Strani Amori
15 Un misto tra incanto e dolore Ripenso a quando ho
Notas iniciais
Quando desceram, riram de Leonardo dormindo jogado no sofá com um canal de desenhos ligado. Aquele garoto era muito estranho.
Enquanto Mic comia seu café da manhã preparado por Ticiano(Já que Berta não estava), o maior ainda parecia preocupado com Raffael, que, levando em conta sua reação na noite anterior ao ver o casal se pegando, deveria estar enchendo a cara. O problema de ter dito isso para o loirinho foi que ele tomou as dores de Raffael como sua responsabilidade, por mais que o mais velho lhe dissesse que era normal o que ele e Leonardo tinham feito, afinal, além de estarem namorando, era uma situação que os levaria muito fácil aquilo.
— É, ele deve estar bebendo... – murmurou terminando de comer e se levantando para sair da cozinha, tinha algo em mente – Vamos ligar pra ele.
Pouco antes de Mic chegar à porta, Leo a abriu um tanto raivoso, perguntando o que estavam fazendo com os fuzis dos olhos apontados para o outro moreno. O dono da casa lhe disse, mas ele se virou bufando bastante irritado, saindo da cozinha. Mic não entendeu o porquê.
Ticiano achou até fofo, apesar de preocupante, a ingenuidade de Mic, como seria o futuro desse casal?
— Ele quer passar um tempo com você... só com você. – suspirou – E eu e o Raffa não deixamos vocês sozinhos desde sexta.
Mic ficou sem graça, mas ainda assim ligou para a casa de Raffa, o único número que tinha, e uma mulher atendeu. Pediu, educadamente, o celular de Raffa, que, depois de saber quem queria falar, foi dado prontamente pela mãe dele, que ficou realmente animada por finalmente poder falar com o ‘tão comentado Michelangelo’. Só aí pode, finalmente, ligar para o mais novo, que atendeu consideravelmente rápido, levando em conta sua voz um tanto alterada e a suposta pessoa que parecia “mexer” nele.
Perguntou quem era, afinal, não tinha salvo o telefone do loiro.
— Onde você ta, Raffa? – Michelangelo teve certeza de que seu amigo estava realmente bebendo.
— MIC! — Raffael quase emanou corações pelo telefone de tão feliz. De fato, Mic teve que afastar o telefone da orelha por um instante — O que foi? — perguntou depois de xingar a pessoa que estava com ele onde quer que ele estivesse.
— Vem pra cá agora! — Mic fingiu pânico, o que confundiu tanto Raffa quanto Tici.
— O que aconteceu?! — a preocupação era evidente até mesmo pelo telefone.
— Vem LOGO pra cá! — Mic gritou e desligou o telefone.
Ticiano o encarou confuso, afinal, que porra tinha sido aquilo?
Saíram da cozinha. Leo estava sentado no sofá bastante irritado, olhando, sem prestar atenção, para a TV ligada, então Mic simplesmente o abraçou por trás e, quando este foi reclamar, tomou seus lábios, passando para a parte da frente do sofá. Ticiano se sentiu uma vela enorme enquanto os outros dois se beijavam, então tomou o controle da TV e colocou num canal de documentários.
O menor cortou o beijo sem graça, não gostava de fazer os outros se sentirem castiçais, então saiu de cima de Leo se sentando ao seu lado.
Passaram-se menos de dez minutos para que Raffael entrasse pela porta ofegante, gritando por Mic.
Todos o olharam interrogativamente, como Mic havia orientado, não entendendo por que ele estava ali.
— Oi Raffa... – Mic o olhava com uma confusão absurdamente falsa, mas como o garoto estava bêbado, não teriam problemas com essa parte. – o que houve?
Raffael segurou nos ombros do amigo absurdamente agitado, preocupado, assustado e muitos outros “ados”, o chacoalhando.
— VOCÊ ME CHAMOU AQUI!
Mic negou, disse que nem falara com Raffael naquele dia.
O mais novo dos quatro queria protestar, mas a mistura de bebida, cansaço por ter corrido e a insônia da noite passada o fizeram desmaiar ali mesmo, tendo só visto Ticiano se levantando para o segurar antes que caísse de vez nos braços de Morfeu.
