Stuck in his Past
11 You are not the best for She
Notas iniciais
Cemitério Madre Dolores – New York
Hannah ainda estava dentro do taxi olhando para os portões intimidadores do grande cemitério principal, o sol quase não existia naquele momento, ela ainda sentia uma forte dor de cabeça devido á ressaca dos últimos dias, por isso, usava óculos escuros, tentava não chamar a atenção do motorista, mas era meio impossível já que sua expressão de medo e confusão, eram grandes demais. Seu vestido preto era leve, não tinha o peso de uma pessoa de luto, talvez fosse por seu luto ser antigo demais.
Ela não sabia ao certo o motivo de estar ali, mas quando seu celular tocou pela sexta vez e ela viu a foto de Tony sendo acompanhada por AC/DC, teve certeza de que precisa de um pouco de paz. Ele estava muito preocupado com ela depois de sua conversa de dois dias atrás, claro que ele queria se desculpar sobre algumas coisas ditas naquela noite, mas era obvio que um Stark não tinha essa capacidade, talvez o real motivo pelas ligações fosse a descoberta de Bucky Barnes na cidade, Tony era um homem inteligente, ele não iria engolir as fofocas que a TV havia mencionado nos últimos dias, ele sabia que ela jamais teria um caso com Steve Rogers, afinal, Steve era o melhor amigo de Bucky, então qual a razão dela ter sido vista tarde da noite no apartamento dele? Só tinha uma resposta pra isso.
—Tem certeza que deseja descer senhorita? – Disse a voz do taxista parecendo um pouco preocupado, Hannah estava paralisada com a mão na porta á pelo menos uns dez minutos, o cheiro das rosas que ela havia comprado já estava impregnando o carro.
—Sim, só preciso de um minuto. – Hannah percebeu que estava sendo seguida a vinte minutos atrás quando ainda estava em movimento, uma moto grande, dessas modernas que ela não conhecia muito bem, uma CB1000, ou algo do tipo, estava parada a poucos metros da entrada do cemitério, e mesmo o motoqueiro estando usando preto não era sinal de que entraria naquele lugar. -Eu vou descer sim, obrigada. – Hannah desligou o celular, não queria ser perseguida naquele momento, só precisava de um minuto para entender como acabou chegando ali, ah claro, os últimos acontecimentos de dois dias atrás.
O dia amanheceu rápido demais, as coisas já não estavam mais sobre controle, pelo quarto ainda haviam garrafas de vodca jogadas por toda a parte e uma caixa cheia de fotos, desde algumas em preto e branco até as coloridas dos dias atuais. Fazia dois dias que o encontro com Bucky havia acontecido, e até aquele momento Hannah não sabia como proceder, sua primeira atitude foi ficar em casa nos dias seguintes, ela não precisava de mais confusão e também não queria mentir mais sobre seu encontro, Tony estava atento aos seus movimentos e ela sabia que ele não iria pensar duas vezes para entregar o Soldado ao Governo.
Talvez Tony estivesse certo sobre os riscos, mas ela precisava arriscar, por isso resolveu esperar um pouco antes de tomar uma decisão. No dia seguinte após o encontro todos os jornais da cidade só falavam sobre isso, mas não da forma que ela imaginava, todos estavam pensando que ela e Rogers estavam tendo um caso, por um momento ela se irritou, odiava fofoqueiros e sempre precisou lidar com pessoas assim, mas depois acabou rindo da situação, afinal, o próprio Rogers havia mencionado aquela possibilidade.
“Ontem a noite um fotografo conseguiu registrar o momento exato em que a jovem empresária Hannah Erskine, dona dos Laboratórios de pesquisa genética Genesis, saiu discretamente do apartamento do nosso querido Capitão América, ninguém sabe dizer ao certo, mas acreditamos que esteja acontecendo um romance ai” — A apresentadora do Fale com a Carol estava muito animada em manchar a imagem da jovem já que Hannah sempre se mostrou para a sociedade como uma “bilionária sem graça”, era assim que Carol costumava definir a garota.
“Eu sempre soube que ninguém pode ser certinho demais, sabia que Rogers só estava esperando o momento exato para entrar em ação” RISOS. “Nós aqui desse programa já estávamos de olho, infelizmente não fui á escolhida, mas fico feliz em saber que a nossa queridinha da América tem mais tempero do que aparenta, só resta saber se Tony Stark vai aceitar bem essa noticia.”
Hannah odiava Carol, ela era baixa, sempre procurava o pior das pessoas e durante os últimos cinco anos tentou achar uma ligação romântica entre Tony e ela. Mas os dois sempre foram discretos com o seu envolvimento, tanto profissional quanto pessoal, afinal eles estavam ligados pela ciência, e pelo passado. Sem contar que Hannah evitava Tony ao máximo, tinha medo que os envolvidos com a HIDRA pudessem ir atrás dele se soubessem dessa “amizade”.
