Strange Way Of Love
31 Capitulo 30 - Pense em mim
Notas iniciais
Capitulo 30 — Pense em mim
Haviam se passado apenas alguns minutos desde que Lucy saíra do cemitério, o fato é que mesmo em dias dolorosos, a existência de Natsu fazia com que tudo fosse melhor, e ela mesmo reclamando constantemente – assim como o rosado – gostava de se sentir daquela maneira.
– Estarei esperando aqui – o homem disse após abrir a porta da jovem que havia acabado de guardar o celular com um pequeno sorriso bobo no rosto pálido. – Quer que eu a acompanhe? — ele indagou assim que ela já estava em pé ao seu lado observando o grande prédio a sua frente.
– Esta tudo bem, são apenas aqueles exames de rotina... – suspirou caminhando rumo ao prédio, o dia seria longo...
“Estou ocupada agora... nos falamos depois” – Luce Heartphilia
Ela havia mandado aquilo já haviam alguns minutos e o incomodou um pouco, porque ela estava sendo tão ríspida do nada? Ela provavelmente estava em casa dormindo que nem uma porca, porque não podia continuar falando com ele... Pior que isso, porque ele se importava tanto?
– Natsu, nós estamos indo embora! – foi a voz de Erza soando em seu ouvido, ele acenou positivamente, sabia que normalmente ia embora com seus amigos, mas dessa vez decidiu inovar.
– Podem indo, tenho algo para fazer... – disse, a ruiva sorriu de canto, não conseguindo se conter.
– Esse ‘algo’ tem nome de Lucy? – no mesmo instante ele a encarou irritado, sabia que ele iria ficar daquela forma, mas Scarlet não conseguia evitar. Era muito bom ver o amigo daquela forma, mudando gradativamente. – Boa sorta...- sussurrou, logo saiu da sala deixando o garoto viajando por entre seus devaneios.
– Natsu-san – era sua prima, estava ali apenas o encarando, esperando ele finalmente falar como resolveriam a situação da casa.
– Você não vai ficar na casa do Gajeel! – ele pigarreou, sabia que o moreno – que era primo de segundo grau de Natsu e de primeiro de Wendy — teria mais assistência para a pequena, mas não podia dar o braço a torcer, e não seria tão mal ter alguém para dividir aquela casa enorme. – Seus pais vão se mudar pra cá em alguns meses, pode ficar na minha casa, a gente vai se virando com o tempo.
– Então vamos? – ela perguntou com um pequeno sorriso, mas logo ele se lembrou que não iria para casa ainda, ficou calado por alguns instantes e então suspirou.
– Preciso ir pra um lugar antes, então você sabe onde eu moro, certo? – a azulada acenou positivamente, lembrava perfeitamente onde o primo morava.
– Aqui.. – entregou as chaves — Happy vai estar lá em casa, faça uma surpresa para ele... – imediatamente lembrou de algo importante – Onde está sua gata?
– Ela vai chegar hoje à noite. – concluiu.
– Happy vai ficar muito feliz, vamos fazer um jantar essa noite... – concluiu com um pequeno sorriso que a baixinha logo retribuiu dando as costas para Natsu. –Até mais.
Qual era seu problema? ir para casa de Heartphilia naquele horário de almoço não era o mais apropriado, mas estava querendo ver como ela estava, e principalmente entender o que significava o ‘estar ocupada’ da loira. Caminhou rapidamente até a casa da menina, atravessou o jardim quase que correndo e sem grandes delongas bateu na porta, por algum motivo esperava que ela abrisse, mas não foi o que aconteceu.
– Ah, o amigo de Lucy-san... – era apenas a governanta com seu costumeiro sorriso. Natsu pensou em simplesmente ir entrando na casa como normalmente fazia, mas ela logo disse – Ela não está em casa, saiu bem cedo hoje...
– Onde ela foi? – não pode se conter, sabia que a garota não tinha nenhuma obrigação de falar onde estava indo, com quem, muito menos as horas que havia saído, mas ele se sentia incomodado de alguma forma. Afinal, Lucy não era aquela garotinha recatada que nunca matava aulas e ficava somente em casa com suas pilhas de livros?
– Ela tinha alguns compromissos irremediáveis, lamento. – a mulher murmurou, não queria tocar no assunto de que a menina estava indo visitar o tumulo da mãe, muito menos alertar o garoto que a loira estava no fim de um tratamento da mesma doença que havia matado Layla.
