Submisso

50 Capítulo 50 - Miraculoso


Notas iniciais
>Olá!!! CARAMBA! CAP 50!!! Isso merece uma comemoração! UHU!!! >Eis que voltei, de viagem e para a fic tb, mas naquele esquema de vindo com menos frequência, monografia, vida, essas coisas... XD >Amei os comentários e, puxa vida, amei mais ainda a lindíssima e emocionante recomendação da Bruna Stellet . Obrigada mesmo! Fico imensamente feliz que a fic esteja agradando. Espero não decepcionar! XD >Como estive fora, meus lindos e lindas, não tive tempo de responder aos (necessários e maravilhosos) comentários, portanto, até amanhã (ops, já é amanhã... KKK) o farei! >Esse cap vai deixar a galera com gosto de quero mais, eu sei, mas não resisto a um bom suspense! KKKK Vcs sabem... Espero que curtam. >Aos erros... Ah, são quase 2 da manhã! (eu revisarei tudo depois! Sou apenas eu aqui... Eu e minha mente maluca kkkk) >Sem mais, MIRACULOSO!

Capítulo 50 — Miraculoso

_Ainda não entendo... Por que o professor Snape não pode vir aqui?

O quarto do casal ainda estava com as cortinas fechadas. Algumas poções haviam sido ministradas, mais especificamente, uma para tratar a gripe, adquirida em certas atividades na orla de determinado chalé, e outra para manter a pressão arterial estabilizada.

_Amor, não vamos falar sobre isso novamente... – Recomeçou o loiro, já aliviado pelo fato de o esposo não ter mais febre alguma. – Meu padrinho é um homem cheio de manias, mas se pediu que eu fosse vê-lo em Prince's House, é porque deve ser algo importante e sigiloso. Eu contarei tudo a você, fique tranquilo. Além do mais, logo, logo Molly chegará aqui e te mimará tanto que você ficará intragável por semanas.

Harry riu com gosto daquele comentário, principalmente porque, bem no fundo, havia algo de verdadeiro nele. Sabia que Molly se comportaria exatamente como Draco descrevera.

_Você ri porque é conivente, oh grande herói. Enquanto eu tenho que enfrentar um dia infernal, pois além de verificar o que o meu padrinho deseja de mim, preciso ir direto à universidade e também passar pela empresa, você ficará aqui, sendo alvo da dedicação de Molly... Deveria ter vergonha, Harry... Abusando da boa vontade alheia...

_Eu nunca fiz isso. A senhora Weasley me ofereceu algo que tive por momentos muito raros em minha vida: amor de mãe. E aí, meu caro, eu segurei rápido entre os dedos, como o bom pegador que sou, sem esperar que ela mudasse pudesse de ideia – e sorriu, acariciando o próprio ventre. – Fiquem tranquilas, minhas lindas, vocês terão amor de sobra. Vamos deixar esse seu pai atarefado pra lá...

Draco sustentava um cabelo impecável e trajava vestes claras, sérias e dignas, como todo um poderoso Malfoy. A sua saída para ir ao encontro do professor de poções se daria em instantes, mas... Como deixar a alcova? Como simplesmente sair porta afora, ao ver aquela cena tão deliciosa? Ah... Como resistir? Como se segurar ao ter aquele espetáculo único diante de si? Harry de pijama, o rosto ainda meio sonolento, mas perfeito – como sempre – e acariciando a barriga já protuberante... Irresistível, simplesmente, irresistível.

Voltou até a cama, sentou ao lado do esposo e o beijou com lentidão e interesse demasiado, tanto que precisou se controlar para não desnudá-lo novamente e ignorar qualquer chamado – urgente ou não – do padrinho. Afinal, Snape compreenderia, não é?

_Draco... Espera... Se você continuar, vai se atrasar.

_Está me expulsando de casa? – Perguntou com voz de cobiça, os olhos de harpia mirando diretamente as íris esmeraldinas.

Harry se remexeu e conseguiu se desvencilhar do marido. Era incrível aquela habilidade que Draco tinha para deixá-lo sem roupa, sem que nem ao menos se desse conta... Como a parte superior do pijama fora arrancada de si tão rápido?

_De forma alguma, mas a senhora Weasley vai chegar. E sinto que trará Madeleine com ela... Não quero que a sua performance assuste a garotinha.

Madeleine... Ah, por Merlin! Optou por não estressar o esposo, mas realmente não conseguia gostar da presença da cria da Skeeter, ainda mais gravitando ao redor de Harry. Acariciou a barriga na qual os seus bebês estavam – Pansy e sua loucura de “meninas”, por Merlin! -, perdeu-se rapidamente em mais um beijo e se despediu.

Antes de deixar Malfoy Manor, passou todas as instruções ao fiel elfo adorador de Harry Potter... Do lanche ao jantar, além de todas as poções que deveriam ser ingeridas pelo esposo até o horário que pudesse, enfim, reencontrá-lo. Após Dobby reafirmar que faria tudo para que o “amo Harry ficasse bem com as suas meninas” – maldita Pansy, já tinha contaminado até o elfo com aquelas loucuras -, se dirigiu à lareira, imaginando o que, afinal, de tão importante o padrinho tinha para tratar consigo.

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O sol começava a adentrar o quarto... Foi o suficiente para fazer Theodore acordar. Abriu os olhos com uma preguiça incomum. Nunca fora assim... Sempre primou por acordar cedo e começar o dia de forma serena. Contudo, agora só desejava ficar na cama o resto da jornada, curtindo a maciez do colchão e o calor dos dois corpos menores, perfeitamente encaixados ao seu.

