Submisso

60 Capítulo 60 - Meias Verdades, Inteiras Mentiras


Notas iniciais
>>>Olá!!! Como vão??? >>>Eu estava planejando publicar esse cap gigante (é, gigante!), apenas dia 28/11, dia no qual SUBMISSO faz aniversário... É... 2 ANOS, GENTE!!! Contudo, como e amo vcs, resolvi publicar logo (o próximo, depois do dia 07/12!). >>>Nesse cap, admito, eu fiz uma viagem alucinante, nível 1000... Enfim, vcs lerão (eu sei), acerca da doncelaria (putz, lá vou eu dando spoilers no próprio cap!). >>>Agradecendo a vcs por dois anos de caminhada e, prometo, estou caminhando para o final da fic (pelo menos, já estou tentando)! Essa "mais-que-long-fic" só existe devido aos fiéis leitores, a todos aqueles que me permitiram abrir esse canal de contato (eu adoro ler/responder comentários), enfim, OBRIGADA!!! (momento Núbia emotiva...) >>>Cap com safadezas para os safadinhos... (Eu nem gosto) >>>Aos incríveis leitores que adoram ver Harry sofrer nas minhas mãos, agradeço tb a presença em DOMUS, minha nova fic! (e só para constar, eu deveria estar estudando!) >>>Aos erros, vcs já sabem! >>>Sem mais, MEIAS VERDADES, INTEIRAS MENTIRAS!!!

Capítulo 60 — Meias Verdades, Inteiras Mentiras

Adam Taylor teria dado batidinhas de aprovação nos próprios ombros, se pudesse. A ideia que teve para retirar o seu, oh sim, porque era dele, belo exemplar de homem grego do alcance dos olhos detetivescos de Frederick, dera certo. Na verdade, foi um total e completo sucesso.

Correu tudo tão bem que, em pensamento, se comprometeu em depois, com mais calma e paciência, explicar a Andreas que não deveria acreditar em qualquer um. Às vezes, acreditava que as pessoas eram por demais inocentes. Em sua profissão, volta e meia lidava com problemas jurídicos que não teriam sequer existido, caso os seus clientes fossem um pouquinho mais atentos, às verdadeiras intenções dos demais.

_Fico feliz que tenha aceitado meu convite, Andreas.

Andreas o encarou indignado. Não chamaria ter sido, praticamente, raptado de “aceitar um convite”.

_Gostaria de saber quando eu aceitei...

O moreno estava furioso. Uma carta aparecera em seu bolso. Estava no meio de uma aula complexa sobre doenças emocionais. Curioso, ele não resistiu e leu o conteúdo da carta. E eis o seu grande erro.

_Você aceitou sim, afinal, não o obriguei a me encontrar. Veio até mim por livre e espontânea vontade.

_Aham... Sei...

Adam sorriu um sorriso cheio de dentes.

_E por que estamos aqui, no seu escritório? Pensei ter ouvido que iríamos visitar uma sorveteria.

_Por que a sobremesa vem depois da refeição, Andreas.

Andreas foi puxado e abraçado pelo dono do recinto.

_O que está fazendo?

_O que deveria ter feito há tempos – e devorou os lábios de um jovem grego que, atônito, fora transformado no prato principal do esfomeado advogado.

O advogado era pura malícia, adorando a expressão irritada no rosto de Andy. Ele não fazia ideia de como ser mirado daquele modo o excitava. Talvez fosse resquício da sua profissão, mas sempre quando algo ou alguém se mostrava como um desafio, ah... Ele simplesmente não conseguia ignorar.

_Seu abusado! – E o empurrou com força, sem conseguir afastá-lo mais do que dois palmos.

_Abusado? Não... Estou apaixonado, obcecado, vidrado...

_Pare com essas idiotices e me solte!

Adam balançou a cabeça negativamente, uma das mãos floreando a varinha.

_Se você não me soltar, eu vou começar a gritar.

_Pode gritar – e parecia satisfeito pelo resultado do próprio feitiço. – Meu escritório é insonorizado por feitiços potentes, além do que, sempre o mantenho guarnecido de possíveis bisbilhoteiros com poderosos feitiços de sigilo. O que acontece em meu santuário, morre em meu santuário.

_Santuário? De qual hospício você saiu, Deus! – E o chutou com força, conseguindo correr até a porta.

O chute acertou o nobre advogado, mas sem machucar nenhum lugar vital. De fato, foi pego de surpresa. Manteve os olhos atentos na sua presa. Ah, aqueles movimentos bruscos tentando girar a maçaneta só faziam os músculos de Andy sobressaírem. E as nádegas? Nossa, eram tão redondinhas e arrebitadas... Mal podia esperar para se enterrar nelas.

_Abra a porta, Adam. Abra a porta agora!

_Por que quer tanto ir embora?

Por quê? Por Deus, de onde tinha saído aquele maluco?

_Lucius vai saber disso! – E então se lembrou do que poderia ser a sua salvação.

_O senhor Malfoy só saberá de algo se você contar.

_E você acha que eu não vou contar? – Devolveu irritado, enquanto procurava algo nos próprios bolsos. – Droga, onde está? Não se aproxime, Adam!

_Está procurando por isso?

Andreas viu o que tanto procurava nas mãos do advogado tarado. Era uma... Como era mesmo o nome?

_Não sabia que o senhor Snape tinha um humor tão apurado – comentou, enquanto balançada um chaveiro entre as mãos. – “Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem!” Foi ele quem fez essa chave de portal para você? – E o silêncio que teve em resposta o fez prosseguir. – Ora vamos, Andy, converse comigo. E então, foi o senhor Snape?

_Não... Foi o outro, o de olhos dourados.

_O senhor Remus... Muito divertido – e Andreas viu a chave de portal desaparecer.

O jovem grego estava colado à porta, o corpo inteiro tenso ante as ações do advogado. Já Adam estava mais que satisfeito. Caminhou lentamente até o sofá, se sentou e deu palmadinhas no assento, bem ao seu lado, indicando que deveria acompanhá-lo.

_Abra a porta, me deixe ir embora e eu não conto nada para Lucius.

_Como eu disse, o senhor Malfoy só vai saber se você contar. E, se você não se lembrar de nada, nada será contado, certo?

_E por que eu não me lembraria?

_Sente-se aqui ao meu lado, Andreas. Eu não vou abusar de você, por Merlin! Só o trouxe aqui para conversar. Desculpe pelo beijo...

