Submisso

19 Capítulo 19 - Egoísta


Notas iniciais
OLÁ!!! Nossa, capítulo 19!!!

TÔ MT FELIZ!!!

Bem, olha só para isso: ainda é sexta-feira e a atualização já está aqui!!! UHU!!! Palmas para Núbia Chaud!

Bom, para quem estava desesperado para saber como foi a reação do Harry, aí está...

Obrigada pelos comentários!!! Adoro as dicas e algumas eu já comecei a implantar! Então, podem mandar mais!

BOA LEITURA, sem mais: EGOÍSTA!

Capítulo 19 — Egoísta



Arthur não conseguia conter a exasperação. Mal o elevador parou no segundo andar do Ministério da Magia, o bondoso pai de família correu até a recepção, a carta amassada no bolso das vestes. Nem precisou perguntar nada, parecia que estava sendo aguardado, o que só aumentava a sua preocupação. Com um acenar de mão, a funcionária apenas indicou a direção e disse “o chefe o aguarda na Távola Redonda, senhor”.

Excetuando-se algumas salas e a Távola Redonda, que não era propriamente uma sala à parte, mas era assim considerada, o andar em si (ligado ao Departamento de Execução das Leis da Magia) nada mais era do que uma espaço amplo, que tomava toda a extensão do próprio segundo andar, recortado por imenso labirinto de vários e vários cubículos.

As divisórias dos cubículos eram adornadas por cartazes de procurados, fotografias pessoais dos funcionários, cartazes diversos (até mesmo pôsteres de Quadribol) e recortes de reportagens do Profeta Diário. Num outro espaço, a Távola Redonda, um dos poucos que não era tomado pelas divisórias de madeira, mesas de escritório e cadeiras confortáveis, havia um bom número de poltronas de couro reluzindo de tão branco, margeando uma mesa de centro redonda, embora não fosse nada pequena, que sustentava firmemente jornais e revistas.

Uma das poltronas se destacava, por ser um pouco maior que as demais, além de ter sido forrada com um couro escuro, quase negro. Nela, usualmente, sentava-se o Chefe dos Aurores, como de fato sentava agora, ladeado por dois aurores. O patriarca dos Weasley já respirava descompensado quando chegou ao local, geralmente, usado para reuniões.

_Podmore, o que houve? – Perguntou nervoso, a cabeça quase girando em 360º. – Recebi uma coruja urgente do quartel! O que aconteceu com ele?

_Ora, Arthur, calma, amigo...

_Olá, Arthur – cumprimentou Nulan. Drake apenas meneou a cabeça, mas nenhum dos dois foi respondido.

_Rony está bem? Onde ele...

Podmore apenas apontou e os olhos do pai zeloso seguiram a indicação, encontrando as melenas ruivas do filho mais ao fundo da sala. Ronald segurava uma menininha linda no ar. Ela sorria feliz ao sentir o ar acariciar-lhe o rosto e balançar-lhe os cabelos.

_Seu filho tem muito jeito com crianças – afirmou Drake. – Arthur, não gostaria de se sentar, precisamos conversar. E, bem, o Departamento – e eu, em particular, preciso lhe pedir algo muito importante.

O senhor Weasley se sentou, o alívio por nada ter acontecido ao filho estampado bem na sua face – imaginava que a profissão escolhida por Rony o deixaria sem cabelo algum ainda mais rápido! – E então Podmore começou a contar todo o problema, sendo interrompido, vez por outra, pelos outros dois aurores. A essa altura, o ruivo tinha demonstrado preocupação, horror e, no momento, pesar pela garotinha. Estando a par da situação, já até imaginava o que ouviria.

_Precisamos da sua ajuda nisso, da sua e da Molly. Preciso de gente competente e de confiança. Poderia ficar com ela?

_Estúrgio, como posso negar? Molly adorará recebê-la. Mas estamos falando de nível 5 de proteção...

_Eu sei que seria colocar sua família em risco também, Arthur. Por isso, teremos aurores, feitiços protetores e mais um sem-fim de magias para assegurar a sua segurança.

_Não há mesmo nenhum parente? Nessas horas, com os pais no hospital, sem dúvida é melhor que ela fique com alguém que a conheça.