Gabrielle e Ginevra... As duas haviam dormido com ele, literalmente, agarradas a ele. Oh, devia ter deixado ambas bastante assustadas... Nem conseguia se lembrar de como fora parar na cama, para começar. Lembrava-se apenas de um cheiro que fez seu corpo inteiro entrar em revolução imediata, depois de correr até o banheiro e quase perder a alma junto com todo o conteúdo do próprio estômago.

Como pôde se soltou dos múltiplos braços. Estava faminto... Nem ao menos cogitou a possibilidade de escovar os dentes. A sua mente traçou um caminho sem desvios entre a cozinha e ele. Rápido e sorrateiro, tal qual as serpentes mais habilidosas, em instantes tinha ao redor de si a imensa cozinha da nobre casa dos Nott. Notou que os elfos estavam a pleno vapor, quando ouviu a voz de alguém. Oh não... Por que, Merlin?

_Bom dia, Theozinho... Já de pé? Pensei que fosse descansar mais... Bem, como você nem se dignou a trocar de roupa... Parece mesmo que voltará para a cama em breve, não é?

Lá estava Pansy Parkinson, dando ordens aos seus elfos que, sem pestanejar, a obedeciam. Percebeu que a loira preparava a mesa do café, além do fato de estar completamente pronta para ir trabalhar.

_Sabe... Vou comprar uns pijamas novos para você, meu amorzinho. Esse aí não ressalta a cor dos seus olhos. Deveria pedir às suas esposas que o destruíssem numa noite tórrida de paixão – e riu.

_Bom dia para você também, Pans – e o tom de voz era bastante irritado. – Como vê, estou acordado, mas ainda vestindo o meu pijama que não ressalta a cor dos meus olhos e que, ora vejam só, está inteiro e assim ficará por mais umas duas gerações! – E caminhou em direção à mesa para a qual se destinavam os elfos.

Sem nem ao menos esperar, Theodore puxou uma das cadeiras e se sentou, a boca salivando diante de tantas delícias dispostas na sua frente, a raiva dos comentários maldosos de Pansy já relegada ao esquecimento. Contudo, antes mesmo que pudesse pegar um pedacinho de bolo, novas regras foram “ditadas”.

_Nada disso, Theo. Sua alimentação será totalmente diferenciada – e floreou a varinha, fazendo aparecer na frente do seu “irmãozinho” um saudável – e detestável – desjejum. – Refeições equilibradas, poções de toda a ordem, controle dos níveis de magia... Ah, sabe... Fico feliz que tenha bons administradores para os negócios, Theo. Não poderia nunca assumir responsabilidades num momento tão... Delicado...

O sonserino a fulminou com o olhar, mas nada disse, pois foi surpreendido pela chegada do vice-ditador, Blaise Zabini.

_Beba isso – e lhe enviou um frasquinho com uma poção feita pelo professor Snape. – Deve bebê-la antes de ingerir qualquer alimento. Ontem nos deu um grande susto... Pelo visto, precisaremos ficar por aqui mais tempo do que planejávamos Pans.

Resmungando algo sobre o fato de não ser nenhum bebê, o grávido decidiu tomar o café da manhã, mesmo que já pudesse prever que seria muito sem graça.

_E as suas esposas?

_Dormindo, Pans, mas não reparei se estão usando pijamas – e sorriu maldoso.

_Pobrezinhas... Elas ficaram muito preocupadas. Voltei antes de Pansy e as encontrei em frangalhos. Theodore, você precisa parar com esse comportamento infantil. Aceite o fato: sua esposa veela foi mais rápida que você no quesito procriar!

_Blaise! – Reclamou Theo, mas não conseguiria mudar o tema da discussão, muito menos a forma tão descarada como o tema era abordado.

As gargalhadas de Zabini encheram o ambiente e Pansy fez coro, deixando-o ainda mais vermelho, embora não soubesse precisar se era de raiva, ou de vergonha... Ou devido aos dois. Zabini ficou de pé, sendo acompanhado pela loira. Os dois trajavam vestes impecáveis e muito sérias.

_Theozinho, Blaise me acompanhará, mas voltará para almoçar com vocês. Eu passarei o dia na Malfoy C.O., portanto, devo voltar apenas no fim da tarde. Instruí seus elfos a seguirem à risca a sua dieta. Já os horários das poções estão lá em cima, no quarto. Os seus níveis de magia caíram bastante... Então, por favor, não faça nada estúpido, faça sim é muito sexo com as suas esposas, principalmente, com a linda veela francesa. Rasgue esse pijama, mon amour!

_Exatamente. Aproveite que ficará sem a sua varinha por um bom tempo e descarregue essa frustração em algo positivo, se é que pode compreender...

Os dois saíram deixando um chocado Nott, ainda com uma porção de frutas por terminar. O rubor nas bochechas queimava de verdade... Quando é que os amigos ficaram assim, tão pervertidos? Não era capaz de definir o momento preciso...

Resignado a aturar a presença descarada da dupla sonserina, dedicou-se a terminar com a porção de mamão com granola e mel... Uau, toda uma delícia! Estava mesmo amando a maternidade! Toda uma grande porcaria...

