Stranger Feelings
7 Bandeira branca
Notas iniciais
POV´S PERCY
Cócegas, fácil e prático. A Arma perfeita para domar uma filha de Atena que deseja te matar. Eu queria não perceber, mas o cheiro dela ficou no meu cobertor. Baunilha e morango.
— Isso é mentira sua. – Jason acusa.
— Ela chegou toda-toda e saiu com o rabo entre as pernas? – Leo me olha pouco convencido. – Por favor cara, quer mesmo que a gente acredite nisso?
— Foi como um feitiço, eu juro. Cócegas são o calcanhar de Aquiles dela.
Eu estava desde ontem à noite tentando convence-los de que Annabeth não me agrediu tanto assim.
— Certo, mesmo que isso seja verdade, como você vai fazer para cortar essa fofoca pela raiz? – Thalia me olha desconfiada.
— Não faço ideia.
Pude avistar o cabelo louro na seção de arco e flecha. Will tentava ensina-la a equilibrar o arco. Sem pensar direito, me levanto e vou até a ela. Consciente de todos olhares sobre mim, até dos xeretas que não estavam no torneio.
— Ei...
Ela se vira na defensiva em minha direção. Will troca olhares entre nós antes de sair rapidinho.
— O que você quer? – Seus olhos cinzentos parecem mais calculistas comigo.
— Olha, eu não tenho culpa de tudo isso, tá legal?
Assim que digo isso, ouço uma multidão de assobios pelo campus.
— Que casalzinho mais lindo! – Clarisse adora botar lenha na fogueira, está entre suas atividades favoritas, depois de complicar minha vida, claro.
Annabeth parece um pimentão. Seus olhos encontram algo por cima de meu ombro. Acompanho seu olhar até avistar um Luke muito sério na seção de lanças.
— Então não complique ainda mais. – A frieza em sua voz me surpreende.
Certo, eu estava tentando ser legal, depois de anos que vivemos nessa rivalidade, eu estava com a bandeira branca. Mas ela continuava a ser arrogante. Isso estava me irritando.
— É por causa do Castellan? – Pergunto ríspido, seu rosto endurece, como se me desafiasse a falar algo além dos limites. – É por isso que você insiste em ser tão...
— Tão? – Seus olhos faíscam. Parece que voltamos ao mesmo ponto do sorteio.
— Tão... tão...
— Desiste Percy. – Ela dá um sorriso vitorioso.
— Tão arrogantemente superior!
Seu sorriso se apaga na hora. Nossa discussão está sendo ouvida por todos. Pisei em área minada, eu sei.
— Como... você ousa?!
Sei que na seção de estratégia, Rachel está sorrindo maliciosa, sinto suas esperanças começando a voltar em relação a mim.
— Superior? Olha só quem fala, Percy Jackson, o astro da Grifinória!
— Olha só você, Annabeth Chase, o cérebro da Corvinal. – Afino a voz para tentar imita-la. — “Ninguém é melhor que eu”.
— Briga de casal! – Alguém de dentro do castelo grita, Annabeth está corada, mas seus olhos estão focados apenas em mim.
— Posso ser arrogante as vezes, mas você é muito pior!
Me sinto ofendido facilmente, mas pior do que ela eu não sou.
— Que droga Chase, será que você não percebe? – Explodo de uma vez, mas as próximas palavras são sussurradas. – Estou com a bandeira branca, quero ser seu amigo poxa, será que você sonsegue largar essa rivalidade?
Ela recua dois passos, como se decidisse se é seguro se aproximar ou não, como se eu fosse dar um bote a qualquer momento.
— Não confio em você. – Ela sussurra quase para si mesma.
— Que vantagem eu teria? Só estou cansado de tudo isso, cansei de odiar você.
Todos em volta se esforçam para ouvir nossa conversa. Vejo várias cores, verde, vermelho, azul e amarelo. Vários enxeridos de várias casas. Mas só consigo focar na gravata azul que ela está usando, mais brilhante do que nunca.
— Digamos que... eu largue essa rivalidade. – O vento agita seu cabelo louro. – Você vai parar de ser tão idiota comigo?
Faço um x no coração. Prometo.
— Certo. – Ela estende a mão para mim.
Dou meio sorriso antes de cumprimenta-la.
— Os pombinhos fizeram as pazes!
