Notas iniciais
Gentneys, como prometido, cá estamos nós com capítulo novo ♥ Só tenho a agradecer o carinho de vocês por estarem aqui, não sabem o quanto isso me motiva a escrever ♥ Agradecimentos a srtanye, Rainha do Nilo, FilipaBlack, Dany Targaryen, Annie Burton, Alice Liddell, carolinaterevã10, pahf e Leh pelos comentários no capítulo anterior ♥ Apenas um adendo: essa história tem um ar mais sombrio, diferente, espero que curtam ler tanto quanto eu estou adorando escrever :) Boa leitura!

In the blink of an eye I can see though your eyes

As I’m lying awake I’m still hearing the cries

And it hurts, huts me so bad

Assim que desparataram em um jardim, sentiu a mão grande do homem se fechar ao redor do seu braço com um pouco de rudeza. Ainda não conseguia falar ou se soltar do fio que a mantinha presa ao próprio corpo. Andou alguns metros até uma porta de vidro e aço, com o homem acenando com as mãos para que ela se abrisse. Entrou com ele e ele a sentou no sofá, dando um pouco de tempo para que se acostumasse com o ambiente bastante requintado. Ele se sentou à sua frente e manteve a sua expressão enigmática.

“Há algumas regras nessa casa: você cuida da casa, fica longe de mim, das minhas vassouras, e não precisaremos nos encontrar a menos que seja necessário”, ele parecia falar com asco. “O toque de amanhecer é às sete da manhã e o de recolher, às onze da noite. O café da manhã é servido às oito da manhã, o almoço às treze e o jantar é servido às vinte horas, talvez o único momento que precisaremos nos ver será o leito marital, essa palhaçada exige que eu divida a cama com você”.

Olhou o homem nos olhos e via ali alguma coisa estranha acontecendo, talvez fossem os seus anos em Azkaban falando mais alto. O mais sensato agora seria se submeter para não perder a sobrevida que teria naquela casa. Ainda não tinha entendido o que havia acontecido naquela sala, na prisão bruxa, o seu corpo ainda estava fraco. Ele agitou a varinha ao seu redor e os seus braços relaxaram, suspirou alto até se ouvir. Pigarreou e tentou se levantar sem sentir tonturas, mas não conseguiu.

“Por que eu? Pelo que eu ouvi do Ministro, você se casou comigo, uma nascida trouxa, sangue ruim. Por que se casar novamente e comigo ainda por cima?”, perguntou com a voz falhando.

“Você, assim como os seus amigos, é uma recompensa. Agora que está presa a mim, você não poderá continuar essa rebelião com eles. Suba, tome um banho e cuide do almoço, eu estou faminto”, o ouviu bufar e se levantar, indo em direção a escada no fim da sala e rumando o piso superior.

Passou alguns minutos naquele sofá confortável até que sentiu um pouco de força para se levantar. Não sabia para onde ir, intuiu que deveria subir também, algo dizia que seria e não seria uma prisioneira ali naquele casarão. Subiu as escadas o final levava a dois corredores grandes. Escolheu o da direita e passou perto das portas abertas de quartos vazios. Continuou andando até que viu Rodolfo Lestrange sentado de costas para a porta entreaberta, sentindo o tecido da cama, como se estivesse saudoso de algo. Ali deveria ser o quarto que partilhava com Belatriz, então supôs que ele estivesse sentindo saudades dela. Aquele não deveria ser o seu quarto, era o quarto dele. Passou por mais duas portas até notar que tinha chego no último quarto do corredor.

“Senhora?”, uma voz aguda veio por trás de si e se virou. Viu um elfo doméstico vestido em uma fronha branca, tinha os olhos amedrontados e não parecia saber o que fazer. “O mestre me mandou ajuda-la com o banho”.

“Quem é você?”, perguntou ao elfo. Lógico que sabia o que era um elfo doméstico, mas não imaginava que ele, Rodolfo, fosse ter um naquele fim de mundo.

“Alef, o elfo doméstico, às suas ordens, senhora”, a criaturinha disse entrando no quarto e indo em direção a uma porta perto da janela.

Intuiu que deveria entrar naquele quarto junto com o elfo e viu o que tinha lá dentro. O papel de parede era sóbrio, algo entre o cinza e o verde musgo. A cama com dossel estava disposta no meio do quarto e uma escrivaninha estava perto da porta enorme que tinha vista para o jardim. Parecia ser tudo tão fino e caro. Respirou fundo, sufocando o choro e a vontade de fugir. Rodolfo Lestrange detinha a sua varinha, então não era de muita coisa tentar sair dali em usar magia. Suspirou pesadamente e olhou novamente ao seu redor. Andou até a porta e observou o tempo fechado. Já havia sido assim nos últimos dois anos, sentia que poderia ser assim para o resto da vida; não era nenhum pouco animador.

