Stranger
17 Rigatona and Cranber. ( especial )
Notas iniciais
Entre os limites do território de Etihw e Kcalb, havia uma pequena viela com lojas e bares.
Era uma área neutra.
Era proibido qualquer tipo de briga naquele lugar.
Etihw e Kcalb odiavam aquele lugar, porquê os anjos e demônios podiam conversar e viver em "harmonia".
Mesmo que fosse só um pouco.
...
Bem, Eu não sou do tipo que alguém queira ficar perto de mim.
As pessoas me olham de cima para baixo como se eu fosse diferente...
Ah... Só porque eu eu tenho espinhos no meu cabelo e nas minhas asas?
— Você é bonita, não fique assim... — dizia Yosaflame dando palmadinhas em meu ombro.
— Prove.
Ele ficou sem reação.
Parecia não saber o que fazer.
— C... Como assim, provar? — ele disse um pouco estranho.
— Me mostre que eu sou bonita.
Ele pensou um pouco e saiu.
Logo depois ele volta com Lost e pergunta pra ele:
— A Cranber é bonita?
Lost corou.
— Mas que tipo de pergunta é essa Yosaflame?!?! — ele praquejou.
— Só responda. — Yosaflame olhou para ele daquele jeito assustador.
— É. Ela é bonita. — Lost disse por fim.
— Não me convenceu. — Eu disse, deixando Yosaflame vermelho de raiva.
Ele saiu da sala, batendo a porta.
Logo após, ele entra com Kcalb.
— Espero que seja importante. — Kcalb resmungava.
Yosaflame apontou para mim e perguntou a mesma coisa para ele:
— A Cranber é bonita?
Kcalb olhou para ele, depois para mim...
— É claro que ela é bonita! Mas eu tenho coisas importantes para fazer. — Ele disse e se retirou do quarto.
— E então? — Yosa olha pra mim com um sorriso no rosto.
— Kcalb é meu pai, é claro que ele me acha bonita. — Disse fazendo o sorriso de Yosaflame desaparecer.
Ele foi, puto, em direção à minha pequena cômoda e abriu uma de suas gavetas com violência.
Tirando de lá, um espelho.
Ele me entregou o espelho e colocou peguenas gravuras de fogo verde no pequeno reflexo.
Várias memórias de quando eu era criança.
— Não importa sua beleza exterior. Você é perfeita por dentro. — Ele disse me fazendo tremer.
— Você é você, Cranber. Nenhuma garota irá ser você! ... Bem... Só a sua futura essência... Provavelmente. — disse Lost, cruzando os braços.
Eu chorei.
— Obrigada.
— Porra Yosaflame, você fez ela chorar!! — Lost deu um soco na cabeça dele.
— Isso dói, seu retardado!
Os dois começaram a se bater.
" Meus irmãos "
Eu ri.
Ri bastante.
E eles ficaram que nem uns bobos olhando para minha cara.
...
...
Logo depois da ladainha do Yosa e eu, acabei comendo meu pássaro de estimação, enquanto eu não aguentava mais aquele tédio...
Saí do Castelo de Kcalb, à procura de algo mais interessante.
— Eu deveria parar de comer pássaros.— Disse comigo mesma.
Chutando pedras, subindo em árvores, matando bichinhos pelo caminho... Comendo coelhos, matando ovelhas...
Tão chato..
Mais tarde, eu acabei indo novamente para aquela pequena viela.
O lugar onde tinha coisas interessantes.
Entrei em um bar, onde alguns anjos e demônios me olhavam.
Cheguei em uma mesa onde havia uma pessoa encapuzada.
— Posso me sentar aqui? — perguntei para a pessoa.
Ela não disse nada, mas de qualquer forma...
— Quem não fala, consente. — Disse baixinho e me sentei.
Queria comer doces, mas não sabia se ali vendia realmente, doces.
Só queria observar o comportamento dos caras.
Passou um cara que parecia um garçom, perguntei a ele se ali vendia doces.
— Garotinha, eu odeio quando as pessoas confundem as coisas... Eu sou o Cozinheiro do Leste da escura floresta e não sou o garçom desse lugar.
— Oh, me desculpe... Mas o senhor, já que é um cozinheiro, poderia me dizer onde eu posso encontrar doces?
— Ah, eu posso fazer um doce para você. De qual você gosta?
Ele ia fazer uma brincadeirinha, pelo geito arrogante que falava.
— Dos que tem sangue.
