mais que exultante Teddy. Os latidos e os gritos infantis “padrinho! Padrinho!” encheram os ouvidos de Snape que, vencido, ajudou Lupin a se pôr de pé e caminhou em direção ao próprio lar, o olhar fulminando o enorme cachorro, que devolvia uma mirada no estilo “o que foi? Eu sou inocente!”

_Veio catar as pulgas do seu padrinho, Harry? Adianto-lhe que, diante da sujeira na qual ele insiste em se enfiar, pode ser mais difícil – e num floreio de varinha limpou a si mesmo, a Teddy e a Sirius, sem deixar, é claro, de realizar uma pequena vingancinha. – Ah, assim está bem melhor – rosnados furiosos e mais risadas por parte de todos. – Ora, você não gostou? Mas essa cor realmente combinou com você. E essa coleira então...

Enquanto o cachorro tentava, sem sucesso, se livrar das novas aquisições – um enorme laçarote vermelho-paixão e uma coleira de couro e com um pingente (SNAPE, gravado no mesmo) –, Severus indicava a porta, pela qual todos entraram instantes depois.

_Remus, você conhece a disposição dos quartos. Precisa de minha ajuda para desfazer as malas?

A palavra "malas” instigou a curiosidade do moreno. Lupin não apresentava um rosto muito feliz, algo incomum, pois um dos poucos amigos vivos do seu pai sempre – e sempre mesmo – demonstrava uma atitude positiva diante da vida. Malas? Bem, parecia... Significava mesmo o que estava pensando?

_Não precisa se incomodar. Venha Teddy. Quer ver o papai fazer um pouco de magia?

_Sim!!! – E levantou os bracinhos, sendo imediatamente erguido e carregado escada acima pelo papai e questão.

_Professor, Remus veio...

_Não sou mais seu professor, Harry – cortou Snape, seco. – Pode me chamar pelo nome... Se desejar, é claro – completou, aliviando a rispidez.

_Ah... Desculpe. É o hábito.

_Certamente, hábitos não mudam facilmente. – E indicou o sofá, no qual ambos sentaram. – Conhecendo bem os seus hábitos, sei que deve estar se corroendo por dentro em curiosidade, para compreender o que trouxe Lupin a esta residência...

Harry apenas sorriu de leve. Ah, o maldito narigudo adorava irritá-lo. Não conseguia evitar. Talvez, esse fosse um de seus hábitos: “atormentar o Potter!” Nossa, era um costume arraigado, decididamente. Assim como a sua própria curiosidade que, como definira tão bem Snape, o estava mesmo consumindo em desespero.

_Visando evitar um ataque de ansiedade, comunico que Remus passará uma temporada aqui. Ele a esposa se desentenderam, mas não sou mexeriqueiro, Potter. Portanto, se deseja saber mais sobre a questão, converse com ele, diretamente e...

O que mais Snape pretendia dizer sobre Remus ficou no ar, em suspenso, devido à cena que se desenrolou diante dos olhos dos ocupantes da sala. Sirius, todo um cachorro requintado, entrou no ambiente praticamente desfilando, exibindo em completo a sua glória peluda numa pose deveras altaneira, o laçarote vermelho-paixão em frangalhos, largado em seguida aos pés do pocionista... Ah, uma evidente exibição de poder, bem diante dos atentos olhos verdes.

_Faça o mesmo com a coleira, pulguento.

Sirius rosnou de leve. Já veria um jeito de arrancar a coleira também. Ouviu a revelação sobre Lupin, mas teria tempo para conversar com ele – de preferência quando conseguisse fazer mais do que apenas latir. – No momento, queria apenas se desculpar por ter sido tão rabugento com o afilhado. Pulou no sofá, aninhando-se o bem perto do rapaz que, feliz, se pôs a acariciar o pelo macio.

_Continua preso na transformação, Sirius?

Um latido solitário ecoou pela sala. Sirius aproveitou para assentir em seguida.

_Então esse é o problema? Quando você disse que a magia do meu padrinho estava instável, não compreendi bem as consequências disso. Mas, sendo Sirius, é até possível de se compreender – e voltando-se para o animago, continuou. – Sabe, Sirius, quando eu cheguei e te vi como um cachorro, achei que estava apenas fazendo de tudo para deixar Severus irritado...

_Oh, não se preocupe. Black conseguiria me irritar até se estivesse transfigurado numa xícara de chá.

Seguiu-se uma conversa amena depois da última provocação, uma conversa constantemente entremeada por rosnados de Sirius e risos de Harry. Estavam rindo novamente quando Lupin retornou à sala. O homem estava mais tranquilo, embora ainda apresentasse um semblante entristecido.

_Teddy dormiu. Enfeiticei o quarto para ser avisado quando ele acordar. Alguma mudança, Sirius?

O cachorro negou, balançando a cabeça. Harry não conseguia deixar de ver graça na situação.

_Realmente, não consigo entender o motivo de você estar preso na forma animaga, Sirius. Pensei sobre isso o dia inteiro, desde que Severus me contou, mais cedo... Você não é um lobisomem, por Merlin, logo, tem que ser plenamente capaz de controlar a transformação, encerrando-a no momento em que desejar. Nenhuma poção no estilo da poção mata-cão surtiria efeito. Você não é naturalmente dotado da capacidade de se transformar em outro ser, logo, a única explicação é a magia.

