Strangler
1 Epílogo
"Nós, seriais killers, somos seus filhos, somos seus maridos, nos estamos em toda parte. E haverá mais uma de suas crianças mortas no dia de amanhã."
(Ted Bundy)
A chuva caía forte, castigando-a. Ela podia sentir seu coração bater forte contra sua caixa torácica e sua respiração sair entrecortada entre seus lábios, enquanto tentava se equilibrar em seus sapatos altos, caminhando pela rua solitária e escura, sentindo seus olhos queimarem por conta de seu rímel já borrado pela água que caía contra o seu rosto. Ela conhecia bem aquela rua e sabia exatamente onde a levaria, então seguiu seu rumo, forçando os pés a caminharem mais rápido, até chegar em frente a um prédio de cores claras e portas de madeira pesada.
Parou para apanhar as chaves de dentro da bolsa, entrando no lugar logo em seguida, respirando fundo e sentindo o ar quente encher seus pulmões, enquanto pairava junto à porta, trancando-a. Ela despiu-se de sua bolsa, sapatos e casaco, colocando-os no chão ao lado da porta, com o corpo ainda rígido pelo frio e pela tensão. Sentia-se sufocada e com uma angústia fora do normal. Precisa de um tempo pra pensar no que acabara de descobrir e aquele era o lugar, ninguém poderia entrar ali, já que a única pessoa que tinha a chave além dela, já não podia mais entrar.
Virou-se para trancar todas as janelas do imóvel rapidamente, parando para olhar a rua escura e solitária que brilhava por conta da umidade da chuva, seguindo para outro cômodo vendo uma silhueta em meio à escuridão. Seu corpo gelou, paralisando-a.
Ela prendeu a respiração, sentindo seu coração se acelerar e suas pernas falharem de pavor. Seu medo tomou mais proporções pelo seu corpo assim que viu a silhueta caminhar em sua direção com um sorriso, descarado, desenhado em seus lábios. Seus olhos a encaravam de forma possessiva, como se quisesse um pedaço dela. Então, ela começou a caminhar para trás, apavorada com a ideia de que pudesse haver menos de um metro de distância que os separavam.
- Não tenha medo, querida. — suas palavras foram pronunciadas num tom de voz suave vindo em sua direção.
- Fique longe mim — Ela pediu com a voz trêmula, denunciando seu nervosismo e medo.
Entretanto, seu pedido não foi atendido e ela viu a distância diminuir ainda mais, então a temperatura baixou bruscamente de uma hora pra outra, tão bruscamente que ela achou que suas pernas não aguentariam mais e que ela iria cair ali a qualquer minuto.
Uma risada abafada, e carregada de maldade, soou no cômodo, fazendo com que o pelo de todo o corpo dela se arrepiasse por inteiro.
- Você matou aquelas pessoas — disparou, quase sem fala.
- Você está certa, eu matei... E, agora eu quero matar você.
A voz soou em meio ao silêncio e um sorriso singelo se formou no seu rosto enquanto ela encarava sua figura majestosa. Ali ela soube que era o seu fim.
Estava encurralada. Tudo tinha acabado. Ela iria morrer ali.
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