–Sabe a hora que ela vai voltar? – perguntou, mas a governanta somente pode acenar de forma negativa. Ele não podia forçar a barra com a mulher, sabia que se ela não tinha entrado em detalhes era por uma boa causa, então o jeito era ir embora. – Obrigado. – ele murmurou, dando as costas para a senhora.
– Meu jovem – ela o chamou como um impulso. Natsu olhou para trás, encarando com olhos estreitos – Obrigada! Lucy-san voltou a reagir bem aos problemas que tem, e acho que você tem alguma parcela de ajuda. — suspirou sorrindo, com lagrimas nos olhos – Venha mais tarde aqui, provavelmente ela vai estar se sentindo solitária.
– Sim. – ele concluiu, e logo seguiu seu destino. “O que significa tudo isso?” – perguntava-se. Heartphilia tinha mais segredos do que ele imaginava ...
*x*
– Pelo que vi, você tem se esforçado bastante ultimamente – o médio disse, balançando a caneta por entre os dedos. Lucy sabia que ele iria falar algo sobre seus machucados, mas ela não estava morta, não iria perder o tempo dela por conta de uma doença. – Você sabe que acho muito bom você tentar seguir os seus sonhos, mas tome cuidado, sua força ainda não está totalmente recuperada.
– Eu sei. – sussurrou tranquila olhando as mãos que estavam juntas em cima da meia calça preta que utilizava. – Então, qual foi o resultado do exame? – perguntou receosa, era sempre aquela aflição de seis em seis meses.
– Está tudo em ordem, aquela cirurgia realmente te salvou e seu organismo tem respondido bem... Mas precisa ficar atenta, sabe... Você está prestes a entrar em uma guilda onde sobrevivera por base de lutas, e minha preocupação é apenas que você sofra algum ferimento por conta de seus sintomas frequentes. – suspirou – Você sabe que a fraqueza, e as dores no corpo, além de todo o resto vão continuar por toda sua vida, não é mesmo?
– Sim doutor. – ela murmurou tristemente. – Assim como minha mãe não é mesmo?
– Sua mãe lutou muito, mas quando as coisas pioraram ela não resistiu, você tem reagido melhor que ela, tenho certeza que não teremos problemas. – suspirou e concluiu – Mas não custa nada tomar nota que todos os seus problemas podem voltar algum dia, então tome cuidado com sua saúde, ok?
– Sim. – sorriu satisfeita. Olhou para o relógio de mármore que o médico tinha em cima de sua mesa, não conseguia acreditar que todos aqueles exames haviam lhe gastado o dia todo, já eram quatro da tarde, não via a hora de comer um bom prato de comida e descansar. – Obrigada. – ela disse assim que o médico levantou, apertando a mão do homem que acenou como retribuição ao agradecimento.
– Nos vemos em seis meses, qualquer problema me contate imediatamente. – ditas palavras a loira saiu do consultório carregando seus exames. Estava meio mole graças aos medicamentos necessários para fazer tudo corretamente.
– Lucy-san! – o motorista disse alto ao ver a garota cambaleando ao sair do consultório. Correu até a mesma lhe dando o braço para irem rumo ao carro que estava ali perto. – E os exames? – ele perguntou enquanto caminhavam.
– Esta tudo certo... Só estou um pouco cansada. – suspirou – Vamos almoçar? – sorriu sutilmente quando abriu a porta do carro e se ajustou, fechando os olhos, ficando tranquila ali, apenas esperando chegarem ao shopping. Pegou o celular na esperança de ter alguma mensagem do rosado, mas se sentiu desapontada quando viu que não havia nada além de uma ligação de Juvia.
Então retornou.
– Mas que demora Lucy! – nem havia atendido o telefone direito e já xingava a loira que não pode evitar a risada.
– Me desculpe Juvia. – respondeu, ficou em silencio esperando a prima falar o que queria.
– E os exames? – indagou curiosa e receosa, tinha medo que toda aquela situação retornasse. –O que o médico disse? – a azulada era de sua família, por isso sabia de toda a história, mas se Lucy pudesse voltar ao tempo e não contar a ela, teria o feito.
