Stubborn Fools
8 Capítulo 8 - Meus amigos são todos criminosos de Nova York
Notas iniciais
Jogaram-nos dentro da cela como se fossemos objetos sem valor. Eu não fiz nada, absolutamente nada, para impedir. Principalmente depois que o soube que iríamos para cadeia e não para o presídio. Existe uma grande diferença, caso vocês não saibam.
– Tenho direito a uma ligação! — Luke gritou, como se isso fosse adiantar, idiota.
– Sério? Faz o seguinte. – o policial tirou o palito de dente dentro do bolso e começou a palitar de maneira irritante. – Me processa. – ele riu com escárnio e se afastou. Fiquei sem entender a graça daquilo, mas tudo bem.
Revirei os olhos e dei uma olhada em minha volta. O local era mal iluminado, de maneira que ficava parecendo o cenário de um filme de terror. Consegui enxergar duas sombras, possivelmente duas camas. Uma privada extremamente nojenta estava instalada em uma das paredes, juntamente com a pia, que era mais nojenta ainda. Fiquei imaginando quem conseguiria usar aquilo. Olhei para as grades de ferro que estavam me trancafiando. Sorri. Não fazia muito tempo desde que estive naquela mesma cadeia. Possivelmente uns nove meses. Já o Luke, aposto que nunca tinha sido preso.
– Luke. — chamei.
Luke estava encostado ao lado da pia. Sua cara de pânico, nojo e decepção estava cômica. Senti vontade de rir.
– O que foi?- ele respondeu de maneira mal educada, o que me deixou com raiva, mas resolvi me controlar. Se não me comportasse acabariam me mandando para um presídio.
– Espero que me ajude a fazer faxina da próxima vez. — disse de maneira zombadora, recebendo um olhar irritado de Luke, como se estivesse pronto para me matar.
– Me mudar para seu apartamento foi a pior coisa que eu já fiz na vida. – ele gritou, e eu me assustei. Luke Daggehorn estava gritando como um homem. Por favor, palmas para ele. – Sinceramente, eu não estou mais suportando os seus ataques. Nesse meio tempo em que eu moro com você eu... Arg. Eu te odeio. E tenho vontade de estrangulá-la a cada segundo de convivência, eu... Eu só não faço isso por que... Você é gostosa, e porque é crime. Sério Sophie, você não se importa de estarmos em uma cadeia, não se importa de gritar e de fazer escândalo para que o mundo inteiro possa ouvir, mas eu... Eu ME IMPORTO, Sophie. – à medida que Luke ia falando, se aproximava cada vez mais de mim. – Sabe, você deveria crescer. CRESCER! Conhece essa palavra? Sabe o que significa? E crescer inclui não fazer guerrinha de lasanha na cozinha. SUA... ARG, CRIANÇA, CRIANÇA E CRIANÇA. – Luke estava com o dedo apontado na minha cara, e sem querer, meu olho estava lacrimejando. Ele tinha razão, eu agia como uma criança. Eu não tinha dinheiro, fazia escândalos por nada, sem me importar com o que iria acontecer o que só me fazia parecer uma criança.
Estava prestes a abrir a boca para dizer umas verdades na cara dele, dizer que ele também era uma criança, e que ele poderia sair do meu apartamento a hora que quisesse, quando o som de gaita ecoou do fundo da cadeira, da direção de onde as camas estavam.
– Charlie, não acha divertido ver casais discutindo?- a voz ecoou e eu tentei firmar a vista na direção de onde ela estava vindo, só que estava muito escuro no fundo, de maneira que eu não conseguia enxergar. Ah cara, não custava nada por uma janelinha ou uma lâmpada naquele lugar para iluminar aquele lugar.
– Você não sabe o quanto, Daniel. – o cara, que parecia ser o Charlie, respondeu indiferente.
De repente, os dois caras surgiram das sombras. Dois caras que, acreditem ou não, eu conhecia muito bem. Sorri ao vê-los. E eles sorriram também. Um deles saiu correndo e me abraçou me rodopiando no ar em seguida. Retribui o abraço como se minha vida dependesse disso.
