Subaquático

7 Lágrimas nos olhos


Notas iniciais
CHEGUEI PORRA

Kageyama e Hinata não apareceram até o Sol sumir no horizonte, dizendo que estavam explorando as cavernas subaquáticas e toparam com um pinguim perdido. Os quatro, então, sentam-se na praia ao redor de uma pequena fogueira que Daichi acendera, e que aquecia os meninos humanos.

— Eu e o Daichi conversamos — Suga começa — e decidimos que vamos junto com vocês.

— Só vou poder ficar poucos dias por causa da volta às aulas. Você pode voltar comigo, Kageyama...

— Não. — o moreno diz em uma voz determinada, olhando fixamente para os dois garotos do outro lado da fogueira — Vou ficar em Nerida. Ou o mais próximo que der. Não vou voltar.

— O quê? — Daichi pergunta, juntando as sobrancelhas — Tem certeza?

— Tenho. Não tem nada que me prenda aqui, e não tenho nada a perder. O Hinata é tudo que me restou. Decidi ficar com ele.

Suga olha para Hinata, esperando que o menino tivesse enfiado algum juízo na cabeça do amigo.

— Nós conversamos. — Hinata lambe os lábios e encosta a ponta dos dedos nos de Kageyama — Ele tem certeza. Se é isso que ele quer, não vou impedi-lo.

Kageyama volta o olhar para Hinata, e o ruivo sorri para ele.

— Mas Hinata... Você sabe onde fica Nerida? — Suga pergunta, inseguro.

— Os boatos dizem que fica encravada em um recife que cerca uma ilha ao norte.

Boatos...? — Daichi ergue uma sobrancelha.

— Sim. É mais ou menos perto da rota de migração das baleias. Elas dizem que ouvem apitos ao passarem por certa área. Há boatos de que sereianos foram vistos por lá também. Parece ser um lugar remoto e meio escondido. Claro, né...

Os olhos de Hinata refletem o fogo com intensidade assustadora.

— Quando eu e minha família estávamos indo pra lá há alguns anos, o plano era seguir com as arraias por parte do caminho e depois encontrar as baleias. Mas íamos de bem mais longe, acho que daqui é mais perto e é rota das baleias.

— É sim. — Suga confirma. — Mas a maioria delas já migrou por causa do frio. Alguns pequenos grupos estão a caminho ainda. Talvez possamos ir com eles. Alguns peixes que chegaram recentemente ao recife disseram que tem umas quatro baleias vindo pra cá. Eu estimo que devam chegar amanhã de manhã.

— E a gente? — Kageyama pergunta, referindo-se a ele e a Daichi.

— Vamos com o meu carro por terra até onde der. Depois teremos que ir pelo mar.

A ideia de nadar no mar aberto era apavorante para Daichi. Apesar do medo, ele sabia que se estivesse com Suga tudo ficaria bem.

— Esperem aqui, vou pegar o mapa e veremos mais ou menos onde fica Nerida.

Daichi vai até o carro e pega seu mapa. Hinata e Suga calculam a rota de migração das baleias até o norte, e Hinata faz um grande círculo no lugar aproximado onde a cidade estaria. Nesse círculo era possível ver pequenos pontinhos no mapa; algumas ilhas pequenas e irrelevantes demais para sequer terem nome. Daichi usa o mapa em seu celular para poder olhar melhor aquela região. Parecia ser um pequeno arquipélago de ilhas vulcânicas, e aparentemente todas elas eram inabitadas. O último pedaço de terra com gente e viável ir de carro era uma ilha um tanto maior, um ponto turístico famoso na região pelos ótimos pontos de mergulho. Seria necessário pegar uma balsa, mais nada.

Hinata, Kageyama, Suga e Daichi decidiram partir na quarta. Teriam um dia para preparar tudo: juntar comida, separar as roupas, planejar a rota terrestre, despedir-se de quem fosse necessário. Naquela noite, Suga conseguiu dormir um pouco melhor. Apesar do nervosismo, teria a companhia de Daichi por mais alguns dias. Ele deixou para se preocupar com o que faria depois, quando estivessem os quatro em Nerida, em segurança.

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— Você tá nervoso?