Queria comer ovos mexidos cheios de bacon, presunto cru sem limite algum, panquecas carameladas... E bem que tentou, mas Pansy era maquiavélica... Bastava tentar pegar um alimento fora da "dieta do sofrimento", como já passara a pensar naquele calvário alimentício, o mesmo desaparecia, ou se transformava em algo adequado ao seu “estado”, deixando-o apenas mais frustrado.

_Bonjour, Theo.

Gabrielle... Ah, não estava de humor para as investidas da esposa.

_Acordou bem? – E a expressão de genuína preocupação que sustentava o amoleceu.

Encarou profundamente a veela, permitindo-se aquecer pela aura mágica dela. Hum... Era tão gostoso... Queria mais... Precisava de mais... Muito mais...

_Acordei melhor... Obrigado por ontem...

_Oh, mon amour... Você não tem que me agradecer por nada – afirmou a loira, ao mesmo tempo em que caminhava lenta e sensualmente em sua direção.

Será que Gabrielle só tinha aquelas camisolas decotadas e cheias de renda no guarda-roupa? Emprestaria um pijama mesmo para ela, urgentemente! Por Merlin, era mais que tentador... Nem queria imaginar no que sentiria quando a ruiva se unisse a eles.

_E Gina?

_Dormindo ainda. Creio que ela ficou mais preocupada que eu... – E já estava colada a ele, sussurrando bem juntinho ao seu ouvido. – Ah, Theo. Você nos preocupou muito, mon cher mari.

O beijo quente e molhado destinado ao lóbulo esquerdo, com mordidinha e tudo, aliado à magia veela que se expandia e o excitava... Nossa, quase gozou apenas com esse ínfimo toque. Ele não queria sucumbir assim tão fácil... Queria mostrar que se sentia mal por tudo o que acontecera e...

_Aaaah, Gabi... – Ele se sentia mal pelo que mesmo? – Sem beijos...

Gabrielle praticamente abocanhou o pescoço do marido, deixando marcas de chupões bem dados e cheios de desejo. O toque aveludado dos lábios dela o incendiavam.

_Theo... Quero você, Theo...

A veela não esperou. Seria rápido e intenso. Não perderia a oportunidade, por isso, aproveitou a abertura e rompeu de uma vez o gelo que o marido lhe destinava nos últimos dias... Utilizando-se da magia veela, rasgou o pijama e o revelou por inteiro. Ah, Theo era um homem de verdade, um “belo exemplar”, como diria a sua mãe. E ela adorava submetê-lo, enterrar-se nele, fazê-lo dela... Inteira e completamente dela.

_Ah, espera... Hum... Aaaah... – Aquela maldita e deliciosa magia que colocava por terra as suas defesas.

Maldita e amada esposa... Tão linda, tão dominadora... Mas a ela não se incomodava em se submeter. O fazia com gosto e prazer. Sentir-se assim, à mercê de outrem, não era algo com o qual estivesse acostumado, mas nada como a prática para se chegar à perfeição.

_Aqui, mon amour, apoie-se aqui... – E ele tinha meio corpo sobre a mesa, enquanto sentia os dedos e a magia da veela entrando em si, preparando-o delicadamente.

Os gemidos encheram o ambiente, além de um calor abrasador. Gabrielle o beijou e apalpou, marcou-o com mordidas e chupões, sem nunca se descuidar de preparar a sua entrada naquele corpo perfeito para ela.

_Está bom, Gabi... – Ah, Gabi... Finalmente a chamara de Gabi.

_Sem pressa, Theo.

Tudo agora precisava ser muito bem feito, especialmente a preparação para aquele ato carnal e emocional, do qual tanto desfrutavam. Um varão grávido requeria cuidados extremos. E ela nunca, em momento algum, iria machucá-lo. Nunca mesmo!

As mãos sobre a mesa já perdiam a força, tanto era o prazer gerado pelos toques da esposa. Sabe, poderia mesmo se acostumar a isso. Sabia que Gina não se importaria por não estar ali naquele momento, compartilhando com eles, pois a ruiva entendia que não importava quantas vezes estivessem fazendo amor em duplas e não em trio, o sentimento era um só.

_Amor, vou entrar em você agora... Bem fundo, Theo. Vou te preencher inteiro... – E iniciou a penetração, lenta e pausadamente, envolvendo-o com mais magia para que nada, absolutamente nada, o ferisse.

O som gutural emitido pelo marido a fez rir cheia de si... Atingira a próstata... Ah, como amava ouvi-lo assim, dos gritos mais intensos ao mais quente ronronar. O entra e sai foi lento, castigando e amolecendo mais e mais o turrão Theodore Nott.

_Gabi...

Gabi foi a última palavra minimamente coerente proferida elo sonserino. Em meio as sacudidas em seu corpo, quase perdeu de vez o equilíbrio quando as mãos da esposa se voltaram ao seu falo ereto e duro. A magia veela o excitava e estimulava em todos os pontos sensíveis, além de ter os lábios da loira colados a sua nuca... Por Merlin, gritou tão alto que, certamente, ensurdeceu até os quadros.

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Sirius não estava nada contente, afinal, teria que lidar com Lucius Malfoy. Se bem se lembrava dos tempos da escola, mesmo Lucius sendo mais velho, o loiro tinha uma relação um tanto quanto íntima, por assim dizer, com Snape. Os rumores que então incendiavam a escola, além da presença cada vez maior de magos indo para o lado das trevas, era também sobre como o canalha Lucius Malfoy traçava a tudo e a todos...

