Strada Per L'inferno
75 Caminhão de champanhe
Notas iniciais
— Há quanto tempo ele tá apagado?
Entramos no quarto e Colin estava no sofá de costas às janelas, com as cortinas muito bem fechadas. Em suas mãos, um tablet com a tela mostrando a imagem de Nick.
— Quinze minutos. Vocês demoraram.
Aaron ignorou a fala e entrou no quarto, deixando-me só na antessala. Guardei a arma no cós da saia e tranquei a porta antes de me aproximar do sofá. Colin me observava e se levantou para me receber com um abraço forte. Ele cheirava a colônia masculina amadeirada misturada a suor e uma doce nota feminina de perfume.
— Sentiu minha falta? — um sorriso brincalhão surgiu em resposta ao meu.
— Na verdade, não. Minhas amigas me mantiveram ocupado — mostrei a língua em resposta, ouvindo sua risada.
Afastamo-nos e seus dedos pegaram uma mecha da peruca. O sorriso ainda estava lá, mas sua mente não. Engoli em seco e permaneci quieta, observando suas reações e lhe dando um tempo para relembrar a amiga morta. Entretanto, os passos de Aaron o acordaram.
— Você vai ter que prometer não usar essa cor. Minha queda por loiras é maior e o esquentadinho já não é meu fã.
— Deveria falar menos de mim e das minhas coisas, Colin. Isso te faz parecer invejoso e, sabe, Deus recrimina a inveja.
— Não sou sua propriedade — sentei com o tablet antes que a troca de farpas continuasse.
— Onde está o caminhão, Nick?
— A caminho. Em vinte minutos chega.
— Como estão os seguranças? — Aaron jogou-se ao meu lado, puxando-me para si. Sabia o que ele queria: marcar território diante do adversário como animais selvagens, o que não me agradava.
Me desvencilhei cuidadosamente, voltando a colocar espaço entre nós depois de lhe passar o aparelho.
— Eles ainda não estão desconfiando de nada.
— Foi difícil passar pelos homens na porta? — cruzei as pernas, me virando para Colin. Vi seus olhos descerem para minhas pernas rapidamente antes de dar de ombros.
— Moleza. Dylan me ajudou a arrastá-los até ali — sua cabeça indicou o bar e o encarei. Não via nada atrás do balcão e concluí que, qualquer que fosse a posição deles, era extremamente desconfortável.
— Com ajuda, até a minha vó arrastava esses caras.
— Diz o cara que só sabe mandar. Admite logo que você só manda porque não consegue fazer, Aaron.
— Onde estão as garotas? — olhei para Colin, querendo interromper a guerra iminente de egos testosteronizados.
— Na cama. Elas também beberam o champanhe.
— E a roupa está aí? — apontei para a sacola ao seu lado.
Após confirmar, peguei-a e me virei para Aaron, decidindo brincar um pouco. Ele só estava em silêncio, conversando com Nick, porque se controlava para não continuar a discussão. Homens eram competitivos, mas esse conseguia ser pior que criança. Quando não levava a sério demais e parecia um doente, é claro.
— Você vai vestí-lo, amor? — balancei a sacola, um sorrisinho em meus lábios que o fez me olhar feio.
— Não. E acho melhor também que seja Colin segurando essa sacola e indo para aquele quarto.
— Eu não vou fazer nada. Eu coloquei um roupão nele e o levei pro banheiro. Fiz minha parte.
— Com medo de serem menos machos por brincarem com uma boneca de verdade?
— Uma boneca feia e deformada…
— Eu não parecia menos macho quando estava te fodendo minutos atrás, Lane — abriu o sorriso convencido da vitória, levantando uma das sobrancelhas. Joguei a mala em seu colo e revirei os olhos.
Depois de dois minutos de silêncio, uma ideia surgiu em minha mente. Ainda havia tempo, como constatei ao perguntar a Colin, e a minha inquietação não simpatizava com a espera. Sem dizer algo, levantei e segui para o quarto, ignorando os chamados dos outros dois. A porta do closet estava aberta e a parte social era logo na entrada. Na primeira tentativa, achei a gaveta de gravatas. Todavia, não pude bagunçar a organização impecável por cor já que Aaron me puxou para longe sem delicadeza.