O cozinheiro se afastou um pouco.
— De sangue?
É maluco, se fodeu...
— É claro, eu sou carnívora. Eu também como pessoas.
— Que tipo de pessoas?
Hahahaha...
— Anjos, demônios e bichos.
— Você... É... Cranber? A deusa comedora de almas?
O clima no bar ficou tenso.
— Sim, meu nome é Cranber! Mas, em relação ao o que você falou... É a primeira vez que escuto isso.
Todos no bar se assustaram com a minha resposta.
Menos a pessoa encapuzada que permanecia quieta e em silêncio.
— Você sabe a onde você está?
Vai dar uma de guia, agora?
— Sim, em um bar, na zona neutra.
— Você sabe que não pode bat...
— Bater, matar e brigar com ninguém... Sei disso.
— Ótimo. Então, deixe que a gente viole as regras... Tudo bem? — O cozinheiro estalou os dedos, fazendo outros três se levantarem com ele.
Você está me intimidando?
— O quê você vai fazer, cozinheiro? — perguntei, começando a ficar animada.
— Vou te matar e tomar o seu lugar, por ser mais forte.
Fraco... Muito fraco.
— Ah, que chato... Pensei que você iria tentar me matar... — me levantei da mesa — Foi bom te conhecer, adorei a capa, ela tem detalhes de morcegos. Adoro morcegos! — Disse em direção a pessoa encapuzada.
— Espere aí, garotinha. Para onde você vai? — Ele segurou o meu ombro.
Eu me virei para ele, fazendo meu cabelo e minhas asas se mexerem.
— Não quero me meter em possíveis problemas, senhor. Então, se me permite, eu irei embora. — apenas disse vendo um certo medo em seus olhos. — Eu sei que você não vai me matar, muito menos, lutar, comigo.
Estranho que quando ele largou o meu ombro e eu segui para o lado de fora, uma voz me chamou.
— Cranber, eu quero lutar com você! — disse a voz da garota.
Olhei para trás e vi a pessoa encapuzada tirando seu grande manto.
Ela era linda.
Linda mesmo.
Tinha cabelos castanhos e olhos vermelhos.
Sua roupa era de uma oficial de guerra, mas bem adaptada ao seu corpo.
Casa comigo?
Todos ficaram olhando para nós duas.
— Rigatona... A deusa da guerra. — disse um dos caras do bar.
Ela ajeitou as presilhas do seu cabelo, olhou para mim, colocou a mão na cintura e apontou o dedo para mim.
— Você, a demônio que devora anjos...
— E você, o anjo que destrói os ossos dos meus companheiros... — Completei, imitando ela.
— Ah, então você sabe quem eu sou... — Ela cruzou os braços.
— Sim, já ouvi falar de você! Sou sua fã! — coloquei as mãos na cintura.
Acho que minhas palavras a surpreenderam.
— Rigatona, meu sonho era ser igual à você.
— Como assim?
— Sua forma de falar e agir, me encantam.
— Você já se encontrou comigo antes?
— Não, apenas vi o estrago que você fez.
— Pois é, eu também vi os seus estragos.
— Somos guerreiras, né?
Ela sorriu.
— Com certeza.
Ao terminar de falar ela fechou os punhos e voou na minha direção indo me dar um soco, mas infelizmente eu segurei seu punho fechado e perfurei ele com as minhas unhas.
Ela fez uma cara de surpresa e dor.
Ainda não querida...
— Muito lenta. — Apenas disse antes dela começar a investir em mim.
Socos, chutes, tapas... Tudo em vão.
Meu cabelo e minha asa me protegiam de qualquer ataque.
— CHEGA!— Gritou o barmen. — Não quero brigas no meu estabelecimento, escutaram garotas? Se vão brigar, que briguem lá fora!
O barmen pegou a gente pela roupa e jogou na rua.
Poxa... Eu tinha lavado esse vestido ontem.
— Parece que ninguém aprova brigas por aqui, mesmo. — Ela disse olhando para o bar.
Eu olhei para ela, com a luz do bar iluminando seu rosto.
E por fim, ela me olhou também.
E ela disse o que me faria, futuramente, mudar de idéia.
— Você é bonita, como uma flor rosa, cheia de espinhos.
Eu corei.
Ela percebeu e olhou para o lado.
— Amanhã, assim que as nuvens começarem a cobrir o céu, você me encontra na floresta de maçãs? — Ela me olhou firme.
— Isso é um encontro? — Eu disse meio sorrindo.