– Está tudo em ordem, pode ficar tranquila. – era somente isso que precisava falar, quer dizer, nunca quis entrar em grandes detalhes sobre o que passava, mesmo que Juvia já tivesse pesquisado o suficiente sobre sintomas e tratamentos, quem passava por tudo era Heartphilia, e esta última não gostava de ser tratada como uma doente, já estava bem, a pior parte já havia passado.
– Entrou uma novata no colégio hoje. – começou animada, tentando fugir do assunto que sabia desagradar a prima – Ela é muito bonitinha e simpática, mesmo sendo prima daquele bastardo do Natsu. – pigarreou – Ah sim, acredito que ele vai passar na sua casa mais tarde para te entregar uma lista do que vai ser necessário para a viagem, eu até queria te entregar, mas me esqueci de pegar com ele, enfim, só estou avisando.
– Viagem? – perguntou não entendo nada. – Falto por um dia no colégio, e até viagens são planejadas. – a azulada do outro lado da linha não pode deixar de rir baixinho e logo concluiu.
– Acredito que o Dragneel vai te explicar tudo, agora preciso desligar... – disse e em seguida gritou um “já vai” para seus pais. – Até mais Lucy! – e sem nem mesmo esperar a loira responder, já havia desligado o telefone.
– Uma viagem. – Heartphilia disse em voz alta o que na verdade queria ter mantido somente em pensamentos, o velho que dirigia pensou em perguntar o que estava acontecendo, mas se manteve calado.
*x*
A garota depois de algumas horas de viagem chegou a sua casa, estava exausta, somente isso. Desejava deitar em sua cama, e ficar dormindo até segunda pela manhã. Saiu do carro carregando duas sacolas com algumas coisas que havia comprado, agradeceu ao trabalho do motorista, e entrou.
– Lucy-san! – uma empregada veio correndo até a garota, desesperada. – Ainda bem que chegou... – suspirou, abaixando a cabeça sabendo que poderia deixar a menina irritada.
– O que está acontecendo? – indagou mas imediatamente teve como resposta a imagem do garoto, saindo da cozinha.
– E ai loira – ele disse com a boca cheia com alguma coisa, imediatamente ela sentiu uma vontade louca de esmurra-lo – Se divertiu hoje? – ele perguntou, enquanto segurava uma sacola, que ela imediatamente pode perceber ter alguns alimentos.
– O que está fazendo, Natsu? – perguntou nervosa, sem lá muita vontade de brigar, estava simplesmente exausta. Ela sabia que iria ter de vê-lo aquele dia, por conta de um papel de viagem, mas não era aquilo que ela imaginava.
– Vim ver como minha amiguinha passou o dia. – disse irônico se aproximando da garota e quando chegou mais perto pode sentir um cheiro de álcool vindo dela, o que era muito estranho já que conhecia bem o cheiro de Lucy. Olhou a menina de baixo para cima, e percebeu o braço com um esparadrapo tapando o furinho de uma agulha. Arqueou a sobrancelha – O que fez hoje? – ele perguntou sem esperar ela começar os xingamentos. Lucy se calou, porque aquela cara de preocupação do menino, será que ele já sabia sobre sua história?
– Nada, fui dar uma volta...
– Desde quando você mata aula para fazer comprinhas como uma menina enjoada, ainda mais se vestido desse jeito – ele murmurou, a verdade era que estava surpreso ao ver a menina tão bem vestida, usava short jeans com e uma meia calça preta, uma blusa larguinha branca com alguns detalhes em preto, e um sapatinho combinando perfeitamente. “Esta estranha” – ele pensou imediatamente.
– Não sei do que você está falando. – concluiu séria, encarando o menino nos olhos – Acho que isso não tem nenhuma ligação com sua vida, então, o que você quer aqui? – perguntou ríspida, fazendo o mesmo serrar os lábios, levemente irritado.
– Vim te entregar isso – disse entregando o papel para garota que se surpreendeu com o título. “Gincana Entre Colégios Mágicos”.
– É algum tipo de piada? – ela questionou encarando o papel – Isso aqui tem alguma função educativa?
– Vale alguns pontos – murmurou – Só ler na terceira linha. – então ela leu e realmente valia uma quantidade razoável de pontos, o que ela não perderia por pura preguiça, mesmo achando toda aquela história de viagem uma grande bobeira. – Vai ficar lendo esse papel enquanto estou aqui? – ele questionou e no mesmo momento ela o encarou.
