Ströme der Seele

22 Zeit - A grande arte de pensar


Notas iniciais
E ai pessoal, finalmente! Desculpem a demora, mas como havia explicado anteriormente eu estava muito atarefada e sem tempo para me dedicar à historia. Em relação ao desafio, o vencedor foi AlaatofRinn! Ele poderá fazer uma pergunta ou um pedido e eu postarei a resposta do próximo capítulo. Bom, bora lá. Boa leitura! Obs: A escrita em itálico se refere a acontecimentos anteriores ao do capítulo.

Os dias transcorriam normalmente na cidade dos meteoros. Os moradores continuavam com suas rotinas diárias aparentemente alheios a qualquer tipo de acontecimento. Bem, não podemos culpá-los por isso, afinal todos os seus recursos e esforços eram voltados à própria subsistência. Porém para nós que somos meramente espectadores, um fato chamou a atenção. Normalmente, quando uma mãe dá a luz a uma criança, ela, pelo simples fato de existir, já se torna um ser. Porém, é no momento em que recebe um nome que essa criança se tornará alguém único, individual. E foi exatamente isso que presenciamos, o nascimento de um alguém, o nascimento de Maia.

Desde aquele dia crucial, Maia passou a frequentar regularmente a residência de seus novos conhecidos. Apesar das inúmeras censuras de Franklin, Kuroro continuava a receber a garota. Ele por sua vez afirmava ter um estranho interesse pela garota, e assim, decidiu doutriná-la. No início começou com o básico, a fala, algo que a propósito ela já deveria ter aprendido. Rapidamente a menina dominou a técnica, apesar de preferir se manter calada na maior parte do tempo. Em seguida passou a ensiná-la a ler e escrever. Como Shalnark também não havia aprendido nenhum dos dois, Kuroro tratou de ensiná-los simultaneamente. Devido aos escassos recursos, precisou improvisar utilizando o chão arenoso como lousa/caderno e gravetos como objeto de escrita.

Assim que a garota era trazida ao lixão e deixada sozinha por seus algozes, rapidamente executava a tarefa da qual havia sido designada para logo em seguida marchar em direção ao barraco lotado. Fora as pessoas que já havia visto, conheceu mais 2 outros membros daquela estranha família. O primeiro deles foi uma mulher um pouco mais velha, do qual os outros chamavam de Pakunoda. A garota pareceu se sentir estranha com a presença de Pakunoda, uma vez que essa lhe recebeu melhor do que qualquer outro naquele local. Por último e não um total desconhecido, conheceu Nobunaga. Tratava-se do garoto resgatado por Kuroro e Franklin no dia em que seguiu os dois até o barraco. Uma vez recuperado, decidiu se juntar a família.

Certo dia, enquanto vasculhava uma das inúmeras pilhas de lixo, Maia se deparou com um objeto que a intrigou. No meio de todo aquele material, na maior parte das vezes estragado, havia um objeto retangular, semelhante aqueles que Kuroro utilizava para ler. Porém, quando a garota o abriu, não havia nada escrito, na verdade só havia folhas em branco. Curiosa para entender melhor a função de tal artefato, deixou-o separado em um canto até terminar sua tarefa, para posteriormente levá-lo até o barraco. Uma vez terminado, Maia seguiu seu habitual caminho até o local onde ficavam hospedados todos os que conhecera até então.

Assim que chegou, Shalnark veio correndo em sua direção com o mesmo sorriso de sempre. Após Kuroro ter decidido ensinar aos dois a ler e escrever, Shalnark passou a ficar de prontidão todos os dias à espera da companheira de estudos. Quando a avistava, não perdia tempo de correr em sua direção, mesmo sendo ignorado por ela todas as vezes.

– Ei Maia, o que será que vamos aprender hoje? – perguntou o garoto com empolgação.

A garota devolveu o olhar para o garoto antes de continuar seu caminho até a pequena casa a sua frente. Apesar de já ter aprendido a se sociabilizar melhor, Maia ainda não conseguia entender o comportamento do pequeno colega. Porque ele sempre esperava por ela? Porque sempre a recebia assim, mesmo sendo ignorado todas as vezes? Ela simplesmente não entendia aquilo. Antigamente, a garota nem cogitaria pensar sobre isso, ela apenas o ignoraria e esqueceria o fato. Porém agora, parece que com o desenvolvimento de seu aprendizado, começou a surgir também interesse em tentar entender, mesmo que o mínimo, do comportamento humano e suas motivações.