—Vamos dormir Hannah, deixe essa mulher pra lá. – Disse Sammy parada na porta do quarto de Hannah que mesmo deitada não conseguia dormir, ela estava vendo o programa ao vivo um dia depois do acontecido e estava furiosa.
—Eu odeio esse tipo de pessoa. Não entendo como essa Carol conseguiu um emprego desses, ela é grosseira e cheia de mentiras. – Disse Hannah se jogando de costas contra os travesseiros fofos que estavam ao seu redor. –Nunca consegui lidar muito bem com essas pessoas. – Ela falou se lembrando de JJJ, um jornalista que hoje era dono de sua própria redação, mas que no passado fazia questão de persegui-la para tentar provar ao mundo que ela não era apenas “amante” de Howard Stark, mas sim uma das primeiras mutantes do país, se ele tivesse conseguido isso Hannah não teria tido paz pelo resto da vida.
—Você quase não conversou com Tony ontem, aconteceu alguma coisa? – Sammy percebeu que Hannah havia chegado no dia anterior pela madrugada, seus sapatos foram encontrados pela mesma ainda no chão da sala ao lado do elevador principal, ela sabia que estava acontecendo alguma coisa mais não quis questionar. –Ele parecia preocupado quando o vi pela manhã.
—Não me diga que você também acha que eu estou tendo alguma coisa com ele? – Hannah falou frustrada encarando Sammy que sorriu travessa, a menina nunca escondeu sua preferencia para Hannah, sempre quis que a “irmã” encontrasse alguém especial.
—Não iria me opor a isso. – Sammy falou fechando a porta com cuidado, o quarto de Hannah era muito bonito, tinha janelas enormes para deixar a luz do sol entrar. Ela sempre amou o sol, depois de sua experiência perdida na floresta coberta por neve, nunca mais quis repetir isso. –Prefiro você com o Tony do quê com Rogers, pode deixar o Capitão pra mim, acho que você e Tony têm tudo haver, tanto pelos negócios como pela SHIELD, por tudo sabe? Você já é uma Stark pra mim. – Falou a menina deixando Hannah chocada com a sinceridade momentânea dela sobre seus sentimentos.
—Rogers é velho demais pra você. – Disse Hannah rapidamente ficando sentada na cama como se tivesse levado um choque. — Literalmente falando, sabe? Ele é um homem muito complicado que acabou de perder um amor do passado, não acho uma boa idéia você alimentar esse tipo de sentimento e...
—Nada de sermão Hannah. Eu só acho Rogers gostoso, nada demais, claro que se ele quisesse casar comigo e ter filhos eu iria ser muito feliz. Mas sei que isso não vai acontecer. Então me contento com um garoto da escola que me convidou para ir a uma festa no sábado. –Disse Sammy com o rosto corado. –E não precisa se preocupar, ele é só um ano mais velho que eu, estou pensando em chama-lo para ir a minha festa de quinze anos, acho que o tio Tony não vai se importar.
—Garoto da escola é? – Hannah falou jogando um travesseiro na jovem que riu alto. –Porque não tinha me contado nada disso antes, eu pensei que você nutria apenas esse sentimento platônico pelo Steve. – A garota ficou feliz em perceber que Sammy estava começando a ter uma vida normal, uma vida que sempre quis. Quando morava no Instituto não tinha essa possibilidade, agora, estudando em uma escola “normal” podia fazer amigos e até se apaixonar por garotos da idade dela, garotos que jogam vídeo game, pensam em esportes ou fazem planos de ser estrelas do rock, era disso que Samantha precisava, uma chance de ser normal e feliz.
—Não vou falar sobre esse garoto ainda, nós estamos nos conhecendo por enquanto. – Sammy falou jogando o travesseiro de volta em Hannah. -Você pode fingir ser a namorada do Rogers o quanto quiser, mas desde que assuma logo que foi feita para o Tony.
—Sammy?! – Disse pensativa sobre o que havia acabado de ouvir e não sabia ao certo como lidar com aquilo. –Tony e eu nunca vamos combinar, eu fiz um juramento para proteger ele, não coloca-lo ainda mais em risco.
—O que foi? Tony é um homem maravilhoso. – Ela falou colocando as mãos sobre a cintura. –E capaz de se proteger sozinho, ele é o Homem de Ferro Hannah, ele não é um homem comum. – Sammy torcia totalmente para a felicidade de Hannah, ela queria muito que a irmã se relacionasse com seu padrinho, Tony era um ótimo homem ao seu ponto de vista.
—Ele também é egocêntrico, problemático, narcisista e...