Kageyama quebra o silêncio no carro. Daichi olhava para frente com o olhar meio perdido, e ele sacudia os dedos no volante.

— Na verdade, sim. Tô preocupado com o Suga e com o Hinata. Sei que eles vão por mar, mas tenho medo de que eles sejam vistos por algum barco e sejam capturados. Ou mortos.

— Eles estarão com as baleias pela metade do caminho. Além disso — Kageyama tenta ao máximo reconfortar o garoto ao seu lado —, eles são espertos. O Hinata pode ser um idiota às vezes, mas tenho certeza de que ele jamais se deixaria capturar de novo. Ou ao Suga-san.

— Tem razão. Mas mesmo assim... — Daichi pisa no acelerador e eles vão pela rua exatamente na velocidade permitida — O Suga nunca saiu do recife. Não sei como ele vai lidar com o mar aberto.

— O Hinata é experiente. Vai dar tudo certo.

Kageyama faz um esforcinho e sorri para Daichi, que sorri de volta.

Daichi sobe na calçada e para no posto de gasolina para encher o tanque. Antes que pudesse abrir a porta do carro, Kageyama o segura pelo braço.

— Daichi-san, use isso. Por favor.

Kageyama estende na direção dele algumas notas de dinheiro. Daichi olha, confuso, e abre a boca para protestar, mas o outro é mais rápido:

— Por favor. É metade de todo o dinheiro que eu tenho, deixa eu pagar a gasolina também. Você tá me levando até lá e eu não vou voltar. Deixa eu tentar retribuir o que você e o Suga-san fizeram por nós.

O rosto de Kageyama exala determinação. Daichi percebeu que ele estava falando muito sério de ficar em Nerida com Hinata. Ele realmente não planeja voltar.

— Claro.

Daichi sorri e pega o dinheiro, e coloca a gasolina no carro.

Logo depois eles passaram no shopping e compraram colchões de ar para acampar, além de comida, água e qualquer outra coisa que julgaram necessário. Voltando para casa, cada um começa a arrumar suas coisas. Tudo o que Kageyama possuía cabia em uma mochila. Daichi separou sua velha barraca e ajeitou as roupas na mochila vermelha. Ao abrir a gaveta de suas bermudas de mergulho, viu a máscara do Pikachu que Suga tinha lhe dado no festival de verão.

Seu coração aperta. Quais as reais chances de Suga não querer ir embora de Nerida e Daichi ter que voltar sozinho? Ter que ver a praia de areia branca deserta? Esse pensamento o preocupava. Mas ele decidiu não pensar sobre isso até que chegasse a hora. Ainda tinha tempo. Não muito, mas tinha.

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A bolsa que Daichi lhe dera estava cheia de alguns pertences pessoais que Suga considerou importante e todas as algas que conseguiu encontrar. O bonequinho de plástico que Daichi tinha ganhado para ele no festival de verão encarava-o com seus pequenininhos olhos azuis. Tentando abafar tudo o que sente, Suga solta um jato de bolhas e enfia o objeto na bolsa, seguro no meio das outras coisas.

Ele olha para seu barco com certo pesar. Tinha sido sua casa por alguns anos, e Suga sentiria falta dele. Isso é, caso...

Com outro jato de bolhas, Suga sobe pelas escadas até o convés e dá dois tapinhas no mastro quebrado, como se dissesse tchau. Sem mais cerimônias, parta na direção do recife. Ele encontra Hinata brincando com camarõezinhos.

— Ah, Suga-san! Pegou tudo?

— Peguei. Onde estão suas coisas?

— Não tenho nada. — ele ri, e vários peixinhos saem do meio de seus cabelos ruivos — No circo não me deixavam ter nada. Mas ah! — ele ergue o pulso — Tem essa pedra que o Kageyama me deu outro dia. Ele disse que achou legal.

Amarrado em seu pulso com uma fibra de corda havia uma pedra pontiaguda, mais parecida com uma lâmina. Hinata olhou com carinho para o presente e deu um sorriso gentil.

— Maneiro. Bom, melhor irmos. O pessoal ficou de conversar com a gente.

