Notas iniciais
Me desculpem por não ter conseguido postar no sábado como sempre ♥ acabei atrasando um pouco, mas pelo menos compensei deixando esse capítulo maior do que os anteriores ;-; Obrigada por sempre continuarem me acompanhando ♥ isso é muito importante pra mim, vocês são incríveis! Espero que tenham uma boa leitura~

Ao final daquela interminável sessão de silêncio todos saíram exaustos da pequena sala na qual ficaram trancafiados pela tarde. Kate continuava com aquela expressão amedrontada, porém suas mãos já não tremiam e parecia sentir-se segura ao redor daqueles que a ajudaram anteriormente.

— Isso foi pior do que ficar ouvindo o papai me dar sermão por um dia inteiro. — Pan reclamou. Para ela, era quase uma tortura ficar tanto tempo sem interagir com outras pessoas.

— Da próxima vez tente não ficar de detenção, já que odeia tanto. — Hector a provocou.

— Ei, vocês ainda estão aqui? — Alex os interrompeu antes que Pan pudesse dar uma resposta à altura.

— Alex? O que está fazendo aqui? — Perguntou intrigada.

— Já esqueceu que eu sou a capitã do time? Eu tava no treino, óbvio. — Naquele momento, ela percebeu os olhares de todos direcionados à seu tornozelo enfaixado. — Ei, eu só estava supervisionando os treinos, não sou tão idiota à ponto de tentar jogar nessas condições. — Respondeu com um sorriso.

— E você vai melhorar até o campeonato? — Pan ousou perguntar, mesmo ciente de que, caso a resposta fosse negativa, Alex provavelmente ficaria desapontada.

— Felizmente foi apenas uma torção leve, então talvez eu consiga. — Disse esperançosa. — De qualquer forma, quem é a nova colega de vocês? — As questionou enquanto olhava para Kate de cima à baixo.

— O nome dela é Kate.

— Esse nome não me é estranho. — Ela pensou por alguns segundos, até finalmente recordar-se de onde a conhecia. — Ah, você é a menina que ficava colada na Isis, não é?

— Eu não diria colada... — Kate murmurou, um pouco sem jeito.

— Foi mal, eu não quis te ofender nem nada.

— Não se preocupe, costumo ouvir muito isso. — Esclareceu, esboçando um sorriso fraco.

— Agora que estamos indo para casa, não tem o risco daquele cara voltar a perseguir a Kate? — Sarah indagou preocupada.

— Cara? Que cara? — Alex parecia curiosa.

— Não precisam se preocupar comigo. Agradeço pela ajuda até o momento... — Ela apertou as mãos, deixando claro o seu nervosismo e medo de ficar sozinha.

Pan aproximou-se dela após pensar por alguns segundos, segurando suas mãos trêmulas para ajudá-la a livrar-se de seu nervosismo em uma troca serena de olhares.

— Meus pais não estão em casa hoje, então você pode dormir comigo se quiser. — Sugeriu, surpreendendo-a com aquele modo estranho de fazer um convite.

Alex a encarou com as bochechas quentes, tentando compreender o significado daquela frase que mais parecia um convite erótico. Hector e Sarah apenas suspiraram desapontados, sem vontade alguma de se envolverem com tudo aquilo.

— Olá, meus colegas detentos! Ainda estão aqui? — Chris quebrou a tensão com sua risada.

— Ao menos para algo ele é útil. — Hector sussurrou, retirando um riso abafado de Sarah que foi a única a ouvi-lo.

— Chris! Eu queria mesmo te ver. Conseguiu os ingressos? — Alex aproximou-se, apoiando o braço no ombro do amigo.

— Eu sei que vai ficar desapontada comigo, mas não consegui. Você sabe que esses shows sempre lotam rápido.

Chateada, Alex bagunçou os cabelos de Chris para puni-lo de modo amigável, como sempre fizeram desde a infância.

— Eu realmente queria ir. — Reclamou.

— Ir aonde? — Pan perguntou interessada.

— Vai ter um show de uma banda local que ficou bem famosa recentemente, e eu curto muito a música deles.

