Notas iniciais
Um trechinho de POV Derek. Vão ter bastantes POV'S Derek a partir daqui. Enjoy.

"O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno."

– Henry Van Dyke

Acordei no dia seguinte sentindo um calor enorme. Parecia que eu tinha dormido abraçado com o sol. Eu estava soando litros, e a cama estava encharcada. Bufei. Odeio trocar roupa de cama.

Senti um peso encima da minha barriga, e quando olhei, era o braço de Derek. Sorri. Ele parecia tão fofo dormindo. Era como um anjo. Sua boca em uma linha reta, quase divertida. Seus olhos fechados, calmos. Suas bochechas avermelhadas. Seu cabelo bagunçado. Derek passava da definição "perfeito".

Tentei me desvincilhar de seus braços sem acordá-lo, sem sucesso. Parecia que quanto mais eu tentava sair, mais ele me apertava. Até que ele jogou as pernas por cima das minhas e resmungou baixinho. Olhei pra ele com uma dúvida cruel na cabeça: "acordo ou não acordo?" "acordo ou não acordo?". Acordo.

– Derek. — Chamei baixinho, cutucando o peito dele. Ele resmungou de novo, só que agora ele resmungava palavras tipo "só mais cinco minutos" "me deixa, tá tão bom". Parecia uma criança.

Fiquei o observando repousar, até que ouvi batidas fortes na porta.

– Filho? Tudo bem? Filho? — Meu pai falava enquanto batia sem parar na porta.

Tomei um susto, e Derek também. De um momento para o outro ele já estava em pé, tropeçando em tudo, pegando as roupas pelo caminho. Só então percebi que ele estava nu. Gloriosamente nu. Ele era a versão masculina de Afrodite.

Sentei sobre a cama e o observei, sorrindo de canto.

– Estou sim pai! — Falei alto o bastante para ele ouvir do outro lado da porta.

– Tudo bem então. Já vou indo pro trabalho. Durma na casa de Scott hoje, por favor. Eu realmente não quero que você fique sozinho, e hoje eu chego tarde. — Meu pai falou praticamente gritando do outro lado da porta.

– Tá pai, tanto faz! Tchau! — Falei.

Derek parou, já devidamente vestido, só que sem as botas, e ficou me olhando. Ouvimos os passos do meu pai descer as escadas apressadamente, e logo depois o barulho da porta batendo. Sorri para ele. Eu ainda estava pelado.

– Você não vai se vestir? — Derek falou ainda com a voz baixa. Nós nos acostumamos a falar assim, sempre.

– Estou com muito calor pra isso. Parece que dormi com Hélio*. — Sorri.

– Não, você não dormiu com Hélio, você dormiu comigo. E se você tivesse dormido com ele, eu provavelmente estaria iniciando uma briga nesse exato momento. — Ele falou fingindo uma careta. — Agora se vista, por favor, se não vai ser impossível sair daqui hoje.

– Tá, tá, tá! Seu chato!

Levantei lentamente, provocativo. Coloquei somente a cueca, bem devagar, olhando nos olhos do Derek. Num surto de coragem, enfiei minha mão dentro da cueca e ajeitei meu pênis em uma posição confortável. Derek arregalou os olhos, quase imperceptivelmente. Ponto para o Stilinski!

– Você não presta! Eu criei um monstro! — Ele disse, exibindo uma falsa careta de horror.

– Idiota. Agora, que tal tomarmos café da manhã, e você sair pela porta da frente igual gente? — Falei.

– E eu sou um animal? — Derek falou.

– Na maioria das vezes. — Sorri maliciosamente, e ele tacou um travesseiro em mim.

*

– Hoje é que dia mesmo? — Derek perguntou, já na porta.

– Você é burro ou se faz? Hoje é sexta. — Falei.

– Deixa de ser palhaço. Hoje é sexta, ontem foi quinta, correto? — Ele perguntou.

– Você tá caçoando da minha cara? — Falei rindo.

– Não, idiota! Só estou tentando te lembrar do nosso piquenique hoje à tarde! — Derek parecia irritado.

– Calma ai Badboy. Eu me lembro do piquenique. Posso dormir na sua casa hoje? Sabe como é né, prefiro dormir agarrado com você a dormir ouvindo os roncos do Scott. — Pedi.