As línguas fofoqueiras reiteravam veementemente que o poderoso Malfoy, sem vergonha alguma naquela cara esnobe e emproada, namorava a sua prima Narcisa e, por baixo do pano, se atracava com Severus pelas masmorras, além de se aproveitar de qualquer belo par de pernas que visse... Bom, eram adolescentes, afinal... E ele mesmo, Sirius Black, era o terror! Pegava todas que passassem por sua frente, mas daí a se imiscuir com o seboso? Oh, por Merlin! Isso seria um absurdo...

Rumores a parte, as palavras compartilhadas não deixaram margem à discussão: "devido às circunstâncias, concordamos ser mais adequado não revelar nada sobre a volta de Lucius. Por enquanto, devemos escondê-lo, compreende?", foi o que o marido lhe contou, ainda na mansão Black... E a vontade de voltar a Prince's House diminuiu ainda mais...

“Chegarão alguns trouxas também, uma senhora chamada Esther, a quem Lucius insiste em tratar por mãe, e um jovem estudante universitário chamado Frederick, a quem Lucius se refere com imenso carinho, tal como o faz para falar de Draco Malfoy. Eles acolheram Lucius e tememos pela segurança deles. Há ainda um terceiro trouxa, mas, se bem conheço certo advogado... Enfim, o nome dele é Andreas... E não creio que ficará conosco”, concluiu Severus, conseguindo deixar Sirius ainda mais estupefato.

O pocionista então aguardou a reação, qualquer uma, mas ele nada disse. Apenas se deixou acariciar e beijar por longos minutos. O animago desejava ser mimado eternamente... Sentiu-se tão relaxado que quase dormiu entre os braços fortes de Severus. E estava meio adormecido quando se sentiu sendo erguido pelo marido que o colocou de pé e o conduziu à lareira.

Assim que a sala de Prince's House apareceu a sua frente, Sirius agarrou-se a Severus, tamanho o susto que a imagem lhe causara. Via claramente Remus e Lucius sentados muito próximos, como se fossem dois amigos íntimos, daqueles que aprofundavam a amizade a cada encontro, ao longo de anos e anos de caloroso convívio. Era chocante ver como a expressão do loiro mudara ao conversar com o lupino... Ele parecia tão... Humano...

_Oh, Severus... Que bom que retornou. E que bom que Sirius está aqui. – As palavras de Remus eram sinceras, assim como a bondade daquele olhar dourado.

_E os trouxas? Imaginei que já estariam aqui...

_Virão amanhã, na parte da tarde... Após Adam reafirmar que eu estava em segurança, dona Esther esclareceu que não é nada educado chegar, bem no meio da noite, na casa de ninguém... Adam aparatou aqui para me comunicar a decisão dela. Enfim, eu pedi a ele que voltasse a casa da minha mãe e permanecesse lá até amanhã, apenas para ajudar na mudança. Adam insistiu muito e acabou me convencendo a permitir que levasse Andreas... Contudo, agora creio não ter sido a melhor decisão – e sorriu malicioso, fazendo o rosto de Severus ecoar a mesma expressão nada inocente.

Lucius então ficou de pé, ao que Remus levantou rapidamente, apoiando-o. Não era que precisasse de tantos mimos e cuidados, mas se o lobo tinha um comportamento tão solícito, não seria ele, o convalescente tão necessitado de suporte, a recusar.

_Obrigado, Remus. Muito obrigado mesmo... – E sorriu sincero, recebendo uma cálida e dourada mirada.

Sirius quase engasgou ao ouvir aquelas palavras... Lucius Malfoy agradecendo? Oh, por Circe... Era quase tão factível quanto a sua falecida mãe começar uma campanha em prol dos nascidos trouxas.

_Black... Está completamente transformado. Sua beleza é, praticamente, etérea, devo adir... Severus, o seu esposo está na linha limítrofe entre fantasia e realidade. É uma beldade, uma verdadeira aparição... – E o encarou bem fundo. – Remus me contou acerca da sua inesperada doncelaria. Contudo, admito... Vê-lo assim, bem de perto, é surpreendente, Black...

_Não diga, Malfoy...

_Sirius, chame-o de Lucius e Lucius, chame-o de Sirius... Sirius Black Prince Snape, se quiser se referir de forma mais... Solene...

O loiro riu com gosto do pedido do amigo... Ah, mal podia acreditar. Aquele tom de voz...

_Ah, Severus... Tenha calma, não estou interessado no seu esposo. Sou um homem vivido e tenho alguma magia veela em mim. Fique tranquilo. Não sou suscetível ao charme dessas criaturas tão esplêndidas. E como poderia esquecer! Parabéns ao casal! Terão um filho... Um filho é sempre uma bênção. Caso Narcisa estivesse entre nós, diria “uma dádiva”, um milagre, diriam os trouxas...

Os olhos tempestuosos de Lucius lampejaram em direção a Sirius que, até o momento, ainda não era capaz de determinar se o loiro metido estava sendo educado ou muito cretino consigo... Ou os dois...

_Obrigado, Lucius – e, inesperadamente, Severus puxou Sirius para bem junto de si, acariciando a barriga na qual o futuro filho de ambos se desenvolvia. – Sirius me fez compreender que a vida é mais do que apenas feitiços e poções. Ele me fez sentir, Lucius, sentir de verdade.

_Sev... – Sirius não conseguiu prosseguir, pois teve os lábios aprisionados num beijo roubado... Roubado pelo próprio marido.