—Dedicado, cuidadoso, protetor. – Disse Sammy abrindo os braços de forma demonstrativa, como se estivesse colocando em sua frente ás qualidades daquele homem que admirava. –Quando você pediu para ele ser o meu padrinho á cinco anos atrás, eu juro que não entendi aquilo, tipo, como assim? O bilionário mais egocêntrico do mundo sendo meu padrinho? Mas hoje eu entendo. Você fez isso porque sabia o quanto ele precisava de uma família, ou pelo menos algo próximo disso.
—Desde quando é fã dele? – Hannah sabia que Sammy nutria um grande sentimento por Tony, uma das melhores coisas que ela havia feito na vida foi ter juntado os dois como uma família, isso realmente era o que faltava para ambos.
—Desde sempre, você sabe disso. Nunca fui contra seus outros relacionamentos, até quando você se envolveu com Logan. – Sammy falou olhando de lado para Hannah que sentiu o rosto corar momentaneamente, seu envolvimento com Logan não podia ser considerado um romance de fato, mas ela não queria ter que explicar isso para Samantha. –Ou quando eu descobri que você e o senhor Lehnsherr também formaram um casal no passado, francamente esse é o mais difícil de entender, mas mesmo assim nunca fui contra você. – Disse Sammy pulando na cama ao lado de Hannah tomando seu tablet das mãos dela e se aninhando ao redor dos travesseiros brancos. – Por isso torço por Tony, ele é uma das melhores opções até agora e vocês formariam um casal legal.
—Um relacionamento é muito mais do que isso. – Disse Hannah apagando o abajur e pensando sobre aquilo, será que Sammy teria razão?
—Um relacionamento é feito de amor e amizade. Vocês já tem isso. – Sammy deu um beijo na testa de Hannah que retribuiu o carinho, a jovem era inocente demais, ela ainda teria muito tempo para descobrir o que é o verdadeiro amor.
(...)
O cemitério era grande, muito bem elaborado, um dos mais velhos da cidade, suas estátuas de anjo eram elogiadas sempre que alguém precisava citar alguma referencia artística sobre este assunto, Hannah sentia-se protegida ali, por mais que demorasse para visitar aquele lugar, nunca iria se esquecer da primeira vez em que Howard a levou até aquele tumulo, sempre que tinha duvidas, ou precisava tomar uma decisão importante, sempre acabava recorrendo aquele lugar, ali estava uma pessoa para qual jamais poderia pedir perdão por sua ausência . Sua mãe falecida.
Ela olhou discreta na direção do motoqueiro e percebeu que ele ainda estava presente, pensou em ligar para Steve em busca de apoio, mas havia tirado o dia para resolver os seus problemas pessoais, não iria correndo para o herói mais próximo da lista telefônica, precisava manter a calma e apenas observar o que estava acontecendo ali, então percebeu que o homem estava parado perto da entrada, só que não parecia querer se aproximar, apenas observava de longe, como uma águia, ou talvez um Gavião. Então percebeu que alguém já havia mandado um anjo da guarda para ela, o que no fundo a irritou muito, seria Tony? Ah provavelmente seria.
“Anya – Amada mãe e dedicada esposa.”
Para Hannah não era justo, sua mãe tinha sido muito mais do que isso, ela foi amiga, cumplice, guerreira, revolucionaria, uma mulher cheia de fibra que o mundo jamais iria conhecer como ela conheceu. Uma mulher capaz de ir contra um país inteiro e toda uma tirania só para viver seu amor e suas crenças.
—Os mortos não podem ajudar Hannah. – Disse uma voz ao longe tirando a jovem de seus pensamentos, ao se virar rapidamente encontrou uma imagem a muito esquecida. Um homem de terno simples vinha caminhando em sua direção do caminho principal, ele usava um chapéu impossível de esquecer, e naquele momento seus olhos se encheram de luz e tristeza.
—Você?! Como ousa? – Hannah falou sentindo uma fúria dentro do peito como se fosse atingida pelas próprias correntes elétricas, era estranho ver aquele homem como seu inimigo, ela amou Erik de uma forma que ninguém jamais iria conseguir entender.
—Eu ouso aquilo que me convém. – Disse Erik com um sorriso curto, um sorriso acompanhado de um olhar que Hannah sempre iria reconhecer, mesmo com a idade aparente, Erik sempre seria um homem charmoso. –Senti sua falta. – Falou dando alguns passos na direção da jovem que não sabia ao certo como agir.
—Você não devia estar aqui, o governo está esperando uma oportunidade para prender você novamente. – Pronto. Hannah se odiou mentalmente por ter dito aquilo, ela não devia pensar em Erik e nos seus problemas, jamais deveria deixa-lo sentir suas fraquezas.
