Strada Per L'inferno
54 Máscaras - Parte II
Notas iniciais
POV Aaron
Parei o carro na frente da mansão de Callum. Logo um manobrista veio pegar a chave de meu carro. Segurei-a firme entre meus dedos quando fiz menção de entregá-la, estreitando os olhos.
— Se houver um arranhão na pintura, você morre.
Ele assentiu, engolindo em seco, sem esconder o medo que sentira. Sorri satisfeito e joguei a chave, que ele pegou atrapalhado. Envolvi a cintura de Cindy, uma das várias garotas da boate, e segui para a os portões abertos. Os seguranças na porta olharam para minha cara e trocaram olhares. Não me surpreendi. Callum deve ter dado alguma instrução perante meu aparecimento.
— Convite.
Retirei-o do bolso do paletó e o entreguei. Ele devolveu-me, dando-me passagem.
— Eles estão comigo.— apontei com a cabeça aos meninos e suas devidas putas.
O segurança assentiu e lhes deu passagem também. Arqueei a sobrancelha. Callum bonzinho era mais falso que leprechaun.
O hall de entrada era composto de um lustre de cristal em cascata moderno. O chão de madeira polida era coberto por um tapete marroquino. A hostess sorria para nós com uma prancheta na mão, usando um vestido justo que saltava seus peitos de modo obsceno, mas que eu gostava.
— Nomes, por favor?
— Aaron Walker. Eles estão comigo.
Ela me deu uma olhada de cima a baixo, sem se importar com minha acompanhante, antes de baixar os olhos para a lista e abrir um sorriso malicioso.
— Me acompanhe, por favor, senhor Walker.
Ela mastigou meu nome, fazendo-me retribuir o sorriso em seus lábios nude. Ela era gostosa e tinha belos peitos, mas Lane conseguia ganhar. Mesas estavam espalhadas espaçadamente no salão principal, com plaquinhas em cima nomeando os donos. Garçons andavam de um lado ao outro com taças de champanhe, servindo os "convidados exclusivos". A sala de pé direito alto era banhada de luz por um lustre de cristal muito maior do que o do hall. Esse era redondo e deve ter sido comprado em algum leilão. Uma escada enorme de vidro e aço com luzes embutidas em casa degrau chamava a atenção para o fundo do salão. Um canto mais casual à esquerda quebrava a iluminação clara. O teto ali era baixo e havia sofás de couro branco um do lado do outro, divididos somente por mesinhas de vidro, voltados para o salão.
Callum era realmente um filho da puta exibicionista.
— Esta é a mesa do senhor.
Ela parou ao lado de uma mesa redonda, coberta por uma toalha de linho branco dentre as milhares dali. Meu nome reluzia no papel cartão ao centro da mesa, atrás de taças de cristal, louças de porcelana e talheres de prata. Diferente de outras mesas ali, aquela tinha exclusivamente meu nome. De novo, Callum sabia que traria minha equipe e estava muito pacífico quanto a isso.
— Obrigado. — mordi meu lábio, voltando-me à hostess; ou melhor, ao seu decote.
Ela nem se deu ao trabalho de se sentir constrangida antes de se retirar. Puxei uma das cadeiras para mim e Dylan sentou-se ao meu lado, rindo pelo nariz.
— Se a sua mulher visse os olhares que você trocou com essa loira, teria voado no pescoço dela e te castrado.
— O que os olhos não veem, o coração não sente.
Dylan balançou a cabeça enquanto eu dava uma longa e atenta olhada ao redor, procurando por Callum ou Antenore. Não os achei, ainda que tivesse identificado muitos rostos familiares por debaixo das máscaras. Políticos, policiais e traficantes com quem Callum tinha aliança ou procurava fazer. Se dependesse de mim, logo seu número de "amigos" seria reduzido.
— Todos na escuta?