Severus seguia o raciocínio que, ele próprio, já tinha vislumbrado. Concluiu o mesmo que ele. Então, realmente, nada no estilo da poção mata-cão poderia ajudar. Então, o que poderia? Talvez uma poção calmante, um desmaius? Algo que fizesse Sirius relaxar (não Snape, nada de zoofilia!!!)... Mas, que seria? E se encontrassem, daria certo?

_É difícil, realmente, difícil. Talvez devamos começar tentando ministrar uma poção calmante. Contudo, depois de ter ficado em coma mágico e de passar por semanas de febre intensa... É arriscado. O que acha, Sirius?

Nenhum latido, o que só podia significar que o próprio Sirius estava indeciso. Um silêncio anormal os atingiu. Realmente era complexo pensar no que fazer, ainda mais por não haver parâmetro algum. Não sabiam se era algo ligado ao recente vínculo consolidado, ou se não passava de um problema ligado à transformação em si.

_Por que não perguntamos a professora McGonagall? Ela é animaga há décadas, talvez saiba de algo que possamos usar, não sei...

Snape, Lupin e Black o olharam como se fosse “a última rosquinha do pacote”... Sentiu-se até amedrontado. Ganhou inclusive umas lambidas de Sirius, na sequência à estranha reação.

_O que foi?

_Simples, Harry... Nem eu, nem o seu padrinho, nem o brilhante pocionista, enfim, nenhum de nós sequer imaginou essa possibilidade. Talvez Minerva possa mesmo nos ajudar. Como ela é animaga há anos, pode nos ajudar a verificar se um animago pode, de fato, ficar preso na forma animal e, se foi possível, nos ajudara a reverter a situação.

_E se ela confirmar que não é possível ficar preso na forma animaga, saberemos, com certeza, que o problema de Sirius é devido ao vínculo.

Harry sorriu, feliz por poder ajudar, a mente divagando sobre os motivos – todos eles – que realmente o levaram à casa de Snape e do padrinho.

_Vou à Hogwarts, agora mesmo. Sirius, não faça nada estúpido. Remos, por favor, controle o pulguento.

_Professor – e Snape sabia muito bem que era com ele. Hábitos não mudavam facilmente. – Quando voltar, preciso muito conversar com o senhor. É algo importante.

Lupin percebeu que havia uma determinação não de todos desconhecida por ele. Aquele brilho esverdeado... Ah, ali tinha coisa.

_Algo importante?

_Sim, professor... Preciso de todas as informações que tiver sobre Lucius Malfoy.

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_“Um ladrão de olhos cor cinza, leves tom de chumbo... O olhar dele me marcou, mas o rosto em si, parece sumir da minha mente. Mas não aqueles olhos, gélidos de tão frios, nem os fios dourados, que podem nos fazer duvidar de que ele seja, realmente, maldoso, mas ele é... Com certeza é. Não sei o que ele fez, mas a dor parecia me queimar até dentro dos ossos. Foi tão horrível que achei que fosse morrer. Entreguei tudo a ele: joias, cartões do banco, senhas... Oh, Deus, o que aconteceu comigo não tem explicação lógica. Como é que uma pessoa pode fazer o que ele me fez, sem nem ao menos tocar em meu corpo. Foi horrível... Horrível”... Blá, blá, blá... Ora, ora, dessa vez nosso fantoche fez algo inesperado. Cruciar não constava das ordens, constava?

_Acredito que você esteja dominado por uma estranha obsessão por jornais, bruxos ou não.

O “The London Times” foi deixado de lado num supetão. Estavam num cômodo apartamento trouxa, próximo ao centro de Londres. Costumavam usá-lo, às vezes. Ainda que, vez por outra, precisassem voltar à sarjeta e fingir que não estavam se preparando, se armando... Não, não... Tudo tinha que se feito com muito cuidado e lentidão, como vinha acontecendo há alguns anos atrás, quando se encontram.

_Eu vi o traidor hoje mais cedo – continuou, ignorando a provocação. – Acompanhado por impuros. A que fim chegou!

_E você os serviu? – Burlou-se.

O homem nada respondeu, apenas indicou uma porta à frente de si e perguntou.

_Como ele está? – Os dedos batendo ansiosos sobre o jornal. Como desejava voltar a lê-lo.

_Está na mesma, evidentemente. Reforcei o feitiço, mas você sabe como ele resiste... Está enfraquecido. Talvez tenhamos que usar a poção. Contudo, mesmo tendo que beber aquela coisa com gosto de urina de duende, degradá-lo me enche de prazer. É quase tão bom quanto imaginar o retorno do Lorde.

Oh, sim. Seria muito bom. Contudo, como fora bem lembrado, podiam se divertir humilhando quem, anteriormente, sustentava tamanha pose. Muitas foram as dificuldades no translado dele, sem contar as semanas inteiras tratando de recuperá-lo minimamente, para então empreender a cartada final, algo que apenas um mago fizera em toda a vida, sem a ajuda de mais ninguém.

_Tudo está indo bem. Em breve... Muito breve... Mal posso esperar para tê-lo em minhas mãos.

[1] Alterei um pouquinho a idade do Teddy!!!

Notas finais
Chocolates para Núbia Chaud = COMENTÁRIOS??? BJKS