Stubborn Fools
9 Capítulo 9 - Luke ganha uns amassos de aniversário
Notas iniciais
– Bom dia, meu amor. – um homem moreno, lindo e sem camisa disse, entrando em meu quarto com uma bandeja na mão.
Inconscientemente, esbocei o sorriso mais verdadeiro de minha existência. Soltei um longo suspiro apaixonado, enquanto ele sentava a meu lado e depositava com carinho um beijo em meu rosto.
– Bom dia. – respondi, ainda encantada com a doçura daquele ser.
– Fiz seu café da manhã. – ele falou, arrancando outro suspiro de mim. – Mas antes de tomá-lo, quero que veja algo.
O rapaz encantador segurou minhas mãos e me arrastou em direção a sacada do meu quarto. A vista era para um jardim lindo, com tulipas, estátuas de musas e fontes com anjos cuspindo água, ou mijando. Achei aquilo esquisito, anjos mijando não me atraiam, mas preferi não comentar, já que o gostoso envolveu-me com seus braços musculosos e beijou meu dorso, fazendo-me arrepiar.
– Aquela estátua- ele apontou uma estátua em meio às rosas. – é você. Mandei fazer em homenagem ao meu amor por ti.
Tentei falar o quanto estava agradecida por isso, abri a boca umas cinco vezes, mas toda vez que tentava emitir algum som, ao invés de palavras, saia o barulho de um liquidificador. O moreno me olhou sem entender.
– Sophie, onde está o açúcar?- o moreno perguntou de maneira preocupada e atenciosa. Olhei-o sem entender, como assim “onde está o açúcar?”, achei que estivesse em uma cena romântica com o rapaz dos meus sonhos. Esse “onde está o açúcar” me broxou. – ONDE ESTÁ A DROGA DO AÇÚCAR, SOPHIE? Acorda. – o rapaz falou de maneira grossa, me assustando, só que dessa vez, me sacudindo.
Tentei falar outra vez, porém minha voz era apenas barulho de liquidificador. Eu estava ficando assustada, tentando com todas as minhas forças falar, minha respiração ofegante, senti algo batendo contra meu rosto violentamente...
Foi quando acordei.
Luke estava batendo com o travesseiro na minha cara e gritando algo como “onde você colocou o açúcar?”, ou “acorda logo”, ao longe, o barulho infernal do liquidificador. O encarei ainda desnorteada, demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo, e quando finalmente percebi, fiquei frustrada. Será que até meus sonhos Luke Daggehorn conseguia atrapalhar?
– Luke, sai do meu quarto!- falei, pegando o travesseiro de suas mãos, e colocando em cima de minha cabeça.
– Onde você colocou o açúcar?- ele perguntou, puxando o travesseiro e tacando no chão, a uma distância segura, ou seja, longe o suficiente para que eu não conseguisse pegá-lo.
– Açúcar? Acabou. – menti, pois não queria levantar para pegar o açúcar, enquanto puxava a coberta para tampar minha cabeça, em uma tentativa falha de não ver Luke.
– Eu não acredito. – falou indignado, tentando puxar a coberta e destampar minha cabeça. – O açúcar acaba e você não compra outro? Será que sou que tenho que fazer compras nessa casa? Eu tenho que fazer compras, eu tenho que fazer faxinas, eu tenho que pagar a TV a cabo, o que mais eu tenho que fazer? Lavar suas roupas? — o que eu sempre quis para o café da manhã? Um sermão a La Luke. Vá se... Ah, que droga.
– Seria bom se você lavasse minhas roupas. – respondi, o som saiu abafado por causa da coberta.
– Você é impossível. Irritante. Folgada. – Luke começou a deferir uma série de “elogios” a minha pessoa, que não me deixaram nem um pouco ofendida, pois eram a verdade nua e crua.
– Uhum. — murmurei.
– Eu nunca te vi trabalhando. Eu saio de casa, você está dormindo, eu volto você está vendo TV. Por um acaso você tem um emprego? Eu acho que não... E quer saber o pior? Você nem se quer tem a coragem de arrumar a casa, mesmo não fazendo nada o dia todo, e... Onde está indo?
Tirei a coberta de minha cabeça, caminhei até a porta e sai em direção à cozinha, abri o armário, peguei uma lata escrita “farinha”, voltei ao meu quarto. Entreguei a lata ao Luke, peguei o travesseiro que estava jogado no chão, joguei-o na cama, pulei em cima da mesma, me cobrindo em seguida.