_Por que me beijou? Para a sua informação: eu não sou gay!

_Os trouxas adoram rotular as pessoas, não é? Veja por esse lado, Andreas: eu estou interessado em você, nada mais tem relevância. Desculpe se fui um pouco agressivo, mas você me excita demasiado. Geralmente, sou bastante comedido e educado, contudo, com contigo... Não consigo me controlar.

_Agora me sinto menos a vontade ainda de ir até aí e ficar ao seu lado.

_Sou inofensivo, Andy.

_Sim, inofensivo feito um rinoceronte.

Adam Taylor sorriu, a mente trabalhando nas possibilidades de fazer o jovem grego se aproximar. Era tão fácil...

_Tome – e lhe estendeu a varinha, jogando-a em seguida, ao que Andreas a pegou com habilidade. – Agora que já não estou de posse da minha varinha, podemos conversar como pessoas civilizadas? Sem ela eu sou parecido com um trouxa, Andreas.

_Está dizendo a verdade?

_Ora, eu prezo a verdade – e sorriu, voltando a indicar o sofá com a consciência muito tranquila, pois, de fato, ele sim se parecia com um trouxa sem a varinha, embora tenha omitido de Andy a capacidade de realizar feitiços sem varinha, obviamente.

++++++++++++++++++++++++++++++

Gabrielle sentia o peso do mundo sobre os seus ombros e sua face refletia toda aquela dor. Já Gina, ah, que orgulho! Era incrível como a sua ruiva podia ser tão forte e tão frágil, tudo ao mesmo tempo. Assim que chegaram ao hospital e Theodore foi levado as pressas pelos enfermeiros, Gina desabou. Durou exatos 3 minutos. E então, com uma força desconhecida por ela, contemplou a esposa se reerguer, feroz e cheia de determinação. “Uma verdadeira leoa”, foi o pensamento inevitável que lhe dominou a mente.

Sophie não conseguiu ficar quieta na sala de espera, não pelas longas horas que se seguiram desde que Theodore, meio amolecido e choramingando de dor, foi levado deles. A mãe de Blaise permaneceu entre idas e vindas, abastecendo-os de café e biscoitos, pelo resto do dia. Ah, os Zabini eram mesmo curiosos, além de adoráveis.

Ela nunca chegou a acreditar que teria, realmente, alguma relação mais profunda com Blaise. Ele era um homem de porte, muito inteligente e másculo. E era sagaz ao extremo, com uma língua venenosa para os inimigos e, em alguns momentos necessários, também a usava contra os amigos, quando esses precisavam ouvir algumas necessárias verdades.

Como sabia disso? Bem, Gabrielle não era tola. Depois que conseguiu se reconciliar com Theodore, devido à gravidez inesperada e a todo o caos que dela decorreu, teve uma conversa particularmente difícil com o belo e letal homem de pele ébano.

Gina não participou da conversa, tampouco Pansy. Supôs na época que a loira sonserina desataria maldiçoes sobre ela... Qual não foi a sua surpresa quando obteve dela a mais completa compaixão. Já com Blaise, bem... A conversa foi mais tensa.

Blaise foi categórico ao afirmar que reprovava o descuido que tivera, ou seja, engravidar Theo. Adicionou ainda que, caso a veela não "entrasse na linha" com Theo, ele mesmo iria transformar a vida dela num inferno. Evidentemente, o "entrar na linha" incluía cuidar com extremo zelo de Theodore, pois, segundo Blaise, ele era "o irmãozinho mais novo" das experientes serpentes, todo um "Lufa-Lufa", embora ela não compreendesse bem o que isso significava.

_Gabrielle – e essa era a voz de Blaise. – O medibruxo responsável está te chamando. Parece que ele precisa da sua magia veela.

_Oui... Onde está Gina?

_Ela voltou à mansão para pegar as poções de Theo e outras coisas. Ah, e parece que ia conversar com a senhora Weasley também. Minha mãe a acompanhou.

_Certo...

Blaise a pegou pelo braço e a conduziu pelo longo corredor de paredes e piso extremamente brancos. Nada além do som dos passos de ambos era ouvido, logo, estavam rodeados por feitiços que protegiam os pacientes de qualquer perturbação.

Chegaram ao local indicado. Era um quarto... Mais um entre tantos. A decoração era austera e de uma assepsia cirúrgica. A noite estrelada era emoldurada pela janela, cujos vidros refletiam a iluminação interna.

_Vamos, Gabrielle. Chegue perto dele... Tenha calma, ele está bem agora, certo doutor?

Apenas naquele instante a veela notou a presença do medibruxo. Desde que passara pela porta, só via o marido.

_Ele parece tão... Cansado.

_Ele realmente está esgotado. Seu marido teve uma séria ameaça de aborto. Um segundo a mais e não teríamos como ajudá-lo. Ele sentia muita dor, o que nos causou maior preocupação, pois o sangramento geralmente é indolor, ao menos nas mulheres e nos donceles que passam por esse tipo de situação. Em alguns casos, há uma mínima ou leve dor na base da barriga. Contudo, ele é um varão, o que torna a situação mais complicado. Conseguimos estabilizá-lo, felizmente.

_Por que isso aconteceu? Estava tudo tão bem e ele parecia tão saudável.

_Muitos abortos espontâneos acontecem sem um causa determinada, senhora. Ele passou por alguma situação de estresse recentemente?

A pergunta do medibruxo foi respondida por um aceno de cabeça de Blaise. Gabrielle apenas respirou fundo. Se havia ocorrido alguma situação estressante? Ora, nos últimos dias, Theo mais parecia uma bomba relógio!

_Bem, precisam evitar a qualquer custo que fatos que o alterem voltem a se repetir. Estresse no início da gravidez aumenta e muito o risco de aborto. Cafeína em excesso, banhos muito quentes... Enfim, há uma infinidade de outros comportamentos que podem contribuir para um aborto, entretanto, estresse é o pior deles, ainda mais porque estamos falando de um varão. Toda e qualquer gravidez em um varão é perigosa. Chamei-a aqui, senhora, porque os níveis de magia dele caíram vertiginosamente na última meia hora. O medidor está ativado – e indicou um aparelho grande, parecia uma caixa de metal com marcadores em vermelho. Havia um tubo conectando-o ao braço esquerdo de Theo. – Assim que a magia atingir o nível indicado, o alarme soará.