— Eu posso conseguir os ingressos pra todo mundo aqui. — Kate afirmou. — Eu conheço alguém envolvido com a banda.

— Sério? Kate, eu te amo. — Alex a abraçou eufórica.

— Cuidado com o tornozelo. — Chris alertou, ajudando-a a manter o equilíbrio.

Após algum tempo jogando papo fora, Alex e Chris foram juntos para casa, enquanto todos os outros acompanharam Pan. Observando a paisagem através da janela do carro ela pegou-se pensando em como faria para conseguir ajudar sua nova amiga a livrar-se de Ethan. Seus pais voltariam em breve do hospital, e eles com certeza não apreciariam visitas sem aviso prévio. Entrelaçando seus dedos com os de Sarah ela encostou suavemente a cabeça em seu ombro, suspirando preocupada e voltando sua atenção para as mãos de Hector no volante. Sua mão esquerda possuía uma cicatriz que a fazia recordar-se de quando se conheceram, no tempo em que ele ainda a permitia acariciar suas mãos ásperas e ela havia encontrado a marca pela primeira vez.

— Se continuar me encarando assim vai me desconcentrar. — Hector a provocou, retirando-a de seu transe.

— Maldito retrovisor. — Bufou, fazendo suas amigas rirem.

— Já chegamos, vocês podem descer.

Assim que desceram, Sarah acompanhou Kate até o quarto de Pan para acomodá-la, enquanto a anfitriã permaneceu ao lado de Hector para ajudá-lo a fazer o jantar.

— Não sei se me agrada ter alguém tão desastrada andando com uma faca por aí. — Ironizou, sem desviar a atenção dos legumes que estava fatiando.

— Você tem medo que eu acabe te cortando? — Ela riu.

Hector cessou suas ações e colocou os legumes na tábua, aproximando-se de Pan com passos lentos enquanto ela recuava até que não sobrasse mais espaço entre ela e o mármore da bancada de sua cozinha. Lentamente ele abaixou o tronco até que suas faces estivessem realmente próximas, o suficiente para que pudessem sentir a respiração um do outro.

— Não. — Ele sussurrou, passando suavemente a mão pelo braço de Pan até que chegasse à sua. — Mas confesso que não gostaria de te ver arrancando um dedo fora enquanto tenta cortar alguns legumes. — Completou, tomando a posse da faca para si.

— Tanto faz, seu sem graça. Já que não quer a minha companhia, vou tomar banho também. — Pan fez biquinho e mostrou-lhe a língua, subindo rapidamente as escadas enquanto resmungava.

Ao buscar algumas roupas em seu quarto, percebeu que Kate estava utilizando seu banheiro, portanto decidiu ir até o quarto de Sarah, que também estava ocupado. O quarto de seus pais, como sempre, estava trancado, não sendo uma opção. Pensou por alguns segundos que, talvez, devesse aguardar até que elas saíssem, porém logo recordou-se do quarto de Hector, que por estar cozinhando, provavelmente não subiria tão cedo.

— Hector, vou usar o seu chuveiro! — Anunciou.

Sem resposta, ela apenas deu de ombros e dirigiu-se até o local, tentando não mexer em nada para não irritá-lo. Após colocar suas roupas na bancada da pia, adentrou o chuveiro, percebendo como era agradável ouvir apenas o som da água corrente. Tudo no quarto daquele homem era à prova de som, inclusive os vidros de seu chuveiro. Alguns minutos se passaram até que ela decidisse parar de apenas deixar a água correr pelo seu corpo e fosse procurar pelo xampu, que havia esquecido ao lado de suas roupas. Passou a mão em seu rosto para retirar o excesso de água dos olhos e jogou o cabelo molhado para trás. Ao abrir a porta de vidro, deparou-se com uma silhueta familiar, um pouco diferente da que estava habituada a ver.

— O que você está fazendo aqui, Pan? — Hector esbravejou, virando-se de costas após vê-la completamente nua.