– Eu tenho um emprego. – menti. – Mas estou de férias, se não percebeu, por isso estou sem dinheiro esse mês. Mas assim que amanhecer eu vou ao banco. – falei. — E a propósito, feliz aniversário.
– Primeiro: já amanheceu. Segundo: quem é o retardado que guarda açúcar no pote de farinha e terceiro: quem te contou sobre meu aniversário? — Luke falou incrédulo.
–Hm. – olhei para ele. – Primeiro: sete horas da manhã para mim é madrugada. Segundo: eu sou a retardada que guarda o açúcar na lata da farinha e terceiro: a Isabelle me ligou ontem à noite, e me contou. Agora, vá para o inferno. Por favor. E para de quebrar a regra número 1 do seu código de conduta. – balbuciei, enquanto deitava minha cabeça no travesseiro e fechava os olhos.
– Para ficar longe de você, até o inferno serve. – ele balbuciou saindo do meu quarto.
– Ótimo, então vá logo para ele. – gritei.
Droga, esse infeliz não merecia a festa surpresa que a Isabelle e o Fred queriam fazer no meu apartamento.
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Luke Daggehorn.
Cheguei em casa exausto, irritado, triste e com o braço cheio de embrulhos cor de rosa. Taquei os embrulhos no chão. Esse dia em especial me irritava. Eu só queria sumir durante ele. Mas é claro que ninguém no meu emprego esquecia esse dia. Em especial as garotas. Principalmente as necessitadas, loucas para que eu retorne as ligações delas, ou chame-as de novo para sair. O que não aconteceria.
Bati a porta, rezando para que Sophie tivesse saído e me deixasse em paz ao menos hoje, mas infelizmente eu não tinha essa sorte toda. Assim que acendi as luzes, algo inesperado aconteceu. Pessoas começaram a sair de trás dos móveis, ou de cômodos, uma delas, minha irmã, para ser mais preciso, segurando um bolo com velas nas mãos. Outras segurando balões pretos e brancos. Havia até mesmo pessoas segurando caixas de cerveja, como Jason e Brad. Todas elas começaram a cantar juntas.
– Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Ehhh!- eles batiam palmas alegremente, enquanto cantavam de maneira eloqüente. Minha irmã aproximou o bolo de mim, e, desgostoso, soprei as velas. Em seguida ela seguiu para cozinha. Que ótimo, perfeito, uma festa surpresa para o dia que eu mais queria esquecer. Viva.
– Parabéns, Luke. – Isabelle me cumprimentou abraçando-me de maneira desajeitada por conta da barriga. – Tudo de bom, querido. – ao dizer isso, ela se afastou, indo em direção a cozinha.
– Seus presentes estão em sua cama, Luke. – minha irmã disse, sorrindo para mim e me abraçando. – Tudo de bom, meu bem. Estava com tanta saudade. – ela me abraçou ainda mais.
– Eu também, maninha. – respondi, retribuído de maneira forte o abraço.
Fazia muito tempo que não via minha irmã, Bianca Daggehorn. Depois da morte de nossa mãe, ela decidiu que seria freira, portanto vivia no convento das irmãs dominicanas e não saia daquele lugar por quase nada desse mundo. Agora, ela estava ali, vestindo aquela roupa de freira estranha, no meio de uma festa, por mim. Só podia ser ela mesmo.
– Você planejou isso?- perguntei curioso.
– Não, Luke. – ela respondeu – Soube que foi uma tal de Sophie, a Isabelle e o Fred. – olhei espantado ao escutar o nome “Sophie”, mas resolvi agir naturalmente.
– E você veio aqui só para me ver?- perguntei, mas já sabendo a resposta, minha irmãzinha era um amor de pessoa.
– Claro que não, Luke. Eu teria telefonado se não tivesse que vir a cidade. — Bianca falou naturalmente, aquilo foi um choque para mim, justo a única pessoa que eu pensei que sairia do inferno, ou do céu no caso dela, só para me desejar parabéns, dizer que teria telefonado. Uau, grande irmã eu tinha. – Hoje há uma missa com arcebispo Joshep Abertini, e a madre superiora nos trouxe até Nova York por isso, ela acha importante ver essa missa. – ela explicou, depositando um beijo em minha face. – Tenho que ir. Deixei o bolo em cima da pia. Ligue-me, ou me visite. Mas não se esqueça de mim.