_Não mesmo, Arthur – respondeu Nulan. – Continuamos procurando, mas inicialmente não parece haver ninguém além dos pais. Em breve chegará mais um relatório de St. Mungus. Pelo que nos informaram no último, as chances são mínimas. Seja lá o que for que fizeram aos dois, é terrível. Pedimos também a ficha médica da menina, mas nada ainda. Um dos meus homens conseguiu entrar em contato com o médico na qual Skeeter a levava e, bem, antes de hoje ela falava normalmente.

Ronald se aproximou, Madeleine agarrada a sua mão. A garotinha parecia mesmo mais tranquila, embora nenhuma palavra tivesse deixado sua boca desde que a encontraram. Os olhos profundos de Madeleine capturaram os de Arthur que lhe sorriu, acariciando a cabeça com fartos cabelos castanhos.

_Estúrgio, não será tão tranquilo na Toca como imagina, velho amigo. Estamos aguardando a chegada de Gabrielle[1], irmã da esposa do nosso filho mais velho, Bill. Deixe-me conversar com Molly antes, sim? – E ao que o chefe assentiu, prosseguiu – Onde há uma lareira que eu possa usar?

Podmore o conduziu até a sua sala particular, aguardando do lado de fora para que o amigo, sozinho, pudesse conversar com Molly. Adorava os Weasley, na verdade, era raro encontrar quem não gostasse deles. Minutos depois, a porta da sala se abriu.

_Molly mal pode esperar para vê-la. Há muito tempo não temos uma criança em casa. Temos Ted, mas com Nymphadora a ponto de ter outro bebê... Enfim, quando posso levá-la?

Madeleine sorriu com gosto, sinal de que entendia muito bem o que se passava ao redor. Ela apenas não falava. Por quê? Bem, os aurores vislumbravam dois motivos bem elementares: 1-Madeleine não podia falar, devido ao trauma sofrido; 2-Madeleine não queria falar, devido ao trauma.

_Assim que estabelecermos as proteções, a pequena será toda sua. Nulan, Drake, Weasley: acionem o setor de “Proteção Externa” e o de “Guarda Acompanhada”. Ah, acionem também o setor de “Feitiços Defensivos” e o...

_Estúrgio... Não seria melhor eu simplesmente levá-la para a Toca logo de uma vez? Não acho que o Quartel-General dos Aurores seja o lugar adequado para uma menina.

_Certo Arthur, é verdade. Pode levá-la. Enquanto isso, eu providencio tudo o que for necessário. Mais tarde, os aurores que farão a guarda estarão na Toca. Weasley – e era engraçado, pois Ronald sabia que aquele tom autoritário era apenas para ele. – Já enviei uma nota aos seus instrutores esclarecendo sobre a necessidade de tê-lo mantido aqui o dia inteiro hoje. Portanto, como última tarefa do dia, acompanhe o seu pai e a menina. Depois disso, está dispensado. Fique em casa e descanse.

_Mas senhor, temos provas para analisar e – ah, aquele maldito olhar. – Sim, senhor.

Francis sorriu para o novato e num floreio de varinha, fez uma pasta chegar às mãos dele.

_Leve para casa, garoto. Lembra daquele caso que comentamos no seu primeiro dia? Aquele que envolve ex-comensais? – E ao que o ruivo assentiu, continuou. – Devore. Ah, e deixe as fraldas em casa, ok? Amanhã nos vemos... – E sorriu.

_Use a minha lareira, Weasley – ordenou o chefe.

Madeleine pulou em seu colo, ah, aquilo já virara um costume, e, em conjunto com o pai, rumaram para a sala de Podmore. Pouco depois, estavam na sala de casa. Em breve, as proteções seriam reforçadas, mas Arthur sabia que logo, logo teriam um auror no quintal da Toca, para fazer a primeira ronda.

Mal Ronald colocou os pés na sala, um estrondo terrível se ouviu no andar de cima. Azarações a esmo ricocheteavam nas paredes e uma densa névoa desceu escada abaixo. Madeleine foi colocada no chão, às costas do ruivo, mas pendeu a cabeça de lado, os olhinhos apertados para tentar ver alguma coisa, qualquer coisa.

SEM QUERER?” e mais estrondos... SEM QUERER?”... Uma porta batendo e passos apressados nos degraus. “EU VOU, SEM QUERER, AMASSAR ESSA SUA CARA DE ESNOBE METIDO”... Novamente, uma porta batendo e mais azarações. “SEJA HOMEM E ME ENFRENTE!” E, instantes depois, ainda com azarações em sua cola, emergia da névoa uma figura de cabelos claros e vestes azul-petróleo. A outrora bela roupa agora beirava a ruína, estando chamuscada e esburacada em vários pontos.