– Sophie Buckhard. – ele beijou meu rosto, assim que me soltou. – Faz quatro anos que não te vejo, e quando finalmente te encontro, é na cadeia?- nós dois rimos.
– Daniel Black. – respondi. – Achei que estivesse em Sidney.
– E eu estava. – ele respondeu e sorriu da maneira especial que me fazia suspirar. – Cheguei ontem. E olha só onde estou hoje? Estou falando, é pisar em Nova York que vou preso. Essa cidade me persegue, Soph. – Daniel ainda me chamava pelo apelido. Meu coração começou a bater de maneira descompassada. Droga, eu estava parecendo um adolescente, novamente.
–Processe-a por bullying. – olhei para quem havia falado daquela maneira irritada. Não pude deixar de sorrir.
– Ah, Charlie, não fiquei com ciúmes. – eu e Daniel começamos a rir de uma piada interna.
Luke não parava de me olhar com cara de idiota, o que ele sempre tinha. Daniel Black foi meu primeiro e último amor. Primeiro porque na quarta série me apaixonei perdidamente por ele. Duraram dois anos minha paixão, mas Daniel nunca soube. Vieram outros amores, meu primeiro namorado... Toda via, essa história é para outra ocasião. Último, porque no primeiro ano de faculdade me apaixonei por ele outra vez. Namoramos por um mês. Terminamos de maneira trágica. Agora o Charlie. Charlie Carter, sempre foi o melhor amigo do Daniel, e ele sempre foi perdidamente apaixonado por mim. Só que, nunca me atrai por ele. Ele era fofo, mas meu coração sempre foi de Daniel. Bom, ao menos há dois anos era. Tentei me lembrar dos momentos em que eu e Daniel passávamos juntos, mas, estranhamente, só me veio à mente momentos em que eu e o Luke passamos juntos. Como a guerra de lasanha, a loja erótica, quando ele me beijou... Balancei a cabeça tentando tirar aquilo da mente.
– Eu não mereço um abraço?- Charlie perguntou, erguendo os braços.
– Claro que merece. – o abracei rapidamente, e fui me sentar em uma das camas na penumbra.
– Olá! Sou Luke Daggehorn, prazer. — Luke estendeu a mão na direção de Daniel, e eu quis rir, pois não o havia apresentado. Na verdade, me esqueci completamente de Luke quando vi Daniel. Talvez não completamente, mas esqueci.
– Daniel Black. – Daniel respondeu e apertou a mão de Luke, indo se sentar ao meu lado. Luke olhou para Daniel de maneira bem suspeita, e foi se sentar no meu outro lado, ignorando totalmente a necessidade de cumprimentar Charlie.
Charlie caminhou até onde Luke estava e estendeu a mão, da mesma maneira que ele havia estendido para Daniel.
– Charlie Carter. – Luke olhou para ele sem interesse e não apertou sua mão.
– Luke Daggehorn.
Charlie revirou os olhos e se sentou na minha frente, no chão sujo da cadeia.
– Então Dan e Charlie, contem para nós como vieram parar aqui. – falei, olhei para Daniel, suspeitava que meus olhos estivessem brilhando. – Ah, e onde conseguiu essa gaita, Charlie?- cara, por que na maioria dos filmes e histórias nas cadeias sempre há gaitas? Principalmente os de Faroeste.
– Cheguei ontem de Londres. O Charlie me chamou para ir a um bar com uns conhecidos dele. Eu, sem querer, acabei mexendo com a garota de um dos caras. – olhei para Daniel com olhar de decepção, olhei para Luke que estava com a cara de “Eu não sou o único que mexo com a mulher dos outros” e fiquei com uma grande questão em mente: homens são todos iguais? – Saiu uma briga feia no bar, Charlie se meteu, chamaram a policia e acabamos presos.
