Notas iniciais
Quero dedicar especialmente esse capítulo à minha cabritinha linda Newbitch! Feliz aniversário, muitos anos de vida, saúde, paz, amor e harmonia! Muito obrigada por ter me acompanhado até aqui. E também, não menos importante, dedico esse último capítulo a TODOS os meus leitores! É com lágrima nos olhos que eu digo pela última vez: Enjoy.

"O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível."
– Adélia Prado

Acordei com o barulho estridente e chato de um choro. Qual foi? Eu só tinha dormido umas cinco horas!

– Sua vez. — Ouvi o Derek dizer baixinho, enquanto se enrolava ainda mais no edredom.

– Isso não é justo! Eu já fui meia hora atrás. — Falei, empurrando-o pelas costas.

Derek descobriu o rosto e procurou meus olhos na escuridão.

– Se você for, eu pago um boquete. — Ele disse.

Isso não é justo!

Levantei rapidamente, antes que a coragem se esvaísse, e o ouvi rindo baixinho. Mas é um bastardo mesmo!

– Eu vou cobrar esse boquete depois. — Falei, me espreguiçando.

– Vai logo! Quer fazê-lo morrer de chorar?

– Você é muito exagerado, Derek. Muito exagerado.

Falei sorrindo, antes de abrir a porta e caminhar até o quarto do Luke.

Naquele mesmo dia...

Hoje eu e Derek completamos três anos de casados. Parece que foi ontem que nos conhecemos, parece que foi ontem que casamos. Nós nunca percebemos o quão rápido o tempo passa.

Adotamos um lindo garoto chamado Luke, faz seis meses. Luke tem um ano agora. Ele é a estrela que apareceu em nossas vidas para iluminar o nosso caminho.

Eu não poderia estar mais feliz. Derek e Luke é tudo que eu tenho na minha vida. Também tenho o meu pai, claro. Porém, Derek, eu e Luke formamos uma família. A família que eu sempre sonhei.

Consegui um emprego de meio período em uma biblioteca do Centro. Derek conseguiu um trabalho na farmácia que tem aqui do lado do nosso apartamento, assim fica mais fácil de ele vir correndo se o Luke sentir dor ou alguma coisa.

Contratamos uma babá chamada Kira. Ela é ultra mega fofa. Porém, quase não fica com o Luke, pois como eu trabalho meio período, fico bastante tempo em casa.

Somente um aviso que serve pra vida de vocês: criança é um amor, mas dá um trabalho que meu Deus do céu! Eles cagam pra cacete, e fora que eles gorfam muito. Nos lugares menos desejáveis pra se ter uma criança gorfando em seu ombro, eles gorfam.

Derek adora passar todo o tempo que pode comigo e com Luke. Eu sinto como se estivéssemos completos, e tenho certeza que ele sente também.

Derek e eu estávamos jogados no sofá, com o Luke no meio, assistindo Baby Looney Tunes, quando a campainha estridente tocou.

Levantei resmungando, e fui atender. Quando abri, era Kira.

– Olá, Stiles! Eu vim cuidar do Luke. — Ela falou, sorrindo, com aqueles olhos de japonesa que eu tanto adoro.

– Veio? Mas eu não solicitei. — Falei, meio confuso. Hoje eu e Derek estávamos de folga.

– Mas eu solicitei. — Derek disse, atrás de mim, com Luke no colo.

Olhei para ele confuso. O que será que ele está aprontando?

– A casa é sua, Kira. — Derek falou, enquanto entregava Luke para ela.

– Obrigada, Derek. Vou subir para o quarto dele. Acho que ele fez caquinha. — Kira riu, enquanto pegava ele no colo. Logo aquele cheiro me subiu a narina.

– Nossa, Luke! Como é possível você feder tanto assim? — Falei com a mão no nariz, e consequentemente, Derek me deu um tapa na cabeça.

– Para de falar assim do nosso filho!

Naquela noite...

– Puta merda, Derek! Tá muito frio! — Falei, enquanto passava as mãos freneticamente pelos braços tentando os aquecer, em vão.

Derek me chamou para um parque distante, para o fazer o quê eu não sei. Ele não quis dizer.