_O que aconteceu? – Perguntou a ruiva que, numa corrida apressada, chegava à sala e via o estrago feito nas belíssimas vestes do loiro. – Está machucado? – Perguntou preocupada, aproximando-se dele.

A névoa desapareceu e Draco apenas teve tempo de afastar a senhora Weasley e se abaixar, um feitiço errando-o por centímetros. Contudo, a porta de entrada na sala foi atingida em cheio. A madeira começou a pegar fogo, mas o mesmo nem chegou a se propagar. Um assombrado Arthur Weasley o extinguiu.

_SEU LOIRO DE FARMÁCIA! – Berrou Harry, descendo a escada apressado. – FIQUE PARADO PARA QUE EU POSSA TE ACERTAR!

Ronald não estava entendendo absolutamente nada, mas conhecia bem o comportamento explosivo do amigo, ainda mais depois que saíra do coma mágico. Harry era uma pessoa maravilhosa e um amigo leal. Contudo, o Eleito parecia estar decontrolasdo! Talvez... Bem, talvez toda aquela história de doncelaria e os hormônios o tivessem deixado meio... Instável.

Precavido, agarrou Madeleine, cujo rosto parecia ter se iluminado de felicidade – ainda que ele mesmo não fizesse ideia do porquê – e a levou para o jardim, afastando-a o máximo possível do perigo em potencial: um ataque do Trasgo Potter! A menina estava ali para ser protegida e não para ser vítima dos surtos psicóticos do amigo.

Já Arthur se manteve inerte junto à lareira, com a boca aberta numa grande surpresa, afinal, quando falara com a esposa mais cedo, fora informado de que o casal Potter-Malfoy estava na Toca e que todos jantariam juntos. Contudo, pelo modo como a relação parecia se afundar num arsenal de violências, teriam o que como prato principal? Picadinho de Draco?

_SEU CRETINO! – Mais azarações foram proferidas, mas também não atingiram o alvo pretendido, estilhaçando duas inocentes vidraças.

_HARRY! PARE COM ISSO! – E Malfoy teve que se proteger com um feitiço escudo dessa vez, mas caiu no chão ante o impacto da magia do esposo. – PERDEU O JUÍZO, TESTA-RACHADA?

Harry avançou com passos decididos, a varinha apontada para o loiro, sem nem titubear. Vendo aquilo, Molly agiu rápido: se colocou bem na frente de Draco e encarou Harry com um ar de “Cuidado, mocinho, ou vou te dar umas boas palmadas”. O rosto bondoso fora completamente abandonado. Ela estava irritada de verdade. O sonserino se ergueu, mas procurou manter-se alinhado com a matriarca, um bom escudo contra as sandices do Eleito.

_Harry! Eu não acredito que você está tentando matar o seu marido! Abaixe agora essa varinha!

_MATAR?! NÃO! EU QUERO É MACHUCAR MUITO, SÓ ISSO!!!

_HARRY POTTER! CONTROLE-SE! – E ouvir Molly gritar fez o cérebro do moreno estalar, o remorso vazando para todas as partes de seu corpo.

_AUROR DO MINISTÉRIO DA MAGIA!!! – Berrou um homem alto e encorpado, chutando a porta no processo, ficando emoldurado pelo batente da pobre vítima de madeira que, agora, estava praticamente despencando.

Draco se virou assustado, encontrando um homem atraente, de seus trinta e poucos anos. O suposto auror entrou autoritário pela sala, a varinha em punho, olhando acusatoriamente de Draco para Harry. As vestes, negras como a noite, contrastavam com os cabelos ruivos e a pele clara. Não havia rugas no rosto dele, demonstrando um aspecto jovial, apesar de trazer em si a experiência vivida. Ah, e aqueles olhos frios, de leves tons de chumbo, cinzas como os de Draco, davam-lhe um ar de frieza espetacular.

O homem era apenas ligeiramente mais baixo que o veela e, sem dúvida, apresentava mais massa muscular. Com os treinamento tão intensos aos que os aurores era submetidos, não demoraria para Ronald logo, logo parecer um ogro superdesenvolvido.

_NÃO SE MEXA! – Vociferou para Harry, já compreendendo quem ali deveria ser protegido.

