Stubborn Fools

12 Capítulo 12 - Nunca confie no seu cunhado quando sua irmã estiver grávida


Notas iniciais
E eu esqueci de postar ontem, de novo. Mas pelo menos vou postar! Aproveitem o capítulo

Sophie Buckhard

Quando cheguei em casa, era uma hora da manhã. Suspirei feliz e escorei na porta. Meus pensamentos a mil por hora no meu encontro com Daniel. O melhor jantar da minha vida. Sorri ao pensar naquilo. Não acreditei que tinha desejado não ter ele mais na minha vida. É claro que eu o queria completamente na minha vida. Luke tinha toda razão.

Olhei de relance para TV ligada. Percebi algumas risadinhas vindas do sofá, só que não vi ninguém. Caminhei até o mesmo, para ver se estava louca, ou não. Quando cheguei até o mesmo, vi uma ruiva só de calcinha e sutiã deitada por cima do Luke, que, por sua vez, estava sem camisa e quase sem calça.

– Luke! – chamei.

Os dois finalmente perceberam minha presença e se desgrudaram. A ruiva levantou-se assustada e saiu de cima do Luke às presas, pegando suas roupas e as vestindo rapidamente. Luke se sentou, mas sem se dar o pudor de colocar uma blusa.

– Isso no meu sofá, não. – sussurrei no ouvido dele.

– Ah Luke, eu vou nessa. Depois a gente discute mais sobre aquele negócio. – a ruiva disse se levantando e pela primeira vez olhando em meus olhos.

Revirei os olhos, mas não respondi. Garota irritante. Assim que a porta se fechou, arremessei uma almofada na cara dele.

– A primeira vez que eu tentei pegar ela, você atrapalhou. E, quer saber, você sempre atrapalha tudo, que coisa mais chata. – Luke disse se deitando no sofá e jogando as pernas dele no meu colo. –Faz uma massagem com capricho nos meus pés. Agora. – ele ordenou.

– Porque eu faria isso?- perguntei atônita.

– Porque você me atrapalhou com a garota ruiva. Enquanto eu te ajudei a arrumar uma roupa legal para o seu encontro. – ele comentou malogrado.

– Mas amigos gays são para isso. — brinquei.

– Que droga, Sophie, eu não sou gay. Olha o tanto de mulheres que eu pego, estava tentando pegar uma agora a pouco. Antes de você atrapalhar, é claro. Estraga prazeres. – Luke ficou com uma expressão frustrada, mostrando a língua para mim.

– As mulheres que você pega, é para disfarçar. – insisti na brincadeira.

– Eu não sou gay. E ponto. – Luke estressou, jogando a almofada de volta na minha cara.

Ficamos em silêncio por um bom tempo.

Luke, de repente, me encarou com um olhar brincalhão e começou a fazer cócegas em mim.

– AAAAH! PARA LUKE. – consegui dizer entre risos. – Para, é sério.

– Não mesmo. Adoro fazer cócegas nas pessoas. – ele falou de maneira brincalhona.

Eu tentei fugir das garras dele, mas ele se jogou contra mim, e me prensou contra o chão da sala, só que sem fazer cócegas.

– Agora eu posso te beijar, arrancar sua roupa com minha boca e fazer você delirar de amores por mim. Para provar que eu não sou gay, apesar de entender de moda. — Sorri de canto, duvidando muito que ele faria aquilo. Luke percebeu e fez menção em me beijar, só que se afastou. – Ou eu posso fazer cócegas em você, até você prometer que nunca mais vai me chamar de gay. Ou eu...

– Já entendi. – disse entendendo onde ele queria chegar. – Ou eu digo que você é muito macho, que não é gay, prometo nunca mais te chamar disso, sem que você precise fazer nada comigo. – expliquei, o encarando. – Com uma condição: vista uma camisa.

– Meus bíceps te incomodam, Sophie? – ele colocou seu corpo ao meu.

