Subentendido

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Oie, olha eu aqui de novo, com mais um capítulo saindo do forno, quentinho para vocês... Ai como eu to boazinha né? Bom esse capítulo não tem Matheus, mas também é importante para o decorrer da história. Espero que vocês gostem e comentem Por falar nisso, adorei os reviews do outro capítulo *-* Então, bora ler esse? Beijos

Vera deslizou os braços pelos ombros da filha assim que a viu saindo pelo elevador. Sofia sentiu as lágrimas da mãe tocando na sua pele e pela primeira vez parou para refletir realmente que os pais estavam preocupados. Não imaginou que a mãe estaria ali, nem toda aquela comoção e até alguns dos seus vizinhos ali, parados, olhando para ela.

– Mãe, para, tá todo mundo olhando, olha o mico – a loira sussurrou baixinho, evitando olhar para os outros. Caetano a puxou pela mão protetor e a abraço protetor.

– Minha filha está bem, obrigada pela preocupação de todos – ele se dirigiu aos vizinhos. Não pode deixar de pensar consigo mesmo no quanto os vizinhos, apesar de ricos e bem sucedidos, tinham empregados mexeriqueiros, e de como amanhã, todo mundo saberia da fuga de Sofia – Não faça mais isso com o seu pai minha filha, você quase me matou do coração – ele comentou para a garota, passando a mão pelo seu braço, tranquilizando a loira. Ela sabia que seria fácil dobrar o pai, uma vez que ela sempre conseguia tudo que queria do Caetano, mas, com a sua mãe ali, ela sabia que as coisas não seriam tão fáceis.

– É tão bom te ver minha filha – Vera comentou fitando os olhos verdes assustados da filha, lembrando de quando ela era um pequenino bebê e as coisas eram mais fáceis. Apesar da felicidade que sentia ao ver que a filha estava bem, não podia esquecer da decepção que sentia nesse momento pela pessoa que Sofia estava se tornando.

– Ah mãe, até parece que eu tive sumida por muito tempo – a loira respondeu sentando no sofá, exausta – Vocês pensaram mesmo na possibilidade de fuga da minha parte? – ela continuou em tom de descrença – Isso é tão patético!

– Patético é você sair sem avisar os seus pais Sofia – Ronaldo discursou com os braços cruzados e a postura rígida – Sua mãe ficou muito preocupada com você, poderia pelo menos ter ligado.

– Acontece que ela não tem motivo para ficar preocupada assim comigo, eu já sou bem grandinha – Sofia rebateu irritada fitando o padrasto. Quem ele achava que era para se meter na sua vida? Nada, refletiu consigo própria. E tudo havia começado por causa dele – E eu também perdi meu celular em algum lugar no meio de toda aquela confusão.

– Você é de menor Sofia, e eu ainda tenho a sua guarda, apesar de você morar com o seu pai – Vera replicou sendo dura com a filha – E por mais “grandinha” que você seja, você deve respeitar seus pais garota. E poderia ter ligado do celular do seu amigo, ou ele perdeu o celular também?

– Minha filha, sua mãe tem razão – Caetano falou sentando ao lado da loira – E por mais que eu odeie admitir, esse sujeitinho também tem razão, você sabe muito bem que eu não gosto de você andando por aí, ainda mais rapazes, você é muito nova para isso e pode atrapalhar os meus negócios.

– Ai pai, tá bom – Sofia murmura sabendo que não adiantaria contrariar os adultos. Eles sempre teriam razão, por mais absurdo que fosse o motivo. Ela já estava condenada a sempre ser a culpada – Agora eu posso ir dormir?

– Bom, eu e a sua mãe conversamos antes de você chegar – Caetano olhou indeciso para a ex-mulher, sem saber se era o certo a fazer a decisão que haviam tomado. Amava as filhas, mas sempre teve um carinho especial pela filha caçula, que ele julgava ser tão parecida com ele. Odiava deixar Sofia de castigo – Sua mãe acha melhor você ficar de castigo por 2 dias.

– Duas semanas Caetano – Vera imprimiu um tom autoritário, por mais que seu coração se despedaçasse em precisar tratar a filha assim – Duas semanas, escola, casa, sem celular, sem internet.

– Vocês piraram né? – Sofia indagou com ironia, sem esconder o tom de deboche na voz. Ela fitou o pai a procura de apoio – Pai, você não vai deixar isso acontecer né? Nem foi tão grave assim, eu estava com o Matheus, você conhece ele – ela discursou manhosa, enquanto Caetano, sem conseguir castigar a filha, resolve negociar.

– Ela precisa do celular e da internet para fazer os trabalhos da escola Vera.

– Caetano! – Bernadete se intrometeu falando exasperada – A Sofia precisa é de um bom corretivo, quer parar de passar a cabeça na sua filha?

– Bernadete, acho que você não deveria se meter em conversas alheias – Sofia respondeu alterando o tom de voz, odiando a intervenção da madrasta – Você não é nada minha, aliás, nem é da família.

