Stuck with my Ex
2 Capítulo 2
Ele também parece ter notado minha presença. Por cerca de 2 segundos, nossos olhares se cruzaram e sua respiração parou, mas logo em seguida se recompôs e continuou o que estava fazendo. Deixou sua bolsa no canto e se sentou à mesa, com a garrafa de chá na mão. Típico.
— Muito bom dia, queridos. Sou Scorpius Malfoy, o instrutor de vocês pelos próximos seis meses, ou pelo menos até o dia que aguentarem. Hoje vou apresentá-los ao programa de aurores trainees, às diretrizes do curso, e ao resto do departamento.
Scorpius emana confiança, como sempre, com seu jeito sarcástico e arrogante de quem conquista tudo o que quer e sabe disso.
— Posso avisá-los de antemão que este curso não é fácil. Não há competição entre vocês, mas normalmente só uma ou duas pessoas do grupo se tornam aurores definitivos, pela carga de trabalho e pressão que vocês serão submetidos. E não estou falando isso para assustar, é somente o que aconteceu nos últimos 200 anos…
Ele continuou a apresentar o curso para nós, fazendo um retrato histórico do departamento desde quando ele foi criado até o dia hoje. Em algum momento eu parei de escutar, imersa em meus próprios pensamentos.
Volte, Rose, você não pode se deixar abalar por isso. E daí que é meu ex? É passado, tenho que me focar no programa e garantir minha vaga de auror definitiva.
— Muito bem, agora quero conhecê-los. Se apresentem, nome idade, de onde são, quero saber tudo — ele continuou e apontou para mim — começando por você aí do canto, a visitante.
Oi? Visitante?
— Hm, oi… — tento organizar o que falar na cabeça — meu nome é Rose, Rose Weasley, tenho 20 anos e sou daqui de Londres mesmo.
— Certo — ele respondeu, com seu ar zombeteiro — mas já que você é visitante, não precisa se preocupar em vir amanhã, ok? Aqui não temos tempo para quem está de passagem.
As outras pessoas da sala começaram a rir em burburinhos, e o rapaz do meu lado apontou para minha camisa com um ar de pena. Olhei para baixo e ali estava o crachá escrito “VISITANTE” que peguei na entrada. Arranquei-o da roupa e enfiei na bolsa, meu rosto em chamas enquanto todos me observavam. Ele se virou para o restante da mesa e continuou:
— Caso mais alguém esteja perdido como a senhorita Weasley aqui, vocês deverão passar pela entrada de funcionários, pelos banheiros públicos ou lareiras no conforto de suas casas, e não pela entrada de visitantes. Muito bem, próximo!
As apresentações se seguiram, e de alguma forma consegui me recompor e acompanhar, mesmo desorientada com o que acabou de acontecer.
O rapaz ao meu lado é escocês e se chama Jamie, e o ao lado dele é da Coréia do Sul e se chama Kwan Hyung. Na outra parte da mesa, uma mulher negra é queniana e se chama Ewe Ahmed, uma morena é francesa e se chama Giselle Aubry, e o último é um russo chamado Sergei Glazkov.
Pelo resto da manhã conhecemos o nível 2 do ministério, fomos apresentados ao restante da equipe de aurores e às regras do departamento. Ao meio dia, fomos liberados para o horário do almoço, finalmente. Passei a manhã toda querendo enterrar a cabeça no chão de tanta vergonha e precisava de um tempo sozinha.
Corri até o banheiro, o nó na minha garganta se desfaria em pouco tempo se continuasse ali. Me apoiei na pia e as lágrimas automaticamente começaram a descer, deixando meus sentimentos reprimidos fluírem.
Por que logo ele foi escolhido para ser meu instrutor? Não faz nem um ano que ele se formou, é totalmente desqualificado e despreparado para esse trabalho. Os novatos deveriam ser treinados por alguém com anos de experiência, não por esse idiota. Fora toda a história que a gente tem.
