Notas iniciais
Olá meus chuchuzinhos ♥ eu sei que grande parte de vocês quer saber mais sobre a Pan, mas esse capítulo vai ser focado mais na Kate e em todas as outras coisas que estão acontecendo com os colegas da Pan por causa da vendetta. Espero que gostem mesmo assim ♥ ♥ boa leiturinha ~

Sandro estava mentalmente exausto. Como se já não bastasse ter sido obrigado a ouvir um sermão de Alice durante a tarde por ter tentado esconder a mais nova descoberta de seu sobrinho sobre a filha daquela mulher, agora ainda tinha que buscar uma adolescente em apuros e protegê-la sob ordens de seu Don, mesmo ciente de que sua esposa encontrava-se no hospital prestes a dar à luz naquele instante. Havia recebido a ligação do médico no momento em que colocara o corpo para dentro do carro, mas ali não existia a opção de simplesmente deixar a garota e correr até lá. Primeiro porque não era um imbecil sem coração como todos os outros, e segundo porque quando decidiu entrar para esse mundo, havia feito um juramento de estar sempre disponível para a famiglia, independente das circunstâncias. Essa regra era absoluta, portanto não podia quebrá-la por nada. Nem mesmo sob o pretexto de querer estar presente no nascimento do próprio filho.

Pelo menos vinte minutos foram perdidos entre estacionar e conversar com o policial responsável pelo caso, que não parecia muito feliz em vê-lo levar a menina, principalmente se ela estava tão desconfortável em sua presença. Bom, ficar com ele sem a companhia de suas amigas era um pouco estranho, porém de alguma forma ela conseguia confiar naquele homem. Kate sentia que Sandro era uma pessoa boa por trás de todo aquele semblante fechado e a aura intocável que ele emanava. Ao menos era muito mais acessível do que Hector, Hans ou até mesmo os outros sujeitos da família.

— Você se importa em me acompanhar até o hospital por um momento? — Sua voz em tom sereno e frio ecoou pelo interior do veículo silencioso, obrigando-a a sobressaltar com a surpresa de tê-lo ouvido falar tão repentinamente. — Meu menino está pra nascer. Eu queria ter a chance de segurá-lo. — Explicou, vendo-a um pouco insegura.

Naquele momento a expressão dela parecia ter se aberto um pouco, apesar de seguir abalada com os acontecimentos anteriores. Seus olhos continuavam inchados devido às lágrimas, os batimentos descompassados, e vez ou outra as mãos voltavam a tremer amedrontadas, porém ainda assim, a dose de estresse em seu interior não era mais tão alta quanto há alguns minutos atrás, quando estava sozinha. Tinha algum conforto na companhia, por mais que não houvesse intimidade alguma com o sujeito ao seu lado.

— Não, claro que não. — Esforçou-se para murmurar uma resposta, cruzando os braços com insegurança ao mesmo tempo que desviara o olhar até a paisagem do lado de fora da janela. Encarar o asfalto e as construções era muito menos constrangedor do que seguir cabisbaixa olhando para os próprios pés. — Me desculpa ter incomodado em um momento tão importante para o senhor, eu juro que não sabia. Se eu soubesse eu nunca teria ligado, de verdade. — Acrescentou angustiada; uma pontada de remorso a estava corroendo por dentro, quase obrigando o choro a sair outra vez. Pensava que não existia horário pior para tê-lo perturbado.

— Você não tem culpa de nada, criança. — Retrucou enquanto estacionava em frente ao destino, apressado para encontrar-se com sua esposa e ter o filho nos braços. Quando retirou a chave da ignição, fez contato visual com a garota e percebeu que estava com roupas nada quentes, prontificando-se a retirar seu sobretudo e jogá-lo acima dela com pouca delicadeza. Ela surpreendeu-se com o gesto tão repentino, arqueando a sobrancelha ao pegar o objeto nas mãos. — Está frio do lado de fora, você pode acabar pegando um resfriado se não se agasalhar. — Pigarreou sem jeito, saindo rapidamente do veículo e fechando a porta atrás de si.

Kate não pôde evitar o sorrisinho involuntário ao vê-lo sendo tão desajeitadamente gentil. Não era como se ele tivesse alguma obrigação para com ela, mas ainda assim, fez de tudo para que se sentisse acolhida.

Logo empacotou-se com as vestes que eram pelo menos duas vezes o seu tamanho e acompanhou-o até o elevador, acanhada pela intromissão. Era o nascimento de seu filho, afinal, e ela era apenas uma estranha ali. Sandro havia requisitado que não saísse de seu lado em momento algum, inclusive fazendo-a adentrar o quarto em sua companhia e instantaneamente deparar-se com uma mulher solitária, exibindo um olhar desolado e imerso em dor enquanto sentada na cama. O corpo frágil e pálido estava manchado com sangue, inclusive sob as vestes hospitalares; os olhos inchados já haviam derramado muitas lágrimas até que chegassem àquele nível de vermelhidão; os longos cabelos loiros e ondulados completamente emaranhados pelo acúmulo de suor e sujeira. Apesar das poucas rugas aparentes trazidas pela idade, percebia-se que havia sido muito bela em sua juventude.