– Ah, vocês homens, não podem ver um rabo de saia. – comentei tentando parecer menos frustrada. Os três homens riram. Revirei os olhos.
– E você, Soph? Como veio para aqui? – Daniel perguntou, colocando “acidentalmente” a mão sobre a minha.
– Eu e Sophie, viemos parar aqui porque... — Luke começou a responder olhando com certa irritação para a mão de Daniel sobre a minha. Não entendi o porquê. Daniel percebeu e retirou a mão. – Porque, ela queria que eu limpasse a casa.
– Não foi bem assim. – falei em minha defesa.
Comecei a contar a toda a história, pulando certas partes, como a do beijo, de vez enquanto sendo interrompida pelas risadas do Dan e do Charlie, mas continuei mesmo assim. Passou-se um bom tempo, e assim que acabei de contar a história, Charlie estava rolando no chão sujo da cadeia, gargalhando como louco.
– Não acredito. — Daniel disse assim que conseguiu parar de rir. – Essa é a história de briga de casal mais engraçada que eu conheço.
– Não somos um casal!- eu e Luke falamos juntos e nos entreolhamos.
– Mas vocês não moram juntos?- Charlie perguntou, olhando com raiva para Luke.
– Moramos!- Eu e Luke respondemos juntos outra vez, e dessa vez eu fiquei assustada.
– Mas só para dividir o apartamento. – expliquei.
– E nada mais que isso. – Luke completou.
– É, nada mais. –falei, e o beijo que Luke me deu veio novamente a minha mente.
– Conheço essas caras. — Daniel disse, enquanto no olhava com uma expressão engraçada no rosto.
– Que caras?- Luke perguntou, cruzando os braços e olhando para Daniel.
–Cara de pensativo, como se vocês estivessem se lembrando de algo. – ele explicou, ainda com aquela expressão no rosto. – Ou como se tivessem feito algo que não seja só “dividir o apartamento”.
Eu e Luke rimos de maneira nervosa. Eu principalmente. Luke colocou os braços atrás da cabeça e eu comecei a enrolar uma mecha do meu cabelo com o dedo, fitando o chão.
– Vocês transaram não é?- Charlie deduziu de maneira totalmente errada, e com um tom de “mas poxa vida, porque não eu?".
– Nos beijamos. – Luke confessou e eu quis matá-lo.
– Foi um acidente. – expliquei de uma maneira mais nervosa que pretendia.
– Foi mesmo, ela nem correspondeu. – Luke disse de uma maneira, como se estivesse triste ou decepcionado. Mas era verdade, Luke me beijou, eu não o beijei. Eu não havia correspondido.
– E você está frustrado porque ela não correspondeu?- Daniel perguntou, fitando diretamente os olhos do Luke. Pronto, o cara que eu gostava estava dando uma de terapeuta de casal, achando que eu e o cara que eu odeio no momento, estamos juntos.
–Não... Quer dizer, talvez. Nunca beijei alguém sem ser correspondido. – Luke confessou e eu o encarei boquiaberta.
– Vamos mudar de assunto? Eles não são um casal, Dan. – Charlie implorou se levantando do chão e eu soube, naquele instante, que ele ainda gostava de mim.
– Não. Esse está legal. – Daniel disse, entre risadinhas zombadoras, e eu percebi que ele não se importava comigo. Se eu estivesse namorando o Luke ou não, se eu estivesse dormindo com o Luke ou não, Daniel pouco se importava. De ímpeto, fiquei triste, magoada.
– Porque você não correspondeu? – Daniel me perguntou, e eu senti vontade de dizer: "Talvez porque eu ainda estivesse esperando você voltar de Sidney e se casar comigo, então teríamos filhos e seriamos felizes.". Mas claro que isso era só obra da minha imaginação fértil.
– Porque, eu... – um policial abriu a grade nesse instante, me livrando de ter que inventar qualquer coisa.
– Daniel Black e Charlie Carter. Pagaram a fiança de vocês. — ele disse, com a cara carrancuda.
