Strada Per L'inferno
12 Juntando as peças
Notas iniciais
Cinco meses depois
Parece que foi ontem que a mansão de Henry foi invadida e que eu fui dopada, mas já fazia seis meses. Dois dias após a invasão, Henry me levara para a casa de campo de sua família, em Greensburg, Louisiana. A cidade era praticamente uma vila, porém isso não fazia diferença, já que a casa era bastante afastada da cidade. A casa, em questão, era enorme. Um casarão construído na era vitoriana, como me fora informado, com quatro quartos, diversos banheiros, duas salas, uma sala de jantar, cozinha e piscina até. Possuía também uma grande área verde com árvores. Talvez o fato de ser uma casa afastada da cidade e ser maravilhosa, dessem a ideia que eu não desejava sair dali, mesmo que tivesse permissão para. Pois bem, era justamente o contrário. Eu sentia-me mais presa do que em Nova Orleans. Lá, ao menos, eu sabia que tinha um mundo ao meu redor. Aqui, não há nada além de verde e animais. Era mais claustrofóbico ainda.
Eu também sentia-me muito sozinha. Podia ligar para minha família, coisa que fazia quase todo dia, mas não me sentia preenchida por isso. Primeiro porque eles estão a quilômetros e quilômetros de mim; segundo porque eu não podia ser verdadeira com eles. Henry disse a mim que seria melhor que eu não dissesse nada a eles sobre a invasão da casa para não preocupa-los, e eu concordei. Essa decisão, claro, impossibilitava-me de contar minha localização, e consequentemente, meu dia-a-dia. Eu era obrigada a mentir toda vez que eles me perguntavam sobre Henry ou o que achava de minhas funções como esposa. Era horrível.
A maior parte de meu tempo era gasto em leituras, já que a casa possuía uma sala de leitura com um acervo incrível, ou em passeios pelas arvores. Pouco usava a piscina. Cultivava também uma horta, porém pouco cozinhava o que colhia, já que a casa possuía empregados, entre eles uma cozinheira. Até governanta, acredite, possuía. Miranda, a governanta, se tronara uma ótima companhia e amiga a mim. Ela deveria ter uns quarenta anos e os cabelos castanhos escuros na altura dos ombros, com olhos da mesma cor dos cabelos. Olhos que me lembravam muito os de Henry. Tinha um corpo bem cuidado e um sorriso bem acolhedor. Ela era muito simpática e me recebera como uma filha assim que cheguei. Ela cuidava de Henry quando menor, começando a trabalhar para a família dele como babá, então ela pode contar-me algumas histórias sobre meu marido. Ri muito com as travessuras que ele aprontava. Porém, quando o assunto transcorria para Henry adulto, ela se tornava misteriosa e pouco falante.
Tudo que girava ao redor de Henry de hoje era um mistério.
***
Era por volta das cinco da tarde e eu tomava um chá na companhia de Miranda, na sala de leitura. A sala de leitura foi, como descobri, a sala de visitas das mulheres da geração passada de Henry. Miranda me contava algumas de suas desventuras de quando era mais nova. Nós riamos para valer. Mas fomos interrompidas por o celular de Miranda tocando.
–Com licença – Ela pediu se retirando para atender a ligação.
Eu continuei tomando meu chá, enquanto Miranda estava em alguma parte da casa ao celular. Essas ligações eram frequentes e sempre misteriosas: ela nunca atendi-as em minha frente. Eu terminei meu chá e depositei a xicara na mesinha a frente do sofá. Olhei para a janela a minha direita e notei o crepúsculo já caia no horizonte. Miranda não voltara e sua voz não podia ser ouvida por mim. Levantei-me, ajeitando meu vestido, e decidi ir à cozinha perguntar o que a cozinheira faria para o jantar. Porém, adentrando a cozinha não encontrei a cozinheira, mas sim Miranda. Ela estava de frente à piscina, com o celular ainda perto do ouvido, conversando em voz baixa, porém audível de onde estava.
–Eu sei meu filho, mas está difícil mantê-la aqui – Miranda dizia num tom de cansaço – Ela é uma boa moça, não sei o porquê de vocês não se entenderem! Aaron... Desculpe-me... Henry, eu não entendo o porquê de tanto mistério com a moça! – Ela fez uma pausa em seus argumentos, ouvindo o que lhe era falado do outro lado da linha – Eu sei, eu sei, mas eu gostei dela como nora. Não acredito que você não possa ter gostado: ela é maravilhosa. Eu mesma não poderia ter escolhida uma moça mais educada, gentil, bonita e bondosa como ela. Você tem que abrir um pouco de espaço para o amor nesse seu coração, meu filho!
Escutava a conversa ao lado da mesa da cozinha. Quando, entretanto, fui apoiar uma de minhas mãos nela, esbarrei-a em uma jarra em cima da mesa. A jarra caiu, uma vez que estava bem perto da ponta, e espatifou-se fazendo um grande barulho. Miranda se virou assustada para a cozinha e deu de cara comigo, empalidecendo. Ela baixou o telefone e levou a mão ao peito, dizendo num lamento:
–Lane!
Eu engoli em seco, a encarando. A conversa que acabara de escutar martelava em minha cabeça, deixando-me confusa. Fechei os olhos e respirei fundo, me virando e saindo as pressas da cozinha para meu quarto, onde me tranquei.