– Bom, no começo, até incomodavam. Sabe, eu ficava me controlando para não babar em você. Mas agora, isso aí – apontei com desprezo para os músculos dele. – é tão comum para mim.

– Você acaba de me desanimar. – Ele saiu de cima de mim cabisbaixo. – Você sempre é tão chata.

– Oh, coitadinho. – falei sarcasticamente, enquanto passava a mãos no cabelo dele. – Lukinho ficou triste, foi? — perguntei brincalhonamente.

– Ficou, muito triste. – Ele coçou os olhos como se estivesse extremamente triste. – Sophzinha chateou o Lukinho.

Encaramo-nos outra vez e começamos a rir.

– Você é um idiota. – falei, entre risos.

– Eu sei disso. – ele respondeu.

O som da campainha ecoou pela casa, tirando-nos do nosso momento. Luke me olhou como se estivesse tentando adivinhar quem bateria na casa dos outros das duas da manhã de uma quarta-feira.

– Quem será?- perguntei.

– Sei lá. — Luke falou. – Vai lá atender.

– Eu não, e se for um maníaco?- perguntei assustada.

– Larga de ser fresca, Soph. – Luke me chamou pelo apelido de escola e começou a rir, eu, por minha vez, não disse nada, apenas revirei os olhos com a inconveniência dele.

– Você que é frouxo. – disse, fazendo careta para ele e me levantando. – Coloca uma camisa e vá atender a porta. – ordenei em um sussurro. A campainha tocou novamente.

Luke me encarou por um momento, e começou a tirar a calça, eu o encarei boquiaberta pensando “o que diabos ele está fazendo?”.

– Céus, o que está fazendo?- perguntei intrigada o olhando de cima a baixo.

Assim que ele terminou de tirar a calça, respondeu, na maior cara de pau, o que fez com que eu quisesse socá-lo.

– Estou sem calças, não posso atender a porta. – ele disse, sorrindo de maneira irritante.

Demorou um, dois, minutos para que eu entendesse o que ele disse. Quando finalmente entendi, revirei os olhos, e quis matá-lo.

– Você é inacreditável. – falei indo em direção a porta, com uma incredulidade, pelo o que o Luke havia acabado de fazer, que ainda estava me deixando atônita.

Abri a porta cuidadosamente, com um bom bocado de receio, entretanto, quando percebi quem estava na porta. Dei espaço para a pessoa entrar. O moreno de olhos castanho entrou e me abraçou apertado, como se não quisesse me soltar nunca mais. Quando finalmente ele me soltou, foi para olhar melhor em direção a sala.

– Por que tem um cara só de cueca na sua sala?- Fred perguntou curiosamente, e me encarou com um sorriso de canto. – Céus, Sophie, atrapalhei alguma coisa?

Encarei Fred, e depois encarei Luke, que por sua vez, não sabia se encarava Fred, ou se me encarava, ou se vestia a roupa. Olhei para Fred novamente.

– Ele entende de moda. — falei apontando para o Luke. — Acha que atrapalhou alguma coisa?

– Ah sim, Soph. – Ele respondeu piscando para mim.

– Muitos “estilistas” têm fama de “pente fino” só para disfarças que “entende de moda”. – falei da maneira mais cheia de código que consegui.

Luke vestiu a calça e se aproximou de nós, com um sorriso no rosto.

– Oi. – Luke cumprimentou estendendo a mão para Fred. – O que faz aqui às duas da manhã? Não pode deixar Isabelle sozinha.

– Desejos de grávida.

– Isabelle está tendo desejos? – perguntei incrédula.

– Aham. – ele respondeu em um murmúrio. –Ela esta querendo churrasco com glacê e disse que se não estivesse o comendo em uma hora, nosso filho nasceria com cara de boi.- percebi que Luke estava a ponto de cair na gargalhada. — Ainda tenho meu quarto, Soph?- ele perguntou esperançoso, olhando para Luke.

