Stuck with my Ex
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Chegando ao Caldeirão furado, já fomos recebidos por olhares feios e murmurinhos, provavelmente porque éramos um grupo grande de jovens de mais ou menos 20 anos, e também porque assim que passamos pelas portas, Malfoy urrou para Tom, o proprietário, que preparasse shots de uísque de fogo para todos nós. Exibido.
Arranjamos uma mesa grande no fundo do bar e ficamos por lá. Fazia tanto tempo que não vinha aqui, tudo está mudado. Finalmente introduziram alguns elementos da cultura trouxa aqui, ou algo do tipo, para agradar os mais jovens. Uma jukebox, um palco e um microfone eram tudo, mas não se pode ter tudo assim né, uma coisa de cada vez. Rio ao pensar em baladas no Beco Diagonal, acho que os anciãos surtariam!
Pouco depois de sentarmos, nossos shots chegaram na mesa. Cada um pega sua dose e Scorpius articula:
— Um brinde ao início da carreira da carreira de cada um de vocês e aos seus futuros!
Entre gritos de felicidade e sonoros “saúde!”, todos viramos os copos de uma vez.
A sensação de doçura misturada com amargor invade minha boca de uma só vez. Primeiro a bebida desce deixando apenas um leve calor na garganta, mas após alguns segundos, a queimação vem com tudo. Olho para o lado e Giselle — a francesa — está com os olhos arregalados e a boca aberta, se abanando freneticamente.
— Você nunca tomou uísque de fogo antes? — perguntei, enquanto me continha para não rir, e ela sacudiu a cabeça negativamente — Logo a queimação passará, não se preocupe!
— Aqui, tome isso — Malfoy, que estava ao lado dela, ofereceu um pouco de água que tinha de seu cantil.
A francesa pegou a garrafa e bebeu aos montes, desesperada. Enquanto isso, o loiro "sutilmente" aproveitou a situação para passar seu braço pelos ombros dela.
Claro que ele fez isso, já não deveria esperar nada menos. Rolei os olhos e os ignorei, me virando para o outro lado, onde Jamie e Sergei estavam em uma briga de braço, e Ewe e Kwan torciam freneticamente por eles.
Sinceramente, por que homens são assim? Nunca perdem a oportunidade de demonstrar masculinidade e dominância, como se não tivessem cérebro. Por que eu não nasci lésbica, Merlin??
Cruzo os braços e suspiro, resignada. “Bom, se vou ter que ficar aqui, é melhor que seja com álcool. Afinal, eu mereço, depois dessa semana!” penso, então chamo Tom e peço a ele uma taça de hidromel.
Assim que termino de fazer meu pedido, ouço uma risadinha estridente. Olho para o lado e Giselle está me olhando com cara de deboche.
— Você gosta mesmo dessa bebida de velho? — ela me pergunta.
— Relaxe, combina com o espírito dela — Malfoy fala baixinho, ainda com o braço em volta dela.
Ela ri novamente, seu rosto se contorcendo maldosamente. Respiro fundo, tentando manter minha paciência diante da audácia desse ser humano, e respondo:
— Eu sei o que você está tentando fazer, Malfoy, e digo logo que não vai funcionar, então nem gaste seu fôlego.
Dito aquilo, me levanto da mesa e, pegando minha taça de hidromel — muito orgulhosamente, inclusive — no meio do caminho, me dirijo à jukebox do outro lado do bar. Dou uma olhada nos discos que estão ali, mas a coisa mais animada da coleção é ABBA, então faço disso a minha limonada e coloco “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)” para tocar. Enquanto a música começa, volto para a mesa e chamo meus colegas para dançarem comigo, pegando Jamie e Kwan pela mão. Logo todos se juntam a mim, menos Scorpius, que só murmura um “eu não danço”, meio sem graça.
Quem é o velho agora?
Enquanto mais alguns jovens que estavam ali se juntavam à nós, Jamie se aproxima de mim e entrelaça suas mãos nas minhas, então começamos a dançar e juntos pelo salão. Ele gesticula para que eu rodopie e eu solto uma gargalhada e volteio em torno de seu braço, mas bem no fim tropeço e quase caio, mas ele me segura em seus braços.
— Oops! Cuidado, Rose.