— Antonella! — Sandro correu para abraçá-la, esboçando um alívio em seu semblante que não tardou a se esvair no instante que a viu recuar e encará-lo com desprezo. Existia um nojo inexplicável na forma que aquela mulher o encarava. — O que foi? Cadê ele? — Inquiriu alterado, não obtendo resposta alguma. — Cadê o meu menino, Antonella? — Insistiu.

Ela simplesmente mordeu os lábios e voltou a fitar as próprias mãos inquietas, apoiadas acima de sua camisola ensanguentada.

— Você é inacreditável. — Rosnou estremecida; continha algum ódio em sua voz, embora também estivesse banhada de exaustão e melancolia.

— Então você conseguiu aparecer, Sandro. — Valerie interrompeu ao caminhar para dentro do cômodo, sutilmente colocando uma das mãos no ombro daquele indivíduo como se quisesse confortá-lo. Quando ele hesitantemente virou-se decentemente para ela e a viu balançar a cabeça em negação com uma expressão decepcionada, compreendeu perfeitamente o ocorrido. — Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance, mas eu já tinha avisado desde o início que seria uma gravidez de risco, assim como a anterior. — Alegou pesarosa, e o semblante dele instantaneamente tornou-se indecifrável. — A sua mulher está um pouco instável emocionalmente. O físico dela está bem, o parto em si ocorreu de uma forma correta, mas infelizmente o feto nasceu sem respirar. — Essa última parte saiu como um sussurro para que a pessoa em questão não conseguisse ouvir.

Sandro engoliu seco e assentiu, empenhando-se em manter a calma para não piorar as coisas. Tudo o que Antonella precisava agora era de apoio, e se ele se deixasse sucumbir às emoções, não conseguiria ser um pilar sólido para ela. Há anos estavam lutando para ter uma criança, entretanto da última vez que sua esposa conseguira engravidar, um acidente causou-lhe a perda do bebê. Agora ela já não era mais tão jovem, mas por algum acaso do destino ficara grávida outra vez e decidiu manter as esperanças, embora ciente de que seria um risco para a própria saúde prosseguir com a gestação. As possibilidades de um aborto involuntário na sua idade eram grandes, e infelizmente, acabaram perdendo outro filho.

— Eu estou aqui, amore mio. Nós temos um ao outro. — Aproximou-se uma vez mais, no intuito de acalmá-la mesmo que minimamente. Também estava destruído com a notícia, mas a situação requeria que se mantivesse firme para não quebrá-la mais ainda. — Não me afasta de novo.

— Nós temos um ao outro? — Soou incrédula, pegando com dificuldade um dos travesseiros em que estava apoiada para arremessá-lo com toda a sua força restante em direção ao seu cônjuge. O objeto não chegou a acertá-lo; estava enfraquecida, e a adrenalina não era suficiente para ajudá-la a reagir como gostaria. — Nós temos um ao outro merda nenhuma, seu disgraziato. Você é sempre ocupado, sempre tem alguma coisa mais importante pra fazer, nunca aparece quando eu mais preciso de você do meu lado. — Estava aflita, seu timbre baixo saía com muito esforço da garganta entalada pelo choro, já dominada por uma mistura de emoções que lhe atingiam como um tsunami. — Ele morreu nos meus braços... — empurrou com muito custo as lágrimas para dentro, antes de seguir: — nos meus braços, Sandro! Eu vi ele nascer sem respirar, e depois vi ele sendo jogado em um saco de lixo como se não valesse nada! — Aqui um grito agudo tomou conta, ainda que necessário muito esforço para fazê-lo sair de seus lábios. — Eu vi eles descartando ele como lixo, e você não estava aqui nem pra segurar a minha mão enquanto eu via isso!

— Eu vim o mais rápido que pude, mas eu não posso negar as minhas obrigações. — Argumentou impassível, sem deixar transparecer toda a culpa que o corroía. — Você sabe que eu queria estar aqui com você.

— A única coisa que eu sei é que eu nunca vou ser uma prioridade na sua vida, e eu me arrependo amargamente todos os dias da minha vida por ter me casado com um carcamano frio. — Fechou os punhos e bateu-os contra o tórax dele, fungando cabisbaixa. — Eu me casei com a porra de um assassino! — Esbravejou, obrigando-o a abraçá-la com força para impedi-la de seguir falando coisas que não deveria. Normalmente a repreenderia pela imprudência, porém não estava em posição de julgá-la.

Kate encontrava-se completamente desaconchegada por ouvir àquilo tudo. Uma parte de si queria gritar e implorar por perdão à Antonella, já que por sua culpa o casal estava se desentendendo, mas não eram assuntos que lhe diziam respeito, e interromper seria rude. Sentia que deveria sair dali para dar-lhes um pouco de privacidade, mas sabia que não era prudente desobedecer às ordens daquele homem, principalmente se estava tão alterado pelos acontecimentos recentes.

