Strong bond
1 Nada é por acaso
Notas iniciais
Sem muita vontade, suspirei e virei a maçaneta da porta. Me deparei com sete homens papeando, sentados em um sofá em formato meia lua. Todos possuíam o típico físico oriental, o que lhes diferenciava era o tom de cabelo, alguns traços físicos e a estrutura do corpo. Porém não tive interesse em observa-los mais afundo. Olhei ao redor um tanto receosa, afinal de contas, por que só havia homens naquele lugar? Onde estavam as meninas?Afinal de contas eu só aceitei ir ao goukon, um encontro que parece ser comum aqui no oriente, devido as minhas colegas de trabalho insistirem de não terem número suficiente de mulheres para o encontro com os homens. E cá estou eu aqui sozinha e a única representante do meu gênero. "Será que é normal mulher se atrasar nos encontros? Afinal sou a única que cheguei no horário. E os japoneses não tem o costume de se atrasarem. Enfim..."Ao final decidi agarrar-me a coragem e questionei:—É aqui o goukon*? )Um dos homens, o que aparentava ser mais "descolado" do grupo, me analisava um tanto curioso ao me ver, provavelmente não pelo fato de me conhecer. Em contrapartida logo mostrou-se cooperativo e retornou:—Isso mesmo.Os outros apenas o observaram em silêncio. Uma interrogação formou-se em minha cabeça. Como se uma energia estranha rondasse. A única coisa que queria naquele momento era que as meninas chegassem logo, eu não sei lidar bem com uma situação dessas quando estou sozinha. Observei em volta sem saber o que fazer primeiro e notei o homem que tinha me respondido anteriormente fazer um gesto para que eu sentasse.Em resposta automática me acomodei na ponta do sofá, próximo de um dos homens.—Qual deles te interessou? Huum? – Perguntou o mesmo que fez o gesto para mim. Senti minha sobrancelha arquear com aquele tom sarcástico dele.Afinal de contas aquela atitude dele se mostrava típica de homens que eu não me dava bem. Ou melhor dizendo, me irritavam facilmente. Antes que eu retrucasse a curiosidade dele meus olhos curiosos instintivamente rodeavam o grupo de homens. E devo admitir que muitos deles não eram de se jogar fora, os outros eram aceitáveis. Minha visão por fim repousou em um jovem, da parcela dos não eram de se jogar fora, que demonstrava estar um pouco acanhado, sem saber muito bem como agir. Nesse momento senti um sentimento de união, já que eu também não estava me sentindo a vontade ali. Apesar que, havia uma grande possibilidade de nossos motivos de estarmos se sentindo daquela forma serem diferentes, afinal não o conhecia.—Já entendi... é tímida, não é?! — concluiu o homem que tinha se dirigido a palavra anteriormente, me arrancando de meus pensamentos.Respondi com um sorriso levemente forçado, quase como uma confirmação a pergunta. Assim ele não iria me forçar a papear com ele, o que eu odeio que façam.Ele me contemplou com um olhar investigativo. Achei melhor fingir que estava distraída, olhando o ambiente, cheguei a conclusão de que aquela era a típica sala de privada um karaokê comum.Até que, ele pediu para um dos rapazes o catalogo de músicas. Foliou as paginas com olhos ágeis e pareceu encontrar o que queria, fincando o olhar e esboçando um sorriso satisfeito.Olhei para meu celular na esperança de contatar alguma das meninas atrasadas, porém para meu espanto a bateria descarregou. Havia me esquecido de carregar antes de sair, um péssimo velho hábito que levo em mim todo santo dia. Sempre esqueço algo quando saio de casa. Levei um sobressalto quando reparei algo frio sendo encostado em minha mão.Olhei o objeto em minha mão e levantei a cabeça para visualizar quem deu o microfone. A mesma pessoa que tinha me dado atenção desde que cheguei estava se pondo ao me lado em pé, me contemplando de cima com uma expressão de quem estava apreciando toda a situação.Se tinha uma coisa que eu não gostava de fazer na frente de estranhos era cantar, mas com pessoas próximas eu cantava como se não houvesse amanhã. Com estranhos a situação era bem diferente. Estava prestes a arranjar uma desculpa para não ter que cantar quando, quase como se adivinhasse o que eu estava prestes a fazer, o homem que me encarava falou ao microfone:—Pessoal! Prestem atenção aqui um minutinho!! Vocês terão a honra de presenciar um dueto entre MIM e a nossa especial convidada! – Ele apresentou como um maestro de cerimônias.Se tem uma coisa que não gosto é que eu seja obrigada a ser a atenção na frente de estranhos. Uma vez que o embrulho no estomago comece não há o que o faça parar até que eu esteja completamente só...a não ser um... não, vários copos de bebida.E foi o que aconteceu...antes de me lançar na cantoria, bebi alguns poucos copos de cerveja e arranquei o microfone