O auror avaliou Draco dos pés à cabeça. E não deixou de demonstrar que gostara do que vira. Por sorte, antes que mais alguma coisa bizarra pudesse acontecer, o “estagiário” interrompeu as tensas trocas de olhares.

_Está tudo bem! – Explicou o futuro ogro em questão, do batente da mesma porta, mas sem entrar na casa. – Está tudo bem! Fique tranquilo!

_Conheço você. É um dos novatos.

_É, isso mesmo. Sou subordinado do Nulan e do Drake – Disse Ronald, o olhar disparando para algum lugar além da vista de todos.

_Sou um dos membros da Guarda Avançada, Willian Pitt – revelou o auror, a varinha sendo guardada no bolso das vestes, embora ainda mantivesse um ar desconfiado. – O chefe me mandou em caráter de urgência. Está mesmo tudo... Bem? – Perguntou encarando Harry Potter demoradamente, que ainda sustentava sua varinha bem firme.

_E pode ficar pior? – devolveu Draco, a voz arrastada, ao que Harry arqueou uma sobrancelha.

–Ei, não mexa com esses gnomos! – Berrou Rony e sumiu na área externada Toca mais uma vez.

_Senhor, Pitt, pode ficar tranquilo. Está tudo bem. Não há mais nenhum problema

_Se está tudo bem, senhora Weasley, voltarei ao meu trabalho. Qualquer problema... – E voltou o rosto para Draco, mirando-o diretamente nos olhos. – Bem, boa noite – e sorriu para o loiro.

_Boa noite, senhor Pitt – e a voz de Molly ecoou solitária até o auror passar pela porta, reparando-a no processo. Contudo, a grande vítima da noite continuava demonstrando os efeitos do fogo.

Já Harry começava a, mais uma vez, sentir o gosto amargo da culpa. Viu decepção em Draco. É, era isso mesmo. Lamentava-se por mais aquele rompante de fúria homicida. Será que nunca conseguiria agir como uma pessoa normal? Abaixou a varinha, envergonhado... A senhora Weasley gritara com ele? A sua “mãe”? Oh, Merlin! Sentia-se merecedor de uma imperdoável, muito bem dada, para aprender a controlar o próprio gênio.

_Passe a varinha, Harry... – E com a varinha longe das mãos do doncel, indicou o sofá – Sente-se... E eu não estou pedindo – completou ante a relutância do jovem. – Vamos logo, Harry. Draco, você também, já!

Quem teria coragem de discutir com a ruiva? Ora, em sã consciência, nem Voldemort. Alguns segundos se passaram, até a primeira palavra ser dita. Harry achou que ia ouvir um sermão daqueles, mas se surpreendeu.

_Arthur, querido – como Molly conseguia voltar ao tom de voz pacífico tão rapidamente? – Poderia, por favor, nos trazer um chá. Sei que jantaremos em breve, mas acredito ser necessário no momento.

_Si-sim, querida. Vou enviá-lo lá da cozinha – e saiu depressinha dali, pensando em aproveitar o tempo para reparar a casa.

_Bem, agora, poderiam explicar o motivo dessa discussão?

Draco arqueou as sobrancelhas dessa vez. Discussão?! Bem, a porta da sala não usaria tamanho eufemismo. No mínimo, definiria a situação como uma “discussão bem acalorada”. Já Harry parecia cair em si, de novo... Olhava ao redor e via vidros quebrados, ainda que estivessem sendo reparados por um feitiço – certamente, do senhor Weasley –, cheiro de madeira queimada e nem queria imaginar o estado no qual deixara o quarto.

Por Circe! Por que fez isso? Por que perdeu o controle daquele jeito? Ele não era assim, essa bolha de hormônios, essa criatura mal-humorada e rabugenta (ora, esse era Snape!). E Draco? Oh, ele devia estar uma fera... Usou da magia contra o seu próprio marido!

_Eu segui seu conselho, Molly, e contei a Harry sobre a gravidez.

O verde dos olhos do moreno se intensificou. Então Molly já sabia? Ótimo! Era ótimo estar grávido, sem querer, e ainda ser o último a ficar sabendo! Pelo que estava se culpando mesmo? Por tentar azarar Draco? Deveria estar se culpando por não ter conseguido acertar, isso sim!

_Mas meu esposo não sabe conversar de forma civilizada, optando por uma tentativa de homicídio – completou num tom dramático.

_Eu ainda posso consumar a tentiva, Malfoy – rebateu com raiva, o rosto se contorcendo furioso.