_E então poderemos levá-lo para casa? – Perguntou a veela, as mãos já em contato com a pele do marido visando lhe passar magia.

_Não, senhora. Primeiro precisamos verificar como o organismo dele vai reagir nas próximas horas, portanto, o senhor Nott ficará aqui mesmo, em observação. Deixo-os, por enquanto. Assim que os níveis voltarem à normalidade, eu voltarei. Há uma poltrona – e indicou a poltrona próxima à cama. – Creio que a senhora vai precisar descansar – concluiu antes de sorrir e sair do quarto.

Theodore parecia esgotado. A pele dele apresentava uma tonalidade amarelada, deixando-o com um aspecto doentio. Havia uma sombra levemente arroxeada sob os olhos fechados e a respiração dele se mostrava pesada.

_Uma ameaça de aborto... Mon Dieu!

_Mantenha a calma, Gabrielle. Pelo que você pode sentir, como ele está?

A veela encarou Blaise com resignação, enquanto sentia a magia sair de si mesma e invadir o corpo de Theodore. Por Merlin, ele estava mesmo muito enfraquecido. Tudo estava bem, na verdade, bem até demais e então, em segundos, o marido colapsou.

_Fraco... Muito fraco. E eu não entendo o motivo. Ele estava bem, com os níveis de magia adequados.

Os dois esperaram até o aparelho indicar que os níveis de magia de Theo voltavam à normalidade. O tal alarme soou, nem muito alto, nem muito baixo, sendo essa a deixa para o medibruxo retornar.

_Ótimo. Agora está tudo bem – e pediu que Gabrielle se afastasse da cama, para que pudesse, novamente, examinar o paciente. – O feto está bem e o pai estável. Não há nenhuma alteração física no momento, portanto, relaxem um pouco. Ele acordará somente amanhã. A senhora deve permanecer aqui, para o caso de precisarmos de mais magia veela.

_Ah, doutor, fique tranquilo quanto a isso. Eu não pensava em ir embora, não sem ele.

O medibruxo sorriu de leve, pois compreendia bem o vínculo no qual um dos parceiros era um veela.

_Imagino que a segunda esposa voltará também, certo?

_Não há dúvida quanto a isso – concordou Blaise. – Quando ela voltar, eu deixarei o quarto e ficarei lá fora. Não é bom magia demais interferindo na recuperação dele.

_A senhora precisa de algo? Uma poção revigorante, talvez?

_Não doutor, obrigada. Eu estou bem. Tenho magia veela de sobra – e se sentou na poltrona, pois, mesmo não desejando admitir, Theodore sugara mais magia do que imaginava.

_Voltarei depois então, para uma nova revisão – disse o doutor para, mais uma vez, deixar o quarto.

Um pouco afastada, mas não o suficiente que não pudesse tocá-lo, Gabrielle acariciou o marido, perguntando-se por que não foi mais atenta. Era culpa dela Theodore estar naquela situação.

_Gabrielle, relaxe um pouco – pediu Blaise, os olhos fixos nas expressões da veela. –Não se atreva a se culpar!

_Como é que...

_Como é que eu sei? Simples: o seu olhar diz tudo, mon amie. Não convivemos muito ainda, mas já posso dizer que a conheço... Theo está esperando um bebê. Isso vai mudá-lo para sempre, não há volta atrás, portanto, supere a fase do "a culpa foi minha", e chegue a fase do "vamos impedir que mais alguma coisa aconteça".

A loira o encarou com surpresa. Ele era mesmo um homem diligente.

_E como faremos isso?

_Para começar, não contaremos a verdade a Theodore, ao menos não completamente. Diremos que ele foi acometido por um mal súbito, daí decorrendo a ameaça de aborto. Dessa forma, ele aceitará o repouso absoluto que o faremos seguir. Contaremos também que ele não pode se estressar, de forma alguma, para ter uma recuperação plena e uma gestação saudável.

_Mentir para Theo?

_Eu nunca disse mentir, disse omitir. Há uma grande diferença.

_Eu omiti a gravidez dele e isso nos trouxe aqui, diretamente ao hospital – relembrou a veela, o rosto novamente com a mesma expressão culpada.

Blaise se aproximou dela, ficando na altura da poltrona. Os olhos escuros dele encontraram os olhos claros de Gabrielle. Ah, era incrível como ele podia enxergar ali toda a preocupação para com o amigo. Theodore teve sorte... Ele era, de verdade, infinitamente amado pelas esposas.

_Os problemas que Theo tem são muito mais antigos, Gabrielle.

_Eu sei apenas por alto, Blaise, pois vocês nos disseram, mas Theo não nos revelou nada desse “passado sombrio”. E eu não sei se desejo forçá-lo a me contar. Eu poderia, sabe? Eu tenho muito poder sobre ele e sobre Gina, coisa de veelas. Entretanto, não desejo usar desses artifícios. Je les aime beaucoup, Blaise. Je ne peux pas faire ce genre de chose avec eux – e respirou fundo, tentando controlar a torrente de palavras em francês que sairiam de sua boca. – Se eu forçar Theo a me contar, estarei sendo um monstro com ele. E eu não quero fazer isso. Ele sofreu tanto quando soube da gravidez...

_Gabrielle, eu mais que ninguém desejo que Theodore seja feliz. Levamos quase um ano para descobrir que o pai dele o torturava da maneira mais vil... Ele só nos disse quando foi encurralado, literalmente. E eu sei que ele precisa fazer as pazes com esse passado, ou então não vai conseguir ter uma vida tranquila. Eu não quero ter que correr com ele, mais uma vez, para um hospital. Não sei se suporto vê-lo gritar novamente de dor, como aconteceu hoje. Eu me sinto responsável por ele. Sei que é inusitado e, para alguns, deveras estranho, mas vejo Theodore como um filho, de verdade. Pansy o tem como um irmãozinho mais novo, mas o meu caso vai além – e riu-se, já antevendo a reação de Pansy quando soubesse que eles estavam no hospital e ela, vejam só, não tinha sido avisada.

A loira então se deixou conduzir pela lábia da serpente.

_Certo, Blaise. Vamos esperar Gina chegar e conversaremos nós três. Se a minha ruiva achar que você está certo, eu serei voto vencido.

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Acordou nos braços do esposo, toda uma maravilha, pois estava mais que necessitado de doses ininterruptas de Severus Snape. Sentia-se muito melhor hoje. E nem um sinalzinho de dor o incomodava.