Viu que a sua bolsa estava em cima da cama, pelo menos isso. Ainda poderia ter acesso às suas roupas, os seus livros e algumas coisas que tinha trazido consigo de casa e d’A Toca. Enfiou o braço na abertura e começou a tirar tudo o que tinha dentro e espalhar por cima da cama. Era prudente que algumas coisas ainda permanecessem guardadas para o bem de todos, incluindo as coisas de Harry.

“Eu guardo isso depois, senhora. Venha, o seu banho está pronto”, Alef chamou.

“Eu posso pelo menos manter as minhas roupas?”, perguntou.

“Sim, o mestre não se importará com isso”, disse Alef puxando Hermione pela mão. Com um simples estalar de dedos, ele removeu a roupa da castanha e a deixou nua. Tentou cobrir o corpo em vão e logo se viu entrando na banheira para que ele não precisasse usar de força.

Ele molhou os seus cabelos e deixou a água escorrer pelo seu corpo, percebendo que estava realmente muito suja. A água cristalina logo foi tingida de negro por causa da sujeira impregnada em sua pele: fuligem, poeira, um pouco de lodo, água de chuva, maresia... ele adicionou mais água assim que sentiu que não dava mais para ficar ali. O elfo começou a esfregar o corpo de Hermione com mais força e sentia arder em alguns pontos.

“O mestre estava pior quando chegou aqui, assim como o irmão dele e a senhora Belatriz. Levei horas até desfazer os nós dos cabelos deles”, Alef comentou enquanto desfazia os nós dos seus cabelos.

Se tivesse pelo menos escolhido se casar, não teria herdado o nome dele. Tirava um pouco da sua personalidade isso, usar somente o sobrenome de um homem. Hermione Lestrange. Agora era cativa e esposa de um Comensal da Morte, não sabia o que Voldemort pretendia com isso tudo, maculando a linhagem pura que ele tanto prezava.

Alef lhe ajudou a sair da banheira e lhe entregou uma toalha fofa para que se enxugasse e fosse para o quarto se vestir. Vestiu o seu único jeans que ainda estava limpo e um suéter azul marinho, presente dos seus pais. Calçou um par de sapatilhas que tinha pego emprestado com Gina antes do casamento de Gui e Fleur e teria de deixar o seu cabelo secar naturalmente.

Alef recolheu as roupas de cima da cama e com outro estalo de dedos, todos os objetos se colocaram em lugares estratégicos do quarto. “Vou levar isso para a lavanderia da casa, antes de anoitecer trago de volta. Não precisa descer, descanse, senhora. Sei que o mestre disse que a senhora cuidaria da casa, mas precisa estar reestabelecida para isso. Eu trarei as suas refeições”, e Alef sumiu em um pop.

Se sentou na cama e se encostou na cabeceira. Fechou os olhos, sentindo que não lhe custava nada imaginar que aquilo tudo não era verdade.

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Rodolfo passou o dia quase todo acariciando a roupa de cama do quarto que um dia pertenceu ao seu irmão mais novo. Era triste pensar que Rabby não estaria mais lá para encarar o futuro com ele. Ele teria rido de Severo quando lhe fosse oferecida uma esposa, rido de Rodolfo quando soubesse que ele teria uma nova esposa e teria rido mais ainda por saber que teria alguém para rivalizar em intelecto do que o próprio irmão. Já sentia saudades dele e não sabia o quanto isso o afetaria a partir dali.

Pensou em Bela e em como não seria nunca mais chamado de frouxo ou molenga por ela. O seu peito parecia mais leve ao saber que poderia voltar para casa e não iniciar uma guerra familiar por causa do Lorde das Trevas. Levou semanas até descobrir porque Belatriz estava enclausurada na Mansão Malfoy quando participou da missão para apreender Harry Potter que quase o vitimou, a que foi atingido por Ninfadora Tonks e caiu de sua vassoura. Ouviu o choro de criança pequena na primeira noite e passou a ouvir mais ainda quando o tempo começou a correr. Antonio havia dito que ele não iria querer ver aquilo, que seria demais para o seu orgulho como homem ver a filha da sua mulher com outro homem, mesmo a criança sendo filha do Lorde das Trevas.

Nunca chegou a vê-la, apenas a ouvia chorar e sabia que era uma menina porque Narcisa comentou com ele que não havia motivos para ele se preocupar com ela e que tudo seria resolvido logo. Anos de casamento e tinha concordado com Belatriz de que eles não teriam filhos, nem precisariam tê-los. Era o seu orgulho de homem que estava ferido, de ser publicamente traído e ter de aceitar porque Bela fazia o que queria, tinha as suas próprias leis. Apenas sabia que o nome da menina era Delphini, de resto, não lhe interessava nem o paradeiro.