Virei-me para a mesa e os meninos me olhavam dando leves acenos de cabeça, confirmando que eu não fora o único a ouvir.
— Sim, Nick. Todos estamos escutando.— disse baixo, perto do ponto.
As acompanhantes não demonstraram surpresa ou confusão. Permaneceram caladas, como estavam sendo pagas para ficarem.
— Ótimo. Chequei o localizador na escuta da Kim e ela já está a caminho. Daqui a uns dez minutos, ela chega.
— Antenore?
— O segurança disse que ele também está a caminho.
— Tudo bem.
Virei-me para o salão de novo e vi Richard, um dos senadores que mais tinha as mãos regadas por meu dinheiro. Uma conversa rápida para massagear seu ego e garantir a aliança não seria tão ruim. Levantei-me da mesa e rapidamente os olhares de todos se voltaram a mim.
— Vou conversar com o senador Richard e já volto.
A puta ao meu lado fez menção de levantar, mas voltou a afundar no assento com meu olhar duro. Ajeitei o paletó e retirei a máscara, que me incomodava, jogando-a na mesa antes de cruzar o salão. O senador estava parado de costas para mim, conversando com o chefe de polícia da cidade. Assim que me viu andando em sua direção, abriu um sorriso amarelado e cínico. Aproximei-me do homem no momento em que sua companhia o deixava.
— Senador Richard. — estendi minha mão.
— Aaron Walker.
Ele pegou-a em um rápido e firme aperto e a soltou.
— Estou surpreso em te ver aqui. — ele admitiu.
— Conhece o ditado, senador: mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda.
Ele deu uma risada franca. Uma das poucas coisa que ele talvez soubesse fazer desta maneira.
— Sim, sim. Certíssimo. E como andas?
— Bem. Curtindo a falta de adrenalina.
— Oh, sim. Soube que se casou, então deve estar andando mais doméstico...
Abri um sorriso frio, acenando positivamente com a cabeça, enquanto recebia seus cumprimentos falsos. O casamento com Lane era segredo para a maioria, mas o senador era um homem de muitos contatos.
— E sua esposa está aqui? Terei a honra de conhecê-la esta noite?
— Receio que não, senador. Ela é uma mulher reservada. Não gosta de se expor.
— Ela ou você? — sorriu presunçoso.
— Os dois. — retribuí o sorriso de forma desagradável.
— Faz bem. Zelar pelo que é importante e de valor. Nesse mundo louco de hoje, nunca se sabe o que pode acontecer.
Afiancei o sorriso falso. O senador parecia um homem amigável, de sorriso fácil e expressões leves, mas eu sabia que ele poderia ser bem perigoso se desafiado. Por isso sempre tratava de molhar suas mãos muito bem. Um garçom aproximou-se com copos com uísque e cada um pegou um.
— Deve saber que, no próximo ano, teremos eleições novamente. E que preciso começar uma nova campanha para minha recandidatura logo...
— E precisa de ajuda com os custos. — completei sem emoção, abaixando o copo.
— Sim. Preciso de certa contribuição.
— Monetária ou tática? — arqueei a sobrancelha.
— Por enquanto, monetária. — sorriu, dando de ombros.
O senador saboreou de sua bebida e me dei ao luxo de olhar ao redor. Achei então Antenore se acomodando em uma mesa junto com Don Mantovani. Aquela era minha deixa para me livrar do senador e engatar em uma conversa mais interessante.
— Senador, se me der licença, preciso cumprimentar outros conhecidos.
— É claro. Ah, mandarei em breve minha secretária entrar em contato com você para acertamos melhor sua ajuda.
Assenti com um sorriso seco e me afastei. Os dois mal haviam se servido de bebidas quando toquei o ombro de Antenore. Ele virou o pescoço e me encarou sem surpresa alguma.
— Aaron. — seu tom era cordial.
Sorri irônico.
— Antenore.