O rosto do professor refletia calma. Era tão difícil vê-lo daquela forma tão serena que, sem conseguir se controlar, beijou-o na bochecha, como se fosse uma criancinha inocente, tendo ao lado o primeiro amor. Bem, pensar assim lhe fazia se lembrar que, de fato, ele nunca amara ninguém daquele modo antes.

Amar... Amar era mesmo algo novo em sua vida. E o desejo então? Ah o desejo que sentia por aquele homem superava tudo. O amor fez esvanecer toda e qualquer intempérie emocional do seu triste passado. Naquele exato instante, tinha vontade de se lançar sobre ele e agarrá-lo.

_Bom dia, Sirius – a voz grave do marido o retirou de suas reflexões. – No que está pesando? Por que está... Corado?

_Nada! Não estou pensando em nada... Achei que ainda estivesse dormindo.

_Não, eu acordei bem cedo. Já saí do quarto e voltei umas duas vezes... Harry enviou uma carta. Deixei na mesinha de cabeceira – e ao que o esposo bocejou, sorriu. – Está mesmo cansado, não?

Com o cérebro ainda bastante letárgico pelo sono, Sirius tentou compreender como o marido saíra e voltara do quarto, sem que ele nem ao menos notasse. Nossa, devia mesmo estar bastante cansado.

_Gravidez, meu amado esposo. Já está na hora do almoço. Primeiro banho e depois, almoço, certo? Esther já veio aqui mais cedo e avisou que preparou uma deliciosa sobremesa para você e para Remus, pois quer o melhor tratamento para os futuros netinhos – disse em tom de burla, enquanto erguia o esposo da cama.

_Futuros netinhos?

_Sirius, não te contei ontem, mas há algo que precisa saber.

O pocionista falava enquanto desvencilhava o doncel do pijama. A banheira já estava preparada para recebê-lo. Sirius foi afundado com cuidado em meio à água e à espuma, os olhos inquietos aguardando que contasse, enfim, o que quer que fosse que ele “precisava saber”.

_Sev... – E contraiu-se ao sentir os toques do marido.

Reclamar? Claro que não, afinal, por que reclamaria por ter sido levado ao banheiro por Severus? Por que ficaria irritado por ter sido desnudado, pelas mãos grandes do marido para, em seguida, ser ensaboado de forma tão... Libidinosa?

_Não faz assim...

Severus riu, pois sabia que Sirius mal podia se conter. É claro que ter o falo e a entrada acariciados contribuíam – e muito – para que o animago perdesse a linha completamente.

_O que é que você precisa... Hum... Sev! – E inclinou a cabeça para trás, o pescoço exposto para que o renomado professor fizesse o que bem entendesse.

_Como se sente hoje, Sirius? As contusões... Doem?

_Não... Nadinha... Sev. Chega, chega.

Severus não conseguia resistir mais. Teria que fazer com muita calma, ou o machucaria, mas Sirius era todo um deus do sexo. Como, por Merlin, o deixaria andar por aí, sendo alvo dos demais predadores? é, não haveria outra saída: teria que trancá-lo no quarto, para sempre.

_Sev... Tire os dedos daí... Oh, por Circe!

_Certo, vou tirar os dedos... – E fez o desejado, os olhos escuros brilhando de desejo.

O banheiro foi parcialmente inundado quando Severus, já sem roupa alguma, entrou na mesma banheira na qual, instantes antes, ele mesmo banhava o esposo doncel. Com extremo cuidado, posicionou Sirius entre as suas pernas. A banheira era espaçosa, acomodando-os com folga.

_Vou colocar outra coisa então, amado esposo.

_Outra coisa? – E Sirius se acomodou no tórax do marido, num encaixe perfeito.

A água o fazia flutuar acima das pernas rijas de Severus, cujas mãos o envolviam delicadamente, com medo de machuca-lo. Ah, se o marido soubesse o quanto aqueles toques eram curativos para o animago, o foderia todos os dias, todas as horas...

_É... Algo bem maior... Não se mexa. Eu não quero que se machuque. Sua recuperação está bastante acelerada, contudo, não podemos arriscar.

_Não vou me machucar, Sev. O que me fere mortalmente é não ter você dentro de mim.

Por Merlin, Sirius não fazia mesmo ideia do quanto as palavras dele o excitavam. O pior de tudo: tinha plena consciência de que o doncel agia de forma nata, totalmente inocente, desvelando-se para ele – e só para ele –, fazendo-o amá-lo com força ímpar, com um desejo que jamais conseguia ser saciado.

_Sev... – E virou o rosto para trás, beijando-o num movimento dolorido, mas impossível de reprimir.

Severus beijou e mordeu de leve os lábios do cachorro para, em seguida, lamber a nuca e deixar ali algumas marcas, enquanto Sirius sentia o falo do marido, duro como rocha, palpitar entre as suas nádegas.

_Hum... SEV!

A estocada foi certeira e profunda, sendo logo sucedida por muitas outras. O ritmo era lento e pausado, pois Severus não queria lhe causar nenhum sofrimento extra, não mais do que já vinha tendo que lidar. Sabia que era arriscado, mas como não ser vencido pelo charme e sensualidade de Sirius? Ora, poderia até não parecer, mas Severus Snape era apenas um ser humano.

Mais e mais água abandonava a banheira, a cada estocada precisa de Severus. O som do líquido caindo no chão era acompanhado pelos gemidos descontrolados do doncel, pois o “Sev” conhecia o seu corpo como ninguém e, reiteradamente, atingia certo ponto dentro de si que o cegava de prazer.

Queria se virar de frente para o marido e abraçá-lo, ou então, cavalgá-lo, impondo o seu próprio ritmo, mas as mãos grandes e fortes o prendiam naquela posição, sem chance de se soltar.

_Mais rápido, Sev.

Uma das mãos do marido envolveu o seu pênis, apertando de leve, massageando-o num torturante sobe e desce. As sensações se misturaram e ele já começava a sentir o orgasmo se avizinhando.

_Sev...

Severus não atendeu aos pedidos do esposo, pois não podia ir mais rápido. Fazendo uso de todo o seu autocontrole, continuou com as penetrações lentas e certeiras. Sirius tentava se mexer e se projetar contra ele, mas braços fortes e a água impediam, logo, o tinham totalmente sobre controle.