— Me solta, imbecil. — Antonella o empurrou com força, desvencilhando-se bruscamente de seu conforto. — Eu não quero as suas mãos em cima de mim.

— Eu queria estar aqui do seu lado. Sinto muito por não ter conseguido. — Rumorejou terno, mantendo alguma distância para não irritá-la mais.

— Você sempre quer, sempre diz que quer, mas nunca está. — Rosnou entre dentes, arremessando outro travesseiro em direção à seu marido, que não teve reação alguma ao ser acertado em cheio. — Eu acho engraçado como você sempre tem disponibilidade para fazer todo tipo de merda pelo Don, mas não podia estar aqui nem pra enterrar o próprio filho que foi jogado fora como lixo. Ele foi tratado como lixo, Sandro! — Cobriu o rosto com as mãos, desabando em sua miséria interior. A dor da perda era insuportável, mas ter sido forçada a passar por tudo sozinha tornava tudo mais difícil.

Ver sua esposa tão vulnerável cortava o coração do conselheiro, porém não podia forçá-la a aceitar sua aproximação. Compreendia seu erro e tinha ciência de que, talvez, permiti-la descontar todas as suas angústias sem contestar e dar-lhe um tempo sozinha fosse a melhor opção.

— Foi tudo minha culpa. — A voz de Kate ecoou manhosa pelo cômodo. Não conseguia mais tolerar ver toda a situação piorando gradativamente por sua responsabilidade. Todas as probabilidades existentes haviam passado em sua cabeça e a única opção plausível para consertar o dano feito pelo seu pedido de socorro era agir e explicar o ocorrido. Antes que pudesse ser detida, dirigiu-se até aquela mulher em passos rápidos e a envolveu em seus braços, na tentativa de confortá-la. Na realidade, para que pudessem consolar uma à outra. Seu dia também não havia sido dos melhores. — Me desculpa, se ele não tivesse saído pra me ajudar, se eu não tivesse ligado pra incomodar tão tarde, ele... ele estaria aqui com você, e você não teria que sofrer tanto. — Sussurrou, sem fazer questão de afastar-se. Antonella não parecia se importar com sua presença; honestamente, ela até mesmo demonstrava algum apreço, pois não demorou muito até que a apertasse contra seu corpo e retribuísse o gesto buscando desesperadamente por seu calor e aconchego.

Valerie sentiu que elas precisavam de espaço, então tomou a liberdade de arrastar Sandro consigo até o corredor, fechando a porta para deixá-las à sós. Por ser sempre racional, ele compreendeu as circunstâncias e deu de ombros, dirigindo-se até a cafeteria do local após ordenar aos homens da famiglia que guardavam o corredor para que não saíssem de seus postos em hipótese alguma.

Como uma enorme surpresa, Diego apareceu à sua frente depois de alguns minutos, ofegante e aparentemente preocupado. Seu tio definitivamente não esperava encontrá-lo. Imaginava que, a uma hora dessas, estaria em um clube noturno completamente bêbado e rodeado de mulheres, gastando seu dinheiro em hotéis caríssimos como se não fosse nada.

— Tio, você... — Iniciou diálogo em tom baixo e entristecido, sentando-se ao seu lado para fazer-lhe alguma companhia. Colocando uma das mãos em seu ombro no intuito de confortá-lo, pigarreou antes de seguir: — Você e a tia estão aguentando bem? Precisa de alguma coisa?

Sandro arqueou as sobrancelhas em espanto. Não era do feitio daquele rapaz agir de forma tão sentimental e altruísta, sobretudo se isso implicava na perda de uma noite inteira de curtição. Aliviado por sua descoberta, ele balançou a cabeça negativamente e forçou um sorriso fraco, não querendo afligi-lo mais do que o necessário.

— Ela está destruída, mas nós vamos passar por isso. — Disse como se estivesse tentando convencer a si mesmo. Uma parte sua tinha medo de que jamais fosse perdoado pelo erro cometido. Cansado, um suspiro escapou de sua boca e um silêncio constrangedor tomou conta, até que seus olhos parassem em uma pasta chamativa nas mãos de seu sobrinho, atiçando sua curiosidade. — O que é isso? — Questionou, apontando em direção aos documentos com o queixo.

— Não precisa se preocupar com isso, tio, de verdade. — Desviou o assunto, sem vontade alguma de incomodá-lo em uma hora tão crítica.

— Eu te fiz uma pergunta. — Sua fala saiu quase como uma ordem, impassível e dominante, sem brechas para mentiras ou brincadeiras.

— Tudo bem, mas eu só queria te poupar de mais problemas. — Diego ergueu os braços, dando-se por vencido e deslizando a pasta pela mesa. — Esses são os dados da menina que você foi buscar mais cedo. A Kate.