—Eu não vou mais permitir isso. – Respondeu Erik de forma fria, no entanto, ele não podia deixar de perceber a preocupação na voz da jovem, aquilo o fez sentir uma espécie de gratidão, mas não estava ali para isso. — Chegou a hora de tomar o que é meu por direito, o que sempre foi meu. – Disse um pouco mais frio.
—Você fala como se tivesse alguma coisa sua por aqui. Você perdeu esse direito á muito tempo Erik, você nos abandonou por culpa de ideais cruéis e destruidores, você desejou a destruição da humanidade e isso é uma coisa que não podemos ignorar.– Ela riu debochada enquanto deixava uma rosa branca sobre o tumulo da mãe.
—Eu sei que ainda tem. – Disse o homem se aproximando e acariciando o rosto da jovem com delicadeza. –Eu sei que seu soldado está entre nós, precisa tomar cuidado Hannah. – Erik sentiu o choque nos olhos dela, era como se aquele delicado carinho fosse um forte tapa na cara, Hannah sentiu medo, se Erik sabia sobre Bucky então todos estavam em perigo, ele iria usar isso a seu favor.
—Não ouse fazer mal a ele ou eu juro que...
—Engraçado. Não fui eu que matou Howard. – Disse Erik deixando Hannah sem palavras. –E olha que eu sempre quis fazer isso. – Disse Erik encarando a jovem de forma debochada fazendo a mesma se revirar em angustia dentro de seus pensamentos. –Desde o dia em que ele nos recebeu naquele aeroporto, eu vi o quanto ele era dedicado a você e senti ciúmes, um sentimento que eu desconhecia.
—Não devia me dizer essas coisas Erik. Isso parte o meu coração, me faz pensar na manhã em que acordei e não te vi ao meu lado, no momento em que eu mais precisava de você. – Hannah falou com a verdade de quem sofreu por amor.
—Eu sinto muito ter causado tanta dor no seu coração. Mas devia me perdoar, já que conseguiu perdoar o assassino do seu precioso Howard. – Erik falou com a voz baixa e contida mais ainda sim ameaçadora.
—Não diga isso para ninguém...Tony...
—Tony é um garoto perto de nós. – Erik falou tornando a deslizar seus dedos pela face da jovem que parecia muito perturbada, naquele momento ele percebeu a presença de uma terceira pessoa no cemitério, era um homem com roupa de motoqueiro segurando um capacete preto na mão, era obvio que devia ser algum tipo de segurança. -Não pretendo envolve-lo nisso, principalmente por saber da sua atração por Starks. – Erik falou com um sorriso debochado, ele havia colhido informações sobre os últimos anos de Hannah em New York e além da parte profissional envolvendo os laboratórios de pesquisa e as Indústrias Stark, ele também descobriu que Hannah e Tony estavam tendo um caso ás escondidas, caso esse que a imprensa nunca tomou conhecimento. – Não estou aqui pra isso, sua vida amorosa não me interessa mais.
—Então para que veio? – Hannah disse sentindo um gosto amargo na boca, um gosto que ela pensou nunca mais sentir.
—Para me tornar imortal. – Erik falou dando um beijo nos lábios de Hannah fazendo a jovem deixar lágrimas escorrerem até o chão. –Preciso de você para me tornar superior a esses humanos, infelizmente eu sei que não vai me ajudar como eu preciso, então não me dá outra escolha. – Erik sussurrou entre os lábios da jovem enquanto ela não sabia como agir, entre aquelas palavras ele a picou com uma agulha, uma espécie de vidro minúsculo para coletar sangue.
—Você não é mais o meu lenhador Erik. –Ela disse se afastando ao sentir que ele havia tirado uma amostra de sangue, ela podia impedi-lo de levar, mas resolveu ignorar aquilo por hora, muitas pessoas tinham amostras do seu sangue a pedido de Howard, e ninguém nunca conseguiu descobrir mais do que ele. -Você me deixou naquela manhã e partiu meu coração, eu nunca consegui entender o, por quê. – Ela disse com a voz embargada, era difícil encarar aquele homem e fingir que nada havia acontecido, naquele momento, seus sentimentos por ele estavam tão mortos quanto os moradores daquele cemitério.
—Não pretendo ser. Na verdade, nunca quis ser nada além de um homem para você. – Erik falou mostrando um brilho estranho em seus olhos, e aquilo fez com que a sensação de medo percorresse toda a espinha de Hannah, ela sentia que tudo estava indo para o fim e isso a assustava muito. – Não sou mais aquele homem desde o dia em que te deixei com Howard, eu sabia que você estaria mais segura com ele. Só lamento que ele não tenha sido homem suficiente para lhe fazer feliz.