– Tchau, Soph. – Daniel me abraçou. – Quando sair daqui, me liga. – ele se virou para Luke. – Se cuida namorado da Soph. – rindo com escárnio, Daniel saiu da sela.
– Tchau, Sophie. — Charlie me abraçou. — Ainda gosto de você. — sussurrou em meu ouvido. Ele se virou para Luke, o olhou com antipatia e saiu da sela, seguindo Daniel.
Assim que perdemos eles de vista, começamos a conversar.
– Nossa Sophie, não consegue nem disfarçar que gosta do cara. – ele bateu a mão na testa.
– Eu não gosto dele. – menti, visualizando o objeto que Charlie havia deixado no chão.
– Não minta para mim. – Luke disse revirando os olhos. – E outra, sempre soube que suas amizades eram de presídio. Para falar a verdade, você tem cara de presidiária.
– E você tem cara de play boyzinho filhinho de papai. — disse, me defendendo.
– Já disse que não sou playboy. Moro em uma espelunca de apartamento.
– Mais respeito com nosso apartamento. — gritei, já disse que odeio quando chamam meu apartamento de espelunca?
– Porque não correspondeu o beijo?- Luke perguntou de um jato, me assustando, pois eu não esperava por aquela pergunta.
Revirei os olhos. Peguei a gaita que estava no chão e comecei a assoprar de maneira desconexa
– Não vai responder? — perguntou.
– Não. — respondi, e depois voltei a soprar a gaita
– Ah não. Solta essa gaita, Soph. — Luke gritou, eu o encarei incrédula.
– Como me chamou?- perguntei boquiaberta.
Luke colocou os braços atrás da cabeça de novo, e percebi que ele fazia isso sempre que estava nervoso.
– Soph. — respondeu.
Sorri inconscientemente, voltando a soprar a gaita em seguida. Luke não reclamou dessa vez, ficou em silêncio, como se estivesse envergonhado por usar um apelido para mim.
– Realmente tinha um encontro?- perguntei depois de um longo tempo em silêncio.
– Sim. — ele respondeu, com naturalidade. — Conhecia garota na festa de sábado. Muito gostosa e ela era... Diferente, sabe? — uma corrente elétrica de raiva atingiu meu corpo. Não entendi o porquê daquilo, simplesmente ignorei o fato
Não respondi a pergunta. Larguei a gaita no colchão. E escorei na parede, ainda sentada na cama. Ficamos em silêncio.
__________
Quando me jogaram de volta na cela, Luke ainda estava lá, tentando tocar a gaita. Foi uma cena incrivelmente cômica. Não aguentei e comecei a rir, pois quando mais ele soprava mais não saía som nenhum.
– Sophie. — ele gritou quando percebeu minha presença. – Para quem ligou?
Ah sim, o delegado havia chegado e decretado que tínhamos direito a uma ligação, logo os policiais nos tiraram da cela, cada qual separadamente, nos levando para direções oposta, dessa forma, não percebi para onde levaram Luke. Obrigaram-me a sentar em uma cadeira nada macia e cederam-me o telefone. Não preciso nem dizer que liguei para a Isabelle, não é? Pois é, mas a infeliz não poderia vir me buscar, porque teria que comparecer a uma reunião importante em dez minutos, que poderia resultar na promoção dela. Fiquei desesperada e dei um sermão nela sobre “irmãs vêm antes do emprego”. Ela ordenou que eu me acalmasse e disse que daria um jeito de mandar alguém vir me buscar. Eu acreditava fielmente nisso, Isabelle Buckhard nunca havia me abandonado em horas difíceis.
– Isabelle, e você?- respondi e devolvi a pergunta, indo me sentar perto dele.
– Meu pai!- ele falou a contragosto. — Tive que escutar um sermão do tamanho de... Alguma coisa gigante.
– Trágico. — disse sem me importar verdadeiramente com aquilo.