— Enlouqueceu? O que você tá fazendo? — me olhou irritado e confuso, apertando meu braço.
— Eu estava só querendo ajudar.
— Ajudar achando uma roupa mais elegante pro cara que queremos que não pareça ele mesmo?
— Não, amarrando as garotas com gravatas já que não temos cordas.
Ele se calou, arqueando a sobrancelha sem esconder a surpresa. Minhas bochechas ardiam levemente com seu olhar fixo e só pioraram com o sorriso que despontou em seu rosto.
— Você ia amarrá-las? — abaixei o rosto ao som de sua risada. Ele a aumentou e me puxou para si, abraçando-me e me fazendo retribuir. — Adoraria te ver com uma arma apontada para elas, obrigando-as a te obedece — murmurou em minha orelha, arrepiando-me com a rouquidão de sua voz.
Ele se afastou e colocou meu cabelo para trás.
— Pena que isso não vai rolar. Elas vão continuar apagadas por mais umas duas horas. A gente pode amarrá-las, mas quando elas acordarem, já vamos estar longe e já vão ter descoberto.
Assenti, afastando-me para olhar as dezenas de gravatas. Toquei em uma, macia e cara na cor turquesa. Fechei a gaveta e me virei de volta a ele.
— Alguém ainda tem que colocar uma roupa no Mike — Aaron bufou e sorri de leve, esticando-me para plantar um selinho em seus lábios e correr para a sala para fugir de suas mãos.
Enquanto os dois ficaram com o trabalho desagradável, eu me troquei com os olhos no relógio e na movimentação externa. Substituí as roupas de vadia por um uniforme curto e degradante de garçonete. A peruca loira deu lugar a uma longa preta azulada. Já se tornara comum encarar minha imagem no espelho e não me reconhecer. Era divertido, mas cansativo. Saber que logo mais estaria em casa, usando minhas roupas com meu cabelo solto e sem nenhum plano arriscado que definiria o rumo da minha vida era um alívio.
Isso, claro, se tudo ocorresse como esperávamos.
Eu fazia justamente a troca de perucas quando ouvi os chamados altos de Nick no tablet.
— Lane, o caminhão tá adiantado. Vocês têm cinco minutos.
Corri para o quarto e um Mike disfarçado e irreconhecível era arrastado por duas das expressões mais contrariadas que eu já vira.
— Wow! — Colin arregalou os olhos para mim, e os dentes de Aaron apareceram. Era uma emergência, então o fato de estar de calcinha e sutiã estava justificado.
— O caminhão está chegando. Temos cinco minutos.
Meu corpo então saiu de cena para palavrões e passos mais apressados brilharem. Deslizei de volta à sala, trocando os pontos e colocando o microfone antes de vestir o uniforme. Aaron me deixara umas marcas nada discretas no colo e no pescoço, marcas que pretendia esconder, mas agora teriam que ser sustentadas com boas mentiras e cara de pau. Eles entraram na sala quando o tablet e as roupas já estavam na mochila e Nick se comunicava pelos pontos que coloquei em suas orelhas. O microfone ficou por suas contas e quando o caminhão chegou, estávamos na porta, abrindo-a com o consentimento do nosso técnico de informática.
Por eles carregarem uma carga de cem quilos, além dos equipamentos, eu estava na dianteira com a arma. Olhava para todos os lados garantindo que as informações que Nick passava batiam. Não tinha ninguém, então acenei para eles continuarem enquanto eu me colocava perto da escada, observando se alguma ameaça aparecia. Descemos os degraus, eles com certa dificuldade e alguns tropeços que dariam boas risadas em outras circunstâncias. Não havia sinal dos homens de Mike, só os traços da festa exalando pelos cantos da casa. Acompanhei-os até o quarto reservado, batendo na porta antes da carga chegar ao destino. Dylan abriu e os amigos passaram antes da porta se fechar.