Apertamos as mãos rapidamente. Com muitas pessoas em volta, deveríamos manter as aparências. Aproximei-me de Don Mantovani, que me olhava com diversão.
— Como vai, rapaz? — estendeu a mão.
— Muito bem. — apertei-a.
— Puxe uma cadeira. Sente-se conosco.
Acatei o pedido, ignorando o ar contrariado do outro.
— Antenore me contou que estaria presente, mas não coloquei muita fé. Afinal, você e Madox não simpatizam muito, não é?
— É verdade. Mas como disse ao senador Richard agora a pouco, eu sigo o ditado que diz: mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
Ele sorriu, um sorriso frio e amargo, pois sentira a indireta.
— Espero que sua esposa esteja bem. — Antenore comentou.
Sabíamos que não era sábio citar nomes ou fazer menções muito diretas num ambiente lotado de gente desonesta.
— Ela está bem sim, muito obrigado. Se recuperou rápido de um abalo emocional que sofreu outro dia.
Antenore estreitou os olhos enquanto continuava a esbanjar sorrisos.
— E onde ela está? — Don Mantovani interviu na guerra fria.
— Em casa. Ela não gosta desse tipo de evento.
— E ela aceitou bem o marido vir a esse tipo de evento com uma prostituta? — Antenore provocou, arqueando as sobrancelhas.
— Negócios, Antenore. Sabe como as coisas funcionam... — encolhi os ombros, voltando a dar um gole em minha bebida.
— Mas como andam os negócios por aqui, meu jovem? — Don Mantovani mudou o curso da conversa.
— Bem. Há sempre um aumento de vendas com a proximidade do verão. E o Mardi Grass também é ótimo para os negócios.
— É de se imaginar que sim.
— E na Itália? Como vão as coisas?
— Muito bem também.
Senti uma mão em meu ombro e me virei, encontrando Dylan sorrindo forçadamente simpático para os outros na mesa. Eu o conhecia para saber que a falsidade era por nervosismo, e que algo estava errado.
— Boa noite, cavalheiros. Se me permitirem, eu preciso roubar o Aaron por alguns minutos.
— O que está acontecendo? — sussurrei entredentes para ele.
— Claro, fique a vontade... — Don Mantovani sorriu indiferente.
— Dylan. — voltei a silabar.
— Problemas com Kimberly.— murmurou em meu ouvido, sorrindo para os outros e dando tapinhas em meu ombro.
Enrijeci sob o terno, controlando-me para não apertar os punhos e o maxilar. Levantei-me, ajeitando o paletó, não querendo desperdiçar mais um minuto antes de resolver o que poderia vir a se tornar nossa sentença de morte.
— Senhores. — acenei com a cabeça.
— Até breve, rapaz.
Afastamos-nos, e quando preparava-me para perguntar irritado que diabos estava acontecendo, meus olhos pararam na última pessoa que poderia imaginar ali. Lane sorria sexy e presunçosa um pouco afastada da porta, com uma taça de champanhe em mãos e um vestido excitante pra caralho. Ela usava uma máscara, o que dificultava seu reconhecimento. Mas eu dormia com aquela mulher toda noite, conhecia cada milímetro de seu corpo, com ou sem roupas. E principalmente, não confundiria aquele par de olhos azuis com nenhum outro. Meu queixo estava no chão, algo que ela notou antes e fez questão de demostrar que sim, ampliando ainda mais o sorriso mordaz sob a taça.
Ela se virou e seguiu por um corredor, rebolando, fazendo-me saber que queria que a seguisse. Não precisava nem insinuar: iria atrás dela de qualquer jeito para saber que merda era aquela.
— Puta merda. Desgraçada. — murmurei, voltando-me para Dylan e bagunçando meu cabelo.
— Cara, se controla. Não chama atenção. Você sabe que qualquer um pode tá olhando.
Respirei fundo e lhe dei razão. Arrumei o cabelo para poder esfregar as mãos pela boca.