– Fiz uma música para você. Afinal, eu estava aqui sozinho e você demorou muito. – Luke confessou e eu revirei os olhos, lá vinha merda. — Se chama “Nunca beije uma lésbica.”
– Como disse?- perguntei confusa, tentando entender se ele havia mesmo me chamado de lésbica.
– Presta atenção, e não fique brava. – começou, enquanto pegava a gaita. – Eu sou gostoso. Eu beijei você. Você não retribuiu. Você só pode ser lésbica. Mas como você tem uma quedinha por aquele seu amiguinho... Ah, escuta a música e você vai entender. — eu estava começando a ficar irritada de novo. Mais aí, um raciocínio iluminou minha mente de forma tão mística, clara e madura, que eu me tranquilizei. Não iria mais me importar com o Luke, não mesmo. Estávamos morando juntos, e se cada vez que eu ficasse brava, tentasse matá-lo, iríamos parar na cadeia todos os dias. E daí se me beijasse, fizesse propostas mirabolantes e me chamasse de lésbica? Se eu simplesmente desse de ombros, o ignorasse, evitaríamos vários problemas. Sinceramente, estava até impressionada com a maturidade do meu raciocínio. Luke começou a tocar a gaita de maneira desconexa, fez uma pausa e cantou. — Ela é gostosa, mas é lésbica. É demais para você. Uma lésbica... Que gosta do Gabi. Uma lésbica que gosta do Gabi. Uma lésbica que não é lésbica. Nunca beije uma lésbica... Nunca uma lésbica. Nunca... Se não quiser morrer. HEY!- ele cantou eloquentemente, fazendo pausas para tocar a gaita, no suposto ritmo da música, de vez em quando. – O que achou?
– Essa música é ridícula. Você é ridículo. Quem é Gabi?- perguntei, tentando não perder a paciência, e ser madura o suficiente para não perder meu raciocínio anterior.
– O Gabi Black!- ele explicou pacientemente. – Aquele carinha que estava aqui agora pouco, Gabriel, junto com o Charlie... Seu amiguinho.
Comecei a rir da burrice dele, ou da falta de memória, não importa. Só sei que estava rindo. Foi inevitável.
– Daniel Black. – gritei, entre risos. – De onde você tirou Gabi, cara?
– Ah, sei lá. — respondeu com um olhar pensativo, provavelmente tentando se lembrar. –Sou péssimo com nomes.
– Hey. — disse, pois só então havia percebido o que ele havia dito na música: que eu gostava do Daniel. – Eu não gosto do Daniel.
– Gosta sim, Soph. — Luke disse e corou, por ter me chamado pelo apelido. – Quer dizer, gosta sim, Sophie.
– Não gosto. – murmurei, talvez tentando me convencer de que o que foi dito fosse verídico.
– Seus olhos brilham quando você fala com ele, ou sobre ele, de uma forma tão intensa, talvez até mágica, que até eu fiquei com inveja por não ter ninguém que goste de mim tanto assim. – Luke estava amargurado, como se realmente não existisse ninguém que gostasse dele. Poxa, ele é um pegador nato. E pegadores sempre têm mulher de todos os tipos aos pés.
– Está mentindo. Você tem fama de pegador. Deve existir ao menos uma retardada que goste de você. – constatei. Luke olhou para mim como se estivesse refletindo minhas palavras.
– E gostam. – falou por fim. – Por uma noite. Eu me sinto usado. Um prostituto. E só para constar, não sou eu que pego elas, elas que me pegam. — a cara de inocência dele quase me convenceu. Toda via, ele era o Luke. E Luke Daggehorn nunca era inocente.
– Estou com tanto dó de você! — fingi estar sentida por ele, porém, minha voz estava carregada de sarcasmo.
– Estou falando sério, Sophie. Se você me quiser, é só marcar hora, local e preço. Estou disponível 24 horas. Mentira, só estou disponível depois das 18h. – brincou, e não pude deixar de sorrir.
– Você é um babaca, senhor prostituto. – dei um tapa na nuca dele.