O conselheiro franziu o cenho em estranheza e começou a passar o dedo entre as folhas no intuito de lê-las com rapidez. Ali existiam fotos de pessoas desconhecidas, informações pessoais da garota em questão, e por fim, algo que lhe chamara muito a atenção.

— Que carta é essa? — Puxou o papel do meio de todas as outras páginas, deparando-se com um texto de ameaça escrito em sua língua nativa, seguido pela foto de um casal sem vida estirado ao chão; as faces deformadas pelos buracos de balas feitos ali e os corpos cheios de hematomas nada sutis. Uma cena desagradável de se ver, mas ainda assim, ele encontrou-se vidrado na imagem, passando o polegar por ela como se prestasse suas condolências.

— É um aviso. O padrinho disse que deve vir dos Romano, mas estamos investigando para ter certeza. — Engoliu seco, sentindo uma mistura de rancor, culpa e nojo ao contemplar o retrato. — Ela foi abandonada em um orfanato aos dois anos de idade e adotada por uma senhora que morreu poucos anos depois dela completar dezesseis. — Aqui seu tom diminuiu, quase tornando-se um sussurro: — esses na foto eram os responsáveis adotivos dela, irmãos da falecida senhora. Eles bancavam os estudos, moradia e comida da menina.

— E agora? Ela não tem mais ninguém?

— Não. Não mais. A família biológica não quer contato nenhum, e esses dois eram os últimos da adotiva. — Alegou angustiado, cerrando os punhos. Conhecia perfeitamente a sensação de abandono, e podia afirmar com propriedade que não era nada agradável. — Alguma sugestão sobre o que a gente deveria fazer com ela? — Indagou receoso, dominado por uma onda de arrependimento. Aparentemente não estava sozinho nesse quesito, porque a expressão de seu tio também não era nada boa.

— Além de oferecer apoio monetário e pedir perdão? Sinceramente, não tem muito o que fazer. — Retrucou seco, frustrado pelo envolvimento de civis em uma guerra entre famílias, e mais ainda por saber que, como conselheiro, seria ele o responsável por limpar toda a sujeira depois. Lidar com ameaças ou assuntos mórbidos não eram sua função, apesar de raramente desempenhá-las por necessidade, porém coisas que poderiam ser resolvidas na base do diálogo ou negociações? Definitivamente seriam uma obrigação sua. — Nós precisamos da permissão do Don pra agir, e vamos colocar as cartas na mesa aqui... se isso foi realmente obra dos Romano, eles também vão atrás dos outros amigos da bambina ou de qualquer outra pessoa que teve o mínimo de envolvimento com algum membro da famiglia.

— Eles não têm honra nenhuma, envolvendo gente de fora assim. — Diego rosnou alterado, respirando fundo para não acabar xingando alto como tanto queria para extravasar. No fundo de sua mente, surgira um pensamento involuntário desejando que pudessem contar com a ajuda de um assassino habilidoso como Hector em um momento como esse. — Eu nem sabia que isso era permitido. Por que as outras grandes famílias ainda não caíram matando em cima deles? — Rangeu os dentes, cruzando os braços no intuito de segurar sua ansiedade.

— A maioria continua está em cima do muro depois da última reunião. Alguns voltaram a nos apoiar, outros continuam apoiando o outro lado, e os que não se encaixam em nenhuma dessas opções é porque ainda têm dúvidas sobre os benefícios que vão conseguir ou perder se decidirem escolher alguém. De alguma forma é mais vantajoso pra eles se continuarem em termos neutros com os dois lados. — Esclareceu, ajeitando a postura na cadeira. — Eles começaram sequestrando a filha do nosso Don, que até pouco tempo nem ao menos existia para o mundo exterior, o que foi um grande choque. Como resposta, nós matamos um filho do falecido Don Romano e os outros devem pensar que matamos o Vincenzo também. Isso começou sem honra alguma desde o momento que decidiram envolver uma menina inocente e nos obrigaram a fazer o mesmo. — Argumentou ríspido, com muita vontade de ter um cigarro entre os dedos. Infelizmente, já conseguia notar o olhar ameaçador de Valerie em suas costas.

— Tio, você quer um tempo sozinho? Eu posso esperar pelas mulheres se precisar. — O mais jovem ofereceu, empenhando-se em diminuir o peso nas costas daquele sujeito. Apesar de todos os desentendimentos que tinham constantemente, o enxergava como alguém importante em sua vida por tê-lo auxiliado quando precisava, então fazia seu melhor para retribuir.

— Obrigado. — Levantou apoiando-se no ombro do sobrinho, dando ali uma leve apertadinha para demonstrar seu apreço. — Eu acho que vou aceitar a oferta e sair para fumar um pouco, filho. — Exprimiu com um sorriso fraco, fazendo o coração do rapaz falhar uma batida com a palavra utilizada para referir-se à ele. De certa forma era satisfatório descobrir que, mesmo depois de tantos problemas, aquele homem o considerava seu filho. — A Antonella pode ter dificuldades para andar, então eu peço que você cuide dela por mim. Se precisar, use a cadeira de rodas. Ela pode odiar no início, mas vai acabar cedendo. — Terminou, retirando-se em direção às escadarias após receber um aceno afirmativo por parte do garoto.