Um ano atrás o peguei me traindo, bem no baile de formatura. E pior, com minha prima e uma de minhas melhores amigas, Dominique! Foi completamente humilhante, e como se não bastasse, todos da escola ficaram sabendo que a corna aqui levou chifre. A situação toda me destruiu, fiquei sem comer e sair do quarto por dias, só chorava e dormia. Porém, um dia decidi que não poderia passar o resto da vida chorando as pitangas por alguém que claramente não merecia isso, e foi aí que decidi fazer minha viagem. Pouco tempo depois já estava voando para New York com o dinheiro que consegui juntar durante anos, e foi essa viagem que me curou. Ou ao menos era isso que eu achava, até ter esse embuste como meu instrutor e supervisor, ainda me tratando com desprezo. A vida realmente não é justa.
Respirei profundamente e abri a torneira, usando uma mão para lavar meu rosto. Em seguida, puxei um pouco de papel toalha e o usei para me secar enquanto olhava meu reflexo no espelho. “Ótimo, agora meus olhos estão inchados,” pensei, “todos vão saber que chorei logo no primeiro dia e que sou uma fraca.”
Como se o universo tivesse me ouvido e quisesse me fazer passar ainda mais vergonha, uma pessoa entra no banheiro. É o escocês, e ele me olha assustado.
— Ei, você sabe que esse é o banheiro masculino, né? — ele pergunta
Droga. Droga droga droga droga. Se o dia continuar desse jeito, só saio do ministério com uma sacola na cabeça para não ser reconhecida.
O rapaz deve ter notado meus olhos vermelhos e empapuçados, por que pergunta:
— Você está bem? Rose, né? — ele não me deixa responder e continua, se aproximando de mim — Foi pelo que aconteceu na reunião? Eu achei tipo, muito escroto da parte dele te deixar nessa situação, cara. Completamente desnecessário
Ele me entrega mais papéis toalha, porque a esse ponto eu já tornei a chorar. Quando consigo me recompor, respondo:
— Eu já deveria esperar aquilo vindo dele, já estou acostumada — ele franze o cenho, sen entender, e eu continuo — ele é meu ex.
Seu rosto se ilumina e posso ver as informações se encaixando em seu cérebro.
— Mesmo assim, isso não dá o direito para que ele te trate assim na primeira oportunidade, você nem fez nada de errado agora — Jamie respondeu.
— É — concordo com a cabeça — mas não se preocupe, eu consigo lidar com ele, só precisava esfriar a cabeça.
Ele me olhou com um sorriso bondoso e só agora pude reparar melhor em suas feições. Jamie é um rapaz alto, forte, com cabelos e olhos castanho claro, e um bronzeado nada característico de alguém que vem da Escócia. Ele então acena com a cabeça e diz:
— Certo, então vamos voltar e almoçar com os outros, eles devem estar sentindo a nossa falta.
Concordei com a cabeça e voltamos ao departamento, onde todos os trainees haviam se reunido na copa e estavam conversando animadamente e se conhecendo.
Para o meu alívio, nenhum outro incidente vergonhoso ocorreu pelo resto da tarde ou da semana. Recebemos uma lista gigantesca de livros para comprar e começamos a tratar de medidas de segurança e primeiros socorros. Temos sempre aulas teóricas seguidas de aulas práticas, e um teste prático no fim de cada mês.
No final do expediente de sexta-feira, Scorpius convidou a todos para irem ao Caldeirão Furado, pois segundo ele, “é tradição cada novato pagar uma rodada de cerveja amanteigada para o instrutor na primeira semana”.
Fiz uma careta e disse a Jamie baixinho que não iria, porque bem, ir a um bar com meu ex namorado não tá exatamente no top 3 coisas mais inteligentes a se fazer. Porém, como Jamie e alguns outros colegas insistiram tanto para que eu fosse, cedi e me juntei a eles.
Pra que, Merlin? Eu já deveria ter previsto a furada em que me meti...
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