– Você pode dormir lá quantas vezes você quiser. Mi casa, su casa. — Derek parecia brincalhão e leve essa manhã. Com uma pitada de nervosismo. Gostei.

– Ok. Agora vá logo antes que a dona Cleide apareça te dando um tiro de pistola e devolva seu corpo envolto num laço vermelho de presente pro meu pai. — Sorri.

– Sem graça! Me espera na floresta hoje, às 13h, naquela árvore que te falei um dia. — Derek disse, e eu lembrei da árvore. Grande, linda, de frente para o lago, um tanto quanto afastada. Eu sabia onde ficava.

– Vai logo. — Falei manhoso.

Derek piscou, deu meia volta e foi embora. Maldito! Olhei para minha semi-ereção e adentrei minha casa. Não queria assustar a vizinha.

*

Eu não suportava mais a espera. Eu andava de um lado pro outro pela casa, e meus pés praticamente já faziam buracos pelo chão. O que o Derek está tramando? Por que ele estava tão nervoso? Ele é sempre tão cheio de si, e hoje ele estava tão... Vulnerável. E vulnerabilidade é uma coisa nova, se tratando de Derek Hale.

Fiz comida, limpei a casa, tomei banho, limpei a casa de novo... E o tempo nunca parecia passar. Era como se o mundo e o relógio me odiasse. Ok, estou sendo dramático e até um pouco chato e repetitivo. Mas, vamos lá... É Derek Hale. Eu tenho o direito de um pouquinho de histeria.

Finalmente deu a hora, e eu tomei outro banho, dessa vez um pouco mais demorado. Eu tinha banheira, mas quase nunca usava. Eu deveria usar ela algum dia com ele, talvez... Sorri de canto com a ideia.

Passei desodorante, perfume, coloquei uma bermuda jeans, uma camiseta branca e um tênis comum. Hoje o dia estava ensolarado, e o céu todo azul, sem nenhuma nuvem. Perfeito para um piquenique.

Penteei meus cabelos, e sai. Fui caminhando mesmo. Minha casa não era tão longe do local que tínhamos marcado.

Senti um arrepio passar pela minha espinha. Isso tem sido normal nos últimos dias. Quando estou caminhando sozinho pela rua, sinto um arrepio estranho, e uma leve impressão de estar sendo vigiado. mas deve ser tudo coisa da minha cabeça. Quem iria querer sequestrar ou assassinar um magrelo chato e indefeso como eu? Com certeza não iria ganhar o Prêmio Nobel do Assassinato.

O que diabos eu estou falando?

O nervosismo tá mexendo com a minha cabeça.

Finalmente cheguei na bendita árvore, e encontrei um pano forrado xadrez vermelho com branco, lindo. Era enorme. Tipo, enorme, enorme, mesmo! Tinha várias coisas por lá, sucos, refrigerantes, bolos, pães, tudo o que um piquenique tinha direito. Olhei para aquele banquete e sorri... Derek, com toda certeza do mundo, está tramando alguma coisa.

Derek POV

Eu estava escondido atrás de uma árvore observando o Stiles. Eu nunca estive tão nervoso na minha vida. Finalmente ia pedir a mão dele em namoro, mesmo sem o consentimento de seu pai. Minhas mãos soavam e eu tremia. Mas o que diabos é isso? É só um garoto. Eu só vou pedir a mão de um garoto em namoro.

Ôh, puta merda!

Stiles sentou e ficou observando o lago, enquanto pegava algumas coisas pra comer. Que desgraçado apressado! Eu poderia estar morto, ou ter sido sequestrado, e ele senta e come pão, sem se preocupar. Tinha que ser esfomeado mesmo!

Eu não posso acreditar que cheguei até aqui. Foi tudo tão rápido! Será que ele vai recusar e jogar o negócio na minha cara? Jesus, se ele fizer isso, eu o caço até os confins do inferno e faço um ensopado com ele vivo!

Não, ele não iria recusar. Creio que está apaixonado por mim também. Eu posso ler em seus olhos, eu posso ver em seus gestos exasperados.

Esse garoto mudou minha vida.