Pouco mais de uma hora se passara até que Diego o encontrasse novamente, dessa vez, acompanhado pelas duas moças, ainda emocionalmente desestabilizadas. Pareciam confortáveis com a presença uma da outra, e isso trazia um enorme alívio para o conselheiro, que sentia-se extremamente culpado pela miséria de ambas.

O trajeto de volta para casa foi silencioso. Assim que estacionaram em frente à residência dos Stracci, Antonella entrelaçou os dedos nos da garota como se lhe pedisse para não deixá-la sozinha, demonstrando uma exaustão imensurável.

— Pode ficar lá em casa essa noite. — Murmurou quase em tom de súplica, acariciando a palma dela com o indicador. — Está tarde, e não vai ser educado acordá-los a essa hora.

— Tem certeza? Eu não quero continuar incomodando vocês. — Rumorejou tímida, ciente de que poderia acabar sendo um estorvo.

— Você não vai incomodar, pequena. — Sandro interveio, e sua esposa assentiu em concordância. Ele estava contente em tê-la por perto, já que sua mulher parecia confortável em sua presença. — Nós moramos na casa da frente, então não vamos nem precisar sair daqui. — Acrescentou.

— Nossa, vocês moram na frente da Pan? Que coincidência. — Alegou admirada.

— Não é coincidência nenhuma. Digamos que o pai dela gosta de ter gente confiável por perto. — Comentou afadigado, descendo do veículo para acomodar a visitante em sua moradia. A contagem de quartos vazios era alta, portanto não demorou até que encontrasse um mais organizado para recebê-la. Durante sua busca, no entanto, os olhos pararam no cômodo decorado para a chegada do bebê, apertando-lhe o coração e o obrigando a trancafiá-lo instantaneamente, antes que pudesse desencadear más lembranças à sua cônjuge. — O nosso quarto não fica muito longe, então se o meu sobrinho tentar alguma coisa é só gritar que eu venho correndo. — Assegurou-lhe em uma entonação ameaçadora, direcionando um olhar gélido à Diego, capaz de causar-lhe alguns calafrios. Ele apenas jurou de pés juntos jamais se aproximar dela, sem vontade alguma de acabar no noticiário da manhã no dia seguinte.

— Muito obrigada por tudo o que estão fazendo por mim, senhor. — Kate lutou para colocar um sorriso no rosto, já mais tranquila por ter conseguido um lugar para passar a noite.

— Nós não fizemos nada além da nossa obrigação. — O anfitrião deu de ombros, encarando-a como se tivesse algo entalado na garganta; um pedido de desculpas, talvez. — Se não tivesse se envolvido com a bambina, isso provavelmente não teria acontecido.

— Não. — Ela negou com a cabeça, piscando lentamente. — Não foi a Pan que colocou fogo na minha casa, e eu sei que também não foram vocês. Eu sou muito grata pela amizade dela, de verdade. Se não fosse por ela, eu ainda seria assediada e perseguida pelo Ethan diariamente, eu continuaria sofrendo sozinha em silêncio no colégio, sem coragem pra reagir. — Relatou nostálgica; uma nostalgia ruim que lhe causava dores no estômago e uma pontada de pavor que manifestava-se como uma onda gélida percorrendo desde os dedos de seus pés até parar nas bochechas. — Conhecer a Pan foi uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos tempos, e apesar do jeito único que vocês lidam com as coisas, também sempre me trataram muito bem. E, na verdade, quem sou eu pra julgar o modo que alguém escolhe pra viver a própria vida? Eu não tenho esse direito, e seria muita hipocrisia minha dizer que nunca fiz nada de errado. — Articulou cabisbaixa, esfregando os polegares para amenizar o nervosismo. Conseguia sentir as batidas de seu coração nas pontas das orelhas, sem acreditar que havia se permitido ser tão honesta com eles.

— Você é uma boa criança. — O conselheiro sorriu com sinceridade pela primeira vez na noite, estendendo uma das mãos no intuito de tocar brevemente o topo dos cabelos da garota, recuando quase que imediatamente para não acabar forçando uma intimidade que não existia. — Saber que as minhas duas principessas conseguiram encontrar bons amigos me deixa tranquilo.

— E você também pode dormir bem hoje, gatinha, porque nós vamos cuidar de você por enquanto. — Diego colocou um dos braços ao redor da visita, esboçando um sorrisinho ladino que a assustara minimamente.

— Eu posso estar velho, Diego, mas é bom não testar a minha paciência. — Sandro direcionou um olhar fulminante em direção ao rapaz, que sentiu o perigo e não tardou a afastar-se com o rabo entre as pernas. — Melhor assim. Eu vou para a cama, boa noite. — Virou-se para caminhar até seu quarto, entretanto, cessou os passos no meio do caminho ao recordar-se de algo, pigarreando antes de adicionar: — Ah, e leve ela para fazer compras amanhã, use o meu cartão e compre tudo que ela precisa.

