Subentendido- Fremione
2 Um dia em família
Ao invés de uma carta, enviei a Fred um único pergaminho onde estava escrito:
"Use o feitiço de Proteu nesse e outro pergaminho seu e me envie de volta."
Estando fora da Hogwarts eu não poderia fazer o feitiço eu mesma, mas espero que funcione ou minha coruja terá feito um esforço de vôo descomunal e desnecessário.
Meia hora depois, recebo um pergaminho escrito "oi".
Escrevi abaixo:
"Oi"
Alguns segundos depois Fred respondeu no papel:
"Brilhante!"
Escrevi em seguida:
"Acabamos de criar o envio de mensagens instantâneas mais rápido do mundo!"
"Podemos vender essa ideia e ficar milionários?"
"No mundo trouxa já existe algo parecido, chama-se email. O mundo todo é conectado por cabos entre continentes para ligar aparelhos chamados de computador e quem tiver um cabo conectado a esses cabos maiores, pode mandar mensagem que leva só 8 segundos para chegar."
"Muito trabalho. Prefiro a nossa..."
Fred começou a desenhar algo que parecia um jogo da velha, mas haviam 3 linhas horizontais e verticais, então marcou no centro um quadrado que ficou tridimensional como um pilar.
Escrevi no canto:
"Como se joga?"
"Construímos castelos, 4 andares. Quem colocar a ponta, ganha. Para colocar um 2° andar, precisa ter algo no 1° andar ao lado. Assim para os outros. Você também pode explodir a construção e ninguém pode construir lá colocando um B."
Parece xadrez, me fez imaginar Rony jogando com os irmãos. Provavelmente vou perder feio…
E jogamos.
***
Depois de cobrir quase todos os 16 espaços, alguns lugares serem destruídos com direito a um efeito mágico do castelo de papel despedaçando, eu perdi O casteleiro.
Não sei quanto tempo passou, mas foi divertido passar esse momento sem pensar em complicações. Decidi jogar com meus pais, sem o efeito de destruir nossos desenhos, mas também foi divertido. Papai comparou o jogo com um tipo de lego com dama, mas ao invés de comer peças, a gente pode empilhar.
Não haviam notícias ruins nos jornais da tv, nem no Profeta diário. Tudo estava bem, por enquanto.
Antes de ir dormir, dei uma olhada em nosso pergaminho e vi que Fred havia feito uma caricatura minha mandando ele e Jorge para a detenção.
"Boa noite, futura monitora."
Escrevi abaixo:
"Boa noite, Fred. -5 pontos para Grifinória!"
***
Acordei empolgada, meu pais decidiram fechar o consultório hoje para podermos fazer um piquenique no parque. Eles não sabiam sobre Você-Sabe-Quem, prefiri não os assustar com algo tão terrível sob o qual seriam impotentes.
Fred me deixou uma mensagem.
Vamos fazer testes para tirar licença para aparatar. Grande dia! Deseje me sorte.
Respondi:
Boa sorte. Espero que não fique em pedaços!
Rony me escreveu uma carta dizendo que Gui havia se mudado de volta para a Toca e trabalharia no Gringotes. Ele e seus pais pareciam mais preocupados que o normal, apesar de ainda não haver nenhuma notícia sobre ataques orquestrados por Você-Sabe-quem. Percy foi promovido a assistente do Ministro e isso gerou uma discussão terrível entre ele e seu pai. Sua mãe até chorou no meio da briga e ele saiu de casa.
Harry já tinha comentado conosco que o ministro da magia, Fugde, já parecia desconfiar de Dumbledore querer seu cargo e agora poderia querer vigiar apoiadores de Dumbledore no ministério, como o Arthur.
Gostaria de poder falar com o Harry sobre isso, mas como prometemos ao Dumbledore, apenas respondi a Rony que as coisas ficariam melhores, Percy é inteligente o suficiente para perceber que haviam segundas intenções após ganhar uma promoção no trabalho mesmo tendo cometido o erro grave de não perceber que seu antigo chefe fora enfeitiçado por uma maldição Império.
Eu não tenho irmãos, então não sei pelo que Rony deve estar passando, mas pelo menos escrevi que a família Weasley transborda tanto amor e carinho que até mesmo quem não faz parte dela se sente abraçado. Que tudo se resolveria, que Percy voltaria, que todos ficariam bem.
Pensei em lhe falar do pergaminho conectado para facilitar a conversa, mas ele com certeza não sabe esse feitiço… Além disso, parte de mim queria manter essa conexão apenas com Fred, como um segredo só nosso.
Isso me fez pensar que ele poderia enviar para Angelina, o que faria todo sentido e não tenho direito de sentir ciúmes… Mas eu sentia.
Li o Profeta diário e ainda não havia nenhuma notícia sobre Você-Sabe-Quem, mas uma notícia dos tabloides envolvia Dumbledore. Questionavam se ele estava senil e se tinha condições de comandar a escola bruxa mais importante da Inglaterra. A forma de escrever lembrava Rita Skeeter, mas ela não poderia ter escrito pois… Bem, eu ainda a mantinha presa em meu pote de Sorte líquida. Hoje sairia com meus pais e isso me deu a ideia de soltar ela em um lugar público, sem colocar em risco a localização da minha casa.
Assim o fiz.
Tive uma última conversa com ela no pote, onde ela concordou que não escreveria mais absurdos sobre Harry ou Hogwarts e seus funcionários, como havia feito com Hagrid. Se o fizesse, eu revelaria que era um animago ilegal a Dumbledore e ele garantiria que o Ministério fosse informado.
