Stupid Love
9 Cap.6 - Festa do Pijama - Part.2
Notas iniciais
Certo, eu posso fazer isso. Nada de anormal vai acontecer. O que poderia acontecer?
– Sam, você tá bem? — Alice perguntou me encarando.
– Oi?
– Samantha, tá tudo bem minha filha?
– Tá tudo bem sim mãe. Por que não estaria?
– Tem certeza? Você pareceu estar em outro planeta. — Kaká falou me olhando.
– To bem sim. E cadê a Anna pra abrir está porta?
Finalmente alguém se dignou a vir abrir a porta. E não, não foi a Anna.
– Vocês chegaram. — Tony falou me encarando.
– Acho que sim né?! — Falei olhando pra ele. O sorriso que ele me deu foi lindo, mas eu não vou cair nessa. Não importa como, eu vou me manter afastada dele. Pra minha própria segurança. Pelo menos é o que eu espero.
– Boa noite D. Schummer. — Tony falou todo pomposo pra minha mãe. Ninguém merece isso gente.
– Boa noite meu querido. E eu já te falei nada de me chamar de Dona, isso faz com que eu me sinta velha. — Mamãe respondeu a ele sorrindo. Menos mãe, menos né. Minha irmã olhava pra cena com uma sobrancelha arqueada e a Alice tentava disfarçar as caretas dela. Eu devo estar em um estado entre as sobrancelhas arqueadas e as caretas, ou algo tipo isso.
– Cadê a Anna? — perguntei atrapalhando esse momento altamente estranho deles dois.
– Ela tá no quarto dela, terminando de arrumar algo. — ele falou fazendo pouco caso.
– Terminando de arrumar? E ainda tem o que arrumar? — mamãe perguntou intrigada.
– No caso da minha irmã, ela sempre acha alguma coisa. — ele falou revirando os olhos.
– Bem, então vou deixar vocês por aqui e vou indo me encontrar com o pai de vocês. — ela falou — E lembrem-se, não quero nada destruído, queimado, com ocorrências na polícia ou algo do tipo. Fui clara? — ela perguntou alternando olhares entre todos os que estavam presentes no ambiente.
– Clara e transparente mãe. — Kaká falou olhando-a.
– Sem sombras de dúvidas tia. — Lice falou rindo.
– Mãe faz favor, você já falou disse antes. Todos nós sabemos das consequências. Relaxa tá? — falei cansada de escutar a mesma coisa pela trigésima vez no dia.
– Eu estou falando isso porque eu conheço vocês. — ela falou me olhando.
– Mãe, nem a polícia, nem os bombeiros ou ambulâncias serão chamadas ok? Nós já entendemos tudo perfeitamente e podemos garantir que vai dar tudo certo.
– A senhora pode ter certeza de que tudo vai ocorrer sem nenhum problema, eu prometo que vou cuidar de todas elas. — Tony falou todo galanteador e minha mãe se derreteu toda. Mereço..
– Viu mãe? A senhora ta parecendo uma paranoica. Tudo bem que certas coisas aconteceram no passado, mas elas ficaram no passado, ok? Esquece isso, mãe! — Ká falou
– Ta certo, ta certo. Então, eu já to indo e vocês prometem que vai ficar tudo tranquilo?
– Sim mãe, fica tranquila.
– Então eu to indo embora, vou tirar o fim de semana pra relaxar com o seu pai. Pra apimentar nosso casamento.
– Credo mãe, isso foi informação demais.
– Bem, beijinhos meninas, Tony e até depois. — mamãe falou saindo.
– Então, agora nós podemos entrar.
– Meninas!! — Anna desceu as escadas gritando.
– Credo, quem ver de longe vai pensar que faz anos que vocês não se encontram.
– Fica quietinho aí, mano! — Anna falou vindo me abraçar.
A campainha tocou e por ela passou um carinha com uns 1,75m ou mais, olhos castanhos, cabelos negros e pele levemente bronzeada. É, pelo visto esse amigo do Tony é gatinho. E é impressão minha ou a Lice deu uma certa secada no moço?
– Então gente, esse é o Gui e ele vai ficar o fim de semana com a gente. — Tony falou enquanto arrastava o amigo pra sala.
