Stubborn Fools
7 Capítulo 7 - Uma faxina me concebe o direito de ser presa
Notas iniciais
– Bom dia!- gritei feliz para as paredes da sala. Havia acabado de acordar e estava vestindo meu pijama. Caminhei até a estante da sala, peguei o CD com as músicas que eu mais gostava que estava em cima da mesma, e coloquei dentro do aparelho de DVD, aumentando o som no último volume. Em seguida, caminhei até o quarto de Luke, abri a porta de maneira brusca. Ele havia posto o travesseiro em cima da cabeça para abafar a música alta.
– ACORDA LUKE!- gritei enquanto pulava em cima dele. – HOJE É DOMINGO.
Luke apertou ainda mais o travesseiro contra a cabeça, como se não estivesse acreditando que estava sendo acordado cedo no domingo. Ainda mais, porque ele havia voltado da balada às quatro horas da manhã. E o mais trágico, é que ele havia esquecido a chave, e ficou tocando a campainha até que eu acordasse e abrisse a porta para ele.
– Vai embora. — ele disse, mas o travesseiro abafou o som da voz dele, tornando-a muito engraçada.
– Não, Luke. Hoje é domingo. – gritei, segurando minha risada.
– E daí? — Luke tirou o travesseiro da cabeça e me encarou, de maneira que pude notar as olheiras em voltas dos olhos dele.
– Hoje é dia de faxina. – respondi na maior naturalidade, enquanto saía de cima dele e caminhava para fora do quarto. – Se não levantar em cinco minutos, vou trazer o balde de água fria.
Em menos de cinco minutos, Luke estava de pé em frente à porta do apartamento, vestindo uma blusa pólo azul e uma calça folgada, enquanto tentava abrí-la sem sucesso, pois estava trancada e as chaves escondidas, tanto a minha quanto a dele, para evitar possíveis tentativas de fuga.
– O que fez com as chaves? — Luke perguntou, irritado.
– As escondi. — respondi, sorrindo vitoriosamente.
– Sophie. – Luke começou. – Eu não posso te ajudar na faxina do apartamento.
– Por que não? — nesse instante ele olhou para meu corpo, e reparou que estava usando meu pijama.
– Adoro esse pijama — disse de maneira pervertida, fazendo com que eu revirasse os olhos.
– Luke, comece a faxina, a vassoura está na lavanderia. – falei ignorando o comentário, enquanto me dirigia à estante e abaixava o volume da música.
– Mas eu não posso te ajudar!- falou novamente.
– Por que não?- dessa vez, eu gritei.
– Porque... — 3, 4, 5 segundos. – Porque... – 30, 32, 33 segundos. – Porque... — 1, 2, 3 minutos.
–Porque...- disse, perdendo a paciência.
–Porque... — revirei os olhos, cruzando meus braços e batendo o pé no chão. –Porque... — ele soltou um longo suspiro e continuou. – Vou buscar a vassoura.
– Bom garoto. – fui até meu quarto, coloquei minha roupa de faxina e quando voltei para sala, Luke estava sentado assistindo um canal de esporte.
– LUKE!- gritei. – VÁ VARRER A CASA. AGORA.
– Já vou. – ele respondeu, enquanto se levantava de um jato e corria para lavanderia em busca da vassoura. Peguei o espanador, que estava em cima da geladeira, e comecei a limpar a estante da sala, cantarolando In The End, do Linkin Park.
Quando terminei de espanar a estante, Luke ainda não havia voltado com a vassoura, revirei os olhos.
– E essa vassoura, sai ou não sai?- gritei irritada para que ele escutasse.
– Já estou indo. – Luke respondeu, enquanto aparecia na sala com a vassoura. – Toma. – ele jogou a vassoura no chão, ao meu lado. – Eu não sou obrigado a limpar a casa, então não vou limpar. – ao dizer isso, ele estendeu uma das chaves, que abre a porta do apartamento, em frente aos meus olhos, correndo para porta em sequência. Como ele havia descoberto que a chave estava escondida dentro da máquina de lavar, era um mistério para mim.