— ... Não sei. — Ela apenas disse.
— E como você sabe que vai ficar nublado amanhã?
— Eu apenas sei. — Ela balançou os ombros.
...
...
O resto você já sabe.
Conversei com meus irmãos.
E fui encontra-la, novamente...
...
— Eu nunca estive tão perto de alguém. — Rigatona dizia brincando com os meus cabelos.
Apenas a luz da lareira iluminava o lugar, deixando seus olhos muito mais brilhantes e intensos.
Estavamos deitadas de frente para a outra.
Ela usava uma camisola branca, de tecido leve e cheio de bordados de coelhos.
— Você gosta de animais, não é? — perguntei, com os dedos sobre um deles.
— Gosto. E você?
— Gosto do sangue deles.
Ela sorriu e ficou de barriga para cima, olhando muito além do que o teto.
— Queria conviver com você assim para sempre.
Me levantei um pouco, apoiando meu cotovelo no chão.
— Pois é, nós somos diferentes...
— Como preto e branco...
— Como noite e dia. — Completamos olhando para o teto.
— Cranber, você acha que nós vamos para o céu?
— Quando morremos?
— É... Tipo, você e eu vamos para lugares diferentes?
Você com certeza vai pro céu, minha anja.
— Eu não sei, Rig. Talvez... Talvez, iremos para lugares diferentes, ou simplesmente iremos todos para o purgatório. — Dei de ombros.
— Você quer descobrir?
Ela vai querer me matar...
— Ainda não. E você?
— Eu sinceramente, queria.
— Quê?
— Mas eu queria deixar uma maldição para todos.
Poxa... Tem uma maldição para isso...
Eu deveria contar?
Ah, que se dane, eu vou contar!
— Olha, eu conheço uma maldição... Mas ela deve envolver mais tristeza do que odio.
— Que tipo de maldição? — Ela quase se jogou em cima de mim.
— Ah... Ela impede de deixar as pessoas amaldiçoadas, descansarem em paz...
— Sério? Eu quero fazê-la. — Ela disse animada.
— Mas, isso tem que envolver duas pessoas que não queiram lutar, e amaldiçoam a luta entre qualquer outro que tenha o mesmo sentimento.
Dei um pequeno suspiro.
— ... Você vai me pedir para fazer isso com você, né?
— Aham... — Rig balançou a cabeça muito animada.
— Ótimo, mas... Eu não sei se eu consigo fazer isso com você, Rigatona.
Ela se sentou e olhou para a janela atrás dela.
Ficou um tempo olhando para ela.
— Isso tornará as coisas bem mais difíceis... Mas, eu também acho que não irei conseguir...
Ela se virou e me beijou.
Um beijo simples, suave e sereno. Capaz de me fazer escrava dela.
Ela era fria, mas seus lábios eram quentes.
Ela se distanciou, me olhando intensamente.
Eu a puxei para um outro beijo, ela tentou evitar, mas meu cabelo e minhas asas a envolveram, trêmulas, evitando machuca-la.
Quando encostamos nossas línguas, ela parou de lutar.
Ela era doce.
Como um bolo de morangos.
Legal...
...
Ficamos nos beijando e rindo até cairmos no sono.
...
No dia seguinte...
Eu queria que nunca tivesse acontecido.
...
Brigamos no meio do caminho da floresta.
Porque eu matei um coelho.
Que por acaso era o bichinho de estimação querido dela, que estava perdido à muito tempo.
— Sua... Sua... — Ela ficava vermelha de raiva.
— Anda, diga!
— Sem coração!
— Ótimo! Você e o resto do mundo pensa a mesma coisa!
— Claro! Porquê não pensariam? Você é um monstro!
— Sempre fui, querida.
Limpei o sangue da minha boca e joguei a carcaça do coelho para ela.
Um gesto muito rude da minha parte.
...
Ela ficou irada.
E por causa disso nós brigamos e lutamos, pra valer.
Nós nos ferimos bastante.
Chegamos à exaustão depois de quase perder três litros de sangue...
Claro que naquela brincadeira a gente ia morrer.
E eu acabei fazendo a maldição no meu último momento.
Antes dela me pedir desculpas e fechar os olhos para sempre.
E antes de Yosa chegar.
...
Mas que dia...
Por fim.
Eu passei a maldição para sua espada.
Me despedi de Yosa, olhando as nuvens de chuva cobrindo o céu, como ela disse...
E a olhei, uma última vez.
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