– Me desculpe – suspirou – Vou pedir para alguém te levar até a porta, obrigada por isso – disse dando as costas ao garoto, balançando a mão dando adeus, mas logo virou o corpo para o lado quando algum empregado a chamou.
– Você não vai com ele? – e imediatamente ela arqueou a sobrancelha sem entender o porquê daquela pergunta.
– Deveria? – devolveu com outra pergunta.
– Ah sim! – o rosado disse na porta da casa – Você vai jantar na minha casa, quero te apresentar alguém que está realmente querendo te conhecer. – ao falar aquilo foi o mesmo que retirar o chão da menina que queria chorar.
– Preciso dormir, não estou com fome.
– Lucy-san, vai ser bom... Não queria que ficasse sozinha hoje. – a governanta apareceu, com um grande sorriso. – Ele está aqui te esperando já tem algum tempo, e achei uma boa ideia, por favor, aceite o convite. – a loira ouviu cada palavra atentamente da mulher, e quase como de imediato bufou, entregando as sacolas para a outra, e caminhando em direção ao rosado.
– Que fique claro que não vou demorar muito. – disse o encarando, sem falar nenhuma palavra; Apenas mostrando um sorriso sínico ele lhe deu passagem.
Estavam caminhando em silêncio, afinal o que poderiam falar numa hora daquelas? Era na verdade muito constrangedor um ao lado do outro, caminhando tão tranquilos. Ainda mais se lembrando de todas as coisas que ambos haviam passado desde o início do ano, juntando todo o ódio e os desejos, ficar daquela forma era algo relativamente complicado.
Lucy que olhava para baixo, o encarava algumas vezes pelo canto dos olhos, e percebia que o mesmo procurava falar algo, sempre abrindo e fechando a boca, então decidiu começar a conversa, mesmo sabendo que poderia acabar em alguma briga comum.
– Como vai ser feita essa viagem? Digo, li que foram separados grupos, e tudo mais... – começou, logo Natsu suspirou aliviado, era pior do que imaginava arrumar um assunto com a menina sem ofende-la, mesmo que sem querer.
– Você está no meu grupo – e então ela o encarou com os orbes arregalados, fazendo o mesmo dar gargalhadas – Não faça essa cara enquanto falo contigo.
– Mas que cara poderia fazer? – brincou dando espaço para que ele continuasse a falar.
– Nosso grupo está, você, McGarden e sua prima, então fique tranquila que não vai ficar sozinha com Erza. – brincou – Nosso time se chama “Dragon Force” – no mesmo instante Lucy não se conteve em dar uma pequena risada.
– Da onde tiraram esse nome? – questionou dando risadas.
– Eu que dei a ideia.
– Imaginei. – se calou, contendo a risada.
–Já imaginou também que tem uma grande chance de rever aquele seu namoradinho nessa gincana? – o garoto questionou fazendo Lucy pensar e no mesmo instante acabaram as risadas. Na verdade não tinha passado por sua cabeça algo do tipo, mas falando daquela maneira, será que seria o melhor momento para ver Sting? De certa forma tinha beijado Natsu poucos dias depois que o loiro sumira. – Ei ta toda vermelha o que aconteceu? – ninguém poderia culpar a loira com a lembrança dos beijos de Dragneel e o de Eucliffes, sua cabeça parecia fritar.
– Não é nada não... – murmurou tentando esconder o rosto do menino.
– Sente tanta falta dele assim? – questionou emburrado. Aquele rosto vermelho, nunca poderia imaginar ela fazendo uma expressão tão bonitinha para alguém que nem estava ao seu lado, mas o que ele não sabia de fato, era que aquela feição era por culpa dele – na maior parte da situação.
– Não é exatamente isso... – sibilou, abaixando a cabeça, encarando os pés. – Só estou um pouco confusa com várias coisas.
– O que te deixa confusa? Você ama ele não é? – perguntou receoso, na verdade queria ouvir que toda aquela confusão era sua culpa, e que ela estava se apaixonando por ele e não por Eucliffes, mas quais eram as chances?