– Não mesmo. Eu não vou fazer a faxina sozinha. Você também mora aqui. – ele estava quase conseguindo abrir a porta, e eu tinha que impedi-lo, por isso, fiz a única coisa que estava ao meu alcance: Taquei a vassoura na direção dele. Mas é claro que eu não esperava que o acertasse em cheio.
– Sua maluca! – ele gritou com uma mão na cabeça, onde a vassoura havia batido.
– Vai me ajudar fazer a faxina, por bem ou por mal. – corri na direção dele, peguei a chave, que agora estava no chão, e coloquei em meu bolso de trás da calça, fazendo uma careta para ele em seguida.
– Sophie, eu tenho um encontro. – Luke disse calmamente, como seu eu fosse acreditar naquela mentira. – É sério.
– Encontro às dez da manhã? – perguntei incrédula.
– É. – respondeu, ainda tentando ser eloquente.
– Mentiroso. – disse, enquanto corria em direção à sala.
– Devolva as chaves, Sophie. – Luke gritou desesperado. Estava começando a achar que ele realmente tinha um encontro. Ou era preguiçoso de mais para não me ajudar na faxina. A segunda opção era mais acreditável.
– Não. – respondi, o olhando de maneira divertida. – Só quando me ajudar a arrumar a casa.
– Mas e meu encontro?
– Azar o dela, ou dele. Vai saber. – comecei a rir de minha piadinha sem graça, peguei o espanador para voltar a faxina, mas quando me virei para Luke, ele estava há poucos passos de distância, com a mão estendida em direção aos meus bolsos, para tentar pegar a chave.
– Pervertido!- gritei, proferindo um tapa na cara dele.
– Ai. – Luke gritou, colocando a mão esquerda onde eu havia acabado de bater. – Sophie! — gritou, e começou a correr atrás de mim. — Devolve as chaves.
– Me ajude a faxinar a casa. — saí correndo envolta do sofá.
E novamente, estávamos correndo em volta do sofá feito crianças imaturas. Só que dessa vez, Luke conseguiu me alcançar, e me derrubou em cima do sofá, caindo por cima de mim.
– Me devolve a chave!- ele gritou.
– Sai de cima de mim!- eu gritei.
Encaramo-nos por um segundo. Estávamos em um impasse.
– Me devolva as chaves primeiro. – Luke falou, como se eu não tivesse escolha. Revirei os olhos. Mas é claro que eu tinha escolha. O pressionei para o lado, de maneira que caímos no chão, em cima do tapete bege da sala. Meu corpo por cima do dele. Nossos rostos próximos. Meus olhos fitando os dele e vise versa. Senti meu rosto corar, meu coração perder o ritmo... Por um segundo, me senti uma adolescente, em uma situação constrangedora com um colega de classe.
Quando estava preste a me levantar e sair correndo com a chave para longe de Luke, senti os lábios dele nos meus. Senti as mãos deles envolverem meu corpo. Vi os olhos dele se fechando, e os meus se fecharam em seguida, quase que automaticamente. Senti duas mãos em meus bolsos. Senti algo sendo retirado deles. Foi quando eu me dei conta do que estava acontecendo e abri os olhos. Luke parou de me beijar, e balançou a chave em frente aos meus olhos, com um sorriso escárnio.
– Nunca pensei que você fosse tão fácil, Sophie. – Luke me empurrou para o lado e se levantou, dizendo isso. – Mas também, há quanto tempo um homem de verdade não te pega de jeito?