— O quê? — Kate balançou as mãos em recusa, admirada com a gentileza. — É claro que não, eu não posso aceitar que o senhor continue tendo trabalho por minha causa. Você não tem obrigação nenhuma de me ajudar, ainda mais depois de tudo o que já fez por mim. — Argumentou sem graça, escondendo a face ruborescida.

— Então você prefere antar por aí usando a mesma roupa todos os dias? — Interrogou franzindo o cenho. — Até aonde eu sei, o incêndio levou todos os seus pertences. — Reviveu a memória dela, vendo-a morder os lábios quando percebeu que as roupas eram uma necessidade real.

— Eu vou pagar de volta, eu prometo. — Disse envergonhada, sem conseguir acreditar que era um imã ambulante para incômodos. Já estava decepcionada consigo mesma por ser incapaz de não seguir dependendo daquele sujeito.

— Não precisa ficar assim. Nós é que deveríamos ter vergonha por te envolver nos nossos problemas. — Esclareceu, na tentativa de acalmá-la. — Alguns milhares de dólares não significam nada para mim, mas você perdeu tudo o que tinha, e isso eu não consigo compensar nem com todo o dinheiro do mundo. — Afirmou, despedindo-se ao perceber o clima tenso causado por suas palavras e adentrando um dos quartos de hóspedes da casa. Sua esposa precisava de um tempo sozinha, portanto não a forçaria a permanecer ao seu lado.

Quando Kate decidiu também acomodar-se no lugar designado à ela, seus dedos percorreram por todos os móveis sem pressa alguma. Desde a cômoda ao lado da porta, até os armários, a mesinha, e por fim a cama; a enorme cama que ela jamais imaginaria ter apenas para si, em nenhum momento de sua vida. Era algo que ela não devaneava nem em seus melhores sonhos, e apesar de estar em um local que não a pertencia, ali, com os pés descalços e a cabeça tão confortavelmente afundada no travesseiro, sentiu-se mais acolhida e em casa do que nunca.

Pela manhã, depois de uma das suas melhores noites de sono e um café da manhã delicioso e farto, acompanhou Diego até a porta principal para irem às compras, aproveitando que suas duas primeiras aulas do dia eram vagas. Ele gentilmente colocou uma das mãos ao redor de sua cintura para empurrá-la ao lado de fora, sinalizando que trancaria a fechadura assim que ela saísse. Assim que colocaram os pés na rua, depararam-se com Evan e Sandro discutindo em frente à residência dos Stracci, e não demorou muito até que o olhar da menina se cruzasse com o do amigo, causando um clima cheio de estranheza, em especial por estar com as vestes do dia anterior e sendo tocada por Diego daquela forma.

— Adams? — A atenção dele desviou-se do conselheiro e direcionou-se à ela; sua voz soara desconfiada; o olhar vagava entre a garota e o braço em sua cintura, aumentando a tensão. Algum lugar em sua cabeça queria muito acreditar que ela não estava traindo a confiança de Isis, entretanto a situação era deveras esquisita. — Você passou a noite com esse cara? — Franziu o sobrolho, sem quebrar contato visual para intimidá-la a não mentir.

— Bom dia pra você também, Evan. — Revirou os olhos, percebendo o ar de insinuação. — Se você tivesse saído da sua bolha pra olhar as mensagens em grupo que eu mandei ontem, saberia que a minha casa pegou fogo e eu não tinha pra onde ir. — Ralhou com os ombros endurecidos, sem vontade alguma de aguentar a piedade ou os sermões do colega.

— Pegou fogo? Como assim? — Repetiu abismado. — Espera, com certeza foi culpa de vocês isso, não foi? — Falou diretamente à Diego, avançando para segurar seu colarinho como uma advertência. Antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, percebeu alguém tocando seu ombro, virando-se para averiguar.

— Se você encostar no meu sobrinho ou nessa menina, eu juro que corto suas mãos fora. Eu já deixei claro que sou um homem sensato, mas nem mesmo eu tenho mais paciência para o seu drama, moleque. — Sandro alertou com frieza, causando arrepios de alerta em todo o corpo de Kate, ainda não acostumada com esse lado mais violento dele. Evan instantaneamente compreendeu o recado, retrocedendo e permitindo que os ombros caíssem após relaxar e respirar fundo. — Melhor assim. Espero não ter mais que continuar aguentando suas merdas. — Bufou, prontificando-se a recuar também.

Diego esboçou um sorrisinho debochado, arrumando as próprias vestimentas que foram bagunçadas pelo garoto.

— O que tá acontecendo com você ultimamente, Evan? Você nunca foi assim agressivo, e sua arrogância piorou muito. — Kate alegou com ternura, aproximando-se dele para fitá-lo empaticamente nos olhos, demonstrando toda a sua preocupação. — Desde que a Pan chegou você fica agindo como macho alfa e latindo para todos os lados, o que foi? Você se sente insuficiente perto dela por causa das pessoas perigosas e interessantes que já fazem parte da vida dela? — Inquiriu em um sussurro, notando que ele havia arregalado minimamente os olhos, como um indício de que sua suposição tinha um fundo de verdade.

