Strange Times

1 Extraordinary End


Notas iniciais
Boa leitura. Dedico esta pequena história a todos os personagens de Percy Jackson que me ensinaram aos longos dos anos coisas que nunca poderia ter aprendido. Compreendo agora o que significa amor e respeito. Tenho em mente o que é realmente ser um herói. Obrigado Rick Riordan por ter criado esta história e obrigado a tudo que me ensinou. Obrigado a Percy que cresceu junto comigo e pude acompanhar sua incrível trajetória ao longo da saga.

ANNABETH CHASE E PERCY JACKSON

Os lábios de Percy eram quentes e obtinham aquele gosto de maresia que estava sempre emanando do namorado.

Eles estavam se beijando. O.k., talvez mais do que se beijando, mas isto não vinha ao caso.

Estavam no chalé de Poseidon, semanas depois da guerra contra Gaia. Faltava poucos dias para o Natal e Percy havia resolvido voltar para o acampamento a fim de uma visita. O ano letivo havia começado e nada podia superar a alegria de terminar o último ano do colegial com Annabeth, e uhuuuuuuuuuu! , depois a faculdade em Nova Roma os esperava.

– Uma festa? Estou convidado?

Annabeth empurrou Percy de sobre ela. Bom, duas coisas a tinham realmente assustado. Ela havia sido pega em flagrante e , meus deuses , aquela não podia ser a voz de Leo. O Leo. O amigo idiota que resolveu fazer um plano ainda mais idiota e estava dado como desaparecido desde...desde...

– L...Leo? – gaguajou Annabeth.

– Não façam essa cara...

– Isso é uma pegadinha? – os olhos cinzas de Annabeth fulminaram Percy dizendo claramente: você não seria capaz de me assustar assim, seria? ,mas o namorado estava com o mesmo espanto pregado no rosto.

Ela encarou aquela mensagem de Íris que iluminava o chalé. O.k., era uma mensagem de Íris e Percy não seria capaz de fazer uma coisa daquelas. Atrás de Leo, Festus sobrevoava um céu azul cálido, lançando fogo sobre alguns pássaros brancos que ameaçavam chegar perto da fonte do arco-íris criada por Leo.

– Tudo bem, pessoal. O grande Leo está de volta. Bem, não de volta, mas... – Leo se interrompeu – Não tenho muito tempo. Vou explicar uma coisa rapidão: cura do médico, Ogígia, Calipso.

– Você está vivo mesmo, cara? – Percy levou a mão a névoa e Leo ficou todo trêmulo, seu sorriso de orelha a orelha era radiante.

– Claro, Aquaman – respondeu Leo.

– Ei, não me chame de Aquaman.

Os três riram.

– Como...? Conte tudo – Annabeth ainda estava sem acreditar e, ignorando a súbita vergonha de ter sido pega com Percy forçou o instinto de gritar de felicidade dentro de seu peito. Como queria abraçar Leo e depois matá-lo por ser tão estúpido.

– Como eu disse ...

– LEO, PRECISO DE UMA AJUDINHA AQUI – uma voz de garota falou de algum ponto atrás do arco-íris.

– JÁ ESTOU INDO, FLOR DO DIA – Leo gritou de volta e encarou os amigos sorrindo – Não tenho tempo. O arco-íris não vai durar tanto para uma mensagem longa mas eu vou tentar avisar Jason, Piper, Hazel e Frank. Se cuidem, ainda vou aparecer no Acampamento Meio-Sangue para dar um “oi”.

Antes que os dois pudessem gritar para impedi-lo, Leo agitou a mão sobre a mensagem e a luz fraca que iluminava o chalé desapareceu. Percy sorriu e olhou para Annabeth e a namorada fez o mesmo. Os dois caíram ainda mais na gargalhada porque o mundo era realmente um lugar estranho. Leo Valdez estava vivo, e era só isso que importava.

– Devíamos ir até Jason e Piper – disse Percy – Ou...?

– Ou...? – Annabeth fez de seu sorriso ainda mais lindo aos olhos de Percy.

– Podemos continuar o que estávamos fazendo.

– É Cabeça de Alga – ela o beijou – Vamos continuar o que estávamos fazendo.

JASON GRACE E PIPER MCLEAN

Jason e Piper estavam na praia do Acampamento Meio-Sangue olhando o estreito de Long Island brilhando na véspera de Natal. Caramba, era véspera de Natal. Quanto tempo havia passado desde que se sentia segura assim nos braços de Jason? Sem missões, sem guerra, sem gigantes e sem Gaia? Uau! A última vez fora na Escola da Vida Selvagem e toda aquela tranquilidade não havia passado de um truque da Névoa. Mas o mais importante... quanto tempo sem Leo?

Ambos sentiam tanta falta dele que chegava a doer. Sabiam que ele estava vivo. Nico podia ter confirmado sua morte mas quem ligava...? Leo era o Bad boy supremo dos sete e ele simplesmente não poderia estar morto, certo?

Certo.

Piper pregou esta palavra em sua mente, segurando o choro que ameaça sair. Tinha que ter certeza. Por ela, por Jason e por todos seus amigos.

Um puf! estralou perto do ouvido de Piper e ela teve que conter o desespero para não pegar a espada de Jason e matar quem quer que tivesse atrás dela. Desde a guerra contra Gaia seu sexto sentido estava aguçado, pronto para enfrentar qualquer perigo.

– Hermes Express – disse Jason – Uau, alguém mandou algum presente de Natal pra gente. Pipes...

– Não fui eu – Piper ergueu as mãos, fazendo-se de inocente. Estava tão surpresa quanto ele.