– Eu sou noiva do seu pai Sofia – Bernadete indagou, com os olhos marejados — Caetano, você vai deixar a sua filha falar assim comigo?

– Bernadete, menos drama, por favor, a Sofia tem razão, você não tem que estar se metendo nessa conversa.

– É, mas a Sofia não pode tratar a Bernadete assim – Ronaldo gesticulou parecendo impaciente – Esse não é o jeito de se tratar uma pessoa com respeito.

– Qual é Ronaldo, até você agora? – a garota se exaltou levantando os braços – Quantas pessoas afinal vão querer ficar se metendo na minha vida agora?

– Essas pessoas que ficam se metendo na sua vida minha filha, são pessoas que te amam, que se preocupam com você, pena que você não pode entender o que é isso, tá mais preocupada com o que o mundo tem a lhe oferecer – Vera encarou a filha por alguns segundos, antes de prosseguir – Você está duas semanas de castigo, sem internet e sem celular Sofia. Espero que isso te ajude a refletir sobre algumas coisas – Vera falou por fim, tirando o colar que a filha havia lhe dado mais cedo e o colocando sobre o elegante móvel de madeira trabalhada ao lado do sofá.

– Mãe, eu te dei de presente, qual é, você não pode devolver ele né? – a jovem ponderou.

– Quando você decidir aceitar sua família de verdade e resolver parar com essa palhaçada e voltar para a casa, eu aceito o seu presente de novo minha filha, caso contrário, ele não tem serventia nenhuma para mim, é só mais pedaço de metal, com a foto de uma família linda, mas com uma filha que eu não reconheço como a mesma que eu gerei no meu ventre. Eu estou indo embora.

– Eu levo você até a porta Vera – Bernadete articulou levando a ex-mulher do noivo e Ronaldo até a porta. Sofia observou pela última vez a figura da mãe antes de a porta se fechar. Caetano pede para ficar sozinho com a filha e Bernadete revira os olhos, a contragosto, antes de ir para o quarto.

– Pai, fala sério, eu não posso ficar sem celular, não agora que o “Tapinha da Sofia” está bombando, por favor, eu até aguento ficar duas semanas trancafiada aqui na Barra, mas eu não posso ficar sem celular né?

– Eu vou arrumar um celular para você, mas não deixa a sua mãe saber disso.

– Ai, valeu paizinho, você é o melhor – a loira abraçou o pai levemente, antes de o fitar sonolenta – É melhor a gente ir dormir agora né pai, eu to morrendo de sono.

– Sim, está tarde – Caetano discursou arregalando os olhos – Mas antes eu só quero saber, quais são as intenções desse rapaz.

– As melhores possíveis, eu acho – Sofia respondeu revirando os olhos, sabendo de antemão, o que estava por vir.

– Ele vai te pedir em namoro? – Caetano argumentou estufando o peito – Já agendou um jantar com a família dele?

– Pai, não viaja, eu “mal” conheço o garoto... Olha é melhor a gente ir dormir. Se eu for namorar realmente ele, você vai ser um dos primeiros a saber tá?

– Mas Sofia, as coisas não funcionam assim!

– Eu sei pai, mas a gente não vai falar disso agora né? Já está tão tarde – ela deu um beijo na bochecha do homem – Boa noite pai.

–xxx-

– Pelo jeito a noite foi longa hein! – Flaviana ironizou sentando na cama ao lado da Sofia.

– Você não sabe o quanto – a loira falou levantando da cama e indo até o closet – Rolou o maior estresse aqui de casa, impressionante como a minha mãe e Ronaldo não percebem que o Ben e a Anita ficam se pegando lá dentro de casa e ficam no meu pé só porque eu dei um perdido de poucas horas.

– Quando eu liguei para o Matheus achei que você ia avisar os seus pais que ia sair com ele.

– Ah claro, porque eles iam aceitar eu saindo meia noite com um cara que eles mal conhecem, não os meus pais né Flaviana!

– É, eu esqueci geral que seus pais são protetores – a morena ponderou com a voz triste, talvez pela carência que sentia em relação aos pais. As vezes sentia inveja da amiga, por ter tanta gente preocupada com ela – Mas me conta, o que aconteceu ontem à noite no casarão? Eu vi você saindo, e sabia que algo havia acontecido.

– Como você sabia que eu tinha saído da casa da minha mãe? – Sofia indagou fitando a amiga com desconfiança. Flaviana desviou o olhar, sentindo as bochechas esquentarem.

– Eu estava... – ela titubeou por alguns segundos – Ah, isso realmente não é importante, eu fiz a pergunta primeiro.

– Aposto que você estava com o Serguei – a loira falou levantando uma das sobrancelhas, provocando a amiga – Sabe, eu não posso te julgar, apesar de ser apenas um cabelereiro o Serguei até que ele é bem gato.

– Mas não é para você – Flaviana rebateu levantando a cabeça e encarando a amiga.