Em certo dia, quando chegava para mais uma de suas aulas, Maia surpreendeu Kuroro lendo um daqueles objetos retangulares. Percebendo que ela estava o observando, Kuroro perguntou a ela se gostaria de saber sobre o que ele estava lendo, obtendo a resposta prontamente com o balançar de cabeça afirmativo da garota.

– Esse livro fala sobre as pessoas e como elas se relacionam. Explica sobre os sentimentos. – respondeu ele

– O que é sentimentos? – indagou a garota

– O que são sentimentos, seria o correto Maia. – corrigiu ele – Bom, sentimentos são aquelas sensações estranhas do nosso corpo em relação a algum acontecimento específico – concluiu ele.

–Não entendi – respondeu a garota.

– Hmmm...por exemplo: alguém te bate, você pode sentir raiva, ódio ou tristeza. Raiva, ódio ou tristeza são sentimentos, e você apanhar é o acontecimento. Entendeu?

– Não.

– Quando alguém te bate, o que você sente? Digo, no seu corpo? – perguntou ele pacientemente.

– Nada- respondeu ela normalmente

– Como nada? Você não tem vontade de bater nele de volta? Não fica triste por isso? – perguntou ele curioso

– Não. O forte pode bater e o fraco deve apanhar. Acabou. – concluiu a garota sem titubear

Kuroro pareceu refletir sobre a declaração da garota. Seria possível alguém não demonstrar nenhum tipo de reação aos acontecimentos externos? Não. Mesmo que a pessoa tenha “perdido” certos sentimentos, alguns sempre iriam existir, pois se trata de algo inerente ao ser humano. Mesmo que alguém não sinta amor, sentirá ódio. Se não puder mais sentir alegria, sentirá tristeza. O que Maia estava contando era algo completamente intrigante aos ouvidos de Kuroro.

– Maia? – chamou ele

– Hm

– Sempre que acabarem as aulas, vou ler para você sobre os sentimentos. – propôs Kuroro

– Ta bom – concordou a garota mecanicamente.

Desde então Kuroro tem explicado vagarosamente sobre os sentimentos à Maia. A garota apresentou muito dificuldade em entender os conceitos, uma vez que não conseguia sentir na prática. Percebendo isso, Kuroro passou a andar com ela por Ryuuseigai . Mesmo a garota não podendo sentir, podia observar como normalmente as pessoas reagiam a determinadas situações. Pôde observar um ataque de fúria de um homem ao perceber que havia sido roubado, pôde observar o ódio e o ciúmes estampado no rosto de um garoto ao ver o amigo de mãos dadas com uma menina, pôde observar a tristeza de uma garotinha ao ver seu gato ser morto por um bando de garotos arruaceiros, pôde observar o alivio no rosto de uma mãe ao conseguir comida suficiente para alimentar seus filhos. Enfim, pôde observar diversas pessoas demonstrando diversas reações as situações ao seu redor.

A garota aos poucos começou a se questionar sobre o porquê de não conseguir reagir desta maneira. Na verdade, a única vez que agiu por conta própria foi no dia em que resolveu seguir Kuroro e Franklin, aparentemente curiosa com a ação dos dois, mas concluiu que aquilo não havia passado de um impulso instintivo. Em uma determinada manhã, enquanto andava pelas vielas de Ryuuseigai, perguntou a Kuroro sobre esse pensamento que estava lhe atormentando.