A raiva que tomou conta de mim naquele momento, poderia ter me transformado no incrível Hulk. Meus dentes trincaram, cerrei meus pulsos e me levantei com uma velocidade impressionante. Olhei para Luke com raiva. Os olhos dele se arregalaram como se estivesse adivinhando que eu iria matá-lo. Luke saiu correndo em direção a porta, enfiou a chave na fechadura e a abriu, antes que eu pudesse alcançá-lo. Mas eu não iria desistir fácil. Ele saiu correndo pelas escadas, enquanto eu o seguida com a vassoura na mão. Iríamos descer oito andares. E eu duvidava muito que ele aguentasse o pique de uma ex-lider de torcida (sim, eu já fui líder de torcida, isso faz parte do passado obscuro de riquinha).
– Luke. Pare de correr e me enfrente como o homem que você é. – gritei, enquanto o perseguia.
– Nunca. – ele respondeu da mesma maneira, e começou a correr enquanto gritava como uma garota.
– Idiota. Pervertido. Você vai lastimar. — olhei para a plaquinha ao lado, estávamos no sexto andar agora. Pessoas já estavam saindo de seus apartamentos para ver o motivo do escândalo.
– AAAAAAAAH!- Luke só sabia gritar e correr.
Por fim, resolvi fazer a coisa mais inteligente no momento. Taquei a vassoura em cima dele, para fazê-lo parar de correr. Ela o acertou de raspão.
Luke se distraiu com a vassoura, e nesse instante, pulei nas costas dele. Só que não caímos no chão, de maneira com fiquei pendurada nas costas dele. Quando Luke percebeu, virou as costas em direção a parede e me prensou contra ela. Não machucou, mas agarrei o cabelo dele com toda a força que consegui para fazê-lo me soltar.
Estávamos no quinto andar, e todas as pessoas do mesmo, já haviam saído de seus apartamentos para ver a cena. Olhando escandalizados para nós. No começo, senti vergonha, mas depois usei minha palavra preferida: dane-se.
– LUKE ME SOLTA! — gritei, enquanto puxava o cabelo dele para trás. Pelas caretas que ele estava fazendo, com certeza estava doendo, e muito. De maneira que não demorou muito para que ele me soltasse, fazendo com que eu caísse sentada no chão. Luke percebeu minha situação e saiu correndo escada abaixo. Com muito custo, me levantei e o segui me esquecendo completamente da vassoura e deixando pessoas boquiabertas para trás. – Volte aqui, seu medroso.
Foram mais três andares correndo, e quando finalmente chegamos ao térreo, pulei nas costas dele novamente. Dessa vez caímos ao chão, de cara com quatro botinas pretas e um chinelo. Olhei para cima, me deparando com dois policiais, ao lado deles, o porteiro com uma cara de poucos amigos.
– São esses dois que estão causando a desordem? – um dos policiais perguntou irritado ao porteiro.
– São, sim. – John, o porteiro, respondeu.
– Considerem-se presos. – o outro policial falou, enquanto me levantava de cima de Luke, e prendia um lado da algema em meu braço. O outro policial auxiliado por John, o porteiro, levantou Luke, e em seguida prendeu o outro lado da algema no braço do mesmo.
Que surpresa: O que é pior do que morar com pervertido? Estar presa a um pervertido!
– Vocês não podem me prender. Eu não fiz nada. –tentei argumentar, mas os policiais me ignoraram. – John!- me virei pra o porteiro. – Diga a eles que sou uma pessoa de bem e não seria capaz de fazer nenhuma desordem — minha expressão era de "me salve, John".
– Sinto muito, Sophie. Não é nada pessoal. Mas muitos moradores reclamam de você. E agora que fez esse escândalo todo. Se você não for presa, a senhora Black me mata. – meus dentes trincaram ao escutar aquele nome. Senhora Black, a velha irritante da minha vizinha.
– Vocês não podem me prender! A culpa é toda dela. Prendam-na e me deixem livre. – Luke gritou, enquanto os policias nos arrastavam pela porta e nos jogavam em dentro da viatura.
– Cale a boca, Luke. A culpa é toda sua. — comecei a estapeá-lo, enquanto um dos policiais dava a partida no carro.
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