Quando Suga e Hinata chegam na caverna subaquática usada para reuniões, Mãe estava aos prantos. Pai tinha as nadadeiras ao redor dela e tentava confortá-la, mas não parecia adiantar muito. O resto do pessoal conversava em sussurros apressados, e ficaram quietos quando os dois sereianos entraram no local.

— Mãe? Por favor, não chore. — Suga pede, aproximando-se dos dois peixes pretos.

— Filho... Filho, eu amo você. Nós todos amamos muito você! Por favor, não vá embora!

— M-Mãe...

— Suga, você não pode nos deixar. — Estela, a estrela do mar, estava grudada na parede e sua voz era preocupada — E os tubarões do sul? O que vamos fazer quando eles souberem que você foi embora?!

—E-Esse lugar talvez nem exista! — Benny, a lagosta azul, agita as antenas — Como você tem tanta certeza de que vai encontrar o que quer? E se for mentira?

— Sim! — Helen, a baiacu, infla um pouco — O menino Hinata mal chegou no recife e ficou espalhando essas mentiras...

— Ei! Não é...

Hinata tenta protestar, mas Suga segura seu braço. O olhar que tinha era doído. Hinata resolveu ficar quieto.

— Boatos! Boatos! — Bob e Rob, os camarões gêmeos, pululam no lugar — Não vá embora! Somos sua família!

Suga olha para Pai, o único que não havia dito nada. Ele compreendeu que Pai sabia do desejo ardente de Suga. Os dois se olham rapidamente.

O silêncio cai na caverna. Todos olham Suga com cara de preocupação, esperando alguma resposta.

— Eu preciso ir. — é tudo que Suga diz.

Todos começam a falar alto ao mesmo tempo, e Hinata olha para Suga, aguardando.

— Eu preciso ir... — Suga continua, e todos se calam — porque preciso saber. Eu preciso saber. Todo esse tempo vocês me criaram ignorante do fato de que outros sereianos existem. Eu não sei nada sobre mim, sobre a minha cultura, sobre o meu povo, sobre o passado da minha espécie. Eu preciso saber. Por favor, não me privem disso. Não me façam ficar aqui, infeliz. Eu nunca nem deixei o recife. Eu quero ir, eu quero explorar o oceano, quero conhecer mais da minha gente. Eu sempre me senti tão sozinho...

Suga engasga em lágrimas. Hinata coloca uma mão em seu ombro. Pai afasta-se de Mãe e vai para o outro lado de Suga, também colocando uma nadadeira em seu ombro.

— Nós criamos o Suga para ser curioso. — Pai tem uma forte determinação na voz e encara com firmeza todos os outros — Sempre incentivamos que ele agisse sozinho e resolvesse os próprios problemas. Queríamos que ele fosse independente, e ele se tornou tudo o que o criamos para ser. Não podemos podá-lo daquilo que desde sempre ensinamos. Se o Suga quer explorar o oceano em busca de Nerida é porque ele é curioso, independente, inteligente e forte como queríamos que ele fosse. Meu filho é meu maior orgulho, e é por isso que eu quero muito que ele vá.

— Pai! — a outra peixe preta protesta.

— Mãe, escute. — Pai continua, olhando para Suga — Eu sei que temos a ameaça dos tubarões, mas nós vamos nos virar como sempre nos viramos. Antes de o Suga chegar nós conseguimos manter a ordem no recife, e com certeza conseguiremos quando ele for embora. Além disso, ele ainda nem decidiu se vai mesmo embora para sempre.

— Sim! — Suga abana as mãos e solta bolhas — Sim, eu não tenho certeza! T-Talvez Benny esteja certo e o lugar nem exista, mas é por isso que nós vamos lá ver. Vai ficar tudo bem, eu prometo. Vou ser cuidadoso como vocês sempre me ensinaram. Vou comer direitinho e dormir bastante, e não vou interagir com nenhum humano. Vocês são a minha família e eu amo muito todos vocês. E sendo a minha família, vocês deveriam apoiar minha decisão. Eu entendo a preocupação, mas família deveria apoiar e amar independente das escolhas que fazemos. Por favor, eu quero muito que vocês me apoiem, seria muito importante para mim. E mesmo que não apoiem, eu irei mesmo assim. Esse é meu sonho! Por favor, apoiem meu sonho... Vocês são tudo o que eu tenho.