Já o doncel em questão começava a perder o controle. A língua em seu ouvido, o arfar de Severus, as estocadas firmes que o abriam incessantemente e a força imprimida à masturbação em seu falo... Ah, era demasiado... Demasiado para ele fosse capaz de prolongar momento e manter o marido, para sempre, dentro de si.

Severus sentiu os espasmos de Sirius, sentiu-se ser deliciosamente apertado e derramou-se dentro dele, abraçando-o com carinho, até que a respiração de ambos se normalizasse. Aproveitou para acariciar a barriga redondinha que tanto o deixava feliz. Nunca, em momento algum, poderia imaginar-se como pai. E agora... Não conseguia imaginar-se sem ser pai.

_Sev, eu não quero sair mais da banheira... – Disse manhoso, ao que o marido riu com gosto.

_Temos que sair...

Alguns minutos depois e com o banho finalizado, Sirius era colocado na cama mais uma vez. Evidentemente, o bico emburrado estava de volta, pois Severus não permitira que fosse almoçar junto com os demais, como “uma pessoa normal”, segundo o animago.

_Sirius, não vou discutir. Você está em repouso, entenda.

_Eu estou bem, juro.

O pocionista acabou de pentear as melenas do esposo e o encarou.

_Ainda não é o momento de ignorar as indicações médicas, portanto, não insista. O fato de ter tão descaradamente me seduzido agora a pouco na banheira, não significa que eu vá permitir que burle as indicações do medibruxo e comprometa a sua recuperação.

_Eu não te seduzi! – E o tom indignado fez o professor voltar a rir.

_Claro que me seduziu... Você me seduz só por existir, cachorro – e o beijou com fome, antes de se afastar.

_Sev, vai me deixar aqui de novo, sozinho?

_Claro que não. Vou apenas dizer a Esther que ela já pode subir e almoçar contigo, afinal, você tem muitos admiradores, amado esposo. Eu voltarei logo. No momento, preciso impedir que Lucius encarcere Remus eternamente no quarto — e riu-se internamente, pois ele mesmo tinha essa vontade, com relação ao esposo.

_Lucius encarcerar Remus? Do que, por Circe, você está falando?

_Lucius descobriu que o seu amigo é um lobo ômega – e avaliou a expressão de total espanto que Sirius sustentava. – Ele é um alfa... Pode entender o problema, certo? Remus está com ele desde ontem. Lucius inclusive já contou a Teddy que, veja só, Remus e ele estão noivos e que se casarão em breve.

_Oh, por Circe... Por isso você me contou que Esther...

_Exato, Esther está mais que feliz com o fato de ter, em breve, dois bebês para mimar. Para uma trouxa, ela até que está aceitando os magos muito bem.

Sirius estava sem chão. Como assim, dois bebês?

_Lucius e Remus já...

_Oh, Sirius, por Merlin, não seja tão inocente. Eles não passaram a noite inteira trancados no meu antigo escritório jogando xadrez bruxo! – E saiu, deixando o esposo mais vermelho que a sala comunal da grifinória.

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O almoço transcorreu sem problemas e, de fato, foi muito divertido. Draco aproveitou o momento para, sem "nenhuma" má intenção, mencionar que a presença às aulas seria pontuada, logo, as faltas de Hermione teriam comprometido a nota de toma irremediável. O "irremediável" foi dito com uma face bastante dramática, deve-se destacar.

Era incrível como a castanha se deixava levar pelos comentários de Draco. Harry ria com gosto e, inutilmente, tentava acalmar a amiga. No fim da refeição, a sabe-tudo já tinha todo um plano para convencer os professores de que ela não deveria ser prejudicada, pois era uma estudante exemplar e, caso fosse necessário, faria trabalhos extras.

A manhã passou demasiado rápido e logo Harry estava sozinho novamente. Escreveu uma carta para a senhora Weasley, ao que foi logo respondido. Ele poderia ter usado o flu, mas preferiu não se aproximar da lareira antes de saber se isso não afetaria suas filhas. Além do fato de que já tivera que lidar com o enjoo, um bem severo, mais cedo e não estava muito inclinado a ter mais uma conversa íntima com o vaso sanitário.

Parte da tediosa tarde fora gasta entre lanchinhos, gentilmente trazidos por Dobby, e leituras, indicadas por Hermione, sobre como cuidar de bebês, mas a mente não absorveu muito do conteúdo dos livros. A mente estava distante, imaginando em como deveria ser interessante cursar uma faculdade. Gostaria de tentar a carreira acadêmica, mas o que faria? E pior: como faria?

Bem, tirando o fato de que Draco não ficaria nada contente com ele saindo de casa, ao menos não grávido e com uma escolta policial, sabia que a faculdade teria que aguardar... Teria suas meninas em breve e levaria certo tempo para que as duas pudessem ter uma mínima autonomia, ou seja, demoraria para que as gêmeas pudessem ficar um tempinho sem ele por perto, pois, pelo que podia supor, seria quase impossível que afastasse por algumas horas.

As gêmeas iriam requerer muita atenção e cuidado. E não é que fosse cuidar delas sozinho, não mesmo, contudo. Ele era a mãe, por falta de palavra mais adequada a utilizar. Leu sobre donceles também e ficou espantado com o aconteceria no seu próprio corpo, em especial nos meses finais gravidez. Seria todo um desafio manter a cabeça no lugar, pois, apesar de compreender que ele, Harry Potter, era um doncel, saber o que lhe aguardava era, no mínimo, assustador.

Evidentemente, ele não era uma mulher. Após litros de lágrimas, aceitou que também não era um varão. Enfim, Harry Potter, o herói, o Eleito, era um doncel e ser um doncel, bem... Digamos que não era nada fácil. Por Circe, imaginava como o padrinho estava lidando com as mudanças. Pelo que verificou nos livros indicados, o seu corpo já estava em transformação desde que engravidou.

Os mamilos doíam e, inesperadamente, estava começando a perceber um certo volume ao redor deles. Seios? Não, não diria dessa forma, mas não podia negar que a cada dia ficava mais apavorado. Ok, ok... Draco já estava se divertindo bastante os lambendo, sempre que podia, mesmo estando sensíveis, ou então, os sugava com ímpeto, apalpando-os com gosto, desde que começaram a aumentar. “Ora, como você acha que nossos bebês serão alimentados? Por mágica? Oh, por Merlin! São pequenos e deliciosos seios, amor”, foi a resposta delicada do marido quando, num pânico camuflado, se questionou sobre o porquê de estar ganhando volume naquela região.