_Shiii! Sem mais bate-boca. Harry, querido, por que está tão irritado?

_Senhora Weasley, eu... Não quero ter um filho!

_Oh, você não quer ter filhos? – Perguntou a ruiva, horrorizada.

_Não, quer dizer... Sim, eu quero, sim, mas não agora. E esse cretino faz isso sem nem me consultar!

Draco arfou cansado. Estava deveras cansado dos rompantes do grifinório. E o pior de tudo: sabia que estavam bem no comecinho do processo. Ah, por Merlin, seriam longos e longos meses de gestação. Talvez não conseguisse sobreviver!

_Você não me deixou explicar, Harry. Aliás, você nunca deixa. Sempre tira conclusões precipitadas. Sempre supõem o pior de mim. Não lhe dei motivos e provas suficientes para cofiar no que sinto por você?

Não havia como rebater essa acusação. Draco estava certo. Por mais que soubesse do amor que sentiam um pelo outro, ele mesmo ainda não aceitava de todo as questões tão recentes, que faziam parte de sua nova vida: doncelaria, casamento e agora... Filhos. O marido tinha razão, oh sim, tinha total razão.

_Draco... – Começou Molly, tentando evitar mais problemas entre os dois. – Posso conversar com Harry a sós, só um pouquinho? – E aproveitando-se da surpresa no rosto do loiro, reforçou – E acelere o chá, por favor, sim?

Harry o viu se afastar e não conseguiu mais conter as lágrimas. A deprimente fragilidade nunca mais o deixaria, não é? Teria que aprender a lidar com aquela nova faceta de si mesmo. Nem quando era maltratado pelos Dursley demonstrara tamanha debilidade. Percebeu as mãos trêmulas em seguida. Patético, definitivamente, patético.

A ruiva apenas o abraçou, cheia de carinho, esperando que se acalmasse. Quando o chá chegou, bebeu uma xícara e fez o seu “filho” beber uma inteirinha também. Depois o recostou no sofá, obrigando-o a se deitar e a apoiar a cabeça em suas pernas. Com paciência e cuidado, afundava as mãos nos fios macios de Harry e repetia o conteúdo da conversa que tivera mais cedo, naquele mesmo dia com Malfoy.

O Eleito se ruborizou envergonhado ao lembrar-se da primeira vez de ambos. Realmente foi... Incrível... E havia mesmo poder demais envolvido. “A cama realmente levitou, querido?”, perguntou a senhora Weasley e ele não sabia onde esconder o rosto. “Nossa, que noite, não? Quanto amor!”

Depois de ter falado sobre ele mesmo, do quadribol que fora deixado de lado, da profissão que ainda não escolhera e de seus medos de ficar totalmente dependente de Draco, ouviu Molly desatar um sem-fim de motivos para que Harry compreendesse que Draco, ah, Draco estava completamente envolvido na relação de ambos e que um não era dependente do outro.

“Sabe, querido, Draco ama você de verdade. Caso não saiba, varões com a herança veela podem ter até três parceiros, o mesmo ocorre com as mulheres de herança veela desenvolvida. Esse é um direito assegurado pela lei bruxa. E Draco nunca mencionou ter inclinação para exercer tal direito... Draco só enxerga você, meu amor, apenas você. Então seja mais compreensivo. Ouça primeiro, seja mais maleável...” E a revelação o deixou tenso, muito tenso. Que história era aquela de até três parceiros garantidos pela lei bruxa?!

Molly contudo, prosseguiu no falatório, como se aquela bomba jogada no colo de Harry não fosse nada perigosa. Segundo ela, Draco precisava ser tratado com mais carinho e que os medos deveriam ficar para trás, afinal, foi para ter uma vida plena que todos tanto lutaram na guerra. “E não há, Harry, não há mesmo maior plenitude, maior realização, do que ter um filho... Ou muitos!”, confidenciou-lhe entre risos. “Sei que a vida profissional, ter uma carreira, enfim, é essencial hoje em dia, mas ter um filho em nada lhe impede de estudar e trabalhar, se é o que você deseja”. E falar em filhos fez a raiva voltar.

_Por que ele não me contou logo, então? Por que esperou tanto? O que Draco pretendia? Contar que eu estou grávido somente na hora do parto?

Molly riu. Ai, ai... Aqueles dois... Teria rido mais, contudo, Draco estava de volta, as vestes apresentáveis novamente (puxa, que feitiço bom usara, tinha que conhecer!) e um olhar intenso em direção ao moreno deitado no sofá. Havia preocupação também.