— O que você vai fazer?
— Ir atrás dela, óbvio! Quero saber que porra ela pensa que tá fazendo.
— Tá. Eu vou voltar pra mesa e falar com o resto. Ele também a viram.
Concordei com a cabeça, sem dar tanta atenção, já andando atrás dela. Meu sangue fervia; e, de novo, eu me controlava para não passar emoções. Mas era difícil quando sua mulher teimosa, que ainda teve a pachorra de te ligar minutos antes para dizer que ia assistir filmes a noite toda com a amiga, aparece em baile perigoso quando você já havia deixado claro que a queria longe.
Mil e uma hipóteses do que a levou a me desobedecer passaram por minha cabeça. A maior parte se resumia a para me provocar e me desafiar. Mas havia as teorias loucas, como a de que ela pegara o lugar de Kimberly na missão. Caso não estivesse tão pilhado, teria eu rido de minha ideia estúpida. Lane não seria capaz nem de me desafiar, nem de se colocar nesta posição, apesar de já estar rindo na cara do perigo.
Segui pelo corredor, abrindo a porta em que a vira entrar. Achei-a no fundo da sala bem mobiliada, encostada a uma mesa de vidro com o mesmo sorriso desafiante. Apertei a maçaneta antes de fechar a porta atrás de mim.
Fixava somente nela e na raiva que sentia enquanto caminhava para mais perto. A filha da puta continuava calma, bebericando a porra do champanhe, conseguindo me irritar ainda mais. Já não sabia quantas vezes Lane pedira por uma boa lição, provocando-me quase ao limite. Desta vez, no entanto, ela estava a um passo do inferno.
Peguei seu braço e me aproximei bem de seu rosto, rosnando:
— Que porra você pensa que tá fazendo?
— Estou salvando sua pele, amore.
Ela afastou-se esnobe e andou até o espelho. A filha da puta ainda rebolava aquela a bunda naquele maldito vestido. Balancei a cabeça e me concentrei na merda rolando naquele momento.
— Você pirou? Se o Callum descobre...
— Aaron, eu não estou aqui como eu. — cortou-me.
Ela virou-se, retirando a máscara e me deixando ver melhor seus olhos azuis pintados de suavemente. Com a máscara ela parecia misteriosa e sexy, mas sem ela era simplesmente gostosa.
— Estou aqui como Ava Wilde, convidada especial de Callum Madox.
Ava Wilde. Aquele era a identidade falsa que arranjara para Kimberly. Minhas ideias mais malucas não eram tão malucas. A filha da puta estava gargalhando na cara do perigo; mas principalmente na minha.
— Onde está Kimberly?
Não que eu estivesse preocupado com aquela vadia, mas queria saber o que ela tinha feito para passar a perna nela. Pois Kimberly era tudo, menos burra. Ainda mais quando se tratava de algo que lhe traria benefícios.
— Está no quarto de hotel que você está pagando para ela. Provavelmente desmaiada no sofá.
— Você a dopou? — não pude deixar de soar incrédulo.
— Eu não. Meu parceiro.
— E quem é?
Era óbvio que Lane não conseguiria armar tudo isto sozinha. Não porque não era capaz, mas porque era nova demais nesse mundo e começar me enganando não era fácil. Então só poderia ser alguém de dentro da equipe a ajudá-la com essa tarefa. E só havia um nome em minha cabeça quando cheguei a esta conclusão.
— Conto o milagre, mas não conto o santo.
Ela me deu as costas, mesmo ambos sabendo que a puxaria de volta. E foi isso que fiz. Ela se voltou, jogando os cabelos para o lado e vi o lampejo de algo em sua orelha. A confirmação de minhas suspeitas. Tive-a a centímetros de mim e joguei todo o seu cabelo, estrategicamente posicionado sobre somente um dos ombros, para o outro lado. Abri o meu sorriso presunçoso.