Tendo a mente tomada por maiores questões e, obviamente, com receio do que o marido fosse responder, decidiu elucidar os próprios medos. Sabia que Hermione tentara lhe ajudar nisso antes, na verdade, muito antes, assim que "se casou". Entretanto, naqueles tempos conturbados, ele se empenhava em ignorar a tudo e a todos que o haviam colocado naquela situação, ou seja, estar casado com Draco Malfoy.

Agora percebia que, se tivesse ouvido a amiga, não teria tantas dúvidas acerca do que era e de como o seu corpo levaria a termo a gestação. Bem, fato um: sim, ele amamentaria as suas filhas. Todos os donceles o faziam. Fato dois, que lhe causara um horror ainda maior: o parto seria completamente natural. Precisou ler e reler as informações, além de ver e rever bem de perto as fotografias mágicas, para ter certeza de que não estava alucinando. E como queria estar alucinando!

Imaginou, em sua quase divina inocência, que teria as meninas por um método bastante trouxa, enfim, uma cesariana. Afinal, muitas mulheres se submetiam ao procedimento. Bem, é lógico que, com ele, Harry Potter, as coisas seriam um pouquinho – só um pouquinho – mais complicadas.

Entre os pensamentos sombrios acerca da sua condição, levou o livro sobre doncelaria para o quarto, se acomodando na cama para prosseguir na leitura. O método natural ocorreria devido às mudanças que seu corpo vinha sofrendo. Pelo que entendeu ele... Oh, por Circe, seu corpo geraria uma saída para o bebê! Uma "outra saída para o bebê".

Como? Ah, era no mínimo constrangedor, mas o que poderia ser mais constrangedor do que ser revirado do avesso pelos medibruxos, ou, pior ainda, por Snape e Madame Pomfrey? Ser um doncel não era nada fácil... Não gostava nem de pensar na possibilidade. Queria sumir de tanta vergonha!

_Boa noite...

A voz do marido o surpreendeu. Quando tinha chegado?

_Nossa, essa leitura deve estar mesmo muito interessante. Estou te observando por alguns minutos e você nem sequer sentiu a minha presença, Harry. Estou com ciúme desse livro!

_Já anoiteceu?

O loiro lançava feitiços e Harry pode notar que os mesmos enviavam roupas limpas para o banheiro.

_Harry, já anoiteceu faz mais de uma hora. Por favor, me diga que você não dormiu a tarde inteira novamente!

_Não dormi... Estava lendo sobre bebês e...

_Donceles – terminou Draco, assim que identificou a capa do livro que o esposo trazia nas mãos. – Harry, se está com qualquer dúvida, pode perguntar a mim mesmo. Não estudo medimagia só para passar o tempo, sabe?

Harry nem respondeu a provocação, pois ficou bastante vermelho. Tinha sim algumas perguntas, mas não queria perguntar nada para Draco. Era... Vergonhoso.

_Não, não tenho dúvida alguma! – E corou mais ainda.

A estranha reação deixou o marido curioso. O veela, com extrema agilidade, se projetou sobre a enorme cama, os olhos encontrando as páginas do livro que Harry não foi capaz de esconder a tempo.

_Então é esse o problema, amor?

_Você não ia tomar banho? – E fechou o livro com força, agora com as bochechas já queimando. – Eu vou descer... Estou com fome.

_Nada disso – e o abraçou, jogando o livro para o lado. – Vamos tomar um banho juntos. Aí eu te explico... Direitinho... Os detalhes da doncelaria.

Harry não soube bem como, instantes depois, já estava dentro do banheiro, nu e com as mãos de dedos longos do marido lhe apalpando, sem pudor algum. Draco Malfoy era, para todos os efeitos, um veela mais que abusado.

_Eles são lindos e vão continuar, mesmo depois do parto – começou Draco num tom professora, ao apertar os mamilos e o “volume”, que Harry se recusava a associar a seios. – Vou gostar disso, não posso negar. Já aqui embaixo – e a outra mão agora estava em seu falo, já duro e gotejante. – Bem, as coisas serão um pouquinho diferentes.

Harry não conseguia raciocinar bem com todas aquelas carícias lhe provocando milhares de sensações distintas. Ter o veela sobre si era algo que o desnorteava. Sentir os toques dele, os beijos molhados... Ah, era o céu.

_Draco... Para de me provocar! – E o arranhou nas costas, exigente de maiores atenções.

As melenas escuras de Harry emanavam um perfume tão sedutor, que Draco poderia se perder nele, caso não se controlasse. Ah, por Merlin, o leão nunca faria ideia de como era arrebatador.

_Não estou provocando, Harry, estou ensinando.

Com rapidez e cuidado, colocou o esposo sentado na borda da banheira, com as costas apoiadas na parede. Abriu as pernas, acomodando-as em seus ombros. Ah, era uma visão deliciosa: Harry entregue aos seus desejos mais impuros, aberto para ele... Engoliu o pênis carente de atenção sem demora, obtendo como resposta um interminável coro de gemidos.

Um dos dedos logo adentrou aquela entrada, pequena e rosada, asfixiante. Harry o agarrou pelos cabelos loiros, já molhados, dando o ritmo que deseja à felação. Não que se importasse, ao contrário. O que mais desejava era dar prazer ao doncel, pois a recompensava era, sempre, incrivelmente satisfatória para si também.

Sentia as pernas do esposo se movimentarem sobre seus ombros. Ah, estava perto, ele sabia... Sugou com ainda mais empenho, já com três dedos dentro do canal apertado que logo o receberia. Encontrou certo ponto com facilidade, pois já o conhecia até do avesso, e nele concentrou os movimentos circulares dos dedos. Harry sucumbiu instantes depois, derramando-se em sua boca. Ah, aquele néctar! Ele não desperdiçou nem uma gotinha sequer...

_Ah, saboroso... – E levantou o olhar acinzentado e predador, encontrando um rosto com bochechas acaloradas, os cabelos escuros se embolando em meio ao suor gerado pelas práticas nada pudicas. – Se pudesse, o beberia inteiro, Harry.

O doncel nada respondeu. Ainda sentia o corpo estremecer pelo orgasmo poderoso que Draco lhe proporcionou.

_Começará por aqui, Harry... – E entre o prazer, sentiu a língua do marido em seu períneo.

