Subjacente

1 Prólogo


Notas iniciais
Já deixo avisado que não tenho previsão de postagem do primeiro capítulo porque ando muito ocupada com os estudos e a frequência de atualização vai depender muito mais do meu nível de inspiração, mas espero que gostem desse singelo prólogo. c:

Ergui-me em meio aos corpos. Era uma noite chuvosa e quieta de sexta-feira e não me lembrava de onde vinha nem me importava com meu destino enquanto me distraía perambulando por uma avenida de shoppings e livrarias. O portão do colégio católico em frente ao qual havia parado estava entreaberto e, na sua calçada, um grupo de freiras desfalecidas, estiradas no chão.

Eu não tinha culpa; isso era um desejo guardado desde a infância. Mas eu não as matei, estavam ali antes de eu chegar. Testei seus pulsos – nenhum respondia. Pela cor do sangue que desenhava trilhas até o bueiro, o assassinato era recente. Não pude resistir, ajoelhei-me diante delas e me inclinei, alcançando o pescoço e furando a carótida com os caninos. Ah, o sabor metálico e estranho que tanto me agradava e acalmava...! Mas o prazer não foi completo como os de outrora, com o gosto se misturando ao de cevada, produzindo algo mais fraco e amargo. Mais uma vez, eu não tinha culpa – estava alcoolizada.

Mas ao me erguer, senti culpa. Irônico, no mínimo. O inconsciente nunca é totalmente dormente, não; ele é latente, inerte. Uma hora produz seus efeitos. Ainda estava longe, porém, o suficiente para eu não me dar conta da gravidade do meu contexto. E então, limpando os cantos dos lábios com as costas da mão, estando já de saída, vi a silhueta de alguém na penumbra das escadas que davam para a portaria. Aproximava-se devagar, o que fez-me sentir o instinto da fuga correr meu corpo, mas não o obedeci; meus pés estavam praticamente cravados no concreto, mais por curiosidade do que medo. Somente quando estávamos próximos, talvez a um metro de distância, percebi que vestia uma capa negra e longa e, por baixo da sombra de seu capuz, brilhando solitários na quietude da noite, duas orbes púrpuras se fixavam, penetrantes, nas minhas. Todo o resto foi silêncio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.