– Tem, sim. Luke não se importa de dormir no sofá hoje. – respondi dando um abraço no meu cunhado.

– Me importo, sim. – Luke murmurou. – Mas a Sophie não se importa de ceder o quarto dela para mim hoje e ir para sofá, não é?

– Ah, me importo sim. – respondi frustrada.

– Gente, enquanto vocês discutem, eu vou para o meu quarto. Boa noite. – Fred disse, saiu correndo, entrando no quarto de Luke e batendo a porta.

Eu e Luke ficamos por um bom tempo olhando a porta fechada do quarto, e raciocinando o que havia ocorrido.

– Ele percebeu que ia sobrar para ele dormir no sofá... – Luke começou.

– E pegou o seu quarto primeiro. –eu terminei. – Cretino. Vigarista.

Luke me encarou, provavelmente pensando o mesmo que eu, e saiu correndo em direção ao meu quarto. Cretinos, vigaristas. Claro que eu sai correndo atrás dele. Não mesmo que Luke iria dormir na minha cama.

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– Alguém já disse que você é irritante?

– Toda hora você me diz isso. Agora apaga essa luz.

– Não mesmo, o quarto é meu e eu quero a luz acesa. Se quiser a luz apagada, vá para a sala.

– Não. Fred rouba meu quarto e eu que tenho que ir para sala? Engraçadinha você, não é?

Não acredito que deixei o Luke dormir comigo. Isso é realmente irritante, estou pensando em derrubá-lo da cama e obrigá-lo a ir para o sofá.

– Luke. – gritei, como a ótima escandalosa que fui, sou e sempre serei. – Pare de me relar.

– Eu não estou te relando. – Luke respondeu no mesmo tom de voz.

– Claro que está. – comecei a chutá-lo, em uma tentativa falha de expulsa-lo do colchão. –Vá para sala.

– Não, eu quero o meu quarto. – ele disse veemente. – Peça para Fred sair de lá, ou vá você para sala.

– Ah. Luke, Fred está passando por um momento delicado, não seria conveniente colocá-lo no sofá. – tentei explicar da maneira mais angelical que consegui. – Por favor, vá para sala.

Luke Daggehorn, como o típico cavalheiro que sempre foi, exibiu toda a sua educação em um ato que me deixou boquiaberta. Luke virou para o canto e colocou o travesseiro em cima da cabeça para não ser incomodado.

– Luke! – voltei a chutá-lo com toda a força que consegui, com extrema irritação. Também pudera, eu estava com o vestido do meu encontro até agora, pois tenho medo de sair da cama para trocar de roupa, e quando voltasse Luke estivesse ocupando todo o espaço. Eu, definitivamente, não queria dormir no sofá aquela noite. – Sai.

Luke se estressou. O que, a meu ver, estava demorando muito a acontecer. Frustrado, ele se levantou, caminhando em passos largos em direção a porta, abriu-a de maneira grotesca e a bateu assim que saiu. Eu fiquei observando sem reação a cena, porque em meu intimo, eu não sabia se queria realmente que Luke fosse dormir no sofá.

Fiquei olhando para o teto durante um bom tempo, quando um barulho me assombrou. Assustada, percebi que na verdade o barulho era a mensagem em meu celular, suspirei aliviada enquanto pegava o mesmo. Era uma mensagem de Luke. Abri a mensagem de maneira apresada.

Quer mesmo que eu morra aqui fora, no frio do mundo?

Eu poderia ser durona por dentro, não obstante, por dentro era uma grande manteiga derretida. Suspirei irritada e saí apressada em direção à sala, mas antes peguei meu travesseiro. Assim que cheguei, Luke estava deitado olhando para o teto com o celular nas mãos.

– "Quer mesmo que eu morra aqui fora, no frio do mundo?" Sério?- eu o encarei atônita, e com certa ignorância no olhar. – Você é tão dramático.