– Bem-vindo! — Anna falou.
– Olá. — Alice falou corada, aí tem..
– Tudo bem? — Kaká perguntou sorrindo.
– Seja bem-vindo ao hospício! Quer dizer, bem-vindo a bagaça. — falei fazendo-o rir.
– Obrigado e eu to bem sim. — ele tem uma voz grossa e legal.
– Então, agora os meninos vão subir e se puderem fazer uma gentileza, levar as malas das meninas lá pra cima! — Anna mandou docemente.
– Por que nós faríamos isso? — Tony falou na escada.
– Por que seria um ato de cavalheirismo? E nos ajudaria? — falei incerta.
– Você quer a minha ajuda? — ele me perguntou se aproximando.
– Eu quero que você vaze!
– Não é o que eu to achando.
– Você não perdeu nadinha pra achar algo. Então rapa fora.
– Nós vamos subir sim meninas, até depois. — Guilherme saiu puxando o Tony e pegou uma das malas.
– Ok né. — ele falou e pegou as outras.
– Esse fim de semana vai ser ó, uma loucura. — falei desgostosa.
– Para com isso, que eu bem sei que você queria que ele te pegasse ali mesmo. — Lice falou sacana.
– Credo garota, tá louca?
– Chega, vamos sentar e conversar. — Anna falou indo pra sala que estava cheia de pufes. — Vocês acreditam que a louca da namorada do meu irmão queria vir pra cá? Mamãe proibiu que ela chegasse nessa casa nesse fim de semana!
Ih, a outra é surtada mesmo. Querer vir sabendo que ninguém aqui gosta dela é ser muito cara de pau viu. A Anna começou a contar pra gente uns micos básicos que a loira já pagou, como ter um surto em um restaurante achando que a garçonete estava dando em cima do Tony e fez todo passar vergonha; ou então quando xingou uma tia deles na frente do marido dela ou quando quase derrubou a vovó Mercedes na piscina. Essa loira é sinônimo de azar, hein? Ta louco. E ficamos nessas fofocas por vários minutos ou horas, rindo de todas as caras e bocas que fazíamos para contar as histórias.
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– Você não acha que tá tudo muito calmo? — Kaká me perguntou
– Acho. Mas não quero supor nada Vai que acontece?! Não, deixa as coisas quietas assim mesmo. — falei olhando a Anna e a Lice procurando algum dvd — O que vocês tanto procuram?
– O dvd do karaokê. — Lice falou.
– Oi? Karaoquê?
– Exato. Toda FDP (Festa Do Pijama) precisa ter um momento musical. Sanão, não é uma FDP de verdade.
– Tenho cara de atriz da Disney agora?! — Kaká ironizou justamente o que eu queria falar.
– Larguem essa cara emburrada lá fora e deixem de besteira. Nós estamos aqui para nos divertimos. Qual o problema de cantar um pouco? — Anna falou me encarando, mereço.
– Até parece que você não me conhece. Não sei cantar e prefiro nem arriscar. Prefiro dançar!
– Por que? — Lice perguntou.
– Porque dançar é muito mais fácil que cantar. E eu não levo jeito nenhum,nenhum para o canto. — enfatizei.
– Sem contar que ela dança muito bem. — Tony surgiu do nada.
– Brotamento feito com sucesso! — sussurrei pra Kaká fazendo ela rir.
– Perdi alguma coisa? — Tony estava nos encarando desconfiado.
– Nada, nada. — Kaká falou ainda rindo e fazendo o Guilherme rir.
– Cara, desencana. Deve ser alguma piada entre irmãs. — Gui (to começando a ganhar intimidade, mesmo que ele ainda não saiba disso) falou rindo.
– Escuta ele, ele sabe o que diz. — falei. To começando a ir com a cara desse garoto.
– Mas e aí, nós vamos dançar, cantar..? — Tony me encarava sugestivamente, eita que ta parecendo mania ficarem me encarando já.
– Espera, "nós"? — por que essa criatura desceu mesmo?
– É, nós. Ou tem algum problema incluir mais duas pessoas na brincadeira? — qual a probabilidade de ter alguma confusão?
– Talvez. — eu e minha irmã falamos juntas.