O sorriso de Annabeth some e ela afasta sua mão da minha rapidamente.
— Então somos amigos? – Pergunto esperançoso.
— Não somos mais inimigos. – Ela diz com convicção.
Um trovão de furar os tímpanos corta os céus. Troco olhares assustados com ela. Isso foi um manifesto de Zeus, é claro. Um burburinho começa a correr pelos estudantes.
— Parece que os deuses não aprovam a união deles. – O comentário vem de Rachel, é claro, por mais que ela fizesse qualquer coisa para acabar com Annabeth, ela parece estar certa.
Embora não queira parecer convencida disso, Annabeth me dá meio sorriso fraco antes de se distanciar.
E essa é a aliança mais fraca que eu já vi até hoje.
POV´S ANNABETH
Não parecia ser verdade. Zeus não se preocuparia com uma aliança que mal foi feita direito. Mas foi o que aconteceu, aquele trovão não foi por acaso, e justamente acima de nossas cabeças.
O rei dos céus precisaria se preocupar com o corte da nossa rivalidade?
— Acorde, Annabeth.
Me concentro no treinamento de Luke, ele já estava chegando a plataforma de escalada, enquanto eu ainda estava no início.
— Pensando em seu namorado?
Sinto as bochechas esquentarem, Luke não pode acreditar em uma bobagens dessas. Justamente ele.
— Você não acredita nisso, acredita? Sabe que é tudo fofoca, não é?
Luke chega na plataforma enquanto acompanha meu desempenho catastrófico na escalada.
— Sinceramente, não sei. Aquela cena toda na sessão do arco foi bem convincente. Além do mais, não é de hoje que dizem que toda essa repulsa que sentem um pelo outro é resultado do quanto se importam.
Demoro vários segundos para responder. Somente quando chego ao palanque que digo entre dentes.
— Percy e eu somos opostos e nunca iremos ficar juntos. – Meu olhar se focaliza no garoto desleixado na sessão de adagas. – Decidimos não ser mais inimigos por ora, mas eu nunca ficaria com ele.
Luke encara algo no horizonte, parece estar focado nos corredores da escola. Eu poderia me perder durante horas em seus olhos azuis. Mas a serenidade acaba logo.
— Sendo assim, você toparia ir no baile de verão comigo?
Não sei dizer ao certo para onde o oxigênio foi, mas eu fiquei sem ar. Eu nem estava pensando na porcaria do baile, no último, afoguei Rachel no ponche enquanto ela me empurrou na mesa de comidas, tudo isso pelo último copo vermelho.
Veja pelo lado lógico, os copos vermelhos eram coisas de trouxas mortais, eu me sentia um pouco mais normal tomando em um daqueles, me sentia em uma verdadeira festa americana, aparentemente, Rachel se sentia da mesma forma.
— Mas e a Thalia? – Depois dos flashbacks, é a primeira coisa que me ocorre.
Seu rosto endurece e seus olhos se perdem ainda mais no vazio.
— Thalia é da Grifinória, podemos brigar as vezes mas... nunca daríamos certo.
Sinto que meu coração está fazendo polichinelo. Eu nunca imaginaria... nossa, um baile com Luke.
— É claro, vamos nessa. – Tento parecer positiva.
Luke me dá meio sorriso e volta a descer a parede de escalada. Somente mais tarde fui notar que tinha alguém nos olhando nos corredores de Hogwarts, o foco do olhar de Luke. Thalia Grace.
POV´S THALIA
Não que eu estivesse curiosa pelo assunto de Luke e Annabeth, fala sério, eu não estava nem ai. Tinha assuntos mais preocupantes para pensar, como o motivo pelo meu pai ter ficado tão revoltado no entendimento de Percy e Annabeth.
A hora do almoço estava tranquila, até porque Percy não estava tumultuando com Annabeth, aquela aliança pareceu acalmar muito as coisas. Hogwarts não estava parecendo a mesma, a não ser pelas fofocas.
— É uma profecia com eles dois.
— Um está destinado a matar o outro, por isso Zeus ficou tão bravo.
— É uma aposta do Olimpo.
— Eles serão os últimos no torneio, é uma previsão de Apolo.
Eu estava revirando os olhos com tudo aquilo. A rivalidade de Percy e Annabeth sempre foi o foco de Hogwarts, até mesmo Quíron sabia disso, agora essa aliança deles pareceu quebrar o olimpo inteiro.