Draco demorou-se naquela região, lambendo-o com calma. Depois se afastou, sorrindo cheio e malícia.

_Depois, o saco escrotal vai ser afetado também... Posso estar equivocado, mas já começou. Posso afirmar que – e massageou os testículos, ao que Harry suspirou – estão relativamente menores. No sétimo mês, será como se nunca tivessem existido.

_O que... O que está falando? Então eu... Eu vou ficar sem as minhas bolas mesmo?

_Que vocabulário! – Disse em tom de burla. – Você viu as fotografias do livro, Harry. Aqui – e o apalpou com vontade, fazendo com que endurecesse novamente – se formará o que, em anatomia donceliana, chamamos de fente femme. Não gosto do nome, mesmo sendo francês. Não é um nome adequado, contudo, foi consagrado assim.

_Fente femme? O que quer dizer?

_Fenda feminina – e riu da cara de desagrado que Harry sustentou. – Eu disse que não era um bom nome.

_Como assim, fenda? Vai ter um... Buraco aí?

As gargalhadas de Draco irritaram Harry de verdade e, caso o loiro não tivesse agido rápido, teria ficado sozinho na banheira – e com uma ereção dolorida para que solucionasse igualmente sozinho.

_É só uma passagem para o bebê, Harry. Quando a abertura se formar completamente, é o indicativo de que o parto acontecerá. Acontece com todos os seres mágicos que podem gerar a vida, exceto nas mulheres, afinal, elas já tem uma vagina.

_Isso é um horror completo! – Rebateu, mas todo o sentimento negativo que tinha começou a ser nublado pelo forte abraço que Draco lhe dera, apertando-o contra ele.

_Não é não.

_Claro que é! Eu poderia, perfeitamente, fazer uma cesariana, como as trouxas fazem...

_Não, você não poderia. É o que Theo fará, mas não você. Harry, a doncelaria é uma dádiva. Donceles são seres preciosos... Mais ou menos dois meses depois do parto, tudo volta ao normal, fique tranquilo. E eu nem poderei me divertir, sabe? – E o beijou sem aviso, impedindo que o xingasse pela recente gracinha. – A anatomia dos donceles é muito restritiva, eu diria. A mudança é apenas para o nascimento do bebê, nada mais. Tentar alguma “brincadeirinha” pela passagem seria muito cruel. O doncel sofreria tanto. Há relatos de que muitos morreram assim...

Os olhos verdes se abriram mais e mais.

_Isso é... Sério? Tentam fazer... Isso... Com alguém que acabou de dar a luz?

Draco o beijou novamente, já desejando mudar de assunto. Não estava gostando das lembranças que aquela conversa lhe trazia. A última conversa que teve com o padrinho o deixou mais e mais alerta... Não! Não queria lembrar... Nunca compactuaria com tamanha atrocidade.

_Sim, alguns... Harry, olhe para mim – e assim que teve a atenção completa dele, prosseguiu. – Eu te amo. Nunca faria algo assim com você.

_Eu sei, seu metido – e sorriu. – Mas não gostei dessa história de fenda de não sei o quê... Eu não sou uma mulher, Draco!

_Ah, eu sei... – E o virou de costas pra si, mal dando tempo a Harry de apoiar as próprias mãos na borda da banheira.

O instinto protetor do seu veela o dominou. Não queria mais nem imaginar qualquer ato ou atrocidade que pudesse ferir Harry. Harry deveria ser amado, apenas amado, de todas as formas possíveis e imagináveis.

_Ah, Draco... Assim... Assim você me enlouquece!

Harry não estava exatamente reclamando, não mesmo. Draco sabia fazer com que se esquecesse de tudo e, obviamente, até dele mesmo. Aqueles beijos descarados na nuca? Ah, não conseguia nem raciocinar.

_Harry... – E mordeu a orelha do leão, ao mesmo tempo em que o penetrava de uma só vez, sem nem sequer avisar.

Draco o abraçou com cuidado, acariciando a barriga volumosa, os mamilos e todas as partes do corpo do seu deus particular, todas as que conseguia ter acesso. Ah, como queria ter mais do que, somente, duas mãos.

O calor entre eles chegou a níveis altíssimos, em especial quando a magia veela os envolveu. As estocadas eram fortes, sacudindo o corpo do leão, enquanto este gemia novamente, sem pudor algum. Não estava nem um pouco irritado pelo fato de ser penetrado sem, nem ao menos, um mínimo aviso. Procurava, inclusive, ajudar as investidas do marido, fazendo o movimento inverso, indo de encontro ao falo rijo e volumoso do veela.

Àquela altura, o banheiro devia estar uma tremenda bagunça. O calor era tamanho... Nossa, mal conseguia se manter apoiado na banheira. Havia algo diferente no marido e ele não sabia explicar o que, afinal, o fazia se sentir daquele modo com relação a Draco.

_ Mais... Mais, Draco. Mais fundo!

Tampouco sabia explicar o porquê de estimular mais e mais as penetrações do veela. Talvez fosse algo de donceles, mas sentia que deveria deixar claro que Draco era perfeito para ele, que Draco era o único que lhe importava...

_Ah, assim... Assim... Só você sabe fazer como eu gosto, Draco...

_Eu te amo, Harry.

As estocadas cadenciadas do veela não lhe davam tempo para respirar. Uma, duas, três... Inúmeras vezes sentiu o orgasmo chegar, mas era a magia veela que o impedia de gozar. Draco queria prolongar o momento.

Sentiu os dedos longos envolverem seu pênis, iniciando um delicioso sobe e desce, no mesmo ritmo do entra e sai dentro de si. Oh, por Circe, estava derretendo! Suas entranhas se liquefariam, caso Draco não o deixasse gozar logo. Não sabia que era possível sentir tanto prazer assim.

O loiro arfava em seu ouvido, já sem capacidade alguma para conectar frases inteiras. Chupou e mordeu seu pescoço com voracidade animal... Certamente, ficaria uma bela marca ali. Na verdade, parou de contar as marcas que o marido deixava nele. Draco tinha um prazer desmedido em registrar na pele dele os momentos quentes que passavam juntos.

Estariam já por horas naquela dança enlouquecedora? Não saberia dizer...

_Draco, amor... Por favor... Por favor...

Então o loiro não mais aguentou manter as estocadas, explodindo dentro dele, preenchendo-o até o limite, enquanto sentia Harry fazer o mesmo, em sua mão. Abraçou-o ainda dentro dele, sem ter a menor intenção de deixá-lo se afastar, nunca... Jamais.