O loirinho sorriu vitorioso, um tanto sinistro, provocando um certo arrepio nos mais velhos. Ticiano ajeitou o desacordado em seu colo para depois levá-lo ao quarto de Mic, o depositando na cama e dando-lhe um beijo na testa antes de voltar para o andar de baixo.
— E agora? –perguntou curioso, até onde ia o plano de Michelangelo?
— Agora é só esperar ele acordar e deixá-lo mais confuso. – Incrível como dava medo aquele loirinho sorrindo daquela forma.
— Seu namorado é quase um James! – Ticiano disse para Leo, rindo, enquanto se sentava no mesmo lugar que estava antes. – Daqui a pouco mata o Raffa!
— PELO AMOR DE DEUS TICIANO! Menos Crepúsculo! – além de não ser fã da série, o fato de Ticiano e Raffael estarem ali de novo o incomodava, deixando-o com um humor tão simpático quanto um mamute tendo um filho é com um leão.
— Pelo amor de Deus, Leo! Menos cu doce!
Mic se sentou entre os dois, mandando-os calarem as bocas se não os mandava para fora. Não é preciso ser muito inteligente para saber que seu namorado ficou de pior humor ainda, por mais que, no fundo, estivesse curioso com o que aconteceria quando Raffael acordasse, o que não demorou muito.
O garoto dos olhos verdes praticamente rolou a escada depois de escancarar a porta do quarto de Mic com força. Parecia muito perturbado.
— Raffa?! – Mic se levantou fingindo susto – Por onde você entrou?!
— Você me chamou e eu... — os olhos verdes estavam arregalados, passando a todos o pânico e confusão que a situação provocava no garoto. Ele realmente não estava entendendo o que estava acontecendo — Eu não lembro...
— Eu muito menos! — o pequeno exclamou — Por onde você entrou?!
Raffael piscou sem parar, tentando entender aquilo tudo. Sentiu suas pernas tremerem e resolveu se sentar antes que caísse. Sua cabeça latejava e ele sentia o mundo balançar como num barco em alto mar.
— O que tá acontecendo? — agora quem vinha em direção ao ser confuso era Ticiano, que lhe exibia um preocupação verdadeira no olhar. Sabia que Raffa ainda estava meio bêbado — Raffa, você está cheirando a cerveja. Você tava bebendo?
Raffael sabia que o mais velho desaprovaria sua fraqueza novamente, então negou, por mais que o tremor de sua voz o denunciasse. Viu-se no foco dos olhos azuis que pareciam desapontados para ele, e sentiu algumas lágrimas se formando. Negou novamente, mas os olhos azuis lhe pareceram mais irritados, por mais que Ticiano só estivesse preocupado. Deixou finalmente as lágrimas escaparem, pedindo, quase num grito, para que Ticiano não ficasse bravo com ele, pedindo que ele tentasse entender por que ele precisava beber.
O mais velho o abraçou suspirando.
— E vai acabar invadindo o quarto do Mic enquanto alheio às suas ações? Imagina se não fosse o Mic, e sim um tarado? — Ticiano estava perturbado com aquele choro, vê-lo assim não lhe fazia bem.
— Michelangelo e tarado não são sinônimos? – Leo riu, tentando amenizar o clima – Acordei com ele em cima de mim!
Mic foi o único atingido pelo comentário, se sentindo envergonhado.
O pequeno dos cabelos castanhos ainda estava assustado, agarrado ao abraço do mais velho, pedindo desculpas e prometendo que não iria mais beber sozinho. Não estava nem pensando no que falava, por mais que provavelmente fosse descumprir o que havia dito, primeiro por que talvez não fosse se lembrar mais tarde e depois por que não chamaria Ticiano se brigasse com ele, o que seria bem fácil de acontecer.
— Quer que eu vá com você da próxima vez? – Ticiano afastou o abraço, limpando as lágrimas do rosto do pequenino com um sorriso de leve no rosto. Só não sabia dizer se sorria para acalmar a si ou a Raffael.
— Sim! – sorriu um tanto infantil, Ticiano não parecia mais bravo então estava tudo bem – Aí eu não acordo na casa de outro tarado!
Leo, do sofá, começou a gargalhar, apontando para o namorado para deixar bem claro que ria dele. Mic pulou em cima dele para tampar sua boca com as duas mãos, quase o deixando sem ar.