— A verdade... – Leo começa e coloca um óculos escuro, contrabandeio dos Stoll. – É que tudo isso não vai durar.
Percy fecha a cara e joga um pacote de salgadinho na cara do badboy supremo. Estávamos comendo comida contrabandeada no pátio livre, algo muito arriscado, mas somos destemidos o suficiente para isso.
— Annabeth e eu estamos numa boa, ok? Sei que parece mentira mas...
Como se tivesse sido convocada, Annabeth atravessa o campus perto de nós, uma pilha de livros nos braços. Quando seus olhos nos encontram ela dá meio sorriso, até mesmo para Percy.
— Uau. – Jason comenta.
— Não fique tão surpreso assim. – Piper olha com reprovação para o namorado, tenho que admitir que essa filha de Afrodite me surpreende cada dia mais, está conseguindo colocar meu irmão nos trilhos. – Annabeth é muito legal, de verdade.
— Essa aliança é tão inesperada, que todos estão esperando vocês confessarem que é uma pegadinha. – Miranda Gardner se dirige a Percy, ela ignora a irmã, Katie Gardner, da Sonserina.
— Todos estão esperando eles confessarem que estão namorando. – Silena corrige.
— Todos acham que eles estão namorando. – Digo bem alto e Percy fica corado, Percy nunca fica corado.
O filho de Poseidon deita preguiçosamente pela grama.
— Uma aliança é o suficiente por enquanto.
Todos ficamos surpresos com as palavras de Percy.
— Por enquanto?! – Leo mira o amigo com malicia.
Piper parece desconfortável por estarmos falando da melhor amiga dela, mas Jason a distrai o suficiente com afagos e caricias.
— Então ela é seu próximo alvo. – Quando Leo não obtém resposta, começa a rir. – Seu pescador safado.
O assunto foi fluindo até chegar no baile. Eu estava esperando fazia dias para Luke me convidar, quer dizer, ele é da Sonserina, eu sei. Mas no último baile ele levou a Calipso e eu fui com Grover, como amiga. No final acabamos brigando e Luke disse que me convidaria no próximo.
— Com quem você vai Thalia, já que Luke tem acompanhante?
Sou despertada dos meus sonhos e miro Silena com desconfiança. Acompanhante? Quem?
— O que? – Pergunto revoltada demais, todos me olham com cautela.
— Luke já convidou... uma garota, Thalia. – Piper me informa.
Filho de uma Hera, ordinário. Eu odiava Luke Castellan com todas minhas forças, sonserinos não prestam, fazem promessas vazias e não cumprem. Não gosto dele, nunca gostei, mas de alguma forma, sentia uma conexão estranha.
Me levanto da grama com um salto e me dirijo ao outro lado do campus. Um pessoal da sonserina está as gargalhadas perto dos corredores. Meu alvo está próximo deles, porém isolado.
Era uma besteira, mas eu estava com raiva, e além do mais, é o calor do momento. No fundo, metade da escola sabia que Nico di Angelo é gay, mas ele é minha melhor opção agora.
— Hey Nico. – Cumprimento, ele ergue os olhos do livro que está lendo, há uma leve surpresa em seu rosto pálido.
As conversas do pessoal da sonserina cessam, Luke interrompe a piada dos gêmeos Stoll, sei que seu olhar está focado em mim.
— Oi. – A voz do filho da morte sai rouca.
— Você gostaria de ir ao baile comigo?
Simples e direta, sempre fui assim. Meu comportamento e minhas roupas rebeldes deixavam isso claro. Mas Nico parece surpreso demais.
— Eu.... certo, vamos.
— Ótimo, te vejo lá. – Sorrio com o máximo de simpatia, o baile seria daqui três dias, eu prometo a mim mesma que vou pisar no Luke.
Começo a me afastar pelo campus, os olhos sonserinos colados em minhas costas. Luke levava muito em conta essa rivalidade das casas, no terceiro ano, foi isso que impediu nossa amizade, embora mantemos muito contato depois daquilo.
Dou de ombros e afrouxo mais a gravata vermelha e amarela, balanço a cabeça para meus cabelos se bagunçarem mais.
Sim, eu sou da Grifinória e sim, acabei de chamar um sonserino para ir ao baile.
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