– Não. — Anna e Lice falaram me encarando. Por que eu tenho a leve impressão de que elas vão aprontar algo...
– Ok, sem problemas. — falei a contragosto já me preparando para o que supostamente elas farão.
– Então vamos nos dividir em dois times, que tal? Cada um com 3 pessoas. — sabia que lá vinha coisa, mas se é pra armar eu vou entrar nesse jogo também.
– Eu, a Kaká e o Gui. — falei no momento em que a Anna parou de falar fazendo todos me encararem mesmo a minha irmã, que também se tocou de que as meninas estão tramando alguma coisa.
– Mas.. — Lice não sabia o que falar.
– Que foi? — perguntei me fazendo de besta.
– Nós já temos os times, ué. — Kaká falou entrando na minha,adoro quando minha irmã percebe que to armando e me ajuda.
– Temos? — Tony questionou arqueando a sobrancelha.
– Claro que sim. Isso é, se o Guilherme não se importar em ficar com a gente. — falei assim que notei que o mesmo parecia se divertir com toda essa situação.
– Por mim está tudo tranquilo. — Gui falou vindo para o meu lado e deixando o amigo com cara de tacho. Já falei que eu to começando a gostar dessa criatura? Adorei! — Você sabe que o Tony queria estar aqui no meu lugar né?
– E você sabe que no devido momento ele deve estar ameaçando as suas futuras gerações, né?
– Eu to de boa quanto a isso. — ele falou me encarando.
– Ainda bem, porque eu não me sinto nem um pouco culpada.
– Por que eu acho que nós vamos nos tornar bons amigos? — Kaká falou rindo.
– Também acho. — falei concordando e vendo o Gui concordar também.
– Só pra que eu tente entender, apesar de achar que não irei, qual o lance entre você e o Tony? Porque seja lá o que for, ele muda completamente. — Gui falou pensativo.
– Não é um lance. É que o Tony decidiu que agora eu sou a boba da vez, sabe?
– Han... não
– Ele decidiu que eu sou a boba com quem ele vai mexer, sou a garota que ele vai tentar dar em cima até que ela se apaixone e depois vai cair fora.
– Como em vários outros casos que ele já teve. — Kaká falou séria, não se parecendo nem um pouco com aquela agitadora que ficou falando que eu e o Tony eu íamos casar.
– Não sabia que as coisas estavam nesse pé. Mas me diga, ele mexe com você?
– Será que a gente pode falar sobre isso em outro momento? De preferência longe do seu amigo, que por sinal está te chamando. — falei olhando de um para o outro.
– Beleza, depois a gente conversa melhor sobre isso. Agora eu vou lá, ouvir os milhões de ameaças que ele vai fazer em vão.
– Ameaças? — perguntei.
– Em vão? — Kaká questionou.
– Pode apostar. To começando a gostar de vocês, e não quero que o Tony se meta no meio da nossa amizade. — ele piscou e saiu andando pra junto do ET.
– Sabe, eu gostei mesmo dele. — Kaká comentou admirada — Ele mal nos conhece e já está defendendo a nossa amizade que está apenas no início.
– É, eu sinto que posso confiar nele, sabe?
– Confiar em quem? — Lice chegou perguntando.
– No Gui. — falamos juntas.
– Mas já? Vocês acabaram de conhecer ele.
– É, mas ele é daquelas pessoas em que a gente pode confiar. — Kaká falou olhando o mini bate-boca que os meninos tinham aos sussurros.
– E como você pode ter essa certeza? — Anna que escutava tudo calada, finalmente disse algo.
– Simples, o olhar dele. — Kaká respondeu.
– Oi?
– Ele deixar transparecer a verdade no olhar, de forma que a sinceridade está sempre lá, basta a pessoa conseguir notar isso. — expliquei.
– Então vocês o acham confiável? — Lice começou a questionar, lá vem...
– Sim.
– Mesmo ele sendo amigo do Tony? Sem ofensas, Anna. — Lice continuou.
– Sim.
– Certeza?
– Qual o problema, Alice? — não to gostando desse interrogatório, sem supostos motivos.
– Nenhum, só achei estranho.
– O que é estranho? — Tony chegou perguntando com um Guilherme de cara fechada.