da mão do meu novo parceiro de música. Senti meus dedos firmes no metal gelado, inalei mais oxigênio do que o usual e a coragem elevou como adrenalina em meu corpo. Por sorte era familiar com a canção que o homem tinha escolhido para nós.Bom, após a cena que esbanjei junto com meu parceiro, que se levou junto, posso afirmar que os outros ao redor se mostraram mais a vontade com a minha presença. A conversa e os risos se elevaram, junto com as bebidas e comidas que iam dando vez na mesa. Eu e meu parceiro nos sentamos no sofá, dando vez para outra dupla cantar. Ele, por vez, me ofereceu para pegar algo para comer. Aceitei contente a oferta, afinal minha barriga alojava uma lombriga que nunca esta satisfeita com o que eu oferecia.Levantei o olhar me sentindo menos tímida ao grupo diante de mim, até que, para minha surpresa, não! Surpresa era uma palavra simplória diante do que senti naquele momento. Vislumbrei a minha frente e ao redor uma cena que sinceramente não esperava que se sucedesse, não ao que deveria ser o curso normal daquela noite. No próximo dia, quando eu der de cara com as minhas amigas, que me deram o bolo, vou ter a certeza, alem de ouvirem um monte pelo o que me fizeram, de não me esquecer de avisá-las de terem mais cuidado na próxima vez que forem selecionar as pessoas para um goukon.Afinal, do que adiante chamar homens, futuros interesses, para um goukon se, só porque as mulheres estavam ausentes, assim concluo, excluindo a mim, decidem continuar com o goukon e mudar seu alvo para o gênero oposto?Sim, porque ou a bebida resolveu brincar com os meus sentidos ou eu estava cansada demais para acreditar que diante de mim os homens daquele grupo estavam literalmente “se pegando”. Até o rapaz tímido que reparei anteriormente parecia estar recebendo charme do homem ao seu lado. Meu parceiro de musica também parecia ter entrado no clima e beijava um cara do grupo . Ele deve ter notado que eu deveria estar com uma expressão atordoada, pois dirigiu o olhar para mim e falou:—Demorou para escolher seu parceiro, agora perdeu sua vez. – Comentou ele com um sorriso matreiro pendendo para o lado e então voltou-se a beijar o outro.Meus olhos se arregalaram até dizerem basta e pensei comigo mesma naquela hora: “Aonde fui me meter!?”Sem muita vontade, suspirei e virei a maçaneta da porta. Me deparei com sete homens papeando, sentados em um sofá em formato meia lua. Todos possuíam o típico físico oriental, o que lhes diferenciava era o tom de cabelo, alguns traços físicos e a estrutura do corpo. Porém não tive interesse em observa-los mais afundo. Olhei ao redor um tanto receosa, afinal de contas, por que só havia homens naquele lugar? Onde e
arece ser comum aqui no oriente, devido as minhas colegas de trabalho insistirem de não terem número suficiente de mulheres para o encontro com os homens. E cá estou eu aqui sozinha e a única representante do meu gênero. "Será que é normal mulher se atrasar nos encontros? Afinal sou a única que cheguei no horário. E os japoneses não tem o costume de se atrasarem. Enfim..."
Ao final decidi agarrar-me a coragem e questionei:
—É aqui o goukon*? )
Um dos homens, o que aparentava ser mais "descolado" do grupo, me analisava um tanto curioso ao me ver, provavelmente não pelo fato de me conhecer. Em contrapartida logo mostrou-se cooperativo e retornou:
—Isso mesmo.
Os outros apenas o observaram em silêncio. Uma interrogação formou-se em minha cabeça. Como se uma energia estranha rondasse. A única coisa que queria naquele momento era que as meninas chegassem logo, eu não sei lidar bem com uma situação dessas quando estou sozinha. Observei em volta sem saber o que fazer primeiro e notei o homem que tinha me respondido anteriormente fazer um gesto para que eu sentasse.
Em resposta automática me acomodei na ponta do sofá, próximo de um dos homens.
—Qual deles te interessou? Huum? – Perguntou o mesmo que fez o gesto para mim. Senti minha sobrancelha arquear com aquele tom sarcástico dele.
Afinal de contas aquela atitude dele se mostrava típica de homens que eu não me dava bem. Ou melhor dizendo, me irritavam facilmente. Antes que eu retrucasse a curiosidade dele meus olhos curiosos instintivamente rodeavam o grupo de homens. E devo admitir que muitos deles não eram de se jogar fora, os outros eram aceitáveis. Minha visão por fim repousou em um jovem, da parcela dos não eram de se jogar fora, que demonstrava estar um pouco acanhado, sem saber muito bem como agir. Nesse momento senti um sentimento de união, já que eu também não estava me sentindo a vontade ali. Apesar que, havia uma grande possibilidade de nossos motivos de estarmos se sentindo daquela forma serem diferentes, afinal não o conhecia.