—Não preciso de um homem para ser feliz Erik. Eu só preciso de um ideal. – Hannah falou convicta e Erik sorriu, ele sabia que era verdade, Hannah havia se mostrado muito mais forte do que ele podia esperar. Deixa-la para trás em nome de sua vingança foi uma das coisas mais difíceis que ele já havia feito na vida.
—Foi um prazer revê-la. Mande lembranças minhas a Samantha, sei que ela está amadurecendo muito na sua companhia. – Erik falou aquilo alçando voo com seus poderes magnéticos e deixou o local do mesmo modo que havia chegado.
Hannah ficou ali pensativa, ela viu o homem sumir no céu, sabia que ele havia aparecido ali por uma razão, não era atoa que ele quis pegar o sangue dela, por alguns momentos aquilo a preocupou, mas ao olhar uma ultima vez para o tumulo se sentiu protegida, Erik não era o seu problema no momento. Sem perceber o motoqueiro havia se aproximado revelando ser exatamente a pessoa que ela imaginava.
—Precisa de uma carona? – Disse Clint depois de ter certeza que Erik não iria se aproximar mais, por várias vezes ele pensou em ir até lá e socar aquele homem, mas não seria certo, Erik era muito poderoso, mas também era um senhor idoso.
—Quem mandou você? Ah não me diga. Foi o Tony não é? – Disse Hannah enquanto se afastava do tumulo da sua mãe e ia em direção á saída.
—Tony disse que talvez fosse melhor ficar de olho em você, não queria tirar sua privacidade aqui no cemitério, mas quando percebi a presença do Lehnsherr não pude deixar de ficar por perto, aquele homem é muito perigoso. – Disse Barton muito preocupado, muito mais do que gostaria.
—Quer saber, eu estou precisando de um tempo dessa loucura toda, faz dois dias que não saio de casa e tenho uma legião de fotógrafos me seguindo, todos estão loucos para tirar uma foto minha com Steve aos amassos, francamente. – Hannah falou irritada mais percebeu que Clint riu abertamente daquilo tudo.
—Porque está rindo? Disse alguma coisa errada? – Hannah falou franzindo o cenho de forma irritada e aquilo só deixou Clint mais animado.
—Amassos. Nem a minha avó fala mais assim. – Clint riu e Hannah deu um tapa em seu ombro, ele não conseguia perder o bom humor nem mesmo em um cemitério. –Olha, na minha opinião você deveria acabar logo com isso, enquanto as pessoas ficam fantasiando as coisas tudo parece mais excitante, perigoso, interessante sabe? Mas no momento em que descobrirem que essa história se trata apenas de um homem e uma mulher tudo vai acabar.
—Você acha mesmo que vai ser fácil assim? Todo mundo está esperando uma troca de socos entre Tony e Steve, eu não quero colocar ambos nessa situação ridícula. – Hannah odiava aquele tipo de mídia, nunca gostou de se envolver nesses programas por audiência ou coisas do tipo.
—Por isso estou dizendo pra você resolver logo isso, fiquei sabendo que Tony foi convidado para uma daquelas festas idiotas dele no sábado e você também, você tem duas opções. Ir com Tony e tentar fingir que nada está acontecendo, mas jogar as suspeitas do governo em cima do Barnes, ou ir com Steve e dar um motivo á sociedade para estar na casa dele no meio da noite fazendo Deus sabe o que. – Disse Clint ganhando mais um soco no ombro.
—Tem razão. Vamos acabar logo com isso. – Disse Hannah subindo na moto com seu vestido preto determinada a resolver aquele dilema.
Apartamento de Steve Rogers – Brooklin
Bucky estava na cozinha preparando um café, aparentemente Steve não sabia como fazer um café forte suficiente para apagar as amarguras da vida, mas ele sabia, estava pronto, queria recomeçar, ele havia ficado temporariamente no apartamento de Steve, o que não era muito inteligente, Sam estava preocupado com aquela decisão, se o Governo ficasse sabendo disso Steve iria ter muitos problemas, mas até que o Capitão tivesse a certeza de que Tony estava do mesmo lado que eles, ninguém deveria falar sobre a presença do amigo ali. Dois dias haviam se passado desde o encontro com Hannah e todas as reviravoltas que aconteceram entre eles, á imprensa parecia muito interessada naquela história, tanto que Steve não podia mais sair de casa para nada, naquela manhã ele precisou sair pelas escadas de incêndio, isso porque ele só queria comprar pães para o café da manhã. Aquilo fez o Soldado rir de forma perdida e feliz, não estava acostumado a esse tipo de coisa, a ter novamente um amigo dedicado e muito menos ter o amor de uma garota bonita, era estranho se sentir tão amado por alguém.