– Não é nada. – disse apressando o passo ao perceber que já estava na rua do rosado, mas não era como se ele fosse deixa-la ir tão rápido sem motivo, segurou seu ombro, fazendo a mesma o encarar, com os olhos arregalados e os lábios trêmulos. – O que foi? – perguntou tímida.
– O que te deixa tão confusa? – indagou sério a encarando nos olhos.
– Não é como se você não tivesse nenhuma parcela de culpa nisso tudo! – e naquele mesmo instante se calou arrependida, pode sentir o rosto corar ainda mais, aquilo poderia ser um tipo de declaração estranha, então ela sentia algo por ele, era isso?
– Você quer dizer o que com isso? – ele perguntou estático, não conseguindo evitar um sorriso bobo escapar de seus lábios.
– Pare de se achar tanto – disse dando risada – Só é estranho encontrar com Sting depois de você ter me beijado. – e então foi a vez dele de engasgar, deu um passo para frente, ficando cara a cara com Lucy que o olhou ternamente – Mas isso não muda o fato que você é um burro, mulherengo, e principalmente, o fato de que temos um acordo...
– “Prometa não se apaixonar por mim”, não é mesmo? – ele perguntou arredando imediatamente, um pouco desanimado, era verdade que havia prometido, mas de alguma forma estava começando a se arrepender daquilo.
– Exatamente. – ela murmurou dando as costas para o garoto, sabia exatamente o porque não queria ficar com ele ou qualquer outro, tinha medo de sua doença voltar, Sting fora um deslize, diria que um grande erro, mas não conseguiria voltar ao tempo, então iria encarar tudo aquilo com pulso firme. – Estou com fome agora, vamos logo! – ela disse andando até a casa do garoto, abrindo a porta do mesmo, ao passo em que ele segurou sua mão para falar algo, mas seja o que fosse, aquele não foi o melhor momento para segura-la.
– Natsu-san... – a garotinha de cabelos azulados que estava indo de encontro assim que ouviu a voz do primo, imediatamente se viu corada, ambos estavam de mão dadas, aquilo significava que eles tinham um relacionamento – Não acredito que você finalmente tomou jeito!! Todos da nossa família não vão acreditar! – disse aos pulinhos de tanta alegria.
– Do que esta falando? – ele perguntou um pouco receoso “Tomar jeito” – pensou encarando a loira que estava o olhando com os olhos arregalados, logo soltando a mão do mesmo.
– Qual é o seu nome? – Wendy perguntou animadamente – Para ser namorada dele... você teve um jogo de cintura e tanto viu...
– O que? – ambos falaram em uníssono, quase aos berros – Eu não sou namorado(a) dessa coisa ai. – e então ambos se encararam e começaram a rir.
– Lembra que te contei que ia te apresentar uma loira fraca que me ajudou a passar no primeiro teste para ingressar na guilda? – logo a baixinha pode entender, ficando totalmente sem jeito.
– Seriam um casal bonito – murmurou um pouco desapontada, fazendo os dois se encararem, mas Lucy desviou rapidamente o olhar, fitando a garota.
– Meu nome é Lucy, um prazer te conhecer Wendy-san. – disse com um enorme sorriso, tentando quebrar aquele clima ruim que havia se iniciado. – Nem consigo acreditar que vocês dois sejam primos... –suspirou contendo uma risadinha – Digo, você é tão meiga e educada, já esse ai – disse dando de ombros – prefiro não comentar.
– Não se esqueça que esta na minha casa – ele disse um pouco irritado, caminhando em direção a cozinha, acompanhado pelas garotas – Posso te chutar daqui facilmente, então controle a boca. – ele disse meio sério meio brincalhão.
– Mas que barulheira – Lucy pode ouvir uma voz fanha vinda dos quartos, então significava que haviam mais pessoas ali, encarou Natsu que simplesmente continuou lavando a louça. Para surpresa da garota, o que antes ela tinha pensado ser alguém, se tornou algo.
– Namorada do Happy? – indagou ao ver o gatinho azul acompanhando a albina.
– Aye! – o azulado gritou, mas a outra simplesmente deu um grande suspiro acenando negativamente.
– Nos sonhos dele talvez... – seu nome era Charles, uma gatinha um tanto quanto parecida com Happy no entanto muito mais inteligente e fria.