Enquanto comíamos torradas com geleia aproveitando os últimos dias frescos num parque de Londres, abri o pote e deixei o tesouro fugir o mais rápido que pôde.
—O que tem aí, Hermione?
Minha mãe, Mônica, me viu abrindo o frasco.
—Era um inseto que peguei em Hogwarts.
Ela sussurrou:
—Filha, era um ser mágico? Não é perigoso soltá-lo no meio de Londres?
— Não é perigoso… Ele só vai voltar direto para casa.
Agora não é mais perigoso, espero.
Meu pai, Wendell, comentou em seguida:
—Espero que sua escola não os coloque para fazer experimentos em insetos vivos, Hermione. Esse tipo de conduta agressiva com seres vivos é inadmissível de se expor crianças… Mesmo que seja educativo!
São comentários como esse que me fazem sentir ter sorte de ter pais tão maravilhosos.
—Falando em respeito a seres vivos, querida, como vai Dobby?
—Já está lendo para os outros elfos de Hogwarts. Estou pensando em levar papel, tinta e penas e ensinar os demais a ler e escrever.
—Que ideia maravilhosa, filha! Podemos comprar hoje mesmo na volta para casa…
—...Na verdade eu pensava em comprar no Beco Diagonal. Eles são seres mágicos, acho que devem aprender usando objetos mágicos…
Pude ver certa tristeza nos olhos deles. Minha mãe comentou:
— Claro… Tem razão, filha… Coisas trouxas não seriam muito úteis para elfos mágicos…
—Mas podemos comprar livros juntos! Dobby adorou os livros. Literatura tem seu próprio jeito de ser mágica, certo?
Eles sorriram.
—Nada como ler sobre uma Volta ao mundo em 80 dias… Sem magia!
— Podemos comprar livros sobre Sherlock Holmes…
—Agatha Christie…
—E Sheakspeare!
—O pequeno Príncipe!
—Ou Senhor dos Anéis!
Eles pararam por um segundo e se olharam .
—Filha, seria estranho para Elfos lerem sobre Legolas ou outros elfos fictícios?
Outra pausa.
—... Senhor dos anéis é fictício, certo?
Dei uma risada e respondi.
—Sim, é fictício. Não, não é um problema. Talvez eles gostem de saber que para os trouxas, elfos são seres poderosos com seu próprio reino e que se orgulham de seu povo.
A conversa passou a girar em torno de seres da ficção que realmente existem no bruxo ou não.
—Fadas?
—Sim.
—Vampiros? Lobisomens?
—Sim! Inclusive um professor nosso de Hogwarts era um lobisomem e uma pessoa maravilhosa!
— Não era perigoso, Hermione?
—Tudo fica meio perigoso quando se trata de Hogwarts, mas enquanto Dumbledore estiver lá, as coisas ficarão bem.
—...Unicórnios…?
Meu pai perguntou com receio, eu sei que ele acha curioso imaginar um equino herbívoro que tenha evoluído o crânio para criar um chifre para defesa, mas num mundo mágico tudo é possível!
—Sim, pai. Até estudamos um unicórnio ano passado.
No final da tarde voltamos para casa.
Enquanto esperava o jantar que meus pais fariam, recebi uma coruja assinada por Arthur Weasley
Cara senhorita Granger,
Nosso amigo de longas barbas me pediu para lhe buscar, caso tenha interesse, para passar as férias conosco. Seu talento com feitiços seria de grande ajuda para lidar com uma infestação de gnomos no porão.
Quanto a seus pais, ontem fiz uma visita ao consultório de Wendell e Mônica Granger para explicar sobre a infestação de gnomos e eles concordaram, caso seja do seu interesse, que você pode passar os próximos meses conosco até a volta às aulas.
Meus sinceros cumprimentos,
Arthur Weasley
Isso explica nossa saída hoje. Eles estavam aproveitando nosso tempo juntos antes que eu vá. Não sei até que ponto o Sr. Weasley explicou, mas se eles me deixaram ir sem estarem em pânico com Voldemort, então foi o suficiente.
Desci para a cozinha e vi os dois olhando um porta retrato enquanto o molho com almôndegas cozinhava no fogão.
Na foto, eu devia estar fazendo aniversário ou trocando de dente, eram os dias de maior comemoração com meus pais. Comprávamos um bolo confeitado na padaria e haviam velinhas para assoprar. No caso dos dentes, as velas indicavam quantos dentes de leite já tinham caído.
Me aproximei e os abracei bem apertado. A cada ano que se passa, fica mais claro para nós três que eu pertenço a outro mundo, que é lá que devo viver a maior parte da minha vida. Eles sempre serão minha família, o porto seguro que eu procuraria quando quisesse aconchego… Mas o mundo mágico me chama.
—Quando o Sr. Weasley vem me buscar?
Perguntei no meio do abraço.
—Amanhã levaremos você ao Beco Diagonal. De lá você irá para a casa da Molly e do Arthur. Será mais… Seguro para você. Ele disse que estaríamos sob proteção da Ordem da Fênix, o que quer que seja.
Depois de papai falar, mamãe deu a ideia:
—Hoje seria uma boa noite para acamparmos na sala, o que acham?
— Brilhante!
Eu fiquei incumbida de pegar os colchões e lençóis, mamãe pegaria livros de contos para narrarmos e papai faria porções do molho e do macarrão para comermos na cabana.
Seria uma longa e divertida noite, talvez a última que eu passaria com meus pais.
Fale com o autor