— Nem precisa mais responder.
Ela soltou-se num tranco, afastando-se para ajeitar-se de novo com certa raiva. Tive vontade de rir daquela cena. Fora burrice pensar que eu não descobriria. Quem mais além de Nick, que simpatizara com ela desde o começo, não estava no núcleo da festa e ainda chefiava toda a parte tecnológica, poderia ajudá-la?
— Nick só soube de tudo hoje, depois de doparmos Kimberly.
Seu tom foi baixo e firme. Mas o que me fez duvidar de meus próprios palpites foi seu olhar. Talvez ela não mentisse, mas talvez estivesse jogando comigo para eu pensar exatamente assim.
— E eu sou a porra da chapeuzinho esperando uma merda de um príncipe qualquer vir me beijar pra me tirar de uma maldita torre.
— Bom ver que seu humor não foi afetado, apesar de ter confundido tudo.
E, pelo seu tom e olhos, ela não se referia só a ter confundido as historinhas de criança.
Ela se afastou até a bolsa para pegar o batom e minha cabeça começou a borbulhar de novo. E, de novo, uma ideia improvável bateu. Mas como eu andava certeiro com minhas ideias improváveis...
— Que se foda, Lane! Se Nick não te ajudou, quem foi o bosta que fez isso? O Colin?
— Aaron, eu já disse que não vou falar. Já foi. Está feito. Você não tem nenhuma opção além de confiar em mim.
Ela só podia estar gozando com a minha cara.
— Como? Você fudeu com todo o plano! Nem tem treinamento!
— É aí que você se engana, meu querido. Sei tudo o que preciso.
E seu sorriso pelo espelho me confirmou que ela realmente não sabia em que porra se metera.
— Você não está entendendo como isso é perigoso, não? — passei as mãos no cabelo, rindo frustrado.
— Eu entendo perfeitamente como isso é perigoso.
Ela veio até mim e me impediu de continuar a descontar em meu cabelo o que ela estava causando. Ajeitou-o de novo no estilo mauricinho em que fora obrigado a colocá-lo sob meu olhar atento. Pegando-me de surpresa, puxou-me pela gravata e me beijou. Ela queira só encostar nossos lábios, mas eu não ia deixar a oportunidade passar. Segurei em sua cintura com força, empurrando minha língua para sua boca. Ela nem tentou resistir e levar adiante seu beijo tosco. Jogou suas mãos pequenas em mim, apalpando-me por cima da camisa do jeito que queria fazer por baixo dela.
Quando nos afastamos ofegantes, abri meus olhos e vi a câmera acima de sua cabeça. Lane me bagunçara tanto que havia me esquecido delas. E aquele estado embriagado que ela me dava, agora por tê-la em mãos literalmente, fez-me só comentar, com um sorriso despreocupado e malicioso:
— Vou ter que mandar Nick apagar tudo isso depois.
— Já fiz isso. — gabou-se, afastando-se.
E pegando o lenço que a mesma insistira para eu usar junto com o paletó, limpou a boca na frente do espelho. Involuntariamente, passei o dedo nos meus lábios. Suas pequenas mãos desceram para ajeitar o vestido, mesmo que não precisasse. Minhas duas cabeças latejaram ao ver suas mãozinhas moldando suas curvas do jeito que eu faria. Com mais força e possessão, é claro.
— Limpe-se. — disse, jogando o lenço para mim. — Sua acompanhante não vai ficar feliz em lhe ver borrado de batom de outra.
Ri e fiz o que pediu. Ela voltou a aproximar-se e ajeitar minha roupa. Não que precisasse. Era uma distração para preparar-se para o que ambos sabíamos que viria a seguir. Eu a olhava, vendo-a evitar fazer o mesmo até suspirar e se render.
— Confie em mim, Aaron. Tudo vai dar certo. Eu sei o que estou fazendo.