— Raffa, não é melhor você ir pra sua casa? – o loiro tentava fazer outro tom de preocupação, mas a vontade de rir fez-lo sorrir. – O Tici te leva, ok?
Os dois se entreolharam, trocando um sorriso que Michelangelo não conseguiu classificar.
Assim que os dois saíram da casa, Leo afastou as mãos de Michelangelo de seu rosto de puxou-o brutamente para beijá-lo brevemente. Jogou o garoto no chão de costas, ficando por entre as pernas dele.
- Já ajudou bastante. Agora você é meu. — e juntou os lábios novamente, necessitado. Desta vez um beijo mais afobado, animal.
Aquilo era estranho para o pequeno Michelangelo. Dois neses atrás era hetero. Dois meses trás odiava aquele garoto que lhe era tão especial agora. Também não conhecia dois de seus atuais melhores amigos e nem se lembrava de Agnes. Mas a coisa mais estranha era como ele tinha passado a se entregar àquele moreno.
Leo praticamente arrancava a camisa do menor fora quando o celular deste começou a tocar uma música barulhenta. O mais velho queria ignorar, mas o outro empurrou-o para falar.
- Tenho aula... — Mic murmurou desanimado.
- Mata. — Leo disse simplesmente. Queria Mic para ele. Naquele momento, naquele lugar.
- Não! — parecia ofendido. Matar aula era o mesmo que um assalto para ele — É só uma hora, Leo. Você pode vir comigo tá? — deu um selinho no maior, se levantando. Vou tomar um banho. — subiu as escadas de dois em dois degraus.
Em menos de 5 minutos, Mic já estava de volta, os cabelos molhados, presos num rabo de cavalo e, pela primeira vez na frente de Leo, com um shorts.
- Que fofo... — Leo fora interrompido por um Michelangelo desesperado mandando-o trocar de roupa, já que estava com a mesma roupa a mais de 24 horas. Mic recebeu um olhar incrédulo de resposta, e logo ameaçou ir sem o namorado se ele demorasse. Leonardo só obedecera por medo daquela aura maligna que o namorado exalava quando estava nervoso, que dava até mais medo que a de Berta, com direito à olhos brilhantes e o cabelo da franja loira parecido com chifres. Depois de alguns segundos, o moreno voltou:
- Onde eu arranjo roupas que caibam em mim? — não queria usar as roupas de Mic, já que elas eram muito apertadas para si.
- Mas da outra vez você...
- Eu mal consegui respirar. — riu — Além de baixinho, você é magrelo.
- Ok, vamos pegar roupas do meu pai. — Mic pegou na mão de Leo, irritado, o levando ao quarto dos pais.
Era um quarto luxuoso, para dizer o mínimo. Um cama enorme jazia no canto esquerdo do quarto, milimetricamente arrumada com lençóis claros floridos. Além dos móveis de mogno, tudo num estilo clássico. Mesmo que os pais do pequeno não voltassem para casa já fazia algum tempo, Berta trocava a roupa de cama e as cortinas toda semana, assim como as roupas eram lavadas de tempos em tempos para não ficarem com cheiro de armário.
- Que quarto lindo! — Leo estava prestes a se jogar naquela enorme e confortável cama, quando um só olhar reprovador do namorado o fez pensar duas vezes.
Depois de constatarem que as roupas do pai de Michelangelo eram muito grandes para Leo, e depois do moreno ficar chocado com o fato do pai de Mic ter 1,90 de altura, o loiro suspirou.
- Vamos ter que pegar roupas do Lionardo. — falou, já saindo do quarto.
Um perplexo Leonardo correu atrás dele:
- Quem é Lionardo?! — estava realmente desconfiado.
- Meu irmão mais velho. — o loirinho entrou no quarto, não tão luxuoso quanto o de seus pais, mas ainda assim, luxuoso, falando com desprezo.
- Não sabia que você tinha um irmão! — continuava bobo alegre como sempre.
- Tenho quatro. — abriu o closet do irmão, procurando algo para Leo vestir, sem bagunçar as roupas — Todos eles trabalham tanto quanto meus pais.
- Ah... — teria exclamado que os pais de Mic eram coelhos se ele não tivesse terminado a frase daquele jeito. Sentiu pena dele. A família de Mic nunca estava em casa e isso não era opção dele, como era a sua.