Por um segundo, algo passa em seus olhos — desejo, talvez? — e sinto uma descarga elétrica descer pela minha espinha. Minha boca de repente parece seca e minha respiração, ofegante. Com toda a loucura do treinamento, não havia notado ainda como ele é atraente.
Sacudo minha cabeça e me afasto dele, recuperando o equilíbrio. Ele é seu colega de trabalho, Weasley.
Digo que vou pegar outra bebida e me afasto do grupo, em direção ao bar. Peço outra taça de hidromel e volto à mesa, mas não há ninguém lá, nem mesmo satã em forma de homem e olhos claros. Mas eu já sabia onde ele estava.
Provavelmente foi a bebida fazendo efeito, mas decidi procurá-lo. Dito e feito, o achei do lado de fora, sentado na calçada e fumando.
— O que você quer? — ele resmunga.
— Que você pare de ser tão desagradável por uma noite, talvez? Que pelo menos você aja normalmente e dance com o resto do pessoal, sem essa pose de eu-sou-bom-demais-para-isso — respondo, passando lentamente pela porta e deixando-a bater atrás de mim.
— Com essa música de vô que você colocou? Não, obrigada.
— Claro, culpe a mim e a música. Você é horrível, Malfoy.
O loiro então se levanta da calçada e solta uma risada de escárnio, para então se virar em minha direção.
— O que você veio fazer aqui, Weasley? — seus pés sobem no meio fio, e lentamente diminuem o espaço entre nós dois.
Eu vou para trás, mas eventualmente não sobra mais espaço para onde ir e me vejo perigosamente encurralada entre a parede e o meu algoz.
Ele continua:
— Porque eu acho que você não está aqui só para me xingar, — Scorpius não para até sobrarem poucos centímetros entre nossos corpos — eu acho que você está aqui porque, mesmo que inconscientemente, a sua vontade é de me implorar para terminar a noite na sua cama, te fazendo gritar pelo meu nome. Sabe como é, como nos velhos tempos.
Me tremo toda, mas a vozinha na minha cabeça grita “Se recomponha! Você não pode deixar que ele te vença assim!”.
— Se dependesse de mim, Malfoy, você passaria o resto da vida sozinho e amargurado, com teias de aranha na sua cama — respondo, com o queixo erguido e toda a dignidade que me resta diante da situação.
Mas é claro que ele não se deixa abalar. Esse demônio sabe a influência que tem sobre mim, e não se dá por vencido. Ao invés disso, ele se aproxima ainda mais. Como um predador prestes a saborear sua presa, ele delicadamente afasta um cacho meu com sua mão, e posso sentir sua respiração em meu pescoço.
Eu deveria sair dali, deveria correr para bem longe, mas meu corpo vai totalmente contra a minha consciência.
Assim que seus lábios quentes tocam a fina pele do meu pescoço e suas mãos traçam minhas coxas, um tremor percorre todo o meu corpo. Não posso evitar, estou totalmente entregue. Ele deposita uma trilha de beijos até meu maxilar, saboreando sutilmente meu desespero.
No entanto, quando tento trazê-lo mais ao meu corpo, ele se afasta bruscamente, quase me arrancando um gemido de frustração. Ele sorri convencidamente, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.
— Quando você implorar, ruivinha. — essa é a última coisa que ele sussurra antes de se virar e voltar para dentro do estabelecimento.
Assim que me vejo sozinha no escuro da rua, um turbilhão de emoções me atinge. Me sinto exposta, humilhada, traída pelas minhas próprias vontades. Não acredito que deixei que ele tirasse vantagem dessa situação, que estúpida! Quero gritar, bater em algo, sair dali e me enfiar num buraco e nunca mais sair, tudo ao mesmo tempo. Não consigo segurar as lágrimas, e decido que sair dali o mais rápido possível é a melhor opção.
Volto tão rapidamente para a mesa que nem noto a presença alheia ali. Talvez tenha ouvido um “ei, você está bem?” distante, mas não tenho certeza. Só o que lembro é pegar minha bolsa, deixar o dinheiro que devia na mesa, e aparatar no meu quarto. Caio em cima da cama, chorando copiosamente em meu travesseiro até haver mais lágrimas, e após isso apaguei. Só sei que acordei com alguém chamando por mim e me sacudindo sem parar.
Fale com o autor