Straight Razor

2 The witty words I don't believe


"Quem chegar em último lugar em todos os oito testes será julgado como sem potencial...

...e será punido com expulsão."

Foi isso o que ele disse. E Hiyoka sabia que, no fundo, ele estava dizendo a verdade. A garota se lembra muito bem do que ele fez uma vez com seus alunos no ano anterior.

— Bem-vindo de volta, Shouta! Como foi o trabalho hoje?

— Foi bem normal — Shouta disse calmamente. — Eu expulsei a classe inteira. Eles não tinham potencial.

— Ah, que legal — Hiyoka respondeu um pouco distraída. Então ela finalmente percebeu o que seu tio acabou de dizer. — PERAÍ, QUÊ?! A CLASSE INTEIRA?!

— Você fala como se fosse grande coisa.

É assim que ele era. Aizawa Shouta não se atreveria a desperdiçar seu precioso tempo com um bando de adolescentes em que ele não via potencial. Ela sabia que ele sequer hesitaria em expulsar a própria Hiyoka, não importava se ela fosse sua única e querida sobrinha. Estar na U.A. significava que ela era apenas uma estudante, como todo mundo. Ele certamente odiava favoritismo.

Mas desta vez foi diferente. Depois de ver a maneira como ele reagiu à dedicação e vontade absurda de Midoriya após sua óbvia bronca, Hiyoka viu em sua expressão que Shouta desistiu de toda a ideia de expulsão.

Hiyoka sorriu calorosamente para seu tio, que estava analisando dois alunos fazendo o último teste. Ela se sentia genuinamente feliz. Estava escrito em seu rosto: ele viu potencial na classe.

— Então o professor Aizawa é seu tio, uh? Isso é tão legal, mano! — uma voz familiar interrompeu seus pensamentos.

Dirigindo sua atenção para seu amigo ruivo ao lado dela, Hiyoka pôde dar uma rápida olhada na figura de Todoroki Shouto a poucos metros deles. Ele a encarava com a mesma expressão estóica de sempre, aparentemente julgando-a por alguma coisa — mas a garota preferiu ignorá-lo completamente.

— Sim... — ela respondeu sorrindo timidamente, esfregando a nuca. — Ele é um tio muito legal.

— Concordo totalmente. Mas ele é assustador quando quer, né. Assim como você — disse Kirishima com um sorriso brincalhão, suas mãos dentro dos bolsos. — A propósito, ele te puniu por entrar em uma briga com aquele garoto Bakugou?

— Ai, mas claro que sim, aquele ser humano impiedoso! — Hiyoka posou dramaticamente, colocando uma mão em sua testa e fechando os olhos com uma expressão de sofrimento. — Uma semana inteira sem videogames! Você pode sentir minha dor?!

— O que?! — o ruivo se juntou, posando com a mão no peito e imitando a expressão da garota. — Minha querida amiga, isso é demais para eu lidar!

Hiyoka fingiu lágrimas enquanto Kirishima tentava segurar sua risada.

— É o fim da minha existência! Estou prestes a...

— Tudo bem, silêncio.

Shouta interrompeu e esperou que a conversa da classe cessasse, o que era bem fácil para alguém como ele. Todos os alunos olhavam para o professor com expressões variadas, mas a maioria esperava ansiosamente.

— Agora, vou contar a vocês os resultados rapidamente — disse ele, de maneira um tanto indiferente. — O total é simplesmente as notas que vocês obtiveram em cada teste. É uma perda de tempo explicar verbalmente, então vou mostrar os resultados de uma vez.

O professor calmamente clicou um um botão de seu dispositivo e de repente apareceu um holograma, mostrando os resultados de todos.

Hiyoka podia sentir seu peito apertando enquanto ela olhava ao redor para todos que procuravam seus resultados, mas ela não podia. Ela sabia que dissera ao seu tio para não aliviar as coisas para ela ou contar a alguém sobre isso, mas ainda assim.

Ela se sentiu tão desconfortável, tão desamparada. E Kirishima logo notou sua amiga em tal estado.

— Uh, Tominaga, o que há de errado? — ele perguntou suavemente, não querendo chamar atenção. Mas ele não percebeu um certo par de olhos heterocromáticos olhando para eles e ouvindo atentamente toda a conversa.

— Bem — quero dizer — você poderia... — a garota começou nervosamente, evitando olhar para qualquer um. — Você poderia, por favor, me dizer... o meu resultado? Tipo... em qual lugar eu fiquei?

— Por quê? — Kirishima se sentiu um pouco confuso e inclinou a cabeça. — Você não pode fazer isso sozinha ou algo parecido? Precisa de óculos?

— Hm, eu não... não posso... — ela finalmente olhou em seus olhos, sua expressão claramente implorando. — Por favor, Kirishima. Apenas me diga...

O ruivo via em seus olhos que ela não queria explicar. Pelo menos por enquanto. Ele suspirou devagar e desistiu de insistir, embora ainda estivesse curioso. Hiyoka agradeceu em silêncio por isso.

— Bem, você ficou em 11º lugar — o garoto sorriu e acariciou o cabelo de Hiyoka, fazendo a garota rir baixinho. — Bem impressionante, e olha que você nem usou sua individualidade, uh?

— Obrigada, Kirishima! Bem, eu treino um pouco — Hiyoka silenciosamente comemorou e dirigiu sua atenção de volta para seu tio e professor, esperando o momento em que ele iria dizer que a coisa toda de expulsão era tudo mentira.

— A propósito, eu estava mentindo sobre a expulsão.

Olha aí!