– O mini interrogatório que a Alice estava fazendo. — Ká respondeu fazendo pouco caso.
– Vocês também? — Gui perguntou ironizando e vindo me abraçar. Aquilo é uma veia se destacando na testa do Tony?
– Pois é. — falei me encostando nele e puxando a Ká.
– Desnecessário não acham? — Ká falou ignorando todos os outros.
– Muito desnecessauro. — Gui falou rindo e nos fazendo rir.
– A gente tá aqui, sabia? — Tony falou arqueando a sobrancelha. Aquilo definitivamente é uma veia, ai ai.
– Uhum, nós sabemos. — falei fazendo pouquíssimo caso, apesar da forma penetrante que Tony estava me olhando. — E então, o que vamos fazer primeiro?
– Filmes!
– Karaoque!
– Just Dance!
– Dormir... — Kaká sussurrou pra mim, fazendo o Guilherme soltar uma sonora gargalhada.
– Não acredito que vamos passar o fim de semana inteiro fazendo isso. — falei fechando os olhos. Porque pra Anna uma Festa do Pijama não se resume a uma noite, e sim ao fim de semana inteiro. É, ela gosta de fazer algumas extravagâncias.
– Relaxa, vai dar tudo certo. — Alice falou junto do Tony.
– A menos, é claro, que acabe aparecendo uma pilha de corpos no final. — Tony falou abraçando a minha prima. Sério isso? O Tony tá querendo me fazer ciúmes usando a minha prima? E ainda por cima usando a minha frase? Que palhaçada é essa? O Tony me encarando e a Lice encarando o.. Acho que eu to começando a entender, mas mesmo assim. Olhei pra minha amiga que parecia reprovar a atitude dos dois.
– To com fome. — falei desviando os ânimos.
– Pizza? Lasanha? Mc? — Gui perguntou enquanto procurava os números no celular.
– Gente, ta preparado hein moço? — ele tinha esses números e outros milhares.
– Sempre. — ele falou rindo e piscando o olho, pra depois depositar um braço ao redor da minha cintura.
– Eu quero uma pizza, e vocês? — Tony perguntou fechando a cara. Acho que alguém ta se doendo.
– Pizza. — Lice falou. Então, acho que eu vou ficar com um certo pé atrás com a junção desses dois.
– Lasanha. — Anna falou e veio pra junto de mim. Pelo visto eu não sou a única que está desconfiando dessa junção.
– Mc. — Kaká falou.
– Mc. — Gui falou trocando um high-five com a Ká.
– Só falta você. — Tony falou me encarando e me fazendo desviar o olhar, ele não vai me hipnotizar, não dessa vez.
– Pergunta básica: vai todo mundo comer a mesma coisa ou vamos ligar para cada lugar?
– Acho melhor ligar para um único lugar. — Kaká falou.
– Então você decide o que vai ser. — Tony falou.
– Hm, acho que eu prefiro Mc. — falei.
– Por que? — Tony perguntou se aproximando.
– O quê?
– Por que não pizza?
– Porque pizza é algo comum e que todos vivem comendo, e eu estou com saudades de comer na Mc. — falei enquanto o celular dele começou a tocar. — Acho melhor você atender. — até imagino quem que ta ligando.
– Mana, pede..?
– Pode deixar.
– Não quero comer Mc prefiro pizza! — Alice resmungou fazendo birra.
– E então, o que vamos pedir?
– Oferta do cheedar. — falei.
– Também quero. — Ká falou.
– Oferta do Cheedar e outra do McFish. — Anna falou indo caçar os dvd's.
– Pega a oferta do McFish também. — Lice pediu emburrada. Vá devagar, viu coisinha?!
– Beleza. — Gui falou indo fazer os pedidos.
– Se aproximando do inimigo. — Ká falou se virando pra Lice.
– Oi?
– Você entendeu perfeitamente o que eu falei.
– Isso tudo só porque eu me aproximei do Tony hoje?
– Só? — questionei irônica.
– Você precisa admitir que isso é, no mínimo, estanho. — Anna falou.
– Até parece. Vocês duas se aproximaram do Guilherme e querem falar de mim? Nem vem.
– Só te digo uma coisa: cuidado!