— Caralho. Aqueles pentelhos na cabeça deixavam a visão menos feia — arregalou os olhos, encarando o “dono” de Miami agora parecendo um velho viciado em cassinos.
— Eu preciso ir.
Aaron largou o homem na cama de qualquer modo e se voltou a mim. Já havíamos dado despedidas dramáticas demais em pouco tempo. Eu só estaria no andar de baixo, encenando mais uma vez. O perigo me acompanharia de novo, afinal, ele se tornara um amigo bastante fiel. Não seria nada muito grande. Ainda assim, senti a necessidade de procurar o seu olhar. Aquele que me olhava com um resquício de irritação por estar no meio disso, mas na maioria me pedia para tomar cuidado e atirar caso algo desse errado.
Guardei a arma sob sua supervisão na liga em minha perna.
— Lane, eu adoro você, e nesse vestido então... Nossa! Mas você tem que cair fora — Dylan, com palavras doces sempre, nos chamou de volta ao presente.
Sorri sem dentes para os meninos e abri a porta, me colocando no corredor no mesmo instante que a tranca soava atrás de mim. Peguei o caminho mais longo e menos movimentado até a cozinha, ainda assim não consegui evitar alguns casais no caminho. A música agora estava elevada, chegando até a ser perturbadora. Nunca fui fã do barulho quando estava concentrada. Passei por alguns seguranças, mas nenhum passou da linha do busto para cima. Não ligavam para o rosto dono das pernas longas, bunda empinada e cintura fina. Passei os dedos nos fios grossos, tapando minha orelha ao ver uma garçonete vindo em minha direção.
— Onde você se meteu? Estão faltando bebidas? Mas que… Ah! — revirou os olhos ao olhar meu colo. Senti minhas bochechas corarem. — Faz e depois fica com vergonha. Impressionante! Olha, se te convidarem para subir, você vai desde que não tenham outras duas já pela casa fazendo o serviço. E pelo amor de Deus, meia hora só! Você não tem que gostar. Ele sim. Entendeu?
Acenei com a cabeça e ela me mandou continuar até meu destino, onde precisavam de minha ajuda. Soltei o ar que nem sabia que prendia e rebolei aliviada por quão fácil fora. Na cozinha, a palavra que melhor a definia era caos. Centenas de garrafas enfeitavam todos os cantos possíveis do local, acompanhadas por vários copos e talheres. O chão era coberto por uma gosma escorregadia onde todos deslizavam apressados e ninguém caia. Uma das garotas veio em minha direção com uma bandeja cheia.
— Sai do caminho e vai ajudar com o caminhão.
Adentrei o espaço e desviei de várias companheiras de saia curta e homens de terno barato até a porta dos fundos. Ninguém pareceu farejar uma estranha no ninho. Não me olhavam se não estivesse em seus campos de visão e ninguém falou comigo a não ser a mal humorada da porta. Minha presença não foi contestada e, para continuar assim, agi como se nada estivesse errado, como se pertencesse a eles. Um caminhão estava parado em frente à porta dos fundos, a traseira aberta mostrando várias caixas de bebidas. Entrei na fila atrás do veículo, ciente de que teria que carregar uma caixa pesada em cima de doze centímetros de salto fino.
Repeti essa ação seis vezes, balançando muito e tendo a certeza de que mais tarde minha lombar latejaria. Alguns seguranças ajudavam também, agilizando o processo. Antes de deixar a sexta caixa no chão da dispensa e voltar para pegar a sétima, murmurei ao vazio:
— Nick, o caminhão está esvaziando.
— O que disse?
Meu coração saltou da boca e me ergui, olhando para trás, espantada. Um segurança segurava uma caixa e me encarava atrás de uma resposta. Seu olhar não era feio nem opressor, mas sua expressão não era nem de longe amigável.