Deuses, eu entendera bem? Miranda era mãe de Henry? E porque ela o chamara de Aaron? Pensando bem, Dustin também chamara o de um nome esquisito: Drew. Deuses, por que dessas mentiras? São mentiras? Que parte da história estava sendo escondida de mim? Eu andava de um lado para o outro do quarto, mexendo em meus cabelos sem saber o que fazer. Até que ouvi batidas na porta e a voz de Miranda pedindo para eu abrir a porta. Eu respirei fundo e abri a porta.
–O que está acontecendo Miranda? – Perguntei na porta, encarando-a.
–Ah querida! Não queria de contar desse jeito! – Ela lamentou-se, delatando-se.
Eu a deixei entrar e eu me virei para ela, fechando a porta.
–Miranda, eu quero saber o que está acontecendo. Você é mãe de Henry? E o porquê o chama de Aaron? E quem é Drew? Afinal, qual é o nome dele? – Despejei um monte de perguntas em cima dela, confusa demais para fazer uma de cada vez.
Ela suspirou e me olhou. Ela estava abalada, era notável.
–Sim querida, eu sou mãe de Henry – Ela respondeu-me, cruzando os braços como se abraçasse a si e olhando-me para mim.
–E por que não me disse? — Eu perguntei espantada.
–Foi um pedido dele.
–Mas por quê? Por que ele pediria isso? – perguntei sem ver lógica nisso – Ele não gosta de mim? – Perguntei, lembrando-me de um trecho da conversa em que Miranda disse que não acreditava como ele não poderia ter gostado de mim.
–Não é isso querida! – ela negou depressa, sorrindo triste – Ele gosta, mas vocês conviveram pouco! Não se conhecem bem! – Ela tentou justificar.
Eu ainda estava atormentada. Era muitas coisas para absorver. Era muita mentira e pouco verdade para assimilar. Então, de súbito, tive uma ideia. Eu iria a Nova Orleans falar com Henry. Eu não o via desde o dia que sai da cidade e depois disso só conversara come ele cerca de três veze ao telefone. Essa era a hora, eu não poderia esperar por mais mentiras. Saí do quarto, pegando meu casaco no mancebo e o primeiro sapato que vi na frente. Vesti-o enquanto caminhava até a sala e pegava a minha bolsa e a chave de meu carro que fora presente de Henry, e que nunca dirigira. Não por não saber, mas porque nunca me permitiram. Miranda me seguia, chamando-me.
–Lane, aonde você vai? – Ela perguntou a mim assim que sai da casa em direção aos carros.
–Eu vou atrás de seu filho, ele me deve explicações! – Informei-a abrindo a porta do carro e entrando na picape 4X4 azul marinho.
–Não, Lane, não vá. Eu te peço! – Ela implorou tentando abrir a porta que eu travara.
–Não Miranda, eu tenho que falar com ele – Neguei a ela – Não posso mais esperar aqui! É muita mentira para eu argentar calada.
Botei o cinto do carro e liguei o carro. Miranda, desesperada, se botou na frente do carro e tentou me impedir.
–Miranda, por favor, eu preciso fazer isso! — Abri a janela e gritei a ela, por cima do barulho do motor ligado.
–Não, por favor, Lane, fique! Não vá! – Ela pediu desesperada.
A essa altura, os poucos seguranças e funcionários da casa já se aglomeravam para ver o que estava acontecendo. Olhei para todos eles, que observavam sem expressão a minha cena e de Miranda. Suspirei e desliguei o carro. Miranda pareceu mais aliviada. Desci do carro, descalça, e caminhei até Miranda. Abracei-a como costumava abraçar minha mãe. Ela reagiu um pouco surpresa, mas logo depois me agarrou também como se fosse uma filha. Desencostei a cabeça de seus ombros e olhei-a.
–Eu preciso ir, Miranda – Disse baixo a ela – Ele é meu marido e isso em jogo é meu casamento. No momento, é tudo que tenho, e esta uma ruina. Eu preciso salvar isso; quero salvar esse casamento.
Miranda encarou-me com lágrimas nos olhos. Ela voltou a me abraçar forte e depois me soltou, encarando-me enquanto enxugava as lágrimas e fungava.
–Tudo bem – Ela concordou, abrindo um sorriso fraco.
Sorri fraco a ela e abracei-a uma terceira vez. Ela passou suas mãos em meus cabelos, como se consolasse-me.
–Tenha cuidado – Ela desejou-me – E... Perdoe meu filho quando você descobrir tudo – Ela pediu.
Eu concordei coma cabeça, mesmo com medo de seu pedido. Soltei-me dela e voltei para o carro. Ela saiu da frente do veiculo e se postou na varanda da casa. Botei o cinto e voltei a ligar o carro. Olhei-a sorrindo fraco e ela acenou a mim. Acenei de volta e respirei fundo, me voltando para a garagem da casa. Os portões estavam fechados e um dos seguranças se aproximou de Miranda e conversou com ela. Em seguida, vi o segurança acenar para o que estava no portão e este abri-lo. Virei para Miranda e sorri agradecida para mim. Ela sorriu triste em resposta e acelerei o carro para a saída. Liguei o GPS e os faróis e saí pelo portão para a noite escura que começava a cair.
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