– Vai me deixar morrer?- Luke perguntou com olhos pidões.

– Não, Luke. Vou morrer no seu lugar. – resmunguei. – Agora, sai daí, para que eu possa deitar, e ande rápido, antes que eu mude de idéia.

– Espera, deixe me ver se entendi... – Luke começou incrédulo. – Vai me deixar dormir na sua cama e vai dormir no sofá?

– Não era o que você queria?- eu o encarei de maneira incompreensiva.

– Não exatamente. – o garoto respondeu, enquanto se levantava. – Se for para você dormir no sofá, eu não quero dormir na sua cama. – explicou se aproximando dela.

– E você tem solução melhor?- perguntei, o encarando.

– Claro que tenho...

E com toda certeza, ele não esperou minha resposta, antes mesmo que eu pudesse perguntar qual era a solução dele, Luke me surpreendeu me pegando de maneira delicada no colo, e me guiando para o quarto, assim como recém casados fazem. Eu não protestei, apenas fiz o que era apta a fazer naquelas situações: revirei os olhos. Quando finalmente chegamos ao quarto, Luke me jogou, sem a menor delicadeza, em cima da cama e se deitou ao meu lado.

– Não vamos morrer, porque nós dois temos abrigo. – ele disse rindo.

– Você é tão irritante. – pela segunda vez na noite, chamei meu companheiro pela mesma característica negativa.

– Mas sou um irritante que não te deixou morrer. – Luke protestou em sua defesa, e por mais clichê que isso possa parecer, um raio cortou o céu, seguido de um estrondo ensurdecedor

– Ah Deus, agora vai começar a chover cães e gatos do céu? – eu como sempre estrago prazeres, estressei.

– Chega de falar em chuva. – Luke falou sobressaltado, eu me levantei e acendi a luz. Em seguida abri o guarda-roupa, retirando dele meu pijama. Ao fazer isso, eu iria seguir para o banheiro e me trocar, mas fui impedida por Luke.

– O Freddy está no banheiro até agora. – informou sem jeito.

– Quem? – perguntei incompreensiva.

– O rato. – respondeu envergonhado. – Prometo que darei um jeito nele amanhã

– E até lá, onde eu troco de roupa? –perguntei irada.

– Para mim não fará diferença se você mudar de roupa aqui... – o cavalheirismo dos homens de hoje em dia, é uma coisa impressionante.

– Olhe para parede, e se você se virar por uma vez que seja, arranco seus olhos. – eu o ameacei fazendo uma cara malévola, que, por incrível que pareça, assustou Luke. Mas claro, que Luke não resistiria a uma olhadinha, porque, por mais que eu gostasse de dizer que ele “entendia de moda”, Luke nunca deixaria de ser um “pente fino”.

– Pronto, já pode olhar. –avisei, toda via, Luke já sabia que eu havia acabado de me vestir (a visão periférica dele sempre fora uma das suas melhores características). Em seguida, desliguei a luz e me deitei ao lado dele.

– Boa noite, Soph. – Luke disse, depositando um beijo na minha bochecha, e se virando rapidamente, fingindo que nada havia acontecido.

Eu, por minha vez, fiquei sem reação. Não sabia se gritava, ou se fingia ter sido um acidente, ou se matava Luke. Optei por uma quarta opção.

– Luke. – chamei inocentemente, fazendo com que ele se virasse. – Boa noite. – ao dizer aquilo, retribui o beijo na sua bochecha, deixando Luke sem reação, o que, a propósito, eu sabia que aconteceria.

Obviamente, fingimos que nada havia acontecido, que nenhum gesto de carinho ou afeto havia ocorrido entre nós, porque, afinal, esse era o nosso jeito de dizer “estou feliz que esteja aqui” um para o outro, e claro que nunca confessaríamos que isso era real, tínhamos que manter a fama de ódio eterno entre nós.

Notas finais
Reviews bem vindos, como sempre.