Stiles POV

Eu estava sentado, comendo um pouco e olhando para o lago. Onde diabos esse filho de uma mãe se meteu?

Fiquei esperando por mais alguns segundos, até que ele apareceu.

– Estava morto e reviveu, meu filho? Tô quase mumificado de tanto esperar. — Falei sorrindo de canto.

– Larga a mão de ser chato! Eu estava resolvendo... Uma coisa. — Derek falou, e se sentou do meu lado.

– Então.. Ao que devo a honra desse banquete? Você não vai alimentar um time de futebol, Hale. — Sorri.

– Alimentar você é pior que alimentar trinta times de futebol, Stiles. — Derek caçoou.

Peguei um pedaço de pão e taquei nele, que, habilmente, pegou com a boca no ar.

– Boca habilidosa. — Falei com duplo sentido.

– Eu sei. — Ele sorriu.

Ficamos um bom tempo conversando e olhando para o lago. Comemos praticamente toda a comida. Derek e eu juntos somos um prejuízo pra quem bancar. Nunca vi comermos tanto.

Até que ele ficou tenso. Somente concordava com a cabeça algumas vezes, e ficava fitando o nada.

– Terra para Derek. — Falei passando a mão na frente do rosto do mesmo.

– Quer namorar comigo? — Derek soltou, olhando para o meu rosto e sorrindo.

– Desculpe? — What?

– Eu perguntei se você quer namorar comigo. Você tá velho ou gaga? — Derek sorriu mais ainda.

– Mas é claro que eu quero! — Falei praticamente gritando histericamente e me joguei no colo do mesmo, que gargalhava. Nos beijamos por alguns minutos, ate que nos afastamos em busca de ar.

– Eu não queria te dar um anel, pois achei que seu pai iria perceber e arrancar o teu dedo fora. Então decidi te dar isso. — Ele entregou uma caixa aveludada pra mim. Quando abri, tinha um cordão com um Triskle em tamanho mediano e preto. Meus olhos se encheram de lágrimas.

– Combina com o meu. — Derek tirou de dentro da blusa um igual ao meu.

– Derek.. Isso é tão.. Meu Deus! Eu amo você! — Eu definitivamente o amava. Não estava dúvidas.

– Eu também amo você. — Derek sorriu e me olhou.

De repente, Derek levantou e começou a tirar as roupas. Arregalei os olhos, e ele gargalhou mais ainda.

– Relaxa.. Não vamos fazer nada aqui. — Respirei fundo. Eu nem percebi que estava segurando a respiração.

– Vamos, tire a roupa. Vamos entrar no lago. — Derek apontou, ajeitando a cueca. Eu venci na vida namorando um homem desse.

– Ahhh sério Derek? — Falei manhoso.

– Ou você tira por conta própria, ou eu pego você no colo e te jogo na água com roupa e tudo. — Ele parecia sério, resmunguei e tirei minhas roupas, ficando só de cueca boxer azul. Enrubesci. Eu ainda tinha vergonha.

Ele percebeu, tocou em minha bochecha com seu polegar e sussurrou "tão lindo". Derreti igual manteiga e sorri.

Antes que eu pudesse pensar, Derek me jogou por cima de seus ombros como um saco de batata e pulou no lago. Emergi, o xingando até não poder mais. A água estava um gelo.

– Mas que filho da p... — Derek me interrompeu com um beijo. Retribui.

Mordi os lábios dele de leve, e puxei. Ele gemeu baixinho.

Me afastei dele rapidamente e joguei água em seu rosto. Quando ele abriu os olhos, tinha uma carranca do tamanho do mundo. Comecei a gargalhar, até que senti um jato de água no meu rosto.

Ficamos brincando e nos amando até anoitecer.

Notas finais
Hélio = Deus do Sol. (segundo o Google). Espero que vocês tenham gostado do POV Derek e do restante. Vocês falaram que os capítulos estavam pequenos, e eu os cresci um pouco. Créditos ao Tumblr pela foto. E, ah, desculpem se tiver alguns errinhos aqui, outros lá. Eu mesma escrevo, reviso, beto, arrumo e posto aqui. Dá um trabalhão, mas eu acho melhor assim. Comentem! Amo vocês kids!