Mãe tinha parado de chorar. Ela vem nadando devagar até Suga e coloca uma nadadeira em sua bochecha, olhando-o com carinho.

— Suga, meu filhote. Desculpe. Você e Pai têm completa razão. Queria que você soubesse que, apesar de estar muito preocupada e com medo, eu apoio o seu sonho e a sua decisão com todo o meu coração. Você é o meu maior orgulho. Nós do recife te criamos do jeito que achávamos que seria o melhor para você, e você realmente se tornou um menino incrível. Você é tudo o que nós esperávamos e muito mais, superou todas as nossas expectativas. Mesmo quando você soube que escondemos a existência dos sereianos, não ficastes com raiva de nós. Você já é um adulto e o momento de maior orgulho dos pais é quando o filhote sai do ninho e torna-se independente. Você já é independente há tanto tempo, Suga, mas acho que todos nós ainda te vemos como um filhotinho que precisa ser cuidado. Mas esse não é mais o caso. O meu momento de maior felicidade, e acredito que o de Pai também, vai ser vê-lo sair do ninho e seguir com seus sonhos. Então é por isso que, mesmo com o meu coração de mãe doendo, eu apoio sua decisão. E vou brigar com quem precisar para que você siga seu sonho.

Suga aperta Mãe contra a bochecha e chora. Ele treme por inteiro. Pai aproxima-se também, e logo os três choram juntos, abraçados. Hinata observa de longe quando todos os outros animais na caverna se aproximam de Suga e começam a pedir desculpas por não o terem apoiado. Hinata vai até a parede e pega Estela, e a coloca no topo da cabeça de Suga. Ela também começa a chorar.

Hinata encosta nas algas luminosas na parede e observa de longe aquela grande e amorosa família, derramando também algumas lágrimas de saudades da sua.

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— Por favor, por favor, humano, tome conta do Suga. Por favor.

— Mãe, o nome dele é Daichi. Já te falei 10 vezes que não precisa ter medo dele.

— Sugawara, não responda sua mãe.

— Desculpe.

Daichi solta uma risadinha, mas volta a atenção ao peixe preto que segura sua mão.

— Por favor. Prometa.

— Eu prometo.

— Por Netuno?

— Sim. Prometo que vou cuidar do Suga. Nada de ruim vai acontecer com ele.

— Juro que se acontecer alguma coisa com o meu filho eu faço crescer pernas e vou atrás de você.

— Pai! Que isso! Daichi, ignora ele.

— Ok — ele solta outra risada.

— D-Daichi... — Mãe volta a falar — Por favor, também fique de olho no pequeno Hinata. Ele ainda é tão jovem... — Mãe, Pai, Suga e Daichi olham para o garoto ruivo, que flutuava ao lado de Suga. As bochechas dele ficam vermelhas — Ele passou pouco tempo aqui conosco, mas também entrou para a família. Cuide dos meus filhotes, e também daquele outro garoto humano ali na praia. — Todos olham para Kageyama, que estava sentado na areia abraçando os joelhos — Não o conheço, mas tome conta dele.

— Poxa, quanta responsabilidade — Daichi ri sem graça, coçando a nuca —, mas pode deixar. Vou ficar de olho em todos.

— E tome cuidado você também, querido. — Pai segura na outra mão de Daichi — Coma suas algas...

— Ele não come algas, Pai.

— ... e mantenha o olho em todo mundo. Você nos mostrou que nem todos os humanos são maus. Obrigado. Você é muito especial para o Suga e para nós.

O coração de Daichi aperta um pouquinho no peito e as pontas de suas orelhas ficam quentes.

— Obrigado. Não se preocupem. Eu amo o Suga tanto quanto vocês, não vou deixar nada de ruim acontecer.

— Então é isso. — Mãe solta a mão de Daichi e vai para perto de Hinata. — E você, mocinho. Comporte-se, coma suas algas, escute os mais velhos, e nada de brincar perto do ferrão das arraias!

— Hahaha! Pode deixar, Mãe. Prometo. Obrigada por você e o Pai e todos os outros do recife terem me tratado tão bem, como se eu fosse parte da família. Juro que venho visitar qualquer dia!