_Lucius, acredito ser melhor que descanse agora. Amanhã bem cedo enviarei uma coruja para Draco...

O loiro apreciou o beijo do casal Black-Snape e se enterneceu com as bochechas coradas de Sirius Black que, ao ser “liberado” pelo marido, mal sabia como lidar com a inesperada declaração pública de amor. Aquele animago exuberante, cheio de si e impulsivo conseguira preencher o seu amigo, o seu melhor amigo, com uma felicidade real. Ah, Severus talvez não tivesse se dado conta de qual sentimento falara, mas ele foi capaz de perceber. O frio Snape estava amando... Finalmente, amando alguém que o correspondia. Como não ficar igualmente feliz?

_Tem razão, Remus... Boa noite. E os senhores, durmam. O bebê precisa que seu genitor esteja bem e saudável. Já está tarde demais para outras incursões noturnas – e seguiu Remus escada acima, deixando um animago ainda mais corado.

_Ha, ha, ha... Não acredito que ainda fique assim, tão envergonhado.

_Severus, não quero mais esse comportamento na frente dele.

Os olhos escuros como a noite o miraram com um que de interrogação.

_Lucius Malfoy e eu nunca nos topamos. Conviver com ele nunca entrou na minha lista de “desejos mais aguardados”, pode ter certeza. Farei isso por você, por Harry e por Draco. Mas não quero dar nenhum tipo de munição a ele, entendeu?

_Munição? Sirius, do que afinal você está falando? – E como não houve resposta, prosseguiu. – Sirius, nós não estamos mais na escola. Na verdade, concluímos Hogwarts há muito tempo, meu querido esposo. Todos nós mudamos muito ao longo desses pesados anos, cheios de conflitos e preconceitos. Lucius é meu amigo, um dos meus poucos amigos... Na verdade, ele é quase como um irmão mais velho para mim... No começo, eu o segui. Afundei-me nas trevas até o pescoço, mas o preço foi alto e então eu me arrependi. Até hoje sinto o gosto amargo na minha boca por todo o mal que eu causei, mal este que nunca poderei desfazer. Não sou obtuso... Sei que Lucius errou demasiado. Eu mesmo reiterei inúmeras vezes que o caminho escolhido por ele era equivocado... Alertei-o com um ímpeto atroz, mas, por certo período de tempo ele não quis me ouvir. Felizmente, Lucius é também um homem inteligente... Teve a oportunidade de perceber seu erro e de auxiliar o lado correto. O preço que pagou pela demora em assumir uma posição mais firme contra as Trevas, ah... Esse você conhece. E creio que ele ainda vá sofrer por isso. Ninguém sai ileso de tanta dor e sofrimento... Você mudou, eu mudei... E o meu amigo também. Dê uma chance a ele, Sirius. Assim como seu uma chance a mim.

O animago ouviu atentamente aquelas palavras tão cheia de pesar. Sabia exatamente o que significava todo aquele sofrimento e dor mencionados pelo esposo. Amargou longos anos em Azkaban imaginando que, talvez, num devaneio, ele fosse mesmo culpado, que merecia estar ali, enterrado vivo... Ele sabia bem o que era viver em meio às desgraças das suas próprias escolhas. Mas poderia dar uma chance de Lucius provar que não era mais o mesmo cretino de antes? E se o loiro ainda estivesse interessado em Severus?

_Estou com sono, Sev.

_Sirius... Por favor... Não se coloque na defensiva.

_Eu vou pensar... Prometo que vou pensar com cuidado em tudo o que me disse hoje, mas eu preciso mesmo dormir um pouco.

Resignando-se a aguardar uma resposta ao seu pedido, Snape o seguiu até o quarto. A rotina noturna de casal foi realmente rápida e logo estava dormindo, com Sirius nos seus braços. Entre sonhos, Lílian e James o visitaram. Ambos tinham semblantes serenos e iluminados.

“Você foi um bom amigo, Severus. Deixou-se envenenar pela sede de poder, mas foi astuto para afastar o cálice, antes de se afogar dentro dele.”, lhe disse a mulher do seu mais ferrenho inimigo. “Lílian, eu não fui astuto o suficiente”... Como doía reconhecer isso, mas era verdade. Ele, o poderoso pocionista não fora sagaz o suficiente para evitar a desgraça maior, aquela que subtraiu a doce Lílian de si e da própria vida.

“O que está feito, está feito. Nossas ações, a despeito do que imaginamos, podem ter consequências inesperadas, algumas delas... Terríveis. Cuide do nosso filho, Ranhoso. Seja os nossos olhos. Não se descuide. Ele vai precisar de toda a sua atenção”... E o sonho mudou. O rosto de James se transformou no de Lucius e depois no de Draco para, enfim, sua mente o brindar com longas sequências de Sirius Black.

Acordou com a sensação de que não tinha descansado nem um terço do necessário. Mal colocou os pés no chão, foi golpeado pelas imagens do sonho... Um sonho estranho. Não era a primeira vez que sonhara com Lílian e James, mas agora o aviso que sua mente lhe dava não podia ser mais claro: Potter. Potter precisava de atenção redobrada.

_Sev... Está cedo ainda... – Resmungou Sirius que, ao sentir a ausência do corpo do marido, iniciava as reclamações.

_Eu sei... – E o beijou na testa, fazendo com que voltasse a se deitar. – Eu perdi o sono. Descanse mais um pouco. Não tenha pressa... Vou tomar um bom banho e estarei lá embaixo quando você descer.