— Buongiorno. — A voz rouca de Hans fez-se audível pela rua deserta, e instintivamente Evan começou a suar frio, sendo incapaz até de respondê-lo educadamente como todos os outros.

— E-eu preciso ir agora, Adams. Entrega isso pra ruivinha se ela por algum milagre sair de casa. — Gaguejou estremecido, jogando nas mãos dela o buquê e a caixa de chocolate que tinha consigo antes de sair rapidamente até sua moto.

Diego e Sandro lutaram para conter o riso, porém fora impossível. Não tinha melhor satisfação do que vê-lo tão covardemente fugindo com o rabo entre as pernas, em especial após todas as cenas causadas nos dias anteriores. Chegava a ser cômico.

— O que foi isso? — Kate surpreendeu-se com a euforia repentina do amigo, fitando as coisas que lhe foram entregues.

— Isso, menina, foi um pirralho sem colhões que só sabe latir. — O Don retrucou ríspido, dando uma baforada no cigarro que trazia consigo entre os dentes. — Aliás, consigliere mio — fez contato visual com Sandro, antes de continuar: — sinto muito pela sua perda. Você quer fazer um funeral?

— Um funeral? — Questionou intrigado, ponderando a ideia.

— Sim, talvez ajude a Antonella a se sentir melhor. Nós não vamos ter o corpo, mas ao menos podemos fazer algo simbólico essa tarde. Uma despedida dela para a criança.

— Então ainda existe um coração aí dentro de você, afinal de contas. — A mulher em questão avizinhou-se de ambos, em passos lentos e arrastados. Suas enormes olheiras estavam bem à mostra, e os ombros cobriam-se com um xale preto para demonstrar seu luto, mas ainda restavam-lhe forças para roubar o tabaco do chefe de seu marido e dar uma longa tragada, saboreando cada segundo de sua miséria. Hans grunhiu descontente com a grosseria, contudo não seria desumano a ponto de repreendê-la. — Eu vou aceitar a oferta, obrigada Don Stracci. — Murmurou exausta, embora estivesse melhor do que na noite anterior.

— Não sabia que você já tinha se levantado, quer um macchiato? Precisa que eu compre algo para você comer? — Sandro ofereceu, desejando ter mais proximidade emocional. Estava chateado por não ter conseguido ficar ao seu lado e ajudá-la a passar por tudo.

— Não. — Enunciou negando com a cabeça, puxando os dois jovens para o seu lado e entrelaçando os braços nos deles antes de completar: — Pensei em passar um momento em família hoje, com vocês três. — Forçou um sorriso fraco, ainda incapaz de superar os acontecimentos mais recentes. Bom, já havia enfrentado a dor da tristeza inúmeras vezes, então como sempre, só lhe restava a opção de engolir a tristeza e seguir em frente. A melhor opção para começar a colocar isso em prática era distrair-se com outros afazeres.

"Família". Aquela palavra fez com que as batidas de Kate se descompassassem. Era a primeira vez em muitos anos que alguém havia utilizado aquela palavra para referir-se à ela, e a sensação de aconchego era inexplicável. Parecia que seu coração saltaria de sua garganta a qualquer segundo com toda a sua alegria.

— Eu não sei se posso, mulher. Estamos no meio de uma vendetta declarada. — O conselheiro coçou a nuca para apaziguar o nervosismo, ciente de que mais uma vez estava colocando o trabalho como prioridade.

— Pode ir, meu amigo. Descanse alguns dias e fique de luto, vocês precisam disso. — Hans exprimiu despreocupado, o deixando espantado. Não era típico que fosse tão compreensivo. — Eu vou ficar em casa com a Alice hoje, então minha bambina está segura. — Consumou, voltando para dentro de sua casa antes de ser contestado.

Sandro agradeceu-o mentalmente, aliviado por conseguir algum tempo para confortar sua cônjuge. Ousou tocar sua mão quando acomodaram-se no carro, e para sua felicidade, ao invés de afastá-lo como antes, ela agora entrelaçou os dedos nos seus e deu um leve aperto em sua mão, demonstrando que ficaria bem.

Passar a manhã com Sandro e sua família foi uma das coisas mais aconchegantes que Kate já tinha experienciado. Diferente do que imaginava, eram apenas pessoas comuns com seus próprios problemas, e não os assassinos frios que todos faziam parecer. O conselheiro em especial era o mais humano entre eles, embora seu primeiro encontro à frente de sua antiga casa não tivesse sido dos melhores. Sua natureza mais bruta e sanguinária encontrava-se aflorada graças às atitudes de Ethan para com Pan, então era compreensível.