A chaleira apitou ao mesmo tempo em que alguém batia na porta, por um momento Bucky ficou preocupado, mas ele sabia que ninguém seria louco de enfrenta-lo sozinho, de qualquer forma ele deixou sua arma bem posicionada atrás da cômoda principal e se precisasse usaria a agua quente da chaleira também, mas quando abriu a porta não sabia ao certo que procedimento seguir.
Ali estavam dois homens ligados por acaso prestes a discutir em nome de uma mulher ou um ideal, Bucky só não tinha muita certeza de qual seria o primeiro motivo a ser abordado.
—Você? – Disse o Soldado encarando o bilionário com seus óculos escuros, ele poderia correr ou lutar com Tony ali mesmo, mas sabia que não era o certo a se fazer naquele momento, não enquanto todos estavam contra ele. Tony Stark estava parado em sua porta com um sorriso debochado nos lábios, ele parecia ter muito a dizer, mas era como se o seu maxilar estivesse travado naquele maldito sorriso, seu terno caro e bem costurado definia que tipo de homem ele era, o tipo de homem que Howard um dia foi, só que com mais mortes em sua lista.
—Pensou que fosse quem? Beyonce? – Disse o homem retirando os óculos e entrando sem pedir permissão, ele esbarrou no ombro metálico do Soldado e sentiu que ali havia muita resistência, que Bucky Barnes não iria simplesmente aceitar uma rendição sem lutar muito.
—Diga logo o que quer aqui, ou veio me entregar para os federais? – Bucky apertou firme a colher que usava para mexer o café, ele estava pronto para iniciar uma guerra se fosse necessário. –Sei que estão me culpando por muita coisa, várias mortes que eu não causei, eu estou farto disso, mas não vou me entregar por esses malditos crimes, eu não tenho nada haver com a morte dos lideres em Wakanda e você sabe disso. – Ele odiava homens como Tony, agora ele entendia o peso da guerra em suas mãos e que homens como Stark enriquecem a custa de vidas enquanto o governo sempre busca por mais homens assim, enquanto muitos soldados americanos morrem em trincheiras abandonados a sua própria sorte. –Se veio aqui para isso, vai quer que lutar até a morte, eu não dou a mínima para o que a imprensa vai achar disso. – Mas Bucky sabia que estava blefando, não pela imprensa, isso realmente não fazia diferença, mas ele sabia que Hannah jamais iria perdoa-lo se ele machucasse Tony, principalmente depois de tudo o que aconteceu com Howard Stark.
—Não entregaria você, por mais que essa fosse a minha vontade. Principalmente levando em consideração que Rogers está te escondendo aqui, pensei que ele confiasse mais em mim, principalmente depois de todo esse tempo e todas as coisas que passamos juntos, mas vejo que não existe lealdade entre heróis. – Tony falou indo cuidadosamente até a janela principal e fechando as cortinas bem devagar, era obvio que a imprensa ainda estava do lado de fora prontos para fotografar a explosão de testosterona entre Tony Stark e Steve Rogers, dois homens lutando pelo mesmo amor, Hannah Erskine, a jovem conquistadora como estava sendo chamada na mídia. -Eu estou aqui em nome da amizade que tenho por Hannah, não posso deixar você estragar a vida dela, não depois de tanto tempo. – Tony encarou o homem bem nos olhos tentando fazer Bucky sentir a verdade em suas palavras. -Você é um perigo Barnes, você só vai trazer morte para ela. – Aquela ultima frase tinha mais verdade do que Tony podia imaginar e aquilo fez o Soldado apertar os lábios de forma desgostosa.
—Está me dizendo isso porque se preocupa, ou porque não consegue aceitar que ela prefere a mim do quê a você? – Disse Bucky cruzando os braços de forma protetiva enquanto se escorava no pilar central da cozinha. Era difícil pra ele aceitar, mas Tony tinha razão, Hannah estava correndo riscos com ele, precisava ficar longe ou a HIDRA iria atrás dela sem piedade.
—Não seja ridículo. Falando dessa forma está parecendo um adolescente disputando uma garota como se fosse um objeto. –Tony falou erguendo um pouco a voz, deixando Bucky um pouco constrangido com a forma que ele havia apresentado sua opinião, mas Tony jamais iria dizer a alguém que estava preocupado por se importar o suficiente, por “Acreditar ser o melhor para alguém”, ele nunca acreditou ser o melhor para Pepper, e não seria diferente com Hannah. – E é obvio que ela prefere a mim, só está com você por pena, por achar que precisa pagar algum tipo de, divida cósmica. – Ele falou por fim de forma superior fazendo Bucky rir frio.