Era realmente um choque para Lucy estar convivendo com aquelas pessoas. Natsu era uma caixinha de surpresas, e ela estava gostando de algumas novidades vindas do garoto, não podia acreditar que ele cozinhava tão bem, pior que isso, era inacreditável o quão atencioso ela poderia ser com uma menina, sem ter segundas intenções, como fazia com Wendy.
– Nossa estava delicioso – a loira murmurou assim que escorou as costas na cadeira, encarando a barriga normalmente chapada, levemente estufada. “Comi muito” – pensou dando um pequeno sorriso. Era realmente uma gulosa. – Vou lavar a louça, podem ir pra sala. – disse empurrando a cadeira para trás, ficando em pé, recolhendo os pratos, levando todos para a pia.
A ideia de estar ali sem fazer nada, era muito estranho, afinal, ele sempre a tratou tão indiferente quando ia a sua casa. “Provavelmente porque quer dar uma boa impressão para prima”. – Não consigo entender. – murmurou para si mesma, enquanto via a água escorrendo por suas mãos.
– Não entende o que loira? – ele perguntou sentado apenas a encarando. “Ele não havia saído?” – para surpresa da loira ambos Dragon Slayers se mantiveram ali, a observando.
– Nada não, pensando em uns cálculos aqui – mentiu, fazendo Dragneel dar uma risada, olhando para o canto, perdido.
– Não para de estudar nem quando pode descansar a cabeça. – pigarreou, fazendo Lucy o encarar com os olhos frigidos. Sabia que aquilo a irritava, mas gostava de ver o rosto nervoso de Heartphilia, de alguma forma era bonitinho.
– Cale a boca – ela brincou dando uma risada abafada, e ele simplesmente a encarou com um sorriso bobo nos lábios.
Wendy apenas observava aquilo, havia algo errado com aqueles dois, parecia que algo estava acontecendo, na realidade, estava bem visível os sentimentos entre o rosado e a nerd... Mas ambos não conseguiam dar o braço a torcer.
– Lucy-san! – Marvell levantou da cadeira num pulo chamando a atenção dos jovens, caminhou até a pia e fechou a torneira que Heartphilia usava para lavar a louça. – Ajude Natsu a escolhe um filme para nós, eu não sou boa para opinar e se deixar tudo na mão dele sei que vamos ver uma carnificina. – deu uma pequena risadinha, Lucy encarou a menininha que estava com um sorriso gentil nos lábios. Sem pestanejar muito deu de ombros, enxugando a mão no pano de prato, caminhando em direção ao outro.
– Vamos lá escolher o filme então. – disse tranquila. Natsu não conseguia a olhar nos olhos, já que estava chocado com a azulada que lhe mandava beijinhos e piscadelas. “Wendy você não presta” – ele pensou, era meio rude, mas naquele instante se sentia agradecido, ficar com Lucy, sozinho, poderia se aproximar mais. – Boa sorte – a prima sibilou muda, e ele apenas balançou a cabeça, envergonhado, acompanhando a outra até a sala.
Ambos ficaram agachados olhando a prateleira cheia de DVDs. – Porque não esse? – ela mostrou para o rosado que estava ao seu lado, apenas a encarando, a verdade era que não estava nem ai para o filme, apenas queria fazer algo, mas não sabia exatamente o que. Estava eufórico.
– Mas esse é muito meloso. – ele disse sentando no chão, com as pernas cruzadas, a loira fez o mesmo suspirando pesarosamente. Amarrou o cabelo em um coque frouxo e voltou a procurar filmes bons, o que estava em falta naquela casa. Ficou petrificado por longos segundo, olhando os fios que não estavam presos no coque de Lucy, era irritante o valor que estava dando para coisas tão pequenas.
– O que você acha desse aqui então? – ela perguntou virando para trás encarando o rosado que no mesmo instante perguntou.
– Faz quanto tempo que você não o vê? – congelou, mas que merda ele poderia estar querendo remoendo tanto aquele mesmo assunto?
– Do que esta falando? – questionou fingindo não ter entendido, o que na verdade estava bem obvio para a loira que suspirou, deixando o DVD em seu colo, virando todo o corpo para frente de Natsu o encarando friamente.
– Hoje você sumiu o dia todo... Esta cheirando a álcool até agora, você foi encontrar aquele cara não foi? Vocês estão namorando? – era um jogo de perguntas que Heartphilia queria morrer de tanto ódio, o que ele pensava que ela era? Uma alcoólatra? Pensando bem, era melhor fingir ser uma viciada em bebidas com álcool do que falar que aquele cheiro estava em seu corpo por conta dos exames que precisava passar álcool em gel.