A maioria dos estudantes parecia muito chocada e Hiyoka teve que se segurar para não rir.

— Foi um método racional para fazer vocês atingirem os limites de suas individualidades — continuou Shouta, sorrindo para seus alunos. Bastardo sádico dos infernos.

— Claro que era uma mentira — disse Yaoyorozu Momo, olhando para um Midoriya ainda chocado. — Seria óbvio se pensassem direito.

Você ficou mais gentil, não foi, Shouta?

Hiyoka sorriu para si mesma, feliz que nenhum de seus novos colegas de classe seria expulso. Bem, com exceção de Bakugou e Mineta, eles ficariam bem melhor longe dela.

— Com isso, terminamos por hoje — disse Shouta, começando a se retirar. — Há folhas com o currículo e tal na sala de aula, então, quando voltarem, deem uma olhada.

Caminhando de volta para a sala de aula com o ruivo ao lado dela, Hiyoka podia sentir seu corpo pulsando de dor.

— Uff! — Hiyoka exclamou, se alongando. — Isso sem dúvidas foi cansativo! Tô totalmente acabada!

— Quê, cê já tá cansada? Eu ainda tô cheio de energia! — Kirishima respondeu sorrindo fazendo uma pose de luta.

— Heh, você é sempre assim, não é? — a garota riu alto.

A atenção deles foi rapidamente direcionada aos dois garotos se aproximando dela e Kirishima, ambos acenando e com sorrisos amigáveis.

— E aí, Sero! Kaminari! — o ruivo instantaneamente sorriu de volta, deixando Hiyoka um pouco confusa sobre o que fazer, vendo que os únicos estudantes que realmente conversavam com ela foram Kirishima e Bakugou. Ela se amaldiçoava por ser tão desajeitadamente anti-social.

— Você foi absolutamente incrível lá, cara! — Kaminari disse. — Você também, Tominaga! Você é tão forte e rápida!

Hiyoka piscou algumas vezes, perguntando-se como aquele garoto sabia seu nome. Ele deve ter ouvido Kirishima falando isso.

— Concordo — comentou Sero. — Embora eu não tenha visto qual era sua individualidade.

— Gente, sério, a individualidade da Tominaga é incrível! — ruivo exclamou animado, fazendo Hiyoka corar intensamente. — Vocês deviam ter visto!

— U-uh, Kirishima! — a garota disse cobrindo as bochechas rosadas e olhando para os lados, o que faz os garotos rirem um pouco. — Não é tão legal assim...

Kirishima abraçou-a pelo ombro com um braço e puxou-a para perto, mostrando-a o mesmo sorriso amigável que Hiyoka aprendeu a apreciar.

— Não seja modesta, mano! Você é a garota mais máscula que eu já conheci!

— Kirishima, não é muito legal chamar uma garota de máscula — Sero retrucou.

— Pois é, ainda mais quando a gente tá falando de uma gracinha como ela — Kaminari disse com um sorriso pervertido, analisando Hiyoka da cabeça aos pés. A garota não notou, mas ficou mais confusa de qualquer maneira.

— Para com isso, Kaminari — Sero disse rapidamente, revirando os olhos. Então ele se lembrou de algo. — Ai, desculpa! Eu esqueci de me apresentar! Eu sou Sero Hanta! É um prazer conhecê-la!

Pikachu se juntou e apresentou-se fazendo uma reverência.

— Kaminari Denki ao seu serviço!

Hiyoka encarou eles por um momento antes de sorrir amplamente.

— Eu sou Tominaga Hiyoka, é um prazer conhecer vocês dois!

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— Então, como foi seu primeiro dia de aula? — Shouta perguntou de repente enquanto observava sua sobrinha preparando o jantar.

Ela parou por um momento, depois olhou para o homem, estreitando os olhos, desconfiada.

— Shouta, você é literalmente meu professor.

Ele suspirou devagar. — Eu quis dizer quando eu não estava lá com você.

— Eu sei — ela riu divertidamente, abrindo a porta do armário da cozinha para pegar dois pratos. — Tirando o babaca loiro, foi tudo bem de boa, eu acho.

— Eu vi você conversando com aquele garoto, Kirishima Eijirou — desta vez foi a vez de Shouta estreitar os olhos. — Aquele que você salvou durante o exame de admissão.

— Sim, eu fiquei feliz por ter salvado ele — a garota simplesmente acrescentou, sabendo o que estava por vir.

Shouta suspirou novamente, descansando o queixo na mão esquerda.

— Eu já te disse antes, mas aquilo foi extremamente imprudente de você. Você sabia que estava no seu limite, mas não parou. Você poderia ter morrido lá, e você sabe.

A garota só conseguia ficar em silêncio e evitar o olhar sério de seu tio sobre ela.

— Mas aquele ato heróico impressionou os professores, inclusive eu — Shouta viu sua sobrinha se virar para ele com um olhar surpreso e confuso no rosto. Ele sorriu levemente. — Você está melhorando, Hiyoka. Você já está agindo como uma verdadeira heróina.

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BÔNUS: conversas entre Hiyoka e Shouta por celular — parte 1

Tio Shouta ♥:

Atenda seu celular.

Eu sou Groot:

Peraí, não tô conseguindo achar meu celular

Tio Shouta ♥:

Está bem.

···

···

Tio Shouta ♥:

Você é uma criança horrível. Você sabe q está me matando. Você está matando seu tio, Hiyoka.

Eu sou Groot:

Levou apenas 7 minutos pra perceber, parabéns

Tio Shouta ♥:

Eu nem sei de onde você veio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.