– Cuidado com o que? Se vocês podem eu também posso, ué.
– Primeiro: Eles são pessoas diferentes, não precisam ser iguais para serem amigos. Segundo: cuidado, você acabou de chegar e não conhece ninguém por aqui. Não confie completamente em todos. Terceiro: para de falar e agir como uma namoradinha ciumenta ou tentar me provocar, isso ta começando a ficar ridículo e a partir do momento em que eu me irritar vou entrar e mudar esse joguinho.
– Isso é uma ameaça prima? — ela parecia divertida.
– Não, é uma constatação de fato. Muita coisa mudou nesse tempo em que você não veio por aqui Cuidado com o que faz par não se arrepender. — Kaká tomou a frente e encerrou o momento cartas na mesa.
– Será mesmo?!
– Jogue e descubra. — falei cansada desse joguinho e indo ajudar a best.
– Então, você também achou estranho tudo isso ou foi só eu?
– É cedo, mas eu acho que essa aproximação vai ser motivo de mudanças ao longo do tempo. — sussurrei.
– Você acha?
– Ela ainda ta pensando que é só uma brincadeira, amiga. Minha prima ta encarando tudo como algo inocente. Não vou me surpreender se ela ficar muito próxima ao Tony.
– Ela não seria capaz de priorizar ele à vocês. — ela falou incerta.
– Será? Só o tempo vai comprovar qualquer coisa. Mas vamos mudar o foco.
– Acho que meu irmão vai tentar te manipular emocionalmente esse fim de semana.
– Amiga, ele faz isso todos os dias.
– Mas acho que dessa vez ele usar a sua prima. E tentar te manter longe do Gui.
– E por que ele faria isso?
– Porque ele ta se doendo, gata. Meu irmão ta com ciúmes. Acho que ta se sentindo ameaçado.
– Sinceramente? Que se doa!
– Oi?
– Isso mesmo amiga, que se doa. Eu já to cansada de ficar o tempo inteiro a mercê do Tony. Se ele quer jogar, eu vou jogar também!
– Ta virando guerreira? Gostei amiga, meu irmão precisa tomar vergonha na cara. E eu particularmente espero que vocês fiquem juntos.
– Pessoas, o lanche chegou. — Gui falou da porta. — Mas eu preciso de ajuda aqui, ta?
– Eu to aqui. — Tony falou indo ajudá-lo. Eram tantas sacolas que eu decidi ir ajudá-los antes que algo caísse. Colocamos tudo na mesa e fomos arrumar.
– Será que eu posso falar contigo? — Tony se aproximou de mim mas não encostou um dedo.
– Precisa ser agora? — falei enquanto forrava a mesa.
– Não, mas eu preferia falar logo;
– Pode ir, já tá tudo arrumado por aqui. — Gui falou.
– Ok, então. — falei encarando o Tony.
– Vem cá. — ele pegou minha mãe e saiu me puxando em direção ao jardim, que parecia ter saído de algum filme, principalmente sob a luz da lua cheia. Assim que chegamos ele me fez sentar em um banquinho e se encostou na mureta. E ficou em silêncio por dois longos minutos.
– Então...?
– Você já conhecia o Guilherme?
– Só de vista, na escola.
– Certeza?
– Por que essa pergunta?
– Porque não foi o que pareceu.
– E o que pareceu, Tony? — perguntei me levantando e parando perto dele.
– Pareceu que vocês são bastante íntimos. — ele falou parando na minha frente e muito perto de mim.
– Mas nós não somos. Ainda. E se fossemos qual o problema?
– Ainda? Ainda? Qual o problema? — ele repetiu cínico e eu consegui entender.
– Qual o grande problema, Tony? Você se doeu? É por isso que você veio fazer todo esse questionamento? Você se doeu por que eu decidi ficar junto do Gui? Se doeu com a intimidade?
– Não. — ele respondeu respirando fundo.
– É mesmo? Não é o que ta parecendo. — falei me divertindo com isso.
– Você ta amando me ver assim, não é mesmo? — ele me perguntou cinicamente enquanto me prendia em um abraço.
– Com ciúmes? Claro que sim. — falei rindo e colocando meus braços para nos afastar.