— Claro, filhote, venha sempre que quiser. — Pai diz carinhosamente — Estaremos esperando.

— Então... Acho que terminamos por aqui. — Mãe tem voz de choro.

— É isso. — Suga sorri até as orelhas e puxa os pais para perto, abraçando-os.

— Suga, filho. Tome cuidado, sim? — Pai dá um breve sermão — Coma direito, não arranje brigas, cuidado para não ser visto e...

— E não provoque as orcas. Eu sei. — Suga ri — Pode deixar. Vocês sabem que sempre fui obediente.

— Claro. — Mãe chorava — Então... T-Tchau, filho. Faça boa viagem. Nós te amamos muito.

— Eu amo vocês também. Obrigado.

Pai e Mãe acariciam o rosto do filho uma última vez e vão embora. Suga, Daichi e Hinata ficam lá, observando os dois peixes sumirem sob os últimos raios de sol.

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Depois do jantar, Kageyama e Daichi encheram seus colchões e montaram a barraca. Tinha esfriado bastante em comparação ao dia. Eles combinaram de saírem juntos ao nascer do sol para poderem se encontrar no ponto onde Daichi e Kageyama pegariam a balsa para a ilha turística. Eles calcularam que chegariam lá por volta das 19h. Combinaram de fazer contato pelo mar mesmo, já que Suga e Hinata sentiriam as vibrações. Apesar de nervoso e preocupado, Daichi sentia-se empolgado e feliz.

— Minha pele tá muito seca — Suga reclama —, acho que vou dar um mergulho.

— Talvez você devesse sair de tão perto do fogo, Suga-san, assim você não seca tão rápido. — Hinata sugere.

— Nah, não tem problema. Vou ali rapidinho.

— Espera. — Daichi puxa a mochila e procura por algo no meio das coisas — Vou contigo.

— Quer ir nadar também, Kageyama? — Hinata olha para o garoto levemente emburrado deitado no colchão, coberto até as orelhas.

— Não. Tô com sono e frio.

— Ah, como você é chato...

— Cala a boca, seu idiota.

Daichi e Suga dão uma risadinha. Daichi coloca a bermuda e ajuda a arrastar Suga até a água.

— Ughhhhh como vocês são tão pesados, hein?

— Hahaha, não sei. Pode deixar, eu vou sozinho.

O mar reflete a luz da Lua crescente, quase cheia. Já se passava das 22h e estava bem frio, mas não ventava. O único barulho que se podia ouvir era o das ondinhas quebrando na praia e o mar nas pedras. Fora isso, silêncio.

Daichi coloca os pés na água e dá um pulinho.

— Ah! Tá muito gelada!

— Se estiver com frio não precisa entrar, Daichi.

Lutando contra a vontade de deitar no colchão e se encolher no cobertor, Daichi entra na água o mais rápido que consegue para não ter tempo de fugir. Ele diz alguns palavrões baixinho enquanto vai até Suga, que ri bastante.

— Seu idiota. — Suga pega Daichi pela cintura e passa os braços ao redor dele, encostando nariz com nariz — Se está tão frio assim, não deveria ter entrado.

— É q-que eu queria ficar um pouquinho com você...

Mesmo tremendo, o rosto de Daichi fica quente. Suga também sente as bochechas vermelhas e solta uma risadinha.

Suga, como sempre, é muito quente. Ele esquenta a água entre eles, deixando-a morna, e Daichi beija a boca dele várias longas vezes, os dois subindo e descendo com as ondas.

— Suga... — Daichi afasta-se brevemente e afaga os ombros do outro.

— Quê...?

Daichi morde os lábios e encara a luz da lua refletida nos olhos castanhos a sua frente. O coração dispara no peito.

— Q-Quer ir pra caverna?

A pulsação de Suga também acelera, e ele agita a cauda prateada com entusiasmo apesar de ter ficado envergonhado.

— ... Quero.

Eles soltam risadinhas tímidas. Daichi desprende a máscara de mergulho do Pikachu de sua bermuda e a coloca no rosto, e logo e ele e Suga mergulham e vão até a caverna. Daichi segura todo o ar que consegue até os pulmões arderem quando Suga o leva até a entrada da caverna e depois sobe até a superfície.

— Caralho, que frio!