– Porque quer saber disso? — questionou tentando manter a calma.
– Você fica toda vermelha quando falo o nome daquele bastardo, é meio inevitável não ficar curioso. –ele disse uma pilha de nervos, porque ela simplesmente não o respondia de uma vez? Ela realmente havia encontrado com aquele cara?
– Porque eu deveria falar sobre minha vida amorosa, não é como se você se importasse. – disse apoiando a mão no chão prestes a levantar, mas ele a segurou pelo pulso, fazendo a mesma se manter sentada.
– Onde você foi hoje? – ela o encarou nos olhos. Lucy não iria falar que foi ao médico em outra cidade ele iria perceber ser algo mais grave, afinal se fosse alguma doença qualquer, iria ao hospital de Magnólia.
– Dar uma volta – disse calculista irritando o garoto que já havia perdido a paciência há tempos. Ajoelhou no chão e engatinhando colocou uma perna no meio das de Lucy que foi forçada a deitar, um braço estava preso pela mão de Natsu em cima de sua cabeça, enquanto usava a mão do outro para afasta-lo ao maximo de si, pigarreou, dando murrinhos leves no peito de Dragneel que não mudava a expressão séria, ficando confortável em cima da garota que parecia tão indefesa em baixo de si.
– Vai me falar a verdade? – ele perguntou deixando os lábios tocarem levemente a orelha fria de Heartphilia que pode sentir uma sequência de arrepios. Porque ele tinha de ser tão provocador? Quando via a situação ficar contra seu favor tratava logo de cala-la com esse tipo de atitude.
– Eu já te disse a v-verdade – tentou falar firme, mas quando sentiu o toque da mão do rosado passando por sua coxa, foi inevitável falhar, deixando claro que aquilo era muito para a menina, que a cada toque sentia que o corpo poderia entrar em erupção.
– Porque eu não acho que seja verdade – murmurou com uma voz rouca, enquanto cheirava o pescoço, aquele cheiro ele conhecia bem, o perfume que ela sempre usava, era suave, mas viciante. – Fale a verdade... – agora já estava a olhando nos olhos, vez ou outra encarando os lábios rosados entreabertos, estava surtando ali, mas manteria a compostura, pelo menos por mais alguns instantes, ou acabaria fazendo mais uma besteira.
– Já disse a verdade. – concluiu seria, com o rosto levemente corado, e aquilo o deixava louco. “Esta pensando nele” – ele tinha certeza que Lucy estava pensando no loiro, mesmo com ele ali em cima dela, a garota só poderia estar pensando no Eucliffes. Abaixou a cabeça irritado, tampando o rosto com os fios róseos, Lucy tentava entende-lo, mas simplesmente não conseguia.
– Porque eu tenho que me preocupar com aquele bastardo! Ele só te beijou uma vez não foi? – disse quase que aos berros, estava um pouco irritado e ela não sabia como reagir. Como Dragneel sabia do beijo, nem mesmo suas melhores amigas sabiam?
– Natsu... – ela murmurou soltando o peito do menino, passando a mão suavemente por entre os fios róseos, fazendo o mesmo voltar à calma. – Sting é uma boa pessoa, eu realmente gosto dele... – ela sussurrou no ouvido do menino que imediatamente apertou a mão dela com força, fazendo perceber que havia utilizado as palavras erradas.
– Então eu vou ser obrigado a fazer você mudar de ideia – ela não entendia o porquê daqueles olhos esverdeados estarem tão sombrios, não percebia o valor que havia conseguido conquistar de Dragneel, e mesmo assim ele não desistiria de provar aquilo. Natsu a encarou, dessa vez muito mais próximo. Os lábios estavam praticamente se tocando, suspirou ao vê-la tão vermelha – Pense em mim também. – Lucy poderia ter reclamado, mas não ousou falar nem um pio. O garoto fechou os olhos com calma, e sem reclamações a beijou, sabendo que naquele momento estava tendo seu consentimento.
O que Natsu não sabia era que não precisava pedir para que Lucy pensasse nele, já que a única coisa que passava na mente de Heartphilia era ELE.
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