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Lucius saiu rapidamente do quarto e chegou, com pressa, à sala. Deixara Remus no banheiro e, evidentemente, tinha planos de mantê-lo no quarto o resto do dia.

_Lucius, deseja algo?

_Oh, não mamãe. Vim apenas para...

_Senhor Malfoy? – E a voz de Pansy Parkinson chamou a atenção de Esther, afinal, não era todo dia que se via uma cabeça composta por chamas falando normalmente.

_Sempre pontual, Pansy.

A loira então, usou a rede de flu e logo estava ali, de corpo inteiro, um corpo de carne e osso, dessa vez.

_Aqui está o que o senhor me pediu. Segui as medidas que o senhor me passou mais cedo, contudo, espero que Madame Malkin tenha acertado. Evidentemente, ela não gostou muito de ter que ajustar essas peças sem, nem ao menos, ver o cliente. O restante do que solicitou, segundo ela, precisa da presença dele, mesmo sendo um pedido urgente. Bem, aqui está – e retirou alguns pacotes reduzidos da pequena bolsa que trazia. – Já as higienizei, como solicitou. Contudo, não entendo o motivo de não ter se comunicado comigo pela lareira do escritório, senhor Malfoy.

_O escritório está um pouco... Bagunçado – revelou, já guardando os pacotes.

_Bem, eu posso organizá-lo para o senhor...

_Não! Não é necessário... Eu faço isso, mais tarde.

_O senhor? – E como Lucius parecia irredutível, prosseguiu. – Pelas medidas, essas vestes não são para o senhor, certo? Pelos dados que tenho, suas medidas são maiores, apesar de ter emagrecido um pouco.

Esther sorriu malandramente, já imaginando para quem o filho teria solicitado as tais “vestes”. Ah, Lucius era deveras divertido. Caso Fred estivesse em casa, teria rido bastante daquela situação.

_Não são para mim... Aproveite para pedir algumas vestes novas para mim também, Pansy. Quanto a ir até o beco diagonal, bem, está fora de cogitação. Peça à Madame Malkin que faça as peças assim mesmo, sem a presença do “modelo”. Ela é bastante competente, portanto, tenho certeza de que as demais vestes ficarão primorosas.

Teddy estava comendo um delicioso bolo preparado por Esther e, assim que ouviu a voz de Lucius, correu até a sala.

_Meu papai já acordou? – Perguntou o garotinho, ao invadir o espaço pessoal de Lucius e lhe puxar pelas vestes.

Papai? Ora, por que Teddy perguntaria a Lucius sobre Remus? Ah... A pergunta alertou a habilidosa serpente Pansy Parkinson. Nada lhe escapava.

_Teddy está inquieto, Lucius. Remus já vai descer?

_Edward – e Lucius se achou, para ficar na mesma altura do garoto. – Em mais algumas horas o seu papai estará aqui. Ele acordou agora mesmo e está tomando banho. Como eu expliquei mais cedo, Remus está um pouquinho diferente, portanto, vamos deixá-lo bastante confortável, certo?

_Então eu vou ter mesmo um irmãozinho?

Esther riu com gosto e Lucius sorriu cheio de malícia.

_Ah, não tenho dúvida alguma, Edward.

Teddy então o abraçou e o beijou na bochecha. Logo em seguida, o filho de Remus sorria feliz e usava dos seus próprios poderes para, sob o olhar atento e cheio de orgulho de Lucius Malfoy, alterar a cor e o tamanho dos próprios cabelos.

_Edward, você ficou muito bem. Seu papai adora os loiros – e subiu escada acima, deixando uma Esther ainda risonha, um Teddy saltitante e uma Pansy extremamente curiosa.

Notas finais
_Bom dia, senhorita Parkinson. _Bom dia – respondeu com educação, assim que aparatou na empresa. Poderia ter usado a rede de flu mais uma vez, contudo, aproveitou para comprar um café no beco diagonal. _Já tenho preparados os relatórios para que o senhor Malfoy assine. _Ótimo, deixe-os separados. O senhor Draco Malfoy virá em breve para acertar essas pendências. Estarei na sala da presidência. Nem tive tempo de entrar lá hoje, não é? _Sim senhorita. Envio o seu almoço mais tarde, como sempre? _Sim, por favor. Obrigada. A loira estava mais que curiosa. De onde, afinal, vinha aquela relação de intimidade dentre Lucius e Teddy. E, por Merlin, o garotinho se transformara numa cópia em miniatura de Lucius, bem diante de seus olhos. Ah, descobriria logo, logo o que estava acontecendo. Bem, não era lá muito correto abusar da confiança do chefe, contudo, ela queria apenas cuidar do senhor Malfoy. Não poderia permitir que nada de grave lhe acontecesse, não é? Não, não mesmo... _O senhor Lucius estava mesmo muito estranho... E ele mesmo arrumar o escritório? – E Pansy seguiu falando sozinha, enquanto se sentava e se preparava para trabalhar. Contudo, antes que pudesse ler o primeiro dos muitos memorandos sobre a mesa, identificou um pisca-pisca incessante, oriundo da aparelhagem trouxa que o senhor Malfoy indicou que fosse instalada, servido para comunicação mais direta entre ambos os escritórios. _Como é que isso funciona mesmo? – E começou a mexer em alguns botões, enquanto mirava com atenção a tela a sua frente. O aparelho funcionou e não parecia acontecer nada demais. Chegou a ler alguns memorandos enquanto, tediosamente, as imagens seguiam na mesma monotonia. “Bem, acho que já terminamos... Amanhã terei tempo de sobra para sugar de Pansy Parkinson toda a informação que desejo aprofundar” “Eu ainda não organizei todos os...” “Agora quero falar sobre nós dois” “Não há um “nós dois”, Lucius” “Remus, será mais fácil se você apenas parar de atuar...” “Ei! Solte-me!” “Não...” Demorou apenas mais alguns segundos para que Pansy, boquiaberta, começasse a tecer as ligações entre as estranhas atitudes do Lucius, de Teddy e de Esther. Com um rápido feitiço, a loira de infarto lacrou e insonorizou a sala, afinal, não poderia perder detalhe algum daquele excitante vídeo. _Oh, por Merlin! Agora vejo de onde Draco tirou toda aquela técnica...