Daichi treme e bate os dentes. Dentro da caverna está ainda mais frio do que na praia devido às correntes que passam ali perto. A luz azulada das algas bioluminescentes deixam o ambiente bem pacífico e escuro. Suga leva Daichi até a piscina natural, onde a água bate nos ombros. Ele o abraça de novo e beija o rosto gelado de Daichi.

— Você tá nervoso por amanhã? Porque eu tô.

— Um p-pouquinho. Mas a-acho que vai d-dar tudo c-certo. O Hinata estará contig-go.

— Tem razão. Tô animado.

Suga e Daichi se olham carinhosamente. O sereiano passa os olhos pelo rosto de Daichi: sem pegar muito sol, as sardinhas em seu nariz e bochechas tinham ficado bem mais suaves, os cílios molhados dele grudavam uns nos outros e destacavam seus olhos castanhos, os dentes batiam levemente de frio, os lábios levemente roxos estavam meio abertos, a poucos centímetros dos seus. Ele encurta a distância e encosta os lábios juntos.

Daichi sobe as mãos pelas costas de Suga e fecha os dedos nos cabelos da nuca dele, e inclina a cabeça para o lado, lambendo a boca salgada do outro. Suga separa os lábios e encosta na língua de Daichi com a sua; o moreno puxa mais seus cabelos claros, esfregando as línguas juntas com vontade, e tira uma das mãos da nuca do outro para pousá-la suavemente sobre as guelras abaixo das orelhas. Suga solta um apito longo bem satisfatório, ronronando.

A água ao redor dos dois já não estava mais tão fria, e Daichi sentia-se mais confortável. Passando a ponta dos dedos entre a pele delicada das guelras, ele sente Suga ficar cada vez mais quente e apitar em tons mais graves. Suga suspira contra a boca de Daichi, perdendo o ar, e estremece. Daichi desce sua outra mão pelo pescoço do sereiano e acaricia as guelras do outro lado.

Suga o aperta contra a parede e irradia mais calor, deixando a água morna e vibrando o peito de Daichi com seus ronronados. Curtos e baixos gemidos escapam de sua boca e Daichi começa a beijar-lhe o rosto. Ele fecha os olhos, soltando o ar com força e apitando enquanto sente os toques suaves contra sua pele. Daichi desce a boca pelo maxilar e para sobre a pele sensível das guelras, tocando-as levemente com o lábio inferior. O apito grave fica meio entrecortado.

Os dedos de Suga fecham-se com força na rocha escura ao lado de Daichi. Um arrepio desce sua coluna e fez suas escamas se arrepiarem ao sentir a respiração quente de Daichi em sua pele sensível, e ele estremece da ponta da cauda à cabeça e solta um gemido longo e gostoso quando o garoto humano começa a beijar as guelras em seu pescoço delicadamente. Suga aperta os dedos no quadril do outro, e segura as mexas no topo da cabeça de Daichi, e solta outro gemido quando a barriga aperta ao sentir Daichi tocando-o muito delicadamente com a pontinha da língua. Sua mente está completamente em branco e as mãos tremem agarrando Daichi contra si.

Com a outra mão, o moreno continua passando os dedos entre a pele fina do outro lado do pescoço de Suga. Daichi percebe como ele está quente, muito quente, e como seu corpo inteiro tinha começado a tremer por causa dos toques em suas áreas mais sensíveis. A voz dele ecoava na caverna junto dos apitos, com gemidos vindos do fundo da garganta que faziam Daichi sentir coisas estranhas na barriga.

Ele tira os lábios do pescoço de Suga e volta a beijar-lhe a boca, sendo espremido contra a parede de pedra quando apertou ainda mais os lábios contra os do sereiano. A língua dele rolava na boca do outro com facilidade, e Daichi sentiu um fogo subindo-lhe da base das costas quando Suga desamarrou sua bermuda e fechou a mão ao redor do pinto dele. Suga sobe e desce a mão rapidamente, obrigando Daichi a soltar suspiros pesados.

Os dois garotos apoiam as testas juntas e fecham os olhos. Daichi toca as guelras de Suga dos dois lados de seu pescoço, e os dois gemem juntos enquanto se masturbam gostoso sob a luz azulada das algas.