– Pode deixar. – respondi desanimado, Bianca havia me decepcionado.
– É isso aí, Luke. Ficando mais velho. – Brad falou me entregando um copo e enchendo de cerveja.
Olhei para sala, Sophie estava encostada nos sofás, ocupando um grande espaço, enquanto Fred depositava um jogo de luz na estante e Jason arrumava o som. Ok, tudo que eu queria era uma festa, no dia mais horrível de minha vida. Na verdade, eu amo festas, mas não as minhas, principalmente as de aniversário, em que eu sou a principal atração. Devolvi o copo para Brad, tomei a garrafa de suas mãos e em seguida levei-a na boca tomando um gole generoso.
De repente as luzes da sala se apagaram, em seguida o jogo de luz foi acesso, o som foi ligado, e pessoas começaram a dançar com seus copos de cervejas, ou outra bebida qualquer na mão. Revirei os olhos e sai discretamente antes que alguém mais se lembrasse de me abraçar. Andei em direção a cozinha, algumas garotas, como Isabelle, estavam conversando e comendo bolo. Assim que me viram, algumas delas desejaram-me parabéns, Isa me entregou um pedaço de bolo.
– Eu mesma fiz o bolo. – ela disse. – Espero que goste.
– Tenho certeza que vou gostar. –respondi educadamente, sorrindo e saindo da cozinha.
A campainha não parava de tocar, pessoas me paravam de segundo em segundo para me abraçar e desejar feliz aniversário, algumas já bêbadas. Eu estava ficando louco. Poxa vida, era segunda-feira. Quem faz festas em plena segunda?
Sai quase que correndo, em direção ao corredor, entrei no banheiro, fechei a porta e tranquei, encostando-me nela em seguidia. Suspirei aliviado.
– Hey, tem gente usando. – me virei assustado, me deparando com Sophie deitada na banheira de hidromassagem, que estava vazia, com uma garrafa de cerveja pela metade em suas mãos.
– O que diabos está fazendo dentro da banheira de hidromassagem?- perguntei incrédulo. Sophie Buckhard era louca.
– Esperando alguém para me acompanhar em um banho quente. – ela falou com sarcasmo, e só então percebi seu tom de voz bêbado. – Estou fugindo das pessoas, seu idiota. – Ela revirou os olhos. Sophie não me deixa em paz nem no dia do meu aniversário.
– E nem se querer fechou a porta?- perguntei, se ela estava querendo fugir das pessoas, o mínimo que podia fazer era encostar a porta.
– Não estava fechada?- ela respondeu com outra pergunta, em um tom de surpresa tão grande, como se jurasse que a porta estava fechada segundos atrás.
– Não. — falei rindo, foi inevitável. – Você está bêbada em- olhei para o relógio em meu pulso. – 40 minutos de festa. Uau.
– Eu não estou bêbada. – ela gritou o que me fez rir mais ainda.
Aproximei-me dela. Sophie entendeu que eu queria me sentar e chegou para o canto da banheira, colocando suas pernas para fora da mesma, dando espaço para que eu pudesse sentar ao lado dela, mas só caberia se me sentasse do mesmo jeito que ela, ou seja, também joguei minhas pernas para fora.
Peguei a cerveja da mão dela, e dei um gole. O gosto de álcool foi formidável. Sophie roubou a cerveja da minha mão outra vez, e bebeu.
– Porque está fugindo?- perguntei curioso.
– Não sei. E você? Porque está fugindo de sua própria festa?- ela devolveu a pergunta, sorrindo e bebendo cerveja.
– Odeio o dia do meu aniversário. E odeio mais ainda quando fazem festas para comemorá-lo. – contei a ela. Sua expressão foi de espanto.
– Se eu soubesse não...
– As intenções foram boas. – interrompi, antes que ela começasse a se desculpar por ter ajudado a preparar uma festa para mim.
O silêncio dominou o banheiro. O barulho lá fora eminente. A música tocando sem parar, e eu simplesmente fiquei olhando para o teto, rezando para que essa maldita festa acabasse logo, ou então, que a garrafa de cerveja da Sophie acabasse logo, assim ela me deixava em paz.