— Eu disse “Ainda bem que o caminhão está esvaziando!”. Minhas costas e meus pés estão doendo — coloquei as mãos na cintura e sorri na melhor forma cansada e simpática.
Ele ainda me encarou por alguns segundos, mas finalmente passou por mim, acreditando ao dizer:
— Se você parar de reclamar e agilizar, vai terminar.
Foi na oitava viagem que a adrenalina acelerou em minhas veias.
Um dos seguranças parou no meio do caminho, colocando-a em cima do balcão. Um chamado em voz alta fez os outros largarem tudo pelo caminho antes de seguí-lo para fora da cozinha. Quem ficou para trás trocou olhares confusos antes de uma das meninas passar pela mesma porta com a respiração pesada e uma expressão empolgada. As fofocas voam mesmo.
— Está tendo briga no jardim. Está voando dinheiro! — balançou notas amassadas na mão. Não dava para ver o valor de todas, mas a primeira era com certeza de cem.
— Vivian, não tem mais graça.
— Eu juro, Katie! Vamos lá! Não tá ouvindo que a música até parou? — ela estava certa; não havia mais música, só as vozes enlouquecidas e altas.
Não precisou de mais para a cozinha esvaziar em cinco segundos. Um dos funcionários começou a gritar atrás deles para que voltassem. Eu fiquei para trás com três empregados, nos encarando. Notava a cobiça e a hesitação no olhar de dois e coube a mim o empurrão na direção que queriam.
— Vocês vão ficar aí? — olhei-os da porta da cozinha. Me escondi para vê-los seguir os passos dos outros para os fundos.
O quão fácil e triste era a persuasão do ser humano diante do dinheiro.
— Nick, liberado — sussurrei voltando para a cozinha.
— Okay. Eu estou desligando as câmeras e... Pronto. Desligadas. Os dois homens estão dando cobertura, você sabe. Zack está indo pra aí, e eles estão descendo também. Fica atenta.
Tirei tudo do caminho e tranquei as portas, com exceção da de ligação para o interior da casa e para a saída onde estava o caminhão. Minha audição estava aguçada, ao menor ruído meu corpo enrijecia e a arma pesava na liga. Pelo ponto, Nick me avisou que Zack estava no corredor, cuidando para que ninguém passasse. Caso isso acontecesse, ao menos teria um aviso claro. Algo como um tiro ou um baque como o de um corpo encontrando o chão. Em dois minutos, vi os três pares de pernas nas escadas carregando outro da maneira mais silenciosa que poderia haver. Sabia que a festa do dinheiro estava para ser contida e que tínhamos de nos apressar. Para aliviar o nervosismo, mordia o lábio enquanto eles desciam os últimos degraus.
— Dois minutos ou menos. A confusão já está sendo contida.
Apertei mais os lábios e saí para o corredor, dando cobertura extra para entrarem na cozinha. A música voltara e as vozes pareciam aumentar em nossa direção. Por cima dos ombros, os dois motoristas do caminhão ajudavam. Olhei para Zack na outra ponta do corredor e ele acenou com a cabeça, desaparecendo comigo ao mesmo tempo.
— Lane, vai pro caminhão — Aaron mandou. Ele se concentrava em levantar os membros superiores de Mike junto com Dylan.
— Mas...
— Vai — rosnou, dessa vez me mandando um olhar irritado.
Suspirei e, olhando para trás, para a porta por onde as vozes se aproximavam, corri para perto deles. Ao invés de passar direto, agarrei as pernas junto a Colin.
— Vamos mais rápido assim! — adiantei-me diante dos olhos estreitos e do maxilar trincado. Ele não retrucou, graças somente ao volume crescente das vozes e passos.