A gigantesca caixa havia aparecido do nada e demoraram cerca de sete minutos para desembrulharem todo aquele papel vermelho, verde e azul cheio de purpurina. Dentro da caixa havia... outra caixa?

– Isso só pode ser brincadeira – Piper sussurrou.

– Filhos de Hermes? – Jason perguntou.

– Vou estrangulá-los com minhas próprias mãos – ameaçou Piper, mas vencida pela curiosidade, continuou a abrir. Oito caixas e meia depois eles se viram encarando um pergaminho chamuscado e um abajur. Aquele abajur.

– Não pode ser – Piper conteve o acesso de alegria – Não, não, não!

No papel chamuscado se lia:

“De: Bad boy supremo

Para: Miss Universo e Jason Grace”

Piper pegou o pergaminho e o vídeo de Leo começou a tocar.

– Ei pessoal. Aqui é seu camarada de semideusice e tal – ele acenou – Bom, só passei para desejar Feliz Natal. Piper aproveite o abajur, achei que você iria adorar tê-lo de volta. Bom, não tenho muito tempo, estou atrás de aventuras. Tomei a cura do médico, encontrei Ogígia e estou com Calipso. Vou avisar aos outros, espero que tenham sentido minha falta. Ah e vocês não sabem. Vi algumas ninfas com camisetas TEAM LEO! Eu disse que era incrível. – Leo sorriu e baixou a voz – Calipso não gostou disso. Mas o que eu posso fazer? Bom, três palavras: Eu amo vocês .

Piper olhou para o abajur. Não era o mesmo, ele não podia ter sobrevivido a queda do Argo II mas Leo construíra outro perfeitamente igual.

Ah, o Argo II. Sentia falta das constelações que aquele abajur projetava em sua cabine nas noites em que ela não conseguia dormir.

Jason por outro lado parecia estar em uma queda sem fim. Os olhos azuis eletrizantes arregalados e o lábio superior – perto de sua cicatriz, resultado da vez em que ele tentara comer um grampeador – tremiam.

– Jason você...

Mas era tarde demais, ele caiu, desmaiado.

HAZEL LEVESQUE E FRANK ZHANG

“Hazel,

Para começo de conversa você vai achar isso meio estranho. Foi ideia da Calipso te escrever uma carta porque, de acordo com ela, isso é bem a “sua época”, se é que me entende. Ela se ofereceu para escrever porque também de acordo com ela a minha caligrafia não é nada bonita. Então, se tiver palavras estranhas e complexas nesta carta eu aviso que foi ela quem as colocou.

Bom, Diamante Negro, ( para o bem da nação, eu encontrei um apelido para você Hazel. ) passo aqui somente para avisar que estou vivo. Se duvidar, entre em contato com Percy, Annabeth, Jason ou Piper, mas eu tenho a leve impressão de que Jason desmaiou. Enfim, Festus me ajudou com a cura do médico, eu encontrei Ogígia e agora estou com Calipso em rumo ao “desconhecido”. Prometo dar uma passadinha aí no Acampamento Júpiter.

De um “olá” para Frank Zhang, o urso, o gorila, o dragão, a águia... ah , você me entendeu.

Obrigado por terem cumprido com o plano. Devo minha vida a vocês, literalmente.

Até mais Diamente Negro. Feliz Natal!

PS: Olá Hazel, aqui é Calipso e como Leo disse que eu iria “mudar” suas palavras posso lhe dar a garantia de que não o fiz. A carta está escrita do modo que ele falou. Festus mandou alguns chiados de lembrança. Estou ansiosa para te conhecer. Bjs (Leo me ensinou essa gíria. Tempos estranhos não?)

DA EQUIPE TEAM LEO

PARA O ACAMPAMENTO JÚPITER”

Hazel sorriu. Radiante era exatamente o modo como ela se encontrava.

Ela saiu do refeitório e foi até Nova Roma onde Frank Zhang , seu namorado estava. Ele estava em frente ao senado com jeans, a camiseta do Acampamento Júpiter e um sorriso irresistível. Ela começou a chorar, de alegria e de todas as preocupações que viam lhe consumindo desde o desaparecimento de Leo.

ELE ESTAVA VIVO! LEO VALDEZ ESTAVA VIVO!

Antes que Frank perguntasse alguma coisa, Hazel se jogou em seus braços e o beijou, liberando todos os sentimentos naquele beijo.

Enfim a vida iria continuar, sem a angústia de um amigo perdido, sem a culpa de que poderiam tê-lo ajudado. Finamente teriam a vida que realmente mereciam. Ela não seria tranquila, nem perfeita. Seria muito mais que isso.

Sim, Calipso tinha razão, tempos estranhos não?

Notas finais
Como últimas palavras, quero que entendam o motivo de eu ter escrito isto. Quando comecei a ler Percy Jackson, desde O Ladrão de Raios, até o desfecho de O Sangue do Olimpo, foi como se eu tivesse criado um pássaro com asas machucadas. Com o decorrer da saga eu sabia que um dia teria que deixar aquele pássaro ir embora. Com o fim da saga, e o destino dos personagens eu libertei o pequeno animal guardado dentro de mim. Rick Riordan deu um final a história, deu um limite aos personagens: o final de uma página. Mas todos nós sabemos e deixamos que todos eles sigam sua vida. Demos a eles a oportunidade de ir além de seu limite e hoje, ficamos acenando das margens e esperamos de todo o coração que eles fiquem bem. Uma vez, em A Casa de Hades, Annabeth citou que eles contariam a bondade do Titã Bob e do gigante Damásen a seus filhos, e estes aos seus filhos, eles nunca deixariam a história morrer. E agora, eu repito. Nunca deixaremos Percy Jackson morrer. Vamos manter a história viva.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!