Stronger than Death
1 Prólogo: O dia em que tudo mudou
Pela primeira vez em sete anos consegui uma folga no dia do meu aniversário, hoje completaria vinte e nove anos. Peguei o meu carro, despedi-me de alguns colegas de trabalho e dirigi até a casa em que nasci, uma viagem rápida com o trânsito fluído que se tornou uma longa viagem por conta do tráfico pesado, ocasião excepcional para a data e o horário.
Dizia um breve adeus para o quartel general de Atlanta e um olá para a minha querida família e a fazenda onde cresci. Quando chego nos perímetros da fazenda de meu pai uma sensação nostálgica me atinge, a aceito de braços abertos, permitindo que a calmaria de estar no interior invada o meu coração, tranquilizando a minha mente. Sentia-me em casa, feliz.
Não via a minha família há muito tempo, o Exército exige demais, a presença dos tenentes em reuniões e treinamentos são essenciais. Vivia ocupada, cheia de afazeres: academia, escoltas, treinos, salas de reuniões, etc.
Beth, minha irmã mais nova é a primeira a aparecer na varanda, me recebendo com certa estranheza. Admito que estava diferente, meu cabelo escuro estava mais comprido, raspado nas laterais, meu corpo estava esculpido, musculoso. Havia deixado o visual de garota inocente de interior para fazer jus ao meu cargo como tenente.
Não fico surpresa com a sua reação.
— É mesmo você, Chris? — ela pergunta, confusa
Saio do carro e sorrio enquanto tiro os óculos de sol.
— Também senti saudades, mana!
A loirinha corre na minha direção para me abraçar, praticamente pulando em cima de mim, fazendo com que eu me desequilibre e quase caio no chão. Beth estava muito maior do que da última vez que a vi, não era mais a criança de antes, estava uma adolescente alta e magricela.
— Chris?! — a voz de Maggie ecoa da varanda até os meus ouvidos.
A irmã do meio avança em minha direção, me abraçando com força. Agora eu estava com elas, a razão de todo o meu esforço no Exército. Queria proporcionar a elas uma ótima vida, não que meu pai ganhe pouco, mas desejo que as duas possam ir para faculdade, algo que não fui capaz de fazer. Quero que as duas sejam mulheres bem sucedidas na vida.
— Feliz aniversário! — elas falam em uni som.
— Meninas! Para dentro! Agora! — a voz de meu pai soa triste, preocupado.
Sua expressão facial indicava tudo: estava com medo.
— Oi para você também, pai — retruco me aproximando dele, estranhando a sua rigidez.
Assim que entro vejo alguns conhecidos do meu pai sentados na nossa sala de estar, cada um em uma poltrona, em silêncio encarando a TV, todos perplexos.
Travados.
— “Pedimos para que todos permaneçam em suas residências. Por favor, evitem contato com as ruas… Os mortos andam…” — a transmissão do jornal é cortada.
Sinto meu coração parar de bater.
Esqueço como se respira.
Os mortos agora andam?
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