Olhei para o lado, um arrepio percorreu o meu corpo, ao constatar que Sophie estava me encarando de maneira extremamente maliciosa. Eu sabia o significava quando as mulheres me olhavam daquela maneira. Eu iria me dar bem. Devolvi o sorriso, e aproximei meu corpo do dela, como eu não consigo me lembrar, já que a banheira era minúscula. Seu olhar mudou de malicioso para “o que você está fazendo?”, quando eu estava perto suficiente. Foi então, que ela ergueu a garrafa vazia de cerveja entre meu rosto e o dela, para impedir que eu a beijasse.
– Será que dá para buscar mais cerveja?- Sophie perguntou, foi quando entendi o olhar malicioso dela, ela queria que eu buscasse mais cerveja pra ela.
– Não. –respondi, tirando a garrafa de sua mão e acabando com a pequena distância entre nossos lábios.
Dessa vez, Sophie correspondeu ao beijo, não sei se foi porque ela estava bêbada, ou porque ela finalmente cedeu aos meus encantos, a primeira opção era mais aceitável. Em menos de quarenta segundos, suas mãos estavam na baia de minha blusa, a puxando violentamente para cima. Minhas mãos puxaram as pernas dela para dentro da banheira, ela deitou, e eu deitei-me por cima dela.
Minha boca foi parar em seu pescoço. Meu coração disparado. Era como se eu não acreditasse em papai Noel, e de repente, ele aparecesse para mim. Suas pernas se cruzaram em volta de minha cintura. E então, alguém bateu na porta. Droga, sempre tem que ter alguém pra atrapalhar.
Vi os olhos azuis de Sophie se arregalarem, como se ela estivesse tomando consciência do que estava acontecendo. Ela encarou a garrafa de cerveja vazia jogada no chão, me olhou, colocou a mão na cabeça, e me empurrou bruscamente.
– Eu estou bêbada. Você está se aproveitando de mim. – ela constatou, me empurrando mais ainda. Porém, seu tom de voz não era irritado. – Sai de cima de mim, Luke.
– Se você tirar suas pernas da minha cintura. Eu saio de cima de você. – falei irritado. Eu estava me sentido, como se o papai Noel que pensei ter aparecido para mim, na verdade, fosse meu pai fantasiado.
O rosto dela ruborizou. E como se tivesse levado um choque, suas pernas foram tiradas de minha cintura. Saí da banheira, sendo seguido por Sophie.
– Daniel me ligou hoje à tarde. – ela confessou me encarando. – Ele... Ele me chamou para sair. Eu... — a encarei, não estava conseguindo controlar minha expressão. Eu estava triste, decepcionado. E não sabia o porquê. Sophie era só mais uma garota. Não era nada especial para mim.
– HEY, GALERA, QUEM TÁ NO BANHEIRO?- a voz do lado de fora gritou, a interrompendo. — Eu to aqui há mais de meia hora esperando.
Sophie agachou perto da pia, pegou seu salto alto e abriu a porta do banheiro. Sorriu para o garoto parado em frente à porta. O garoto retribuiu o sorriso. Em seguida eu sai com a camisa na mão. Os olhar do garoto foi uma mistura de “se deu bem” com espanto. Até ai, tudo bem, o problema era que este garoto não era ninguém mais, ninguém menos, que Carter.
– Luke... — ele começou.
– Não comente. Não fale nada. – falei mal humorado.
– Quer dizer que vocês não... — ele tentou outra vez.
– Não. Por sua culpa. – respondi me afastando, de maneira irritada.
Se estiver ruim, tem como piorar. Acredite. Eu descobri isso há pouco tempo. Não foi só o Carter que me viu saindo do banheiro com Sophie, metade da festa me viu saindo do banheiro com Sophie, e o pior, eu estava sem camisa, e com marcas de unhas nas minhas costas. Que ótimo. Bufei. E o pior de tudo, nem tinha acontecido nada. Maldita festa de aniversário.
– Então, o que foi que aconteceu ali dentro?- Fred perguntou se aproximando de mim. Revirei os olhos, o interrogatório iria começar.
Dito e feito. Menos de 10 segundo depois desse pensamento, meus amigos de bar (os caras que saem para beber comigo nas quintas), me colocaram sentado em volta do sofá, e me obrigaram a contar o que diabos havia acontecido dentro do banheiro. Mas, obviamente, eles já imaginavam, e imaginavam errado.
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