– Quem disse que eu to com ciúmes? — sua cabeça descia gradativamente em minha direção mas não vai rolar. Dessa vez não, neguinho. Hoje quem manda nessa budega sou eu.
– Seus olhos. Eles estão cristalinos quanto a isso. — falei o empurrando. — Agora se me der licença, eu vou comer porque minha fome está grande. — falei enquanto saia andando e deixando o T. lá parado e bestificado. Nesse jogo, dois podem jogar, ai ai adoro.
– Cadê meu cheedar? — perguntei entrando na sala vendo todos me olharem. — Que foi?
– Nada. Ta aqui. — Ká falou e eu me sentei a mesa perto dela. Assim que eu sentei o Tony chegou e se sentou a minha frente.
– Pode me passar esse copo e a batata? — pedi o olhando.
– Por que?
– Bem, a menos que a Mc tenha mudado, a oferta vem com uma batata e um refrigerante. E no caso você tem dois.
– Ta com fominha é? — ele perguntou cínico mas me passou as coisas.
– Vou considerar essa pergunta algo retórico e me deliciar com o meu cheedar. — falei e comecei a comer. Notei que a mesa estava silenciosa e o Tony de cara fechada. Bem, acho que avancei no jogo.
– Ok então. — ele respondeu e começou a comer.
O restante da noite pode ser resumido a pessoas comendo enquanto achavam que uma bomba iria explodir, pessoas brincando de mímica com uma aura extremamente ácida ao redor e milhares de pedidos pra dormir (todos de minha parte,claro), e quando finalmente pude ir dormir já era quase 3 da manhã.
Então, depois de uma noite no mínimo estranha, depois de algumas horinhas de sono, eu acordei as 9:30 da manhã do sábado morrendo de fome. No quarto, aparentemente só a Anna acordou, porque as meninas estão dormindo como uma pedra. Não vou acordar ninguém, elas foram dormir bem depois. Vou descer e fazer algo para comer. Depois de descer a escadas pude ver o quanto à sala estava bagunçada. Mas não vou fazer nada sozinha. Vou pra cozinha fazer qualquer coisa.
– Ok, eu poderia imaginar qualquer coisa, menos isso. To delirando? — Ao entrar na cozinha eu me deparo com o Tony apenas com a bermuda do pijama fazendo alguma coisa no fogão e honestamente, eu to tendo que fazer um esforço gigante para não ficar babando no tanquinho que esse desgraçado tem. Por que o dia tinha que começar assim, hein?
– Bom dia pra você também. — ele respondeu rindo e se virando e trazendo algumas panquecas que pareciam estar deliciosas.
– Bom dia. Não sabia que você cozinhava. — falei sentindo o aroma das panquecas.
– Eu aprendi há alguns anos precisava aprender a me virar.
– Tendi. Mas e aí, o seu tempero é bom?
– Por que você não come e me dá a sua opinião?
– Tá, mas se tiver ruim você vai fazer algo decente pra mim.
– Wow, você é mandona e esquentadinha hein?
– Quieto, deixa eu ver se é bom mesmo. — e por mais que eu não queira admitir, o idiota conzinha bem!
– E então? Posso casar?
– Até que tá bom, viu? Mas pra casar é preciso muito mais que isso. — falei enquanto continuava a comer. E ele apenas riu. — Que foi?
– Nada, é que você é divertida quando não está implicando comigo. Sem contar que você é extremamente bonita logo pela manhã. — ele falou enquanto comia a panqueca.
– Será que você poderia comer ou passar algum momento do dia sem ficar com esse papinho de dar em cima de mim? Só por um momento! — pedi já cansada desse joguinho.
– E se eu não puder?
– Bem, então as coisas não serão mais uma maravilha.
– Por que? Elas vão esquentar, como você?
– Não, elas vão gelar como o Antártico. — falei tão próximo a ele que mais um pouco e nos beijaríamos. Mas não vamos.
– Tchauzinho, T. — falei me levantando e colocando os pratos na pia.
Pelo visto esse fim de semana vai ser um teste quase impossível de resistência, e eu vou precisar de toda a ajuda do mundo pra ficar longe do Tony, e do tanquinho e de todo o bipolarismo dele. É essa bagaça vai ser inesquecível!
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