—Eu a amo Tony. – Disse o Soldado sem mais mentiras ou jogos. –Eu a amo muito mais do que deveria, muito mais do que já havia amado. Quando acordo pela manhã eu penso nela e não estou falando desses últimos dias, estou falando dos últimos 80 anos. – Bucky foi verdadeiro, ele não queria mais esconder a verdade de ninguém. –Você não entende o que é isso porque está acostumado a não se importar, você acorda cada dia com uma mulher diferente do seu lado, mas eu não sou esse homem. – Disse Bucky apontando para Tony de cima abaixo deixando o bilionário se sentindo um miserável. –Esse não sou eu, eu quero ter uma esposa, ter uma família, viver um dia de cada vez só para apreciar aquele sorriso, eu faria qualquer coisa por ela, morreria mais mil vezes se for necessário, então não venha até aqui me dizer para desistir porque eu não vou.
—Eu sei. – Tony falou encarando Bucky por alguns minutos, ele queria fitar o homem que havia roubado tantas noites de sono de Hannah, por muitas vezes nos últimos cinco anos ele ouviu a jovem gritando enquanto dormia, chamando por um homem que não existia mais. -E não querendo ser repetitivo ou piegas, mas quando se ama alguém de verdade não se coloca essa pessoa em risco eminente. – Tony baixou um pouco a guarda, naquele momento Bucky entendeu que Hannah era mesmo importante para o bilionário. Com calma ele foi até a pia e serviu uma xicara de café ao homem que tomou sentindo a cafeína explodir seu cérebro.
—Você acha que seria um homem melhor pra ela? – Bucky falou tranquilo, mas sentindo um nó no estomago que nunca havia sentido antes. –Acha que poderia cuidar dela e morrer por ela se fosse necessário?
—Acho que quando você conhece Hannah pessoalmente descobre que ela não precisa de um homem morrendo por ela para ser feliz, ela só precisa de paz e alguns pacotes de salgadinhos, ela adora aquelas porcarias gordurosas. – Tony falou insistindo em terminar o café, ele parecia mais calmo agora, estava preparado para o pior quando entrou ali. –Ou um belo pedaço de torta de limão, ela amava esse doce, todas as quintas ela costuma ir no café do Bill’s, fica em frente ao Central Park, ela sempre vai lá comprar a torta para ela e Sammy, aproposito, você nem ao menos sabe sobre a Sammy não é? – Tony falou sorrindo enquanto Bucky apenas balançou a cabeça negativamente. –Ela é uma garota incrível, e existe uma história linda entre elas e eu. Não mude isso.
—Vocês tiveram um romance não foi? – Bucky perguntou erguendo uma sobrancelha de forma afirmativa. –É isso que está tentando me dizer com todo esse conhecimento sobre Hannah, não é? Está tentando me dizer que eu não sei nada sobre ela e nunca saberei, enquanto você teve tempo de viver uma vida ao seu lado. É isso não é? Diga?
—Nada duradouro. Tony falou com um sorriso nos lábios que irritou um pouco o Soldado, era difícil aceitar que sua garota havia vivido tantas histórias sem ele. — Aquela mulher é uma força da natureza, ela não é o tipo de pessoa que se prende demais. Sem falar que ela sempre amou você de forma obcecada. –Tony falou vendo a expressão sofrida no rosto do Soldado mudar para algo mais solene. -Só espero que agora vendo como você é apenas um homem e não um unicórnio azul, ela possa se desligar como se desligou de mim.
—Ela nunca se desligou de você Stark. – Disse Bucky dando ao bilionário a mesma reação que ele havia tido momentos atrás. – Ela sempre vai ser o seu escudo nos momentos sombrios, ela sempre vai estar do seu lado quando as coisas forem difíceis para você. – Bucky sabia que Hannah se importava com Tony por ele ser filho de Howard, mas o maior motivo dela fazer isso era o fato de saber que ele havia matado os pais de Tony, e que o bilionário jamais havia ficado sabendo disso, ela queria deixar as coisas em ordem, tirar esse peso e essa culpa dos ombros, e no meio desse caminho acabou vindo o amor. -Ela também tem uma divida cósmica com você.
—Por isso eu a deixo livre. Não quero ser o motivo de suas noites em claro. – Mas Tony sabia que Hannah sempre iria se jogar na frente das balas com o seu nome, ela sempre iria se sacrificar por ele como sempre havia feito até então. — A HIDRA está chegando, não temos tempo para egoísmos. – Tony falou sério demais deixando a xicara sobre a pia e andando em direção á porta, ele já havia conseguido o que queria.
—Tony Stark sendo altruísta? – Disse Bucky com um sorriso fraco nos lábios tentando digerir toda aquela conversa que haviam tido até então, as coisas estavam muito mais confusas do que antes. -Não pensei que isso fosse possível. – Bucky falou enquanto Tony andava em direção á saída sem olhar para trás.