– Você é muito agressiva, senhora Black. – Luke devolveu na mesma moeda, e eu corei ao ouvir aquilo.
– Já disse que não tenho nada com o Daniel. – ele já iria abrir a boca para me contradizer, quando eu o interrompi. – Porém, suponhamos que eu ainda goste dele... Ele já deve ter namorada, esposa, filhos...
– Você está parecendo uma adolescente histérica agora. — Luke revirou os olhos. — “Ain best, ele gosta de outra, e agora? Como sorvete, enquanto vejo uma comédia romântica e choro?” – Ele imitou a voz de uma adolescente, e ficou igualzinho. Fiquei me perguntando se ele não se transformava em Luka depois da meia-noite. Ok, isso foi um exagero. Luke gosta muito de mulher para ser gay. Mesmo assim, me ofendi com aquilo. Dei um tapa na orelha dele. – Ai! Não seja agressiva.
– Vá para o inferno. – murmurei mal humorada. – Eu não me pareço com uma adolescente histérica.
– Se acalme Sophie. Antes de ir para o inferno, vou te ajudar com esse tal de Dani Black. — A última parte, Luke balbuciou a contra gosto, errando novamente o nome de Daniel
–Primeiramente, o nome nele não é Dani Black. É DANIEL BLACK. Segundo, você parece um velho que eu conheço errando o nome das pessoas assim. Terceiro, eu não quero ajuda com o DANIEL, porque eu não quero o DANIEL. Fui clara, ou quer que eu desenhe?- briguei, enquanto pegava a gaita das mãos dele, e comecei a tocar. Eu sei tocar algumas músicas na gaita, meu tio Douglas uma vez me ensinou.
– Foi clara sim, mas ainda acho que você gosta dele. – Luke falou, roubando a gaita de minhas mãos e tacando para fora das grades.
Olhei para ele irritada. Ele me encarou emburrado, associei isso ao fato de eu ter negado a ajuda dele em relação ao Daniel. Tudo bem, Luke estava tentando ser gentil comigo, eu por minha vez, fui grossa e sem educação com ele. Soltei um longo suspiro. Decidi contar para ele o motivo de não querer nada com o Daniel.
– Luke. – chamei. – Não é como se eu não quisesse sua ajuda. É que... – decidi contar a história resumidamente da minha vida com o Daniel. – Eu e o Daniel namoramos na faculdade durante um tempo. Mais tarde trabalhamos junto, saímos algumas vezes antes dele ir para Sidney. Eu sei perfeitamente que não tínhamos nada sério, mas, para mim, estávamos em um relacionamento. Em um belo dia, ele juntou as malas e foi embora, sem me avisar ou se despedir. Para você ter ideia, desde então eu não tenho notícias dele. Nem telefonar ou mandar um e-mail, ele foi capaz. Não quero mais tê-lo em minha vida. E também, já faz dois anos, muita coisa mudou...
– Certo, então vou te ajudar com ele. – Luke falou, e eu revirei os olhos.
– Não escutou nada do que eu disse?- perguntei incrédula.
– Blá, blá, blá, abandono, blá, dois anos. Você é muito dramática. –Luke fechou os olhos e escorou a cabeça na parede.
Ficamos esperando por mais, no mínimo, três horas até vir ajuda.
A ajuda que Isabelle mandou foi Natasha, minha gêmea. Luke ficou boquiaberto.
– Quem é essa?
– Minha irmã gêmea.
– Gostosa. – ele piscou para Natasha que fez uma careta de nojo.
– É, e também é comprometida. – olhei para Natasha– E aí?
– Você e o tarado aí estão livres. Eu paguei sua fiança e não sei quem pagou a dele, mas mandaram dizer pra vocês.
– Obrigada Senhor! – ergui as mãos pro céu, Natasha riu e Luke ficou me encarando.
– O que a cadeia não faz com as pessoas. – Luke disse e fomos embora.
Fale com o autor