Antonella agia como uma mãe que ela nunca teve, sempre atenciosa e gentil, ajudando-a com as roupas no provador e mimando-a com todas as coisas que uma adolescente poderia querer. Era como se estivesse tentando preencher o vazio deixado pelos filhos que nunca foi capaz de conceber, e para ela, a presença de Kate tornara-se uma brisa de ar fresco em meio ao deserto. Ter alguém com quem se preocupar ajudava-lhe a esquecer da própria miséria.

Prontificaram-se a levá-la até o colégio, e assim que colocara os pés para fora do veículo, encontrou-se com os amigos aglomerados em frente ao portão.

— Sarah! — A voz de Alex soou eufórica e desesperada por toda a extensão do quarteirão, à medida que corria até os colegas. — Sarah, você... — colocou as mãos nos joelhos, querendo recuperar o fôlego — você viu o Chris hoje? — Questionou ofegante, aparentemente aflita.

Sarah arregalou minimamente os olhos com o espanto de ter sido chamada pela esportista, já que ultimamente não estavam nos melhores termos. Ainda assim, manteve a compostura e pôs-se a falar:

— Não, ele ainda não chegou. — Retirou o celular do bolso e o desbloqueou o mais rápido que conseguira. — E não respondeu minhas mensagens também. Aconteceu alguma coisa?

— A mãe dele me ligou dizendo que ele saiu de casa pra correr bem cedo e não voltou. Ele levou o celular, mas não atende, e já tá quase na hora da aula e ele ainda não está aqui. — Relatou inquieta, dedilhando os dedos contra seu braço. — O Chris nunca se atrasou pra aula, mesmo doente, então é muito esquisito.

Naoki acercou-se para consolá-la, abraçando-a sutilmente ao observar o quão estava abalada.

— O que aconteceu, gatinha? Você tá com uma cara péssima. — Diego perguntou à Sarah, curioso com a expressão tão horrorizada que esboçava. Alex respirou fundo e explicou novamente o ocorrido, fazendo-o cerrar os dentes. — Merda. — Rosnou, voltando para o carro no intuito de repassar as informações à seu tio, ciente de que decerto aquele garoto pudesse ser o próximo alvo dos inimigos da família.

— Ligue para o Hans, Antonella. — Sandro requisitou, sendo prontamente obedecido. — Contate os Bertolucci, Diego. Peça para fecharem as saídas norte e leste da cidade, vou dar a ordem para os nossos contatos na polícia checarem as rodovias em obras no sul. — Desceu do carro, apontando com o queixo para que a outra filha de seu Don viesse em sua direção. — Principessa, ligue para o Matteo e peça para ele cobrir a parte oeste com alguns dos nossos homens. — Pediu ternamente, odiando ter que envolvê-la nos negócios, ainda que fosse apenas uma chamada. Quando a viu concordar, afastou-se dos adolescentes para que não ouvissem sua conversa.

— O que tá acontecendo? Como assim contatos na polícia? — Alex questionou receosa, com medo de todas as mais recentes ocorrências ao seu redor. Primeiro o assassinato na première de Isis, depois o brutal esfaqueamento de Ethan em seu colégio, o incêndio na casa de Kate e agora o sumiço de seu vizinho e melhor amigo de infância? Alguma coisa estava definitivamente errada, e ela era a única que parecia não saber exatamente o quê. — Tem alguma coisa que vocês não estão me contando, Sarah? — Insistiu, com os olhos já marejados. Naoki não pôde evitar a pontada em seu peito ao sentir que estavam escondendo dela algo muito importante. Na realidade, realmente estavam. Era a única que não sabia sobre a família de Pan, e dadas as últimas ocorrências, talvez a possibilidade de seguirem mentindo não existia mais.

— Eu prometo que vou te explicar tudo depois, pode ser? Por favor. — Solicitou estremecida, recebendo uma resposta hesitantemente afirmativa. Alex não a forçaria a dizer se estava tão alterada, mas voltaria ao assunto quando tudo fosse resolvido.

— Diego, você fica aqui. Chame mais alguns homens e proteja as outras crianças por enquanto. — O conselheiro ordenou.

— Eu vou com vocês. — Sarah acomodou-se no banco de trás do carro, apertando o cinto para demonstrar que não sairia dali. — Eu preciso ver pessoalmente se ele está bem. — Teimou, obrigando-o a suspirar e aceitar as circunstâncias. Não tinha tempo para tentar convencê-la a abandonar essa ideia estúpida.

— Nós não temos nem sequer um dia de paz nesse inferno. — Sandro bufou entre dentes, apertando o volante enquanto negava com a cabeça e amaldiçoava mentalmente todos os que decidiram quebrar as regras de honra ao envolver civis em uma guerra pessoal.

Notas finais
Eita, quanta treta. Primeiro a Kate, agora o Chris... Meu Deus, gente. Vamos torcer pra ele ficar bem ♥ CHEGA DE GENTE NO HOSPITAL NESSA HISTÓRIA, POR FAVOR. Espero que tenham gostado, beijiinhos~ ♥