—Por Hannah tudo é possível. – Disse o bilionário sorrindo enquanto fechava a porta.
Quadra de Basquete — Ginásio de esportes do Brooklin
Steve estava cansado de fugir dos fotógrafos, ele queria um tempo fazendo aquilo que gostava, ajudar as pessoas que realmente precisavam. O grupo de jovens da escola publica precisava de um incentivo e ali estava ele, jogando uma partida com os garotos tentando não pensar em Bucky e em seu envolvimento com a HIDRA. O suor escorria por seu corpo, a camiseta regata que usava estava húmida, as vezes ele parava para beber uma garrafa de agua, e com certeza aquele era o momento que as mulheres mais gostavam, alguns jornalistas aproveitavam para fazer perguntas rápidas, mais sem muito sucesso.
—Como se sente com a morte de Peggy Carter?
—Você e a senhorita Sharon Carter estavam tendo um romance antes de se envolver com Hannah Erskine?
—Com tantas mulheres na cidade porque o símbolo da América resolveu se envolver com a namorada do melhor amigo?
A última pergunta fez Steve virar a cabeça e encarar a maldita Carol Felix, do programa Fale com a Carol, os olhos dela brilharam ao perceber que aquelas palavras tiveram efeito sobre o soldado, mas na verdade ela não conseguia entender a DIMENSÃO do significado. Carol apostava que Tony Stark fosse o melhor amigo de Steve, quando na verdade era Bucky, ou pelo menos havia sido Bucky no passado, mas Tony não podia ser considerado um verdadeiro amigo, afinal, amigos não escondem segredos, e Steve sabia que não estava em posição de julgar ninguém nessa questão.
—Eu estou em um jogo, não pretendo responder nada por enquanto. Vão embora. – Disse Steve jogando a bola para um dos garotos que parecia muito menos que os demais, e justamente por isso ele jogava como se sua vida dependesse disso.
O barulho de uma moto chamou a atenção dos meninos atrapalhando a partida, era aquele tipo de moto que sempre rouba a cena quando chega, Steve olhou assustado com medo de que fosse algum tipo de ataque, mas não, era a moto de Clint Barton, o Arqueiro amava motos assim como ele, a única coisa estranha era que ele vinha com Hannah na garupa.
—Não fique espantado. – Disse Hannah mordendo os lábios com o rosto totalmente corado, era a primeira vez que ela se via na obrigação de se envolver com alguém por quem não sentia nenhum tipo de envolvimento sentimental.
—O que? – Disse Steve sorridente sem perceber a gravidade da situação, ele manteve o sorriso para Hannah que havia se aproximado tão rápido que ele mal a viu chegando. Sem dizer muito, ela o puxou para um beijou apaixonado e longo bem ali no coração do Brooklin fazendo as crianças rirem animadas com a cena de romance, já os fotógrafos pareciam possuídos tirando fotos de cada segundo enquanto a mulher permanecia nos braços do Capitão. –O que está acontecendo? – Disse o homem sussurrando, sentindo uma falta de ar percorrer seus pulmões.
—Precisamos tirar a atenção sobre Bucky e Tony. Não quero ninguém colocando os dois em risco, e não sou eu que vou fazer isso. – Hannah falou com um sorriso ensaiado tentando parecer natural.
—Acha que isso pode resolver o problema? – Steve estava mais desajeitado que um adolescente e isso fazia Clint rir em cima de sua moto, ele olhava para o casal que mesmo tendo 80 anos de vida, pareciam duas crianças confusas e tímidas.
—Acho que precisa me beijar agora. –Hannah falou sentindo o rosto corar ainda mais e Steve entendeu que precisava continuar a farsa, com isso ele tomou atitude inflando o peito e puxando Hannah para um beijo digno do cinema. Ele pressionou a jovem contra seu corpo segurando-a pela cintura com uma mão enquanto a outra segurava seu pescoço a impedindo de se afastar, foi um beijo que demorou muito mais do que eles poderiam esperar.
O celular de Clint tocou enquanto ele admirava o golpe que a sociedade estava prestes a receber.
—Quer parar de me ligar, eu estou cuidando do problema.
—Ela concordou com a farsa? – Disse Tony do outro lado da linha.
—Sim. Mas vai ser difícil pra ela concordar com isso por muito tempo. Precisamos convencer o governo de que Barnes não é o inimigo. – Disse Clint prontamente.
—Eu ainda não sei quem é meu inimigo Barton, apenas fique de olho nos pombinhos e traga Hannah com segurança pra casa. Eu só quero protege-la. – Disse Tony muito sério, mas na verdade ele estava mais interessado em proteger Hannah dos seus sentimentos.
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