A água da pequena piscina já estava quente. Daichi sente o calor tomar-lhe o rosto e os arrepios subindo pela espinha. A cauda de Suga estava meio mole e dormente, e suas mãos tremiam por causa dos toques que recebia. Os dois gemiam juntos, a mão ágil de Suga subindo e descendo e os dedos de Daichi acariciando a pele fina das guelras.

Daichi sente a barriga apertar de novo e num impulso arranca a própria bermuda enquanto vira e cola o peito na parede de pedra. Suga tira o pênis do bolso interno e separa as pernas de Daichi com sua cauda.

Ele joga a cabeça para trás e solta o ar devagar. Suga morde seu ombro e geme baixinho. Era tão bom. Daichi agarra a parede com as unhas, os dedos tremendo, sentindo Suga mover-se contra si com vontade e colocando a mão sobre a sua, entrelaçando os dedos juntos enquanto a outra aperta o quadril de Daichi com força.

Daichi sente-se em uma banheira. A água ao seu redor está quente e agradável. Suga lhe beija a nuca e o pescoço ao mesmo tempo que se move mais rápido e mais forte. A voz grave do moreno fazia o coração de Suga bater muito rápido no peito. A barriga de Daichi formiga mais cada vez que o quadril de Suga bate contra o seu e ele ouve os suspiros altos e entrecortados em sua orelha. Daichi soltou um palavrão e fechou os olhos com força quando a mão de Suga começou a masturbá-lo de novo.

Espremendo os dedos de Suga nos seus e gemendo alto diversas vezes, Daichi deixa-se tomar pelo formigamento na barriga e goza gostoso, sua voz grave ecoando na caverna inteira e mandando arrepios pela cauda de Suga.

O sereiano aproveita que o corpo de Daichi parece meio molenga e o vira para frente, colando peito no peito, prensando-o contra a parede e beijando-lhe a boca com força e vontade.

Daichi prende as pernas ao redor de Suga e volta a gemer com vontade, superestimulado. Ele também ergue os dedos e toca as guelras de Suga com delicadeza, fazendo-o soltar uma série de suspiros sem fôlego contra sua boca.

O formigamento vinha desde a ponta da causa de Suga e subia rapidamente por causa dos toques, dos beijos e dos estímulos que recebia cada vez que metia fundo em Daichi. O garoto humano se separa da boca do outro e volta a beijar a pele sensível do pescoço de Suga, que agora estava vermelha-escura e pulsante. Suga sente o formigamento explodir em sua barriga e também goza gostoso, seu apito alto e sua voz ecoando juntamente na caverna.

Daichi trata de segurá-lo quando sua cauda fica completamente adormecida, falhando em sustentá-lo. Os dois respiram rápido, com as bochechas vermelhas, olhando-se entre cílios molhados. A água estava tão quente que fumegava no ar frio da caverna. Daichi fecha os olhos, cansado e com sono, e tenta aproveitar aqueles últimos minutos que estariam nos braços um do outro, tentando gravar a sensação de tê-lo contra si no fundo de seu cérebro.

Suga e Daichi voltam à praia rapidamente, o sereiano preocupado com a possibilidade de Daichi ficar doente. Quando chegam, veem Kageyama e Hinata dormindo abraçados sob a luz da Lua já alta no céu, os dois cobertos no colchão e só a ponta da cauda de Hinata para fora. Eles sorriem.

Tremendo de frio, Daichi se seca e coloca uma calça de moletom e um casaco confortável e quentinho. Deita-se em seu colchão inflável e se cobre até o queixo. Suga vai até ele e deita na areia ao seu lado, segurando as mãos geladas de Daichi.

— Eu amo você. Amo tanto.

— Eu amo você mais que tudo.

Os olhos de Daichi ficam úmidos. Seu peito fica comprimido e dolorido ao pensar na viagem que fariam, em Suga no mar aberto e correndo perigo de ser visto, e na possibilidade de ele se apaixonar por Nerida e não voltar para casa. Para ele.

— Vai ficar tudo bem, Daichi.

Fechando os olhos, ele dorme segurando as mãos de Suga como se sua vida dependesse disso.

Horas depois, o primeiro raio de sol surge no horizonte.