– Ah, eu sabia, você ainda tá se encontrando com o cabelereiro, eu não acredito! – Sofia continuou provocando a amiga, enquanto a mesma revira os olhos – Tá ficando sério o rolo de vocês né?

– Sofia, não viaja, podemos voltar ao assunto principal?

– Sério que você quer que eu fale sobre o que aconteceu no casarão?

– Se você não quiser me contar, tudo bem, mas acho que vai te fazer bem.

– Não é muito difícil descobrir o que aconteceu – a loira refletiu sentando na sua cama – Estava tudo bem, até o Ben aparecer com um papinho de agradecimento ridículo. Óbvio que as coisas saíram do controle e a Anita teve que aparecer – ela hesitou relembrando a cena em sua mente – Eu provoquei um pouco sabe, mas a Anita bem que mereceu, sem falar que eu não aguento mais também todo mundo achando que o Ben é um santo, e é claro que todo mundo do casarão ficou contra mim e a favor da princesa, menos o Pedro, que parece ser a única pessoa sensata daquele muquifo... Ai, eu não sei Flaviana, minha mãe pareceu tão magoada comigo quando saiu daqui, sabe, eu queria fazer algo, mas não sei o que fazer, a impressão que eu tenho é que eu sempre estrago tudo. Acredita que ela até devolveu o presente? Aquele colar que eu comprei pra ela...

– Ah, a tia Vera deve estar magoada com você, e com razão né Sofia, ontem era aniversário dela e ninguém gosta de passar o aniversário preocupada com a filha.

– Tá eu sei que eu vacilei, mas eu estava sem celular, e assim que eu cheguei na recepção eu me deparei com o Matheus, não podia pedir emprestado o celular para ligar para os meus pais, o que ele ia pensar de mim?

– Então você tá preocupada com o que ele pensa de você? – Flaviana estreitou os olhos cheios de malicia para a melhor amiga, querendo saber das novidades. Torcia para que Sofia superasse de vez o Ben, e se fosse com o boy magia do Matheus, ela se sentiria honrada por ter bancado de cupido.

– Óbvio que não né Flaviana, eu só não quero que ele ache que eu sou uma menininha que precisa avisar para os pais aonde vai a cada cinco minutos... Mas você foi bem convincente e ainda não acredito que você ameaçou ele com aquela história de micas.

– Foi a única coisa que me veio à cabeça no momento, e de qualquer maneira, você sabe que não foi o medo de ser perseguido pelas micas que fez ele sair de um jantar importante para vir te encontrar né Sofia... O gato está na sua.

– Ai Flaviana – Sofia sorriu relembrando do beijo – A gente ficou. Foi incrível. Óbvio que ele tem aquele jeito irritante e eu nunca sei o que se está passando na cabeça dele, mas, ele tem algo especial, e além de tudo é rico e lindo.

– É amiga, parece que você tirou a sorte grande, só cuidado para não ir com muita sede ao pote, algumas meninas do condomínio estavam falando hoje mais cedo que ele é meio galinha.

– E você acha que eu não sei disso? É só olhar pra ele que dá para saber... De qualquer maneira, não é como se a gente estivesse namorando. Eu só estou conhecendo melhor ele.

– E quando vocês vão se ver de novo? – Flaviana questionou não contendo o tom de excitação na voz.

– Ai é que você entra, vou precisar da sua ajuda, estou de castigo, duas semanas, ideia da minha mãe, óbvio, que o meu pai, sabe-se lá por qual motivo resolveu acatar.

– Acho que eu tenho uma ideia – a morena discursou levantando e colocando a mão no queixo de maneira misteriosa.

–xxxx-

Soraia abriu a porta e observou Anita passar por ela rapidamente, parecendo preocupada e ansiosa com algo. A empregada observou que a garota tinha olheiras fundas embaixo dos olhos e estava com os olhos vermelhos, como se tivesse chorado a noite inteira.

– Oi Anita, o seu pai saiu para uma reunião importante e a Detinha tinha aula de Pilates, mas daqui a pouco ela está aí.

– Ótimo, porque eu estou procurando a Sofia, e eu sei que ela está aqui de castigo – ela falou encarando Soraia por alguns segundos – Hoje essa garota vai ouvir tudo que ela precisa ouvir e ninguém nunca teve coragem de dizer.

– Ih, isso vai dar problema — Soraia ponderou observando a jovem andar convicta até o quarto, imaginando se talvez a melhor coisa não fosse ligar para a Bernadete.

Sofia ri da ideia de Flaviana, porém avalia a possibilidade. As garotas ouvem uma voz chamando por Sofia e a loira logo reconhece como sendo a da sua irmã. Irritada, sonsa e cheia de raiva. Em poucos segundos, Anita está lá, com uma cara horrível, fitando-a como se pudesse matá-la e comer seu coração cru.

– A gente precisa conversar e dessa vez nem adianta vir com desculpas, você vai me ouvir...

Continua...

Notas finais
Eai, o que acharam? A briga entre as irmãs promete né? Se receber reviews prometo postar o mais breve possível o próximo ;)