Certificou-se de que o esposo voltara a dormir e fez exatamente o que havia mencionado. Relaxou no banho, se arrumou e desceu as escadas, exatamente ao mesmo tempo em que o sol se expandia casa adentro, iluminando e esquentando cada ambiente com o seu calor.

_Bom dia, Severus...

_Bom dia. Remus. Não está um pouco cedo demais, até mesmo para você?

O lupino sorriu e indicou a grande mesa de madeira, na qual os elfos haviam disposto um reforçado café da manhã. Enquanto sentava, tinha os olhos dourados sobre si o que, evidentemente, apenas aguçava uma saudável curiosidade.

_Reconheço cada uma de suas expressões, caro amigo. Você nunca foi bom em ficar rodeando os assuntos e, para mim, como dizer? Bem, Remus Lupin é um livro aberto. Diga logo: o que deseja saber?

_Você e Sirius se acertaram, ou terei que me preocupar em lacrar a lareira e quebrar a varinha dele?

Severus riu. Adorava a lealdade do amigo para consigo, ainda mais ao imaginar que ele passava por cima dos seus sentimentos mais profundos com relação a Sirius. Na verdade, Remus era um homem razoável, portanto, compreendia que o animago exagerava em suas ações e, vez por outra, acabava metendo os pés pelas mãos.

_Nos acertamos... Agradeço a preocupação, mas não creio que meu esposo gostará das possíveis medidas para evitar que seja tão ele mesmo, eu diria – e riu. – Apesar de não concordar com a “fuga para a casa da mamãe”, admito que ele tinha motivos.

_Ah, Severus... A doncelaria, o vínculo, o bebê... Tudo é novo e Sirius não é tão jovem quanto Harry. E nem você é tão flexível quanto Draco... Contudo, a despeito dos percalços, creio que vocês dois conquistaram um equilíbrio inimaginável há algumas semanas atrás... Quando os vejo juntos, percebo cumplicidade e zelo. Creio que Sirius deseja algo bem simples: a sua presença. Ele é muito dramático, sabemos disso, mas deseja apenas ter você por perto.

_É, eu sei. Obrigado, Remus. Obrigado por acreditar em mim... Por acreditar em mim e em Sirius. Prometo que ficarei mais atento de agora em diante... E onde está Teddy? Pensei que fosse vê-lo correndo pela casa falando, pela enésima vez, do novo colégio...

Remus os serviu de café, ovos mexidos e uma fatia de pão. Depois enviou a Severus um copo contendo suco de abóbora.

_Acordei um pouco mais cedo para preparar a chegada de Draco. Primeiramente, enviei uma carta à Molly, pedindo para que ela ficasse com Teddy e também se dirigisse à Malfoy Manor. Não acredito ser prudente deixar Harry sozinho. Molly, pelo que me consta, já está a caminho da casa dos pombinhos. Enviei também uma carta a Draco, pedindo que viesse até aqui. Não mencionei nada além disso, apenas que era um assunto de vital importância.

_Ele respondeu?

_Oh, sim... Em no máximo duas horas o teremos conosco. Aproveitei para providenciar algumas vestes para Lucius. Dobby me ajudou, na verdade... Acredito que ele vá se sentir melhor ao usar trajes bruxos.

Snape apenas balançou a cabeça positivamente. O cuidado que aquele homem dedicava a si mesmo e aos seus era surpreendente. Fora, de fato, muito agraciado por tê-lo como um verdadeiro amigo.

_Lucius já acordou e deve se juntar a nós em breve. Ele teve uma noite difícil... Os pesadelos dele me acordaram, ou melhor, os gritos dele... – E diante da expressão de preocupação do pocionista, prosseguiu. – Ah, não se preocupe. Eu pude acalmá-lo e ele voltou a dormir. Severus... Sobre Lucius... Bem, eu tenho uma pergunta a fazer sobre ele...

_Sobre Lucius? Ora, Remus, faça logo. Se eu puder lhe esclarecer qualquer ponto nebuloso, o farei...

_Na verdade, é sobre Lucius e...

_E?

_E você... É sobre vocês dois...

Remus ruborizou, deixando o professor de poções com um semblante desconfiado. O que teria ele em mente, acerca de Lucius, para ficar constrangido daquela maneira? Estranho... Muito estranho... E como o bondoso amigo pareceu emudecer, foi necessário um empurrãozinho deveras delicado, com a marca de Snape.

_Remus, novamente... Diga logo o que deseja saber! Não me obrigue a despejar um frasco de veritasserum no seu café matinal.

_Bem... Você e Lucius... Tiveram mesmo... Ah, é algo particular, por Merlin! Eu não deveria ser assim, tão grosseiro e intrometido, mas... É que tenho receio da reação de Sirius... Ele está grávido e toda uma explosão de hormônios... Sabe como ele é, certo? E...

_Remus, por favor, seja objetivo – e se dedicou a bebericar o café.

_Remus deseja saber se tivemos um tórrido caso, na época da escola.

Snape se engasgou. Remus agradeceu por ter sido o loiro e não ele a revelar, com inigualável objetividade e precisão, o que o vinha deixando tão tenso. Já Lucius, todo um lorde em educação, apenas se sentou e se serviu de leite, ovos e um pedaço de torta, cada movimento ritmado ao som dos soluços de certo professor narigudo que, no momento, brigava para não se afogar em meio à cafeína.