Fechei os olhos, esfregando-os. Aquela mulher acabava comigo com seus olhos pedintes e voz doce, fazendo-me pensar, agir e confessar coisas que nem eu sabia.
— Mas que merda, garota. Eu não quero que nada te aconteça.
— Não vai. Te terei logo ali para me proteger. Ou quer desobedecer as ordens de babbo de cuidar bem da menininha dele?
Abri os olhos e ela sorria nada inocente. Retribuí na mesma moeda, não aguentando ter aquele sorriso, que era praticamente uma carta branca, em minha frente e não fazer nada. Peguei em seu rosto e aproximei-o do meu, mas ela esparramou as mãos em meu peito e me afastou.
— Não quero borrar meu batom de novo. — sorriu, pedindo desculpas e me provocando ao mesmo tempo.
Revirei os olhos, bufando frustrado. Acrescentaria isso a minha lista de motivos para puní-la mais tarde. Ela voltou a colocar a máscara e pegou a bolsa e a taça.
— Primeiro eu ou você?
Desci os olhos rapidamente por seu corpo.
Porra.
— Vai na frente. Ainda tenho que me preparar para te ver do outro lado do salão, sendo comida com os olhos enquanto não posso sacar uma arma e atirar no meio da testa de cada um.
— Se você se comportar direitinho, talvez eu deixe você fazer o que os outros tanto desejam.
Gargalhei. Era tão bonitinho e inocente vê-la falando como se mandasse. Cortei a distância entre nós e peguei em sua cintura espremida e ressaltada por aquele pano fino e moldado a seu corpo. Afastei alguns fios de cabelo de seu rosto, querendo olhar bem em seus olhos grandes.
— Eu não preciso de sua permissão para te comer. Sabemos que se entrega a mim antes mesmo de pensar. E nesse vestido, sendo uma puta de uma gostosa, com certeza eu vou te foder até não conseguir mais por sua insolência.
— Não sabia que isto havia virado uma relação sadomasoquista.
Ela riu, após dar um sorriso equiparável ao meu. Acompanhei-a. Gostava e odiava sua ousadia.
— Não curto essas paradas. Só gosto de te ver sofrendo em cima do meu pau, pedindo por mais.
Ela revirou os olhos, mas corou como sabia que iria. Sorri e tentei beijá-la de novo. Ela permitiu, roçando nossos lábios antes de morder o meu com força. Afastei-me surpreso, vendo sangue em meus dedos depois de passá-los em minha boca. Ela riu, rebolando até a porta só para provocar mais.
Vadia.
— Avise meu pai sobre mim. Diga-o para não se aproximar de mim e entregar o plano. — mandou, achando que iria sair por aquela porta por cima.
Apoiei meus braços ao lado de sua cabeça quando ela pensou em girar a maçaneta. Ela virou-se para mim, calma enquanto eu estava sério. E não era só mais pela brincadeira. Ela sabia disso; por isso, desviou o olhar.
— Toma cuidado, Lane. Você pensa que sabe com quem está lidando, mas não sabe. Aquelas pessoas naquela sala são piores do que você imagina, mas ainda assim não chegam aos pés do que Callum pode fazer. E se você estiver sozinha com ele, por mais que eu odeie admitir, será por sua conta. Ainda que não meça esforços para caçá-lo até o inferno caso algo aconteça, eu ainda prefiro ver essa missão fracassar e você estar bem.
— Eu sei.
Ela disse de tal maneira, que me levou a pensar que ela entendera melhor do que eu minhas próprias palavras.
— Mas você prometeu para mim antes, e agora eu prometo para ti: eu vou voltar. Eu vou voltar para você.
E antes que pudesse processar que porra fora aquela, ela saiu da sala. Bufei, encostando a testa na porta e esfregando a nuca, na esperança de que ela soubesse mesmo o que estava fazendo.
E que cumprisse com sua palavra assim como eu pretendia fazer com a minha.
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