_Conversem, sem mais discussões. Vou terminar o jantar e já, já os chamarei. Teremos visitas hoje – e saiu, mas o cinza só se importava com o verde. Qualquer outra distração não fazia algum sentido agora.

Draco se sentou no chão, o corpo de Harry bem próximo ao dele, a troca de olhares cada vez mais intensa. E antes que o esposo dissesse qualquer palavra, o loiro se antecipou.

_No começo, nem eu sabia, Harry. Tudo isso é novo para mim também. Depois, quando eu entendi o que acontecia, quando eu compreendi o que o meu veela tanto desejava proteger, ah, foi fantástico e aterrador, na mesma medida.

Harry lhe prestou total atenção. Analisava cuidadosamente cada expressão, cada palavra escolhida, cada gesto nervoso das mãos. É, ele estava dizendo a verdade. Ele simplesmente sabia quando Draco lhe era sincero.

_Aconteceram tantos imprevistos, doenças, a Skeeter... Foi ficando difícil conversar e esse foi o meu erro. Eu deveria ter te contado, assim que compreendi o que se transformava em você. E Harry, não te engravidei pelas suas costas. Esse filho não é fruto de uma maquinação da minha parte. Ele não foi arquitetado por mim para acabar com os seus projetos, eu...

_Shiii – e Draco sentiu os dedos do esposo tocando os seus lábios. – A senhora Weasley já me explicou essa parte.

_E você acredita em mim, certo? – E os olhos de Draco refletiam o seu grande desespero.

Harry bem que cogitou a possibilidade de deixar o marido sofrendo um pouco, talvez dias inteiros de pura agonia fossem suficientes, para ele aprender a nunca mais evitar problemas ocultando informações preciosas. Mas, vê-lo daquele jeito, prostrado diante de si, desejando desesperadamente uma resposta positiva, algo que pudesse lhe acalmar o espírito... Maldito Malfoy, que sempre conseguia o que queria dele. “Trate com amor e carinho quem te ama, meu querido. É sempre preciso demonstrar e falar o que sentimos”, aconselhara Molly.

_Acredito.

_De verdade, meu amor. De verdade mesmo? – E o sorriso deixou ainda mais atraente aquele rosto imaculado. Três parceiros? Nunca! NUNCA MESMO DIVIDIRIA O SEU DRACO!

Harry o beijou sem nem perceber, as mãos afundadas no sedoso cabelo amarelo, ávido, faminto, possessivo. Nem o loiro entendeu o porquê daquela necessidade, mas aceitou feliz tudo o que Harry lhe fazia.

_Eu acredito sim, Draco. Mas, por Circe, você tinha que falar para a senhora Weasley que a cama levitou? – E o rosto corou, sempre coraria.

_Ora, Harry... Não é possível dizer não a Molly, sabe disso.

_Desculpe o que eu fiz – e os olhos marejaram. – Oh, Merlin! Você deve estar achando que sou um maluco, um psicopata assassino que sai cometendo atrocidades a esmo! – E lá estavam elas, transbordando face abaixo. – E se agarrou ao marido com força. – Prometa, Draco, prometa que... Que nunca vai ter mais esposos, só eu. Só eu! – E Draco se assustou com o choro sentido do único esposo que pretendia ter na vida.

O loiro o beijou dessa vez. Terno e carinhoso, acariciando-lhe as bochechas, borrando as tolas lágrimas. De onde tinha vindo aquilo? De onde Harry tirara a ideia de que ele faria valer seu direito de varão veela e ter mais parceiros? Ora, por favor, nem que estivessem em plena Idade Média!

_Mais calmo? – E limpou os últimos rastros de lágrimas daquele rosto imaculado.

_Eu... Eu não sei... – E fungou tão infantil que Draco sorriu, sucumbindo a tamanho ataque de diabetes, mas nunca contaria a Harry que ele era uma coisinha tão doce e fofa. Afinal, tinha amor à própria vida.

_E agora? Melhor? – Perguntou uns três beijos mais tarde, um leãozinho mais tranquilo e decididamente mais fofo, com o rosto corado.

_Sim... – E como se sentia envergonhado desses momentos. – Prometa, Draco! Prometa! Meu amor é suficiente, não é? Eu te amo por todo e qualquer outro parceiro e...