_Ora Severus, por Merlin! – Ralhou Lucius, já degustando a deliciosa omelete. — Recomponha-se... Não haja como se nunca tivesse ouvido algo sobre esses rumores... Ah, Remus. Obrigado pelas vestes. Ficaram mais que adequadas. Eram minhas, correto?

_Sim... Eram suas... Quer dizer, são suas. Dobby me ajudou. Segundo o pequeno elfo, Draco não se desfez de tudo o que era seu, Lucius. As vestes são uma prova disso.

Lupin perdeu alguns minutos apenas admirando o modo como Lucius estava vestido... Ah, era um homem que se destaca, não importava as vestes que o cobrissem. O loiro estava abatido e ainda precisava readquirir alguns quilos, mas mantinha a sua beleza ímpar, assim como o seu magnetismo.

Encarando-o bem de perto, Remus podia notar as faíscas por trás do pesar nos olhos cinzas. Sabia que Lucius estava entristecido. Na verdade, o esnobe Malfoy refletia a grande decepção por ter perdido tanto... Contudo, ao mesmo tempo, havia nele um furor e desejo de reconquistar tudo o que lhe havia sido arrebatado que, querendo ou não, ele mesmo se sentia estimulado.

_E ficaram bem. Acredito que sinta falta do cabelo mais longo, não é? – E como o loiro não respondeu, Remus pediu. – Acalme-se. Draco em breve estará aqui...

_Draco... Espero mesmo que ele chegue logo... – E dedicou-se a comer a torta, enquanto Snape, finalmente, conseguia dominar plenamente a função respiratória, controlando o soluço. – E esclarecendo a sua dúvida, Remus... Severus e eu fomos, somos e seremos apenas amigos. Nunca tivemos nada além de uma relação de amizade.

_Ora, mais é claro que sempre fomos apenas amigos – reiterou o narigudo, já recomposto. – Sirius não pode acreditar nisso, por Merlin!

_Suspeito que minha presença aqui deixará seu esposo inquieto, Severus. Ele e eu nunca tivemos a melhor das relações, admito. Caso deseje, posso pessoalmente explicar a Sirius que nós dois nunca trocamos uma carícia sequer!

Snape quase voltou a se engasgar depois de ouvir o amigo. O que Lucius tinha na cabeça?

_Nem pensar! Esqueça isso, Lucius. Sirius deve compreender que somos amigos, nada além de amigos.

_Certo, mas que fique claro: não pretendo causar nenhum tipo de aborrecimento a um doncel grávido. Devo admitir que, a julgar pela fama que eu tinha no colégio, até Dumbledore deve ter entrado para a minha lista – e se dispôs a relembrar os nomes de todos os alunos e alunas que, segundo a rádio corredor de Hogwarts, passaram pela sua cama.

Lupin corou de ouvir até o seu próprio nome. Por Merlin! A julgar pelo falatório incessante de nomes de homens e mulheres, Lucius teria que ter cursado Hogwarts, no mínimo, três vezes para dar conta.

_Vocês detentores de magia veela são muito presumidos – revidou Snape, enquanto Malfoy se gabava de ter, na verdade, conquistado a joia mais preciosa de todas: Narcisa Black.

_Severus, se eu fui a “desgraça de muitos pais de família”, nem mencionarei o seu afilhado. Pelos berradores que recebia enquanto ele cursava Hogwarts, nossa... Meu filho deve ter “arruinado a inocência” de toda a escola de feitiçaria e bruxaria.

Será que apenas Lupin se envergonhava ao ouvir aquele tipo de conversa? Bem, a julgar pela tranquilidade dos demais, era provável que sim. E então um coruja irrompeu janela adentro, trazendo uma carta para Severus. Foi terno ver Lucius admirar a cena com certa nostalgia.

_Granger... Em meio a tudo isso, ainda preciso verificar algo vital, segundo a jovem, que consta naquele livro medonho – convocou uma pena e respondeu rapidamente no mesmo pergaminho, despachando a coruja em seguida. – Ela virá na hora do almoço. Lucius, creio ser melhor aguardar por Draco lá em cima, no quarto. Certamente um auror estará com ele...

_É verdade, Lucius. O auror não entrará aqui, mas pode acontecer algum imprevisto... Creio até que deva descansar mais um pouco...

O loiro não discutiu, apenas obedeceu. Ficou de pé e refez o caminho de volta ao quarto... Seus passos pesados e ainda dificultosos foram ouvidos por toda a casa, abafando o som da lareira e da voz de certo jovem deveras aguardado.

_Padrinho?

Draco adentrou a sala e seguiu as vozes até a cozinha.

_É melhor eu verificar como ele está, Severus.

_Vá então, Remus... Eu espero por Draco aqui embaixo e...

_Já estou aqui, padrinho – disse com tranquilidade, o rosto adornado por um belo e jovial sorriso. – Bom dia.

Remus sorriu satisfeito e nem chegou a se levantar. Draco havia chegado, enfim... E tudo caminharia para uma solução.

_Bom dia, Draco.

_E então? O que aconteceu? É algo novo sobre a pressão de Harry ou sobre a gripe... Devemos mudar o tratamento ou...

_Calma, afilhado afobado. Creio ser melhor um tratamento de choque, concorda Remus?

O lupino apenas assentiu. Se a intenção de Snape era avaliar a resistência cardíaca dos Malfoy, aquele era o momento mais adequado.

_Siga-me, Draco.