—Já entendi... é tímida, não é?! — concluiu o homem que tinha se dirigido a palavra anteriormente, me arrancando de meus pensamentos.
Respondi com um sorriso levemente forçado, quase como uma confirmação a pergunta. Assim ele não iria me forçar a papear com ele, o que eu odeio que façam.
Ele me contemplou com um olhar investigativo. Achei melhor fingir que estava distraída, olhando o ambiente, cheguei a conclusão de que aquela era a típica sala de privada um karaokê comum.
Até que, ele pediu para um dos rapazes o catalogo de músicas. Foliou as paginas com olhos ágeis e pareceu encontrar o que queria, fincando o olhar e esboçando um sorriso satisfeito.
Olhei para meu celular na esperança de contatar alguma das meninas atrasadas, porém para meu espanto a bateria descarregou. Havia me esquecido de carregar antes de sair, um péssimo velho hábito que levo em mim todo santo dia. Sempre esqueço algo quando saio de casa. Levei um sobressalto quando reparei algo frio sendo encostado em minha mão.
Olhei o objeto em minha mão e levantei a cabeça para visualizar quem deu o microfone. A mesma pessoa que tinha me dado atenção desde que cheguei estava se pondo ao me lado em pé, me contemplando de cima com uma expressão de quem estava apreciando toda a situação.
Se tinha uma coisa que eu não gostava de fazer na frente de estranhos era cantar, mas com pessoas próximas eu cantava como se não houvesse amanhã. Com estranhos a situação era bem diferente. Estava prestes a arranjar uma desculpa para não ter que cantar quando, quase como se adivinhasse o que eu estava prestes a fazer, o homem que me encarava falou ao microfone:
—Pessoal! Prestem atenção aqui um minutinho!! Vocês terão a honra de presenciar um dueto entre MIM e a nossa especial convidada! – Ele apresentou como um maestro de cerimônias.
Se tem uma coisa que não gosto é que eu seja obrigada a ser a atenção na frente de estranhos. Uma vez que o embrulho no estomago comece não há o que o faça parar até que eu esteja completamente só...a não ser um... não, vários copos de bebida.
E foi o que aconteceu...antes de me lançar na cantoria, bebi alguns poucos copos de cerveja e arranquei o microfone da mão do meu novo parceiro de música. Senti meus dedos firmes no metal gelado, inalei mais oxigênio do que o usual e a coragem elevou como adrenalina em meu corpo. Por sorte era familiar com a canção que o homem tinha escolhido para nós.
Bom, após a cena que esbanjei junto com meu parceiro, que se levou junto, posso afirmar que os outros ao redor se mostraram mais a vontade com a minha presença. A conversa e os risos se elevaram, junto com as bebidas e comidas que iam dando vez na mesa. Eu e meu parceiro nos sentamos no sofá, dando vez para outra dupla cantar. Ele, por vez, me ofereceu para pegar algo para comer. Aceitei contente a oferta, afinal minha barriga alojava uma lombriga que nunca esta satisfeita com o que eu oferecia.
Levantei o olhar me sentindo menos tímida ao grupo diante de mim, até que, para minha surpresa, não! Surpresa era uma palavra simplória diante do que senti naquele momento. Vislumbrei a minha frente e ao redor uma cena que sinceramente não esperava que se sucedesse, não ao que deveria ser o curso normal daquela noite. No próximo dia, quando eu der de cara com as minhas amigas, que me deram o bolo, vou ter a certeza, alem de ouvirem um monte pelo o que me fizeram, de não me esquecer de avisá-las de terem mais cuidado na próxima vez que forem selecionar as pessoas para um goukon.
Afinal, do que adiante chamar homens, futuros interesses, para um goukon se, só porque as mulheres estavam ausentes, assim concluo, excluindo a mim, decidem continuar com o goukon e mudar seu alvo para o gênero oposto?
Sim, porque ou a bebida resolveu brincar com os meus sentidos ou eu estava cansada demais para acreditar que diante de mim os homens daquele grupo estavam literalmente “se pegando”. Até o rapaz tímido que reparei anteriormente parecia estar recebendo charme do homem ao seu lado. Meu parceiro de musica também parecia ter entrado no clima e beijava um cara do grupo . Ele deve ter notado que eu deveria estar com uma expressão atordoada, pois dirigiu o olhar para mim e falou:
—Demorou para escolher seu parceiro, agora perdeu sua vez. – Comentou ele com um sorriso matreiro pendendo para o lado e então voltou-se a beijar o outro.
Meus olhos se arregalaram até dizerem basta e pensei comigo mesma naquela hora: “Aonde fui me meter!?”
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