— Eu avisei que ia usar o seu banheiro! — Explicou, um pouco sem jeito e com a voz trêmula. Ela nem ao menos sabia o que estava acontecendo com seu corpo, porém sentia como se seu interior estivesse aumentando a temperatura gradativamente, principalmente suas bochechas que rapidamente ruboresceram ao contemplar, pela primeira vez em sua vida, um homem nu, e à milímetros de distância de seu corpo.

— Você realmente acha que eu teria entrado aqui se tivesse me avisado? — A repreendeu, amarrando uma toalha em sua cintura, ainda sem olhá-la.

— Eu avisei, eu juro! Eu gritei daqui de cima. Você não me respondeu, mas... — Ela rapidamente parou de falar, se dando conta da besteira que havia feito. Era senso comum aguardar por uma resposta da outra parte para garantir que algo assim não acontecesse. — Desculpa, eu não confirmei se você tinha ouvido. — Confessou.

— Só termine logo, vou esperar do lado de fora. — Resmungou, batendo a porta ao sair.

Aquela voz fria que ele utilizava apenas quando estava muito irritado arrepiava até mesmo o último fio de cabelo do corpo de Pan. Era raro vê-lo tão incomodado, portanto ela logo sabia quando havia feito algo grave. Sem ânimo, ela terminou rapidamente o que precisava fazer, saindo apressada do quarto sem nem ao menos olhar para Hector, envergonhada do mal entendido que havia causado. O clima estranho entre eles continuou até mesmo na mesa de jantar, embora Kate e Sarah não tenham percebido.

— Obrigada por me deixar dormir com vocês, Pan. Eu sei que vocês devem achar esquisito sair convidando estranhos pra passar a noite na sua casa, mas...

— Ela não acha, pode ter certeza. — Sarah retrucou, ciente do quão sem noção era sua amiga. — Me surpreende também que você tenha aceitado dormir na casa de uma estranha.

— Eu não consegui ver vocês como ameaça. — Ela sorriu. — E além disso, é muito mais assustador ficar sozinha em casa ouvindo o Ethan bater na minha janela.

— Sinto muito que você precise passar por isso.

— Agora você não vai ter que enfrentar ele sozinha — Pan a abraçou com força. Naquele momento, mais do que nunca, ela não queria consolar apenas a sua amiga, mas também à si mesma. Apesar de normalmente não se importar com as atitudes exageradas de Hector, dessa vez ela estava ciente da besteira que havia feito, e não tinha a mínima ideia de como consertar as coisas. — Você é nossa amiga agora. — Afirmou, afastando-se para deixá-la ir.

— Vocês duas me lembram de uma velha amiga. — Sorriu, com um ar de nostalgia estampado em seu rosto, embora não parecesse querer se aprofundar mais no assunto. — Obrigada por me emprestar uma roupa também, Sarah. — Acrescentou, rodopiando com a camisola de seda que havia pegado emprestada.

— Ficou muito melhor em você. — Ela respondeu com ternura, voltando sua atenção para a cama de Pan, um pouco cansada.

— Ei, tem espaço para nós três. Não precisa ficar com ciúme. — Pan brincou, percebendo o quanto a amiga estava imersa nos próprios pensamentos.

— Quem disse que estou com ciúme? — Retrucou, tentando manter a compostura. Ela não conseguia negar, no entanto, que realmente estava pensando se todas conseguiriam dividir a cama.

Ao vê-las tão brincalhonas e íntimas entre si, Kate não conseguia evitar de pensar em Isis, que havia saído do pais à trabalho, e voltaria apenas quando terminasse suas obrigações. Ela estava ciente de que, independente de sua saudade, não poderia privá-la de seu sucesso, e ficava contente apenas por conseguir acompanhar suas conquistas. Apesar de tudo, as três não tardaram a dormir, todas abraçadas e amontoadas, sem um pingo de remorso por todo aquele desconforto. A cama era grande o suficiente para as três, porém elas sabiam que, em meio à noite fria, apenas uma companhia amiga poderia trazer-lhes paz, e naquele momento, elas estavam mais unidas que nunca.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ obrigadinha por ler~