Submersa
1 Capitulo Único.
Notas iniciais
Quando os seus olhos encontraram os meus, minhas mãos tremeram, meu coração disparou e eu senti borboletas no estômago.
Naquele lugar escuro a única coisa que eu conseguia ver era a sua silhueta parada, me encarando com um enorme sorriso enquanto suas mãos se aproximavam lentamente.
Engraçado, esse era o único lugar que eu achei que poderia me esconder, mas mesmo assim você me achou. Mesmo este sendo o meu local secreto, onde poucos, raros, míseros, ninguém, ousava chegar perto. Escuro, mal cuidado e caído aos pedaços. Mas eu me sentia confortável ali, até porque além de tudo, era o meu cantinho. Talvez eu não devesse ter ficado tão confortável num local tão deplorável.
Você sempre fora tão bondoso, paciente, atencioso.Todos se atraíram por você. Eu me atraí por você, pela forma que você facilmente tirava um por um do mar de sofrimento...
Agora eu entendo que você não os tirava por magnanimidade, tirava-os para que depois, com suas próprias mãos e no seu próprio mar, os afundasse para sempre.
Suas mãos chegaram perto o suficiente para que eu conseguisse enxergar o vermelho carmesim que estava impregnado na manga da sua blusa.
Sim, quando seus olhos encontraram os meus, minhas mãos tremeram, meu coração disparou e eu senti borboletas no estômago, borboletas essas que rebatiam nas paredes da barriga em busca de se libertarem, mas dalí elas nunca poderiam. Não enquanto você estivesse por perto, porque eu sabia que se agora você estava aqui...era o fim.
Você me deu dias brilhantes, emoções inexplicáveis, eu fechei meus olhos e me joguei naquele mar, naquela imensidão que aparentemente não tinha fim.
Como não notei que o mar era feito de trevas e que aquela imensidão nada mais era que o terror que habitava no seu ser? Afoguei-me no teu mar de palavras e agora é tarde demais para sair...
As borboletas pararam por completo, se aquietaram quando sua voz chegou aos meus ouvidos, sua doce, doce voz.
—Chegou sua vez, minha pequena e adorável Mari.
Já estou submersa.
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