Se deitou e ficou ali até a hora do jantar, até se esqueceu de almoçar. Jantaria sozinho com a garota e não sabia como se comportar, se enfezava por isso. Teve algumas horas de solteirice e queria aproveitar bem mais que isso. O Lorde sabia que ele agora era o último da sua linhagem e tinha algo que ele não estava compartilhando com eles até que o Potter morresse. Era como se ele quisesse que eles dessem à luz a uma nova geração de Comensais da Morte. Riu ao pensar nisso, não seria provável. Ou seria? Pelo sim e pelo não, poderia manter a sua nova esposa longe do Lorde das Trevas, essa ele não lhe tiraria.

Se levantou e tirou o sobretudo negro, deixando a peça em cima da cama do irmão. Foi em direção às escadas e desceu até a sala de jantar, por sorte hoje não receberia ninguém. Já eram quase oito da noite quando se sentou à mesa e a comida logo foi servida por Alef.

“Aonde está a garota Granger?”, perguntou sem direcionar olhar algum ao elfo.

“Está dormindo, mestre. Ela precisa descansar”, ele respondeu.

“Dormindo, é? Ela parecia muito cansada?”, perguntou com uma pontada de desdém. Ele havia passado catorze anos em Azkaban, não poderia estar pior que ele.

“Amanhã cedo ela já estará reestabelecida o suficiente para cuidar da casa, posso garantir.

Comeu em silêncio até que sentiu a sua fome ser saciada. Bebeu um copo de uísque de fogo depois do jantar e protelou o máximo que conseguiu para subir, comeu até mais chocolates do que deveria. Anos sem dividir a cama com alguém, a sensação seria nova. Tudo novo de novo.

Rodolfo subiu as escadas e andou pelo corredor da direita, parando na última porta do corredor. Era o quarto dele e tinha uma pessoa lá, ocupando a sua cama. A educação lhe manou bater na porta de carvalho, mas não obteve resposta. Bateu novamente e mais uma vez ninguém respondeu. Girou a maçaneta e viu um corpo estirado na cama, dormindo. Os cabelos rebeldes já estavam secos e ela vestia um penhoar de seda verde por cima de um short e uma camiseta da Grifinória. Estava delicadamente posta com a cabeça no travesseiro fofo. Continuava sendo a primeira vez em anos que tinha uma mulher na sua cama.

Decidiu ficar por ali, observando a sua nova esposa dormir. Se sentou ao lado dela na cama e levitou um livro até o seu colo, abrindo na página em que tinha parado. Os minutos foram passando e o sono foi chegando para Rodolfo. Tirou os óculos de leitura do rosto e os colocou junto ao livro no criado-mudo à direita da cama. Se levantou e começou a se despir, trazendo para si uma calça de pijamas com a varinha. Foi ao banheiro escovar os dentes e depois voltou, pronto para se deitar ao lado de Hermione.

Acordou no meio da noite com a garota se mexendo bastante ao seu lado. Coçou os olhos e viu que ela estava suada e descabelada, gemendo coisas sem nexo e lacrimejando. Não sabia o que fazer, de verdade. Belatriz raramente precisava de conforto e, se precisava, recorria a Narcisa. Franziu o cenho e hesitantemente aproximou a sua mão do ombro de Hermione. A cutucou algumas vezes e nada da garota acordar. Começou a de fato se preocupar com ela e passou a sacudi-la com um pouco mais de força.

“Granger! Granger, acorda!”, falou e nada acontecia, começou a ficar com medo de ela estar entrando em transe por causa do pesadelo, não era muito comum, mas acontecia. Às vezes as lembranças ruins são tão fortes que fica fácil se perder nelas quando se está dormindo. Tentou mais algumas vezes e nada ainda. “Granger!”, continuou tentando. Já estava perdendo a fé quando ela abriu os olhos, assustada e ofegando.

Viu que ela começou a chorar um pouco, baixo. Ficou sem ação quando ela se virou de costas para ele e se cobriu. Ficou lá, deitada como se estivesse sozinha. Não entendeu muito bem isso, imaginava que ela precisaria de algum tipo de conforto por causa disso, mas viu o braço dela e o que Bela tinha feito.

Bom, se o intuito da sua esposa morta era ter quebrado a alma da sua nova esposa, ela conseguiu. Não saberia se um dia ela seria capaz de recolher os seus próprios cacos, vê-la daquele jeito tocou uma parte de Rodolfo que ele pensou que estava adormecida há décadas: empatia. Tornou a se deitar e enrolou o seu dedo indicador em uma ponta de cabeloe dela, ela nem sentiria.

(Shot in the Dark – Within Temptation)

Num piscar de olho eu posso ver dentro dos seus olhos

Enquanto eu deito acordado ainda ouço os seus choros

E isso machuca, machuca tanto

Notas finais
Gostaram?