Saímos e um dos homens fechou a porta. A iluminação ali vinha das luzes do jardim da frente e da festa aos fundo, e as câmeras, caso estivessem funcionando corretamente, teriam imagens péssimas. Soltei as pernas de Mike quando içaram o mesmo para dentro da carroceria, deitando-o no meio de algumas caixas que restaram. Subi com a ajuda de Aaron, que me seguiu junto aos colegas. E então fomos trancados no escuro. Ouvi os sussurros dos outros três acordados com Nick, e a voz do último pelo ponto antes de o caminhão começar a andar e um silêncio tenso se formar. Até respirar parecia barulhento. Vozes soaram algumas vezes no lado de fora e meu corpo só relaxou quando fomos avisados de que a mansão de Mike estava longe. Não me espantei quando mãos puxaram minha cintura até minhas costas colidiram contra um tronco forte.
— Acabou — murmurei, deixando minha cabeça cair em seu ombro.
— Quase — beijou meu pescoço, dando uma leve mordida no fim.
— Eu agradeceria se vocês respeitassem a mim, ao Colin e ao caríssimo senhor desmaiado aqui e guardassem seus piupius e seios no lugar.
— Não fizemos nada — senti na mesma hora seus dedos na minha coxa, subindo por dentro da saia. Sorri de lado, embora tenha estalado a mão em cima da sua, provocando alguns insultos e risadas.
— Não vejo a hora de tirar essa peruca — meus dedos subiam por sua perna ao meu lado, arranhando a jeans e, às vezes, a pele de seu braço em minha coxa.
— Por favor. Você já era feia, essas perucas só pioraram — Colin murmurou em algo canto em minha frente.
— Calado — ri, chutando o escuro. Alguém gemeu em resposta.
— Você errou.
— Oh! Me desculpa, Dylan.
— Você não me acertou.
Um momento de silêncio se fez antes de Aaron xingar e se remexer, me afastando. Os outros começaram a se mexer também e eu encarei o monte mais enegrecido no chão, esperando vê-lo praticar qualquer ação mais agressiva que confirmasse nossas suspeitas. O rosto de Colin se iluminou e todos o encararam. Em dez segundos, a lanterna do celular estava apontada para o motivo do alvoroço, que continuava tão quieto e dopado quanto antes. E durante um, dois, três minutos seguidos ele permaneceu no mesmo estado letárgico.
— Tem certeza de que não te chutei? — levantei os olhos a tempo de vê-lo concordar.
— Merda. Era pra durar mais uma hora, pelo menos. Você colocou a dose certa na porra da bebida?
— Coloquei! Injetei tudo que estava na seringa que Nick me deu!
— Liga pro Nick. Essa merda não pega mais — arrancou o ponto da orelha, extravasando parte da raiva.
Me encostei na lataria e encolhi as pernas, fixando em Mike mesmo quando a claridade sobre si diminuiu e a ligação começou. No terceiro toque, a voz metalizada e rouca de Nick encheu o compartimento.
— O que houve? — foi seu cumprimento. Ele sabia que ligações só podiam significar problema.
— Qual era a dose na seringa?
— Por quê? Ele acordou?
— Não. Mas gemeu.
— É melhor estarmos já saindo da cidade — grunhiu.
— Bosta! Ainda não. Não era pra ele já estar acordando.
— Mas ele tá, e é bom você fazer disso uma máquina mais potente que os meus carros ou ter mais calmantes aí.
— Eu vou falar para o motorista acelerar.
Claro que um caminhão que pesava toneladas não iria tão rápido como desejávamos e a tensão não dissiparia como eu queria. Aaron passava as mãos a toda hora no cabelo e alternava o olhar entre Mike e o fundo da carroceria. Sabia que estava nervoso e que, se pudesse, estaria andando pelos quatro cantos da grande caixa de metal. Tirei a arma do meio das pernas e deixei-a no meu colo, observando-a à luz da lanterna. Instintivamente, fechei os olhos e percorri a escrita em braile, sentindo a onda de intimidade e emoção que aquilo me provocava. Entretanto, a maré abaixou muito cedo e fui arrancada daquela onda cedo demais.
O celular começou a tocar e Colin informou a todos que era o nome de Nick no visor antes de atender.
— Antenore descobriu que estamos aqui e ele está vindo atrás de você, Aaron, procurando pela Lane.
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