– Você reclama muito. Espera uns minutinhos. — Ele falou, dando um gole no champanhe.

– Se eu esperar mais uns minutinhos você vai sair daqui me carregando pro necrotério.

Derek riu quando eu terminei de falar, e começou a olhar o horizonte.

Sua barba espessa ainda toma conta de seu rosto. Derek estava quase no auge de seus 30 anos, e alguns fios brancos insistentes apareciam em seu cabelo e barba. Era muito lindo de se ver.

Como se a idade estivesse chegando, e junto com ela a experiência.

Alguns minutos depois, senti uma coisa macia tocar o meu ombro. Quando olhei, era uma rosa.

Uma pequena, branca e delicada rosa.

De repente, o lugar estava repleto daquelas coisas minúsculas.

Estava chovendo rosas. De algum modo, estava.

– Derek isso... Isso é lindo. — Falei, com os olhos repleto de lágrimas.

– Feliz três anos de casado, meu amor. — Derek disse, pegando em minha mão e a acariciando.

Puxei seu rosto contra o meu, e selei nossos lábios.

Derek era minha linha tênue entre o sonho e a realidade.

15 anos depois...

– Eu estou namorando. — Luke falou, enquanto tomávamos nosso café da manhã.

– Isso é ótimo filho. E quem é ela? — Falei, batendo palminhas. Derek tinha uma carranca do tamanho do mundo. Parecia que comeu comida estragada. Ele ainda não aceita que nosso filho cresceu.

– Não é ela, pai Stiles. É ele. — Luke falou, enquanto mexia pra lá e pra cá com a panqueca em seu prato.

O silêncio se fez presente. Derek depositou o garfo e a faca lentamente no prato.

– Você tem certeza que isso não é influência da nossa relação, Luke? — Ele falou se referindo a nós dois.

– Não, pai Derek. Eu o amo. — Luke disse, firmemente, olhando nos olhos de Derek.

Naquele momento, eu me vi em seu lugar. Contando para o meu pai que era gay, e que estava namorando Derek.

Derek ficou olhando alguns segundos para ele, o analisando. Procurando qualquer resíduo de brincadeira ou dúvida, porém, não encontrou. Então, Derek sorriu. Automaticamente eu sorri também.

– O chame para almoçar, Luke. — Falei, enquanto voltava a comer a panqueca.

Luke sorriu tão abertamente que o seu sorriso quase parecia lhe rasgar a face.

Eu só pude sorrir de volta.

Eles crescem tão rápido.

No almoço...

– Eu não entendo porque você quis cozinhar carne de carneiro. Isso dá um trabalho dos infernos. Por que nós não podíamos colocar uma lasanha no microondas? — Derek resmungou, enquanto dava os toques finais na salada.

– E eu não entendo porque diabos você reclama. Você só faz a salada! — Falei, jogando uma rodela de cenoura nele.

– Amor, se eu colocar a mão no fogão, nossa casa explode. — Derek sorriu, e eu sorri de volta.

Como se fosse ensaiado, assim que terminamos, a campainha tocou. Ouvimos passos pesados e apressados sobre a escada, e olhamos um para o outro com olhar de cumplicidade.

– DEIXA QUE EU ATENDO! — Luke gritou, da sala.

– NÓS NÃO ESTAMOS SURDOS! — Derek gritou, de volta.

– Para com isso! Vai envergonhar o garoto. E vê se come igual gente! — Falei, dando um tapa no pescoço do mesmo.

– Olha só quem fala! A comida não vai criar pernas e sair correndo do prato. Come devagar. — Derek falou, dando um soquinho no meu braço.

Ouvimos um pigarro baixinho, e olhamos para a porta da cozinha.

– Pai Stiles, pai Derek... Esse é o Liam. — Luke falou envergonhado, apontando para o garoto ao seu lado.

Ele era uma gracinha.

Tinha os cabelos cor de areia, olhos azuis, e era bastante musculoso até.

– Muito prazer, Liam. — Falei, apertando a mão dele. — Eu sou Stiles.

– Muito prazer, Sr. Stiles. — Liam falou baixinho.

– Você pode me chamar só de Stiles. — Sorri.

