Sublime Amor.
4 Attractive.
Notas iniciais
– Desculpe, perdi a noção da hora consertando os outros carros. Mas o vazamento é pouco e o problema pode ser resolvido em menos de dez minutos. Seu carro é muito bonito senhor, me desculpe mais uma vez. Eu sou muito estúpido. Tudo bem que você chegou antes da hora, mas eu deveria ter feito isso bem antes do senhor chegar. Eu sou muito estúpido. Daqui a dez minutos estará pronto. Desculpe mais uma vez. – Comecei a tagarelar de nervosismo, minha mente trabalhando a mil.
– Hei, hei, hei, hei! Para, pelo amor de Deus! Assim meus tímpanos estouram e eu não vou ouvir nunca mais na minha vida. – O homem fez uma pausa um tanto quanto exagerada. – Eu sei que vim cedo, só queria acompanhar o trabalho de perto. Gosto muito dessa belezinha aqui. — Ele disse alisando seu carro.
– Tudo bem então. – Fiquei com vontade de enterrar minha cabeça no chão e nunca mais sair depois do que eu disse. Eu falo demais, sempre. Não tenho um filtro entre minha mente e minha boca. Preciso me tratar.
Comecei o conserto do carro, com toda calma e paciência do mundo. Não queria que eu terminasse rápido e que o homem a minha frente fosse embora. Não vou ficar me martelando querendo entender o porquê desse desejo repentino. Derek observava todos os meus movimentos, o que era um pouco constrangedor. Eu já estava hiperventilando e estava muito nervoso.
– Você quer ajuda? Entendo de conserto de carros, na verdade. Só não estava com vontade de fazer, por isso trouxe ao mecânico. – Derek falou de repente, com a voz meio alta. O que me assustou.
– C-claro. – Droga. Inferno. Inferno duas vezes. Eu gaguejei como um idiota. Como se fosse impossível ficar pior, como se todo o estoque de constrangimento já tivesse se esgotado, Derek tirou a jaqueta exibindo uma regata branca colada ao seu corpo. E que corpo!
Ele veio me ajudar, chegando perto até demais. Senti meu coração acelerar, como se fosse pular do peito e me dar um soco na cara. Respirei fundo três vezes e tentei me acalmar.
Conversa vai, conversa vem, descobri que ele mora duas ruas depois da minha casa. Tem um tio chamado Peter, uma irmã chamada Cora e tem 24 anos. Out! Velho. É solteiro e bissexual. Pois é. Eu não perguntei, ele simplesmente falou como se fosse a coisa mais natural do mundo falar que dá e come pra um adolescente ofegante enquanto conserta um Camaro. Super normal.
– Mas e você? Do que você gosta? Quais são seus interesses? – Derek perguntou, enquanto retirava o cano furado.
– Não sou muito interessante, na verdade. Tenho 18 anos, meu pai é o xerife, estudo e trabalho aqui, o que é obvio. Estou quase terminando o terceiro ano e não tenho nenhuma ideia sobre faculdade. Perdi minha mãe ainda novo, e falo muitas coisas sem pensar, como você já deve ter percebido. Sou fanático pelo Batman e gosto de lasanha a bolonhesa. Quanto minha orientação sexual... – Fiz uma pausa. – Em dúvida. Fui obcecado por Lydia, uma garota da minha escola, desde que eu me entendo por gente. Mas já passou. E sou virgem. – Puta que pariu! Senti minhas bochechas queimarem, e tentei ao máximo não olhar para o rosto do mais velho. Fiquei focado no carro mexendo pra lá e pra cá sem ter muita ideia do que fazer ou como reagir.
– Virgem mesmo? Tipo, virgem virgem, ou virgem? – Derek perguntou curioso. E mais uma vez naquele dia, quis enterrar minha cabeça no chão e nunca mais sair.
– Não sei a diferença entre os dois. Mas acho que virgem virgem. – Eu disse, antes que a vergonha consumisse e eu saísse correndo dali o mais rápido possível. Derek ficou quieto, mas posso jurar que ouvi o mais velho murmurar bem baixo.
– Interessante.
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