– Você foi bem domesticada. Não sei como funcionam as coisas de onde você vem, mas pelo que pude concluir, a pessoa que te criou fez bem o papel de excluir completamente sua capacidade de questionamento, e dessa forma você apenas reage como lhe foi ensinado, sem pensar sobre isso – respondeu ele

Percebendo que a garota estava pensativa, continuou:

– É mais fácil controlar um robô do que um ser humano, você programa ele para obedecer a uma ordem e ele apenas executa. Um ser humano, por mais que acabe executando a ordem, vai refletir sobre isso...porque ele pediu isso? O que ele quer com isso? Se eu não fizer, o que acontecerá? – respirou profundamente antes de continuar – Depois disso, pode começar a surgir outros pensamentos ainda mais profundos, e esses pensamentos podem ou não gerar conflito na pessoa. Imagine tal situação: você recebe a ordem de matar alguém. Um robô apenas faria o trabalho e ponto. Um ser humano poderia questionar isso, e sendo um ser pensante, pode se tornar um problema àquele que comanda. Entendeu?

– Revolta? – perguntou ela

– Sim, é uma das reações válidas. Pode ser que comece a crescer um ódio profundo na pessoa e então ela comece a arquitetar um plano para sabotar seu algoz. Claro, se aquele que detém o poder for muito poderoso, não importa o quão revoltado o subordinado esteja, ele não poderá fazer nada. – deu uma pausa e voltou seu olhar para ela — Agora o que fizeram com você é realmente intrigante. Imagino que desde que você nasceu essa pessoa deve ter te minado com essa idéia de que o forte tem o direito de exercer sua vontade contra o fraco, e ao mesmo tempo deve ter te privado de qualquer contato com o mundo externo. Assim, você aceitaria como verdade universal que obedecer é a única opção e não refletiria sobre isso, uma vez que não haveria como questionar a lei da natureza. Não imagino outra forma de conseguir produzir tamanha indiferença. – disse ele refletindo

– Só saio quando precisam de mim para uma tarefa. – respondeu ela.

– Foi o que eu imaginei. Você é talentosa na arte de identificar objetos de valor, mesmo que pareçam apenas um amontoado de lixo para os demais

– Sou boa em construir coisas, por isso sei o que é bom para usar e o que não é – disse ela.

– Entendo. Porém agora você tem mais sabedoria e pode refletir sobre seus pensamentos e decisões. Mas vou te aconselhar a ter cuidado com isso, pois podem começar a perceber mudanças em você, e isso poderá te colocar em perigo – Disse ele seriamente — Bom, vamos voltar, se não você não vai conseguir chegar antes daqueles dois que sempre te trazem, e imagino que isso causaria muitos problemas pra você, não é mesmo?

– Sim.

Com Shalnark em seu encalço, Maia adentrou o barraco. Como sempre, Kuroro estava entretido em sua leitura, enquanto os demais presentes se ocupavam com outras tarefas. Naquele instante apenas Pakunoda e Machi estavam no local. Enquanto executavam seus afazeres, conversavam sobre determinadas pessoas que Maia não conhecia, um homem do qual elas chamavam de Phinks e outro de Feitan. Decidindo ignorar a conversa, marchou em direção à seu professor.

– Você demorou – disse ele sem tirar os olhos do livro.

– Achei isso – respondeu ela entregando o objeto encontrado mais cedo no lixão.

Kuroro voltou por fim sua atenção a garota que segurava o objeto retangular.

– Me deixa ver – pediu ele esticando as mãos em direção a ela.

Maia entregou o objeto à Kuroro e esperou o mesmo se pronunciar. Shalnark, que observava tudo com muito curiosidade, se aproximou ainda mais dos dois.

– Isso é um caderno. Fico surpreso por você ter achado esse tipo de coisa quase que intacta. O único problema é que possui poucas páginas, pelo que vejo sobraram apenas 10 páginas. – respondeu ele

– Uauuuu. Deixa eu ver, deixa eu ver?! – pedia Shalnark com sua habitual empolgação.

– É melhor guardarmos isso, podemos usá-lo mais pra frente. – respondeu ele decepcionando o pequeno garoto.

Kuroro marchou em direção a um canto do barraco e colocou o caderno cuidadosamente ao lado de uma pilha de trapos, embrulhando-o para protegê-lo ainda melhor.

– Esse objeto serve para escrevermos, vou utilizá-lo em outra ocasião. Agora vamos ao que interessa.

Assim os três marcharam em direção a saída do barraco para mais uma aula.

Notas finais
Isso ai galera! Novamente me desculpem pelo atraso! Espero que estejam curtindo. Qualquer opinião ou queixa será bem vindo! Até a próxima.