– Eu me chamo Derek. E você pode me chamar de Sr. Derek. — Derek falou, apertando a mão do Liam logo depois de mim.

Olhei pra ele com uma carranca, e ele revidou me dando língua.

– Muito maduro da sua parte.

Todos nós rimos.

*

– Então, Liam... Quais são as suas intenções com meu filho? — Derek perguntou, por fim, quando terminamos nossa refeição.

Liam começou a tossir violentamente, e ficou pálido. Luke correu para ele, o oferecendo um gole d'água.

Aquela situação me causou um dejavu, e eu comecei a rir baixinho, tentando em vão prender o riso.

– As melhores possíveis, Sr. Derek. — Liam falou por fim, quando já tinha se acalmado.

– Você usa drogas, Liam? — Derek falou, com o rosto calmo.

– DEREK! — Gritei, dando um tapa no pescoço do mesmo.

– O que foi? — Ele disse olhando pra mim.

– Não, Sr. Derek. Não uso drogas, não bebo, não fumo. Nada disso. — Liam falou, olhando para Luke, que o olhava de volta.

– Ok, então... Vocês tem minha benção. Mas teremos regras, das quais irei pensar ainda. — Derek falou, bebendo um gole do seu vinho.

– Por mim está tudo bem também. — Falei, segurando a mão de ambos.

O sorriso que o Luke deu foi tão sincero e agradecido que aqueceu meu coração.

– Obrigada. Podemos subir? — Luke perguntou, envergonhado.

– Vocês tem 30 minutos. — Derek falou.

– Obrigada, Sr. Derek. Muito obrigada mesmo. — Liam falou.

– 29... — Derek disse, ameaçando-o.

Luke puxou Liam fortemente pelo braço, e correram para o quarto. Olhei para o Derek e não consegui segurar uma gargalhada. Derek também sorriu de leve, mas eu sabia que ele estava feliz.

*

– A lua está linda. — Falei, enquanto tomava um gole de vinho.

Derek e eu tínhamos vindo para a varanda após a refeição, para apreciarmos a noite.

– Nada é mais lindo que você, Stiles. — Derek sussurrou em meu ouvido, e eu retribui acariciando de leve a mão do mesmo.

O cabelo espesso de Derek já não existia mais. Era ralo, podíamos praticamente contar com os dedos da mão, mas pra mim ele continuava lindo. Aqueles cabelos brancos, rugas tão significativas, o tornavam mais lindo.

Para ser feliz não precisamos de carros importados, muito dinheiro no banco, roupas de grife e reconhecimento. Para ser feliz, simplesmente precisamos de uma pessoa ao lado que nos compreenda, nos ajude, nos ame, e cuide de nós como se fosse ele mesmo.

Precisamos dar uma chance a vida. Quebrar a cara às vezes, se machucar, cair, sofrer. No final tudo dá certo. Pode demorar meses, anos, quem sabe? A vida é cheia de enigmas.

Nós só precisamos dar uma chance a nós mesmos. Nos dar a opção de errar, e de consertar.

Eu não poderia estar mais completo. Eu tenho o homem da minha vida ao meu lado, um filho maravilhoso, e agora um genro incrível.

Eu tenho tudo o que um dia eu sempre quis.

E irei aproveitar tudo isso até o meu último suspiro de vida.

Amei Derek no passado, e o amo hoje.

Irei amá-lo para sempre.

Sempre.

Notas finais
Eu não sei muito o que falar, além de agradecer. Muito obrigada a todos que me acompanharam, que me ajudaram, incentivaram, comentaram, deram opiniões... Tudo, completamente tudo o que vocês falaram, me ajudaram a escrever Amor, sublime amor. Eu mudei MUITO o enredo ao decorrer da história. No início, eu estava pensando em fazer algo mais dramático, com mortes e tudo mais, porém, vendo os comentários de vocês, pedindo romance e hot, eu fui escrevendo, escrevendo, e saiu essa coisa melosa. Mas foi tudo tão lindo. Eu não tenho palavras pra agradecer a todos. Vocês são ultra mega fodas, e sempre serão meus cabritinhos. Muito obrigada mesmo! Amo vocês. Com amor, Tulipa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!