Malfoy sorriu amplamente, feliz como nunca. Harry estava mesmo sentindo o que ele pensava?

_O que foi, loiro-falso? Já estava planejando isso, não é? Pois pode esquecer! Você é meu, entendeu? Só meu! – E o agarrou novamente, beijando o esposo, mordendo-lhe o lábio inferior no processo.

_Ai, Harry. Nossa, doeu.

_É só um aviso. Nada dessa história de três esposos. Ou eu vou morder outra coisa. Não divido você com ninguém.

_Sério mesmo? Puxa, eu até achei aquele auror interessante. Qual era mesmo o nome? Ah, Pitt...

_Gosta do que tem entre as pernas, Malfoy?

Era impossível acreditar no que ouvia. O poderoso Eleito estava se rasgando inteirinho de ciúmes! E o sorriso se transformou em gargalhadas.

_Harry e Draco, venham jantar! – a voz da ruiva encheu a casa.

_Ok, ok... Entendido, testa-rachada. Eu não quero mais ninguém além de você. Só você... Sempre foi você – e o beijou de leve.

_É bom mesmo. Agora, vamos logo ou ela vem aqui e nos puxa pelas orelhas – completou, levantando-se rápido demais, o que fez a sala girar.

O veela foi surpreendentemente rápido, ficando de pé e segurando-o firme junto de si. O moreno realmente se assustou dessa vez, tanto que Draco o mimou, acariciando-lhe de leve, sendo bastante carinhoso. Já Harry agarrou-se ao marido, evitando assim uma queda nada agradável, enquanto ouvia: “só há você, meu amor... Sempre foi só você”, sendo abraçado apertado e com cuidado, uma nova tontura se fazendo presente.

_Tonteiras, aff – E se perguntava se agora seria sempre assim: um show de esquisitices... E ciúmes! E ovos com cereja e morando... E mostarda preta. Choradeiras inesgotáveis, rompantes de fúria, vômitos, desmaios e mais tonteiras... MERLIN!!! – Tá tudo bem Draco, acho que já consigo andar.

_Mas com cuidado, Harry. Deve ser muito cauteloso daqui em diante – recomendou, mas não o soltou e lhe acariciou a barriga de um jeito tão carinhoso e delicado, que um calor estranho se apoderou do grifinório, reconfortando-o.

Uma aura mágica os envolveu, iluminado a sala. O veela se espalhava autoritário, demonstrando que aquele era o seu prometido, o seu esposo, que carregava no ventre o bem mais precioso de ambos. A intimidade daquele momento era tal que poderiam estar em pleno beco diagonal, apinhado de pessoas, que simplesmente, nada teriam visto.

“Ah, que fofo!”, pensava Gina parada na porta da sala, eclipsada pela cena tão romântica, mas ainda muito habilidosa para tirar algumas fotos. “Deixa só eu mostrar isso para a Gabrielle.”



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_Ainda com esse jornal? Jogue essa porcaria no lixo.

O jornal foi deixado na precária mesa. Na verdade, tudo ali era precário, servindo apenas para aumentar o ódio que sentia. O submundo: esse foi o lugar destinado a eles. Sem dinheiro, sem prestígio, sem oportunidades... O limbo! É, apenas o limbo. Nada além da lama e da desgraçada para os que foram, em alguns casos, tão vítimas quanto os que jaziam em túmulos imaculados ou eram alvo de grandes honrarias.

Mesmo tendo obtido formas de ludibriar a sarjeta na qual os deixaram, precisavam manter a máscara. Precisavam deixar evidente para os abutres famintos que os cercavam, loucos para lacerar até a última nesga de carne quase morta, que iam de mal a pior, que morriam a míngua.

O casebre muito mal os protegia da chuva, do frio e da neve. Depois de tanto se doar, o que restara? Uma habitação lúgubre, comida escassa e nenhuma oportunidade. E a glória que fora prometida? E o poder que seria de todos eles? E a limpeza que fariam? Nada... Absolutamente nada. Todos os anseios e sonhos destruídos pela ação de um moleque mal saído das fraldas.

_Deixe-me com meu jornal. Tudo pronto para amanhã?

_Sim, tudo pronto. Nosso senhor ficará muito satisfeito.


[1] Na minha versão (não me mande um Avada, venerada J.K.), Gabrielle é um pouco mais velha. Ela tem 18 anos.

Notas finais
Harry tem olhos verdes... de ciúme do seu loiro gostoso!