Michelangelo pegou algumas roupas no armário e entregou para Leonardo, que as vestiu. Serviram perfeitamente.
Estavam prestes a sair, quando Mic desceu correndo até a garagem, voltando com um saco que por poucos centímetros não era maior que ele. Leo olhou para aquilo interrogativamente.
- Aula do que mesmo?
- Arco e flecha. — Mic já corria para o ponto de táxi.
- Aula pequeno? — um dos taxistas perguntou simpático. Mic acenou e entrou no carro, fazendo um sinal para que o namorado o acompanhasse — Está atrasado de novo? Quer que eu corra?
- Por favor.
Leo olhou para Mic e para o motorista. Como aquele homem tratava-o com tanta intimidade? E o pior era Mic deixar.
Chegaram rapidamente no clube onde Mic tinhas aulas. O loiro pagou o táxi e puxou Leo para fora, brusco.
- Ele não pode entrar. — o porteiro não cooperava com o tempo.
- COMO ASSIM?! — o pequeno estava bem irritado.
- Você já trouxe uma visita esse mês. Não pode. — o homem já estava acostumado.
- Quem você trouxe? — Leonardo, também não cooperando, fez manha.
- Não é da sua conta! — virou-se novamente para o porteiro, tirando uns 25 euros do bolso e estendendo disfarçadamente para o homem — Não pode mesmo?
- Eu não vi nada, Michelangelo. — o homem tomou as notas da mão do adolescente, guardando no bolso.
- Certo. — Mic sorriu, vitorioso — até mais. — pegou a mão do namorado e saiu correndo para dentro do clube, quase arrastando o maior.
- Quem você trouxe aqui? — o moreno choramingou.
- O Tici. Depois você faz cu doce, agora eu tenho aula. — Mic jogou Leo na arquibancada e abriu a mochila, tirando a bolsa de flechas e o arco, os pondo no ombro para ir junto do grupo, mas antes deu um beijo na bochecha do maior, disfarçando.
Leonardo mantinha uma postura ofendida. Ainda mais sabendo que Ticiano já tinha ido àquele lugar antes dele. Mas no fundo, Leo sabia que o dos olhos azuis só estava cuidando do pequeno. Ainda se lembrava de quando passava algum tempo com Ticiano. Se lembrava, principalmente de como ele era gentil. E Leo tinha saudades dele.
Resolveu parar de pensar e prestar atenção em Mic. O garoto estava concentrado. Já estava no sol a algum tempo, o suor grudava o cabelo do garoto em seu rosto, mas isso não o impedia de acertar o alvo no centro.
Os olhos de Leo brilhavam, Mic era incrível! Estava realmente longe do alvo mais acertava precisamente.
Mic pareceu sentir o olhar do namorado e o fitou por um instante, fazendo uma careta de nojo. “Você está babando!” ele falou, fazendo um gesto limpando sua baba imaginaria, demonstrando o que acabara de falar. Depois sorriu, pegando outra flecha para lançar.
Ao fim do treino o garoto das madeixas mel se despediu do professor e do grupo e foi em direção a Leo, puxando o elástico que prendia seus cabelos.
- Vem, eu vou no... — foi cortado por um abraço apertado no maior.
- Foi lindo! Você tem a maior pose de arqueiro, devia ter sido Legolas! — afastou o abraço, estendendo uma maçã — Consegue acertar na minha cabeça?!
Mic tomou a maça da mão do moreno, pondo-a entre as pernas do garoto.
- Eu miraria aqui. — disse sério e baixo, intimidador — Agora vamos logo que eu estou com fome. — jogou a maçã para o mais velho e pegou sua mochila, guardando o arco e as flechas.
Leonardo estava realmente surpreso. Mic estava mandão. Sua rotina era realmente importante, ou ele ainda estava de ressaca. Ou os dois.
Notas finais
Não é fofo?
Ceeerto, eu to tentando desenhar o Mic com um arco desde MARÇO, mas o braço dele sempre fica pra fora da folha e eu fico xingando MUITO.
Um dia eu consigo.
Desculpem, como sempre, o atraso...
até dia 16 AH, MAIS UMA COISA! querem postagem extra de natal? :) se vocês forem lindos e mandarem reviews a gente pode pensar e -Q to de brinks ;; não vou subornar vocês, mas é que animaria muito a gente a fazer isso... beijinhos
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