Mesmo achando aquilo tudo muito estranho, o loiro o seguiu escada acima, interiorizando na parte superior de Prince's House. Sabia que o quarto principal já havia sido deixado para trás, então começou a conjecturar. Imaginou que o padrinho podia estar lhe levando ao quarto do futuro bebê, filho dele e de Sirius, ou sei lá mais o que... Até que pararam em frente a uma das várias portas.

As mãos avantajadas do professor derem toques sutis na madeira, apenas anunciando a sua chegada. Sem dizer nada, o homem abriu a porta, que rangeu de leve, revelando com lentidão desmedida o interior do cômodo vazio. Entraram e aguardaram por alguns minutos. Draco percebeu que era uma suíte e que, curiosamente, havia alguém ali.

A pessoa em questão estava no banheiro. Então o padrinho desejava que encontrasse alguém. Ora, mas quem? Seria Ronald? Ele precisava mesmo conversar com o aspirante a auror e perto de Harry tudo ganhava ares muito tensos, devido ao descontrole da pressão arterial... Bem, fosse quem fosse, parecia estar a ponto de se revelar, ou seja, abandonar o banheiro.

Severus se afastou do afilhado, permitindo que o mesmo tivesse maior destaque, bem ali, disposto no meio do quarto. Não queria incomodar naquele momento tão íntimo, portanto, ficaria de longe, apenas aguardando para ajudar caso algum deles se descontrolasse... Bem, não que acreditasse que isso aconteceria, pois estava lidando com Malfoys. Contudo, precavido como era, insonorizou o cômodo.

Draco permaneceu exatamente de pé, no mesmo lugar, os olhos fixos na porta do banheiro que, finalmente, começava a se abrir. O primeiro que pôde captar foi a barra das vestes caras e que, evidentemente, reconheceu de imediato. Já pensava em esbravejar furioso quando um pouco mais do homem que as vestia se revelou...

_Severus, é você? Sabe, creio que Remus tem razão... Eu deveria descansar um pouco mais...

Oh... O impacto daquela voz foi tamanho que o emudeceu. Era dele... Era a voz dele, tinha certeza que era. E então mais passos se sucederam e a porta se abriu por completo. Simplesmente, enregelou. Por Merlin, estava embargado de tanta emoção. As sensações se confundiam dentro de si... Parecia ter regredido á infância, quando a intensidade dos sentimentos é tamanha que não se consegue discerni-los.

Queria rir e chorar... Queria correr e ficar parado... Queria apenas admirar aquela imagem tão real e, simultaneamente, tão etérea e também agarrá-la e verificar se era de verdade... Queria tocá-lo e se afastar dele, tamanho o medo de estar sendo enganado... Mas não podia estar sendo enganado, podia? Seu padrinho nunca faria isso!

Oh, a sua mente era um caos completo, funcionando em todas as direções, visando compreender como Severus Snape o encontrara. Não era um caos destrutivo, portanto... Era bom, muito bom... Porque, o que ele via, o que os seus ávidos olhos viam, era a pessoa mais inesperada, mais improvável, mais aguardada... Alguém que achou ter perdido para sempre.

A dor de não tê-lo o sufocou com brutalidade, por anos, tal qual o fazia naquele momento. E então, a sua mente sagaz lhe disse que toda a dor que o fez definhar por anos tinha sido uma dor falsa, uma dor desnecessária, pois ali estava ele, de pé, bem na sua frente, sorrindo de volta, tão estupefato quanto ele mesmo estava.

Avaliou com eficiência cada detalhe... Ele estava mais magro, bem mais magro, e a pele já não apresentava todo o viço tido anteriormente, beirando um aspecto doentio. Os cabelos estavam bem mais curtos, mas a expressão era a mesma... A mesma de sempre.

Aquele homem marcado, de pé, bem diante de si... Ah, como agradecia a tudo e a todos... Aquele homem era o seu norte, o seu herói, o seu modelo, de boas e más ações, sabia disso agora, mas era, acima de tudo, o seu pai, Lucius Malfoy.

_Draco... – E o cinza mirou o cinza, precipitando lágrimas quentes e de pura felicidade, os braços abertos aguardando aquele ser que sempre, desde pequeno, tão bem entre eles se encaixava.

_Pai...

Toda a dúvida se desfez, todo o caos virou pó, pois nada mais importava naquele momento. Draco percebeu que fora agraciado por uma dádiva imensa. Seu pai ressurgira dos mortos e estava ali, com ele, mais uma vez. Não permitiria que nada mais o ferisse. Não permitiria que ninguém, nunca mais, o afastasse do calor daquele abraço.

Notas finais
_Guarde esses pijamas novos que eu comprei para Theo. E, por favor, traga para mim aquele pijama horroroso que o meu irmãozinho estava usando hoje de manhã. O pequeno elfo assentiu e em instantes voltava para junto da loira, embora, como ela tão bem notou, a criatura demonstrasse estar bastante constrangida. _Oh, senhorita... Cuido bem das roupas do mestre. Não sei o que houve. A loira sorriu ao ver os farrapos que o elfo erguia com as mãozinhas trêmulas. _Quer que remende, senhorita? _Oh, não... Não será necessário. Vou emoldurar esse pijama – e arrebatou os farrapos das mãos do elfo. – Será um presente para Theo... Uma homenagem às nobilíssimas gerações dos Nott – e riu com gosto, já imaginando a cara do irmãozinho ao receber o presente de grego.